sexta-feira, 24 de abril de 2009

Será que meio conta?

Hoje tomei banho de manhã bem cedinho, ainda com os olhos a recusarem lidar com as fortes luzes que iluminam a minha casa-de-banho. A questão é que, a meio do banho, muito concentrada a tentar lavar o cabelo e massajar o couro cabeludo ao mesmo tempo, como fazem maravilhosamente no meu cabeleireiro, noto que se solta um cabelito... Puxo-o diligentemente (odeio cabelos colados ao corpo, blergh!) e, qual não é o meu espanto, conforme vai saindo da massa de milhentos cabelos castanhos, o cabelo deixa de ser escuro e passa a... branco???? B-r-a-n-c-o? Pronto, aí abri os olhos de vez, mas agora não eram os olhos que se recusavam a ver, era o meu cérebro que se recusava a processar aquela informação.
Primeiro, entrei em denial. Desde a nascença tenho um cabelo branco no meio de uma generosa cabeleira castanha escura. Este cabelito, que o meu pediatra dizia ser como um sinal, mas em forma de pêlo, tem uma resiliência digna de um gato. Volta sempre a nascer, apesar das muitas vezes que foi arrancado com ganas por simpáticas criancinhas ou adultos excessivamente curiosos. Ou seja, esta manhã pensei que o dito cabelo seria este sinal de nascença. A fase denial não durou muito. É que este cabelo era só branco até meio, e não totalmente branco como o do sinal, algo que eu comprovei nas "n" vezes em que foi impiedosamente arrancado. Passei assim para a fase inventive. Ora, tinha-me caído um cabelo que, por algum mal estranho, estava branco do meio até à ponta. Quem sabe, uma gota de descolorante da companheira do lado no cabeleireiro tinha, por engano, salpicado para o meu cabelo, caído sobre aquele fio em especial e descolorado o pobre até à ponta? Ao crescer, nascia escuro, mas a parte horrorosamente descolorada ainda não tinha sido cortada. Boa? Esta teoria, apesar de boa, infelizmente também não resistiu muito, submersa pela realidade. A parte que estava branca não era a ponta, mas a que trazia agarrada aquela bolinha a que nós chamamos raíz e que no CSI serve para apanhar tantos e tantos bandidos com problemas de queda de cabelo! Recapitulando: a ponta era escura, a raíz, branca. Ponta, escura; raíz, branca. NÃOOOOOOO! A realidade caiu-me em cima como uma bomba. Aquele meu cabelinho tinha nascido, há sabe-se lá quanto tempo, castanhinho como manda nosso senhor (sim, ele não gosta de cabelos brancos, que eu sei) e a meio do seu percurso tornou-se... tornou-se.... branco! Snifff! Que horror! Estou a ficar com cabelos brancos!
Saí rapidamente do duche, completamente esquecidas as massagens ao couro cabeludo, enxuguei a trunfa com a toalha e toca de lhe dar com o secador até estar sequinho. E vá de procurar. Procurei em cima, junto às raízes, e madeixa a madeixa, do lado direito, do lado esquerdo, o mais atrás que me foi possível (não queria partir o pescoço, mas de um torcicolo já ninguém me livra), com a ajuda de um pente, em frente ao espelho. Parecia uma macaquinha, a catar-me a mim própria, mas o que parece certo é que, iuppii!, não achei mais nenhum cabelo descolorado. Nem o de nascença! Com um bocado de sorte aquele fio de cabelo foi um engano, uma experiência a ser retomada daqui a cerca de uma década, quem sabe nem sequer era meu, e afinal eu não estou ainda a ficar com cabelos bancos.
Ah, mas claro que, pelo sim pelo não, já apresentei uma reclamação a quem de direito: a minha mãe, quem havia de ser? Ora se tenho o cabelo igual ao dela, e ela só teve os primeiros brancos aos 40 e tal, teve que fazer alguma coisa mal quando me preparou a mim!!! E tenho dito.

5 comentários:

Andorinha disse...

LOL
Eu tenho cabelos brancos desde os 5 anos. O primeiro apareceu qdo eu tinha 5 anos, quero dizer. Hj em dia são uma praga que faz com que pinte o cabelo ora de castanho, ora lhe faça umas magníficas madeixas pra disfarçar a coisa. Faz parte! Herdado do meu querido Pai! :D Podia-me ter dado uma coisa mais jeitosa, não achas?

Goldfish disse...

5 anos? Fogo... Em abono da verdade, a maior parte das minhas amigas já tem cabelos brancos; mas eu contava mm com a sua ausência até aos 45! A hereditariedade sucks! Mas há ainda pior... tenho enxaquecas desde os 6 anos e mais ninguém na família as tem! :s
Francamente, o que mais me chateia são as pinturas, madeixas e afins; é q ñ tenho paciência nenhuma! Boa sorte para as tuas ;)

Andorinha disse...

Prefiro os meus cabelos brancos às tuas enxaquecas. Não é que seja da minha conta, mas eu se fosse a ti pedia um TAC muito do bem feitinho. Não te quero assustar, mas ter enxaquecas não é em absoluto, natural...a minha primita mais nova descobriu aos 16 que as enxaquecas dela desde pequenas eram resultantes dum coágulo que tinha no cérebro e se formou qdo tinha 5 anos...não te quero assustar, a sério, mas devias mesmo fazer uma bateria de testes. :)
PS: tb nao tenho paciencia pras pinturas, mas a vaidade fala mais alto! :D

Pedro Lopes disse...

um cabelo branco
esse assassino
do bem estar

procurado
perseguido
tratado
como um bandido

:-)
coitado do cabelo branco :-)

Goldfish disse...

Coitado?! Ñ, ñ, coitado é q ñ! Então ataca-me ainda mal celebrei os trinta! Deveria ser julgado em tribunal (mas em Portugal ñ, que não vale a pena) e condenado a só poder voltar a atezanar-me daqui a dez anos (mínimo....)