segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Vivam os cabides metálicos

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Desde que estou na nova casa um cabide da 5 à sec, completamente desfigurado, já serviu para:
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1. Desentupir o cano do esgoto da máquina da loiça (apesar de o prédio já ter mais de 20 anos nunca nnenhum dos inquilinos teve uma e o cano ainda estava atulhado de lixo da construção);
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2. Desentupir o tubo do aspirador, atulhado de cascas de amendoim que eu fui demasiado preguiçosa para varrer (nunca é tarde para aprender: cascas de amendoim varrem-se, não se aspiram);
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3. Pescar a tomada do fogão, caída atrás do mesmo depois de ser desligada da ficha por motivos de força maior.
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Belém, era isto que devia estar aí hasteado

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Tirado à Isa.
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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Iluminar o futuro

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Ainda anteontem na mercearia - eu gosto de ouvir as pessoas na mercearia, dão-nos uma perspectiva ainda mais real da sociedade do que os comentários nos jornais online, com a vantagem de não ter de levar com tanto palavrão - se falava das charadas que antigamente se aprendiam, como uma sobre algo nascer verde, pôr-se de luto e, depois de muitos sofrimento, dar luz (sendo a azeitona a resposta). Eu, que sempre gostei destes jogos de palavras, até porque me lembro de os ouvir do meu avô quando era pequena, ia ouvindo, sorrindo e dizendo que não sabia as respostas - só acertei a da azeitona, mas porque me lembrava. E também ouvi que parecia impossível, uma menina estudada não conseguir adivinhar estas coisas - como se as charadas fossem absolutamente lógicas e portanto reveladoras de inteligência ou educação, e não apenas um jogo de palavras, engraçado, está certo, mas pouco mais do que isso. Acerca da charada da azeitona comentei que hoje em dia seria difícil encontrar uma criança que percebesse aquilo, pois a maioria não saberá que o azeite serviu, um dia, como combustível e não como tempero. Mas que sabem outras coisas, muito diferentes. E as minhas crianças demonstraram-no ontem. Como revisão, pus no quadro imagens de um crocodilo, um tigre, um gato, um macaco e uma cobra e perguntei qual dos animais não pertencia ali. A primeira de dedo no ar respondeu "É o gato, que é um animal doméstico e os outros são selvagens" e eu disse que sim, a resposta estava correta - mas havia outras, quem me dizia? E não tardou um menino dizer-me "É a cobra, porque é a única que não tem patas." Correto também. Esta elasticidade mental era o que as charadas, com as suas respostas enigmáticas mas imutáveis, não conseguiam alcançar. Os meninos que me responderam têm entre 5, 6 e 7 anos, metade ainda não sabe ler nem escrever. Acham que sabem pouco? Eu não.
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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Não necessita de título

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Tirado sem hesitações nem pudor do blog da kiss me.
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terça-feira, 18 de setembro de 2012

O diabo está nos detalhes

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Vi um título de um post de há algum tempo que dizia "Quando for grande vou viver no 4º andar". Já cheguei ao 3º, agora é só mais um esforço. Mas no 4º vou mesmo ter de ter elevador.
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Só falam do beijo

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Ainda não ouvi ninguém falar num grupo que, na manifestação de Lisboa, empunhava cartazes a imitar os pacotes de açúcar Nicola da coleção "Hoje é o dia", com frases como "Um dia ficas sem subsídios. Hoje é o dia." Ou só eu é que achei piada?
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Baixou em mim a luz

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Dizia-me uma pessoa que todos os entrevistados pela TV na manifestação de Sábado estavam empregados. Esta afirmação deixa implícita (eu sei, eu conheço) a crítica aos que confortáveis, com emprego, sabe-se lá a ganhar quanto, se queixam, enquanto outros há, pobres coitados, que nem emprego têm - e não foram choramingar para as ruas. Eu podia ter pegado por tanto lado - mais não fosse pela óbvia representatividade estatística das entrevistas conduzidas e posteriormente editadas por um canal de televisão - no entanto baixou em mim uma ideia que, mesmo que não tenha atingido o alvo me iluminou a manhã e voltou a justificar a minha e tantas outras idas à manifestação. O que respondi foi apenas "Parece-me que o facto de estarem numa manifestação pessoas com emprego fala mais sobre quem, sem emprego, não pôs lá os pés, do que sobre aqueles que, empregados, foram."
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sábado, 15 de setembro de 2012

A única coisa necessária ao triunfo do mal é os Homens bons não fazerem nada*

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Eu não gosto de manifestações, detesto ajuntamentos de pessoas e tenho sempre receio de levar por tabela. Mas hoje vai ter de ser. Com ou sem excesso de gente. Com ou sem receio de carga policial. Com ou sem calor. Com ou sem tantas coisas boas para fazer. E porquê desta vez? Porque já é mais tarde que cedo e, continuando a caminhar neste sentido acredito que entramos sem retorno na espiral falta de trabalho, falta de poder de compra, fecho de mais empresas, mais despedimentos, menos poder de compra, etc., etc.. Vamos mostrar que não há consenso em relação a estas medidas. Não queremos partir isto tudo, não queremos deixar de pagar, a troika, a Merkel e a UE não têm um mandato dos portugueses. Os nossos governantes, sim. E esses é que têm de perceber que já chega, há que começar a pegar por outro lado. E não me lixem - há muito por onde pegar. A começar por si próprios.
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* Andava à procura da frase, dei com ela na Arte da Preguiça.
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A verdade é mais estranha que a mentira

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Estão a ver quando nos filmes aparece uma mulher com um olho negro que justifica a mazela com um acidente contra uma porta e nós, telespectadores e guionistas de bancada, pensamos como teríamos encontrado uma resposta melhor e tão mais credível? Pois digo-vos que a realidade é ainda mais inverosível que os filmes: hoje, perante o meu olho negro e após muito pensar, cheguei à conclusão que só pode ter sido de uma coisa: o par de murros que dei a mim mesma ao colocar os óculos da natação. Credível? Nããã! Verdade? Sim.
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terça-feira, 11 de setembro de 2012

(Sementes da) Revolta

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Eu nunca vi um dos nossos governantes mas hoje sei o que faria se me cruzasse com alguém do governo que reconhecesse. Virava-lhe as costas. Mudava, ostensivamente, de passeio. Vaiava-o (um bom velho 'buuu' chegava). Brandos costumes, povo ordeiro - tudo bem. Nada ganhávamos em atirar pedras ou insultos, em bater ou em cuspir na fronha de um dos nossos ministros - além da lama lavada e de uma visita às instalações da polícia. Mas há formas de mostrar o descontentamento igualmente óbvias e que não constituem crime. Imaginem, por exemplo, a ida ao concerto de Pedro Passos Coelho na 6ª feira, logo a seguir à comunicação ao país se, em vez de nada se passar, a sala em peso o vaiasse. Se as pessoas não se sentassem, ficando teimosamente de pé e de costas para ele. Ou se até apenas metade o fizesse. Nada resolve, podem dizê-lo e têm razão. Mas passava a mensagem - porque alguém tem de mostrar a quem de direito que os limites já foram ultrapassados.
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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

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Procurou as chaves de casa antes de entrarmos no carro, escondidas numa das divisórias da bolsa que carrega a tiracolo. Ainda não tínhamos andado 2 minutos quando exclama "Não sei se tenho as chaves de casa!", recomeçando a busca pelas ditas divisórias. Não digo nada, a surdez não ajuda e prefiro evitar chamar-lhe a atenção para estas falhas. Lembra-se  no entanto como, com 20 anos, modificou o sistema de disparo dos canhões do quartel, tornando-os elétricos.
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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Nunca pensei

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Mudar de Lisboa para Amesterdão e de volta para Lisboa deu menos trabalho que mudar de uma freguesia de Lisboa para a do lado. E ainda não tratei da burocracia...
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quinta-feira, 12 de julho de 2012

A vingança nunca para*

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Uma das coisas giras de continuar a morar na zona que me viu crescer é encontrar os "stores" da escola secundária e falar-lhes. Aos que gostavam de nós e ficam felizes pelo encontro e, especialmente, aos que não gostaram de nós e fazem de tudo para evitar, sequer, cruzar o olhar connosco.
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* A.O., eu até me esforço, mas não consigo habituar-me a ti; és feio.
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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Estou tão contente

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O jeito para matar todas as plantas que por minha casa passam já era do meu conhecimento. Afinal descobri que também tenho jeito para as resuscitar!
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(Se vissem o estado do meu pobre manjerico ontem à noite e o de agora até criam em milagres; deve ser porque gosto tanto de manjericos e do seu cheiro.)
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sábado, 7 de julho de 2012

Ai se o Euromilhões fosse tão previsível como o nosso desgoverno

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Eu não disse que vinha aí nova contribuição para a saída da crise? E afinal nem 15 dias demorou, com a ajudinha dos senhores do Tribunal Constitucional que acordaram de repente - algum pesadelo a perturbar o sono de beleza, coitados. Agora quero ver os que achavam que o funcionário público e o reformado só estavam a fazer a sua obrigação ao levar com o corte contentinhos por irem entrar na dança.
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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Não é adágio popular (mas podia)

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Se mãe-galinha foste, avó-galinha serás.
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terça-feira, 3 de julho de 2012

Boas ideias (e exemplos)

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Ando eu a matutar como hei de continuar na profissão que me escolheu (professora) apesar de ter uma licenciatura em Comunicação Social. Será melhor matricular-me no curso de professora primária, dado que dou aulas nesse grau de ensino? Ou tiro um Inglês-Espanhol direcionado ao ensino de alunos mais velhos? Desconfio que o que quer escolha será o que não vai contar um dia que o Inglês no 1º ciclo se torne obrigatório... Ora, dúvidas para quê, tiro os dois! É só seguir o exemplo do nosso querido Miguel Relvas e pedir o reconhecimento da minha experiência profissional! Ainda por cima eu, ao contrário do Miguel, tenho-a.
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Pimenta no rabo dos outros p'ra mim é frescura

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Em conversa com as professoras do colégio, duas sugeriram que eu falasse com o diretor para que fosse o colégio a contratar-me diretamente, mesmo que a recibos verdes, sempre recebia eu os 5€/h que neste momento ficam nas mãos da empresa que me contrata. Depois da reunião perguntaram-me como tinha corrido e o que ele tinha dito - também a elas convém que eu fique, os pais dão muita importância ao Inglês e, por experiência de outros anos, sabem que havendo problemas são elas que levam com as reclamações. Eu expliquei que ele nem me tinha dado hipóteses, que tinha logo dito que queria manter a empresa mas que gostava que eu ficasse. Houve logo quem percebesse a situação do dono do colégio: "se faltas a empresa substitui-te", "se engravidasses era um problema para o colégio substituir-te uma data de meses", etc.. Respondi-lhe algo como "ainda bem que compreendes a posição do doutor, quando for a vez de vocês, professoras de base, ficarem a recibos verdes custa-te menos a aceitar a situação". Porque é que as pessoas são tão egoístas?
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A raiva já passou

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Sou professora de Inglês de crianças dos 3 aos 10 anos (bem, já os tive de 14, 15 ou 16, mas isso são outros quinhentos) - e, a julgar pelas reações de crianças, pais e restantes professores ao fim de cada ano de convivência comigo, além de ser uma profissão que me dá gozo, desempenho-a bem. Mas, apesar de já ser o 5º ano letivo em que dou aulas através da mesma empresa, continuo a recibos verdes e, loucura das loucuras, com o vencimento por hora a diminuir - assim como os enfermeiros, outra classe profissional que também não tem o respeito deste país ou de quem o governa (há alguma que o tenha?). Escolas públicas, colégios particulares, de Chelas a Alvalade, meninos que se tratam por você e crianças que passam noites acordadas à espera que o pai, bêbado, chegue a casa e acabe de espancar a mãe para elas a irem confortar, tratar e pôr na cama, já vi, já conheci, já ensinei, já beijei. Não há nada melhor que se possa fazer pelo Inglês enquanto disciplina não obrigatória e em turmas cujos alunos não têm um conhecimento nivelado do que fazê-los gostar, desinibi-los, encorajá-los. Não há nada pior que se possa fazer do que contratar pessoas que não são capazes de gostar das crianças, que não conseguem impôr alguma disciplina, que não se conseguem adaptar a cada turma e utilizar as estratégias que, naquele caso, melhor funcionam. Não há nada pior do que tratar os que têm jeito e os que não têm - não gosto da dicotomia "os bons e os maus" - da mesma maneira. Neste fim de ano sinto-me lixo: lixo acarinhado, lixo elogiado, lixo desejado, mas lixo na mesma. E já só me sobra o desconsolo.
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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Era uma vez mais um subsídio de Natal

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Diz que o 'Governo (está) sem margem para medidas de austeridade “direccionadas exclusivamente” à função pública'. Dêem-lhes quinze dias e já sabemos de que forma vão os funcionários não-públicos contribuir desta feita para a festa.
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