quarta-feira, 30 de maio de 2012

Política na sala de aula

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O tempo para olhar para um calendário com olhos de ver não tem sido muito e o Dia da Criança que se aproxima não despertou a minha atenção. Marquei por isso um teste não no dia 1, mas para a aula seguinte - sendo que no dia 1 terei de fazer revisões.
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A tristeza por não terem aula livre no dia da criança foi óbvia, apesar da troca prometida - dia 8 é dia da criança para aquela turma, com aula livre. Um dos menos convencidos saiu-se, no final da discussão, com um "Eu detesto o Passos Coelho!" Apesar de mais do que habituada aos comentários sem nexo de muitos alunos este chamou-me a atenção e perguntei a que propósito vinha a afirmação. Resposta pronta: "Então, ele fez com que até as crianças tenham de trabalhar ao feriado!"
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Pois acabou a aula toda a rir, a começar por mim, claro.
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sexta-feira, 25 de maio de 2012

O gosto de ensinar

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É cantar uma música em Inglês, estar a explicar o que é dito para não haver confusões e, depois de um "Red Flag! We can't swim!" Ouvir um vozinha de 7 anos dizer "Claro que não podemos, está red flag!"
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terça-feira, 22 de maio de 2012

Sabedoria antes dos 10

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Diz uma menina de 9 anos, excitadíssima: "Esta semana vou finalmente pôr o aparelho nos dentes!".
Eu, que vivi no tempo em que usar aparelho nada tinha de giro, digo, sem conseguir disfarçar a falta de entusiasmo: "Ainda bem".
Acaba a conversa outra menina de 9 anos, com ar de sofrimento: "Pareces eu quando fui pôr óculos. Mal podia esperar por estarem prontos, mas depois de os ter perderam a graça num instante."
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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Look on the bright side

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O sorriso depois da confissão ("Passo por lá todos os dias mas não me conseguia lembrar de onde era") assusta-me mais que a confissão em si, justificada por muitas dezenas de primaveras. Se ou quando, em vez da casa do frango assado, não encontrar a sua aquele sorriso vai doer mais que muitas lágrimas.
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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Podofobia*

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Já falei por aqui do quanto gosto do mercado de trabalho português e, especialmente, das suas regras bacocas. Não sei onde, que nunca me apeteceu etiquetar os posts e a memória já não é o que era, mas terei com certeza perourado contra os recibos verdes, a segurança social ou qualquer outra subespécie de sanguessuga ligada à tragi-comédia que é o dia-a-dia de um trabalhador neste rectângulo à beira-mar plantado e ao sol estendido. 
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E foi precisamente este último ponto que ontem me veio à memória quando me contaram como num call centre no centro de Lisboa uma trabalhadora não pode ir atender telefones de sandálias. Será com medo que do outro lado do telefone esteja um daqueles maluquinhos que tem nojo dos pés alheios - mas dos que também têm o poder de ver à distância o que está debaixo da secretária de quem o antende? Ou, melhor ainda, que ao cliente-interlocutor-feiticeiro cheire a chulé. Quem sabe estas regras antecipam um grande avanço tecnológico, o dia em que todas as chamadas - até as feitas para os call centres! - serão vídeo-conferências de corpo inteiro (para verem os pézinhos, claro) através de um qualquer aparelho que transmita partículas de cheiro de um lado ao outro (os pézinhos de novo). Pergunto-me para quando pedirem um 86-60-86 para as meninas do call centre e um atestado de frequência do ginásio para os meninos, para que a vídeo-conferência ser mais agradável aos olhos. Ou a uniformização do perfume que se pode usar - nada muito forte e da mesma linha que o desodorizante. 
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Ah, entretanto parece que no dito call centre as chamadas de uma linha de apoio a mães em stress podem ser atendidas por quem nunca nem de um primo cuidou, muito menos teve um filho e nada sabe sobe crianças, os seus problemas e/ou acessórios - mas só se for mulher.
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* obrigada, Google.
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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Há lá palavras mais doces

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"Ah, és tu, netinha!"
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In the country

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Já há muito tempo que não me cruzo com uma carroça e seu jumento em passo lento pela 24 de julho, mas hoje passei pelo pastor e suas cabrinhas aqui a 5 minutos de casa. É isto que é Lisboa, senhores.
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terça-feira, 8 de maio de 2012

Regresso ao Futuro

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Julgo que estou de volta aos anos 90 quando começo a ouvir conversas sobre pagamentos aos médicos particulares com ou sem IVA.
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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Saudades estranhas

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Quando fui para a Holanda constatei que possuía 5 pares de óculos de sol e que mais valia deixar 4 em Lisboa, à (minha) espera (e) de dias mais solarengos. Hoje, ao regressar com uma Luna encharcada após uma saída para alívio intestinal, abro a sua gaveta e constato que tem 5 toalhas turcas holandesas. E que esta é a 2ª vez neste outono / inverno que usa uma (a mesma, dado que a extensão do intervalo deu para a enxugar). Podia ter deixado um par delas na Holanda, à (nossa) espera (e) de dias mais molhados.
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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Sinteticamente

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Com o seu tempo e o seu dinheiro cada um faz o que quer. Se preferirem poupar uns tustos numa superfície comercial apinhada durante um feriado - be my guest.

Don't count on me, though.
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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Diz que aconteceu

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Ontem no Pingo Doce de Chelas várias pessoas apoderaram-se dos carrinhos de compras e só os passavam a outros clientes se lhes pagassem 5€.
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Matemática simples

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Condição: enxaqueca. Opções: ir trabalhar ou ir trabalhar. Deslocação:
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Bilhetes da Carris - 2,40€ (ida e volta)
Tempo de viagem - Autocarro + carro para chegar ao autocarro - 1h
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Parquímetro - 2,60€
Tempo de viagem - Carro porta-a-porta - 30 min.
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Como dizia o outro, é só fazer as contas!
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Não seja por isso

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Diziam na rádio hoje de manhã que hoje é o dia do bolo de chocolate - atenção, não é do chocolate mas do bolo de chocolate. Para não fazer a desfeita a um dia tão importante, já fiz este que é uma delícia.

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P.S. - não tendo nada mais interessante para dizer, ao menos faço-vos inveja.

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domingo, 22 de janeiro de 2012

Eu sei que só eu é que não tenho TV por cabo

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Sabem a TV sem interferências, sem soluços, sem pausas na emissão, sem riscos e chuviscos e com o áudio permanentemente sincronizado com o visual? Pois, morreu e foi substituída pela TDT - não há dia em que, nos largos minutos que passo a olhar para ela, não haja qualquer cois(inh)a. Gosto tanto de gastar dinheiro para ter um serviço que dantes era quase gratuito e, pasme-se, melhor. Diga o Granger o que disser.

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Usasse eu T-shirts

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sábado, 21 de janeiro de 2012

Um país de pobrezinhos

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Há uns anos, foi Almeida Santos, na altura Presidente da Assembleia da República (obrigada, mãezinha), que afirmou ser o pedinte da Europa. Há dias eram médicos aposentados a sobreviverem apenas graças à generosidade de colegas, ou pelo menos assim o dizia a Ordem dos Médicos. Agora chegou a vez do nosso pobre Presidente da República se queixar de que uma das suas reformas é de apenas 1300€. Será porventura pouco, mas será também proporcional ao descontado, tal como no caso dos restantes contribuintes. Um país pobre, sem dúvida, quando até aqueles que tanto têm se queixam, e, pior, esperam a compreensão e indignação da restante população pelos seus "problemas".

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Vida em apartamento

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O pessoal tem um cão. O pessoal vai de férias. O pessoal arranja um amigo que lhe faça de dogsitter. O animal não está habituado, por isso ladra ao menor e maior barulho. E eu, que moro por baixo, digo: OBRIGADA, PESSOAL QUE VIAJA E IMPINGE O CÃO AOS MEUS VIZINHOS DE CIMA!!!

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Porquê? Porque ter vizinhos é pior que ter colegas. Calham-nos em sorte, competem connosco e, por isso os acho piores, não passam o dia connosco, mas o fim do dia e a noite, perturbando o descanso, os mimos e a cumplicidade de uma série ou filme a dois. Têm bichinhos (dos de duas patas, em vários estádios de crescimento e patetice), usam saltos, quanto menos gostamos de uma música mais alto a põem e, last but not least, tocam à campainha como se estivessem na quinta. Imaginem um ding-dong, ding-dong, ding-dong contínuo entre a chegada de um dos membros da extensa família à porta do prédio e a abertura, nas calmas, por parte de outro, nada incomodado pelo zumbido ou pelo re-béu-béu da cadela anã de baixo, furibunda com a barulheira. Pois o caso muda de figura graças à chegada do nosso amigo emprestado de 4 patas, que não é anão, mas ladra e bem e que, tal como a vizinha de baixo, acha pouca graça ao ding-dong interminável, ladrando como se não houvesse amanhã desde que põem o dedo na campainha até muito depois de essa pessoa ter entrado em casa. Resultado: pararam com a barulheira. Haja cães para educar certos bichos.

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

É por isto que o Estado tem de ser laico

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O Público está no Egipto e entrevistou Amr al-Hassa, porta-voz do candidato oficial dos salafistas, um dos partidos islamistas a concorrer às eleições. Ler a entrevista é entrar numa montanha russa da lógica, e nem é preciso a jornalista puxar muito pelo senhor. Deixo-vos com dois excertos de respostas que, como dizê-lo?, se complementam. Se quiserem, a entrevista completa está aqui.

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" Isto que estamos a fazer agora, os dois a falar dentro do meu carro, não é aceitável. Faço-o por estarmos numa altura de transição, mas no próximo passo não será possível. No islão isto é proibido, mas podemos fazer algo proibido se tiver mais benefícios do que prejuízos e dependendo do contexto."
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" O que vai fazer com que um dia os salafistas sejam mais fortes do que todos os outros movimentos islamistas é que nós dizemos sempre a verdade. Por exemplo, a música: eles dizem que segundo o islão não é proibido ouvir música. Não é verdade. E se eu fizer alguma coisa errada, assumo, não me desculpo com o islão. O islão está sempre correcto, eu é que posso fazer coisas erradas."

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A fama e o proveito

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Je - "Bem, hoje passei-me com um miúdo."
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Mariducho (a rir) - "Não me digas que puseste outro* a chorar?"
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* sendo que o que pus a chorar, só um, é uma madalena do 4º ano que combina num só corpinho a boa educação de um hooligan e a sensibilidade de uma flor. Dai-me paciência.
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A peneira não tapa o sol, mas disfarça-o bem

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Esta história da maçonaria andava a dar-me arrepios, principalmente por me parecer, como em tantas outras vezes, que tapamos o sol com a peneira, falando do que é irrelevante e tentando tapar, sem cobrir completamente não vá alguém chatear-se e reparar, o que interessa na verdade. Hoje dei com o assunto tão bem esmiúçadinho pela Bad que simplesmente copio.
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"Será assim tão relevante nós sabermos que o deputado "A" é maçom (whatever that is, sei zero sobre o tema) ou que o deputado "B" é do clube da Mônica? Claro que é relevante, e pertinente, saber que Luís Montenegro, pessoa que investigou as fugas de informação das secretas para a Ongoing pertence (pertencia, parece que fechou) à loja Mozart49 que, por coincidência, era também poiso de Jorge Silva Carvalho, ex chefe das secretas e actual quadro da Ongoing e de mais meia dúzia de pessoas que pertencem à Ongoing, ao SIED, ao Governo ou à oposição. Mas não é relevante pela pertença à dita loja, mas sim pelo facto de "jantarem" todos juntos. Se se tivessem encontrado todos numa marisqueira em Matosinhos para trocar cromos também seria relevante. Ou se fossem todos correr juntos para o Parque da Cidade. O importante da notícia do Expresso desta semana não é, a meu ver, o facto de haver maçonaria e de haver deputados e empresários e tudo quanto mexe influências que lá acabam por parar. Parece-me que estamos a desviar a atenção do que realmente importa neste caso e não acho que seja inocente. O que é importante é que estas pessoas se encontraram e mantiveram relações (nada de porcalhices, presumo) durante um período de tempo e que o resultado dessas relações foi, sobretudo, o benefício do próprio bolso de forma desonesta, prejudicando o contribuinte que também sou eu, e é por isso que esta história também me diz respeito."

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