terça-feira, 16 de novembro de 2010

Reclamações após o regresso

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Só me consigo lembrar do livro do Markl, quando menciona a quantidade de corantes que a geração de 70 e 80 consumia nos mais variados alimentos e guloseimas, quando abro um normalíssimo iogurte de aromas da Longa Vida e encontro iogurte cor-de-rosa ou cor-de-salmão lá dentro. Senhores, isto é um engano! Ninguém compra iogurte de aromas pintalgado na ilusão de que aquilo tem fruta lá dentro. E os que compram aromas esperam encontrar uma pasta branca, pois sendo que o aroma já pouco de natural tem, se a ele acrescentarmos corante, em vez de um saudável produto de origem bovina, temos uma bomba de porcarias cuja origem nem sequer sabemos. Será que isto dá Vida Longa a alguém?
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sábado, 13 de novembro de 2010

Sopas e descanso

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Já estava a estranhar a ausência da constipação / gripe / problema respiratório mais sério que costuma atacar-me nesta altura do ano. Acordar afónica significa médico e, por uns instantes, julguei estar de volta à Holanda: a receita para a cura foi vitamina C, Ananase e (oh-my-God!) sumo de limão. Ah, e estar calada, que sempre ajuda as cordas vocais. Que belo fim-de-semana que se avizinha.
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Dúvidas Keynesianas*

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Se há coisa que eu não percebo é de Economia. Só eu e o pobre mariducho (explicador oficial dessa detestada e detestável cadeira) sabemos o que me custou passá-la na Universidade. Mas, depois de ouvir em "n" telejornais "n" formas de as famílias pouparem dinheiro, pergunto-me: mas esta crise não é causada pelo endividamento do Estado? Então, não deveriam os senhores jornalistas descobrir "n" formas de o Estado poupar dinheiro, em vez de fazerem com que pareça que a crise só afecta as famílias? É que me parece que o nosso Estado é que deveria fazer contas em que poupar, e não eu!
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* Como prova de que não percebo nada de Economia mando para aqui um nome que me ficou a flutuar na memória associado à Economia; a sua relevância no assunto em questão está para lá das minhas capacidades.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço

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O que dizer de um professor que não bate à porta antes de entrar na aula de outro? O que dizer quando não pede licença nem se desculpa pela interrupção? E o que dizer de um professor que corrige a postura dos alunos enquanto o professor da turma está a falar e a explicar um exercício?

Há muito quem exija dos outros, esquecendo-se do que lhe é exigido a si. Esquecendo, pelo caminho, que o exemplo é o melhor professor. Há um nome para os políticos que se regem pelo "faz o que eu digo": ditadores. Existirá algum nome específico para o professor-director-ditador? E, mais importante, existirá salvação para os alunos ensinados por semelhante pessoa?

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Putos

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E o "desqueci-me" volta para massacrar o meu sistema nervoso.
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domingo, 7 de novembro de 2010

♥ Amesterdão

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Bom, bom, era não perceber um cú do que diziam à minha volta.
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P.S. - agora, compreendo o pivot do telejornal, compreendo as duas senhoras que vão a comentar a vida dos outros no assento da frente do autocarro, ouço (muitos) pontapés na gramática, levo com bocas sobre a saia, ou sobre o cocó da Luna (que eu já estava a apanhar), conhecidos invadem-me os ouvidos com opiniões que não pedi sobre assuntos que, das duas uma: ou não me interessam ou não lhes dizem respeito e, por último, a falta de horário (de saída) faz com que veja os amigos quase tanto como quando estava a 3h de avião de distância.
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sábado, 6 de novembro de 2010

"Deus escreve certo por linhas tortas"

Foi o comentário do mariducho depois de uma tarte de dióspiros que correu mal: a massa está rija que nem #!@, teve de ser escavada antes de comida, o creme não enrijeceu e os dióspiros que deveriam coroar a coisa enterraram-se no creme. Ai, mas está tão saborosa...

Fiuuu!*

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Andava para vir aqui escrever que se fizesse daquelas listas de coisas que nunca toleraria num homem com quem me relacionasse, em segundo lugar, e apenas abaixo de um que me tratasse por "você", viria o uso do dito papelinho / luva de plástico para encher um depósito de gasolina. Hoje é o dia, até porque já confirmei que o mariducho não pertence a esse grupo.
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* podem imaginar-me a limpar o sobrolho de suor e suspirar num gesto típico do alívio.
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Expliquem-me lá

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Exactamente qual o motivo para quase toda a gente agora usar 1 ou 2 lenços de papel para abrir o depósito da gasolina do carro e pegar na agulheta para pôr gasolina?
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terça-feira, 2 de novembro de 2010

O que é nacional é bom?

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Os tempos estão difíceis para todos e até a Renova resolveu aderir ao low-cost, criando uma sub-marca, portuguesmente denominada "olé!". Se repararem bem na foto da embalagem puseram o ponto de exclamação invertido no início e tudo - será que ainda há quem lhe vá chamar "iolé!", como tantos costumavem fazer com a conhecidíssima revista, essa ao menos espanhola de gema, "iola!"?!?
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domingo, 31 de outubro de 2010

Como diz o Zé

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"A chuva em Amesterdão não molha como a de Lisboa."*
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* E ainda não tinha sido 6ª-feira.
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

E eu a achar que tinha trazido a bicla em vão

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Apesar de ser na TVI, e de estar já um pouco a dormir, juro que acabei de ouvir que existe uma ciclovia a ligar o Parque das Nações ao Aeroporto da Portela. Já estou a ver-me a ir de bicla (ainda estou a pensar onde levaria a bagagem) para o aeroporto. Holandeses, aprendam com a Câmara de Lisboa, são só umas centanas de milhares de euros e, obviamente, é extremamente útil!
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Depois da sandes

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Deixo-vos com uma das minhas últimas descobertas por terras de Portugal: a Rua Mista. Sendo que o nome não é muito elucidativo, e as imagens ainda menos (estarão a planear construir casas no meio da rua?!?), passo a explicar, com a pequena adenda de que a ideia de haver crianças a jogar (à bola ou a qualquer outra coisa) nas ruas de uma cidade de Portugal nos dias de hoje é, no mínimo, risível: a Rua Mista é uma rua onde há passeios com carros estacionados (ou seja, igual a todas as outras) e uma estrada onde há canteiros com árvores plantadas (original, há que admitir). Árvores que, em parte, já foram abalroadas por carros (How strange! How strange!, como diriam os meus pequenos alunos de 2º ano) e que, para as proteger, já deixaram de ter um pilarete(zeco) de plástico verde fluorescente para passarem a ostentar um pilarete(zorro) de betão armado pintado de rosa-choque. Dá gosto viver numa terra em que até os sinais de trânsito nos fazem rir (valerá isto enquanto sinal de trânsito ou será apenas uma placa decorativa sem qualquer legalidade?).
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terça-feira, 26 de outubro de 2010

I ♥ CIF

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Há quem adore vernizes, marcas de roupa e/ou sapatos, eu declaro o meu amor incondicional ao detergente - CIF, neste caso. Não será novidade para ninguém que o CIF lava casas-de-banho, cozinhas, malas, ténis e sapatos (que não sejam de pele), restituindo-os à brancura original ainda umas quantas vezes (às tantas a nhaca já está tão entranhada que não há CIF que os valha). Mas, para informação geral, o CIF também limpa tinta de canetas de feltro em carros. Sim, porque hoje amanheci com um "fodasse", assim mesmo, escrito a negro no meu lindo boguinhas azul. Não por muito tempo, que o CIF funcionou na perfeição. Um muito obrigado aos delinquentes analfabetos deste país por me demonstrarem mais um uso (este até didáctico, que foda-se às vezes apetecia-me escrever em letras gigantes por todo o capot do carro, em espelho como as ambulâncias, estão a ver?, para que outros automobilistas lessem bem, agora "fodasse" não me serve de nada e onde foi escrito estava demasiado escondido).
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P.S. - quem tenha aqueles corações giros para pôr no título, em vez do love, importa-se de mos deixar na caixa de comentários? Eternamente agradecida.
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sábado, 23 de outubro de 2010

Telejornal à portuguesa

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"Cientista português descobre várias novas espécies de insectos, sendo que pelo menos um era desconhecido da ciência."*
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Vá lá, das várias descobertas uma era desconhecida.
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* mais coisa, menos coisa, o que foi dito pela pivot do telejornal da hora de almoço de hoje, na televisão de todos nós; é um gosto ver a qualidade dos profissionais pagos com o dinheiro do erário público.
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Estar no estrangeiro é

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não saber que já não há 96 suficientes, pelo que agora já há números de telemóvel que começam por 92.
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sem inspiração

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sábado, 16 de outubro de 2010

100 kms depois por estradas de Portugal

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Daqui a largas centenas (milhares!) de anos, quando uma equipa de arqueólogos do futuro começar a desenterrar o que resta da nossa civilização, vão teorizar que somos um povo extremamente religioso. Está patente esta religiosidade na existência de numerosos edifícios religiosos espalhados por um território tão pouco povoado. No local mais distante do que identificam como uma habitação, lá está, mais um edifício religioso, por vezes quanto mais afastado de um centro populacional, maior em dimensão. Presumem, estes Indiana Jones do futuro, que as peregrinações deviam ser imensas, o que talvez explique o também excessivo número de viaturas de quatro rodas. Outra certeza será que adoramos o antigo Deus-Sol, cuja forma circular adoptamos para os nossos locais de culto, que decoramos com as mais variadíssimas formas de plantas e ornamentamos com estátuas gigantescas (cuja ligação ao Deus-Sol está ainda por determinar).
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Um provérbio aquariano também inspirado neste Sábado: "Todos os caminhos vão dar a uma rotunda".
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Da minha janela da cozinha

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É em boa hora que um barulhinho metálico, tic-tic-tic, me tira os olhos do estendal e os leva até à rua. Dois gatos silvestres esperam, um empoleirado em telhado de zinco frio pela ausência de sol, outro, mais corajoso ou estúpido, o tempo o dirá, ao pé de uma velhota que mora em frente. Dos sacos das compras pousados ao lado tirou duas latas de comida para gato, um certo peso na reforma que por certo tem, para alimentar estas alminhas que a esperam. Estica-se, do alto do seu metro e meio, para colocar um pratinho no dito telhado, e depois baixa-se para pousar no chão o que será (do meu primeiro andar não vejo com clareza) uma porção idêntica do mesmo alimento, carinhosamente partido em pedacinhos com uma faca, o tic-tic-tic ritmado que me chamou inicialmente a atenção. Por de trás do telhado de zinco, outro vizinho cava um quadrado de terreno com uma enxada, com um tchuc-tchuc que os meus ouvidos, alertados pelo tic-tic-tic menos forte mas mais penetrante da faca no pratinho de comida de gato, ouvem de repente. Já há um quadradado com couves de tamanho médio e outro com couves mais pequenas, ainda um quarto em pousio e uma tira com umas ervinhas que serão, com certeza, salsa e coentros. Olhando a terra acabada de lavrar, endireita-se o senhor, carregando com as mãos nos rins enquanto se estica para que músculos e tendões lhe permitam voltar à posição erecta. Enquanto olho para a vizinha que recolhe os pratos da sua caridade para com os felinos e penso que a senhora até os leva para casa para os lavar, vai-se o lavrador, e a vida continua em Lisboa. Reconcilio-me com a minha cidade e com a vida em momentos destes, apesar de depois voltar para o estendal por recolher e para a máquina por estender.
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Não é que eu não soubesse

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escusava é de ter sido tão óbvio... Em 14 meses de Amesterdão ouvi milhentos "Oooh", centenas de "Wat schat hondje!", "kijk, hondje" e "wat leuk hondje!"*, sempre num tom terno a condizer com o diminutivo carinhoso "je", que os holandeses aplicam a tudo quanto gostam. Também houve um par de idiotas que ficou muito divertido quando a Luna se assustou com o barulho dos pés a bater. E ainda as muçulmanas que, muito bem a passear por qualquer lado, olhavam de repente para a Luna soltavam um ou dois guinchos e fugiam a correr**. Enfim. Mas por cá, e em duas semanas mal contadas, já tive um puto e um pai com a filhota dos seus 5 anos pela mão a ladrar à Luna (perceberam bem, foi o pai quem ladrou) e já ouvi uns quantos "o cão". Até o "schat" (lê-se srrat) já me soa bem.
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* não sei se estão bem escritos, significam "que cãozinho tão querido!", "olha, um cãozinho" e "que cãozinho tão fixe!";
** eu e o mariducho costumávamos achar que viam o avô pastor alemão em vez da nossa rafeirinha até nos explicarem que muitos muçulmanos acreditam que os cães são animais impuros.