quinta-feira, 9 de setembro de 2010

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Ainda não me tinha recomposto de ter sabido que, ontem, devolveram ao meu avô o passe que ele tinha perdido há tempos. Puseram-no, sem se acusarem, em cima da secretária dele no centro de reformados onde é voluntário, sendo que a validade tinha expirado no dia anterior. É bonito, reformados andarem a roubar outros reformados que, ainda por cima, se voluntariam para tomar conta de um espaço que os serve. Hoje, a caminho de casa, um homem tenta roubar ao meu velhote a mala com que anda a tiracolo e, não satisfeito com o empurrão e puxão na mala que deu a um senhor de 90 anos, ainda lhe pregou duas estaladas quando ele se virou aos pontapés. É nestas alturas que percebo porque é que a justiça tem de estar em mãos imparciais; não sei o que faria a estes anormais se lhes pusesse as mãos em cima. O primeiro era expulso, sem apelo nem agravo. O segundo, é melhor nem dizer. Só aviso que não sou uma arvela de 90 anos, 1,60m e 60kgs mal contados.
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Já não chove

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Vou arriscar ir de bicla para o trabalho. Torçam por mim!
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P.S. - Não digam para partir uma perna, no entanto, que quando se anda de bicla por Amesterdão essas são coisas com que não se brincam!
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Há quem tenha múltiplas personalidades

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eu, aparentemente, tenho múltiplas pronúncias. Já há anos que me dizem que, ao falar o meu português, não tenho pronúncia lisboeta - coisa complicada, já que vivi toda a vida em Lisboa e a única avó cuja naturalidade não é lisboeta é... da Costa da Caparica (sítio longínquo e com uma pronúncia cerrada e distintíssima da lisboeta, como será fácil de perceber). Agora alastra-se às restantes línguas.
Ora ficaria satisfeitíssima que me achassem inglesa quando falo inglês, espanhola quando tento não falar portunhol e francesa quando gaguejo os esquecidos verbos dessa língua. Mas, aparentemente, tenho pronúncia polaca nessas 3 línguas, pelo menos segundo uma americana (disse-mo ontem) uma francesa (acho que foi há 2 dias) e uma espanhola (não me lembro quando). Mas se é curioso não ter pronúncia lisboeta em português, ter pronúncia polaca seja no que for é hilariante, pois não falo pêvas de polaco nem nunca pisei semelhante terra.
A cereja no topo do bolo veio ontem. Após uma conversa mais ou menos prolongada com uma brasileira vem como despedida "Então boa tardji, êstrangeira!" e eu, um pouco apardalada mas não o suficiente para fechar a matraca perguntei "Estrangeira?". Responde-me a brasileira do outro lado da linha: "Sim, você não é brasileira, poijs não? Mais fala um portuguêis quasi perfeito, viu?". Vá lá que tive presença de espírito para lhe responder um "É natural, dado que sou portuguesa...". Enfim, dava meio mês de salário para estar no Brasil (já agora com direito a tempo para umas férias) e ver a cara da senhora enquanto me gaguejava que não se tinha apercebido. Para o que uma pessoa está guardada, com franqueza.
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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Srs. Drs. de Portugal e Brasil

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Quando escrevem emails, pedem cartões de crédito, reservam seja o que for - carros, hotéis, compras no continente online - não dêem como "nome" Dra. Maria do Céu Barros; e não assinem Francisco Jorge de Andrade Sanches Costa e Gomes, médico da Faculdade de Medicina de Coimbra; e, last but not least, não usem esses títulos numa tentativa de impressionar ou intimidar as pessoas com quem estão a lidar. Não funciona e nunca se sabe que doutores ou engenheiros estarão do outro lado...
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sábado, 4 de setembro de 2010

Consultas pessoais ou à distância*

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Vale a pena ir a Portugal nem que seja para dar com uma pérola como um panfleto do Professor Turé na caixa de correio**. Não é todos os dias que se encontra "no nosso país um grande mestre, professor de Astrologia, internacionalmente conhecido (...) que ajuda a resolver problemas dos mais difíceis ou graves".
Um dos "problemas" que o Professor resolve é o emprego. Ora aí está um problema difícil de resolver. Ainda bem que ele o resolve, assim ao governo só resta resolver o desemprego. É justo. A cada um segundo as suas capacidades. Outra curiosidade no panfleto do Professor é "saber o passado, presente e futuro". O presente é fácil saber - basta olhar à volta. O futuro qualquer mago de meia-tijela adivinha. Agora o passado?!? "Saber o passsado" alarga a clienta, apelando directamente ao coração de esquecidos e sofredores de Alzheimer***. É de um brilhantismo nunca visto. Agora, na minha opinião, o maior "problema" que o Professor resolve é a "amarração da mulher em 7 dias e do homem em 8". Resta-me apenas uma curiosidade: porquê a diferença de 24h?
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* é óptimo, pode ser que me ouça aqui da Holanda;
** tenho lá o autocolante "publicidade não endereçada aqui não, obrigada" mas por isto até desculpo os vizinhos anormais que enfiam o lixo deles na minha caixa;
*** não pretendo brincar com semelhante doença, apenas com o Professor Turé.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

E

confirmo que daqui a um mês regresso ao mesmo país de onde saí há quase 2 anos. E por mesmo quero dizer igual - o que pode nem ser mau dado que as expectativas eram de que estivesse pior. Após 6 meses de ausência e de 2 anos em que as estadias em Lisboa pouco foram além dos 5 dias de cada vez, posso confirmar que o alcatrão continua em falta nos mesmo sítios, pois ainda consigo evitar (quase) todos os buracos com eficácia. A TV continua na mesma, além das más telenovelas fictícias continua a da Casa Pia. Dizem que hoje foi o fim, mas eu não acredito. Com um sucesso destes há sempre uma nova época, novos episódios que, como nas más séries, são iguais aos anteriores e perdem interesse a cada minuto. Tudo o que havia a saber já foi dito ou é lixo ainda mais podre que o original.

Desejos conseguidos

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E até à chegada consegui 1 bocadinho de sol...
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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Wishlist

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Sol. Família. Sol. Casamento. Sol. Amigos. Sol. Comida boa. Sol. Saldos. Sol. Descanso. Sol. Cabeleireiro. E um bocadinho mais de Sol. Será pedir muito?
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P.S. - Vou a casa. 9 dias. E estou mesmo a precisar.
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My TMN

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A TMN é uma droga. É careira, envia mensagens de informação que induzem em erro e, ainda por cima, também já tem o atendimento ao cliente pago. Mas tem o My TMN e o envio grátis de sms para outros 96 ou a 0,10euros para as outras redes. Comparando com os 0,20 que pagaria à Vodafone holandesa para enviar a mesma mensagem ou os 0,50 que pagaria usando o próprio telemóvel TMN... É um luxo, especialmente para quem está no estrangeiro.
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Confirma-se

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Para quê um marido se se pode ter um cão?
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Lembro-me que me falta a companhia do mariducho de manhã, quando é o meu despertador a apitar e não o dele, meia hora (pelo menos) antes que o meu. À noite, quando me deito, também, por outros motivos óbvios - estava a referir-me à cama fria! Já da minha manchinha negra lembro-me o tempo todo, quando saio do emprego e penso que não vale a pena ir a correr para casa porque ela não está à minha espera para ser passeada. Quando me levanto da secretária para ir para o sofá (ou vice-versa) e olho para a almofada (vazia) aos meus pés. Quando dou um passo na cozinha e esforço as lentes de contacto (que os olhos não vêem nada de jeito) para a distinguir nos azulejos igualmente negros. Quando termino o iogurte e não tenho quem lave a embalagem antes de a colocar no lixo.
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Aconselho vivamente!
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P.S. - Brincadeirinha, tenho saudades do homem mas o facto é que ele, de vez em quando, já não está - foi de viagem, está no trabalho, foi sair com os colegas; já ela, a minha Luna, está sempre. Ou estava, que agora não está.

domingo, 22 de agosto de 2010

Vá, não custa nada

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A loja de animais do Almada Fórum diz à minha mãe que vende uns 5 a 6 cachorros num dia nesta época em que há muita gente de férias, ou fins-de-semana... E depois leio aqui que dados, bebés, lindos, nem 1 levam. Minha gente, a sério, porquê? Já nem digo os crescidos, mas se querem um cãozinho bebé, adoptem um de uma das mil associações que há por todo o país. Há dos "de marca" e tudo!
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sábado, 21 de agosto de 2010

Cara e coroa V

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Vou sentir a falta dos ursinhos de goma da Haribo.



Não vou sentir falta nenhuma da fruta sem sabor.
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Amaesterdão vista do Aquário IV

ou: Os Esquecidos. Quatro outros tascos :
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Boerderij Meerzicht, uma crèperie no meio do Amsterdamse Bos, um bosque tão falso como grande e agradável para quem gosta de caminhadas ou voltas de bicicleta pelo meio das árvores. A crèperie é boa, sendo que é difícil esperar menos de meia hora pelo crepe, mas valem a pena a espera.

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De Taart van m'n Tante - mesmo ao pé da Maria Heinekenplein, é uma pastelaria de aspecto curioso, está decorada com bolos daqueles cobertos de massa açucarada que dá para fazer de tudo. Há um palácio de conto-de-fadas, há uma carocha, há o bolo com a fatia cortada (e também coberta com a massa). Muito engraçado, mais que não seja para olhar.
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Côte Ouest café restaurant, um restaurante muito bom (muito bom mesmo), com cozinha holandesa e também um tudo-nada de inspiração francesa. Aconselho o que tiver laivos afrancesados (pois). Caro como o raio, podem encontrá-lo por trás de Nieuw kerk, perto da Dam.
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E o Café Lotje, na Gab. Metsustraat, dizem ter os melhores bifes de Amesterdão. Não faço ideia se têm ou não, mas lá que está sempre cheio, está. E esse é o problema, havendo tanta gente fazem uma lista de espera (literalmente escreves o nome num caderninho que está no balcão) e esperas sem haver sequer indicação de quanto vais esperar. E, pelo aspecto da coisa, espera-se bem, coisa que não agrada nada ao mariducho - ou seja, das vezes que lá passámos viemos embora antes de assinar o dito. E pronto. Acabaram-se as sugestões.
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Até 25 de Agosto

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Podia olhar para os próximos 5 dias e pensar na solidão das horas que passarei em casa, no frio nos pés durante a noite e na almofada vazia aos pés da secretária para onde já olhei instintivamente com esperanças de aí encontrar o meu bicho preto. Mas vou mas é gozar 5 dias de independência, em que não tenho o bicho à espera para ir passear, em que vou rebolar à vontade, ocupando a cama de uma ponta à outra - e se há pessoa com capacidade para ocupar toda uma cama de casal sou eu - e em que me vou encher de saudades de mais uma pessoa para matar em Portugal.
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Estratos sociais

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A divisão social da Amesterdão do despontar do séc. XXI pode ser medida pela forma como a mobília de casa de cada um é transportada entre a rua e a própria casa - sendo que por casa estou a referir-me a apartamentos e, em especial, aos que vivem acima do 1º piso. Esta divisão peculiar da sociedade tem limites de aplicabilidade bastante estreitos, sendo que não fará qualquer sentido, por ex., em Portugal, por motivos que serão por si só óbvios, quando parar a lenga-lenga e começar finalmente a explicar a dita teoria. Então, na sociedade Amsterdamer do início deste século o povo iça a mobília até à janela através do sobejamente conhecido método da corda, do gancho e força braçal. A burguesia, mais dada a luxos, contrata empresas que alugam uma espécie de gruas com uma plataforma elevatória que transportam a mobília até à dita janela. A nobreza, esse estrato tão mais superior... tem elevador. Logo, a mobília entra pela porta.
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No comments

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Eu digo: "Ontem vi uma muçulmana a conduzir um eléctrico!!"
O mariducho responde: "Espero que não fosse de burka..."
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Obrigada!

Correu tudo bem, mãe já está de volta a casa (isto agora é abre, tira, cose e ala para casa!). Ligeiramente xoné, que isto de levar anestesia é como fumar muitos charros durante muitos anos, mas óptima de resto. Grande mãezocas! Menos um obstáculo. E daqui a 8 dias já tem os miminhos da filhota para finalizar a recuperação.

Hoje

tenho trabalho a fazer, tenho jantar da companhia para assistir, compras a fazer no meio mas a minha cabeça está no Hospital São Francisco de Xavier. Boa sorte, mãe, eu sei que é uma coisa pequenina mas operações são operações. Força, daqui a 7 dias estou aí.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Profissionais de que a gente precisa

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Cabeleireiros que não cortem 1 palmo de cabelo quando pedimos para cortar as pontas;
Nutricionistas que nos digam que emagrecer devagar é que é bom e que não é só perder peso, mas volume;
Ginecologistas que não nos avisem sobre o relógio biológico a cada consulta apartir dos 29;
Médicos de família que não insistam em irmos buscar a pílula, à borla, à consulta de família quando eles próprios nos podem passar a mesma numa receita;
Cozinheiros que não achem que a comida é óptima só porque é pouca, cara e servida num prato digno dos romanos;
Dentistas que não considerem a anestesia um bem raro e a poupar;
Chefes que olhem para os trabalhadores e não vejam escravos;
Técnicos de higiene urbana (vulgo varredores de rua) que não achem que o trabalho deles é recolher o lixo que está no passeio e despejar no areal ali ao lado;
Empregados de supermercado (que nome pomposo terão estes?) que saibam onde estão os bens dentro da loja onde trabalham.
Empregados de mesa (e esta é específica para a Holanda - espero) que não nos venham perguntar se aquele prato foi pedido por nós.
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E por enquanto é tudo. Mas desconfio que, com tempo e uma caneta e papel à mão para tomar nota, os exemplos encheriam uma folha A4 a letra 12 e espaço simples.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Life motto

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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Amesterdão vista do Aquário III

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Lanche - um lanche à portuguesa podem esquecer. Ou repetem o pequeno-almoço na Coffe Company, ou dão uma de holandeses e comem o jantar à hora do lanche (ou seja, carne ou peixe e arroz, etc.) ou vão para a cervejaria e comem uns aperitivos fritos (as famosas bitterballen que, do ponto de vista de um português são uns aperitivos mal-amanhados na maioria das vezes). Antes das 17h, se estiverem na zona dos museus (Van Gohg e Rijksmuseum) há um café-bar em Museumplein, o Cobra, que tem umas apfel pannekoeken (que é como quem diz panquecas de maçã) que valem a pena. Peçam mel para pôr por cima em vez do açúcar em pó e lambam os dedos! Se a visita for perto da altura do Natal há banquinhas por todo o lado com umas especialidades locais que não são más de todo: oliebollen (entre a bola de Berlim e a filhós, com diversos recheios - para quem gosta, experimentem os de marzipan, e maçã, quentinhos são bem bons) e poffertjes (mini-panquecas com chocolate derretido ou açúcar em pó). Ah, claro, e estava a esquecer-me do melhor. Australian. A melhor gelataria em Amesterdão (é uma cadeia, há várias, nomeadamente em Koningsplein ou em Leidsestraat) na minha humilde opinião. Além disso, se estiver frio e chuva (é capaz de acontecer) podem sempre pedir um waffel com chocolate quente e chantilly, que sempre aquece um pouco o estômago.

Jantar - jantar jé é possível, mas preparem a carteira, que os preços por aqui justificam o epíteto "dolorosa". A mim custa-me sair para jantar fora por isto mesmo: vou pagar bem e sabe deus o que vou comer. Em cada 5 jantares 3 não me agradaram (muito, pouco ou nada). Bem, posto isto e passando por cima do Hard Rock que é igual em todo o lado (mas eu só o experimentei aqui), temos o L'entrecôte des Dames, na Van Baerlestraat a cem metros do Concert Gebow. O menú é limitado (pelo que percebi há uma opção de carne, outra de peixe, uma entrada de salada - também conhecida como folhas de alface quase inteiras - e sobremesas variadas) mas a carne é muito boa, com uma molhanga verde mas saborosa e acompanhada pelas inevitáveis batatas fritas. E, descoberta recentíssima: De portugees. Eu sei que quem vem em turismo não tem saudades de uma linguiça assada ou de um leitão assado, por isso esta recomendação dedico-a aos expatriados - é que o De portugees é um restaurante português, ali em pleno Red light (Zeedijk 39A)e, ao contrário dos outros 2 restaurantes portugueses que conheço aqui em Amesterdão tem bom aspecto, a comida é óptima e os empregados uma simpatia. Mais uma vez, o óbvio: contem com 35€ por cabeça se não beberem nada melhor que uma cola ou uma cerveja. Anteontem vim quase a rebolar para casa... Que felicidade!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Cai, e cai bem

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Cheguei a casa há 10 min e, perante a escuridão repentina, aproximo-me da janela para comprovar que a pancada de água que algumas nuvens prometiam no horizonte quando vinha para casa está a cair. Lembro-me da fila para entrar no Van Gogh, que dava a volta ao quarteirão, e imagino dois terços a fugirem em todas as direcções em busca de abrigo, enquanto o restante terço saca do chapéu-de-chuva e/ou gabardina e fica feliz porque, de repente, já estão quase dentro do museu. Eu sorrio e dá-me vontade de lhes ir lá dizer "Bem-vindos ao Verão neerlandês"...
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Finalmente,

a ajuda de que tanto necessitava chegou. Obrigada, obrigada, obrigada! Acabaram-se os dias de folga a aspirar. A noite em que me dava um chilique e limpava a cozinha toda, o tempo todo a resmungar com o frigorífico prateado que nunca está completamente resplandecente. A irritação de ter de andar a dividir tarefas com o marido. Isaura, bem-vinda! Apodera-te da esfregona. Domina o aspirador. Atira-te ao Cif. Vais fazer de mim uma mulher muito mais feliz*.
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* a minha teoria quanto ao dinheiro é simples: se há 2 coisas em que é bem gasto é em ajuda na limpeza da casa e viagens e laureanço da pevide no geral.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Calmexan 5mg

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É oficial: pertenço ao clube dos malucos medicados. Ou seja, dos que não batem bem da bola e têm de ser medicados para controlar a maluquice. Mas dos drogados legais. Sim, aqueles que vão à farmácia comprar a droga. E cujas receitas são passadas por médicos responsáveis. E que respeitam as dosagens indicadas. Mas malucos e drogados na mesma. O que é certo é que nunca mais tive insónias a meio da noite (de acordar às 3 da manhã e só voltar a adormecer por volta das 7, ou seja, não dormir nada) e as enxaquecas andam mais espaçadas e fracas. É verdade. Ando drogada mas feliz.
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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mickey vs Barata

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Ainda era miúda quando começou a dar o ER - Serviço de Urgência e adorava ver a série. E não era (ainda) pela beleza do George Clooney. Lá com vísceras, sangue e morte eu até lidava, com mais ou menos lágrimas. Mas num episódio uma doente tinha uma barata enfiada no ouvido, tiveram de a tirar com uma pinça! Fiquei traumatizada para todo o sempre. Acham que processe o Clooney por danos irreparáveis na minha psique?
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O meu primeiro rato

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Amesterdão está cheia de ratos, toda a gente sabe. A existência de felinos em muitas lojas e restaurantes não é inocente. Mas eu, em 22 meses por esta cidade, consegui nunca ver nenhum - até agora. E onde, of all places, havia eu de ver o raio do ratito? No hall de entrada do meu prédio, pois claro. Bem, antes o Mickey que uma barata.
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O ridículo do ridículo

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É irem estragar a minha mata, irem meter um IC quase em cima das (poucas, é certo) casas e a única preoupação do idiota de um dos moradores é se vão fechar a estrada com rails ou se lhe deixam uma aberturazinha, que ele abre um portão no muro para ter acesso directo!
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Memórias de infância

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Estão a estragar uma das paisagens da minha infância. Uma mata pobre, envelhecida e doente mas espectacular aos meus olhos de criança aventureira* vai ser substituída por uma estrada, um IC, apesar de não há muitos anos ter uma placa a anunciar "paisagem protegida". E, digo-vos honestamente, a destruição desta mata incomoda-me muito, mas muito mais do que uma qualquer barragem a submergir pinturas rupestres. São aventuras que os meus filhos (se os houver) não vão poder viver.
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* demasiados livros da Enid Blyton

Para todos os efeitos

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O bom de Sábado "ter sido" 2ª-feira é que pelo mesmo raciocínio hoje já é 4ª... E só faltam 2 dias para o (meu) fim-de-semana!
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P.S. - Eu sei que não me calo com esta história dos dias da semana trocados mas nunca tive um horário assim na vida, não gosto e esta é a única forma de me consolar - gozando com a situação. Com um bocado de sorte daqui a uns tempos canso-me e deixo de vos chatear com estas idiotices.

domingo, 8 de agosto de 2010

Amesterdão vista do Aquário II

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Bem, vamos lá a seguir com isto, que senão já estou em Lisboa e ainda ando a aconselhar sobre Amesterdão!
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A pedido especial de uma certa menina, aqui vão uns conselhos sobre comes e bebes. Tenho, novamente, que dizer que quem quer comer bem, veio parar ao sítio errado. Aqui como-se normalmente mal, em alguns sítios mais-ou-menos e, em poucos, bem. Tendo dito, vamos a isto:
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Pequeno-almoço - os holandeses tomam geralmente o pequeno-almoço em casa por isso não abundam sítios não virados para o turistame (raça infame, praga dos infernos, mas só os outros, que vocês, leitores meus, são uns queridos mesmo quando vêem invadir-me o pedaço!). O que vos aconselho é o muffin ou croissant com um latte - galão com espuma - da Coffe Company. Há várias pela cidade, na Dam, em Spui, perto da Rembrandtplein, entre a Heineken e o mercado Albert Cuyp, etc.. Sendo caro - não gastam menos de 5€ em cada pequeno-almoço - é preço médio para estas paragens e não ficam nada mal, que estes lattes são uma coisa do outro mundo. Se estiver calor, a meio tarde, ainda vos aconselho um frozen capuccino, leite, café e gelo, tudo batido na trituradora, que mete o frapuccino do Starbucks num canto. Perto do mercado Albert Cuyp têm ainda o Bakker met Passie, com uma variedade enorme de pães, bolos e croissants.
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Almoço - esta é a parte complicada: holandês que se preze almoça sandes e/ou salada. Há pizzarias por todo o lado, mas as pizzas não valem nada (na minha experiência). As minhas únicas recomendações são: La Place - marché du monde, na rua Rokin, mesmo na continuação da Dam. É um restaurante para todos os gostos, com diversas "bancas", cada uma com uma oferta diferente, desde o frango assado (atenção, nada a ver com um franguinho na brasa à portuguesa) aos woks (muito bons!) comida vegetariana, fruta, batidos e sumos naturais. Mais perto do Red Light, na Warmoesstraat, há dois Bakkers Winkel, um com lugares sentados (normalmente há fila para sentar) e outro mais pequeno, tipo take-away, onde se comem umas quiches, sandes e sopas boas. Cuidado com a sopa de pimento (parece tomate mas não é!). Se resolverem dar um passeio pela praia (no caso improvável de virem cá com tempo de sobra e o tempo estar bom - duas combinações improváveis dos dois significados da palavra tempo) em Zandvoort am zee, a 20 min. de comboio de Amsterdam Centraal, sigam pelo paredão para o lado esquerdo estando a olhar para o mar (diz o mariducho que é para sul) e vão andando, andando, até à penúltima barraca. Tem um nome estranho, qualquer coisa com Tuy no meio se não me engano e costuma ter uma sandes e / ou uma salada com blauw kaas (um qualquer queijo azul que não é roquefort) que valem a pena os kms. Ok, a vista para a praia também é bonitinha.
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sábado, 7 de agosto de 2010

Mas lá que está difícil, está

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Problema resolvido

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Paguei pelo pneu novo 1/3 do que paguei pela bicicleta toda há 1 ano atrás. Desconfio que fui endrominada mas a alternativa era empurrar a bicicleta ainda mais longe. A preguiça venceu a forretice.
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Coisas que não aconteceriam em Portugal

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Ter um pneu furado e a solução ser... empurrar o veículo até casa.
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P.S. - e, amanhã, empurrá-lo de novo até à oficina.

Agora temos menu

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E assim já sei que amanhã não vou poder comer sopa de espargos, depois de amanhã não vou degustar pita shoarma (peru ou tofu) mas Sábado vou ter o prazer de saborear uma sandocha de queijo chèvre e Domingo espetinhos satay - além dos habituais fatias de pão, de queijos variados, de salame, etc., e salada de alface (se não tiver pepino e/ou pimentos já misturados já é bom).
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terça-feira, 3 de agosto de 2010

O cachorrinho feio

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Era uma vez uma ninhada de cachorrinhos para adopção, algures, e uma senhora que resolveu adoptar um deles. Ao ir vê-los descobriu que um dos cachorrinhos, inexplicavelmente, era feio. Ora se há altura em que todos os cães são bonitos e fofinhos é quando são bebés. Se este já era feio em cachorro, imagine-se em adulto! Pois a senhora teve pena dele, ficou com o cachorrinho feio e, em jeito de compensação, esforçou-se por se lembrar de um nome que o dignificasse, que o compensasse pela falta de beleza, e assim o baptizou: Napoleão. Ora não é que o Napoleão é um rafeiroso lindo, agora que é adulto e apesar de até já ser velhinho?!?
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P.S. - Volta e meia encontro a senhora e o seu Napoleão e lembro-me, enquanto a senhora dá um treat à Luna, que ainda não escrevi esta fábula da vida real aqui. Hoje lembrei-me outra vez, mas de hoje já não passou.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Como pôr uma peixa a nadar no aquário errado:

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2º piso: casa-de-banho dos homens à direita, mulheres em frente;
4º piso: casa-de-banho dos homens à direita, mulheres em frente;
1º piso: casa-de-banho dos homens em frente, mulheres à direita.
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P.S. - sim, trabalho há meia-dúzia de vezes neste job e já mudei de piso 3 vezes!
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sábado, 31 de julho de 2010

Cara e coroa IV

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Vou sentir a falta de ver patinhos da janela da sala.



Não vou ter saudades nenhumas dos mosquitos e varejeiras cada vez
que a temperatura sobe acima dos 20ºC.
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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Aaaargh!

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Tenho que me ir embora, quero ir-me embora, tirem-me desta cidade! Já não posso com isto, estão por todo o lado, só os ouço a hablarem, a parlarem, a falarem e a speakarem em todas as pronúncias possíveis e imaginárias por todos os cantos, não há um lugarzinho que escape, ao sol e à sombra, nas ruas mais recônditas e sem interesse algum, mal saio de casa e lá estão eles, a pé e de bicicleta, mal sabem manter o volante a direito, de mapa numa mão e máquina fotográfica na outra, grandes, pequenos, gordos e magros, em família, aos casaisinhos, em manada, raios os partam, já não posso com o TURISTAME!
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Higiene não é com eles

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Como acabar com os planos de almoço deste peixinho dourado: ir ao mercado comprar peixe (sim, pode dizer-se que sou canibal) e ver carradas de moscas e varejeiras a voar e pousar no peixe exposto. A banca onde costumo ir está fechada para férias, é a única mais resguardada destas pragas. Blergh!
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Estórias do Portugal não-profundo

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Uma amiga começou um trabalho há uns tempos, foram-lhe renovando os contratos até que agora, finalmente, lhe propuseram a efectividade. A felicidade foi de pouca dura. Ao explicarem o que lhe estavam a propôr, uma coisa ficou clara à partida: o ordenado declarado (às finanças e à segurança social) seria o ordenado mínimo, o restante, até cerca de 800€, seria pago por fora. Cerca de metade do ordenado seria pago por fora, sendo que a minha amiga já nem precisava de apresentar despesas como talões de gasolina (o velho esquema) apenas recebia "por fora". Incomodada e numa posição de não saber o que fazer foi falar com a amiga que lhe tinha dado a dica de que havia uma vaga naquela empresa (claro, de que outra forma se arranja emprego em Portugal? Anúncios no jornal ou nos sites de emprego, não?). A resposta da amiga foi "Mas estamos todos assim...". E agora a minha amiga é mais uma que "está assim". Mais uma a chular o Estado. Mais uma a sacrificar o montante da sua suposta e hipotética reforma. Mais uma a contribuir para que esse país não passe da cepa torta. E não, não a culpo, nem sequer a julgo - sei bem o tempo que passou até conseguir este emprego, e a opção voltar ao desemprego não é de se tomar de forma leve. Critico a empresa. Uma "empresa portuguesa". Em que a dona ainda é chamada "a patroa". Que tem visão para o seu próprio negócio mas não para mais, não para o bem-estar dos seus empregados, não para o bem-estar do país. Que tem, provavelmente, a 4ª classe como a grande maioria dos "empresários" portugueses (qual era a percentagem, mesmo? 80 e muitos %? 90%?) e que sabe todos os rios e afluentes portugueses e, até, as estações e apeadeiros das linhas férreas de Angola e Moçambique. Mas que de gestão percebe a do seu próprio bolso. E cujo modo de funcionar é sancionado por um Estado que tem plena consciência do que se passa, de como tudo funciona, desde os ordenados reais aos declarados e às carradas de falsos trabalhadores independentes a recibos verdes. E são estas coisas que transformam a alegria de voltar à minha terra, à minha cidade, à minha família e amigos numa bola de nervos no meu estômago.
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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ai, franguinho, franguinho

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Foi por uma unha branca (que as unhas de um descendente de pastor alemão de raça como eu, Luna, são todas negras e apenas uma, à frente, é branquinha) que no outro dia não me alimentei como deve de ser. Enfiei o focinho numa caixa com frango de churrasco (ou coisa parecida, mas pior, que fazem aqui nesta terra) que deixaram, aberta e abandonada, no meio de Museumplein. Tive o azar de a minha dona estar a levar-me pela trela, o que não é costume naquele sítio, e puxar-me mesmo quando toquei com o nariz no pitéu, senão pelo menos uma coxinha tinha marchado. O meu dono ficou todo coiso porque disse que a comida era de dois idiotas que estavam um bocado à direita da comida a falar e olhar não sei para quê. A minha dona é que não deu por ninguém e seguiu como se nada fosse - e fez ela muito bem já que afinal, se não querem ter focinhos na comida, não a deixavam no meio do chão da praça onde todos os cães das redondezas vão passear! Ou acham que tivemos todos aulas com a Bobone e não comemos do chão?
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Sábado,

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pela graça de deus!
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P.S. - Se hoje e amanhã não trabalho, significa que hoje é Sábado e, amanhã, Domingo e nos dias seguintes, nomeadamente Sábado e Domingo para todos vocês, já serão Segunda e Terça-feira para mim. E por aí em diante. A sorte é isto não ir durar muito, senão acabava a fazer 32 com dois dias de antecedência - ou, o que é pior, duas vezes!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

As cerejas na Holanda...

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... já não valem uma ginja!*
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* mas custam quase o mesmo que uma trufa.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Sintam, por eles

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Daqui.

Cara e coroa III

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Vou sentir a falta de ter um escritório, máquina de secar roupa e uma sala XXL.



Não vou ter saudades nenhumas da kitchenette e do cheiro a comida pela casa toda.
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segunda-feira, 26 de julho de 2010

E regressámos à normalidade

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Confesso que estava a assustar-me um pouco o Verão que temos vivido nas últimas semanas, ocasionalmente interrompido por trovoadas e chuvas torrenciais (muito tropical). Agora, para meu descanso, regressámos ao que sei ser uma Primavera-Verão tradicionalmente holandesa: chuva, frio e ausência total de sol. Sinto-me em casa.
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domingo, 25 de julho de 2010

Ele há dias e dias

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Se há coisa de que não me posso queixar aqui em Amesterdão é da vizinhança - excepção feita ao violinista que, por muito bem que toque, me dá conta dos nervos. Todos são simpáticos, conversadores (sem serem cuscos), gostam da Luna e, o mais importante de tudo, ninguém dá por eles! Mas há uma senhora, dos seus 50-60 anos, loura oxigenada (que é para começar já com os elogios) que ou anda sempre de trombas ou não gosta de mim. É bom de ver que eu sou uma rapariga simpática e, principalmente, educada. Cumprimento sempre as pessoas e, mesmo se de mau humor, esforço-me por sorrir e desejar bom dia seja a quem for com quem me cruze no elevador do meu próprio prédio. E o mesmo fazem os outros vizinhos - uns mais, outros menos, mas fazem. Excepto esta. E começar um Domingo de trabalho com um encontro em terceiro grau com a avantesma oxigenada e trombuda é coisa para me chatear mais ainda do que nos outros dias. Espero que chova (desculpem-me os restantes amsterdamers).
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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Amesterdão vista do Aquário

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No caso improvável de alguém vir aqui pedir-me conselhos para uma viagem a Amesterdão, aqui ficam uns posts com dicas avulso de quem cá vive há quase, quase, 2 anos. Tenho a avisar que, se procuram bons sítios para jantar, coffeshops e cervejarias a coisa não vos vai satisfazer: não tenho experiência relevante para aconselhamentos. Posto isto, vou começar com uma ideia geral da coisa.
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Amesterdão é uma cidade pequenita com um monte de gente de todas as nacionalidades a viver uns em cima dos outros. Juntem a isso o facto de ser uma cidade altamente turística e ficam com uma boa ideia do ambiente que se vive na capital* dos Países Baixos (vim agora do centro atulhado de turistas, nota-se?).
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No geral, eu gosto sempre de fazer um hop-on, hop-off, quando vou em turismo, sendo que em Amesterdão têm a possibilidade de o fazerem num barco pelos canais, o que sempre dá outro interesse à coisa e ficam a conhecer coisas como o prédio mais estreito da cidade (além da largura da porta pouco mais tem) e com uma ideia geral da cidade.
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A ideia das voltas de bicicleta, é como disse há dias: se não andam em cima de uma desde que o vosso ídolo era o Axel Rose, esqueçam, até porque enquanto se concentram em não cair, não atropelar e não ser atropelados não olham para os sítios por onde vão passando - é esse o objectivo de visitar uma cidade, certo? Ah, e a dor nos glúteos no dia seguinte também é lixada, mas isso são outros 500.
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Outra questão relevante é: quando vir (ou ir, no vosso caso)? Pois, no Inverno faz frio para caraças para quem está habituado ao clima de Lisboa e arredores (se viverem na Serra da Estrela e em sítios como a Guarda já sabem ao que me refiro) e os dias são curtos (em determinado período o sol põe-se às 16h30). Na Primavera, costuma haver bom tempo, mas chove bastante (e este ano esteve frio até meio de Maio). No Verão também chove (claro!) e pode fazer bastante calor, mas o mais provável é estar ameno. O meu conselho? Visitem o weather.com antes de vir e tragam roupa para vestir em camadas - despe e veste consoante o clima de cada dia.
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* depois de diversas pesquisas confirma-se que Amesterdão é mesmo a capital. O centro do governo está em Haia, mas isso são pormenores.
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Cara e coroa II

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Vou sentir a falta de viver tão no centro da cidade que tudo está a walking distance de casa.


Não vou ter saudades nenhumas de ter de conviver com o enxame permanente de turistas.
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Portugal dos pequeninos

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Quando houve eleições autárquicas, uma das juntas de freguesia de Lisboa mudou de cores - vermelho para coligação azul e amarelo com laranja. Soube, há pouco tempo, que o ex-Presidente-da-Junta pouco frequenta agora a área e porquê - os empregados da Junta deixaram de lhe falar, chegando ao ponto de lhe virar a cara na rua para fingir que não o vêem. Será receio? Será estupidez? Não sei bem, mas uma coisa é de certeza: demostrativo do ambiente que se vive no meio partidário português.
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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Adivinhem lá...

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... para que é que as duas estão a olhar tão fixamente na foto anterior.
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1 ano

Há um ano atrás, voei de Amesterdão para Lisboa com um objectivo em mente: ir buscar-vos. Tiveram azar, as duas, mas também sorte. Tiveram o azar de serem cadelas, em Portugal. E a sorte de terem quem vos salvasse dessa condição que, sem ter nada de mal em si, é uma autêntica maldição na realidade do nosso país. Uma sofreu mais que a outra e, por isso, traz mais cicatrizes. Pouco se vêem, mas estão lá: o terror nos olhos quando lhe pegávamos ao colo (demorou meses a ser substituído pelo abanar da cauda); a forma como ainda foge, cauda entre as pernas, orelhas para trás, quando ouve o som de passos a correrem algures atrás dela; a desconfiança em relação a (quase) todos os seres humanos que não conhece, especialmente os que têm ar e (provavelmente) cheiro de quem vive na rua; o tapete em que se transforma quando percebe que fez qualquer coisa mal. Há um ano acabava de voltar de Gaia com a minha Luna e de perto da Azambuja com a Leila da minha mãe. Houve pouca coisa nos últimos anos que me desse tanto prazer como vocês. Parabéns, minhas pequeninas!
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Como nem todas tiveram a sorte de serem salvas por almas caridosas e despojadas, que usam o seu próprio tempo e dinheiro em prol dos animais abandonados em Portugal, há muito a fazer. Podem começar por ir ao Há mais mundos e enviarem um email. É fácil, é barato e, quem sabe, pode salvar centenas. Não digo milhares porque estes são só os de Lisboa.

Se arrependimento matasse

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Eu podia ser uma destas vozes. Devia ser. Mas como sou idiota achei que não valia a pena apanhar um avião para ir ver Pearl Jam e voltar. Pois, sou burra, e tacanha, porque não há dinheiro que pague sensações como esta. E, o que é pior, nem pagava a viagem, para terem uma ideia do tamanho da minha estupidez. Agora, descubro isto aqui e toda a minha idioice, burrice, estupidez e outros nomes menos próprios que já me chamei ecoam-me na cabeça como se não houvesse amanhã. É o segundo concerto que ficou por ver que não me sairá da cabeça.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Façam-me um favor

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Se não põem o rabo em cima de um selim desde os 13 anos não venham pôr-se a andar por Amesterdão, no meio do trânsito e dos outros ciclistas. É que vai dar asneira. Ainda hoje vi uma espanholita que teve uma sorte desgraçada - não foi passada a ferro pelos outros depois de ir ao chão porque não calhou.
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terça-feira, 20 de julho de 2010

Língua traiçoeira

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Um colega italiano, a rir, diz-me "This idiot would like to pay with what? Gold? Exchange potatos for oranges?" e mostra-me a mensagem do cliente. E eu rio-me, muito, até as lágrimas me virem aos olhos, e o italiano já olha para mim com ar de quem acha que sou maluca e não há nenhum português na vizinhança para vir partilhar a minha diversão. O cliente dizia "Voglio pagare con un altro strumento". Tive de explicar ao italiano o outro significado tem em português a palavra "instrumento"...
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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Já comecei as despedidas

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A minha última viagem Amesterdão - Utreque - Amesterdão.
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Constatações

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O problema de trabalhar aos fins-de-semana não é trabalhar, até se trabalha bem. O problema é não ter os dias livres.
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domingo, 18 de julho de 2010

Pormenores alemães

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De Berlim até à primeira paragem em território holandês as indicações dadas pelo maquinista sobre cada paragem que se avizinha são dadas em alemão, de seguida em holandês e, por fim, em inglês. De notar que em alemão e holandês a descrição inclui todas as ligações a outras estações, os seus horários e plataformas. Em inglês, "Next stop xxx. Thank you for travelling with the Deutsche Bahn". E chega. Quando a tripulação mudou para holandesa passámos a conseguir saber também que ligações havia. Em inglês, claro. Pormenores? Talvez.
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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Lunicóptero

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Qualquer dia levanto voo de traseira.
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Dupla segurança

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É usar suspensórios e cinto.
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Visto hoje, em Amesterdão. E não era um puto com ideias sui generis sobre estilo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Cara e coroa

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Vou sentir a falta de ir de bicicleta para o trabalho.


Não vou ter saudades nenhumas de lá chegar a escorrer chuva.
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P.S. - O regresso à pátria está tão certo que é quase como estar já no avião. Só faltam 2 meses e meio.

É Desta!

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Hoje tinha um envelope A4 na caixa do correio. Ainda sem ler o remetente, tive a sensação que seria o que já esperava há uns dias. E foi desta. Ou será desta. Ri e também tive uma lagriminha a dançar pela pálpebra inferior, mas o que sobrou foi mesmo só um sorriso rasgado - até porque, sendo de quem é, não esperava menos. Vou amar estar presente no acontecimento do ano.
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P.S. - quando aprendíamos as vogais, na primária dos idos 80, cada uma destas letras correspondia a uma palavra simples e bem conhecida de todos. Perdoa-me, querida, mas vou mesmo ter de gozar: LOL, vai ser na terceira vogal!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Memorial

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Este é o Memorial aos Judeus Assassinados da Europa, localizado no centro de Berlim, entre a Brandenburguer Tor e o Reichstag. É um local impressionante, foi imaginado como um Campo de Estelas, e para mim a imagem óbvia é a de várias campas de betão, de diversas alturas, espalhadas por toda uma praça - à vontade do tamanho da Praça do Comércio. Acho redutor que seja dedicado apenas aos judeus, não porque eles não tenham sofrido mas porque não foram os únicos. E acho que isso também não deve ser esquecido.


Aqui só tirei fotos ao lugar. Aos corredores. Às diferentes alturas das "campas" de tantas e tantas pessoas (não há ninguém ali enterrado, na verdade). Não consegui rir, trepar para cima dos paralelepípedo, fazer poses. E, com toda a franqueza, incomodou-me que outros o fizessem. Somos todos turistas e as férias são para nos divertirmos. Mas para isso há bares, parques e esplanadas. Não serve um monumento a milhares de mortos. É como rir à gargalhada ou deixar o telemóvel ligado numa igreja. Não é que eu seja judia, não é que eu conheça alguém que tenha morrido nas mãos dos Nazis, não é que seja católica. É ter respeito por onde se está. Mais um monumento impressionante em Berlim.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Soubesse eu o que me esperava

E tinha começado com a macumba para o raio dos laranjinhas terem perdido nos décimos-oitavos de final! Não há paciência, o barulho não pára, a cadela não sai da arrecadação*, cortam metade das estradas da cidade, não há transportes públicos, os malucos vêm de tudo quanto é vilória enfiar-se à porta de minha casa, fica tudo cheio de lixo por todo o lado, obrigam ao corte de estradas fazendo-me andar às voltas para chegar a casa**, sendo que aqui, com os canais, não é indiferente ter de virar na segunda ou na terceira à esquerda - ou há ponte ou não há e a volta pode significar mais 3 quarteirões para percorrer - e, como se não bastasse os gajos que se vêm enfiar no jardim que tenho em frente ao prédio a mijar nos arbustos, hoje ainda tive de ver uma gaja de calças baixas entre dois carros a fazer algo que não quis ver bem o que era! E só ficaram em segundo, raios os partam. Acabavam com o futebol profissional no mundo e eu era uma mulher tão mais feliz (e, neste momento, muito menos irritada).
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* buraco mais fundo e escuro que arranjou para se esconder de todo o barulho
** eu, de bicicleta, que o mariducho pagou passe para neste mês já ter vindo duas vezes a pé para casa que não há eléctricos a funcionar

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Só nós é que sabemos

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Alguém que nunca tenha entrado numa cantina holandesa não vai compreender a excitação contida na exclamação que podem ler abaixo:
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Hoje havia atum de conserva e ovos cozidos que pude misturar na costumeira salada de alface e milho!
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sábado, 10 de julho de 2010

Mais Berlim

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Haus der Kulturen e estátua extravagante à sua frente (diz o autor que é uma borboleta) num belo espelho de água. Disse a guia* que o tecto do edifício, originalmente contruído para qualquer coisa oficial, ruiu com uma chuvada (em PT são os tectos dos supermercados, aqui são os edifícios do governo) e depois de reconstruído passou a ser uma sala de teatro / espectáculos. Eu compreendo-os: antes caia outra vez em cima da cabeça dos que acham que vale a pena ir ao teatro do que de uns quaisquer membros do governo.

* gosto de fazer os citytours das cidades, especialmente quando não tenho grande tempo para me documentar sobre elas, pois fico com uma ideia generalizada e depois é mais fácil visitar apenas o que me interessou dos "locais turísticos".


Torre sineira erguida na altura da comemoração dos 750 anos de Berlim, foi oferecida pela Mercedes. Espirituosos, os berlinenses chamam-lhe "The Big Benz". É o maior carrilhão da Europa e toca apenas duas vezes ao dia: meio-dia e seis da tarde. Tive a felicidade de por lá passar ao meio-dia e ouvir os 68 sinos tocar o Hino da Alegria. Se quiserem, encontram aqui uma versão bem menos poderosa do que ouvi. Não fosse o calor e acho que tinha dançado.


Brandenburger Tor, o Arco do Triunfo local. Durante os cerca de 30 anos da divisão de Berlim ficou quase lado-a-lado com o Muro, em terra-de-ninguém. Infelizmente para vós, leitores, as fotos que não incluem o "City Safary" incluem as caras de um dos protagonistas desta viagem. Para mais uma imagem ilucidativa de como ficou Berlim no final da II Grande Guerra, vejam esta outra foto.


Uma simples vista geral sobre Berlim, tirada de uma dos pontes sobre o rio Spree. A torre que mais parece uma lança com uma lâmpada antiga espetada é a Torre da TV alemã. Os turistas podem subir para ver as vistas mas, além de carote, adivinhem lá... Não permitem entrada a cães. Nem a descendentes de pastores-alemães: uma vergonha.


Por último, o novo e o velho - provavelmente não tão velho assim, apenas reconstruído, mas Berlim é assim. Podiam até ter mudado o animal símbolo da cidade: de Urso para Fénix. A Torre da televisão e a torre sineira da Marienkirche contra um céu nublado que conseguia tornar o ar ainda mais pesado que um sol intenso e directo.

Mudança de assunto

Brasileiros que aqui venham* e que, portanto, eu não tenho prazer de conhecer: mas que raio vos passou pela cabeça para começarem a usar o som (não chega a ser sequer uma palavra) "oi" para atender chamadas no local de trabalho ou para, ainda no contexto laboral, indicarem que não perceberam o que foi dito pela outra pessoa?
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* não vem nenhum, eu sei, o sitemeter trata de me pôr ao corrente destes pormenores tristes.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Reichstag

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Tive pena, mas não entrei no local onde se encontram os deputados alemães. Primeiro, a Luna não seria bem-vinda (não percebo porquê, se deixasse lá um dos muitos presentes que fez por Berlim não era nada que uns quantos políticos não merecessem) e, segundo, aquele conjunto de pessoas que se vêem ao fundo, mais ao menos ao centro da escadaria e que se estendem até ao relvado é a fila de espera para entrar. Ao que parece, aquele comprimento de bicha significaria entre 1h e 2h de espera. O edifício foi construído em 1884-90 para albergar o Parlamento da recém-criada Alemanha. Durante a II Guerra Mundial foi significativamente danificado e só voltou a ser totalmente reconstruído, alargado e adaptado a um Parlamento moderno entre 1994-99. Dizem que é muito bonito por dentro e a cúpula de vidro central parece ser uma espiral onde os turistas podem andar para ver as vistas. Só para terem uma ideia, sigam este link para verem uma imagem do Reichstag após a Guerra.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A divisão

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Como vêem a Alemanha é para os que falam alemão. A única parte traduzida para o inglês não é a dirigida ao turista, mas ao meliante que vem com a intenção de destruir. Eu tive de chegar a casa e usar das excelentes (not!) traduções do alemão-inglês do Google para perceber o que faltava. Para quem não percebe nada (e acreditando no Google):

Construcção do Muro: a partir de 1961
Queda: 9 de Nov. de 1989
Pinturas: Fev. a Nov. 1990
Reparações: 2009


Secção do muro pintada para simular um posto de observação militar no que é hoje um café. Haja humor.


"Ele" passava aqui. E o que hoje é um passeio, uma pista para ciclistas e uma estrada eram há 20 anos dois mundos. Achei poética esta forma (duas fileiras paralelas de paralelipípedos) de assinalar o caminho da divisão. É como se tivessem enterrado o muro, até ele não se erguer nem um centímetro acima do chão que pisamos todos os dias.


O mítico Checkpoint Charlie. Ou seja, a terceira passagem entre os dois mundos (sendo que a primeira era Alpha, a segunda Bravo, esta terceira Charlie, etc., etc., não sei até que letra do alfabeto fonético).


E o carro que todos os alemães de Leste tinham. Isto é, os que podiam dar-se ao luxo de ter um carro. Este Trabant, Trabi para os amigos, seria da polícia e agora é possível que qualquer um com carta de condução o alugue para passear pela cidade. Comprei um em miniatura, azul-cueca, para mim. Adoro souvenirs pirosos.

Disclosure: antes desta viagem eu não fazia ideia de que o "Charlie" do checkpoint vinha das letras do alfabeto fonético e nunca tinha ouvido falar do Trabant (o mariducho sabe coisas que não lembram a ninguém). Ponho aqui a informação para conhecimento geral e para memória futura, não é para me armar aos cucos.

Restos


Estas são a Ev. Kaiser-Wilhelm Gedachtenis Kirche e a coisa horrorosa que lhe plantaram ao lado. É uma das poucas (a única com que dei) ruínas da Guerra que ainda está de pé. O interior está vazio, completamente destruído. Desconfio que os berlinenses já nem olham duas vezes para ela, mais atentos às barraquinhas de comes-e-bebes que a rodeiam. Não sei muito além do seu nome e que ficou de pé porque os berlinenses se rebelaram contra a demolição do que deve ter sido um belo monumento e acabaram por a manter como memória de como Berlim ficou. Não tem telhado, os relógios reluzentes só mostram a hora certa duas vezes por dia e a rosácea (não se vê deste lado) ficou completamente destruída, sendo agora um grande círculo de pedra vazio. 
Esta foi a primeira foto que tirei em Berlim. De olhos marejados. Isto não é o que resta de uma obra que uma civilização ergueu e que, por desleixo e erosão da passagem do tempo, assim ficou. É algo que num momento não muito longínquo estava inteiro, e que, num instante, ficou reduzida a metade. Um instante de terror absoluto que, repetindo-se, transformou uma cidade num monte de ruínas. Arrepiou-me.

domingo, 4 de julho de 2010

De volta

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Curto e grosso: Berlim é um espectáculo, adorei. Os alemães que falam inglês fazem-no bem pior do que eu falo italiano*. E "Deutsche techologie" my ass. O ar condicionado não funciona nos comboios e simplesmente não existe no metro. Tal como suspeitei, assámos.
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* sendo que eu não falo italiano.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Afinal lá vi o jogo*

E, durante quase metade, estive a ouvir o comentador holandês a mencionar um certo nosso jogador chamado "contró". Eu, que a primeira pergunta que fiz quando olhei para o ecrã foi "Porque carga d'água é que os calções da nossa equipa agora são azuis?!?" e que, portanto, percebo imenso de futebol, não faço ideia dos nomes dos jogadores, noves fora Cristianos Ronaldos e coisas doutras épocas!**. Sabia lá quem era o "contró"! Depois de me esforçar de forma infrutífera por ler a camisola, lá perguntei e, nesse mesmo instante, perdoei o holandês por não saber pronunciar correctamente o nome. "Coentrão" é algo que só mesmo alguém de habla portuga consegue pronunciar. E, além de tudo o mais, mereceu o apodo, que mais me pareceu uma galinha tonta com pés tortos que um jogador profissional de futebol.
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* parece que vem no contrato de casamento;
** tipo Figo, João Pinto e, esqueci-me agora (sou mesmo boa nisto), do gadelhudo do FCP.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Estamos lixados


Podíamos ter ido para Terschelling. Mas, dado o tempo maravilhoso que temos tido por estas bandas até há coisa de 1 semana, optámos por não arriscar ir para um sítio onde, se não pudermos ir para a praia ou passear de bicicleta, não há nada para fazer. Desconfio que haveria praia. Ou não, se tivessemos marcado as mini-férias para lá. Assim sendo, vamos assar para Berlim. Sehen Sie!*
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* que, segundo o Google, é o mesmo que see you!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Impotência

Não há nada pior que esforçarmo-nos, darmos o nosso máximo, chegarmos ao limite das nossas forças, o tudo-por-tudo e, chegados ao nosso objectivo, vermos as portas a fecharem-se mesmo no nosso nariz. Foi o que me aconteceu hoje. E não é justo.

O comboio Utrecht - Amesterdão fechou as portas mal cheguei à plaforma. Tinha ido a correr quase desde o Cervantes.

sábado, 26 de junho de 2010

Com um sorriso

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Teria eu os meus 8 ou 9 anos quando fui um dia ter com a minha mãe ao emprego. Na altura trabalhava perto do Largo do Carmo, num pátio de prédios antigos pintados de cor-de-rosa claro com as ombreiras das janelas e das portas em pedra branca e porosa, tão característicos da Lisboa velha. Provavelmente, terei saído da escola*, ido directamente ter com ela e passado o resto da tarde a brincar pelo escritório. Por volta das 17h30 saímos as duas e devemos ter descido pelo Elevador de Sta. Justa até à Baixa e seguido pela Rua Áurea** até à Praça do Comércio, onde fizemos slalom na diagonal por entre os carros que na altura a enchiam até chegarmos ao Torreão Este da Praça.
No meio do passeio, mesmo ao lado do Torreão, uma senhora vendia hula-hoops, os arcos que na altura eram, aos meus olhos, o brinquedo-sensação. Provavelmente pela vigésima vez, pedi à minha mãe se me comprava um, aquele de cor rosa clarinho como os prédios onde ela trabalhava, que ali estava a ser apregoado. A resposta da minha mãe foi um premeditado "Eu compro-to, mas só se souberes brincar com ele, senão não serve para nada". Teremos pedido à senhora para eu o experimentar e eu enfiei-o pela cabeça, ombros e tronco até o encostar a um dos lados da cintura. Era o brinquedo da moda, mas eu pouco ou nunca tinha brincado com um pois para a escola não podíamos levar nada além de livros. Terei inspirado fundo e posto a língua de fora, tique que ainda trai a minha criancice cada vez que me esforço por fazer algo que exige destreza, e girei o arco enquanto movia a cintura como via os meninos fazerem na televisão. E, para maior espanto meu que da minha mãe, a coisa girou. E continuou a girar e a girar até que um sorriso conseguiu fazer retrair a minha língua para trás dos dentes. Eu sabia brincar com o arco! E a minha mãe lá me comprou o círculo de plástico cor-de-rosa claro, como os prédios da Lisboa antiga, que girou pelo meu corpo muito tempo, até que a passagem do mesmo, o uso e a força do sol que batia na varanda onde guardava os brinquedos o esbranquiçou, secou e, finalmente, quebrou.
Ontem no Vondelpark um grupo de adolescentes treinava artes circences com arcos e fitas. Aposto que ainda sei "brincar" com um arco.

* bons velhos horários em que após as 15h ou 15h30 já não havia escola mas alguém que ficasse connosco e nos passeasse e deixasse brincar à vontade;
** adoro quando alguém não sabe que é o verdadeiro nome da Rua do Ouro.
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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Leila, a renda

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Não fossem os 11kgs de peso e, em vez de ter a minha Luna, teria a minha Leila, ser orelhudo que acabei por impingir à minha mãe perante a impossibilidade de ficar com ela. Tudo o que a Luna tem de calma e sossegada esta bicha (nada de segundos sentidos!) tem de espevitada. Não há cá esperar que os donos acordem; são 7h30 da matina, tenho vontade de fazer chichi, dona, vamos lá a levantar - que é como quem diz "caim... caaim... caiiimm..." baixinho qb para acordar a visada mas sem lhe provocar um ataque cardíaco. Mas, mesmo depois de passeada, a Dona Leila gosta de atenção e, portanto, vira-se para o outro membro da família, o meu velhote. Que continua a dormir. E que, mesmo depois de umas quantas focinhadas nos membros superiores e inferiores, não se levanta. E que, estando surdo, pouco liga a ganidelas, tenham elas os decibéis que tiverem. E o que faz o ser orelhudo?, perguntais vós. Pois ataca o par de peúgas que ele tirou antes de se deitar e morde-o até haver buracos em cada peúga para todos os dedos dos pés e das mãos de todos os habitantes da casa. A Leila é uma renda: comida, veterinário, sola de sapatos e peúgas.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Nha-nha-nha-nha-nha-nha!

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Vocês não sabem onde está neste momento a almoçar o Mário Soares... E eu sei!

P.S. - eu sei que também não interessa a ninguém onde está o MS a almoçar mas apeteceu-me gabar de alguma coisa,e isto é tudo o que tenho (gabarolice acompanhada de auto comiseração, deve ser do excesso de francês).

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Aplausos, aplausos!

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O fd prova que nada assiduamente neste aquário e falha na sua resposta* apenas por un petit pormenor. Aulas de Francês, amigos, o conhecido French behind the wheel, é o que me atormenta os ouvidos enquanto pedalo mais ou menos esforçadamente. Aposto que nunca consideraram a possibilidade de o "wheel" ser um guiador.

* fd disse: "Aulas de Espanhol? Ou será de Holandês?"

Concurso!*

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Ninguém adivinha o que venho a ouvir no meu MP3 durante os 15 minutos que pedalo de casa ao trabalho.
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* Não há Samsungs Diva de prémio, I'm afraid
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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Quem diria?

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Afinal o Cristiano Ronaldo sempre tinha razão: os golos são como o ketchup!
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domingo, 20 de junho de 2010

Problemas de género

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Estou  a pensar em mudar o meu nick para Goldie. Ando um bocado traumatizada por ler noutros sítios "o comentário do/a Goldfish".
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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Rendi-me a mais duas modas

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Desta vez foram as calças skinny* e as sandálias à romano, sendo que as minhas têm o seu quê de original.
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* também conhecidas como "modelo chouriço" e que me obrigarão a levantar-me meia hora antes do normal para ter tempo de me enfiar lá dentro. Um dia destes ponho fotos. A sério. E a lua é quadrada, já repararam?

Saramago

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Não vou dizer que é o meu escritor favorito, etc. e tal, pois ainda só o li uma vez. Mas entristece-me saber que todos os livros dele que vou poder ler já estão escritos.
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(foto roubadíssima do Público)

Viver na Holanda é...

... ir à janela de manhã, reparar num gajo de bicicleta com um fato, camisa e sapatos do mais pipi que se possa imaginar, vê-lo desmontar à frente de uma carrinha BMW do mais pipi que se possa imaginar e sacar do chaveiro pendurado no cadeado da bicla para abrir o bólide, tirar qualquer coisa do porta-luvas e seguir caminho. De bicla, claro.
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quinta-feira, 17 de junho de 2010

A única coisa de que gosto no mundial

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A boa disposição é tal que dou ao pézinho. É provável que seja mais do ritmo da música do que do futebol em si - que o amor ao futebol é pouco e o gosto musical nunca foi muito erudito.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

One in a million

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Luna pode ser um nome pouco original para cadela aí em Portugal. Já aqui nos Países Baixos... é do mais banal possível! Conheço outras 3 Lunas e só entre as que fazem de Museumplein toilette.
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P.S. - Os holandeses (e os turistas também) fazem desta mesma toilette cama, sofá e mesa. Muito higiénico.

Finalmente

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A Primavera chegou aos Países Baixos a meio de Junho.*
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* como é que sei? Estou com a constipação da Primavera.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Roubalheira II

Já usei o meu OV-chipkaart (para quem não lê este blog com a atenção que devia, é o Lisboa Viva cá do sítio). E, como já esperava, sai-me mais caro do que o moribundo strippenkaart. Além de cada viagem não ter a "validade" de uma hora, cada volta sai mais cara. E, também como já previa, não o consigo recarregar: já tentei duas máquinas diferentes, numa a mensagem é uma qualquer coisa incompreensível em holandês, noutra diz que o meu cartão multibanco não funciona. Ou seja, chova ou não, estou limitada à bicla. A saúde não agradece (estou "dazex do dariz"), os músculos das pernas também não.
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* Eu sei que estou a ser picuínhas mas o raio do strippenkaart ficou a menos de meio (não tem devolução possível, escudam-se sempre com o "pode usá-lo fora de Amesterdão", como se eu andasse de transportes públicos fora de Amesterdão!)

domingo, 13 de junho de 2010

Odeio birras

Andei à procura de uma definição de birra que refectisse o que eu quero dizer e não encontrei, apesar de ter descoberto esta:

birra
s. f.1. Vício da cavalgadura que ferra os dentes na manjedoura ou em qualquer outro objecto;

que muito me divertiu. Para mim, uma birra (e não estou a falar das de crianças, apesar de essas também me enervarem sobremaneira) é a atitude de alguém que está chateado e que resolve mostrar claramente ao mundo o que sente, independentemente de os outros terem algo a ver com isso ou não e de a demonstração incomodar quem a ela assiste mas lhe é alheio.
Odeio estas cenas e, como tenho um certo receio de perder as estribeiras e de dizer à birrenta (com muita pena minha esta é claramente uma característica feminina) uma verdade ou outra, opto por calar-me. Aproveito o aquário para expressar o que verdadeiramente penso neste casos:
Não chateiem os outros quando eles não têm nada a ver com o que vos chateia! Tal como vocês têm o direito a estar chateadas, os outros têm direito a estar na paz dos deuses.

Tenham em atenção que quem mais faz birras são as crianças - estão a testar os limites do seu mundo e não sabem ainda expressar-se de outra forma. O facto de as continuarem a fazer na idade adulta demonstrará qualquer coisa...

Pensem no universal "não faças aos outros...". Gostam de assistir a birras? Costumam ver coisas positivas surgir delas? Então...

E, last but not least: vão chatear o Camões! Aquele que se encontra no Chiado. E que, por isso, eu não costumo ver com frequência.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Ai pois é!

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A minha empresa é outra coisa, sem dúvida. Agora, quem tiver de transportar papelada (ou qualquer outra coisa) oficial da empresa de um escritório para um dos outros já tem meio de transporte à disposição devidamente identificado com o logótipo da empresa para não haver confusões! É só requisitar, explicando porque motivo é necessário e temos à disposiçao não um, nem dois mas duas... bicicletas!
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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Pois não?

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Acordar a pensar "'Gérmens'? Quais 'gérmens'? A palavra é germes, idiota!" não abona em favor da minha sanidade.
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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Asseio relativo

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Vamos almoçar, come-se sandocha - the dutch way. Come-se com as mãos - not the dutch way - e sujamo-las. Depois do almoço há que ir à casa-de-banho. Uma colega minha entra na casa-de-banho comigo e lava as mãos; de seguida, entra num dos cubículos para fazer o que tem a fazer, sai, não lava as mãos e vai-se embora. Dois dias depois, a cena repete-se. Lição a reter: gordurinha da comida nas mãos, não, blergh!, que nojo; já uns quantos gérmens (raio de palavra) não fazem mal nenhum, não senhora.
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terça-feira, 8 de junho de 2010

Best of Vale do Reno

Eu sei, já chega de fotos de sítios todos iguais e cuja graça se perde em quem não os viu com estes olhinhos que a terra há-de comer. Mas não podia deixar-vos sem as minhas fotos favoritas, por isso, aqui ficam mais cinco:



St. Goar, com as suas casinhas multicolores.

Overwesel, creio. Adoro o contraste de cores. Um milagre, num dia tão sombrio.

Modernidade e antiguidade em paralelo. Tirei "n" fotos até conseguir esta, perfeita, perfeita.

Custou, trepar as ruelas da terrinha para chegar ao castelo, mas valeu a pena. E o céu azul? Lindo!

As sogrinhas. A tirarem duas fotos ao mesmo tempo, esta a melhor delas, na minha modesta opinião (e sim, esta foi a que eu tirei!). E é tudo da Alemanha. Berlim será o alvo da próxima incursão.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Efeitos secundários

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Isto está mau. A noite passada andei às voltas na cama e, aparentemente, sonhei em diversos idiomas. Aparentemente, porque não me lembro. Diz o mariducho, coitado, que foi despertado de madrugada por grunhidos que ele garante irem do espanhol ao francês. Coitado, ficou traumatizado.
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domingo, 6 de junho de 2010

Era uma vez uma carcaça II - a prova do crime

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Bem sei que não parece, mas estou mesmo penduradinha pelas mandíbulas. A jeitosa da minha dona não se lembrou de se ajoelhar para tirar a foto em perspectiva...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Era uma vez uma carcaça

Como já sabem, eu, Luna, sou uma cadelinha linda. Mas nem com toda a minha beleza e persuasão consigo convencer os meus donos a darem-me de comer em quantidades dignas da descendência de um pastor alemão. É por isso que continuo a recolher comidinha na rua. Toda a que encontro. É só os meus donos não verem. Uma vez, não viram uma carcacinha. Coitadinha, já devia ser do ano passado, estava rija que nem o apêndice superior da cabeça de uma vaca*. Mas eu apanhei-a e trinquei-a com estes meus dentinhos fortes e poderosos. São iguaizinhos aos do meu avô. Já vos tinha dito que o meu avôzinho era um pastor alemão? Não, pois não? Pois ficam a saber. Ora a carcacinha era do ano passado e ficou muito bem presa nos meus dentinhos e nem o bruto do meu dono ma conseguiu arrancar. E vejam bem que até me levantou pelos ares pendurada pela carcacinha! E a minha dona a rir e a tirar fotografias. Já não há respeito. Pffffff!
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* o meu avôzinho ensinou-me a não dizer asneiras.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Porque eu só estou bem...

Recebi o meu primeiro recibo de ordenado. Estranhei. Foi só fazer umas contas para confirmar o óbvio: tivesse eu este ordenado em Portugal e teria descontos maiores. Mais de €200 de que o estado holandês parece não precisar mas que o português está sempre pronto a receber, de mãozinha estendida e, o que é o pior e mais relevante, não se sabe bem para quê. Ou sabe-se. Aeroportos. TGVs. E o resto do costume. É por isso que este post fala por mim. Que neste momento não sei se quero mais regressar ou ficar. Tenho tanta, mas tanta pena de com a cabeça saber que não há grande coisa para mim no meu país quando o coração deseja tanto voltar às suas raízes.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Vale do Reno III

Antes que me esqueça, tenho de confirmar algo que esta menina diz em relação aos berlinenses (neste caso, koblenzianos, mas serve): parámos nem 5 minutos a olhar para um mapa e para as inexistentes placas com nomes de ruas e já uma senhora nos perguntava se precisávamos de ajuda!

Castelo. Podia deitar-me a adivinhar qual deles mas já estou com sono de mais para isso.


Castelo. Terrinha. Idem aspas.




Castelo. Terrinha. Idem aspas. E um pormenor interessante: um parque de roulottes. Em cada terrinha, um. Cheio. Era fim-de-semana prolongado também na Alemanha, fiquei a saber em que é que eles poupam dinheiro: hotéis!

Se não estou em erro, este é o castelo XXXX, albergue há séculos atrás de diversos criminosos da região, que se usavam a floresta circundante para camuflarem a vilanagem e apanharem desprevenidos os que passavam. Os ladrões alemães eram poderosos e ricos!


E aqui o frio e a chuva já eram tão fortes que me rendi a tirar fotos de dentro do barco - sendo que as luzinhas que se vêem na foto são gotas de chuva na janela a reflectir o flash da máquina. Confere à foto um toque natalício condizente com o tempo que se fazia sentir.

terça-feira, 1 de junho de 2010

A vida não é justa

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Acabei de me lembrar que, se não tivesse surgido este job, estaria hoje a regressar de umas férias bem passadas em Curaçao. Estou deprimida.

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