sábado, 31 de julho de 2010

Cara e coroa IV

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Vou sentir a falta de ver patinhos da janela da sala.



Não vou ter saudades nenhumas dos mosquitos e varejeiras cada vez
que a temperatura sobe acima dos 20ºC.
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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Aaaargh!

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Tenho que me ir embora, quero ir-me embora, tirem-me desta cidade! Já não posso com isto, estão por todo o lado, só os ouço a hablarem, a parlarem, a falarem e a speakarem em todas as pronúncias possíveis e imaginárias por todos os cantos, não há um lugarzinho que escape, ao sol e à sombra, nas ruas mais recônditas e sem interesse algum, mal saio de casa e lá estão eles, a pé e de bicicleta, mal sabem manter o volante a direito, de mapa numa mão e máquina fotográfica na outra, grandes, pequenos, gordos e magros, em família, aos casaisinhos, em manada, raios os partam, já não posso com o TURISTAME!
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Higiene não é com eles

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Como acabar com os planos de almoço deste peixinho dourado: ir ao mercado comprar peixe (sim, pode dizer-se que sou canibal) e ver carradas de moscas e varejeiras a voar e pousar no peixe exposto. A banca onde costumo ir está fechada para férias, é a única mais resguardada destas pragas. Blergh!
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Estórias do Portugal não-profundo

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Uma amiga começou um trabalho há uns tempos, foram-lhe renovando os contratos até que agora, finalmente, lhe propuseram a efectividade. A felicidade foi de pouca dura. Ao explicarem o que lhe estavam a propôr, uma coisa ficou clara à partida: o ordenado declarado (às finanças e à segurança social) seria o ordenado mínimo, o restante, até cerca de 800€, seria pago por fora. Cerca de metade do ordenado seria pago por fora, sendo que a minha amiga já nem precisava de apresentar despesas como talões de gasolina (o velho esquema) apenas recebia "por fora". Incomodada e numa posição de não saber o que fazer foi falar com a amiga que lhe tinha dado a dica de que havia uma vaga naquela empresa (claro, de que outra forma se arranja emprego em Portugal? Anúncios no jornal ou nos sites de emprego, não?). A resposta da amiga foi "Mas estamos todos assim...". E agora a minha amiga é mais uma que "está assim". Mais uma a chular o Estado. Mais uma a sacrificar o montante da sua suposta e hipotética reforma. Mais uma a contribuir para que esse país não passe da cepa torta. E não, não a culpo, nem sequer a julgo - sei bem o tempo que passou até conseguir este emprego, e a opção voltar ao desemprego não é de se tomar de forma leve. Critico a empresa. Uma "empresa portuguesa". Em que a dona ainda é chamada "a patroa". Que tem visão para o seu próprio negócio mas não para mais, não para o bem-estar dos seus empregados, não para o bem-estar do país. Que tem, provavelmente, a 4ª classe como a grande maioria dos "empresários" portugueses (qual era a percentagem, mesmo? 80 e muitos %? 90%?) e que sabe todos os rios e afluentes portugueses e, até, as estações e apeadeiros das linhas férreas de Angola e Moçambique. Mas que de gestão percebe a do seu próprio bolso. E cujo modo de funcionar é sancionado por um Estado que tem plena consciência do que se passa, de como tudo funciona, desde os ordenados reais aos declarados e às carradas de falsos trabalhadores independentes a recibos verdes. E são estas coisas que transformam a alegria de voltar à minha terra, à minha cidade, à minha família e amigos numa bola de nervos no meu estômago.
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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ai, franguinho, franguinho

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Foi por uma unha branca (que as unhas de um descendente de pastor alemão de raça como eu, Luna, são todas negras e apenas uma, à frente, é branquinha) que no outro dia não me alimentei como deve de ser. Enfiei o focinho numa caixa com frango de churrasco (ou coisa parecida, mas pior, que fazem aqui nesta terra) que deixaram, aberta e abandonada, no meio de Museumplein. Tive o azar de a minha dona estar a levar-me pela trela, o que não é costume naquele sítio, e puxar-me mesmo quando toquei com o nariz no pitéu, senão pelo menos uma coxinha tinha marchado. O meu dono ficou todo coiso porque disse que a comida era de dois idiotas que estavam um bocado à direita da comida a falar e olhar não sei para quê. A minha dona é que não deu por ninguém e seguiu como se nada fosse - e fez ela muito bem já que afinal, se não querem ter focinhos na comida, não a deixavam no meio do chão da praça onde todos os cães das redondezas vão passear! Ou acham que tivemos todos aulas com a Bobone e não comemos do chão?
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Sábado,

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pela graça de deus!
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P.S. - Se hoje e amanhã não trabalho, significa que hoje é Sábado e, amanhã, Domingo e nos dias seguintes, nomeadamente Sábado e Domingo para todos vocês, já serão Segunda e Terça-feira para mim. E por aí em diante. A sorte é isto não ir durar muito, senão acabava a fazer 32 com dois dias de antecedência - ou, o que é pior, duas vezes!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

As cerejas na Holanda...

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... já não valem uma ginja!*
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* mas custam quase o mesmo que uma trufa.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Sintam, por eles

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Daqui.

Cara e coroa III

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Vou sentir a falta de ter um escritório, máquina de secar roupa e uma sala XXL.



Não vou ter saudades nenhumas da kitchenette e do cheiro a comida pela casa toda.
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segunda-feira, 26 de julho de 2010

E regressámos à normalidade

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Confesso que estava a assustar-me um pouco o Verão que temos vivido nas últimas semanas, ocasionalmente interrompido por trovoadas e chuvas torrenciais (muito tropical). Agora, para meu descanso, regressámos ao que sei ser uma Primavera-Verão tradicionalmente holandesa: chuva, frio e ausência total de sol. Sinto-me em casa.
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domingo, 25 de julho de 2010

Ele há dias e dias

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Se há coisa de que não me posso queixar aqui em Amesterdão é da vizinhança - excepção feita ao violinista que, por muito bem que toque, me dá conta dos nervos. Todos são simpáticos, conversadores (sem serem cuscos), gostam da Luna e, o mais importante de tudo, ninguém dá por eles! Mas há uma senhora, dos seus 50-60 anos, loura oxigenada (que é para começar já com os elogios) que ou anda sempre de trombas ou não gosta de mim. É bom de ver que eu sou uma rapariga simpática e, principalmente, educada. Cumprimento sempre as pessoas e, mesmo se de mau humor, esforço-me por sorrir e desejar bom dia seja a quem for com quem me cruze no elevador do meu próprio prédio. E o mesmo fazem os outros vizinhos - uns mais, outros menos, mas fazem. Excepto esta. E começar um Domingo de trabalho com um encontro em terceiro grau com a avantesma oxigenada e trombuda é coisa para me chatear mais ainda do que nos outros dias. Espero que chova (desculpem-me os restantes amsterdamers).
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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Amesterdão vista do Aquário

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No caso improvável de alguém vir aqui pedir-me conselhos para uma viagem a Amesterdão, aqui ficam uns posts com dicas avulso de quem cá vive há quase, quase, 2 anos. Tenho a avisar que, se procuram bons sítios para jantar, coffeshops e cervejarias a coisa não vos vai satisfazer: não tenho experiência relevante para aconselhamentos. Posto isto, vou começar com uma ideia geral da coisa.
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Amesterdão é uma cidade pequenita com um monte de gente de todas as nacionalidades a viver uns em cima dos outros. Juntem a isso o facto de ser uma cidade altamente turística e ficam com uma boa ideia do ambiente que se vive na capital* dos Países Baixos (vim agora do centro atulhado de turistas, nota-se?).
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No geral, eu gosto sempre de fazer um hop-on, hop-off, quando vou em turismo, sendo que em Amesterdão têm a possibilidade de o fazerem num barco pelos canais, o que sempre dá outro interesse à coisa e ficam a conhecer coisas como o prédio mais estreito da cidade (além da largura da porta pouco mais tem) e com uma ideia geral da cidade.
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A ideia das voltas de bicicleta, é como disse há dias: se não andam em cima de uma desde que o vosso ídolo era o Axel Rose, esqueçam, até porque enquanto se concentram em não cair, não atropelar e não ser atropelados não olham para os sítios por onde vão passando - é esse o objectivo de visitar uma cidade, certo? Ah, e a dor nos glúteos no dia seguinte também é lixada, mas isso são outros 500.
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Outra questão relevante é: quando vir (ou ir, no vosso caso)? Pois, no Inverno faz frio para caraças para quem está habituado ao clima de Lisboa e arredores (se viverem na Serra da Estrela e em sítios como a Guarda já sabem ao que me refiro) e os dias são curtos (em determinado período o sol põe-se às 16h30). Na Primavera, costuma haver bom tempo, mas chove bastante (e este ano esteve frio até meio de Maio). No Verão também chove (claro!) e pode fazer bastante calor, mas o mais provável é estar ameno. O meu conselho? Visitem o weather.com antes de vir e tragam roupa para vestir em camadas - despe e veste consoante o clima de cada dia.
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* depois de diversas pesquisas confirma-se que Amesterdão é mesmo a capital. O centro do governo está em Haia, mas isso são pormenores.
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Cara e coroa II

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Vou sentir a falta de viver tão no centro da cidade que tudo está a walking distance de casa.


Não vou ter saudades nenhumas de ter de conviver com o enxame permanente de turistas.
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Portugal dos pequeninos

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Quando houve eleições autárquicas, uma das juntas de freguesia de Lisboa mudou de cores - vermelho para coligação azul e amarelo com laranja. Soube, há pouco tempo, que o ex-Presidente-da-Junta pouco frequenta agora a área e porquê - os empregados da Junta deixaram de lhe falar, chegando ao ponto de lhe virar a cara na rua para fingir que não o vêem. Será receio? Será estupidez? Não sei bem, mas uma coisa é de certeza: demostrativo do ambiente que se vive no meio partidário português.
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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Adivinhem lá...

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... para que é que as duas estão a olhar tão fixamente na foto anterior.
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1 ano

Há um ano atrás, voei de Amesterdão para Lisboa com um objectivo em mente: ir buscar-vos. Tiveram azar, as duas, mas também sorte. Tiveram o azar de serem cadelas, em Portugal. E a sorte de terem quem vos salvasse dessa condição que, sem ter nada de mal em si, é uma autêntica maldição na realidade do nosso país. Uma sofreu mais que a outra e, por isso, traz mais cicatrizes. Pouco se vêem, mas estão lá: o terror nos olhos quando lhe pegávamos ao colo (demorou meses a ser substituído pelo abanar da cauda); a forma como ainda foge, cauda entre as pernas, orelhas para trás, quando ouve o som de passos a correrem algures atrás dela; a desconfiança em relação a (quase) todos os seres humanos que não conhece, especialmente os que têm ar e (provavelmente) cheiro de quem vive na rua; o tapete em que se transforma quando percebe que fez qualquer coisa mal. Há um ano acabava de voltar de Gaia com a minha Luna e de perto da Azambuja com a Leila da minha mãe. Houve pouca coisa nos últimos anos que me desse tanto prazer como vocês. Parabéns, minhas pequeninas!
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Como nem todas tiveram a sorte de serem salvas por almas caridosas e despojadas, que usam o seu próprio tempo e dinheiro em prol dos animais abandonados em Portugal, há muito a fazer. Podem começar por ir ao Há mais mundos e enviarem um email. É fácil, é barato e, quem sabe, pode salvar centenas. Não digo milhares porque estes são só os de Lisboa.

Se arrependimento matasse

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Eu podia ser uma destas vozes. Devia ser. Mas como sou idiota achei que não valia a pena apanhar um avião para ir ver Pearl Jam e voltar. Pois, sou burra, e tacanha, porque não há dinheiro que pague sensações como esta. E, o que é pior, nem pagava a viagem, para terem uma ideia do tamanho da minha estupidez. Agora, descubro isto aqui e toda a minha idioice, burrice, estupidez e outros nomes menos próprios que já me chamei ecoam-me na cabeça como se não houvesse amanhã. É o segundo concerto que ficou por ver que não me sairá da cabeça.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Façam-me um favor

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Se não põem o rabo em cima de um selim desde os 13 anos não venham pôr-se a andar por Amesterdão, no meio do trânsito e dos outros ciclistas. É que vai dar asneira. Ainda hoje vi uma espanholita que teve uma sorte desgraçada - não foi passada a ferro pelos outros depois de ir ao chão porque não calhou.
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terça-feira, 20 de julho de 2010

Língua traiçoeira

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Um colega italiano, a rir, diz-me "This idiot would like to pay with what? Gold? Exchange potatos for oranges?" e mostra-me a mensagem do cliente. E eu rio-me, muito, até as lágrimas me virem aos olhos, e o italiano já olha para mim com ar de quem acha que sou maluca e não há nenhum português na vizinhança para vir partilhar a minha diversão. O cliente dizia "Voglio pagare con un altro strumento". Tive de explicar ao italiano o outro significado tem em português a palavra "instrumento"...
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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Já comecei as despedidas

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A minha última viagem Amesterdão - Utreque - Amesterdão.
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