sexta-feira, 23 de julho de 2010

Cara e coroa II

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Vou sentir a falta de viver tão no centro da cidade que tudo está a walking distance de casa.


Não vou ter saudades nenhumas de ter de conviver com o enxame permanente de turistas.
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Portugal dos pequeninos

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Quando houve eleições autárquicas, uma das juntas de freguesia de Lisboa mudou de cores - vermelho para coligação azul e amarelo com laranja. Soube, há pouco tempo, que o ex-Presidente-da-Junta pouco frequenta agora a área e porquê - os empregados da Junta deixaram de lhe falar, chegando ao ponto de lhe virar a cara na rua para fingir que não o vêem. Será receio? Será estupidez? Não sei bem, mas uma coisa é de certeza: demostrativo do ambiente que se vive no meio partidário português.
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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Adivinhem lá...

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... para que é que as duas estão a olhar tão fixamente na foto anterior.
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1 ano

Há um ano atrás, voei de Amesterdão para Lisboa com um objectivo em mente: ir buscar-vos. Tiveram azar, as duas, mas também sorte. Tiveram o azar de serem cadelas, em Portugal. E a sorte de terem quem vos salvasse dessa condição que, sem ter nada de mal em si, é uma autêntica maldição na realidade do nosso país. Uma sofreu mais que a outra e, por isso, traz mais cicatrizes. Pouco se vêem, mas estão lá: o terror nos olhos quando lhe pegávamos ao colo (demorou meses a ser substituído pelo abanar da cauda); a forma como ainda foge, cauda entre as pernas, orelhas para trás, quando ouve o som de passos a correrem algures atrás dela; a desconfiança em relação a (quase) todos os seres humanos que não conhece, especialmente os que têm ar e (provavelmente) cheiro de quem vive na rua; o tapete em que se transforma quando percebe que fez qualquer coisa mal. Há um ano acabava de voltar de Gaia com a minha Luna e de perto da Azambuja com a Leila da minha mãe. Houve pouca coisa nos últimos anos que me desse tanto prazer como vocês. Parabéns, minhas pequeninas!
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Como nem todas tiveram a sorte de serem salvas por almas caridosas e despojadas, que usam o seu próprio tempo e dinheiro em prol dos animais abandonados em Portugal, há muito a fazer. Podem começar por ir ao Há mais mundos e enviarem um email. É fácil, é barato e, quem sabe, pode salvar centenas. Não digo milhares porque estes são só os de Lisboa.

Se arrependimento matasse

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Eu podia ser uma destas vozes. Devia ser. Mas como sou idiota achei que não valia a pena apanhar um avião para ir ver Pearl Jam e voltar. Pois, sou burra, e tacanha, porque não há dinheiro que pague sensações como esta. E, o que é pior, nem pagava a viagem, para terem uma ideia do tamanho da minha estupidez. Agora, descubro isto aqui e toda a minha idioice, burrice, estupidez e outros nomes menos próprios que já me chamei ecoam-me na cabeça como se não houvesse amanhã. É o segundo concerto que ficou por ver que não me sairá da cabeça.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Façam-me um favor

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Se não põem o rabo em cima de um selim desde os 13 anos não venham pôr-se a andar por Amesterdão, no meio do trânsito e dos outros ciclistas. É que vai dar asneira. Ainda hoje vi uma espanholita que teve uma sorte desgraçada - não foi passada a ferro pelos outros depois de ir ao chão porque não calhou.
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terça-feira, 20 de julho de 2010

Língua traiçoeira

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Um colega italiano, a rir, diz-me "This idiot would like to pay with what? Gold? Exchange potatos for oranges?" e mostra-me a mensagem do cliente. E eu rio-me, muito, até as lágrimas me virem aos olhos, e o italiano já olha para mim com ar de quem acha que sou maluca e não há nenhum português na vizinhança para vir partilhar a minha diversão. O cliente dizia "Voglio pagare con un altro strumento". Tive de explicar ao italiano o outro significado tem em português a palavra "instrumento"...
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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Já comecei as despedidas

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A minha última viagem Amesterdão - Utreque - Amesterdão.
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Constatações

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O problema de trabalhar aos fins-de-semana não é trabalhar, até se trabalha bem. O problema é não ter os dias livres.
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domingo, 18 de julho de 2010

Pormenores alemães

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De Berlim até à primeira paragem em território holandês as indicações dadas pelo maquinista sobre cada paragem que se avizinha são dadas em alemão, de seguida em holandês e, por fim, em inglês. De notar que em alemão e holandês a descrição inclui todas as ligações a outras estações, os seus horários e plataformas. Em inglês, "Next stop xxx. Thank you for travelling with the Deutsche Bahn". E chega. Quando a tripulação mudou para holandesa passámos a conseguir saber também que ligações havia. Em inglês, claro. Pormenores? Talvez.
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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Lunicóptero

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Qualquer dia levanto voo de traseira.
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Dupla segurança

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É usar suspensórios e cinto.
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Visto hoje, em Amesterdão. E não era um puto com ideias sui generis sobre estilo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Cara e coroa

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Vou sentir a falta de ir de bicicleta para o trabalho.


Não vou ter saudades nenhumas de lá chegar a escorrer chuva.
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P.S. - O regresso à pátria está tão certo que é quase como estar já no avião. Só faltam 2 meses e meio.

É Desta!

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Hoje tinha um envelope A4 na caixa do correio. Ainda sem ler o remetente, tive a sensação que seria o que já esperava há uns dias. E foi desta. Ou será desta. Ri e também tive uma lagriminha a dançar pela pálpebra inferior, mas o que sobrou foi mesmo só um sorriso rasgado - até porque, sendo de quem é, não esperava menos. Vou amar estar presente no acontecimento do ano.
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P.S. - quando aprendíamos as vogais, na primária dos idos 80, cada uma destas letras correspondia a uma palavra simples e bem conhecida de todos. Perdoa-me, querida, mas vou mesmo ter de gozar: LOL, vai ser na terceira vogal!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Memorial

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Este é o Memorial aos Judeus Assassinados da Europa, localizado no centro de Berlim, entre a Brandenburguer Tor e o Reichstag. É um local impressionante, foi imaginado como um Campo de Estelas, e para mim a imagem óbvia é a de várias campas de betão, de diversas alturas, espalhadas por toda uma praça - à vontade do tamanho da Praça do Comércio. Acho redutor que seja dedicado apenas aos judeus, não porque eles não tenham sofrido mas porque não foram os únicos. E acho que isso também não deve ser esquecido.


Aqui só tirei fotos ao lugar. Aos corredores. Às diferentes alturas das "campas" de tantas e tantas pessoas (não há ninguém ali enterrado, na verdade). Não consegui rir, trepar para cima dos paralelepípedo, fazer poses. E, com toda a franqueza, incomodou-me que outros o fizessem. Somos todos turistas e as férias são para nos divertirmos. Mas para isso há bares, parques e esplanadas. Não serve um monumento a milhares de mortos. É como rir à gargalhada ou deixar o telemóvel ligado numa igreja. Não é que eu seja judia, não é que eu conheça alguém que tenha morrido nas mãos dos Nazis, não é que seja católica. É ter respeito por onde se está. Mais um monumento impressionante em Berlim.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Soubesse eu o que me esperava

E tinha começado com a macumba para o raio dos laranjinhas terem perdido nos décimos-oitavos de final! Não há paciência, o barulho não pára, a cadela não sai da arrecadação*, cortam metade das estradas da cidade, não há transportes públicos, os malucos vêm de tudo quanto é vilória enfiar-se à porta de minha casa, fica tudo cheio de lixo por todo o lado, obrigam ao corte de estradas fazendo-me andar às voltas para chegar a casa**, sendo que aqui, com os canais, não é indiferente ter de virar na segunda ou na terceira à esquerda - ou há ponte ou não há e a volta pode significar mais 3 quarteirões para percorrer - e, como se não bastasse os gajos que se vêm enfiar no jardim que tenho em frente ao prédio a mijar nos arbustos, hoje ainda tive de ver uma gaja de calças baixas entre dois carros a fazer algo que não quis ver bem o que era! E só ficaram em segundo, raios os partam. Acabavam com o futebol profissional no mundo e eu era uma mulher tão mais feliz (e, neste momento, muito menos irritada).
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* buraco mais fundo e escuro que arranjou para se esconder de todo o barulho
** eu, de bicicleta, que o mariducho pagou passe para neste mês já ter vindo duas vezes a pé para casa que não há eléctricos a funcionar

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Só nós é que sabemos

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Alguém que nunca tenha entrado numa cantina holandesa não vai compreender a excitação contida na exclamação que podem ler abaixo:
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Hoje havia atum de conserva e ovos cozidos que pude misturar na costumeira salada de alface e milho!
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sábado, 10 de julho de 2010

Mais Berlim

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Haus der Kulturen e estátua extravagante à sua frente (diz o autor que é uma borboleta) num belo espelho de água. Disse a guia* que o tecto do edifício, originalmente contruído para qualquer coisa oficial, ruiu com uma chuvada (em PT são os tectos dos supermercados, aqui são os edifícios do governo) e depois de reconstruído passou a ser uma sala de teatro / espectáculos. Eu compreendo-os: antes caia outra vez em cima da cabeça dos que acham que vale a pena ir ao teatro do que de uns quaisquer membros do governo.

* gosto de fazer os citytours das cidades, especialmente quando não tenho grande tempo para me documentar sobre elas, pois fico com uma ideia generalizada e depois é mais fácil visitar apenas o que me interessou dos "locais turísticos".


Torre sineira erguida na altura da comemoração dos 750 anos de Berlim, foi oferecida pela Mercedes. Espirituosos, os berlinenses chamam-lhe "The Big Benz". É o maior carrilhão da Europa e toca apenas duas vezes ao dia: meio-dia e seis da tarde. Tive a felicidade de por lá passar ao meio-dia e ouvir os 68 sinos tocar o Hino da Alegria. Se quiserem, encontram aqui uma versão bem menos poderosa do que ouvi. Não fosse o calor e acho que tinha dançado.


Brandenburger Tor, o Arco do Triunfo local. Durante os cerca de 30 anos da divisão de Berlim ficou quase lado-a-lado com o Muro, em terra-de-ninguém. Infelizmente para vós, leitores, as fotos que não incluem o "City Safary" incluem as caras de um dos protagonistas desta viagem. Para mais uma imagem ilucidativa de como ficou Berlim no final da II Grande Guerra, vejam esta outra foto.


Uma simples vista geral sobre Berlim, tirada de uma dos pontes sobre o rio Spree. A torre que mais parece uma lança com uma lâmpada antiga espetada é a Torre da TV alemã. Os turistas podem subir para ver as vistas mas, além de carote, adivinhem lá... Não permitem entrada a cães. Nem a descendentes de pastores-alemães: uma vergonha.


Por último, o novo e o velho - provavelmente não tão velho assim, apenas reconstruído, mas Berlim é assim. Podiam até ter mudado o animal símbolo da cidade: de Urso para Fénix. A Torre da televisão e a torre sineira da Marienkirche contra um céu nublado que conseguia tornar o ar ainda mais pesado que um sol intenso e directo.

Mudança de assunto

Brasileiros que aqui venham* e que, portanto, eu não tenho prazer de conhecer: mas que raio vos passou pela cabeça para começarem a usar o som (não chega a ser sequer uma palavra) "oi" para atender chamadas no local de trabalho ou para, ainda no contexto laboral, indicarem que não perceberam o que foi dito pela outra pessoa?
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* não vem nenhum, eu sei, o sitemeter trata de me pôr ao corrente destes pormenores tristes.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Reichstag

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Tive pena, mas não entrei no local onde se encontram os deputados alemães. Primeiro, a Luna não seria bem-vinda (não percebo porquê, se deixasse lá um dos muitos presentes que fez por Berlim não era nada que uns quantos políticos não merecessem) e, segundo, aquele conjunto de pessoas que se vêem ao fundo, mais ao menos ao centro da escadaria e que se estendem até ao relvado é a fila de espera para entrar. Ao que parece, aquele comprimento de bicha significaria entre 1h e 2h de espera. O edifício foi construído em 1884-90 para albergar o Parlamento da recém-criada Alemanha. Durante a II Guerra Mundial foi significativamente danificado e só voltou a ser totalmente reconstruído, alargado e adaptado a um Parlamento moderno entre 1994-99. Dizem que é muito bonito por dentro e a cúpula de vidro central parece ser uma espiral onde os turistas podem andar para ver as vistas. Só para terem uma ideia, sigam este link para verem uma imagem do Reichstag após a Guerra.