terça-feira, 20 de julho de 2010

Língua traiçoeira

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Um colega italiano, a rir, diz-me "This idiot would like to pay with what? Gold? Exchange potatos for oranges?" e mostra-me a mensagem do cliente. E eu rio-me, muito, até as lágrimas me virem aos olhos, e o italiano já olha para mim com ar de quem acha que sou maluca e não há nenhum português na vizinhança para vir partilhar a minha diversão. O cliente dizia "Voglio pagare con un altro strumento". Tive de explicar ao italiano o outro significado tem em português a palavra "instrumento"...
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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Já comecei as despedidas

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A minha última viagem Amesterdão - Utreque - Amesterdão.
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Constatações

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O problema de trabalhar aos fins-de-semana não é trabalhar, até se trabalha bem. O problema é não ter os dias livres.
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domingo, 18 de julho de 2010

Pormenores alemães

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De Berlim até à primeira paragem em território holandês as indicações dadas pelo maquinista sobre cada paragem que se avizinha são dadas em alemão, de seguida em holandês e, por fim, em inglês. De notar que em alemão e holandês a descrição inclui todas as ligações a outras estações, os seus horários e plataformas. Em inglês, "Next stop xxx. Thank you for travelling with the Deutsche Bahn". E chega. Quando a tripulação mudou para holandesa passámos a conseguir saber também que ligações havia. Em inglês, claro. Pormenores? Talvez.
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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Lunicóptero

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Qualquer dia levanto voo de traseira.
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Dupla segurança

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É usar suspensórios e cinto.
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Visto hoje, em Amesterdão. E não era um puto com ideias sui generis sobre estilo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Cara e coroa

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Vou sentir a falta de ir de bicicleta para o trabalho.


Não vou ter saudades nenhumas de lá chegar a escorrer chuva.
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P.S. - O regresso à pátria está tão certo que é quase como estar já no avião. Só faltam 2 meses e meio.

É Desta!

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Hoje tinha um envelope A4 na caixa do correio. Ainda sem ler o remetente, tive a sensação que seria o que já esperava há uns dias. E foi desta. Ou será desta. Ri e também tive uma lagriminha a dançar pela pálpebra inferior, mas o que sobrou foi mesmo só um sorriso rasgado - até porque, sendo de quem é, não esperava menos. Vou amar estar presente no acontecimento do ano.
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P.S. - quando aprendíamos as vogais, na primária dos idos 80, cada uma destas letras correspondia a uma palavra simples e bem conhecida de todos. Perdoa-me, querida, mas vou mesmo ter de gozar: LOL, vai ser na terceira vogal!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Memorial

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Este é o Memorial aos Judeus Assassinados da Europa, localizado no centro de Berlim, entre a Brandenburguer Tor e o Reichstag. É um local impressionante, foi imaginado como um Campo de Estelas, e para mim a imagem óbvia é a de várias campas de betão, de diversas alturas, espalhadas por toda uma praça - à vontade do tamanho da Praça do Comércio. Acho redutor que seja dedicado apenas aos judeus, não porque eles não tenham sofrido mas porque não foram os únicos. E acho que isso também não deve ser esquecido.


Aqui só tirei fotos ao lugar. Aos corredores. Às diferentes alturas das "campas" de tantas e tantas pessoas (não há ninguém ali enterrado, na verdade). Não consegui rir, trepar para cima dos paralelepípedo, fazer poses. E, com toda a franqueza, incomodou-me que outros o fizessem. Somos todos turistas e as férias são para nos divertirmos. Mas para isso há bares, parques e esplanadas. Não serve um monumento a milhares de mortos. É como rir à gargalhada ou deixar o telemóvel ligado numa igreja. Não é que eu seja judia, não é que eu conheça alguém que tenha morrido nas mãos dos Nazis, não é que seja católica. É ter respeito por onde se está. Mais um monumento impressionante em Berlim.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Soubesse eu o que me esperava

E tinha começado com a macumba para o raio dos laranjinhas terem perdido nos décimos-oitavos de final! Não há paciência, o barulho não pára, a cadela não sai da arrecadação*, cortam metade das estradas da cidade, não há transportes públicos, os malucos vêm de tudo quanto é vilória enfiar-se à porta de minha casa, fica tudo cheio de lixo por todo o lado, obrigam ao corte de estradas fazendo-me andar às voltas para chegar a casa**, sendo que aqui, com os canais, não é indiferente ter de virar na segunda ou na terceira à esquerda - ou há ponte ou não há e a volta pode significar mais 3 quarteirões para percorrer - e, como se não bastasse os gajos que se vêm enfiar no jardim que tenho em frente ao prédio a mijar nos arbustos, hoje ainda tive de ver uma gaja de calças baixas entre dois carros a fazer algo que não quis ver bem o que era! E só ficaram em segundo, raios os partam. Acabavam com o futebol profissional no mundo e eu era uma mulher tão mais feliz (e, neste momento, muito menos irritada).
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* buraco mais fundo e escuro que arranjou para se esconder de todo o barulho
** eu, de bicicleta, que o mariducho pagou passe para neste mês já ter vindo duas vezes a pé para casa que não há eléctricos a funcionar

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Só nós é que sabemos

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Alguém que nunca tenha entrado numa cantina holandesa não vai compreender a excitação contida na exclamação que podem ler abaixo:
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Hoje havia atum de conserva e ovos cozidos que pude misturar na costumeira salada de alface e milho!
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sábado, 10 de julho de 2010

Mais Berlim

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Haus der Kulturen e estátua extravagante à sua frente (diz o autor que é uma borboleta) num belo espelho de água. Disse a guia* que o tecto do edifício, originalmente contruído para qualquer coisa oficial, ruiu com uma chuvada (em PT são os tectos dos supermercados, aqui são os edifícios do governo) e depois de reconstruído passou a ser uma sala de teatro / espectáculos. Eu compreendo-os: antes caia outra vez em cima da cabeça dos que acham que vale a pena ir ao teatro do que de uns quaisquer membros do governo.

* gosto de fazer os citytours das cidades, especialmente quando não tenho grande tempo para me documentar sobre elas, pois fico com uma ideia generalizada e depois é mais fácil visitar apenas o que me interessou dos "locais turísticos".


Torre sineira erguida na altura da comemoração dos 750 anos de Berlim, foi oferecida pela Mercedes. Espirituosos, os berlinenses chamam-lhe "The Big Benz". É o maior carrilhão da Europa e toca apenas duas vezes ao dia: meio-dia e seis da tarde. Tive a felicidade de por lá passar ao meio-dia e ouvir os 68 sinos tocar o Hino da Alegria. Se quiserem, encontram aqui uma versão bem menos poderosa do que ouvi. Não fosse o calor e acho que tinha dançado.


Brandenburger Tor, o Arco do Triunfo local. Durante os cerca de 30 anos da divisão de Berlim ficou quase lado-a-lado com o Muro, em terra-de-ninguém. Infelizmente para vós, leitores, as fotos que não incluem o "City Safary" incluem as caras de um dos protagonistas desta viagem. Para mais uma imagem ilucidativa de como ficou Berlim no final da II Grande Guerra, vejam esta outra foto.


Uma simples vista geral sobre Berlim, tirada de uma dos pontes sobre o rio Spree. A torre que mais parece uma lança com uma lâmpada antiga espetada é a Torre da TV alemã. Os turistas podem subir para ver as vistas mas, além de carote, adivinhem lá... Não permitem entrada a cães. Nem a descendentes de pastores-alemães: uma vergonha.


Por último, o novo e o velho - provavelmente não tão velho assim, apenas reconstruído, mas Berlim é assim. Podiam até ter mudado o animal símbolo da cidade: de Urso para Fénix. A Torre da televisão e a torre sineira da Marienkirche contra um céu nublado que conseguia tornar o ar ainda mais pesado que um sol intenso e directo.

Mudança de assunto

Brasileiros que aqui venham* e que, portanto, eu não tenho prazer de conhecer: mas que raio vos passou pela cabeça para começarem a usar o som (não chega a ser sequer uma palavra) "oi" para atender chamadas no local de trabalho ou para, ainda no contexto laboral, indicarem que não perceberam o que foi dito pela outra pessoa?
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* não vem nenhum, eu sei, o sitemeter trata de me pôr ao corrente destes pormenores tristes.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Reichstag

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Tive pena, mas não entrei no local onde se encontram os deputados alemães. Primeiro, a Luna não seria bem-vinda (não percebo porquê, se deixasse lá um dos muitos presentes que fez por Berlim não era nada que uns quantos políticos não merecessem) e, segundo, aquele conjunto de pessoas que se vêem ao fundo, mais ao menos ao centro da escadaria e que se estendem até ao relvado é a fila de espera para entrar. Ao que parece, aquele comprimento de bicha significaria entre 1h e 2h de espera. O edifício foi construído em 1884-90 para albergar o Parlamento da recém-criada Alemanha. Durante a II Guerra Mundial foi significativamente danificado e só voltou a ser totalmente reconstruído, alargado e adaptado a um Parlamento moderno entre 1994-99. Dizem que é muito bonito por dentro e a cúpula de vidro central parece ser uma espiral onde os turistas podem andar para ver as vistas. Só para terem uma ideia, sigam este link para verem uma imagem do Reichstag após a Guerra.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A divisão

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Como vêem a Alemanha é para os que falam alemão. A única parte traduzida para o inglês não é a dirigida ao turista, mas ao meliante que vem com a intenção de destruir. Eu tive de chegar a casa e usar das excelentes (not!) traduções do alemão-inglês do Google para perceber o que faltava. Para quem não percebe nada (e acreditando no Google):

Construcção do Muro: a partir de 1961
Queda: 9 de Nov. de 1989
Pinturas: Fev. a Nov. 1990
Reparações: 2009


Secção do muro pintada para simular um posto de observação militar no que é hoje um café. Haja humor.


"Ele" passava aqui. E o que hoje é um passeio, uma pista para ciclistas e uma estrada eram há 20 anos dois mundos. Achei poética esta forma (duas fileiras paralelas de paralelipípedos) de assinalar o caminho da divisão. É como se tivessem enterrado o muro, até ele não se erguer nem um centímetro acima do chão que pisamos todos os dias.


O mítico Checkpoint Charlie. Ou seja, a terceira passagem entre os dois mundos (sendo que a primeira era Alpha, a segunda Bravo, esta terceira Charlie, etc., etc., não sei até que letra do alfabeto fonético).


E o carro que todos os alemães de Leste tinham. Isto é, os que podiam dar-se ao luxo de ter um carro. Este Trabant, Trabi para os amigos, seria da polícia e agora é possível que qualquer um com carta de condução o alugue para passear pela cidade. Comprei um em miniatura, azul-cueca, para mim. Adoro souvenirs pirosos.

Disclosure: antes desta viagem eu não fazia ideia de que o "Charlie" do checkpoint vinha das letras do alfabeto fonético e nunca tinha ouvido falar do Trabant (o mariducho sabe coisas que não lembram a ninguém). Ponho aqui a informação para conhecimento geral e para memória futura, não é para me armar aos cucos.

Restos


Estas são a Ev. Kaiser-Wilhelm Gedachtenis Kirche e a coisa horrorosa que lhe plantaram ao lado. É uma das poucas (a única com que dei) ruínas da Guerra que ainda está de pé. O interior está vazio, completamente destruído. Desconfio que os berlinenses já nem olham duas vezes para ela, mais atentos às barraquinhas de comes-e-bebes que a rodeiam. Não sei muito além do seu nome e que ficou de pé porque os berlinenses se rebelaram contra a demolição do que deve ter sido um belo monumento e acabaram por a manter como memória de como Berlim ficou. Não tem telhado, os relógios reluzentes só mostram a hora certa duas vezes por dia e a rosácea (não se vê deste lado) ficou completamente destruída, sendo agora um grande círculo de pedra vazio. 
Esta foi a primeira foto que tirei em Berlim. De olhos marejados. Isto não é o que resta de uma obra que uma civilização ergueu e que, por desleixo e erosão da passagem do tempo, assim ficou. É algo que num momento não muito longínquo estava inteiro, e que, num instante, ficou reduzida a metade. Um instante de terror absoluto que, repetindo-se, transformou uma cidade num monte de ruínas. Arrepiou-me.

domingo, 4 de julho de 2010

De volta

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Curto e grosso: Berlim é um espectáculo, adorei. Os alemães que falam inglês fazem-no bem pior do que eu falo italiano*. E "Deutsche techologie" my ass. O ar condicionado não funciona nos comboios e simplesmente não existe no metro. Tal como suspeitei, assámos.
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* sendo que eu não falo italiano.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Afinal lá vi o jogo*

E, durante quase metade, estive a ouvir o comentador holandês a mencionar um certo nosso jogador chamado "contró". Eu, que a primeira pergunta que fiz quando olhei para o ecrã foi "Porque carga d'água é que os calções da nossa equipa agora são azuis?!?" e que, portanto, percebo imenso de futebol, não faço ideia dos nomes dos jogadores, noves fora Cristianos Ronaldos e coisas doutras épocas!**. Sabia lá quem era o "contró"! Depois de me esforçar de forma infrutífera por ler a camisola, lá perguntei e, nesse mesmo instante, perdoei o holandês por não saber pronunciar correctamente o nome. "Coentrão" é algo que só mesmo alguém de habla portuga consegue pronunciar. E, além de tudo o mais, mereceu o apodo, que mais me pareceu uma galinha tonta com pés tortos que um jogador profissional de futebol.
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* parece que vem no contrato de casamento;
** tipo Figo, João Pinto e, esqueci-me agora (sou mesmo boa nisto), do gadelhudo do FCP.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Estamos lixados


Podíamos ter ido para Terschelling. Mas, dado o tempo maravilhoso que temos tido por estas bandas até há coisa de 1 semana, optámos por não arriscar ir para um sítio onde, se não pudermos ir para a praia ou passear de bicicleta, não há nada para fazer. Desconfio que haveria praia. Ou não, se tivessemos marcado as mini-férias para lá. Assim sendo, vamos assar para Berlim. Sehen Sie!*
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* que, segundo o Google, é o mesmo que see you!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Impotência

Não há nada pior que esforçarmo-nos, darmos o nosso máximo, chegarmos ao limite das nossas forças, o tudo-por-tudo e, chegados ao nosso objectivo, vermos as portas a fecharem-se mesmo no nosso nariz. Foi o que me aconteceu hoje. E não é justo.

O comboio Utrecht - Amesterdão fechou as portas mal cheguei à plaforma. Tinha ido a correr quase desde o Cervantes.

sábado, 26 de junho de 2010

Com um sorriso

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Teria eu os meus 8 ou 9 anos quando fui um dia ter com a minha mãe ao emprego. Na altura trabalhava perto do Largo do Carmo, num pátio de prédios antigos pintados de cor-de-rosa claro com as ombreiras das janelas e das portas em pedra branca e porosa, tão característicos da Lisboa velha. Provavelmente, terei saído da escola*, ido directamente ter com ela e passado o resto da tarde a brincar pelo escritório. Por volta das 17h30 saímos as duas e devemos ter descido pelo Elevador de Sta. Justa até à Baixa e seguido pela Rua Áurea** até à Praça do Comércio, onde fizemos slalom na diagonal por entre os carros que na altura a enchiam até chegarmos ao Torreão Este da Praça.
No meio do passeio, mesmo ao lado do Torreão, uma senhora vendia hula-hoops, os arcos que na altura eram, aos meus olhos, o brinquedo-sensação. Provavelmente pela vigésima vez, pedi à minha mãe se me comprava um, aquele de cor rosa clarinho como os prédios onde ela trabalhava, que ali estava a ser apregoado. A resposta da minha mãe foi um premeditado "Eu compro-to, mas só se souberes brincar com ele, senão não serve para nada". Teremos pedido à senhora para eu o experimentar e eu enfiei-o pela cabeça, ombros e tronco até o encostar a um dos lados da cintura. Era o brinquedo da moda, mas eu pouco ou nunca tinha brincado com um pois para a escola não podíamos levar nada além de livros. Terei inspirado fundo e posto a língua de fora, tique que ainda trai a minha criancice cada vez que me esforço por fazer algo que exige destreza, e girei o arco enquanto movia a cintura como via os meninos fazerem na televisão. E, para maior espanto meu que da minha mãe, a coisa girou. E continuou a girar e a girar até que um sorriso conseguiu fazer retrair a minha língua para trás dos dentes. Eu sabia brincar com o arco! E a minha mãe lá me comprou o círculo de plástico cor-de-rosa claro, como os prédios da Lisboa antiga, que girou pelo meu corpo muito tempo, até que a passagem do mesmo, o uso e a força do sol que batia na varanda onde guardava os brinquedos o esbranquiçou, secou e, finalmente, quebrou.
Ontem no Vondelpark um grupo de adolescentes treinava artes circences com arcos e fitas. Aposto que ainda sei "brincar" com um arco.

* bons velhos horários em que após as 15h ou 15h30 já não havia escola mas alguém que ficasse connosco e nos passeasse e deixasse brincar à vontade;
** adoro quando alguém não sabe que é o verdadeiro nome da Rua do Ouro.
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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Leila, a renda

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Não fossem os 11kgs de peso e, em vez de ter a minha Luna, teria a minha Leila, ser orelhudo que acabei por impingir à minha mãe perante a impossibilidade de ficar com ela. Tudo o que a Luna tem de calma e sossegada esta bicha (nada de segundos sentidos!) tem de espevitada. Não há cá esperar que os donos acordem; são 7h30 da matina, tenho vontade de fazer chichi, dona, vamos lá a levantar - que é como quem diz "caim... caaim... caiiimm..." baixinho qb para acordar a visada mas sem lhe provocar um ataque cardíaco. Mas, mesmo depois de passeada, a Dona Leila gosta de atenção e, portanto, vira-se para o outro membro da família, o meu velhote. Que continua a dormir. E que, mesmo depois de umas quantas focinhadas nos membros superiores e inferiores, não se levanta. E que, estando surdo, pouco liga a ganidelas, tenham elas os decibéis que tiverem. E o que faz o ser orelhudo?, perguntais vós. Pois ataca o par de peúgas que ele tirou antes de se deitar e morde-o até haver buracos em cada peúga para todos os dedos dos pés e das mãos de todos os habitantes da casa. A Leila é uma renda: comida, veterinário, sola de sapatos e peúgas.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Nha-nha-nha-nha-nha-nha!

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Vocês não sabem onde está neste momento a almoçar o Mário Soares... E eu sei!

P.S. - eu sei que também não interessa a ninguém onde está o MS a almoçar mas apeteceu-me gabar de alguma coisa,e isto é tudo o que tenho (gabarolice acompanhada de auto comiseração, deve ser do excesso de francês).

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Aplausos, aplausos!

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O fd prova que nada assiduamente neste aquário e falha na sua resposta* apenas por un petit pormenor. Aulas de Francês, amigos, o conhecido French behind the wheel, é o que me atormenta os ouvidos enquanto pedalo mais ou menos esforçadamente. Aposto que nunca consideraram a possibilidade de o "wheel" ser um guiador.

* fd disse: "Aulas de Espanhol? Ou será de Holandês?"

Concurso!*

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Ninguém adivinha o que venho a ouvir no meu MP3 durante os 15 minutos que pedalo de casa ao trabalho.
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* Não há Samsungs Diva de prémio, I'm afraid
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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Quem diria?

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Afinal o Cristiano Ronaldo sempre tinha razão: os golos são como o ketchup!
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domingo, 20 de junho de 2010

Problemas de género

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Estou  a pensar em mudar o meu nick para Goldie. Ando um bocado traumatizada por ler noutros sítios "o comentário do/a Goldfish".
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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Rendi-me a mais duas modas

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Desta vez foram as calças skinny* e as sandálias à romano, sendo que as minhas têm o seu quê de original.
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* também conhecidas como "modelo chouriço" e que me obrigarão a levantar-me meia hora antes do normal para ter tempo de me enfiar lá dentro. Um dia destes ponho fotos. A sério. E a lua é quadrada, já repararam?

Saramago

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Não vou dizer que é o meu escritor favorito, etc. e tal, pois ainda só o li uma vez. Mas entristece-me saber que todos os livros dele que vou poder ler já estão escritos.
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(foto roubadíssima do Público)

Viver na Holanda é...

... ir à janela de manhã, reparar num gajo de bicicleta com um fato, camisa e sapatos do mais pipi que se possa imaginar, vê-lo desmontar à frente de uma carrinha BMW do mais pipi que se possa imaginar e sacar do chaveiro pendurado no cadeado da bicla para abrir o bólide, tirar qualquer coisa do porta-luvas e seguir caminho. De bicla, claro.
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quinta-feira, 17 de junho de 2010

A única coisa de que gosto no mundial

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A boa disposição é tal que dou ao pézinho. É provável que seja mais do ritmo da música do que do futebol em si - que o amor ao futebol é pouco e o gosto musical nunca foi muito erudito.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

One in a million

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Luna pode ser um nome pouco original para cadela aí em Portugal. Já aqui nos Países Baixos... é do mais banal possível! Conheço outras 3 Lunas e só entre as que fazem de Museumplein toilette.
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P.S. - Os holandeses (e os turistas também) fazem desta mesma toilette cama, sofá e mesa. Muito higiénico.

Finalmente

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A Primavera chegou aos Países Baixos a meio de Junho.*
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* como é que sei? Estou com a constipação da Primavera.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Roubalheira II

Já usei o meu OV-chipkaart (para quem não lê este blog com a atenção que devia, é o Lisboa Viva cá do sítio). E, como já esperava, sai-me mais caro do que o moribundo strippenkaart. Além de cada viagem não ter a "validade" de uma hora, cada volta sai mais cara. E, também como já previa, não o consigo recarregar: já tentei duas máquinas diferentes, numa a mensagem é uma qualquer coisa incompreensível em holandês, noutra diz que o meu cartão multibanco não funciona. Ou seja, chova ou não, estou limitada à bicla. A saúde não agradece (estou "dazex do dariz"), os músculos das pernas também não.
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* Eu sei que estou a ser picuínhas mas o raio do strippenkaart ficou a menos de meio (não tem devolução possível, escudam-se sempre com o "pode usá-lo fora de Amesterdão", como se eu andasse de transportes públicos fora de Amesterdão!)

domingo, 13 de junho de 2010

Odeio birras

Andei à procura de uma definição de birra que refectisse o que eu quero dizer e não encontrei, apesar de ter descoberto esta:

birra
s. f.1. Vício da cavalgadura que ferra os dentes na manjedoura ou em qualquer outro objecto;

que muito me divertiu. Para mim, uma birra (e não estou a falar das de crianças, apesar de essas também me enervarem sobremaneira) é a atitude de alguém que está chateado e que resolve mostrar claramente ao mundo o que sente, independentemente de os outros terem algo a ver com isso ou não e de a demonstração incomodar quem a ela assiste mas lhe é alheio.
Odeio estas cenas e, como tenho um certo receio de perder as estribeiras e de dizer à birrenta (com muita pena minha esta é claramente uma característica feminina) uma verdade ou outra, opto por calar-me. Aproveito o aquário para expressar o que verdadeiramente penso neste casos:
Não chateiem os outros quando eles não têm nada a ver com o que vos chateia! Tal como vocês têm o direito a estar chateadas, os outros têm direito a estar na paz dos deuses.

Tenham em atenção que quem mais faz birras são as crianças - estão a testar os limites do seu mundo e não sabem ainda expressar-se de outra forma. O facto de as continuarem a fazer na idade adulta demonstrará qualquer coisa...

Pensem no universal "não faças aos outros...". Gostam de assistir a birras? Costumam ver coisas positivas surgir delas? Então...

E, last but not least: vão chatear o Camões! Aquele que se encontra no Chiado. E que, por isso, eu não costumo ver com frequência.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Ai pois é!

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A minha empresa é outra coisa, sem dúvida. Agora, quem tiver de transportar papelada (ou qualquer outra coisa) oficial da empresa de um escritório para um dos outros já tem meio de transporte à disposição devidamente identificado com o logótipo da empresa para não haver confusões! É só requisitar, explicando porque motivo é necessário e temos à disposiçao não um, nem dois mas duas... bicicletas!
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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Pois não?

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Acordar a pensar "'Gérmens'? Quais 'gérmens'? A palavra é germes, idiota!" não abona em favor da minha sanidade.
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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Asseio relativo

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Vamos almoçar, come-se sandocha - the dutch way. Come-se com as mãos - not the dutch way - e sujamo-las. Depois do almoço há que ir à casa-de-banho. Uma colega minha entra na casa-de-banho comigo e lava as mãos; de seguida, entra num dos cubículos para fazer o que tem a fazer, sai, não lava as mãos e vai-se embora. Dois dias depois, a cena repete-se. Lição a reter: gordurinha da comida nas mãos, não, blergh!, que nojo; já uns quantos gérmens (raio de palavra) não fazem mal nenhum, não senhora.
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terça-feira, 8 de junho de 2010

Best of Vale do Reno

Eu sei, já chega de fotos de sítios todos iguais e cuja graça se perde em quem não os viu com estes olhinhos que a terra há-de comer. Mas não podia deixar-vos sem as minhas fotos favoritas, por isso, aqui ficam mais cinco:



St. Goar, com as suas casinhas multicolores.

Overwesel, creio. Adoro o contraste de cores. Um milagre, num dia tão sombrio.

Modernidade e antiguidade em paralelo. Tirei "n" fotos até conseguir esta, perfeita, perfeita.

Custou, trepar as ruelas da terrinha para chegar ao castelo, mas valeu a pena. E o céu azul? Lindo!

As sogrinhas. A tirarem duas fotos ao mesmo tempo, esta a melhor delas, na minha modesta opinião (e sim, esta foi a que eu tirei!). E é tudo da Alemanha. Berlim será o alvo da próxima incursão.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Efeitos secundários

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Isto está mau. A noite passada andei às voltas na cama e, aparentemente, sonhei em diversos idiomas. Aparentemente, porque não me lembro. Diz o mariducho, coitado, que foi despertado de madrugada por grunhidos que ele garante irem do espanhol ao francês. Coitado, ficou traumatizado.
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domingo, 6 de junho de 2010

Era uma vez uma carcaça II - a prova do crime

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Bem sei que não parece, mas estou mesmo penduradinha pelas mandíbulas. A jeitosa da minha dona não se lembrou de se ajoelhar para tirar a foto em perspectiva...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Era uma vez uma carcaça

Como já sabem, eu, Luna, sou uma cadelinha linda. Mas nem com toda a minha beleza e persuasão consigo convencer os meus donos a darem-me de comer em quantidades dignas da descendência de um pastor alemão. É por isso que continuo a recolher comidinha na rua. Toda a que encontro. É só os meus donos não verem. Uma vez, não viram uma carcacinha. Coitadinha, já devia ser do ano passado, estava rija que nem o apêndice superior da cabeça de uma vaca*. Mas eu apanhei-a e trinquei-a com estes meus dentinhos fortes e poderosos. São iguaizinhos aos do meu avô. Já vos tinha dito que o meu avôzinho era um pastor alemão? Não, pois não? Pois ficam a saber. Ora a carcacinha era do ano passado e ficou muito bem presa nos meus dentinhos e nem o bruto do meu dono ma conseguiu arrancar. E vejam bem que até me levantou pelos ares pendurada pela carcacinha! E a minha dona a rir e a tirar fotografias. Já não há respeito. Pffffff!
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* o meu avôzinho ensinou-me a não dizer asneiras.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Porque eu só estou bem...

Recebi o meu primeiro recibo de ordenado. Estranhei. Foi só fazer umas contas para confirmar o óbvio: tivesse eu este ordenado em Portugal e teria descontos maiores. Mais de €200 de que o estado holandês parece não precisar mas que o português está sempre pronto a receber, de mãozinha estendida e, o que é o pior e mais relevante, não se sabe bem para quê. Ou sabe-se. Aeroportos. TGVs. E o resto do costume. É por isso que este post fala por mim. Que neste momento não sei se quero mais regressar ou ficar. Tenho tanta, mas tanta pena de com a cabeça saber que não há grande coisa para mim no meu país quando o coração deseja tanto voltar às suas raízes.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Vale do Reno III

Antes que me esqueça, tenho de confirmar algo que esta menina diz em relação aos berlinenses (neste caso, koblenzianos, mas serve): parámos nem 5 minutos a olhar para um mapa e para as inexistentes placas com nomes de ruas e já uma senhora nos perguntava se precisávamos de ajuda!

Castelo. Podia deitar-me a adivinhar qual deles mas já estou com sono de mais para isso.


Castelo. Terrinha. Idem aspas.




Castelo. Terrinha. Idem aspas. E um pormenor interessante: um parque de roulottes. Em cada terrinha, um. Cheio. Era fim-de-semana prolongado também na Alemanha, fiquei a saber em que é que eles poupam dinheiro: hotéis!

Se não estou em erro, este é o castelo XXXX, albergue há séculos atrás de diversos criminosos da região, que se usavam a floresta circundante para camuflarem a vilanagem e apanharem desprevenidos os que passavam. Os ladrões alemães eram poderosos e ricos!


E aqui o frio e a chuva já eram tão fortes que me rendi a tirar fotos de dentro do barco - sendo que as luzinhas que se vêem na foto são gotas de chuva na janela a reflectir o flash da máquina. Confere à foto um toque natalício condizente com o tempo que se fazia sentir.

terça-feira, 1 de junho de 2010

A vida não é justa

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Acabei de me lembrar que, se não tivesse surgido este job, estaria hoje a regressar de umas férias bem passadas em Curaçao. Estou deprimida.

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Bla, bla, bla

Isto de trabalhar num melting pot é interessantíssimo, e até tem vantagens (por ex., saber qual é o melhor italiano para se jantar a bom preço em Amesterdao). Tem, no entanto, uma desvantagem altamente stressante. Mudo tanto de idioma que acabo a gaguejar 2 ou 3 línguas diferentes antes de acertar, finalmente, na língua do meu interlocutor. Estou ligeiramente louca. Só slightly, un poco, un peu, ligeiramente, quero dizer!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Roubalheira

Com a mania das tecnologias, aqui no burgo também querem acabar com os bilhetes nos transportes públicos, os tão característicos strippenkaart, substituindo-os por um cartão onde se pode carregar dinheiro (entre outras coisas) e que se lê numa maquineta à entrada e saída de qualquer transporte. Ora colocaram os cartazes a avisar que os strippenkaart vão acabar há 2 semanas atrás, anunciando o final para o dia 3 de Junho. Nós, que tínhamos acabado de comprar um dos gigantes (dão para cerca de 22 viagens aqui no centro de Amesterdão) pensámos "bem, lá temos de ir trocar esta droga, que não conseguimos usar isto tudo em duas semanas!" O pior é que também não há trocas para ninguém. Compraste, agora gastas até 3 de Junho em Amesterdão ou, depois, só fora da cidade. Se não usares fora da cidade "temos pena", bem podes dizer adeus ao dinheirinho que a tira de papel já não vale nada. Eu bem reclamei com a senhora dos bilhetes, que isto é uma roubalheira (que é!), que ao menos podiam deixar as pessoas acabar os strippenkaart já comprados, ou então carregar dinheiro equivalente no cartão que agora vou passar a usar, mas nada. Parecendo que não, vou deixar por usar qualquer coisa como 15€! Gatunos! Ladrões! Foram-me ao bolso, eu a ver e, o que é pior, a deixar.

P.S. - pior, pior, é que o raio do cartão que vou passar a usar (chama-se OV-chipkaart, que isto é só nomes bonitos e fáceis de pronunciar) só se pode carregar numas maquinetas disponíveis nos supermercados (o mariducho já tentou uma meia-dúzia de vezes sem sucesso, nunca está a funcionar como deve de ser) ou na bilheteira onde fui mandar vir, que é onde vai toda a gente porque as maquinetas não funcionam e ainda todos os turistas acabados de sair dos comboios (é preciso ver que tirei a senha 353 quando o quadro marcava o número 284)

domingo, 30 de maio de 2010

Perspectivas

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As convicções que vejo em mim são teimosias aos olhos de outrém
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sábado, 29 de maio de 2010

O Vale do Reno II

Continuamos rio acima...

Uma das muitas vinhas, com gente a fazer qualquer coisa que ainda não é a vindima.


Osterspai, mais uma terrinha catita à beira-Reno plantada.


Pronto, este é que já não sei mesmo que castelo será!


St. Goarshausen.



Oberwesel (creio) - também tem um castelo, mas a foto está horrível de tão escura. Não vale a pena subir e descer o rio (atenção que descer é, obviamente, bastante mais rápido que subir) pois é apenas rever o que já se viu, é demasiado tempo (11h entre Koblenz-Rudsheim-Koblenz!!!). Mas atenção que estas terras e castelos não são sempre na mesma margem do rio - ou seja, se quiserem regressar de comboio ao ponto de partida convém que a última paragem de barco seja na mesma margem que o local de onde se partiu...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Era uma vez o meu avôzinho

Eu, Luna, sou uma cadelinha muito bonita e, além disso disso, muito bem educada. Isto porque quem me criou foi o meu avôzinho, um pastor alemão de gema, que me ensinou tudo o que eu sei. E uma das coisas em que ele era exigente era na higiene corporal. Foi ele que me ensinou a cortar estas duas unhinhas que me crescem de lado, nas patinhas da frente. À dentada. Quase não faço barulho nenhum. Qualquer semelhança com um alicate a cortar arame é pura ilusão óptica. O meu avôzinho pastor alemão era um óptimo professor.*
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* Não passa pela cabeça de ninguém a história genealógica que a Luna já tem; quando não temos o que fazer, lá vem mais um pedaço. Agora, um dado adquirido é o avôzinho pastor alemão. Ora, basta olhar para ela. Para quem não a conhece ou já se esqueceu, podem ir aqui ver umas fotos. É pastor alemão chapado.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Secundária? Primária? Quem sabe, infantário?

- Assinamos uma folha de presenças pela manhã*;
- temos (todos juntos) um intervalo a meio da manhã;
- almoçamos por grupos, em turnos, que outrém decide e que começam às 11h45**;
- a meio da tarde gozamos novo intervalo;
- ai de quem chegue atrasado;
- volta e meia ralham connosco, mas ainda ninguém foi para a rua;
- quando vamos à casa-de-banho temos de pedir licença***;
- assim que "toca" estamos despachados - 'bora p'ra casa que são horinhas;
- temos aulas, com diferentes "professoras", que nos explicam diversas matérias;
- e, volta e meia, temos teste - com direito a vistos e cruzes, nota percentual e correcção posterior. Ah, e se não tivermos boa nota, chumbamos!
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Ora digam lá se não parece mais uma escola que um trabalho!
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* ok, no infantário não sabem assinar;
** o horário não tem propriamente a ver com a escola, mas tive que mencionar a loucura que é mandarem-me almoçar quase à hora do pequeno-almoço; os italianos e o espanhol, então, passam-se.
** aqui passo-me eu, que não estou a ver-me aos 31 a pedir "posso ir à casa-de-banho?"; por sorte (minha, que com respostas tortas aos superiores não se vai longe num job), nunca me questionaram nas vezes em que fui;

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O Vale do Reno I

Pois fui de novo à Alemanha, desta vez ao Vale do Reno, Património Mundial da UNESCO. É um local lindíssimo! Os castelos e palácios coroam os topos dos montes e as vinhas descem as encostas sem socalcos. Ficámos em Koblenz, uma cidade centenária de onde partimos usando comboio, barco e carro para conhecermos os arredores. A viagem de barco é muito gira, mas lenta e, no nosso caso, seriamente prejudicada pelo vento gelado e chuva constante. Olhá foto desfocada, tremida e totalmente arruinada pela falta luz:


Koblenz, centro histórico.


Idem aspas.


O primeiro castelo que avistámos, por volta das 9 da manhã. Eu sei que quase parece noite, mas o que querem? Bem vindos à Primavera do norte da Europa! Creio que se chama Nederlahnstein (stein = castelo, fortaleza).


Rhens, uma cidade muralhada que deve ser muito catita dentro de muralhas. Infelizmente, só a vi do barco.


Pela lógica será Marksburg, o castelo que se vê acima de Braubach, mas são tantos que é difícil distinguir.

Não sei se já vos tinha dito...

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... mas hoje é feriado! F-E- fe! R-I-ri! A-a! D-O-do!
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P.S. - e viva o Pentecostes, seja ele quem (ou o que) for.

domingo, 23 de maio de 2010

Eu adoro t-shirts das lojas de turismo

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Amei uma t-shirt que vi à venda na Alemanha, só não comprei para o mariducho porque só havia do XL para cima... Na dita podia ler-se:

Samstag
Sonntag
Scheissetag
Scheissetag
Scheissetag
Scheissetag
Scheissetag
Samstag
Sonntag
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P.S. - quem não souber alemão nem conseguir chegar lá por associação faça uso dessa maravilhosa ferramenta chamada Google Translate.
P.S.2 - falando em Google, já repararam com certeza na homenagem desta empresa aos 30 anos do Pac Man. Mas já repararam que se consegue jogar usando o rato?!?

sábado, 22 de maio de 2010

Mais um dia na terra das Túlipas

Uma pessoa levanta-se da cama*, espreita à janela o tempo e descobre uma manhã de sol, céu azul e temperaturas amenas. Ala!, que se faz tarde, lá vamos nós dar uma volta à praia** de Zandvoort aan zee, um areal a perder de vista a meia hora de comboio de Amesterdão. É tipo Carcavelos, mas o areal é bem mais longo e o pessoal não é tão chungoso. A dois minutos de chegarmos à plataforma da estação de Zandvoort, a neblina. Começa com uns farrapos isolados, que se tornam progressivamente mais frequentes, mais densos, até formarem uma grossa cortina, típica de lugares à beira mar: branca, húmida e fria. A acompanhá-la, vento. Os 19ºC de Amesterdão transformam-se nuns pálidos 10ºC e é ver toda a gente que vinha no comboio a sacar de casacos e casaquinhos - os nossos, que caberiam nesta última categoria, não nos conseguem proteger do frio que se entranha até aos ossos mas, teimosos, lá vamos em direcção ao calçadão lá do sítio. Almoçamos uma sandocha 5 estrelas que descobrimos num dos últimos bares de praia há uns tempos e aceleramos o passo de volta ao comboio, tentando fugir do frio - é preciso ver que no bar de praia onde comemos acenderam a salamandra antes de acabarmos a refeição. Ainda temos tempo de trocar meia dúzia de palavras com um poruguês que vive na Holanda mas trabalha na Alemanha e que estava numa roulotte junto à praia ("Aqui é assim", comentou, em relação ao tempo) e fomos aquecer as mãos para a carruagem.
Previsivelmente, minutos depois de sairmos de Zandvoort, levanta a neblina. Resmungamos com a nossa má-sorte mas ainda não desistimos. E que tal sair do comboio a meio da viagem e ir ver Haarlem, que ainda não conhecemos? Bem dito, melhor feito. Sendo mais uma cidadezinha tipicamente holandesa (quem vê uma já viu todas), tem o seu encanto. Provavelmente produto do sol que lhe alegrava os tijolos das casas, avivava o verde das folhas das árvores, e as mil e uma cores das mil e uma flores em vasos e vasinhos por todo o lado e se reflectia na água dos canais. Gostei muito. Um centro cheio de vida, uma banca com uns produtos italianos que vieram apaladar a nossa mesa ao jantar, um moinho em funcionamento e muitos, muitos recantos repletos de plantas, de esplanadas e de pessoas a aproveitar o sol. Fotos não há, levei uma mala liliputiana e não estava a pensar ir conhecer nenhum sítio novo - mas ainda tenho de postar as da última visita à Alemanha... Ando uma desleixada com o aquário! Bem, mas agora há que ir estudar - tenho teste no trabalho (sim, parece que estou na escola outra vez, e não só por causa do teste, outra vez explico) na 3ª-feira e tenho resmas de apontamentos para ler.
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* cedinho, que o nascer do sol é às 5h36 e não há cortina com black-out que consiga filtrar luz suficiente para nos fazer dormir com claridade
** nada de biquínis, ainda (?) não há calor para isso

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Nem acredito

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No Domingo dão 19 graus de máxima e 9 de mínima! Onde terei guardado o biquíni?*
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* fosse eu amsterdamer e perguntava-me ainda se havia de perder tempo a ir para a praia ou simplesmente ir para o Vondelpark. Desnudar-me num parque no meio da cidade, no entanto, e não sei bem porquê, parece-me despudorado de mais.

Assim, é difícil

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Há poucas coisas que me irritem mais do que estar a receber formação e desdizerem uma informação que tinha acabado de ser dada.*
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* é que serem dias úteis ou não-úteis faz a diferença!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Como a realidade é sempre pior que a ficção

Há-que começar por mencionar um pequeno pormenor... A casa-de-banho de que falo no post anterior é a que tem apenas a sanita e um pequeno lavatório - e ninguém tem espelhos para se ver no trono, nem aqui na Holanda.
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Bem, voltando à vaca fria: o que fazia a caixa do berbequim no cubículo da sanita? E o que tem isso a ver com o facto de o pessoal aqui ser assim para o agigantado e no nosso portugalinho assim para o minorca?
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Tudo. Ora convém que saibam que a minha casa é fina e que, por isso, a sanita, essa peça essencial de qualquer casa-de-banho, é daquelas que está pendurada na parede, muito modernaça. Mas está pendurada a uma altura calculada para pernas de holandeses. Eu, se puser os pés em ângulo recto com as pernas, já sinto que a planta dos pés roça, quase sem tocar, o chão. A minha sogrinha fica, literalmente, de pés a dar-a-dar. Então, num rasgo de iluminação própria das sogras, achou que a melhor solução para o problema era arranjar uma caixa qualquer (calhou a do berbequim estar à mão) onde pôr os pés enquanto se senta, majestosa, no trono. Só não tive coragem de pedir para tirar uma foto, mas lá que me apeteceu, apeteceu!
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É por estas que costumo dizer que a realidade supera sempre qualquer ficção.
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terça-feira, 18 de maio de 2010

Puzzle da vida real

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A minha sogra está de visita. Eu vivo na Holanda. Chego a casa e encontro a embalagem do berbequim no chão da casa-de-banho. Na Holanda a altura média das mulheres é 1.72m. Em Portugal (bem, Espanha, que a wikipédia não tem info para as mulheres portuguesas) 1.65m.
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Quem conseguir transformar estes dados na estória com que me deparei na semana passada, além de ser muito inteligente, recebe um grande bem-haja da minha parte.

domingo, 9 de maio de 2010

Giro

Como Itália é pequenina resolveram vir fazer a 2ª etapa da Volta a Itália em Bicicleta a... Amesterdão, claro. A cidade dos 1001 eventos não podia falhar esta e os desgraçados dos ciclistas agradecem - etapa mais plana não há. Entusiásticos que só eles, os holandeses andam todos contentinhos com mais esta diversão a tentar colorir de cor-de-rosa* esta Primavera cinzentona e fria. Eu cá ando deslumbrada. Um monte de gente a andar de bicicleta é coisa nunca vista nesta terra, realmente.
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* que cor mais abichanada para um evento desportivo masculino, senhores, não havia outra melhor?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Piada à Goldie

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Os helicópteros sobrevoam Amesterdão enquanto trabalho. Espoletam comentários entre colegas, "is it Amsterdam's most wanted?", perguntam. "Yeah, that's problaly it!" diz outro. "I'm guessing it's someone who stole a bike", digo eu.
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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Porque nunca pensei

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emocionar-me com um anúncio de automóveis.
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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Depois de ler as notícias

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"Ai, que não temos com quem deixar os filhos quando as escolas fecharem porque vem aí o representante máximo da santa igreja, e os patrões não nos dão o dia e ainda nos despedem se não formos trabalhar!"
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Sabem o que vos digo? Queixem-se ao Papa!

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É só de 5 em 5 anos

mas hoje, é! É o quê? Feriado! Dia da Libertação, Bevrijdingsdag, o dia em que se comemora o fim da ocupação alemã durante a II Grande Guerra. Como os holandeses são um povo poupadinho, só é feriado para toda a gente* de 5 em 5 anos. É para não se gastar. Ora eu, entre idas à Alemanha, virus estomacais e o job que não perdoa, tinha-me esquecido completamente do feriado - quando ontem mo lembraram só não dei uns pulinhos porque o supracitado vírus não permitiu. Ainda bem que se livraram dos alemães, senhores! Por tudo o que já é sabido, porque hoje estou em casa a descansar e ainda porque os alemães são uns chatos que pouco falam inglês** (coisa que, a acontecer aqui na Holanda, me dificultaria muito a vida).
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* dizem-me que a Função Pública cá do burgo o goza todos os anos, e eu acho mal, principalmente porque não o gozo.
** informação estatística recolhida por moi-même nas 3 visitas que fiz à Alemanha.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Há sempre coisas novas a descobrir

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As armas químicas também podem destruir-se a si próprias. Ou, pelo menos, esforçar-se bastante por isso.
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P.S. - É de notar que as armas químicas moribundas têm tempo e energia para blogar...

domingo, 2 de maio de 2010

Why me?

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Consegui trazer o vírus que assolou as minhas primitas para a Holanda. Sou uma arma química com passaporte europeu.
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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Auf Wiedersehen

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E agora* vou ali dar uma voltinha à Alemanha e visitar a família, sim? Lá vou guiar um carrinho por mais uns dias, que tenho tantas saudades... Desejem-me boa sorte a ler indicações em holandês e alemão, que bem vou precisar - não se deixem enganar pelo título, é produto de uma coisa maravilhosa chamada Google tradutor. Bom resto e fim-de-semana a todos.

* pois, o meu empregador compreende que podem haver férias planeadas quando se é contratado de um momento para o outro e mesmo em contratos de 2 meses há 5 dias de férias para gozar (mais um dia ou outro também não há problema, mas em vez de férias contam como dias não pagos); traz-me Portugal à memória... e não é por ser parecido.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Está sol. Está calor.

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As árvores já não mostram os troncos nus a um sol que não os aquece. As flores já ganharam coragem e furaram a terra que as cobria para darem perfume ao mundo. O verde substituiu o amarelo nos relvados queimados pelas semanas de neve. E eu resolvi enfiar-me num buraco (vá, é num 4º andar) a trabalhar. Ai, se não fossem os aérios...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Amor canino

A minha Luna anda do mais triste que se possa imaginar com esta mudança - eu saio de manhã para trabalhar e ela fica em casa, sozinha. De manhã anda contentinha à minha volta até me ver a pegar na roupa para me vestir. Aí percebe que não vou ficar com ela e vai deitar-se, amuada, na caminha que tem junto ao sofá. Já não anda atrás de mim, nem responde quando a chamo. Durante o dia, se consegue descobrir um lenço, casaco ou peúgas minhas espalhadas pela casa* em algum lugar acessível, é aí que se vai deitar. Ao levantar-se deixa uma impressão redonda, de ali estar deitada completamente enroladinha. E ao ouvir a minha chave na fechadura, ao final do dia, vem a abanar o rabinho, aos pulinhos e a choramingar as suas diversas vocalizações de felicidade, que se prolongam por um período mais longo que o comum. A tristeza matinal e o abandono das 9h às 18h já estão esquecidos. O perdão canino no seu melhor.
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* testemunhos da minha qualidade como dona-de-casa.

domingo, 25 de abril de 2010

Multiculturalismo

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Um equatoriano que trabalha comigo contou-me que no seu país, há uns anos, também um vulcão entrou em erupção. Foram mais de 3 semanas sem 1 aviãozinho. Imagine-se o caos.
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Espectáculo

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Fomos* a um ristorante italiano cuja ementa não incluía pizzas nem pastas. Nem uma para amostra.

* quero dizer, fomos até à esplanada onde demos uma vista de olhos pelo menú e fomos embora!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Uma questao de perspectiva

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Afinal o telemovel com 11 anos que uso como segundo telemovel aqui na Holanda nao e velho. E vintage!
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P.S. - No job nao ha acentos. Se me der para ai corrijo a mensagem quando chegar a casa.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Não me faltava mais nada

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Descobri que pior do que ter muito trabalho, todo a gritar por atenção ao mesmo tempo (que já tive), pior do que não ter trabalho nenhum e estar 8h presa num sítio a olhar para e-mails estúpidos e a rezar por que um blog de jeito seja actualizado (também já desbundei), é ter de continuamente procurar o que fazer numa lista que não se altera e onde não existe nada com que eu consiga lidar.
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terça-feira, 20 de abril de 2010

Uma questão de pronúncia

Quem não vive em Amesterdão não saberá que as lojas finas (mas finas a sério, com Louboutins na montra e afins) se adquirem (ou, mais frequentemente, observam) numa rua de seu nome Pieter Cornelisz Hoofstraat. Nome comprido e difícil de dizer até para um holandês, a maioria abrevia a coisa para P.C. Hoofstraat, P.C. para os amigos. Após algumas vezes me perguntarem por semelhante coisa lá aprendi o que era. Outra coisa que provavelmente o amável leitor não saberá é que muitas (todas? Quiça...) das consoantes se lêem em holandês como se tivessem acoplado um "ei". Ou seja, um holandês a dizer o alfabeto dirá qualquer coisa como: A, BEI, CEI, DEI, etc., etc. (sendo que estes últimos não fazem parte do alfabeto, são mesmo abreviaturas do latim). Ou seja, a abreviatura da dita rua com que iniciei este post a atirar para o errático será lida em holandês da seguinte forma: PEI CEI Hoofstraat. Não é difícil perceber* porque é que eu chorei a rir quando o marido se enganou nas consoantes e disse que tinha ido à P.D. Hoofstraat...
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* espero;

Experiências holandesas

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Comi há tempos em casa de uns holandeses amigos um bolo verde, às camadas, de origem indonésia, que me soube quase a uma queijada de Sintra*. Na altura pensei que haveria de comprar um bolo desses na altura em que cá estivesse a família, para provarem. Foi o que fiz hoje, depois de indagar junto dos holandeses o nome - Spekkoek - e onde são vendidos. Ao adquirir a especialidade fui questionada sobre quando a iria consumir; estranhei, não é costume por aqui andarem a perguntar sobre a vida alheia. Respondi amanhã como poderia ter respondido hoje ao lanche, sei lá quando nos vai apetecer uma fatia! Aconselharam que o mantivesse no frigorífico, nada de estranho, dado que a temperatura a que estão as casas faz com que tudo o que seja deixado ao ar seque em tempo recorde. Quando cheguei a casa e desembrulhei o meu verdinho Spekkoek percebi o porquê da questão: vem congelado, há que dar-lhe tempo. Bem, ficará mesmo para amanhã, ao pequeno-almoço. Isto só comigo.
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* o que só demonstra há quanto tempo não consumo uma dessas nossas deliciosas iguarias - o suficiente para achar que um bolo verde se lhes compara!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O timing não é o meu forte

Finalmente um trabalho! Não é bem um emprego (call center não se qualifica) mas para quem está há tanto tempo parada é óptimo. Mini-contrato, só 2 meses, o que no caso até é bom... Já que estamos a tentar voltar a Portugal, o que acontecerá, à partida, lá para o Verão (é só novidades... O peixe volta às suas águas.). É numa área que me interessa, pertinho de casa (ridiculamente perto) e nem tenho de atender chamadas - o pesadelo de qualquer call center - só responder a e-mails e faxes. E a cereja no topo do bolo: finalmente um dinheirinho meu - m-e-u e não nosso, nunca me conseguirei habituar a gastar quando não contribuo - o horário é fixo e não inclui fins-de-semana nem noites. Perfeito!
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E defeitos?, perguntais vós. Pois, o velho timing. Fui à entrevista na 6ª para começar já amanhã com a formação, a minha mãe e o velhote ficam sozinhos o resto da semana - eles ficam sozinhos e eu perco a companhia deles, que tanta falta me faz. E as férias? Dois fins-de-semanas prolongados pela Alemanha e Holanda e 9 dias de papo para o ar em Curaçao pelo cano. Sem falar das visitas planeadas que já não podem contar com a minha alegre companhia. Nem eu com a delas!
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E aqui ficam um parágrafo de copo meio-cheio e outro de copo meio-vazio. É a minha especialidade no que ao mercado de trabalho diz respeito.

E nova cambalhota

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Tenho trabalho.
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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Avô querido

A alegria de o ter aqui comigo esbate-se um pouco com a percepção do quanto mudou nos últimos anos. Creio que será a falta de ouvido que o faz fechar numa concha, sempre calado, sempre para trás nos passeios, sem comentar ou opinar sobre seja o que for. Será o peso dos 89, going on 90, mas custa-me. Sinto-o só, apesar de acompanhado, e por muito que tente não o consigo chamar para ao pé de mim, para ao pé de nós. Não responde. Ou não ouve. Ou, quem sabe, não quer ouvir. Não recordo a brusquidão de certos comentários, a falta de paciência para tarefas que outrora eram um prazer, a brusquidão com que reage a coisas que antigamente apenas lhe mereciam um sobrolho franzido ou um abanar de cabeça. Tenho medo que se sinta mal, inútil, mal-amado, incompreendido. Mas acho que já não consigo chegar a ele. Tenho receio que já não sinta o nosso amor. Raios partam a velhice.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Correndo o risco de soar esquizofrénica:
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A mãe está a chegar! E o avô vem com ela! A mãe está a chegar! E o avô vem com ela! A mãe está a chegar! E o avô vem com ela!
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Fosse o que fosse,

passou! O caudal correu, o chuveiro limpou e o cérebro guardou. Preparei os cadernos e o estojo, espanhol aí vou eu - se há dias em que tenho de me agarrar às "obrigações", são estes! Chegada a Utreque, com o stress do comboio perdido seguido de outro atrasado e do ratinho que vi a pular alegremente ao longo do balcão da Coffe Company enquanto sorvia o primeiro golo de um latte acabado de fazer, a tristeza já se tinha evaporado.
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P.S. - Obrigada pelas palavras.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Blue

Há coisas que não se explicam e a neura que me percorre hoje o espírito é uma delas. Está um sol espectacular, tenho visitas já amanhã, a vida deve ir mudar de novo e de resto tudo está na mesma, menos esta tristeza que me pesa hoje como se me tivesse morrido alguém. E poucas coisas me mandam abaixo como a tristeza - desenvolvi uma capacidade (um pouco estranha, acredito, aos olhos de outros) que é a de não deixar a tristeza assentar em mim. Posso senti-la, muito até, mas por pouco tempo. Tenho que a despejar, expulsá-la do meu corpo, com mililitros de lágrimas que me queimam a face mas que desaparecerão com uns salpicos da torneira. E depois de lavada deixo-a para trás, pouso-a numa qualquer dobra da mente e sigo em frente, como se nada se tivesse passado. As coisas mais graves apago-as, mesmo. Tenho uma espécie de tecla delete no cérebro que apaga os contornos mais dolorosos das cenas, dos traumas, dos desgostos que me foram marcando e se há coisa que não suporto é comemorar datas tristes. Por precaução, o cérebro tende também a esquecer as datas importantes e felizes, mas esse é um preço que estou disposta a pagar. Quem sabe, hoje será uma data apagada. Mas presente, inconscientemente, nesta dor que me aperta o peito e na necessidade de chorar que me tirou antes do necessário da rua, pois nem óculos escuros disfarçariam convenientemente o caudal que se adivinha.

domingo, 11 de abril de 2010

Provérbios à moda do aquário

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Voltar a ter um vida social dá saúde e faz crescer (especialmente para os lados).
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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Está no ir

Pessoal do Norte, a minha Luna pediu-me que vos avisasse sobre algo que lhe toca no coraçãozinho. Chegou-lhe a notícia, muito à la 101 Dálmatas, de que vai haver um Jantar de Ajuda ao Refúgio das Patinhas, associação que recolhe, cuida e tenta arranjar um lar a patinhas tresmalhadas como ela já foi.
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O jantar é na Casa da Horta (perto da Igreja de São Francisco e do Mercado Ferreira Borges), restaurante conhecido e recomendado pela Rachelet - é favor irem ver. Custa 12,50€ (com sobremesa e bebidas incluídas) por pessoa, sendo que metade reverte em favor do Refúgio.
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Eu estou um pouco longe mas deixo aqui a notícia porque a Luna tem toda a razão: é uma óptima forma de juntar o útil ao agradável! Se quiserem podem até levar umas coisinhas (como remédios ou mantas, é ver no site) para dar, porque fazem sempre falta e o Refúgio das Patinhas (sobre)vive apenas com os nossos donativos.
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Vão por ela (e pelos seus amiguinhos)?
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Noite literária

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Já tinha saudades de uma noite mais cultural que ir ao cinema... Meti-me mais uma vez no comboio para Utrecht e fui assistir a uma palestra de Almudena Grandes. O tema era a memória e como ela é essencial para esta escritora construir os mundos que cria nos seus romances. De como para descrever os sentimentos tem de os ter sentido, de como para cada pessoa uma mesma experiência é diferente e, portanto, a sua descrição é também distinta. Falou do franquismo e de como é nascer e ser criada num regime e depois viver a vida adulta noutro, de Madrid, de Espanha e da religião em que foi educada e que posteriormente abandonou. 2ª-feira já vou tentar pedir emprestado mais um livro dela... Um dos meus, igualzinho ao que está aí em cima, veio autografado.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

PRECISA-SE

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PRIMAVERA a tempo inteiro, para começar o mais breve possível. Damos preferência se trouxer temperaturas agradáveis, árvores verdejantes, flores em barda e patinhos amarelos.

Ele há com cada um

Não tenho razões de queixa dos holandeses, sempre foram o mais simpático possível para mim. Nem dos vizinhos tenho queixas - excepção feita ao violinista. Mas há uma senhora que se deve ter mudado há pouco tempo para cá que me tira do sério. Não cumprimenta, não sorri, não fala, nada. Parece que lhe devo uma fortuna! Hoje ganhei o dia. Vinha a senhora cara de traseiro no elevador a descer quando eu o chamo. A senhora pensa que está no R/C, vai para sair, dá de caras comigo e com a Luna, apanha um susto do caneco. Pois, já me aconteceu o mesmo com outras pessoas - rimo-nos, comentámos e tudo fica bem. Com esta? Nem um sorriso, nem ao bom dia que tanto me custa a gaguejar em holandês respondeu. Valeu-me o susto (o dela, bem entendido). Parecia que tinha visto um Pastor Alemão...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ouch!

Qual é a melhor altura, qual é ela, para espetar uma farpa na palma da mão direita?
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Pois quando vamos estar 3 dias sozinhas em casa, claro!
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Ausência prolongada

Devido a preguiça extrema pós-fim-de-semana-prolongado e extrema vontade de terminar o livrinho que está alí do lado direito. Livro terminado (adorei), pode ser que a preguiça dê lugar a alguma sabedoria (só para contrastar com o que é costume por aqui).

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Qualquer dia usam a força

Quem quer voar num avião que não leva piloto? Quem quer pagar mais por isso*? Se pertences a este clube, fica atento à Ryanair que prevê realizar voos neste esquema já este ano. Caso seja relevante, os pilotos estão em terra e são capazes de "pilotar remotamente 'pelo menos uma dezena de aviões'". Ah, já agora, este grupo de pilotos à distância inclui, além de antigos pilotos e formadores com muitos anos de experiência, "'dois ou três' jovens considerados génios dos jogos-vídeo". Eu, comprava já, desde que me garantissem que o piloto remoto era um virtuoso da consola...
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* de acordo com as contas que vêm neste artigo, €20,49 de bilhete e taxas várias num voo com piloto in loco, €20,58 com o génio dos vídeo-jogos à distância.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Quem avisa, amigo é

Ora vamos lá a analisar duas coisas: a lua e uma bolacha. Para começar vê-se logo a diferença - "a" lua, única; "uma" bolacha, qualquer. O que têm a ver? Já verão, é favor esperar.
Comecemos com a lua. É um satélite da terra, algo longínquo e misterioso onde só duas pessoas (dizem) puseram os pés. Gerações e gerações de humanos consideraram-na uma deusa, compuseram canções em sua honra, sonharam acordados a olhar para ela. Agora, as bolachas. Bocado de farinha doce cozida num forno. Na sua maioria, sensaboronas. Na sua totalidade, hiper-calóricas. Coisa que se vende em supermercado - nem o glamour de ser vendida numa pastelaria tem. Não conheço canções em sua honra nem imagino que alguém algum dia tenha achado que uma bolacha era uma deusa. Posto isto, digam-me uma coisa: porque é que a maioria das pessoas, quando confrontadas com isto:

dizem "Ah, tão giro, carinha de bolacha!"?!? Não. Se querem fazer uma apreciação (eu sei que a intenção é boa) carinhosa da minha face digam "Ah, tão giro, tens cara de lua-cheia!". Eu sei que o objectivo é o mesmo, mas o resultado é completamente diferente - eu continuo a gostar de vocês ou odiar-vos-ei para o resto da vida. E sim, sou eu, hace unos años. E sim, continuo com cara de lua-cheia, apesar de não tanto.

Estou a preparar-me

para ir aqui



e aqui


e aqui...

Pode não haver muitos feriados, mas este ano vamos gozá-los até ao último minuto!

terça-feira, 30 de março de 2010

Viagem no tempo

Quem nunca quis ter um cão como o Tim? Quantas marias-rapazes não desejaram ter um nome que pudesse ser de rapaz, como Zé? Quantos não desenterraram as bicicletas da arrecadação depois de ler sobre um maravilhoso passeio pelo campo na companhia dos Cinco? Arrisco dizer que algumas até sonharam em ir internas para um colégio desde que as aventuras das Gémeas viessem incluídas no rol das disciplinas... Tudo isto devemos, nós, as de 30, e tantas outras gerações, anteriores e posteriores, à máquina de escrever que era Enid Blyton. Coincidência ou não, ontem vi na BBC parte de uma série sobre ela, e hoje deparo-me n'O Público com uma (excelente) peça sobre ela, os seus livros, e toda a polémica que, volta e meia, levantam à sua volta - vale a pena lê-la, aqui. Só me parece ter ficado uma coisa por dizer em defesa da senhora: ela viveu e escreveu livros nas décadas de 40, 50 e 60 do século passado e não hoje em dia. Ela escreveu durante a II Grande Guerra. Não se pode estranhar que usasse palavras como nigger - hoje impublicável - porque essa era a forma de expressão dos tempos que viveu. A família que retratou era aquela que conhecia, era a que queria ter tido, não sei, mas não era nada de estranho. Os adultos estavam maioritariamente afastados das narrativas? E o que tem isso? Não são livros para crianças? Arrisco dizer que até é bom para os miúdos de hoje lerem aqueles livros, tão claramente fruto de uma época diferente - se já eu notava a diferença, imagine-se as crianças de hoje em dia - para terem uma ideia de que o mundo mudou, de que nem tudo o que é gadget é necessário e que antes de tudo o que eles conhecem existir as crianças também eram felizes, também se divertiam e, o melhor de tudo, tinham aventuras!

Porque a pimenta também me chega ao nariz*

Conversa de mulheres extremamente interessante entre mim e uma jeitosa. É uma pena que outras vezes não me saia com respostas destas...
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Jeitosa: Onde é que costumas fazer a depilação?
Je: Em casa... Uso máquina.
Jeitosa (com cara de quem nunca ouviu semelhante coisa na vida): Ahhh... E o buço?
Je: Em casa, também. Com bandas de cera fria.
Jeitosa (com um ar escandalizado): Mas isso parte os pêlos todos!
Je (sobrancelhas arqueadas e sorriso de gozo): A sério? E quem te ensinou pormenor tão científico? A senhora que ganha a vida a tirar-te pêlos com cera quente?!?
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Arre, não há paciência para estes comentários. Pode haver quem prefira ir à esteticista, nada contra, mas não me venham com tangas disfarçadas de ciência... Na altura não sabia - ainda não tinha experimentado - mas agora até já podia acrescentar que das duas vezes que no cabeleireiro usaram cera quente os pêlos já se viam semana e meia depois, coisa que nunca me aconteceu com a fria!
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* Ou porque blog de gaja não é blog se não falar de depilação

segunda-feira, 29 de março de 2010

Logo pela manhã que é para aprender

Chegou "a" altura do ano. "A" altura em que tudo quanto pode viajar resolve vir ver as flores à Holanda. O resultado é que esta é "a" altura em que não se pode andar pela cidade, devido ao excesso de turistas, ao excesso de turistas e, last but not least, ao excesso de turistas. A juntar ao caos resultante de acrescentar centenas de turistas aos milhares que já cá vivem, todos bem juntinhos que espaço não abunda, temos os eléctricos que têm uma muito engraçada característica: só permitir a entrada por duas das portas e a saída por outras duas. Muito bem, tudo organizado é mais eficiente e bonito, só se esqueceram que para funcionar tem de se conhecer. E se há coisa que a maioria dos turistas não tem tempo para fazer é para conhecer eléctricos (e, se fosse para conhecer eléctricos, aconselhava Lisboa, que os tem antigos). O resultado é o caos - tentam todos entrar por uma única porta com as malas atrás, entupindo a paragem por uns bons 15min.. Por vezes os condutores já estão tão fartos que começam a fechar as portas independentemente de haver ainda pessoas na paragem ou não. Foi o que fizeram hoje. De um grupo de americanas, seguiram duas no 2 e ficaram outras tantas na paragem a rir-se que nem perdidas. Simpática como sou, e sabendo que aquele eléctrico tinha mudado de rota e era possível que as americanas só voltassem a encontrar-se à tarde, de volta ao hotel, resolvi intervir e explicar a situação. Conforme terminei a explicação, a que estava do meu lado direito resolve agradecer-me com um guincho que me obrigou a dar um passo para trás numa tentativa vã de me afastar da fonte de ruído. Já não é a primeira que ouço - à distância, bem entendido, que se já me tivessem guinchado assim muitas vezes ao ouvido já não estava cá para contar - o que andam a fazer a estar novas gerações? Incorporam-lhes apitos à nascença? É para eu aprender a estar quieta, as próximas que ficarem apeadas bem podem pedir-me ajuda que eu respondo-lhes em português para as afugentar...