segunda-feira, 19 de julho de 2010

Constatações

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O problema de trabalhar aos fins-de-semana não é trabalhar, até se trabalha bem. O problema é não ter os dias livres.
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domingo, 18 de julho de 2010

Pormenores alemães

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De Berlim até à primeira paragem em território holandês as indicações dadas pelo maquinista sobre cada paragem que se avizinha são dadas em alemão, de seguida em holandês e, por fim, em inglês. De notar que em alemão e holandês a descrição inclui todas as ligações a outras estações, os seus horários e plataformas. Em inglês, "Next stop xxx. Thank you for travelling with the Deutsche Bahn". E chega. Quando a tripulação mudou para holandesa passámos a conseguir saber também que ligações havia. Em inglês, claro. Pormenores? Talvez.
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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Lunicóptero

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Qualquer dia levanto voo de traseira.
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Dupla segurança

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É usar suspensórios e cinto.
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Visto hoje, em Amesterdão. E não era um puto com ideias sui generis sobre estilo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Cara e coroa

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Vou sentir a falta de ir de bicicleta para o trabalho.


Não vou ter saudades nenhumas de lá chegar a escorrer chuva.
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P.S. - O regresso à pátria está tão certo que é quase como estar já no avião. Só faltam 2 meses e meio.

É Desta!

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Hoje tinha um envelope A4 na caixa do correio. Ainda sem ler o remetente, tive a sensação que seria o que já esperava há uns dias. E foi desta. Ou será desta. Ri e também tive uma lagriminha a dançar pela pálpebra inferior, mas o que sobrou foi mesmo só um sorriso rasgado - até porque, sendo de quem é, não esperava menos. Vou amar estar presente no acontecimento do ano.
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P.S. - quando aprendíamos as vogais, na primária dos idos 80, cada uma destas letras correspondia a uma palavra simples e bem conhecida de todos. Perdoa-me, querida, mas vou mesmo ter de gozar: LOL, vai ser na terceira vogal!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Memorial

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Este é o Memorial aos Judeus Assassinados da Europa, localizado no centro de Berlim, entre a Brandenburguer Tor e o Reichstag. É um local impressionante, foi imaginado como um Campo de Estelas, e para mim a imagem óbvia é a de várias campas de betão, de diversas alturas, espalhadas por toda uma praça - à vontade do tamanho da Praça do Comércio. Acho redutor que seja dedicado apenas aos judeus, não porque eles não tenham sofrido mas porque não foram os únicos. E acho que isso também não deve ser esquecido.


Aqui só tirei fotos ao lugar. Aos corredores. Às diferentes alturas das "campas" de tantas e tantas pessoas (não há ninguém ali enterrado, na verdade). Não consegui rir, trepar para cima dos paralelepípedo, fazer poses. E, com toda a franqueza, incomodou-me que outros o fizessem. Somos todos turistas e as férias são para nos divertirmos. Mas para isso há bares, parques e esplanadas. Não serve um monumento a milhares de mortos. É como rir à gargalhada ou deixar o telemóvel ligado numa igreja. Não é que eu seja judia, não é que eu conheça alguém que tenha morrido nas mãos dos Nazis, não é que seja católica. É ter respeito por onde se está. Mais um monumento impressionante em Berlim.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Soubesse eu o que me esperava

E tinha começado com a macumba para o raio dos laranjinhas terem perdido nos décimos-oitavos de final! Não há paciência, o barulho não pára, a cadela não sai da arrecadação*, cortam metade das estradas da cidade, não há transportes públicos, os malucos vêm de tudo quanto é vilória enfiar-se à porta de minha casa, fica tudo cheio de lixo por todo o lado, obrigam ao corte de estradas fazendo-me andar às voltas para chegar a casa**, sendo que aqui, com os canais, não é indiferente ter de virar na segunda ou na terceira à esquerda - ou há ponte ou não há e a volta pode significar mais 3 quarteirões para percorrer - e, como se não bastasse os gajos que se vêm enfiar no jardim que tenho em frente ao prédio a mijar nos arbustos, hoje ainda tive de ver uma gaja de calças baixas entre dois carros a fazer algo que não quis ver bem o que era! E só ficaram em segundo, raios os partam. Acabavam com o futebol profissional no mundo e eu era uma mulher tão mais feliz (e, neste momento, muito menos irritada).
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* buraco mais fundo e escuro que arranjou para se esconder de todo o barulho
** eu, de bicicleta, que o mariducho pagou passe para neste mês já ter vindo duas vezes a pé para casa que não há eléctricos a funcionar

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Só nós é que sabemos

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Alguém que nunca tenha entrado numa cantina holandesa não vai compreender a excitação contida na exclamação que podem ler abaixo:
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Hoje havia atum de conserva e ovos cozidos que pude misturar na costumeira salada de alface e milho!
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sábado, 10 de julho de 2010

Mais Berlim

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Haus der Kulturen e estátua extravagante à sua frente (diz o autor que é uma borboleta) num belo espelho de água. Disse a guia* que o tecto do edifício, originalmente contruído para qualquer coisa oficial, ruiu com uma chuvada (em PT são os tectos dos supermercados, aqui são os edifícios do governo) e depois de reconstruído passou a ser uma sala de teatro / espectáculos. Eu compreendo-os: antes caia outra vez em cima da cabeça dos que acham que vale a pena ir ao teatro do que de uns quaisquer membros do governo.

* gosto de fazer os citytours das cidades, especialmente quando não tenho grande tempo para me documentar sobre elas, pois fico com uma ideia generalizada e depois é mais fácil visitar apenas o que me interessou dos "locais turísticos".


Torre sineira erguida na altura da comemoração dos 750 anos de Berlim, foi oferecida pela Mercedes. Espirituosos, os berlinenses chamam-lhe "The Big Benz". É o maior carrilhão da Europa e toca apenas duas vezes ao dia: meio-dia e seis da tarde. Tive a felicidade de por lá passar ao meio-dia e ouvir os 68 sinos tocar o Hino da Alegria. Se quiserem, encontram aqui uma versão bem menos poderosa do que ouvi. Não fosse o calor e acho que tinha dançado.


Brandenburger Tor, o Arco do Triunfo local. Durante os cerca de 30 anos da divisão de Berlim ficou quase lado-a-lado com o Muro, em terra-de-ninguém. Infelizmente para vós, leitores, as fotos que não incluem o "City Safary" incluem as caras de um dos protagonistas desta viagem. Para mais uma imagem ilucidativa de como ficou Berlim no final da II Grande Guerra, vejam esta outra foto.


Uma simples vista geral sobre Berlim, tirada de uma dos pontes sobre o rio Spree. A torre que mais parece uma lança com uma lâmpada antiga espetada é a Torre da TV alemã. Os turistas podem subir para ver as vistas mas, além de carote, adivinhem lá... Não permitem entrada a cães. Nem a descendentes de pastores-alemães: uma vergonha.


Por último, o novo e o velho - provavelmente não tão velho assim, apenas reconstruído, mas Berlim é assim. Podiam até ter mudado o animal símbolo da cidade: de Urso para Fénix. A Torre da televisão e a torre sineira da Marienkirche contra um céu nublado que conseguia tornar o ar ainda mais pesado que um sol intenso e directo.

Mudança de assunto

Brasileiros que aqui venham* e que, portanto, eu não tenho prazer de conhecer: mas que raio vos passou pela cabeça para começarem a usar o som (não chega a ser sequer uma palavra) "oi" para atender chamadas no local de trabalho ou para, ainda no contexto laboral, indicarem que não perceberam o que foi dito pela outra pessoa?
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* não vem nenhum, eu sei, o sitemeter trata de me pôr ao corrente destes pormenores tristes.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Reichstag

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Tive pena, mas não entrei no local onde se encontram os deputados alemães. Primeiro, a Luna não seria bem-vinda (não percebo porquê, se deixasse lá um dos muitos presentes que fez por Berlim não era nada que uns quantos políticos não merecessem) e, segundo, aquele conjunto de pessoas que se vêem ao fundo, mais ao menos ao centro da escadaria e que se estendem até ao relvado é a fila de espera para entrar. Ao que parece, aquele comprimento de bicha significaria entre 1h e 2h de espera. O edifício foi construído em 1884-90 para albergar o Parlamento da recém-criada Alemanha. Durante a II Guerra Mundial foi significativamente danificado e só voltou a ser totalmente reconstruído, alargado e adaptado a um Parlamento moderno entre 1994-99. Dizem que é muito bonito por dentro e a cúpula de vidro central parece ser uma espiral onde os turistas podem andar para ver as vistas. Só para terem uma ideia, sigam este link para verem uma imagem do Reichstag após a Guerra.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A divisão

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Como vêem a Alemanha é para os que falam alemão. A única parte traduzida para o inglês não é a dirigida ao turista, mas ao meliante que vem com a intenção de destruir. Eu tive de chegar a casa e usar das excelentes (not!) traduções do alemão-inglês do Google para perceber o que faltava. Para quem não percebe nada (e acreditando no Google):

Construcção do Muro: a partir de 1961
Queda: 9 de Nov. de 1989
Pinturas: Fev. a Nov. 1990
Reparações: 2009


Secção do muro pintada para simular um posto de observação militar no que é hoje um café. Haja humor.


"Ele" passava aqui. E o que hoje é um passeio, uma pista para ciclistas e uma estrada eram há 20 anos dois mundos. Achei poética esta forma (duas fileiras paralelas de paralelipípedos) de assinalar o caminho da divisão. É como se tivessem enterrado o muro, até ele não se erguer nem um centímetro acima do chão que pisamos todos os dias.


O mítico Checkpoint Charlie. Ou seja, a terceira passagem entre os dois mundos (sendo que a primeira era Alpha, a segunda Bravo, esta terceira Charlie, etc., etc., não sei até que letra do alfabeto fonético).


E o carro que todos os alemães de Leste tinham. Isto é, os que podiam dar-se ao luxo de ter um carro. Este Trabant, Trabi para os amigos, seria da polícia e agora é possível que qualquer um com carta de condução o alugue para passear pela cidade. Comprei um em miniatura, azul-cueca, para mim. Adoro souvenirs pirosos.

Disclosure: antes desta viagem eu não fazia ideia de que o "Charlie" do checkpoint vinha das letras do alfabeto fonético e nunca tinha ouvido falar do Trabant (o mariducho sabe coisas que não lembram a ninguém). Ponho aqui a informação para conhecimento geral e para memória futura, não é para me armar aos cucos.

Restos


Estas são a Ev. Kaiser-Wilhelm Gedachtenis Kirche e a coisa horrorosa que lhe plantaram ao lado. É uma das poucas (a única com que dei) ruínas da Guerra que ainda está de pé. O interior está vazio, completamente destruído. Desconfio que os berlinenses já nem olham duas vezes para ela, mais atentos às barraquinhas de comes-e-bebes que a rodeiam. Não sei muito além do seu nome e que ficou de pé porque os berlinenses se rebelaram contra a demolição do que deve ter sido um belo monumento e acabaram por a manter como memória de como Berlim ficou. Não tem telhado, os relógios reluzentes só mostram a hora certa duas vezes por dia e a rosácea (não se vê deste lado) ficou completamente destruída, sendo agora um grande círculo de pedra vazio. 
Esta foi a primeira foto que tirei em Berlim. De olhos marejados. Isto não é o que resta de uma obra que uma civilização ergueu e que, por desleixo e erosão da passagem do tempo, assim ficou. É algo que num momento não muito longínquo estava inteiro, e que, num instante, ficou reduzida a metade. Um instante de terror absoluto que, repetindo-se, transformou uma cidade num monte de ruínas. Arrepiou-me.

domingo, 4 de julho de 2010

De volta

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Curto e grosso: Berlim é um espectáculo, adorei. Os alemães que falam inglês fazem-no bem pior do que eu falo italiano*. E "Deutsche techologie" my ass. O ar condicionado não funciona nos comboios e simplesmente não existe no metro. Tal como suspeitei, assámos.
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* sendo que eu não falo italiano.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Afinal lá vi o jogo*

E, durante quase metade, estive a ouvir o comentador holandês a mencionar um certo nosso jogador chamado "contró". Eu, que a primeira pergunta que fiz quando olhei para o ecrã foi "Porque carga d'água é que os calções da nossa equipa agora são azuis?!?" e que, portanto, percebo imenso de futebol, não faço ideia dos nomes dos jogadores, noves fora Cristianos Ronaldos e coisas doutras épocas!**. Sabia lá quem era o "contró"! Depois de me esforçar de forma infrutífera por ler a camisola, lá perguntei e, nesse mesmo instante, perdoei o holandês por não saber pronunciar correctamente o nome. "Coentrão" é algo que só mesmo alguém de habla portuga consegue pronunciar. E, além de tudo o mais, mereceu o apodo, que mais me pareceu uma galinha tonta com pés tortos que um jogador profissional de futebol.
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* parece que vem no contrato de casamento;
** tipo Figo, João Pinto e, esqueci-me agora (sou mesmo boa nisto), do gadelhudo do FCP.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Estamos lixados


Podíamos ter ido para Terschelling. Mas, dado o tempo maravilhoso que temos tido por estas bandas até há coisa de 1 semana, optámos por não arriscar ir para um sítio onde, se não pudermos ir para a praia ou passear de bicicleta, não há nada para fazer. Desconfio que haveria praia. Ou não, se tivessemos marcado as mini-férias para lá. Assim sendo, vamos assar para Berlim. Sehen Sie!*
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* que, segundo o Google, é o mesmo que see you!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Impotência

Não há nada pior que esforçarmo-nos, darmos o nosso máximo, chegarmos ao limite das nossas forças, o tudo-por-tudo e, chegados ao nosso objectivo, vermos as portas a fecharem-se mesmo no nosso nariz. Foi o que me aconteceu hoje. E não é justo.

O comboio Utrecht - Amesterdão fechou as portas mal cheguei à plaforma. Tinha ido a correr quase desde o Cervantes.

sábado, 26 de junho de 2010

Com um sorriso

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Teria eu os meus 8 ou 9 anos quando fui um dia ter com a minha mãe ao emprego. Na altura trabalhava perto do Largo do Carmo, num pátio de prédios antigos pintados de cor-de-rosa claro com as ombreiras das janelas e das portas em pedra branca e porosa, tão característicos da Lisboa velha. Provavelmente, terei saído da escola*, ido directamente ter com ela e passado o resto da tarde a brincar pelo escritório. Por volta das 17h30 saímos as duas e devemos ter descido pelo Elevador de Sta. Justa até à Baixa e seguido pela Rua Áurea** até à Praça do Comércio, onde fizemos slalom na diagonal por entre os carros que na altura a enchiam até chegarmos ao Torreão Este da Praça.
No meio do passeio, mesmo ao lado do Torreão, uma senhora vendia hula-hoops, os arcos que na altura eram, aos meus olhos, o brinquedo-sensação. Provavelmente pela vigésima vez, pedi à minha mãe se me comprava um, aquele de cor rosa clarinho como os prédios onde ela trabalhava, que ali estava a ser apregoado. A resposta da minha mãe foi um premeditado "Eu compro-to, mas só se souberes brincar com ele, senão não serve para nada". Teremos pedido à senhora para eu o experimentar e eu enfiei-o pela cabeça, ombros e tronco até o encostar a um dos lados da cintura. Era o brinquedo da moda, mas eu pouco ou nunca tinha brincado com um pois para a escola não podíamos levar nada além de livros. Terei inspirado fundo e posto a língua de fora, tique que ainda trai a minha criancice cada vez que me esforço por fazer algo que exige destreza, e girei o arco enquanto movia a cintura como via os meninos fazerem na televisão. E, para maior espanto meu que da minha mãe, a coisa girou. E continuou a girar e a girar até que um sorriso conseguiu fazer retrair a minha língua para trás dos dentes. Eu sabia brincar com o arco! E a minha mãe lá me comprou o círculo de plástico cor-de-rosa claro, como os prédios da Lisboa antiga, que girou pelo meu corpo muito tempo, até que a passagem do mesmo, o uso e a força do sol que batia na varanda onde guardava os brinquedos o esbranquiçou, secou e, finalmente, quebrou.
Ontem no Vondelpark um grupo de adolescentes treinava artes circences com arcos e fitas. Aposto que ainda sei "brincar" com um arco.

* bons velhos horários em que após as 15h ou 15h30 já não havia escola mas alguém que ficasse connosco e nos passeasse e deixasse brincar à vontade;
** adoro quando alguém não sabe que é o verdadeiro nome da Rua do Ouro.
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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Leila, a renda

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Não fossem os 11kgs de peso e, em vez de ter a minha Luna, teria a minha Leila, ser orelhudo que acabei por impingir à minha mãe perante a impossibilidade de ficar com ela. Tudo o que a Luna tem de calma e sossegada esta bicha (nada de segundos sentidos!) tem de espevitada. Não há cá esperar que os donos acordem; são 7h30 da matina, tenho vontade de fazer chichi, dona, vamos lá a levantar - que é como quem diz "caim... caaim... caiiimm..." baixinho qb para acordar a visada mas sem lhe provocar um ataque cardíaco. Mas, mesmo depois de passeada, a Dona Leila gosta de atenção e, portanto, vira-se para o outro membro da família, o meu velhote. Que continua a dormir. E que, mesmo depois de umas quantas focinhadas nos membros superiores e inferiores, não se levanta. E que, estando surdo, pouco liga a ganidelas, tenham elas os decibéis que tiverem. E o que faz o ser orelhudo?, perguntais vós. Pois ataca o par de peúgas que ele tirou antes de se deitar e morde-o até haver buracos em cada peúga para todos os dedos dos pés e das mãos de todos os habitantes da casa. A Leila é uma renda: comida, veterinário, sola de sapatos e peúgas.