sábado, 22 de maio de 2010

Mais um dia na terra das Túlipas

Uma pessoa levanta-se da cama*, espreita à janela o tempo e descobre uma manhã de sol, céu azul e temperaturas amenas. Ala!, que se faz tarde, lá vamos nós dar uma volta à praia** de Zandvoort aan zee, um areal a perder de vista a meia hora de comboio de Amesterdão. É tipo Carcavelos, mas o areal é bem mais longo e o pessoal não é tão chungoso. A dois minutos de chegarmos à plataforma da estação de Zandvoort, a neblina. Começa com uns farrapos isolados, que se tornam progressivamente mais frequentes, mais densos, até formarem uma grossa cortina, típica de lugares à beira mar: branca, húmida e fria. A acompanhá-la, vento. Os 19ºC de Amesterdão transformam-se nuns pálidos 10ºC e é ver toda a gente que vinha no comboio a sacar de casacos e casaquinhos - os nossos, que caberiam nesta última categoria, não nos conseguem proteger do frio que se entranha até aos ossos mas, teimosos, lá vamos em direcção ao calçadão lá do sítio. Almoçamos uma sandocha 5 estrelas que descobrimos num dos últimos bares de praia há uns tempos e aceleramos o passo de volta ao comboio, tentando fugir do frio - é preciso ver que no bar de praia onde comemos acenderam a salamandra antes de acabarmos a refeição. Ainda temos tempo de trocar meia dúzia de palavras com um poruguês que vive na Holanda mas trabalha na Alemanha e que estava numa roulotte junto à praia ("Aqui é assim", comentou, em relação ao tempo) e fomos aquecer as mãos para a carruagem.
Previsivelmente, minutos depois de sairmos de Zandvoort, levanta a neblina. Resmungamos com a nossa má-sorte mas ainda não desistimos. E que tal sair do comboio a meio da viagem e ir ver Haarlem, que ainda não conhecemos? Bem dito, melhor feito. Sendo mais uma cidadezinha tipicamente holandesa (quem vê uma já viu todas), tem o seu encanto. Provavelmente produto do sol que lhe alegrava os tijolos das casas, avivava o verde das folhas das árvores, e as mil e uma cores das mil e uma flores em vasos e vasinhos por todo o lado e se reflectia na água dos canais. Gostei muito. Um centro cheio de vida, uma banca com uns produtos italianos que vieram apaladar a nossa mesa ao jantar, um moinho em funcionamento e muitos, muitos recantos repletos de plantas, de esplanadas e de pessoas a aproveitar o sol. Fotos não há, levei uma mala liliputiana e não estava a pensar ir conhecer nenhum sítio novo - mas ainda tenho de postar as da última visita à Alemanha... Ando uma desleixada com o aquário! Bem, mas agora há que ir estudar - tenho teste no trabalho (sim, parece que estou na escola outra vez, e não só por causa do teste, outra vez explico) na 3ª-feira e tenho resmas de apontamentos para ler.
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* cedinho, que o nascer do sol é às 5h36 e não há cortina com black-out que consiga filtrar luz suficiente para nos fazer dormir com claridade
** nada de biquínis, ainda (?) não há calor para isso

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Nem acredito

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No Domingo dão 19 graus de máxima e 9 de mínima! Onde terei guardado o biquíni?*
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* fosse eu amsterdamer e perguntava-me ainda se havia de perder tempo a ir para a praia ou simplesmente ir para o Vondelpark. Desnudar-me num parque no meio da cidade, no entanto, e não sei bem porquê, parece-me despudorado de mais.

Assim, é difícil

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Há poucas coisas que me irritem mais do que estar a receber formação e desdizerem uma informação que tinha acabado de ser dada.*
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* é que serem dias úteis ou não-úteis faz a diferença!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Como a realidade é sempre pior que a ficção

Há-que começar por mencionar um pequeno pormenor... A casa-de-banho de que falo no post anterior é a que tem apenas a sanita e um pequeno lavatório - e ninguém tem espelhos para se ver no trono, nem aqui na Holanda.
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Bem, voltando à vaca fria: o que fazia a caixa do berbequim no cubículo da sanita? E o que tem isso a ver com o facto de o pessoal aqui ser assim para o agigantado e no nosso portugalinho assim para o minorca?
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Tudo. Ora convém que saibam que a minha casa é fina e que, por isso, a sanita, essa peça essencial de qualquer casa-de-banho, é daquelas que está pendurada na parede, muito modernaça. Mas está pendurada a uma altura calculada para pernas de holandeses. Eu, se puser os pés em ângulo recto com as pernas, já sinto que a planta dos pés roça, quase sem tocar, o chão. A minha sogrinha fica, literalmente, de pés a dar-a-dar. Então, num rasgo de iluminação própria das sogras, achou que a melhor solução para o problema era arranjar uma caixa qualquer (calhou a do berbequim estar à mão) onde pôr os pés enquanto se senta, majestosa, no trono. Só não tive coragem de pedir para tirar uma foto, mas lá que me apeteceu, apeteceu!
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É por estas que costumo dizer que a realidade supera sempre qualquer ficção.
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terça-feira, 18 de maio de 2010

Puzzle da vida real

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A minha sogra está de visita. Eu vivo na Holanda. Chego a casa e encontro a embalagem do berbequim no chão da casa-de-banho. Na Holanda a altura média das mulheres é 1.72m. Em Portugal (bem, Espanha, que a wikipédia não tem info para as mulheres portuguesas) 1.65m.
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Quem conseguir transformar estes dados na estória com que me deparei na semana passada, além de ser muito inteligente, recebe um grande bem-haja da minha parte.

domingo, 9 de maio de 2010

Giro

Como Itália é pequenina resolveram vir fazer a 2ª etapa da Volta a Itália em Bicicleta a... Amesterdão, claro. A cidade dos 1001 eventos não podia falhar esta e os desgraçados dos ciclistas agradecem - etapa mais plana não há. Entusiásticos que só eles, os holandeses andam todos contentinhos com mais esta diversão a tentar colorir de cor-de-rosa* esta Primavera cinzentona e fria. Eu cá ando deslumbrada. Um monte de gente a andar de bicicleta é coisa nunca vista nesta terra, realmente.
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* que cor mais abichanada para um evento desportivo masculino, senhores, não havia outra melhor?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Piada à Goldie

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Os helicópteros sobrevoam Amesterdão enquanto trabalho. Espoletam comentários entre colegas, "is it Amsterdam's most wanted?", perguntam. "Yeah, that's problaly it!" diz outro. "I'm guessing it's someone who stole a bike", digo eu.
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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Porque nunca pensei

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emocionar-me com um anúncio de automóveis.
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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Depois de ler as notícias

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"Ai, que não temos com quem deixar os filhos quando as escolas fecharem porque vem aí o representante máximo da santa igreja, e os patrões não nos dão o dia e ainda nos despedem se não formos trabalhar!"
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Sabem o que vos digo? Queixem-se ao Papa!

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É só de 5 em 5 anos

mas hoje, é! É o quê? Feriado! Dia da Libertação, Bevrijdingsdag, o dia em que se comemora o fim da ocupação alemã durante a II Grande Guerra. Como os holandeses são um povo poupadinho, só é feriado para toda a gente* de 5 em 5 anos. É para não se gastar. Ora eu, entre idas à Alemanha, virus estomacais e o job que não perdoa, tinha-me esquecido completamente do feriado - quando ontem mo lembraram só não dei uns pulinhos porque o supracitado vírus não permitiu. Ainda bem que se livraram dos alemães, senhores! Por tudo o que já é sabido, porque hoje estou em casa a descansar e ainda porque os alemães são uns chatos que pouco falam inglês** (coisa que, a acontecer aqui na Holanda, me dificultaria muito a vida).
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* dizem-me que a Função Pública cá do burgo o goza todos os anos, e eu acho mal, principalmente porque não o gozo.
** informação estatística recolhida por moi-même nas 3 visitas que fiz à Alemanha.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Há sempre coisas novas a descobrir

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As armas químicas também podem destruir-se a si próprias. Ou, pelo menos, esforçar-se bastante por isso.
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P.S. - É de notar que as armas químicas moribundas têm tempo e energia para blogar...

domingo, 2 de maio de 2010

Why me?

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Consegui trazer o vírus que assolou as minhas primitas para a Holanda. Sou uma arma química com passaporte europeu.
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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Auf Wiedersehen

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E agora* vou ali dar uma voltinha à Alemanha e visitar a família, sim? Lá vou guiar um carrinho por mais uns dias, que tenho tantas saudades... Desejem-me boa sorte a ler indicações em holandês e alemão, que bem vou precisar - não se deixem enganar pelo título, é produto de uma coisa maravilhosa chamada Google tradutor. Bom resto e fim-de-semana a todos.

* pois, o meu empregador compreende que podem haver férias planeadas quando se é contratado de um momento para o outro e mesmo em contratos de 2 meses há 5 dias de férias para gozar (mais um dia ou outro também não há problema, mas em vez de férias contam como dias não pagos); traz-me Portugal à memória... e não é por ser parecido.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Está sol. Está calor.

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As árvores já não mostram os troncos nus a um sol que não os aquece. As flores já ganharam coragem e furaram a terra que as cobria para darem perfume ao mundo. O verde substituiu o amarelo nos relvados queimados pelas semanas de neve. E eu resolvi enfiar-me num buraco (vá, é num 4º andar) a trabalhar. Ai, se não fossem os aérios...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Amor canino

A minha Luna anda do mais triste que se possa imaginar com esta mudança - eu saio de manhã para trabalhar e ela fica em casa, sozinha. De manhã anda contentinha à minha volta até me ver a pegar na roupa para me vestir. Aí percebe que não vou ficar com ela e vai deitar-se, amuada, na caminha que tem junto ao sofá. Já não anda atrás de mim, nem responde quando a chamo. Durante o dia, se consegue descobrir um lenço, casaco ou peúgas minhas espalhadas pela casa* em algum lugar acessível, é aí que se vai deitar. Ao levantar-se deixa uma impressão redonda, de ali estar deitada completamente enroladinha. E ao ouvir a minha chave na fechadura, ao final do dia, vem a abanar o rabinho, aos pulinhos e a choramingar as suas diversas vocalizações de felicidade, que se prolongam por um período mais longo que o comum. A tristeza matinal e o abandono das 9h às 18h já estão esquecidos. O perdão canino no seu melhor.
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* testemunhos da minha qualidade como dona-de-casa.

domingo, 25 de abril de 2010

Multiculturalismo

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Um equatoriano que trabalha comigo contou-me que no seu país, há uns anos, também um vulcão entrou em erupção. Foram mais de 3 semanas sem 1 aviãozinho. Imagine-se o caos.
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Espectáculo

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Fomos* a um ristorante italiano cuja ementa não incluía pizzas nem pastas. Nem uma para amostra.

* quero dizer, fomos até à esplanada onde demos uma vista de olhos pelo menú e fomos embora!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Uma questao de perspectiva

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Afinal o telemovel com 11 anos que uso como segundo telemovel aqui na Holanda nao e velho. E vintage!
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P.S. - No job nao ha acentos. Se me der para ai corrijo a mensagem quando chegar a casa.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Não me faltava mais nada

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Descobri que pior do que ter muito trabalho, todo a gritar por atenção ao mesmo tempo (que já tive), pior do que não ter trabalho nenhum e estar 8h presa num sítio a olhar para e-mails estúpidos e a rezar por que um blog de jeito seja actualizado (também já desbundei), é ter de continuamente procurar o que fazer numa lista que não se altera e onde não existe nada com que eu consiga lidar.
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terça-feira, 20 de abril de 2010

Uma questão de pronúncia

Quem não vive em Amesterdão não saberá que as lojas finas (mas finas a sério, com Louboutins na montra e afins) se adquirem (ou, mais frequentemente, observam) numa rua de seu nome Pieter Cornelisz Hoofstraat. Nome comprido e difícil de dizer até para um holandês, a maioria abrevia a coisa para P.C. Hoofstraat, P.C. para os amigos. Após algumas vezes me perguntarem por semelhante coisa lá aprendi o que era. Outra coisa que provavelmente o amável leitor não saberá é que muitas (todas? Quiça...) das consoantes se lêem em holandês como se tivessem acoplado um "ei". Ou seja, um holandês a dizer o alfabeto dirá qualquer coisa como: A, BEI, CEI, DEI, etc., etc. (sendo que estes últimos não fazem parte do alfabeto, são mesmo abreviaturas do latim). Ou seja, a abreviatura da dita rua com que iniciei este post a atirar para o errático será lida em holandês da seguinte forma: PEI CEI Hoofstraat. Não é difícil perceber* porque é que eu chorei a rir quando o marido se enganou nas consoantes e disse que tinha ido à P.D. Hoofstraat...
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* espero;