terça-feira, 27 de abril de 2010

Amor canino

A minha Luna anda do mais triste que se possa imaginar com esta mudança - eu saio de manhã para trabalhar e ela fica em casa, sozinha. De manhã anda contentinha à minha volta até me ver a pegar na roupa para me vestir. Aí percebe que não vou ficar com ela e vai deitar-se, amuada, na caminha que tem junto ao sofá. Já não anda atrás de mim, nem responde quando a chamo. Durante o dia, se consegue descobrir um lenço, casaco ou peúgas minhas espalhadas pela casa* em algum lugar acessível, é aí que se vai deitar. Ao levantar-se deixa uma impressão redonda, de ali estar deitada completamente enroladinha. E ao ouvir a minha chave na fechadura, ao final do dia, vem a abanar o rabinho, aos pulinhos e a choramingar as suas diversas vocalizações de felicidade, que se prolongam por um período mais longo que o comum. A tristeza matinal e o abandono das 9h às 18h já estão esquecidos. O perdão canino no seu melhor.
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* testemunhos da minha qualidade como dona-de-casa.

domingo, 25 de abril de 2010

Multiculturalismo

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Um equatoriano que trabalha comigo contou-me que no seu país, há uns anos, também um vulcão entrou em erupção. Foram mais de 3 semanas sem 1 aviãozinho. Imagine-se o caos.
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Espectáculo

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Fomos* a um ristorante italiano cuja ementa não incluía pizzas nem pastas. Nem uma para amostra.

* quero dizer, fomos até à esplanada onde demos uma vista de olhos pelo menú e fomos embora!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Uma questao de perspectiva

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Afinal o telemovel com 11 anos que uso como segundo telemovel aqui na Holanda nao e velho. E vintage!
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P.S. - No job nao ha acentos. Se me der para ai corrijo a mensagem quando chegar a casa.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Não me faltava mais nada

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Descobri que pior do que ter muito trabalho, todo a gritar por atenção ao mesmo tempo (que já tive), pior do que não ter trabalho nenhum e estar 8h presa num sítio a olhar para e-mails estúpidos e a rezar por que um blog de jeito seja actualizado (também já desbundei), é ter de continuamente procurar o que fazer numa lista que não se altera e onde não existe nada com que eu consiga lidar.
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terça-feira, 20 de abril de 2010

Uma questão de pronúncia

Quem não vive em Amesterdão não saberá que as lojas finas (mas finas a sério, com Louboutins na montra e afins) se adquirem (ou, mais frequentemente, observam) numa rua de seu nome Pieter Cornelisz Hoofstraat. Nome comprido e difícil de dizer até para um holandês, a maioria abrevia a coisa para P.C. Hoofstraat, P.C. para os amigos. Após algumas vezes me perguntarem por semelhante coisa lá aprendi o que era. Outra coisa que provavelmente o amável leitor não saberá é que muitas (todas? Quiça...) das consoantes se lêem em holandês como se tivessem acoplado um "ei". Ou seja, um holandês a dizer o alfabeto dirá qualquer coisa como: A, BEI, CEI, DEI, etc., etc. (sendo que estes últimos não fazem parte do alfabeto, são mesmo abreviaturas do latim). Ou seja, a abreviatura da dita rua com que iniciei este post a atirar para o errático será lida em holandês da seguinte forma: PEI CEI Hoofstraat. Não é difícil perceber* porque é que eu chorei a rir quando o marido se enganou nas consoantes e disse que tinha ido à P.D. Hoofstraat...
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* espero;

Experiências holandesas

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Comi há tempos em casa de uns holandeses amigos um bolo verde, às camadas, de origem indonésia, que me soube quase a uma queijada de Sintra*. Na altura pensei que haveria de comprar um bolo desses na altura em que cá estivesse a família, para provarem. Foi o que fiz hoje, depois de indagar junto dos holandeses o nome - Spekkoek - e onde são vendidos. Ao adquirir a especialidade fui questionada sobre quando a iria consumir; estranhei, não é costume por aqui andarem a perguntar sobre a vida alheia. Respondi amanhã como poderia ter respondido hoje ao lanche, sei lá quando nos vai apetecer uma fatia! Aconselharam que o mantivesse no frigorífico, nada de estranho, dado que a temperatura a que estão as casas faz com que tudo o que seja deixado ao ar seque em tempo recorde. Quando cheguei a casa e desembrulhei o meu verdinho Spekkoek percebi o porquê da questão: vem congelado, há que dar-lhe tempo. Bem, ficará mesmo para amanhã, ao pequeno-almoço. Isto só comigo.
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* o que só demonstra há quanto tempo não consumo uma dessas nossas deliciosas iguarias - o suficiente para achar que um bolo verde se lhes compara!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O timing não é o meu forte

Finalmente um trabalho! Não é bem um emprego (call center não se qualifica) mas para quem está há tanto tempo parada é óptimo. Mini-contrato, só 2 meses, o que no caso até é bom... Já que estamos a tentar voltar a Portugal, o que acontecerá, à partida, lá para o Verão (é só novidades... O peixe volta às suas águas.). É numa área que me interessa, pertinho de casa (ridiculamente perto) e nem tenho de atender chamadas - o pesadelo de qualquer call center - só responder a e-mails e faxes. E a cereja no topo do bolo: finalmente um dinheirinho meu - m-e-u e não nosso, nunca me conseguirei habituar a gastar quando não contribuo - o horário é fixo e não inclui fins-de-semana nem noites. Perfeito!
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E defeitos?, perguntais vós. Pois, o velho timing. Fui à entrevista na 6ª para começar já amanhã com a formação, a minha mãe e o velhote ficam sozinhos o resto da semana - eles ficam sozinhos e eu perco a companhia deles, que tanta falta me faz. E as férias? Dois fins-de-semanas prolongados pela Alemanha e Holanda e 9 dias de papo para o ar em Curaçao pelo cano. Sem falar das visitas planeadas que já não podem contar com a minha alegre companhia. Nem eu com a delas!
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E aqui ficam um parágrafo de copo meio-cheio e outro de copo meio-vazio. É a minha especialidade no que ao mercado de trabalho diz respeito.

E nova cambalhota

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Tenho trabalho.
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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Avô querido

A alegria de o ter aqui comigo esbate-se um pouco com a percepção do quanto mudou nos últimos anos. Creio que será a falta de ouvido que o faz fechar numa concha, sempre calado, sempre para trás nos passeios, sem comentar ou opinar sobre seja o que for. Será o peso dos 89, going on 90, mas custa-me. Sinto-o só, apesar de acompanhado, e por muito que tente não o consigo chamar para ao pé de mim, para ao pé de nós. Não responde. Ou não ouve. Ou, quem sabe, não quer ouvir. Não recordo a brusquidão de certos comentários, a falta de paciência para tarefas que outrora eram um prazer, a brusquidão com que reage a coisas que antigamente apenas lhe mereciam um sobrolho franzido ou um abanar de cabeça. Tenho medo que se sinta mal, inútil, mal-amado, incompreendido. Mas acho que já não consigo chegar a ele. Tenho receio que já não sinta o nosso amor. Raios partam a velhice.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Correndo o risco de soar esquizofrénica:
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A mãe está a chegar! E o avô vem com ela! A mãe está a chegar! E o avô vem com ela! A mãe está a chegar! E o avô vem com ela!
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Fosse o que fosse,

passou! O caudal correu, o chuveiro limpou e o cérebro guardou. Preparei os cadernos e o estojo, espanhol aí vou eu - se há dias em que tenho de me agarrar às "obrigações", são estes! Chegada a Utreque, com o stress do comboio perdido seguido de outro atrasado e do ratinho que vi a pular alegremente ao longo do balcão da Coffe Company enquanto sorvia o primeiro golo de um latte acabado de fazer, a tristeza já se tinha evaporado.
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P.S. - Obrigada pelas palavras.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Blue

Há coisas que não se explicam e a neura que me percorre hoje o espírito é uma delas. Está um sol espectacular, tenho visitas já amanhã, a vida deve ir mudar de novo e de resto tudo está na mesma, menos esta tristeza que me pesa hoje como se me tivesse morrido alguém. E poucas coisas me mandam abaixo como a tristeza - desenvolvi uma capacidade (um pouco estranha, acredito, aos olhos de outros) que é a de não deixar a tristeza assentar em mim. Posso senti-la, muito até, mas por pouco tempo. Tenho que a despejar, expulsá-la do meu corpo, com mililitros de lágrimas que me queimam a face mas que desaparecerão com uns salpicos da torneira. E depois de lavada deixo-a para trás, pouso-a numa qualquer dobra da mente e sigo em frente, como se nada se tivesse passado. As coisas mais graves apago-as, mesmo. Tenho uma espécie de tecla delete no cérebro que apaga os contornos mais dolorosos das cenas, dos traumas, dos desgostos que me foram marcando e se há coisa que não suporto é comemorar datas tristes. Por precaução, o cérebro tende também a esquecer as datas importantes e felizes, mas esse é um preço que estou disposta a pagar. Quem sabe, hoje será uma data apagada. Mas presente, inconscientemente, nesta dor que me aperta o peito e na necessidade de chorar que me tirou antes do necessário da rua, pois nem óculos escuros disfarçariam convenientemente o caudal que se adivinha.

domingo, 11 de abril de 2010

Provérbios à moda do aquário

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Voltar a ter um vida social dá saúde e faz crescer (especialmente para os lados).
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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Está no ir

Pessoal do Norte, a minha Luna pediu-me que vos avisasse sobre algo que lhe toca no coraçãozinho. Chegou-lhe a notícia, muito à la 101 Dálmatas, de que vai haver um Jantar de Ajuda ao Refúgio das Patinhas, associação que recolhe, cuida e tenta arranjar um lar a patinhas tresmalhadas como ela já foi.
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O jantar é na Casa da Horta (perto da Igreja de São Francisco e do Mercado Ferreira Borges), restaurante conhecido e recomendado pela Rachelet - é favor irem ver. Custa 12,50€ (com sobremesa e bebidas incluídas) por pessoa, sendo que metade reverte em favor do Refúgio.
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Eu estou um pouco longe mas deixo aqui a notícia porque a Luna tem toda a razão: é uma óptima forma de juntar o útil ao agradável! Se quiserem podem até levar umas coisinhas (como remédios ou mantas, é ver no site) para dar, porque fazem sempre falta e o Refúgio das Patinhas (sobre)vive apenas com os nossos donativos.
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Vão por ela (e pelos seus amiguinhos)?
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Noite literária

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Já tinha saudades de uma noite mais cultural que ir ao cinema... Meti-me mais uma vez no comboio para Utrecht e fui assistir a uma palestra de Almudena Grandes. O tema era a memória e como ela é essencial para esta escritora construir os mundos que cria nos seus romances. De como para descrever os sentimentos tem de os ter sentido, de como para cada pessoa uma mesma experiência é diferente e, portanto, a sua descrição é também distinta. Falou do franquismo e de como é nascer e ser criada num regime e depois viver a vida adulta noutro, de Madrid, de Espanha e da religião em que foi educada e que posteriormente abandonou. 2ª-feira já vou tentar pedir emprestado mais um livro dela... Um dos meus, igualzinho ao que está aí em cima, veio autografado.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

PRECISA-SE

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PRIMAVERA a tempo inteiro, para começar o mais breve possível. Damos preferência se trouxer temperaturas agradáveis, árvores verdejantes, flores em barda e patinhos amarelos.

Ele há com cada um

Não tenho razões de queixa dos holandeses, sempre foram o mais simpático possível para mim. Nem dos vizinhos tenho queixas - excepção feita ao violinista. Mas há uma senhora que se deve ter mudado há pouco tempo para cá que me tira do sério. Não cumprimenta, não sorri, não fala, nada. Parece que lhe devo uma fortuna! Hoje ganhei o dia. Vinha a senhora cara de traseiro no elevador a descer quando eu o chamo. A senhora pensa que está no R/C, vai para sair, dá de caras comigo e com a Luna, apanha um susto do caneco. Pois, já me aconteceu o mesmo com outras pessoas - rimo-nos, comentámos e tudo fica bem. Com esta? Nem um sorriso, nem ao bom dia que tanto me custa a gaguejar em holandês respondeu. Valeu-me o susto (o dela, bem entendido). Parecia que tinha visto um Pastor Alemão...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ouch!

Qual é a melhor altura, qual é ela, para espetar uma farpa na palma da mão direita?
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Pois quando vamos estar 3 dias sozinhas em casa, claro!
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Ausência prolongada

Devido a preguiça extrema pós-fim-de-semana-prolongado e extrema vontade de terminar o livrinho que está alí do lado direito. Livro terminado (adorei), pode ser que a preguiça dê lugar a alguma sabedoria (só para contrastar com o que é costume por aqui).

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Qualquer dia usam a força

Quem quer voar num avião que não leva piloto? Quem quer pagar mais por isso*? Se pertences a este clube, fica atento à Ryanair que prevê realizar voos neste esquema já este ano. Caso seja relevante, os pilotos estão em terra e são capazes de "pilotar remotamente 'pelo menos uma dezena de aviões'". Ah, já agora, este grupo de pilotos à distância inclui, além de antigos pilotos e formadores com muitos anos de experiência, "'dois ou três' jovens considerados génios dos jogos-vídeo". Eu, comprava já, desde que me garantissem que o piloto remoto era um virtuoso da consola...
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* de acordo com as contas que vêm neste artigo, €20,49 de bilhete e taxas várias num voo com piloto in loco, €20,58 com o génio dos vídeo-jogos à distância.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Quem avisa, amigo é

Ora vamos lá a analisar duas coisas: a lua e uma bolacha. Para começar vê-se logo a diferença - "a" lua, única; "uma" bolacha, qualquer. O que têm a ver? Já verão, é favor esperar.
Comecemos com a lua. É um satélite da terra, algo longínquo e misterioso onde só duas pessoas (dizem) puseram os pés. Gerações e gerações de humanos consideraram-na uma deusa, compuseram canções em sua honra, sonharam acordados a olhar para ela. Agora, as bolachas. Bocado de farinha doce cozida num forno. Na sua maioria, sensaboronas. Na sua totalidade, hiper-calóricas. Coisa que se vende em supermercado - nem o glamour de ser vendida numa pastelaria tem. Não conheço canções em sua honra nem imagino que alguém algum dia tenha achado que uma bolacha era uma deusa. Posto isto, digam-me uma coisa: porque é que a maioria das pessoas, quando confrontadas com isto:

dizem "Ah, tão giro, carinha de bolacha!"?!? Não. Se querem fazer uma apreciação (eu sei que a intenção é boa) carinhosa da minha face digam "Ah, tão giro, tens cara de lua-cheia!". Eu sei que o objectivo é o mesmo, mas o resultado é completamente diferente - eu continuo a gostar de vocês ou odiar-vos-ei para o resto da vida. E sim, sou eu, hace unos años. E sim, continuo com cara de lua-cheia, apesar de não tanto.

Estou a preparar-me

para ir aqui



e aqui


e aqui...

Pode não haver muitos feriados, mas este ano vamos gozá-los até ao último minuto!

terça-feira, 30 de março de 2010

Viagem no tempo

Quem nunca quis ter um cão como o Tim? Quantas marias-rapazes não desejaram ter um nome que pudesse ser de rapaz, como Zé? Quantos não desenterraram as bicicletas da arrecadação depois de ler sobre um maravilhoso passeio pelo campo na companhia dos Cinco? Arrisco dizer que algumas até sonharam em ir internas para um colégio desde que as aventuras das Gémeas viessem incluídas no rol das disciplinas... Tudo isto devemos, nós, as de 30, e tantas outras gerações, anteriores e posteriores, à máquina de escrever que era Enid Blyton. Coincidência ou não, ontem vi na BBC parte de uma série sobre ela, e hoje deparo-me n'O Público com uma (excelente) peça sobre ela, os seus livros, e toda a polémica que, volta e meia, levantam à sua volta - vale a pena lê-la, aqui. Só me parece ter ficado uma coisa por dizer em defesa da senhora: ela viveu e escreveu livros nas décadas de 40, 50 e 60 do século passado e não hoje em dia. Ela escreveu durante a II Grande Guerra. Não se pode estranhar que usasse palavras como nigger - hoje impublicável - porque essa era a forma de expressão dos tempos que viveu. A família que retratou era aquela que conhecia, era a que queria ter tido, não sei, mas não era nada de estranho. Os adultos estavam maioritariamente afastados das narrativas? E o que tem isso? Não são livros para crianças? Arrisco dizer que até é bom para os miúdos de hoje lerem aqueles livros, tão claramente fruto de uma época diferente - se já eu notava a diferença, imagine-se as crianças de hoje em dia - para terem uma ideia de que o mundo mudou, de que nem tudo o que é gadget é necessário e que antes de tudo o que eles conhecem existir as crianças também eram felizes, também se divertiam e, o melhor de tudo, tinham aventuras!

Porque a pimenta também me chega ao nariz*

Conversa de mulheres extremamente interessante entre mim e uma jeitosa. É uma pena que outras vezes não me saia com respostas destas...
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Jeitosa: Onde é que costumas fazer a depilação?
Je: Em casa... Uso máquina.
Jeitosa (com cara de quem nunca ouviu semelhante coisa na vida): Ahhh... E o buço?
Je: Em casa, também. Com bandas de cera fria.
Jeitosa (com um ar escandalizado): Mas isso parte os pêlos todos!
Je (sobrancelhas arqueadas e sorriso de gozo): A sério? E quem te ensinou pormenor tão científico? A senhora que ganha a vida a tirar-te pêlos com cera quente?!?
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Arre, não há paciência para estes comentários. Pode haver quem prefira ir à esteticista, nada contra, mas não me venham com tangas disfarçadas de ciência... Na altura não sabia - ainda não tinha experimentado - mas agora até já podia acrescentar que das duas vezes que no cabeleireiro usaram cera quente os pêlos já se viam semana e meia depois, coisa que nunca me aconteceu com a fria!
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* Ou porque blog de gaja não é blog se não falar de depilação

segunda-feira, 29 de março de 2010

Logo pela manhã que é para aprender

Chegou "a" altura do ano. "A" altura em que tudo quanto pode viajar resolve vir ver as flores à Holanda. O resultado é que esta é "a" altura em que não se pode andar pela cidade, devido ao excesso de turistas, ao excesso de turistas e, last but not least, ao excesso de turistas. A juntar ao caos resultante de acrescentar centenas de turistas aos milhares que já cá vivem, todos bem juntinhos que espaço não abunda, temos os eléctricos que têm uma muito engraçada característica: só permitir a entrada por duas das portas e a saída por outras duas. Muito bem, tudo organizado é mais eficiente e bonito, só se esqueceram que para funcionar tem de se conhecer. E se há coisa que a maioria dos turistas não tem tempo para fazer é para conhecer eléctricos (e, se fosse para conhecer eléctricos, aconselhava Lisboa, que os tem antigos). O resultado é o caos - tentam todos entrar por uma única porta com as malas atrás, entupindo a paragem por uns bons 15min.. Por vezes os condutores já estão tão fartos que começam a fechar as portas independentemente de haver ainda pessoas na paragem ou não. Foi o que fizeram hoje. De um grupo de americanas, seguiram duas no 2 e ficaram outras tantas na paragem a rir-se que nem perdidas. Simpática como sou, e sabendo que aquele eléctrico tinha mudado de rota e era possível que as americanas só voltassem a encontrar-se à tarde, de volta ao hotel, resolvi intervir e explicar a situação. Conforme terminei a explicação, a que estava do meu lado direito resolve agradecer-me com um guincho que me obrigou a dar um passo para trás numa tentativa vã de me afastar da fonte de ruído. Já não é a primeira que ouço - à distância, bem entendido, que se já me tivessem guinchado assim muitas vezes ao ouvido já não estava cá para contar - o que andam a fazer a estar novas gerações? Incorporam-lhes apitos à nascença? É para eu aprender a estar quieta, as próximas que ficarem apeadas bem podem pedir-me ajuda que eu respondo-lhes em português para as afugentar...

sábado, 27 de março de 2010

Dúvidas teológicas

Depois disto, disto e disto tudo, será que ainda acham que vão para o céu? É que se a igreja não é feita para o julgamento terreno (como já ouvi, noutra ocasião igualmente hipócrita, um responsável católico dizer), é-o para o julgamento após a morte. Stupid me. Quase me esquecia - basta confessarem os seus crimes no leito de morte e o perdão está garantido. Santa igreja...
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P.S. - Não posso deixar de congratular o cardeal José Saraiva Martins pela frase "Não devemos ficar demasiado escandalizados se alguns bispos sabiam e mantiveram o segredo. É isso que acontece em todas as famílias. Não se lava a roupa suja em público." Pedofilia é "roupa suja", não é crime contra crianças indefesas. Não, isso é o aborto!

sexta-feira, 26 de março de 2010

E de repente vi-me na 25 de Abril



Estávamos muito bem a jantar ontem com a televisão esquecida ligada quando começamos a ouvir uma música conhecida mas, principalmente, completamente deslocada. Calamo-nos os dois, voltamo-nos para a TV e, enquanto eu, a eterna baralhada das músicas, seus autores e títulos, tento perceber porque é que aquele tune me está a soar tão mal com uma letra holandesa o mariducho diz-me "Olha, nunca pensei que o 'Sol da Caparica' não fosse um original...". Era esse clássico português, num anúncio, a ser completamente desvirtuado por uma algaraviada incompreensível. Pois tive de vir ao youtube ouvir a nossa versão e já estou com um sorriso**.

* atrevam-se a dizer mal, não há nada melhor que ir ao volante num dia de sol, janelas abertas a fazer esvoaçar a melena enquanto subimos o volume do rádio e acompanhamos a letra o melhor que conseguimos!
** e um bocado aparvalhada - nunca tinha visto o clip, cruzes, é mesmo mauzinho...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Mudança da hora precisa-se

Começa a época em que madrugo todos os dias... Raio do sol anda a nascer de véspera e eu a acordar com ele! Nem as cortinas com black-out (abençoado senhorio, também deve ter problemas em dormir com luz) me safam. É que eu não preciso de acordar às 6h da manhã. A sério que não.

Mesmo à frente dos olhos

Já me habituei a ver raparigas com véu, dado que em Amesterdão elas estão por todo o lado - no parque com os seus bebés, a trabalhar nos supermercados, nos transportes públicos. Mas foi preciso ver uma de bicicleta há dias para me aperceber que, isso sim, não é costume. Perguntei a uma holandesa se seria impressão minha, mas ela confirmou - a grande maioria das muçulmanas não usa a bicicleta. Não estão autorizadas (não se sabe bem se pelos homens ou pela religião). Não é só pôr um pano na cabeça e rezar virado para Meca, não. É muito mais do que isso.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Até dá gosto

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Sai um latte com um cisne! Normalmente são corações ou folhas, mas uma menina no Coffee Company de Spui faz estas belezas quase de olhos fechados... Está lindo ou não?

terça-feira, 23 de março de 2010

E aqui está

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A minha gazelle com o cestinho já a provar a sua utilidade no regresso do Albert Hein. A reparar, é deveras importante, que o céu está azul e, por trás da minha montada, uma não muito longa sombra negra confirma que... estava sol!

P.S. - A fotografia não está bela... não reparei que o raio da estátua ia tirar o destaque ao cesto a não ser depois de tirar a foto, altura em que o sol já estava a incomodar-me (é no que dá viver na Holanda...) e resolvi não mudar de sítio para nova foto. Isso e o facto de uns quantos putos já estarem a olhar para mim a tirar fotos à bicicleta com um olhar desconfiado. É que vê-se que não sou turista a léguas.

Se ele soubesse...

É uma sensação das mais estranhas* estar a vestir-me no quarto e saber que do lado de fora está um homem das obras, vestido com um fato-macaco branco, a pintar os caixilhos da janela**. Trouxe a roupa para a sala, hoje visto-me aqui.

* e que me tenham sido dadas a experimentar até agora;
** sei que está mesmo, mesmo ali, do outro lado da cortina e de duas levas de vidro porque insiste em repetir, em tom de canção, qualquer coisa que soa como Juu-u-u-uliiiie!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Por aí, não

Quando conhecemos alguém, olhamos para o que vemos - e julgamos. Claro que sim, todos o fazem, uns mais do que outros, mas é impossível olhar e não qualificar, tipificar e formar uma opinião sobre o que se vê. Os seres humanos são, antes de mais, criaturas que usam a visão para compreender o mundo e esta tipificação será, portanto, natural. Mas é suposto os seres humanos serem também criaturas inteligentes, que usam o cérebro para juntar diferentes tipos de informação, para acumular conhecimento, aprendendo com a experiência. E esta experiência particular, comummente conhecida como "julgar pela aparência" é algo que fazemos desde a mais tenra idade. Tempo de sobra, portanto, para percebermos o quão falível é.

Eu também julgo aparências. Tenho, normalmente, o cuidado de, após esse primeiro instinto (primário), esperar por mais alguma informação. Geralmente espero pelo que sai pela boca dessa pessoa e, aí sim, julgo. Em conformidade, ou não, com o que saiu do julgamento da aparência. É isto que espero dos outros. Julguem a minha aparência, mas não se fiquem pela informação que os olhos vos dão, usem esse julgamento em conjunto com aquilo que digo, com o que penso e com o que faço e aí formulem uma opinião. Será pedir de mais? Para algumas pessoas, talvez. Mas essas não me fazem falta.

Para os que não compreenderam

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Isto* é a minha gazelle. Perdão, eu esqueço-me de que há um ano e tal também não sabia o que era.
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* Está tão mais gira com o cestinho... Já estou a ver-me pelas ruas de Amesterdão com a Luna amarrada ao dito (antes que se mande do cesto em andamento) mas com as orelinhas ao vento!

A dream come true

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A minha gazelle já tem um cestinho à frente.
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(Fotos quem sabe amanhã)

sábado, 20 de março de 2010

Piada holandesa

Como é que se chama ao dia que se segue a dois dias de chuva?
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2ª-feira...

sexta-feira, 19 de março de 2010

Honestamente

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Como seria de se esperar, já chove outra vez. Daqui.
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quinta-feira, 18 de março de 2010

Será só impressão?

Parece-me que toda a gente que aqui vem é adepta do livro das caras e ninguém quer contrariar aqui a maluquinha... Olhem que a parte principal do post é mesmo o mafioso italiano, não a minha resistência ao Facebook*.
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* eu sei, manda a lógica que o principal venha em primeiro lugar num texto e só depois o secundário e, por fim, o verdadeiramente inútil mas o que querem? Deu-me para o egocentrismo.

A tecnologia ao serviço do bem

Ainda não consegui aderir ao Facebook. Eu sou um bocado lenta no que diz respeito às novas tecnologias e o Facebook (e outros que tal) faz-me confusão. Eu sei, podemos pôr diferentes graus de confidencialidade na nossa página... Podemos só permitir acesso aos nossos amigos (e não aos amigos dos amigos dos amigos, etc., etc.). Podemos pôr fotos de longe, de costas*, desfocadas, e tudo o que nos apetecer. Mas a ideia de as minhas fotos andarem para aí a navegar nesse mundo suspenso que é a internet é coisa que me faz confusão ao neurónio (só ao Tico, porque o Teco, muito mais progressista mas menos inteligente nos argumentos, quer à força que eu me meta na livro das caras). Agora, graças à Rita Maria, cheguei a esta maravilha da polícia dos nossos dias e juntei mais um argumento ao repertório do Tico. O sr. Pasquale Manfredi, assassino a soldo da Máfia italiana (costumava apresentar-se como Scarface), foi apanhado pela polícia... devido ao hábito de se ligar à sua página do Facebook, onde assume o nome Georgie e tem uma foto de Al Pacino no conhecido filme. A polícia está satisfeitíssima, Georgie nem por isso, e agora todas as 200 pessoas que figuram como amigos de Georgie no Facebook estão a ser investigadas. Eu, no Facebook? Ná, antes que a polícia dê com alguma das minhas (muitas) actividades ilícitas.
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* espantem-se, soube que já há quem reconheça gente na rua, de costas, por ter visto várias fotos dessa pessoa - de costas, claro! - na net...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Grandes notícias no país das Túlipas

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Posso deixar de usar o edredon de rua (vulgo Kispo) e guardar no armário as botas de pêlo! Está (nem acredito que estou a dizer isto) calorzinho! Estou feliz. Estive vai-não-vai para beber um frozen cappucino em jeitos de comemoração, mas o estômago fraco fez-me reconsiderar.
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What am I doing here?

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O sol não brilha mas até nos vai presenteando com uns sorrisos ocasionais, a temperatura permite dispensar o cachecol e as luvas e até (wow!) desapertar a parte de cima do casaco. Há que aproveitar!

Homens que matam cabras com o olhar

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Ou The men who stare at goats. Como sempre, e sendo que desta vez o título em inglês já é estranho, os tradutores portugueses esmeraram-se na produção de mais uma pérola. Traduções à parte, vamos ao filme. Há muito tempo que não me era dado ver algo tão estranho! Alguém (ou muita gente) teve de fumar muita (muita!) droga para chegar ao argumento deste filme - sendo que este é baseado num livro, por sua vez baseado na realidade! Soldados de trança ou cabelos compridos a saudar o sol com cânticos que acreditam que com a força da mente podem ver o que está guardado numa caixa ou fazer parar o coração de uma cabra (muda). Tudo com o alto patrocínio do governo e, especialmente, de Ronald Regan, um crente nos poderes de soldados-Jedis. Altamente recomendável para apreciadores do absurdo enquanto comédia.

terça-feira, 16 de março de 2010

Por falar na TAP

Alguém diga aos senhores para mudarem a ementa... por favor. Pão (baguette desenxabida) com fiambre de perú (ou será frango?) com ervas (não sabe a mais nada além das ervas) com queijo derretido que não sabe a nada (primeiro, por causa do sabor das ervas; segundo, porque nunca o comemos - ao derreter dentro da embalagem espalha-se (todo) e agarra-se (todo) ao papel). De sobremesa, mini-queque de vários sabores (não importa quais, não sabem a nada) e a bebida - salva-me da náusea, Compal de maçã, se não fosses tu! É que é tão mau. E já enjoa. E ainda por cima servem isto ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar. Qualquer dia passo a levar a sandocha de casa. Ou o tupperware.

segunda-feira, 15 de março de 2010

First sighting of the year

Ontem vi o primeiro casal de patos com filhotes... Tão queridos, amarelos e pretos, só apetece apanhá-los para fazer festinhas - o sr. pato não concorda, nem abre excepções para criancinhas loiras holandesas. Vim mais contente depois do meu passeio de (quase) todos os fins-de-semana pelo Vondelpark por causa destes bichinhos, mas achei tão cedo, pobres bichos vão passar frio, ainda nem no calendário começou a Primavera, quanto mais nas temperaturas!
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P.S. - e a Luna acabou de perder a liberdade de que gozava no parque... Sim, antes que se lembre de se armar em caçadora de patinhos e leve uma coça do paizinho extremoso.

Lembrei-me agora

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E as mantas de fleece? São muito quentinhas e estaladiças e, no escurinho da noite, até fazem faísca! É só desligar o candeeiro para ver flashes azuis a acompanhar os estalinhos costumeiros...
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domingo, 14 de março de 2010

Após busca intensiva

Vislumbro (uma vez mais) sérias dificuldades na aquisição de trapos nesta Primavera / Verão. Detesto a moda navy, se desejasse vestir-me assim teria ingressado na marinha, ao menos pagavam-me para isso. E os tons nude, que enchem as prateleiras das lojas, quando vestidos sobre pele do tom da minha, desaparecem como que por milagre ou forma de camuflagem típica de moluscos quando assentes no fundo do oceano à espera da presa.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Eu sei que a programação da TV é má

Mas não há outros programas para verem? Um filmezinho? Uma série? É que já estou farta de tanto post sobre um programa qualquer chamado 5 para a Meia-noite que, como será fácil de perceber, nunca vi nem sei do que trata! Uma outra coisa: ninguém dorme nesse país*? Não há trabalho no dia seguinte, bem cedo?
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* isto partindo do princípio que o nome do programa tem alguma coisa a ver com o título que lhe deram...

Quem diz que o casamento acaba com as relações?

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Eu e o marido até damos choque quando nos beijamos (nos lábios, mesmo!)*.
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* por acaso, ao ler este post, dei com uma explicação para a electricidade estática. Nem de propósito. Se bem que no nosso caso não é essa a explicação, está claro.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Play it well

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quarta-feira, 10 de março de 2010

A imaginação não dá para mais

Um homem chega a uma taberna e diz "É um copo de vinho, ó fáxavor!"
"Branco ou tinto?", perguntam-lhe.
"Cheio!"
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Estou farta de esforçar o Tico e o Teco mas não consigo arranjar uma maneira de adaptar a piada ao que sinto em relação a viajar! Viagens, passeios... Onde? Onde for!

Esverdeada, para variar

Para não andar a dizer que me sinto em casa na terra das socas... Fui o tempo todo apertadinha no eléctrico e se, em Portugal, fico por cima das partes mais mal-cheirosas da generalidade das pessoas, aqui fico à altura do sovaco de algumas - com tudo o que isso acarreta em termos odoríferos*.

* eu sei que estão só 3ºC, mas há que ter em conta os aquecimentos centrais e a falta de amor à água de muito boa (mas porca) gente.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Neste aspecto, sinto-me em casa

One of my first observations about the Netherlands was how tall the Dutch are. Actually, tall doesn't do them justice. They are really tall. Damn tall. According to the staticians, the Dutch are currently the tallest people on the planet. The average height for men is 1,84m; the women come in at a respectable 1,71m. Cold averages, however, don't convey the entire picture. There are quite a few Dutch men, and even a few women, who are over 2,1m.

What is truly remarkable is that the Dutch are getting taller. While the average height in all first-world countries increased dramatically in the last century, this growth spurt has slowed down of late and seems to be leveling off. The increase in the average height of the Dutch, however, shows no sign of abating. It is in this context that height has taken on an interesting significance in Dutch society. Urinals are mounted sufficiently high on the walls to make it almost impossible to use them, unless you stand on your tiptoes. A Dutch friend was reading a magazine and said "That's terrible. There's a letter here from a mother whose daughter is only 12 years old and is already 1,83!".

Aside from the general improvement in the standard of living over the last half-century and the more even distribution of wealth in Dutch society, the best explanation I've come across for the remarkable growth spurt in the Netherlands is their diet. Specifically, the infant diet. In a laudable program, the government-subsidized consultatiebureau provides regular advice to parents about their children's health and nutrition through four years of age. The objective is to improve the well-being of newborns. The hypothesized impact on the height of the general population is apparently unintended. Alternatively, in a new twist t the age-old, nature-nurture argument, a few British once proposed a theory over beers in a pub. "It's all a simple matter of natural selection," they say. "How's that?" I asked- "What with all of those floods, only the tall could survive."

Adaptado do texto "They must be giants", de Steven Stupp na oitava edição do Holland Handbook, edições XPat Media.

sábado, 6 de março de 2010

A vida em Amesterdão tem destas coisas #7

Um rapaz acabou de me perguntar para que lado é Sudeste. Porque quer ir para Utreque. Eu perguntei de volta Ah, Utreque, quer ir apanhar o comboio a Centraal Station? Não, não, responde-me. Vou de bicicleta.*
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* para quem, compreensivelmente, não está bem a ver a coisa, Utreque é outra cidade; e apesar de este país não ser propriamente grande, Utreque não é já aqui ao lado - é outra região; no comboio rápido chega-se lá em meia hora, no lento em 50 min.; está -1ºC lá fora e são 22:50; podia continuar, mas acho que já dá para terem uma ideia.

Diferenças geracionais

Há uns tempos o meu avô atirou-se de umas escadas abaixo. Está inteiro e fino, dois dias depois já gozava com o assunto, apesar de eu ainda me arrepiar só de me lembrar das escadas por onde andou à reboleta. No outro dia, estava eu em Lisboa, e depois de ter ficado só com a minha mãe, o meu velhote diz-lhe: "Afinal a menina* também caiu!". A minha mãe, sem perceber, pergunta-lhe: "Caiu? Ela disse-lhe? É que eu não sei de nada." Resposta do meu velhote, completamente lógica se tivermos em conta que tem quase, quase 90 anos e a ideia de um par de calças virem já rotas da loja não lhe ocorrer sequer em sonhos: "Então não viste que trazia as calças rotas no joelho? Caiu, rompeu-as e deve estar toda esfolada!".

* a menina sou eu, of course. Independentemente dos 31.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Como o bom humor se vai depressa

Em Portugal o meu tom de pele de Inverno é naturalmente amarelado - sou morena, mas não muito, pelo que nunca perco todo o bronzeado do Verão nem chego a ficar completamente branca - ou seja, fico amarelada. Odiava com todas as minhas forças essa cor de ictrícia com que tinha de desfilar por Lisboa alguns meses por ano até me ver com a cara com que fico nos Invernos holandeses... Ou seja, a cara que tenho de Outubro a Maio. Aqui, não há bronzeado de Verão que resista, nem marca da aliança tenho e o frio transforma a minha cor pálida (apesar da falta de sol não consigo chegar ao tom leitoso da pele dos que são mesmo, mesmo brancos) num avermelhado com manchas que não lembra ao diabo. Juntem a isto as gotas de chuva que se vão acumulando (remember, aqui ninguém usa chapéu-de-chuva por menos que um dilúvio) e terão uma ideia do meu aspecto, agora que acabei de chegar da rua. E, para eu não me esquecer da triste figura que passeio por Amesterdão, mesmo em frente à porta da entrada de casa tenho um espelho gigantesco. Pareço um russo que abusou do vodka, e não há muito que possa fazer - a minha pele da cara quase não suporta creme hidratante (nem com o frio que aqui faz!), quanto mais cremes e bases e sei lá mais o quê que lhe desse cor... Como devem ter percebido, o solzinho de ontem já se foi. E com ele, a boa disposição. Agora, chove. E dão neve para amanhã. Aaaaargh!

Pensava que isto já não se usava...

... mas parece que estava redondamente enganada. Um antigo colega da escola foi pai... nada de novo, por enquanto... o grande espanto é que a criança foi fruto de uma one night stand. Ou seja, o velho e mítico golpe da barriga! Rapaz comprometido enrola-se com outra rapariga (não sei pormenores) chegam a vias de facto e surge uma gravidez. O rapaz continua comprometido mas a rapariga da one night stand resolve ter a criança - e voilá!, temos mais uma criança neste mundo. Lindo!

P.S.1 - atenção que não estou, de forma nenhuma, a defender o menino que resolveu ir molhar o bico fora de casa... Fosse comigo e já tinha levado um belo par de patins - de gelo, que deslizam bem mais rápido. Mas, convenhamos, fosse eu a rapariga da one night stand (imagem um bocado estranha da minha pessoa acaba de formar-se na minha cabeça) e não tinha tido a criança!
P.S.2 - ah e tal, viva a família tradicional, é o casamento (e a adopção) gay que vai desvirtuar a nossa bela sociedade; vê-se!
P.S.3 - meninos (que não lêem este blog), tenham cuidado com o vosso general... mantenham-no dentro das calças ou, pelo menos (é pedir assim tanto?) usem preservativos! (Ai não que não tinha levado com os patins... nojo!!!)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Zen

É nestes dias que melhor consigo apreciar a cidade onde vivo. O sol que (pelo menos hoje) brilha no céu, as pessoas, as bicicletas, os passeios planos e desimpedidos, a forma como tudo está tão próximo que, apesar de já viver no sul de Amesterdão, posso perfeitamente ir ao centro a pé, aventurar-me mesmo até à estação central, e regressar a casa dando a volta pelo oeste (ou, como se costuma dizer, dando a volta pelo bilhar grande) e chegar relativamente descansada e, o que é melhor, profundamente satisfeita e em paz.
É uma pena que "estes dias" impliquem estar saciada de familiares, rejuvenescida pelos amigos, saturada de Lisboa (o caos no estacionamento e a chuva constante e torrencial conseguem esta proeza, apesar de durar pouco) e, portanto, satisfeita por ter um tempo só para mim, para divagar e olhar à volta com olhos e mente bem abertos.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

"Daqui para a frente só pode melhorar!"

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Ahahahahah!
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Começa bem

Em menos de 12h em Lisboa já me caiu em cima uma mini-tromba-d'água (isto na onda dos mini-tornados que andam frequentes no nosso país). O caudal de lama, impossível de conter no desnível entre o passeio e o alcatrão, subiu o passeio. O bogas passou de azul a castanho, no lado do condutor (ainda por cima). O lado positivo? Daqui para a frente só pode melhorar!*
* conforme acabo de teclar já ouço uma nova chuvada a fustigar a janela... Já estou a ver que acordos com o Cornudo valem tanto como apelos ao São Pedro (e esta, hein?).

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Deviam ser todos assim!

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Noticia o Público, desde ontem, que um edifício que ruiu em Lisboa foi também capaz de realojar 5 pessoas*. Sim, realojou-as - ou pelo menos é o que anunciam! Titula o Público (avisando da autoria da Lusa - pérolas destas não devem ser plagiadas): Edifício em Alfama desaba parcialmente, realojando cinco pessoas. Não sei exactamente de quando data o edifício mas, situando-se num dos bairros históricos da capital, será provavelmente um prodígio de tecnologia centenária, com certeza já perdida, ou uma maravilha das mais modernas invenções. Eu defendo que o caso seja investigado a fundo e seja obrigatório (eu ia dizer por lei, mas essas valem o que valem) que todos os congéneres edifícios possuam a mesma faculdade - em caso de desmoronarem, continuam a poder realojar os seus antigos (e actuais) moradores. Chegámos, sem dúvida, ao séc. XXI da arquitectura!
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* O jeito que isto não dava aos desgraçados da Madeira...
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Vou-me

Em busca do sol e de temperaturas mais amenas.
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(foto daqui)
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sábado, 20 de fevereiro de 2010

A woman's got to do what a woman's got to do

Depois de estudar diariamente o weather.com Lisboa/Gago Coutinho (que raio, ou melhor, onde é Gago Coutinho?!) e de ver a cada visita mais um dia da minha ida a Portugal marcada por outra nuvem cinzenta e, ainda por cima, chorosa, resolvi fazer um pacto com Satanás. Sim, que isso de pedir ao São Pedro já se viu que não resulta*. Aqui vai. Exmo. Sr. Diabo, se me der o prazer de ver e gozar o sol nos dias que passarei à beira Tejo, vendo-lhe a minha alma** (sim, primeiro quero provas, só depois vendo seja o que for!). O preço está ainda aberto para discussão (mas já sei que incluirá muitos e muitos dias de sol encomendados desta vez para a altura do Verão), caso se confirme que mais de 80% dos dias do final de Fevereiro são de sol (não achavam que ia vender a minha alminha por dá cá aquela palha, pois não?). Esforce-se, Satã, empenhe-se, Sr. Cornudo, que esta alminha vale ouro!

* Estás a ver, santinho de vão de escada, o que me fazes fazer?!? Se fosses um gajo como deve de ser trazias todas as nuvens previstas para Lisboa (pronto, vá, para Portugal, que parece que o país já quase virou pântano) para os Países Baixos, que aqui já há tantas que mais umas ninguém nota e eu escusava de fazer um acordo com o gajo lá de baixo ainda antes dos 31!
** Primeiro passem uns meses no Inverno holandês (ou outro aqui por estes lados) e depois venham criticar, boa?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Tudo tem um lado positivo

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Uma vantagem de quando neva... é que quando neva não chove.
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Estou chocada

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O Inquisidor que há em mim veio à tona...
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Um pouco de rigor, não peço mais

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Um livro de História que menciona Espanha no tempo dos Romanos faz-me pensar na salamandra que aquece a sala da minha mãe...
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Acontece que não pode

Apesar de no site dizerem cats and dogs up to 6 kg, o que querem dizer é: cats and dogs that, with their bag, weigh up to 6 kgs. Isto é informação errónea. Pensei que isto não acontecia nos países desenvolvidos. Pensei que isto não acontecia nas empresas dos países desenvolvidos. O que está no site tem de ser informação oficial e tem de ser absolutamente explícita. Por exemplo, na TAP dizem "O peso total (animal mais contentor) não pode exceder 7kg". Na KLM o que diz é cães até 6 kg, nada mais. Resultado? Não viajo com a KLM, mas sempre com a TAP.
A falta das minhas viagens não lhes faz diferença alguma, mas a mim, sim. Se fossem à falência, ria-me. Se pudesse, enviava para os voos deles os passageiros mais chatos, porcos e mais mal-educados. E todos os cães e gatos que com a mala pesem até 6 kg, mas com litros e litros de água no bucho, o avião havia de escorrer mijo quando aterrasse. E às dúzias de Miriams, Zéleidas e Dorotéias que estão no helpdesk, cuspia-lhes na cara, uma a uma. E isto é porque já passaram uns meses desde que me chateei com eles, a raiva já abrandou.

Digam-me lá

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A Luna tem 5,9 kg e a caixa onde a levo está dentro dos parâmetros (é uma travel bag com 105 cm). Posso levar a Luna comigo na cabine quando viajo com a KLM?
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Consolação à portuguesa

Coitadas de vós, meninas semi-nuas dos Carnavais portugueses... Um frio de rachar, chuva a potes e vocês de biquini a sambar. E se eu vos disser que me asseguraram que há um sítio qualquer aqui nas Terras Baixas (raios partam a minha falta de memória para nomes esquisitos de cidades holandesas!) onde também se copia o Carnaval do Rio e há meninas de biquini a sambar pelas ruas (literalmente) congeladas do dito burgo... sentam-se menos ridículas? Pois. Porque aqui ainda faz mais frio. É o consolo habitual do português*: não faz mal estarmos mal, olha ali os outros ainda pior!
* contra mim falo, atenção, pois apesar de não me dar para bailar semi-nua no meio da rua (seja com que temperaturas for), tantas e tantas vezes uso este (triste) argumento para me consolar...

Já tinha saudades*

Estou novamente a ouvir o violoncelista que vive por cima de mim - acho que não dava por ele desde antes do Natal. Já pensava que lhe tinha acontecido alguma coisa, coitadinho, um rapaz tão novo (vi-o uns tempos antes com o trambolho às costas na entrada do prédio) ou que, azar do azares, tinha mudado de casa - abrindo a possibilidade de vir para cá morar alguém que tocasse algo bem pior que um violoncelo... Mas não. Deve ter andado em tournée. Agora voltou. A minha enxaqueca confirma-o.
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* mentira, não tinha saudades nenhumas, estava tão bem sem este chato a buzinar-me ao ouvido dias inteiros...

Não estou de Acordo, nada a fazer

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Título de notícia na RTP: "Estações da Linha de Gondomar já estão batizadas".

Tantos e tantos anos a aprender a escrever e agora sinto-me quase analfabeta outra vez. Já não chega outras idiotices, como "pôr" e "for" (porque não levam ambas acento? Não me venham dizer que é porque existe "pôr" e "por", porque então também deveria existir "côr" - amarelo, azul, etc. - para diferenciar de "cor", de "saber de cor"!), agora desaparecem as "consoantes mudas" - a mim ensinaram-me que elas não se lêem, mas têm como objectivo abrir a vogal que está antes... assim para se ler "bátizadas" e não "bâtizadas" - e outros tantos acentos, fazendo com que a ordem do verbo parar "pára imediatamente" passe a escrever-se "para imediatamente", o que é claramente muito mais fácil de entender e não se presta a confusões nenhumas... Isto para não falar das maiúsculas que desaparecem dos dias da semana e dos meses. Porquê? Que diferença faz fevereiro ou Fevereiro? Quem percebe um percebe o outro, mas para mim é bastante mais fácil compreender que alguém que escreve Segunda está a referir-se a um dia da semana do que se escrever segunda. Por outro lado, demoram décadas a oficializar letras do alfabeto - já quando eu andei na Primária a professora explicou a existência do k, w e do y e o seu uso em algumas palavras mas só agora é que esta explicação passa a oficial! Passados vinte e tal anos!
Já li várias defesas do acordo ortográfico. Com atenção, que eu gosto de saber e para isso preciso de compreender, dado que tudo o que é decorado depressa se esconde nas muitas pregas do meu cérebro, para nunca mais ser encontrado. E, francamente, não percebo. Não acho que tenha lógica e não me parece que facilite a compreensão de uma língua que já é tão complicada. Além disso, este acordo faz com que haja muito mais regras da língua escrita cuja justificação é "porque sim". E se havia coisa que me fazia urticária nas aulas de gramática portuguesa era o "porque sim"...
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P.S. - Dobrar-me-ei, eventualmente, à escrita oficial, eu sei que sim, mas vai ser por obrigatoriedade e sempre com um travo amargo na boca.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A vida em Amesterdão tem destas coisas #6

Soma:
1 canal congelado
+
1 bicicleta estacionada contra o gradeamento da ponte
+
5 pares de dedos congelados pelo frio

Resultado? Chaves dos cadeados no canal (congelado).

Solução? Um cordel com um íman na ponta.

Pergunta óbvia: onde arranjou a rapariga um íman? Trá-lo na mala, em caso de necessidade?!?

Xpectations

A vida é feita de expectativas... Como âncoras colocadas lá à frente, bem ao longe, onde o barco que somos vai chegar um dia. E a vida é como o vento, empurrando a nossa nau, umas vezes depressa, outras devagar, mas sempre em frente, fazendo com que eventualmente cheguemos às âncoras que, até agora, serviram para orientar a nau na direcção certa, apesar de ventos e tempestades. E nós remamos, com todas as forças e o máximo de jeito. No entanto, a grande questão é: agora chegados àquela âncora, teremos condições de a levantar do fundo do mar para continuarmos a navegar? Se sim, óptimo, mas quando não temos forças, ou quando não se proporciona, essas âncoras ficam para trás e ao invés de servirem de guia, servem de lastro. O lastro de objectivos por cumprir. A prender-nos. Para continuarmos em frente é preciso fazermos duas coisas: começar por cortar a corda que nos prende ao lastro e atirar, com todas as nossas forças, novas âncoras, fresquinhas, lá bem para o fundo, onde continuarão a guiar-nos na direcção certa. É tudo tão bonitinho e fácil, assim por escrito e no plano abstracto...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Live life

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That's all we can DO.
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Inteligência canina

Apresenta-se sob duas formas:

a) inteligência para aprender o que o dono quer ensinar;

b) inteligência para ignorar as idiotices que o dono tenta ensinar e continuar com a sua vida.

Sendo que hoje em dia muita gente educa melhor o cão do que os filhos, creio que a) está um pouco sobrevalorizada. Por outro lado e pelo menos no nosso (neste caso não tão) querido rectângulo, com a quantidade de bestas que resolvem abandonar os seus cães pela rua, b) parece-me de alguma importância. Por último, sendo que a) nos deixa muito satisfeitos, b) não deixa de ter a sua piada.
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Luna linda

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Dizem os experts do comportamento animal que se deve elogiar e premiar sempre o bom comportamento do cão (ou da cadela, no caso presente) para que o bom comportamento vá sendo inculcado naquelas mentes muito inteligentes para o que lhes dá na gana. A minha versão de incentivo é "Luna linda!". Ora esta expressão confunde uma vizinha de rua, também dona de um cão que, apesar de americana de nascimento sabe o que linda significa (bela) e que é também um nome (obrigada Linda Evangelista!). E não se conforma com a minha expressão de incentivo. Não sei, acho que para ela "Luna linda" não faz sentido. Eu sei que é muito mais fixe dizer "good girl" ou "well done" mas a minha Luna não fala inglês, "boa menina" soa mal ("menina boa" nem merece consideração) e "bem feito" ela ainda leva a mal. A última pergunta da americana sobre o assunto foi "Why didn't you call her Linda?" e eu pensei cá para comigo enquanto debitava uma outra desculpa qualquer, ora que bonito havia de ser, de cada vez que ela se sentasse eu pôr-me a dizer "Linda linda!. O treino devia funcionar imenso...
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Continuo a não conseguir

ler avisos na estrada que estão escritos de baixo para cima, em duas ou mais linhas. Quem teve a brilhante ideia deve ser adepto de uma das seguintes teorias: a) quando se vai a conduzir só se consegue ler as palavras escritas na estrada pela ordem em que aparecem à nossa frente ou b) assim tens mais tempo para ler, porque vais a andar com o carro, lês a palavra mais próxima de ti, conforme o carro continua a avançar lês a palavra do meio (se existir) e, dado que o carro não pára para lermos o que está escrito no chão, lês por fim a última (ou primeira, mas não quero estar a confundir-vos) e ficas a saber onde te levará aquela estrada (em princípio e se vocês já conhecerem mais ou menos o caminho, que as indicações nas estradas portuguesas não servem para ajudar ninguém a chegar a lado nenhum, mas isso é uma outra conversa). Dou-vos exemplos. Na maravilhosa rotunda do Centro Sul, em Almada, existe uma saída para a

...................Piedade
.......................da
.....................Cova
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e outra para a
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...................Caparica
........................da
.....................Costa.
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Os muito espertos (ou nem por isso) não precisarão de descodificação, até porque escrever ao contrário (só de baixo para cima, que isso de escrever da esquerda para a direita é coisa de génios como o Da Vinci) é o pão nosso de cada dia nas estradas, mas para os outros estas são as saídas para a Cova da Piedade (não vou hoje explanar-me sobre a poeticidade de tal nome) e para a Costa da Caparica (que, não sendo um nome poético como o outro tem pelo menos a sua história, sendo que essa também ficará para outra vez). Mas não se pense que esta moda é exclusiva do nosso rectângulo. Aqui também têm a mania, ainda ontem reparei numa faixa do eléctrico que dizia:
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......................Lijn
.....................BUS
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Que é como quem diz BUS lijn ou, melhor ainda, faixa para transportes públicos.
Será que os semi-analfabetos lêem com mais facilidade assim? É que eu, que até na casa-de-banho gosto de ler qualquer coisa e já cheguei a entreter-me com as composições em latim de chapôs e outros produtos de higiene, não consigo ler de baixo para cima, nem quando vou em andamento, não consigo ler de uma forma que, para o meu cérebro, não deixa de ser ler do fim para o princípio! Agora, leitores e frequentadores aqui do aquário, sendo vós criaturas inteligentes, conseguem ler estas coisas ou cada vez que passam no Centro Sul (ou outro local do vosso agrado) também lêem Piedade da Cova e Caparica da Costa e sorriem sozinhos no carro perante a idiotice?.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Questões (mais ou menos) pertinentes

Então aqui vão as respostas às perguntas chegadas através da Guilhim:

Questão 1: Tens medo de quê?
Com a idade (em miúda era macaco, não tinha medo de nada) desenvolvi um certo medo das alturas, no topo de arranha-céus ou de precipícios sinto um apertão nos músculos das coxas que não é brincadeira!

Questão 2: Tens algum guilty pleasure?
Quando estou mesmo necessitada ataco uma lata de leite condensado... mas como aquilo me enjoa acabo a deitar a maior parte fora!

Questão 3: Farias alguma loucura por amor/amizade?
As loucuras não são bem o meu estilo...

Questão 4: Qual o teu maior sonho? Responder paz, amor e felicidade é trapacear;)
Voltar a Portugal.

Questão 5: Nos momentos de tristeza/abatimento, isolas-te ou preferes colo?
Prefiro companhia, mas sem colo - distraiam-me para esquecer as mágoas.

Questão 6: Entre uma pessoa extrovertida e uma introvertida, qual seria a escolha abstracta?
Extrovertida. No entanto, se analisar a realidade tenho de concluir que tendo a escolher introvertidas...

Questão 7: Sentes-te bem na vida, ou há insatisfação além do desejável?
Não me sinto bem na vida, mas consigo viver bem comigo no meio desta vida...

Questão 8: Consideras-te mais crítico ou ponderado? Sabendo, contudo, que existem críticas ponderadas.
Acho que cada vez mais ponderada nas respostas e mais crítica nos pensamentos - a vida ensinou-me a não discutir a sério com quem não vale a pena discutir.

Questão 9: Julgas-te impulsivo, de fazer filmes, paciente...? Define-te, de uma forma geral.
Paciência não é um dos meus apelidos, de certeza. Sou muito terra-a-terra, racionalizo, não faço filmes, tento sempre ver os dois lados e odeio perder o controlo.

Questão 10: Consegues desejar mal a alguém e, normalmente, concretizar? Sê sincero.
Poucas vezes desejei mal a alguém e em todas optei por me afastar. Sou, no entanto, rancorosa até dizer chega, se me pisam os calos e não se desculpam como deve ser não esqueço. Ignoro, mas não esqueço.

Questão 11: Contens-te publicamente em manifestações de afecto (abraçar, beijar, rir alto...)?
No geral, não. Mas como odeio incomodar os outros evito grandes manifestações de amor quando somos três e não grito, não pulo nem esbracejo no seguimento de uma gargalhada que, essa sim, me sai expontânea e bem alto!

Questão 12: Qual o teu lado mais acentuado? Orgulho ou teimosia?
O orgulho acentua ainda mais a minha teimosa de nascença. Mas sou boa pessoa, a sério que sim!

Questão 13: Casamentos homossexuais e direito à adopção?
Se quiserem mesmo saber leiam-me aqui, que gostei muito deste meu post.

Questão 14: O que te faz continuar o blogue?
Não ter nada para fazer! Mas tenho de admitir que este mundo me diverte cada vez mais.

Questão 15: O número de visitas e comentários influencia o teu blogue?
Não vou dizer que não gosto de ser lida e comentada, se fosse assim escrevia um diário e não um blog. Mas não escrevo para conseguir audiências!

Questão 16: Na tua blogosfera pessoal e ideal, como seria?
Não tenho a certeza se percebi a pergunta... Se é para saber como seria a blogosfera se eu mandasse nisto tudo, então, seria igual ao que é. Cada um escreve o que entende, se gosto leio, se não, ignoro. Se odiar mesmo apago da minha lista e nunca mais lá volto. Paradise... (Nunca tive problemas com anónimos mas mesmo esses é possível bloquear)

Questão 17: Deviam haver encontros de bloguistas? Caso sim, em que moldes? Caso não, porquê?
Não vejo porquê. Grande parte do gozo disto é o anonimato e eu sou muito conservadora na escolha de amigos e conhecidos. Se dois bloggers decidirem que querem conhecer-se é fácil, combinem, não são precisos "encontros".

Questão 18: Sabes brincar contigo e rir com quem brinca contigo? Sem ironias.
Não tenho problema em que brinquem comigo, já se começarem a gozar a coisa muda de figura...

Questão 19: Quais são os teus maiores defeitos?
Falta de iniciativa.

Questão 20: Em que aspectos te elogiam e/ou achas ter potencialidades e mesmo orgulho nisso?
Só em duas ocasiões: quando me dizem que pareço mais nova do que sou e quando me elogiam porque fiz algo bem - odeio que me dêem graxa.

Questão 21: Entre uma televisão, um computador e um telemóvel, o que escolherias?
O computador, nem é preciso pensar duas vezes!

Questão 22: Elogias ou guardas para ti?
Elogio, sem problemas. Mas por vezes também devia criticar mais.

Questão 23: Tens humildade suficiente para te desculpar, sem ser indirectamente?
Creio que sim, já o fiz, mas o melhor é, efectivamente, evitar fazer asneiras.

Questão 24: Consideras-te, de grosso modo, uma pessoa sensível ou pragmática?
Pragmática. A sensibilidade tinha esgotado quando me fizeram.

Questão 25: Perdoas com facilidade?
Acho que tenho tido muita sorte e ainda não precisei de perdoar nada grave. Ou seja, não sei.

Questão 26: Qual o teu maior pesadelo ou o que mais te preocupa?
Uma coisa que sempre me tirou o sono foi a possibilidade de ter um acidente de carro e magoar alguém, seja noutro carro, um peão ou alguém que viaje comigo. O cinto de segurança é duplamente obrigatório no meu bogas - é pelo Código e por mim!

Como parece não haver regras vou inventar: passo as perguntinhas à momentU, à Andorinha e à Fuschia.

É que é sempre à 2ª!

Como já sabem, sou uma pessoa extremamente ocupada e que tenho imensa necessidade de sair de casa e aturar o tempo que faz lá fora. Aliás, se eu não saísse de casa um dia pararia a economia, e não só a dos países baixos, mas a portuguesa também! Posto isto, há que considerar o espanhol à 2ª - ou seja, a minha única obrigação com local definido e horário imposto. Ora o que eu tenho neste momento a dizer sobre as aulinhas de espanhol é que me entretêm a cabeça* e me congelam o cérebro. Ontem estavam uns maravilhosos -4ºC (feels like -10ºC!) quando saí de A'dam, às 16h30, agora às 23h, quando cheguei, nem vi para não me assustar. Nas (muitas) 2ªs-feiras de espanhol deste Inverno já me caiu em cima uma chuvada que fez os holandeses presentes falarem em falta de comboios (e eu a pensar como é que volto para Amesterdão sem comboios?!?), já me nevou em cima (várias vezes) e já me trovejou mesmo por cima da cabeça (apanhei um susto daqueles). Ontem ia congelando (mais uma vez) com o ventinho que se fazia sentir. Com tanto dia da semana, tinha de ser à 2ª?

* porra, o raio dos pronombres me hacen la cabeza en agua (vêem, vêem? estou quase hispanohablante!!)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Poupadinha, eu?

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Não sei de onde tiraram essa ideia!
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P.S. - caso seja difícil identificar, é o que resta de uma bisnaga de creme para as mãos, tinha originalmente cerca de 10 cm de comprimento.
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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Lá no fundo eu até sei

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Se nós tivermos de ficar na Holanda eu terei de aprender holandês. Ninguém fica permanentemente num país sem saber a língua... Por isso, enquanto não souber holandês, sei que esta estadia não é definitiva. É o meu refúgio, por idiota que soe.
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

É mesmo só para tirar o outro post do lugar de destaque

Ando meio sem inspiração para escrever, ainda não percebi porquê, mas o último post que publiquei é mau de mais para estar em posição de destaque tanto tempo. Para tentar arranjar o que escrever mergulhei de cabeça nos jornais nacionais online. O problema é que esqueci do escafandro e parece não haver oxigénio para respirar nestas páginas. É o Mário Crespo para a frente e para trás, e se às notícias parvas juntarmos os comentários dos leitores, obtemos uma mistura letal, autêntico dióxido de carbono. Depois é o Belmiro que disse que o Cavaco é um ditador, e que foi ditador numa ocasião ou outra mas que afinal não é ditador na totalidade, foi uma maneira de dizer. E é o conselho de Estado convocado por Cavaco quando este percebeu que as ameaças de Sócrates se demitir eram para ser levadas a sério, ao mesmo tempo que o gabinete do PM diz que este nunca disse a Cavaco que se iria demitir. E Rosa Lobato Faria, falecida, como sempre grande senhora e grande actriz e grande portuguesa e grande escritora e grande tudo agora, depois de morta. Se lhe tivessem dado um terço da atenção que lhe dão agora aquando da edição dos seus romances eu já teria lido pelo menos um e agora escusava de me sentir ignorante por nunca ter ouvido falar deles. Estou enjoada e enojada e não sei se é só por falta de oxigénio ou mesmo por excesso de dejectos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Foi para isto que inventaram o Skype

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Eu: Olá, amiga! Como estás?
Ela: TOU A ATURAR UMA P***A AO TELEFONE
Eu: :D (= emoticon giro que se ri à gargalhada)
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Sand and water

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Solid stone is just sand and water, baby, and a million years gone by.
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Beth Nielsen Chapman

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nunca vou entender a moda

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Estão a ver foto acima? Reparem bem na roupinhas. Devem ser peças de marcas conhecidas e um especialista nestes assuntos provavelmente diria que é um conjunto fantástico, os sapatos não-sei-quê e a saia do não-sei-quantos a combinarem na perfeição com a camisolinha não-sei-que-mais. Ora eu, ao apreciar (criticamente) este conjuntinho, para além de ter a certeza que custará mais do que o recheio de grande parte do meu guarda-roupa, diria o seguinte: camisola às riscas com saia com padrão? Mas eu pensava que as t-shirts às risquinhas, além de serem próprias para ir fazer jogging, só jogavam bem com lisos... e, além disso, vai com sapatos de salto agulha! Péssimo para o jogging! E, já que falamos de sapatos, a sério, sapatos castanhos com meias cinzentas?!? Que combinação horrível, odeio a mistura de cinzento ou preto com castanhos e cremes. E eu até sei que se tornou moda este ano, mas cá para mim... Nããã! Creme com castanho, cinzento com preto, nada de misturas. E a pasta / mala que leva na mão, tem dois tons, castanho e creme, mas nada a ver com o tom e material dos sapatos! Não me digam que não havia nada do tom dos sapatos no guarda-roupa ? (Imagino o guarda-roupa que estas pessoas devem ter, no meu às vezes há coisas que não combinam com nada, mas eu sou esquisita, nem tudo me assenta bem nas curvas, sou forreta e ninguém me oferece roupa à borla!)

Pronto, isto é o que tenho a comentar sobre a indumentária. Resumindo, eu, para a moda, não dou. Sim, porque o defeito não será com certeza dos estilistas, nem de quem escolheu o conjunto, mas meu. Resigno-me a gostar do que gosto, independente (ou dentro) do que a moda de cada estação me permite... e o bolso também.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Ontem no cinema

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Que filme fui ver? Se era bom / eu gostei? A sala estava cheia? Who cares? Ao meu lado um inglês limpava o sótão dos seus (muitos) habitantes indesejados e de seguida procedia à sua remoção das unhas usando os dentes e os espaços entre eles.*

* Ainda bem que nestas bandas não há lugares marcados e que toda a gente tem o saudável hábito de deixar um lugar vago entre cada pessoa / grupo / casal.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Isto só neste país!

Podia ser só no nosso rectângulo (há lá frase feita que mais repitamos em relação a Portugal do que a que dá título a este post?) mas não é. Aqui na Holanda também há tanta coisa a funcionar mal... Nos últimos tempos têm acontecido umas interessantes! No job do mariduncho descobriram que durante quase um ano andaram a calcular-lhe mal o ordenado (não exactamente o ordenado, mas uns perks a que ele tem direito) e a cobrar indevidamente a percentagem para a segurança social. Sorte nossa, no final ficou a ganhar, olhem se tivesse de devolver dinheiro?! Mas... como é que se enganam durante meses a fio a pagar a um trabalhador e não dão por nada? Já a empresa que trata dos impostos só há pouco acabou de tratar da nossa papelada relativa ao ano fiscal... 2008! Entregaram tudo. Vai haver multas por atraso? Não sei. Diria que sim. Mas quem as pagará, se houver? É que eles tinham a documentação toda, só não se despacharam antes porque "têm muito trabalho"*. E agora a UPC. Fizeram não-sei-o-quê que enfraqueceu o sinal que vem da rua e como resultado o sinal dentro de casa chega mais fraco e não dá para separar a linha para a sala e quarto - ou melhor, dar, dá, mas a net não funciona. Para perceber o que se passava a UPC marcou-me um técnico que viria no dia seguinte ao telefonema, entre as 13h e as 18h. Às 18h30 não tinha aparecido ninguém. Ligo-lhes de novo, do telemóvel porque o telefone foi-se com a net, dizem-me que não há visita nenhuma de um técnico agendada para mim. Não há? Como? Ah, a colega enganou-se. Ok, passa, quando pode então vir o técnico? Só para a semana, respondem. Bem, uma semana sem net, aqui, não dá com nada. Ainda insisti, mas acabei por me conformar. Na semana seguinte lá espero eu pelo técnico, desta vez deveria vir entre as 8h e as 13h. São 12h30 e ainda não veio ninguém pelo que resolvo ligar. Lá vai barão em telemóvel outra vez para ouvir que... não tenho nenhum técnico agendado. Pronto, aí passei-me eu e lixaram-se eles. A net tinha voltado, subitamente, na 6ª-feira anterior e eu tinha ligado à UPC para saber se havia de desmarcar o técnico, sendo que a resposta deles foi "Não, deixe estar marcado, é já para a semana e a força do sinal continua estranha, é um milagre ter internet". Ou seja, na 6ª-feira havia um técnico agendado e na 3ª tinha desaparecido do sistema, não?!? Tiveram de ouvir que estavam a mentir. E que este era um serviço do piorzinho que já vi. E que era uma falta de respeito. E que, principalmente, queria um técnico e já! Lá veio um técnico, lá teve de vir outro no dia seguinte e acabámos nós a resolver o problema com uma ajudinha do senhorio. Ai, havia de ser no nosso rectângulo... iam ver a reclamação no livro!**

Pois é... só neste país...

* a sério, foi a justificação que deram ao mariduncho quando ele ligou para lá...
** e não só... é que, soubesse eu reclamar em holandês e haviam de ver! Se há coisa que faço bem é reclamar quando me pisam os calos. Agora reclamar noutra língua não dá com nada!

Nikky

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Estou a ficar uma senhora.

Quando saía do trabalho, um tipo ultrapassou-me, virou-se para trás e disse-me "O que eu gostava de te ver a f*der-me". E virou-me as costas.
Eu tive vontade de tirar uma batata ou uma maçã dos caixotes de madeira que estão à porta da mercearia onde passava, atirar-lha à nuca, passar por ele e dizer-lhe "F*di-te! Gostaste?".
Mas até eu tenho limites.
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* porque a semana está a terminar e porque gostava que estas respostas me passassem pela cabeça na altura certa e de não ter limites para as dizer.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Lisboetas

O pessoal do resto do país revolta-se quando ouvem que Lisboa é Lisboa e o resto é província. Compreendo-os - o resto não é Lisboa (estou a falar apenas geograficamente) mas não será necessariamente província. A mim irrita-me o texto (tenho a certeza que até já o li em blogs, mas não me lembro quais!) de um autor conhecido que diz que ninguém é lisboeta, que todos os lisboetas têm raízes noutros locais. Ora não há lisboetas o caraças (e é para não dizer outra coisa, bem à moda do Norte!). Tenho alguns bisavós lisboetas e três avós que nasceram em Lisboa. O outro era da Costa da Caparica. Os meus pais nasceram e viveram toda a vida na Grande Lisboa e eu nasci e vivi toda a vida (até vir desterrada para o país dos moinhos) em Lisboa. E não sou lisboeta?!? Ora, poupem-me as generalizações da tanga.

Coragem

A impressão que me faz ainda haver pessoas a serem salvas dos escombros do(s) terramoto(s) no Haiti é tanta que não dá para descrever. Viver o terramoto. Ficar soterrado. Ter, por um qualquer acaso, água à disposição e um espaço que permita a existência de ar. E sobreviver, dia após dia, sempre com alguma esperança, a suficiente para não desistir, poupando na água com toda a consciência de quem não sabe quanto tempo levará até darem connosco. Curvo-me perante tamanha força.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Cenas de gaja

Está frio. De tal maneira que ando sempre, mas sempre, de luvas, cachecol e gorro. Saio de casa - põe luvas, cachecol e gorro. Entro no supermercado - tira luvas, cachecol e gorro. Termino as compras, volto para a rua - põe luvas, cachecol e gorro. Chego a casa - tira luvas, cachecol e gorro. Isto de cada vez que saio de casa e não exclusivamente quando vou ao supermercado. Além do profundo tédio que este ritual (não, não é só o texto que está chato) já me causa, ainda tenho de sofrer com o flagelo da electricidade estática no cabelo. Esfregar lã no cabelo, como qualquer gaja sabe, tem uma única consequência: pô-lo a voar. Agora experimentem passar 3 coisas de lã no cabelo de cada vez que entram e saem de um local aquecido (ou seja, todos). É vestir o casaco e tirar o cabelo de lá de dentro (o cabelo começa a voar). É colocar o cachecol e soltar o cabelo, novamente preso (madeixas inteiras levantam-se até ficarem paralelas ao chão). Enfiar o gorro (ao forçar as madeixas acrobatas a voltar à posição vertical dá-se uma autêntica revolta capilar manifestada através de estalos e estalidos extremamente incomodativos). Restam as pontas, ainda longas, da melena histérica em plena histeria, abanando-se como se estivessem no meio de um temporal até serem inexoravelmente atraídas pelos lábios - cobertos por uma espessa camada de baton anti-cieiro. Solução? Tirá-las com as mãos. Previamente cobertas pelas luvas. Que, sendo de lã, provocam ainda mais electricidade estática.

Ou este frio se vai ou ainda me dá um vaipe* e corto o cabelo à rapazinho.

* ora aqui está uma palavra que uso regularmente na sua forma oral mas que não faço ideia como se escreverá.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Eu vi um pato

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a bater o bico. Estaria com frio?
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Façam o que eu digo, não o que eu faço...

Ele há sol. E ele há neve. E ele há idiotas (também conhecidos como Goldfish, Goldie, Golden e mais um par de nomes menos anglo-saxónicas) que se esquecem de onde puseram os óculos de sol da última vez que os usaram e que por isso resolvem ir ao supermercado sem eles. Para quem nunca viveu com neve e que também nunca foi esquiar com sol, aprendam: sol + neve = cegueira por excesso de lágrima**. Eu acabei de aprender.
* porque será?
** esse excesso tende a escorrer pelas faces, congelando ao entrar em contacto com a pele, desculpem, o ar frio. Não é agradável.

Superstições (?)

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Partir um espelho dá sete anos de azar (daí evitar olhar muito para os que tenho, não vá partirem-se de susto).
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Soberba e outras não-qualidades

Eu também sofro de peneiras várias. Tenho a mania que escrevo bem, que a minha capacidade de raciocínio estará (um pouco) acima da média, que tenho alguma cultura (não muita, que há cultura muito chata e eu não consigo ter paciência), que sou resiliente e que as agruras normais (e não tão normais) da vida não me consomem e sinto um desprezo (que tento calar ao máximo, acho-o horrível) pelos que sucumbem a vícios menores ou maiores nas suas vidas - como se eu não sucumbisse, se não a esses, a outros (é por isto que o acho horrível, apesar de não o conseguir evitar). Mas há pessoas que sofrem de uma quantidade tão exorbitante de peneiras que me deixam estupefacta - e os blogs são um dos melhores locais para arejar essas manias. Acabei de ler um texto tão pedante e cheio de desprezo que me subiu a bílis à boca. Num blog conhecido, de uma pessoa inteligente, que escreve bem. Não procurem na lista ao lado, não consta. Nem constará, vou apagá-lo também da minha lista privada. Gostava de saber quanto de tanta soberba é realmente dirigida aos outros e quanto será, quem sabe inconscientemente, dirigida a si.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Nem acredito

Amesterdão está cheia de neve outra vez!


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Homens

Se há coisa que detesto é que venham homens desconhecidos falar comigo no meio da rua. Não estou a falar daqueles olhares que nos lavam a alma. Nem de algumas palavras, muito bem escolhidas, que nos acariciem o ego. Estou mesmo a referir-me ao meter conversa à descarada. Odeio. Não é que tenha medo ou por ser comprometida - é que não gosto de ser obrigada a falar com alguém que não conheço de lado algum. Julguei que aqui nas Lowlands estava safa, mas parece que não. Eu juro que fiz caras. Sorri um sorriso muito amarelo. Incluí um "não" em cada frase, em algumas, dois. Arqueei as sobrancelhas de forma depreciativa e abstive-me de responder quando me perguntou o nome. Custou até a lapa despegar. E quando despegou, o que fez? Entrou na sexshop que havia naquela rua. Lindo. Só comigo.

Superstições (?)

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Concordo com quem defende que andar com uma patinha de coelho dá sorte (eu ando com quatro para todo o lado; são de cadela e vão de motto proprio, mas conta na mesma que eu sei).
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Capacidades

Há pessoas que sabem fazer coisas tão interessantes e elaboradas como coser... até cerzir. With a needle in my hands I can only scar. E não é uma cicatriz qualquer, mas daquelas com que se ficava antigamente, quando o importante era fechar a ferida e não ficar bonito depois. Tantas horas perdidas nas aulas de têxteis para isto.
P.S. - não é que eu tenha muita necessidade de coser ou pena de não o conseguir, mas de vez em quando lá acontece alguma coisa a uma baínha ou cai um botão e eu... estrago mais do que arranjo.