quinta-feira, 15 de abril de 2010

Avô querido

A alegria de o ter aqui comigo esbate-se um pouco com a percepção do quanto mudou nos últimos anos. Creio que será a falta de ouvido que o faz fechar numa concha, sempre calado, sempre para trás nos passeios, sem comentar ou opinar sobre seja o que for. Será o peso dos 89, going on 90, mas custa-me. Sinto-o só, apesar de acompanhado, e por muito que tente não o consigo chamar para ao pé de mim, para ao pé de nós. Não responde. Ou não ouve. Ou, quem sabe, não quer ouvir. Não recordo a brusquidão de certos comentários, a falta de paciência para tarefas que outrora eram um prazer, a brusquidão com que reage a coisas que antigamente apenas lhe mereciam um sobrolho franzido ou um abanar de cabeça. Tenho medo que se sinta mal, inútil, mal-amado, incompreendido. Mas acho que já não consigo chegar a ele. Tenho receio que já não sinta o nosso amor. Raios partam a velhice.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Correndo o risco de soar esquizofrénica:
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A mãe está a chegar! E o avô vem com ela! A mãe está a chegar! E o avô vem com ela! A mãe está a chegar! E o avô vem com ela!
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Fosse o que fosse,

passou! O caudal correu, o chuveiro limpou e o cérebro guardou. Preparei os cadernos e o estojo, espanhol aí vou eu - se há dias em que tenho de me agarrar às "obrigações", são estes! Chegada a Utreque, com o stress do comboio perdido seguido de outro atrasado e do ratinho que vi a pular alegremente ao longo do balcão da Coffe Company enquanto sorvia o primeiro golo de um latte acabado de fazer, a tristeza já se tinha evaporado.
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P.S. - Obrigada pelas palavras.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Blue

Há coisas que não se explicam e a neura que me percorre hoje o espírito é uma delas. Está um sol espectacular, tenho visitas já amanhã, a vida deve ir mudar de novo e de resto tudo está na mesma, menos esta tristeza que me pesa hoje como se me tivesse morrido alguém. E poucas coisas me mandam abaixo como a tristeza - desenvolvi uma capacidade (um pouco estranha, acredito, aos olhos de outros) que é a de não deixar a tristeza assentar em mim. Posso senti-la, muito até, mas por pouco tempo. Tenho que a despejar, expulsá-la do meu corpo, com mililitros de lágrimas que me queimam a face mas que desaparecerão com uns salpicos da torneira. E depois de lavada deixo-a para trás, pouso-a numa qualquer dobra da mente e sigo em frente, como se nada se tivesse passado. As coisas mais graves apago-as, mesmo. Tenho uma espécie de tecla delete no cérebro que apaga os contornos mais dolorosos das cenas, dos traumas, dos desgostos que me foram marcando e se há coisa que não suporto é comemorar datas tristes. Por precaução, o cérebro tende também a esquecer as datas importantes e felizes, mas esse é um preço que estou disposta a pagar. Quem sabe, hoje será uma data apagada. Mas presente, inconscientemente, nesta dor que me aperta o peito e na necessidade de chorar que me tirou antes do necessário da rua, pois nem óculos escuros disfarçariam convenientemente o caudal que se adivinha.

domingo, 11 de abril de 2010

Provérbios à moda do aquário

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Voltar a ter um vida social dá saúde e faz crescer (especialmente para os lados).
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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Está no ir

Pessoal do Norte, a minha Luna pediu-me que vos avisasse sobre algo que lhe toca no coraçãozinho. Chegou-lhe a notícia, muito à la 101 Dálmatas, de que vai haver um Jantar de Ajuda ao Refúgio das Patinhas, associação que recolhe, cuida e tenta arranjar um lar a patinhas tresmalhadas como ela já foi.
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O jantar é na Casa da Horta (perto da Igreja de São Francisco e do Mercado Ferreira Borges), restaurante conhecido e recomendado pela Rachelet - é favor irem ver. Custa 12,50€ (com sobremesa e bebidas incluídas) por pessoa, sendo que metade reverte em favor do Refúgio.
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Eu estou um pouco longe mas deixo aqui a notícia porque a Luna tem toda a razão: é uma óptima forma de juntar o útil ao agradável! Se quiserem podem até levar umas coisinhas (como remédios ou mantas, é ver no site) para dar, porque fazem sempre falta e o Refúgio das Patinhas (sobre)vive apenas com os nossos donativos.
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Vão por ela (e pelos seus amiguinhos)?
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Noite literária

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Já tinha saudades de uma noite mais cultural que ir ao cinema... Meti-me mais uma vez no comboio para Utrecht e fui assistir a uma palestra de Almudena Grandes. O tema era a memória e como ela é essencial para esta escritora construir os mundos que cria nos seus romances. De como para descrever os sentimentos tem de os ter sentido, de como para cada pessoa uma mesma experiência é diferente e, portanto, a sua descrição é também distinta. Falou do franquismo e de como é nascer e ser criada num regime e depois viver a vida adulta noutro, de Madrid, de Espanha e da religião em que foi educada e que posteriormente abandonou. 2ª-feira já vou tentar pedir emprestado mais um livro dela... Um dos meus, igualzinho ao que está aí em cima, veio autografado.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

PRECISA-SE

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PRIMAVERA a tempo inteiro, para começar o mais breve possível. Damos preferência se trouxer temperaturas agradáveis, árvores verdejantes, flores em barda e patinhos amarelos.

Ele há com cada um

Não tenho razões de queixa dos holandeses, sempre foram o mais simpático possível para mim. Nem dos vizinhos tenho queixas - excepção feita ao violinista. Mas há uma senhora que se deve ter mudado há pouco tempo para cá que me tira do sério. Não cumprimenta, não sorri, não fala, nada. Parece que lhe devo uma fortuna! Hoje ganhei o dia. Vinha a senhora cara de traseiro no elevador a descer quando eu o chamo. A senhora pensa que está no R/C, vai para sair, dá de caras comigo e com a Luna, apanha um susto do caneco. Pois, já me aconteceu o mesmo com outras pessoas - rimo-nos, comentámos e tudo fica bem. Com esta? Nem um sorriso, nem ao bom dia que tanto me custa a gaguejar em holandês respondeu. Valeu-me o susto (o dela, bem entendido). Parecia que tinha visto um Pastor Alemão...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ouch!

Qual é a melhor altura, qual é ela, para espetar uma farpa na palma da mão direita?
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Pois quando vamos estar 3 dias sozinhas em casa, claro!
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Ausência prolongada

Devido a preguiça extrema pós-fim-de-semana-prolongado e extrema vontade de terminar o livrinho que está alí do lado direito. Livro terminado (adorei), pode ser que a preguiça dê lugar a alguma sabedoria (só para contrastar com o que é costume por aqui).

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Qualquer dia usam a força

Quem quer voar num avião que não leva piloto? Quem quer pagar mais por isso*? Se pertences a este clube, fica atento à Ryanair que prevê realizar voos neste esquema já este ano. Caso seja relevante, os pilotos estão em terra e são capazes de "pilotar remotamente 'pelo menos uma dezena de aviões'". Ah, já agora, este grupo de pilotos à distância inclui, além de antigos pilotos e formadores com muitos anos de experiência, "'dois ou três' jovens considerados génios dos jogos-vídeo". Eu, comprava já, desde que me garantissem que o piloto remoto era um virtuoso da consola...
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* de acordo com as contas que vêm neste artigo, €20,49 de bilhete e taxas várias num voo com piloto in loco, €20,58 com o génio dos vídeo-jogos à distância.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Quem avisa, amigo é

Ora vamos lá a analisar duas coisas: a lua e uma bolacha. Para começar vê-se logo a diferença - "a" lua, única; "uma" bolacha, qualquer. O que têm a ver? Já verão, é favor esperar.
Comecemos com a lua. É um satélite da terra, algo longínquo e misterioso onde só duas pessoas (dizem) puseram os pés. Gerações e gerações de humanos consideraram-na uma deusa, compuseram canções em sua honra, sonharam acordados a olhar para ela. Agora, as bolachas. Bocado de farinha doce cozida num forno. Na sua maioria, sensaboronas. Na sua totalidade, hiper-calóricas. Coisa que se vende em supermercado - nem o glamour de ser vendida numa pastelaria tem. Não conheço canções em sua honra nem imagino que alguém algum dia tenha achado que uma bolacha era uma deusa. Posto isto, digam-me uma coisa: porque é que a maioria das pessoas, quando confrontadas com isto:

dizem "Ah, tão giro, carinha de bolacha!"?!? Não. Se querem fazer uma apreciação (eu sei que a intenção é boa) carinhosa da minha face digam "Ah, tão giro, tens cara de lua-cheia!". Eu sei que o objectivo é o mesmo, mas o resultado é completamente diferente - eu continuo a gostar de vocês ou odiar-vos-ei para o resto da vida. E sim, sou eu, hace unos años. E sim, continuo com cara de lua-cheia, apesar de não tanto.

Estou a preparar-me

para ir aqui



e aqui


e aqui...

Pode não haver muitos feriados, mas este ano vamos gozá-los até ao último minuto!

terça-feira, 30 de março de 2010

Viagem no tempo

Quem nunca quis ter um cão como o Tim? Quantas marias-rapazes não desejaram ter um nome que pudesse ser de rapaz, como Zé? Quantos não desenterraram as bicicletas da arrecadação depois de ler sobre um maravilhoso passeio pelo campo na companhia dos Cinco? Arrisco dizer que algumas até sonharam em ir internas para um colégio desde que as aventuras das Gémeas viessem incluídas no rol das disciplinas... Tudo isto devemos, nós, as de 30, e tantas outras gerações, anteriores e posteriores, à máquina de escrever que era Enid Blyton. Coincidência ou não, ontem vi na BBC parte de uma série sobre ela, e hoje deparo-me n'O Público com uma (excelente) peça sobre ela, os seus livros, e toda a polémica que, volta e meia, levantam à sua volta - vale a pena lê-la, aqui. Só me parece ter ficado uma coisa por dizer em defesa da senhora: ela viveu e escreveu livros nas décadas de 40, 50 e 60 do século passado e não hoje em dia. Ela escreveu durante a II Grande Guerra. Não se pode estranhar que usasse palavras como nigger - hoje impublicável - porque essa era a forma de expressão dos tempos que viveu. A família que retratou era aquela que conhecia, era a que queria ter tido, não sei, mas não era nada de estranho. Os adultos estavam maioritariamente afastados das narrativas? E o que tem isso? Não são livros para crianças? Arrisco dizer que até é bom para os miúdos de hoje lerem aqueles livros, tão claramente fruto de uma época diferente - se já eu notava a diferença, imagine-se as crianças de hoje em dia - para terem uma ideia de que o mundo mudou, de que nem tudo o que é gadget é necessário e que antes de tudo o que eles conhecem existir as crianças também eram felizes, também se divertiam e, o melhor de tudo, tinham aventuras!

Porque a pimenta também me chega ao nariz*

Conversa de mulheres extremamente interessante entre mim e uma jeitosa. É uma pena que outras vezes não me saia com respostas destas...
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Jeitosa: Onde é que costumas fazer a depilação?
Je: Em casa... Uso máquina.
Jeitosa (com cara de quem nunca ouviu semelhante coisa na vida): Ahhh... E o buço?
Je: Em casa, também. Com bandas de cera fria.
Jeitosa (com um ar escandalizado): Mas isso parte os pêlos todos!
Je (sobrancelhas arqueadas e sorriso de gozo): A sério? E quem te ensinou pormenor tão científico? A senhora que ganha a vida a tirar-te pêlos com cera quente?!?
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Arre, não há paciência para estes comentários. Pode haver quem prefira ir à esteticista, nada contra, mas não me venham com tangas disfarçadas de ciência... Na altura não sabia - ainda não tinha experimentado - mas agora até já podia acrescentar que das duas vezes que no cabeleireiro usaram cera quente os pêlos já se viam semana e meia depois, coisa que nunca me aconteceu com a fria!
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* Ou porque blog de gaja não é blog se não falar de depilação

segunda-feira, 29 de março de 2010

Logo pela manhã que é para aprender

Chegou "a" altura do ano. "A" altura em que tudo quanto pode viajar resolve vir ver as flores à Holanda. O resultado é que esta é "a" altura em que não se pode andar pela cidade, devido ao excesso de turistas, ao excesso de turistas e, last but not least, ao excesso de turistas. A juntar ao caos resultante de acrescentar centenas de turistas aos milhares que já cá vivem, todos bem juntinhos que espaço não abunda, temos os eléctricos que têm uma muito engraçada característica: só permitir a entrada por duas das portas e a saída por outras duas. Muito bem, tudo organizado é mais eficiente e bonito, só se esqueceram que para funcionar tem de se conhecer. E se há coisa que a maioria dos turistas não tem tempo para fazer é para conhecer eléctricos (e, se fosse para conhecer eléctricos, aconselhava Lisboa, que os tem antigos). O resultado é o caos - tentam todos entrar por uma única porta com as malas atrás, entupindo a paragem por uns bons 15min.. Por vezes os condutores já estão tão fartos que começam a fechar as portas independentemente de haver ainda pessoas na paragem ou não. Foi o que fizeram hoje. De um grupo de americanas, seguiram duas no 2 e ficaram outras tantas na paragem a rir-se que nem perdidas. Simpática como sou, e sabendo que aquele eléctrico tinha mudado de rota e era possível que as americanas só voltassem a encontrar-se à tarde, de volta ao hotel, resolvi intervir e explicar a situação. Conforme terminei a explicação, a que estava do meu lado direito resolve agradecer-me com um guincho que me obrigou a dar um passo para trás numa tentativa vã de me afastar da fonte de ruído. Já não é a primeira que ouço - à distância, bem entendido, que se já me tivessem guinchado assim muitas vezes ao ouvido já não estava cá para contar - o que andam a fazer a estar novas gerações? Incorporam-lhes apitos à nascença? É para eu aprender a estar quieta, as próximas que ficarem apeadas bem podem pedir-me ajuda que eu respondo-lhes em português para as afugentar...

sábado, 27 de março de 2010

Dúvidas teológicas

Depois disto, disto e disto tudo, será que ainda acham que vão para o céu? É que se a igreja não é feita para o julgamento terreno (como já ouvi, noutra ocasião igualmente hipócrita, um responsável católico dizer), é-o para o julgamento após a morte. Stupid me. Quase me esquecia - basta confessarem os seus crimes no leito de morte e o perdão está garantido. Santa igreja...
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P.S. - Não posso deixar de congratular o cardeal José Saraiva Martins pela frase "Não devemos ficar demasiado escandalizados se alguns bispos sabiam e mantiveram o segredo. É isso que acontece em todas as famílias. Não se lava a roupa suja em público." Pedofilia é "roupa suja", não é crime contra crianças indefesas. Não, isso é o aborto!

sexta-feira, 26 de março de 2010

E de repente vi-me na 25 de Abril



Estávamos muito bem a jantar ontem com a televisão esquecida ligada quando começamos a ouvir uma música conhecida mas, principalmente, completamente deslocada. Calamo-nos os dois, voltamo-nos para a TV e, enquanto eu, a eterna baralhada das músicas, seus autores e títulos, tento perceber porque é que aquele tune me está a soar tão mal com uma letra holandesa o mariducho diz-me "Olha, nunca pensei que o 'Sol da Caparica' não fosse um original...". Era esse clássico português, num anúncio, a ser completamente desvirtuado por uma algaraviada incompreensível. Pois tive de vir ao youtube ouvir a nossa versão e já estou com um sorriso**.

* atrevam-se a dizer mal, não há nada melhor que ir ao volante num dia de sol, janelas abertas a fazer esvoaçar a melena enquanto subimos o volume do rádio e acompanhamos a letra o melhor que conseguimos!
** e um bocado aparvalhada - nunca tinha visto o clip, cruzes, é mesmo mauzinho...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Mudança da hora precisa-se

Começa a época em que madrugo todos os dias... Raio do sol anda a nascer de véspera e eu a acordar com ele! Nem as cortinas com black-out (abençoado senhorio, também deve ter problemas em dormir com luz) me safam. É que eu não preciso de acordar às 6h da manhã. A sério que não.