domingo, 14 de março de 2010

Após busca intensiva

Vislumbro (uma vez mais) sérias dificuldades na aquisição de trapos nesta Primavera / Verão. Detesto a moda navy, se desejasse vestir-me assim teria ingressado na marinha, ao menos pagavam-me para isso. E os tons nude, que enchem as prateleiras das lojas, quando vestidos sobre pele do tom da minha, desaparecem como que por milagre ou forma de camuflagem típica de moluscos quando assentes no fundo do oceano à espera da presa.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Eu sei que a programação da TV é má

Mas não há outros programas para verem? Um filmezinho? Uma série? É que já estou farta de tanto post sobre um programa qualquer chamado 5 para a Meia-noite que, como será fácil de perceber, nunca vi nem sei do que trata! Uma outra coisa: ninguém dorme nesse país*? Não há trabalho no dia seguinte, bem cedo?
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* isto partindo do princípio que o nome do programa tem alguma coisa a ver com o título que lhe deram...

Quem diz que o casamento acaba com as relações?

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Eu e o marido até damos choque quando nos beijamos (nos lábios, mesmo!)*.
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* por acaso, ao ler este post, dei com uma explicação para a electricidade estática. Nem de propósito. Se bem que no nosso caso não é essa a explicação, está claro.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Play it well

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quarta-feira, 10 de março de 2010

A imaginação não dá para mais

Um homem chega a uma taberna e diz "É um copo de vinho, ó fáxavor!"
"Branco ou tinto?", perguntam-lhe.
"Cheio!"
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Estou farta de esforçar o Tico e o Teco mas não consigo arranjar uma maneira de adaptar a piada ao que sinto em relação a viajar! Viagens, passeios... Onde? Onde for!

Esverdeada, para variar

Para não andar a dizer que me sinto em casa na terra das socas... Fui o tempo todo apertadinha no eléctrico e se, em Portugal, fico por cima das partes mais mal-cheirosas da generalidade das pessoas, aqui fico à altura do sovaco de algumas - com tudo o que isso acarreta em termos odoríferos*.

* eu sei que estão só 3ºC, mas há que ter em conta os aquecimentos centrais e a falta de amor à água de muito boa (mas porca) gente.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Neste aspecto, sinto-me em casa

One of my first observations about the Netherlands was how tall the Dutch are. Actually, tall doesn't do them justice. They are really tall. Damn tall. According to the staticians, the Dutch are currently the tallest people on the planet. The average height for men is 1,84m; the women come in at a respectable 1,71m. Cold averages, however, don't convey the entire picture. There are quite a few Dutch men, and even a few women, who are over 2,1m.

What is truly remarkable is that the Dutch are getting taller. While the average height in all first-world countries increased dramatically in the last century, this growth spurt has slowed down of late and seems to be leveling off. The increase in the average height of the Dutch, however, shows no sign of abating. It is in this context that height has taken on an interesting significance in Dutch society. Urinals are mounted sufficiently high on the walls to make it almost impossible to use them, unless you stand on your tiptoes. A Dutch friend was reading a magazine and said "That's terrible. There's a letter here from a mother whose daughter is only 12 years old and is already 1,83!".

Aside from the general improvement in the standard of living over the last half-century and the more even distribution of wealth in Dutch society, the best explanation I've come across for the remarkable growth spurt in the Netherlands is their diet. Specifically, the infant diet. In a laudable program, the government-subsidized consultatiebureau provides regular advice to parents about their children's health and nutrition through four years of age. The objective is to improve the well-being of newborns. The hypothesized impact on the height of the general population is apparently unintended. Alternatively, in a new twist t the age-old, nature-nurture argument, a few British once proposed a theory over beers in a pub. "It's all a simple matter of natural selection," they say. "How's that?" I asked- "What with all of those floods, only the tall could survive."

Adaptado do texto "They must be giants", de Steven Stupp na oitava edição do Holland Handbook, edições XPat Media.

sábado, 6 de março de 2010

A vida em Amesterdão tem destas coisas #7

Um rapaz acabou de me perguntar para que lado é Sudeste. Porque quer ir para Utreque. Eu perguntei de volta Ah, Utreque, quer ir apanhar o comboio a Centraal Station? Não, não, responde-me. Vou de bicicleta.*
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* para quem, compreensivelmente, não está bem a ver a coisa, Utreque é outra cidade; e apesar de este país não ser propriamente grande, Utreque não é já aqui ao lado - é outra região; no comboio rápido chega-se lá em meia hora, no lento em 50 min.; está -1ºC lá fora e são 22:50; podia continuar, mas acho que já dá para terem uma ideia.

Diferenças geracionais

Há uns tempos o meu avô atirou-se de umas escadas abaixo. Está inteiro e fino, dois dias depois já gozava com o assunto, apesar de eu ainda me arrepiar só de me lembrar das escadas por onde andou à reboleta. No outro dia, estava eu em Lisboa, e depois de ter ficado só com a minha mãe, o meu velhote diz-lhe: "Afinal a menina* também caiu!". A minha mãe, sem perceber, pergunta-lhe: "Caiu? Ela disse-lhe? É que eu não sei de nada." Resposta do meu velhote, completamente lógica se tivermos em conta que tem quase, quase 90 anos e a ideia de um par de calças virem já rotas da loja não lhe ocorrer sequer em sonhos: "Então não viste que trazia as calças rotas no joelho? Caiu, rompeu-as e deve estar toda esfolada!".

* a menina sou eu, of course. Independentemente dos 31.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Como o bom humor se vai depressa

Em Portugal o meu tom de pele de Inverno é naturalmente amarelado - sou morena, mas não muito, pelo que nunca perco todo o bronzeado do Verão nem chego a ficar completamente branca - ou seja, fico amarelada. Odiava com todas as minhas forças essa cor de ictrícia com que tinha de desfilar por Lisboa alguns meses por ano até me ver com a cara com que fico nos Invernos holandeses... Ou seja, a cara que tenho de Outubro a Maio. Aqui, não há bronzeado de Verão que resista, nem marca da aliança tenho e o frio transforma a minha cor pálida (apesar da falta de sol não consigo chegar ao tom leitoso da pele dos que são mesmo, mesmo brancos) num avermelhado com manchas que não lembra ao diabo. Juntem a isto as gotas de chuva que se vão acumulando (remember, aqui ninguém usa chapéu-de-chuva por menos que um dilúvio) e terão uma ideia do meu aspecto, agora que acabei de chegar da rua. E, para eu não me esquecer da triste figura que passeio por Amesterdão, mesmo em frente à porta da entrada de casa tenho um espelho gigantesco. Pareço um russo que abusou do vodka, e não há muito que possa fazer - a minha pele da cara quase não suporta creme hidratante (nem com o frio que aqui faz!), quanto mais cremes e bases e sei lá mais o quê que lhe desse cor... Como devem ter percebido, o solzinho de ontem já se foi. E com ele, a boa disposição. Agora, chove. E dão neve para amanhã. Aaaaargh!

Pensava que isto já não se usava...

... mas parece que estava redondamente enganada. Um antigo colega da escola foi pai... nada de novo, por enquanto... o grande espanto é que a criança foi fruto de uma one night stand. Ou seja, o velho e mítico golpe da barriga! Rapaz comprometido enrola-se com outra rapariga (não sei pormenores) chegam a vias de facto e surge uma gravidez. O rapaz continua comprometido mas a rapariga da one night stand resolve ter a criança - e voilá!, temos mais uma criança neste mundo. Lindo!

P.S.1 - atenção que não estou, de forma nenhuma, a defender o menino que resolveu ir molhar o bico fora de casa... Fosse comigo e já tinha levado um belo par de patins - de gelo, que deslizam bem mais rápido. Mas, convenhamos, fosse eu a rapariga da one night stand (imagem um bocado estranha da minha pessoa acaba de formar-se na minha cabeça) e não tinha tido a criança!
P.S.2 - ah e tal, viva a família tradicional, é o casamento (e a adopção) gay que vai desvirtuar a nossa bela sociedade; vê-se!
P.S.3 - meninos (que não lêem este blog), tenham cuidado com o vosso general... mantenham-no dentro das calças ou, pelo menos (é pedir assim tanto?) usem preservativos! (Ai não que não tinha levado com os patins... nojo!!!)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Zen

É nestes dias que melhor consigo apreciar a cidade onde vivo. O sol que (pelo menos hoje) brilha no céu, as pessoas, as bicicletas, os passeios planos e desimpedidos, a forma como tudo está tão próximo que, apesar de já viver no sul de Amesterdão, posso perfeitamente ir ao centro a pé, aventurar-me mesmo até à estação central, e regressar a casa dando a volta pelo oeste (ou, como se costuma dizer, dando a volta pelo bilhar grande) e chegar relativamente descansada e, o que é melhor, profundamente satisfeita e em paz.
É uma pena que "estes dias" impliquem estar saciada de familiares, rejuvenescida pelos amigos, saturada de Lisboa (o caos no estacionamento e a chuva constante e torrencial conseguem esta proeza, apesar de durar pouco) e, portanto, satisfeita por ter um tempo só para mim, para divagar e olhar à volta com olhos e mente bem abertos.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

"Daqui para a frente só pode melhorar!"

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Ahahahahah!
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Começa bem

Em menos de 12h em Lisboa já me caiu em cima uma mini-tromba-d'água (isto na onda dos mini-tornados que andam frequentes no nosso país). O caudal de lama, impossível de conter no desnível entre o passeio e o alcatrão, subiu o passeio. O bogas passou de azul a castanho, no lado do condutor (ainda por cima). O lado positivo? Daqui para a frente só pode melhorar!*
* conforme acabo de teclar já ouço uma nova chuvada a fustigar a janela... Já estou a ver que acordos com o Cornudo valem tanto como apelos ao São Pedro (e esta, hein?).

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Deviam ser todos assim!

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Noticia o Público, desde ontem, que um edifício que ruiu em Lisboa foi também capaz de realojar 5 pessoas*. Sim, realojou-as - ou pelo menos é o que anunciam! Titula o Público (avisando da autoria da Lusa - pérolas destas não devem ser plagiadas): Edifício em Alfama desaba parcialmente, realojando cinco pessoas. Não sei exactamente de quando data o edifício mas, situando-se num dos bairros históricos da capital, será provavelmente um prodígio de tecnologia centenária, com certeza já perdida, ou uma maravilha das mais modernas invenções. Eu defendo que o caso seja investigado a fundo e seja obrigatório (eu ia dizer por lei, mas essas valem o que valem) que todos os congéneres edifícios possuam a mesma faculdade - em caso de desmoronarem, continuam a poder realojar os seus antigos (e actuais) moradores. Chegámos, sem dúvida, ao séc. XXI da arquitectura!
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* O jeito que isto não dava aos desgraçados da Madeira...
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Vou-me

Em busca do sol e de temperaturas mais amenas.
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(foto daqui)
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sábado, 20 de fevereiro de 2010

A woman's got to do what a woman's got to do

Depois de estudar diariamente o weather.com Lisboa/Gago Coutinho (que raio, ou melhor, onde é Gago Coutinho?!) e de ver a cada visita mais um dia da minha ida a Portugal marcada por outra nuvem cinzenta e, ainda por cima, chorosa, resolvi fazer um pacto com Satanás. Sim, que isso de pedir ao São Pedro já se viu que não resulta*. Aqui vai. Exmo. Sr. Diabo, se me der o prazer de ver e gozar o sol nos dias que passarei à beira Tejo, vendo-lhe a minha alma** (sim, primeiro quero provas, só depois vendo seja o que for!). O preço está ainda aberto para discussão (mas já sei que incluirá muitos e muitos dias de sol encomendados desta vez para a altura do Verão), caso se confirme que mais de 80% dos dias do final de Fevereiro são de sol (não achavam que ia vender a minha alminha por dá cá aquela palha, pois não?). Esforce-se, Satã, empenhe-se, Sr. Cornudo, que esta alminha vale ouro!

* Estás a ver, santinho de vão de escada, o que me fazes fazer?!? Se fosses um gajo como deve de ser trazias todas as nuvens previstas para Lisboa (pronto, vá, para Portugal, que parece que o país já quase virou pântano) para os Países Baixos, que aqui já há tantas que mais umas ninguém nota e eu escusava de fazer um acordo com o gajo lá de baixo ainda antes dos 31!
** Primeiro passem uns meses no Inverno holandês (ou outro aqui por estes lados) e depois venham criticar, boa?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Tudo tem um lado positivo

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Uma vantagem de quando neva... é que quando neva não chove.
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Estou chocada

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O Inquisidor que há em mim veio à tona...
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Um pouco de rigor, não peço mais

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Um livro de História que menciona Espanha no tempo dos Romanos faz-me pensar na salamandra que aquece a sala da minha mãe...
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Acontece que não pode

Apesar de no site dizerem cats and dogs up to 6 kg, o que querem dizer é: cats and dogs that, with their bag, weigh up to 6 kgs. Isto é informação errónea. Pensei que isto não acontecia nos países desenvolvidos. Pensei que isto não acontecia nas empresas dos países desenvolvidos. O que está no site tem de ser informação oficial e tem de ser absolutamente explícita. Por exemplo, na TAP dizem "O peso total (animal mais contentor) não pode exceder 7kg". Na KLM o que diz é cães até 6 kg, nada mais. Resultado? Não viajo com a KLM, mas sempre com a TAP.
A falta das minhas viagens não lhes faz diferença alguma, mas a mim, sim. Se fossem à falência, ria-me. Se pudesse, enviava para os voos deles os passageiros mais chatos, porcos e mais mal-educados. E todos os cães e gatos que com a mala pesem até 6 kg, mas com litros e litros de água no bucho, o avião havia de escorrer mijo quando aterrasse. E às dúzias de Miriams, Zéleidas e Dorotéias que estão no helpdesk, cuspia-lhes na cara, uma a uma. E isto é porque já passaram uns meses desde que me chateei com eles, a raiva já abrandou.

Digam-me lá

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A Luna tem 5,9 kg e a caixa onde a levo está dentro dos parâmetros (é uma travel bag com 105 cm). Posso levar a Luna comigo na cabine quando viajo com a KLM?
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Consolação à portuguesa

Coitadas de vós, meninas semi-nuas dos Carnavais portugueses... Um frio de rachar, chuva a potes e vocês de biquini a sambar. E se eu vos disser que me asseguraram que há um sítio qualquer aqui nas Terras Baixas (raios partam a minha falta de memória para nomes esquisitos de cidades holandesas!) onde também se copia o Carnaval do Rio e há meninas de biquini a sambar pelas ruas (literalmente) congeladas do dito burgo... sentam-se menos ridículas? Pois. Porque aqui ainda faz mais frio. É o consolo habitual do português*: não faz mal estarmos mal, olha ali os outros ainda pior!
* contra mim falo, atenção, pois apesar de não me dar para bailar semi-nua no meio da rua (seja com que temperaturas for), tantas e tantas vezes uso este (triste) argumento para me consolar...

Já tinha saudades*

Estou novamente a ouvir o violoncelista que vive por cima de mim - acho que não dava por ele desde antes do Natal. Já pensava que lhe tinha acontecido alguma coisa, coitadinho, um rapaz tão novo (vi-o uns tempos antes com o trambolho às costas na entrada do prédio) ou que, azar do azares, tinha mudado de casa - abrindo a possibilidade de vir para cá morar alguém que tocasse algo bem pior que um violoncelo... Mas não. Deve ter andado em tournée. Agora voltou. A minha enxaqueca confirma-o.
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* mentira, não tinha saudades nenhumas, estava tão bem sem este chato a buzinar-me ao ouvido dias inteiros...

Não estou de Acordo, nada a fazer

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Título de notícia na RTP: "Estações da Linha de Gondomar já estão batizadas".

Tantos e tantos anos a aprender a escrever e agora sinto-me quase analfabeta outra vez. Já não chega outras idiotices, como "pôr" e "for" (porque não levam ambas acento? Não me venham dizer que é porque existe "pôr" e "por", porque então também deveria existir "côr" - amarelo, azul, etc. - para diferenciar de "cor", de "saber de cor"!), agora desaparecem as "consoantes mudas" - a mim ensinaram-me que elas não se lêem, mas têm como objectivo abrir a vogal que está antes... assim para se ler "bátizadas" e não "bâtizadas" - e outros tantos acentos, fazendo com que a ordem do verbo parar "pára imediatamente" passe a escrever-se "para imediatamente", o que é claramente muito mais fácil de entender e não se presta a confusões nenhumas... Isto para não falar das maiúsculas que desaparecem dos dias da semana e dos meses. Porquê? Que diferença faz fevereiro ou Fevereiro? Quem percebe um percebe o outro, mas para mim é bastante mais fácil compreender que alguém que escreve Segunda está a referir-se a um dia da semana do que se escrever segunda. Por outro lado, demoram décadas a oficializar letras do alfabeto - já quando eu andei na Primária a professora explicou a existência do k, w e do y e o seu uso em algumas palavras mas só agora é que esta explicação passa a oficial! Passados vinte e tal anos!
Já li várias defesas do acordo ortográfico. Com atenção, que eu gosto de saber e para isso preciso de compreender, dado que tudo o que é decorado depressa se esconde nas muitas pregas do meu cérebro, para nunca mais ser encontrado. E, francamente, não percebo. Não acho que tenha lógica e não me parece que facilite a compreensão de uma língua que já é tão complicada. Além disso, este acordo faz com que haja muito mais regras da língua escrita cuja justificação é "porque sim". E se havia coisa que me fazia urticária nas aulas de gramática portuguesa era o "porque sim"...
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P.S. - Dobrar-me-ei, eventualmente, à escrita oficial, eu sei que sim, mas vai ser por obrigatoriedade e sempre com um travo amargo na boca.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A vida em Amesterdão tem destas coisas #6

Soma:
1 canal congelado
+
1 bicicleta estacionada contra o gradeamento da ponte
+
5 pares de dedos congelados pelo frio

Resultado? Chaves dos cadeados no canal (congelado).

Solução? Um cordel com um íman na ponta.

Pergunta óbvia: onde arranjou a rapariga um íman? Trá-lo na mala, em caso de necessidade?!?

Xpectations

A vida é feita de expectativas... Como âncoras colocadas lá à frente, bem ao longe, onde o barco que somos vai chegar um dia. E a vida é como o vento, empurrando a nossa nau, umas vezes depressa, outras devagar, mas sempre em frente, fazendo com que eventualmente cheguemos às âncoras que, até agora, serviram para orientar a nau na direcção certa, apesar de ventos e tempestades. E nós remamos, com todas as forças e o máximo de jeito. No entanto, a grande questão é: agora chegados àquela âncora, teremos condições de a levantar do fundo do mar para continuarmos a navegar? Se sim, óptimo, mas quando não temos forças, ou quando não se proporciona, essas âncoras ficam para trás e ao invés de servirem de guia, servem de lastro. O lastro de objectivos por cumprir. A prender-nos. Para continuarmos em frente é preciso fazermos duas coisas: começar por cortar a corda que nos prende ao lastro e atirar, com todas as nossas forças, novas âncoras, fresquinhas, lá bem para o fundo, onde continuarão a guiar-nos na direcção certa. É tudo tão bonitinho e fácil, assim por escrito e no plano abstracto...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Live life

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That's all we can DO.
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Inteligência canina

Apresenta-se sob duas formas:

a) inteligência para aprender o que o dono quer ensinar;

b) inteligência para ignorar as idiotices que o dono tenta ensinar e continuar com a sua vida.

Sendo que hoje em dia muita gente educa melhor o cão do que os filhos, creio que a) está um pouco sobrevalorizada. Por outro lado e pelo menos no nosso (neste caso não tão) querido rectângulo, com a quantidade de bestas que resolvem abandonar os seus cães pela rua, b) parece-me de alguma importância. Por último, sendo que a) nos deixa muito satisfeitos, b) não deixa de ter a sua piada.
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Luna linda

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Dizem os experts do comportamento animal que se deve elogiar e premiar sempre o bom comportamento do cão (ou da cadela, no caso presente) para que o bom comportamento vá sendo inculcado naquelas mentes muito inteligentes para o que lhes dá na gana. A minha versão de incentivo é "Luna linda!". Ora esta expressão confunde uma vizinha de rua, também dona de um cão que, apesar de americana de nascimento sabe o que linda significa (bela) e que é também um nome (obrigada Linda Evangelista!). E não se conforma com a minha expressão de incentivo. Não sei, acho que para ela "Luna linda" não faz sentido. Eu sei que é muito mais fixe dizer "good girl" ou "well done" mas a minha Luna não fala inglês, "boa menina" soa mal ("menina boa" nem merece consideração) e "bem feito" ela ainda leva a mal. A última pergunta da americana sobre o assunto foi "Why didn't you call her Linda?" e eu pensei cá para comigo enquanto debitava uma outra desculpa qualquer, ora que bonito havia de ser, de cada vez que ela se sentasse eu pôr-me a dizer "Linda linda!. O treino devia funcionar imenso...
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Continuo a não conseguir

ler avisos na estrada que estão escritos de baixo para cima, em duas ou mais linhas. Quem teve a brilhante ideia deve ser adepto de uma das seguintes teorias: a) quando se vai a conduzir só se consegue ler as palavras escritas na estrada pela ordem em que aparecem à nossa frente ou b) assim tens mais tempo para ler, porque vais a andar com o carro, lês a palavra mais próxima de ti, conforme o carro continua a avançar lês a palavra do meio (se existir) e, dado que o carro não pára para lermos o que está escrito no chão, lês por fim a última (ou primeira, mas não quero estar a confundir-vos) e ficas a saber onde te levará aquela estrada (em princípio e se vocês já conhecerem mais ou menos o caminho, que as indicações nas estradas portuguesas não servem para ajudar ninguém a chegar a lado nenhum, mas isso é uma outra conversa). Dou-vos exemplos. Na maravilhosa rotunda do Centro Sul, em Almada, existe uma saída para a

...................Piedade
.......................da
.....................Cova
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e outra para a
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...................Caparica
........................da
.....................Costa.
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Os muito espertos (ou nem por isso) não precisarão de descodificação, até porque escrever ao contrário (só de baixo para cima, que isso de escrever da esquerda para a direita é coisa de génios como o Da Vinci) é o pão nosso de cada dia nas estradas, mas para os outros estas são as saídas para a Cova da Piedade (não vou hoje explanar-me sobre a poeticidade de tal nome) e para a Costa da Caparica (que, não sendo um nome poético como o outro tem pelo menos a sua história, sendo que essa também ficará para outra vez). Mas não se pense que esta moda é exclusiva do nosso rectângulo. Aqui também têm a mania, ainda ontem reparei numa faixa do eléctrico que dizia:
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......................Lijn
.....................BUS
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Que é como quem diz BUS lijn ou, melhor ainda, faixa para transportes públicos.
Será que os semi-analfabetos lêem com mais facilidade assim? É que eu, que até na casa-de-banho gosto de ler qualquer coisa e já cheguei a entreter-me com as composições em latim de chapôs e outros produtos de higiene, não consigo ler de baixo para cima, nem quando vou em andamento, não consigo ler de uma forma que, para o meu cérebro, não deixa de ser ler do fim para o princípio! Agora, leitores e frequentadores aqui do aquário, sendo vós criaturas inteligentes, conseguem ler estas coisas ou cada vez que passam no Centro Sul (ou outro local do vosso agrado) também lêem Piedade da Cova e Caparica da Costa e sorriem sozinhos no carro perante a idiotice?.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Questões (mais ou menos) pertinentes

Então aqui vão as respostas às perguntas chegadas através da Guilhim:

Questão 1: Tens medo de quê?
Com a idade (em miúda era macaco, não tinha medo de nada) desenvolvi um certo medo das alturas, no topo de arranha-céus ou de precipícios sinto um apertão nos músculos das coxas que não é brincadeira!

Questão 2: Tens algum guilty pleasure?
Quando estou mesmo necessitada ataco uma lata de leite condensado... mas como aquilo me enjoa acabo a deitar a maior parte fora!

Questão 3: Farias alguma loucura por amor/amizade?
As loucuras não são bem o meu estilo...

Questão 4: Qual o teu maior sonho? Responder paz, amor e felicidade é trapacear;)
Voltar a Portugal.

Questão 5: Nos momentos de tristeza/abatimento, isolas-te ou preferes colo?
Prefiro companhia, mas sem colo - distraiam-me para esquecer as mágoas.

Questão 6: Entre uma pessoa extrovertida e uma introvertida, qual seria a escolha abstracta?
Extrovertida. No entanto, se analisar a realidade tenho de concluir que tendo a escolher introvertidas...

Questão 7: Sentes-te bem na vida, ou há insatisfação além do desejável?
Não me sinto bem na vida, mas consigo viver bem comigo no meio desta vida...

Questão 8: Consideras-te mais crítico ou ponderado? Sabendo, contudo, que existem críticas ponderadas.
Acho que cada vez mais ponderada nas respostas e mais crítica nos pensamentos - a vida ensinou-me a não discutir a sério com quem não vale a pena discutir.

Questão 9: Julgas-te impulsivo, de fazer filmes, paciente...? Define-te, de uma forma geral.
Paciência não é um dos meus apelidos, de certeza. Sou muito terra-a-terra, racionalizo, não faço filmes, tento sempre ver os dois lados e odeio perder o controlo.

Questão 10: Consegues desejar mal a alguém e, normalmente, concretizar? Sê sincero.
Poucas vezes desejei mal a alguém e em todas optei por me afastar. Sou, no entanto, rancorosa até dizer chega, se me pisam os calos e não se desculpam como deve ser não esqueço. Ignoro, mas não esqueço.

Questão 11: Contens-te publicamente em manifestações de afecto (abraçar, beijar, rir alto...)?
No geral, não. Mas como odeio incomodar os outros evito grandes manifestações de amor quando somos três e não grito, não pulo nem esbracejo no seguimento de uma gargalhada que, essa sim, me sai expontânea e bem alto!

Questão 12: Qual o teu lado mais acentuado? Orgulho ou teimosia?
O orgulho acentua ainda mais a minha teimosa de nascença. Mas sou boa pessoa, a sério que sim!

Questão 13: Casamentos homossexuais e direito à adopção?
Se quiserem mesmo saber leiam-me aqui, que gostei muito deste meu post.

Questão 14: O que te faz continuar o blogue?
Não ter nada para fazer! Mas tenho de admitir que este mundo me diverte cada vez mais.

Questão 15: O número de visitas e comentários influencia o teu blogue?
Não vou dizer que não gosto de ser lida e comentada, se fosse assim escrevia um diário e não um blog. Mas não escrevo para conseguir audiências!

Questão 16: Na tua blogosfera pessoal e ideal, como seria?
Não tenho a certeza se percebi a pergunta... Se é para saber como seria a blogosfera se eu mandasse nisto tudo, então, seria igual ao que é. Cada um escreve o que entende, se gosto leio, se não, ignoro. Se odiar mesmo apago da minha lista e nunca mais lá volto. Paradise... (Nunca tive problemas com anónimos mas mesmo esses é possível bloquear)

Questão 17: Deviam haver encontros de bloguistas? Caso sim, em que moldes? Caso não, porquê?
Não vejo porquê. Grande parte do gozo disto é o anonimato e eu sou muito conservadora na escolha de amigos e conhecidos. Se dois bloggers decidirem que querem conhecer-se é fácil, combinem, não são precisos "encontros".

Questão 18: Sabes brincar contigo e rir com quem brinca contigo? Sem ironias.
Não tenho problema em que brinquem comigo, já se começarem a gozar a coisa muda de figura...

Questão 19: Quais são os teus maiores defeitos?
Falta de iniciativa.

Questão 20: Em que aspectos te elogiam e/ou achas ter potencialidades e mesmo orgulho nisso?
Só em duas ocasiões: quando me dizem que pareço mais nova do que sou e quando me elogiam porque fiz algo bem - odeio que me dêem graxa.

Questão 21: Entre uma televisão, um computador e um telemóvel, o que escolherias?
O computador, nem é preciso pensar duas vezes!

Questão 22: Elogias ou guardas para ti?
Elogio, sem problemas. Mas por vezes também devia criticar mais.

Questão 23: Tens humildade suficiente para te desculpar, sem ser indirectamente?
Creio que sim, já o fiz, mas o melhor é, efectivamente, evitar fazer asneiras.

Questão 24: Consideras-te, de grosso modo, uma pessoa sensível ou pragmática?
Pragmática. A sensibilidade tinha esgotado quando me fizeram.

Questão 25: Perdoas com facilidade?
Acho que tenho tido muita sorte e ainda não precisei de perdoar nada grave. Ou seja, não sei.

Questão 26: Qual o teu maior pesadelo ou o que mais te preocupa?
Uma coisa que sempre me tirou o sono foi a possibilidade de ter um acidente de carro e magoar alguém, seja noutro carro, um peão ou alguém que viaje comigo. O cinto de segurança é duplamente obrigatório no meu bogas - é pelo Código e por mim!

Como parece não haver regras vou inventar: passo as perguntinhas à momentU, à Andorinha e à Fuschia.

É que é sempre à 2ª!

Como já sabem, sou uma pessoa extremamente ocupada e que tenho imensa necessidade de sair de casa e aturar o tempo que faz lá fora. Aliás, se eu não saísse de casa um dia pararia a economia, e não só a dos países baixos, mas a portuguesa também! Posto isto, há que considerar o espanhol à 2ª - ou seja, a minha única obrigação com local definido e horário imposto. Ora o que eu tenho neste momento a dizer sobre as aulinhas de espanhol é que me entretêm a cabeça* e me congelam o cérebro. Ontem estavam uns maravilhosos -4ºC (feels like -10ºC!) quando saí de A'dam, às 16h30, agora às 23h, quando cheguei, nem vi para não me assustar. Nas (muitas) 2ªs-feiras de espanhol deste Inverno já me caiu em cima uma chuvada que fez os holandeses presentes falarem em falta de comboios (e eu a pensar como é que volto para Amesterdão sem comboios?!?), já me nevou em cima (várias vezes) e já me trovejou mesmo por cima da cabeça (apanhei um susto daqueles). Ontem ia congelando (mais uma vez) com o ventinho que se fazia sentir. Com tanto dia da semana, tinha de ser à 2ª?

* porra, o raio dos pronombres me hacen la cabeza en agua (vêem, vêem? estou quase hispanohablante!!)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Poupadinha, eu?

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Não sei de onde tiraram essa ideia!
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P.S. - caso seja difícil identificar, é o que resta de uma bisnaga de creme para as mãos, tinha originalmente cerca de 10 cm de comprimento.
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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Lá no fundo eu até sei

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Se nós tivermos de ficar na Holanda eu terei de aprender holandês. Ninguém fica permanentemente num país sem saber a língua... Por isso, enquanto não souber holandês, sei que esta estadia não é definitiva. É o meu refúgio, por idiota que soe.
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

É mesmo só para tirar o outro post do lugar de destaque

Ando meio sem inspiração para escrever, ainda não percebi porquê, mas o último post que publiquei é mau de mais para estar em posição de destaque tanto tempo. Para tentar arranjar o que escrever mergulhei de cabeça nos jornais nacionais online. O problema é que esqueci do escafandro e parece não haver oxigénio para respirar nestas páginas. É o Mário Crespo para a frente e para trás, e se às notícias parvas juntarmos os comentários dos leitores, obtemos uma mistura letal, autêntico dióxido de carbono. Depois é o Belmiro que disse que o Cavaco é um ditador, e que foi ditador numa ocasião ou outra mas que afinal não é ditador na totalidade, foi uma maneira de dizer. E é o conselho de Estado convocado por Cavaco quando este percebeu que as ameaças de Sócrates se demitir eram para ser levadas a sério, ao mesmo tempo que o gabinete do PM diz que este nunca disse a Cavaco que se iria demitir. E Rosa Lobato Faria, falecida, como sempre grande senhora e grande actriz e grande portuguesa e grande escritora e grande tudo agora, depois de morta. Se lhe tivessem dado um terço da atenção que lhe dão agora aquando da edição dos seus romances eu já teria lido pelo menos um e agora escusava de me sentir ignorante por nunca ter ouvido falar deles. Estou enjoada e enojada e não sei se é só por falta de oxigénio ou mesmo por excesso de dejectos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Foi para isto que inventaram o Skype

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Eu: Olá, amiga! Como estás?
Ela: TOU A ATURAR UMA P***A AO TELEFONE
Eu: :D (= emoticon giro que se ri à gargalhada)
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Sand and water

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Solid stone is just sand and water, baby, and a million years gone by.
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Beth Nielsen Chapman

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nunca vou entender a moda

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Estão a ver foto acima? Reparem bem na roupinhas. Devem ser peças de marcas conhecidas e um especialista nestes assuntos provavelmente diria que é um conjunto fantástico, os sapatos não-sei-quê e a saia do não-sei-quantos a combinarem na perfeição com a camisolinha não-sei-que-mais. Ora eu, ao apreciar (criticamente) este conjuntinho, para além de ter a certeza que custará mais do que o recheio de grande parte do meu guarda-roupa, diria o seguinte: camisola às riscas com saia com padrão? Mas eu pensava que as t-shirts às risquinhas, além de serem próprias para ir fazer jogging, só jogavam bem com lisos... e, além disso, vai com sapatos de salto agulha! Péssimo para o jogging! E, já que falamos de sapatos, a sério, sapatos castanhos com meias cinzentas?!? Que combinação horrível, odeio a mistura de cinzento ou preto com castanhos e cremes. E eu até sei que se tornou moda este ano, mas cá para mim... Nããã! Creme com castanho, cinzento com preto, nada de misturas. E a pasta / mala que leva na mão, tem dois tons, castanho e creme, mas nada a ver com o tom e material dos sapatos! Não me digam que não havia nada do tom dos sapatos no guarda-roupa ? (Imagino o guarda-roupa que estas pessoas devem ter, no meu às vezes há coisas que não combinam com nada, mas eu sou esquisita, nem tudo me assenta bem nas curvas, sou forreta e ninguém me oferece roupa à borla!)

Pronto, isto é o que tenho a comentar sobre a indumentária. Resumindo, eu, para a moda, não dou. Sim, porque o defeito não será com certeza dos estilistas, nem de quem escolheu o conjunto, mas meu. Resigno-me a gostar do que gosto, independente (ou dentro) do que a moda de cada estação me permite... e o bolso também.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Ontem no cinema

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Que filme fui ver? Se era bom / eu gostei? A sala estava cheia? Who cares? Ao meu lado um inglês limpava o sótão dos seus (muitos) habitantes indesejados e de seguida procedia à sua remoção das unhas usando os dentes e os espaços entre eles.*

* Ainda bem que nestas bandas não há lugares marcados e que toda a gente tem o saudável hábito de deixar um lugar vago entre cada pessoa / grupo / casal.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Isto só neste país!

Podia ser só no nosso rectângulo (há lá frase feita que mais repitamos em relação a Portugal do que a que dá título a este post?) mas não é. Aqui na Holanda também há tanta coisa a funcionar mal... Nos últimos tempos têm acontecido umas interessantes! No job do mariduncho descobriram que durante quase um ano andaram a calcular-lhe mal o ordenado (não exactamente o ordenado, mas uns perks a que ele tem direito) e a cobrar indevidamente a percentagem para a segurança social. Sorte nossa, no final ficou a ganhar, olhem se tivesse de devolver dinheiro?! Mas... como é que se enganam durante meses a fio a pagar a um trabalhador e não dão por nada? Já a empresa que trata dos impostos só há pouco acabou de tratar da nossa papelada relativa ao ano fiscal... 2008! Entregaram tudo. Vai haver multas por atraso? Não sei. Diria que sim. Mas quem as pagará, se houver? É que eles tinham a documentação toda, só não se despacharam antes porque "têm muito trabalho"*. E agora a UPC. Fizeram não-sei-o-quê que enfraqueceu o sinal que vem da rua e como resultado o sinal dentro de casa chega mais fraco e não dá para separar a linha para a sala e quarto - ou melhor, dar, dá, mas a net não funciona. Para perceber o que se passava a UPC marcou-me um técnico que viria no dia seguinte ao telefonema, entre as 13h e as 18h. Às 18h30 não tinha aparecido ninguém. Ligo-lhes de novo, do telemóvel porque o telefone foi-se com a net, dizem-me que não há visita nenhuma de um técnico agendada para mim. Não há? Como? Ah, a colega enganou-se. Ok, passa, quando pode então vir o técnico? Só para a semana, respondem. Bem, uma semana sem net, aqui, não dá com nada. Ainda insisti, mas acabei por me conformar. Na semana seguinte lá espero eu pelo técnico, desta vez deveria vir entre as 8h e as 13h. São 12h30 e ainda não veio ninguém pelo que resolvo ligar. Lá vai barão em telemóvel outra vez para ouvir que... não tenho nenhum técnico agendado. Pronto, aí passei-me eu e lixaram-se eles. A net tinha voltado, subitamente, na 6ª-feira anterior e eu tinha ligado à UPC para saber se havia de desmarcar o técnico, sendo que a resposta deles foi "Não, deixe estar marcado, é já para a semana e a força do sinal continua estranha, é um milagre ter internet". Ou seja, na 6ª-feira havia um técnico agendado e na 3ª tinha desaparecido do sistema, não?!? Tiveram de ouvir que estavam a mentir. E que este era um serviço do piorzinho que já vi. E que era uma falta de respeito. E que, principalmente, queria um técnico e já! Lá veio um técnico, lá teve de vir outro no dia seguinte e acabámos nós a resolver o problema com uma ajudinha do senhorio. Ai, havia de ser no nosso rectângulo... iam ver a reclamação no livro!**

Pois é... só neste país...

* a sério, foi a justificação que deram ao mariduncho quando ele ligou para lá...
** e não só... é que, soubesse eu reclamar em holandês e haviam de ver! Se há coisa que faço bem é reclamar quando me pisam os calos. Agora reclamar noutra língua não dá com nada!

Nikky

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Estou a ficar uma senhora.

Quando saía do trabalho, um tipo ultrapassou-me, virou-se para trás e disse-me "O que eu gostava de te ver a f*der-me". E virou-me as costas.
Eu tive vontade de tirar uma batata ou uma maçã dos caixotes de madeira que estão à porta da mercearia onde passava, atirar-lha à nuca, passar por ele e dizer-lhe "F*di-te! Gostaste?".
Mas até eu tenho limites.
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* porque a semana está a terminar e porque gostava que estas respostas me passassem pela cabeça na altura certa e de não ter limites para as dizer.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Lisboetas

O pessoal do resto do país revolta-se quando ouvem que Lisboa é Lisboa e o resto é província. Compreendo-os - o resto não é Lisboa (estou a falar apenas geograficamente) mas não será necessariamente província. A mim irrita-me o texto (tenho a certeza que até já o li em blogs, mas não me lembro quais!) de um autor conhecido que diz que ninguém é lisboeta, que todos os lisboetas têm raízes noutros locais. Ora não há lisboetas o caraças (e é para não dizer outra coisa, bem à moda do Norte!). Tenho alguns bisavós lisboetas e três avós que nasceram em Lisboa. O outro era da Costa da Caparica. Os meus pais nasceram e viveram toda a vida na Grande Lisboa e eu nasci e vivi toda a vida (até vir desterrada para o país dos moinhos) em Lisboa. E não sou lisboeta?!? Ora, poupem-me as generalizações da tanga.

Coragem

A impressão que me faz ainda haver pessoas a serem salvas dos escombros do(s) terramoto(s) no Haiti é tanta que não dá para descrever. Viver o terramoto. Ficar soterrado. Ter, por um qualquer acaso, água à disposição e um espaço que permita a existência de ar. E sobreviver, dia após dia, sempre com alguma esperança, a suficiente para não desistir, poupando na água com toda a consciência de quem não sabe quanto tempo levará até darem connosco. Curvo-me perante tamanha força.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Cenas de gaja

Está frio. De tal maneira que ando sempre, mas sempre, de luvas, cachecol e gorro. Saio de casa - põe luvas, cachecol e gorro. Entro no supermercado - tira luvas, cachecol e gorro. Termino as compras, volto para a rua - põe luvas, cachecol e gorro. Chego a casa - tira luvas, cachecol e gorro. Isto de cada vez que saio de casa e não exclusivamente quando vou ao supermercado. Além do profundo tédio que este ritual (não, não é só o texto que está chato) já me causa, ainda tenho de sofrer com o flagelo da electricidade estática no cabelo. Esfregar lã no cabelo, como qualquer gaja sabe, tem uma única consequência: pô-lo a voar. Agora experimentem passar 3 coisas de lã no cabelo de cada vez que entram e saem de um local aquecido (ou seja, todos). É vestir o casaco e tirar o cabelo de lá de dentro (o cabelo começa a voar). É colocar o cachecol e soltar o cabelo, novamente preso (madeixas inteiras levantam-se até ficarem paralelas ao chão). Enfiar o gorro (ao forçar as madeixas acrobatas a voltar à posição vertical dá-se uma autêntica revolta capilar manifestada através de estalos e estalidos extremamente incomodativos). Restam as pontas, ainda longas, da melena histérica em plena histeria, abanando-se como se estivessem no meio de um temporal até serem inexoravelmente atraídas pelos lábios - cobertos por uma espessa camada de baton anti-cieiro. Solução? Tirá-las com as mãos. Previamente cobertas pelas luvas. Que, sendo de lã, provocam ainda mais electricidade estática.

Ou este frio se vai ou ainda me dá um vaipe* e corto o cabelo à rapazinho.

* ora aqui está uma palavra que uso regularmente na sua forma oral mas que não faço ideia como se escreverá.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Eu vi um pato

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a bater o bico. Estaria com frio?
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Façam o que eu digo, não o que eu faço...

Ele há sol. E ele há neve. E ele há idiotas (também conhecidos como Goldfish, Goldie, Golden e mais um par de nomes menos anglo-saxónicas) que se esquecem de onde puseram os óculos de sol da última vez que os usaram e que por isso resolvem ir ao supermercado sem eles. Para quem nunca viveu com neve e que também nunca foi esquiar com sol, aprendam: sol + neve = cegueira por excesso de lágrima**. Eu acabei de aprender.
* porque será?
** esse excesso tende a escorrer pelas faces, congelando ao entrar em contacto com a pele, desculpem, o ar frio. Não é agradável.

Superstições (?)

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Partir um espelho dá sete anos de azar (daí evitar olhar muito para os que tenho, não vá partirem-se de susto).
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Soberba e outras não-qualidades

Eu também sofro de peneiras várias. Tenho a mania que escrevo bem, que a minha capacidade de raciocínio estará (um pouco) acima da média, que tenho alguma cultura (não muita, que há cultura muito chata e eu não consigo ter paciência), que sou resiliente e que as agruras normais (e não tão normais) da vida não me consomem e sinto um desprezo (que tento calar ao máximo, acho-o horrível) pelos que sucumbem a vícios menores ou maiores nas suas vidas - como se eu não sucumbisse, se não a esses, a outros (é por isto que o acho horrível, apesar de não o conseguir evitar). Mas há pessoas que sofrem de uma quantidade tão exorbitante de peneiras que me deixam estupefacta - e os blogs são um dos melhores locais para arejar essas manias. Acabei de ler um texto tão pedante e cheio de desprezo que me subiu a bílis à boca. Num blog conhecido, de uma pessoa inteligente, que escreve bem. Não procurem na lista ao lado, não consta. Nem constará, vou apagá-lo também da minha lista privada. Gostava de saber quanto de tanta soberba é realmente dirigida aos outros e quanto será, quem sabe inconscientemente, dirigida a si.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Nem acredito

Amesterdão está cheia de neve outra vez!


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Homens

Se há coisa que detesto é que venham homens desconhecidos falar comigo no meio da rua. Não estou a falar daqueles olhares que nos lavam a alma. Nem de algumas palavras, muito bem escolhidas, que nos acariciem o ego. Estou mesmo a referir-me ao meter conversa à descarada. Odeio. Não é que tenha medo ou por ser comprometida - é que não gosto de ser obrigada a falar com alguém que não conheço de lado algum. Julguei que aqui nas Lowlands estava safa, mas parece que não. Eu juro que fiz caras. Sorri um sorriso muito amarelo. Incluí um "não" em cada frase, em algumas, dois. Arqueei as sobrancelhas de forma depreciativa e abstive-me de responder quando me perguntou o nome. Custou até a lapa despegar. E quando despegou, o que fez? Entrou na sexshop que havia naquela rua. Lindo. Só comigo.

Superstições (?)

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Concordo com quem defende que andar com uma patinha de coelho dá sorte (eu ando com quatro para todo o lado; são de cadela e vão de motto proprio, mas conta na mesma que eu sei).
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Capacidades

Há pessoas que sabem fazer coisas tão interessantes e elaboradas como coser... até cerzir. With a needle in my hands I can only scar. E não é uma cicatriz qualquer, mas daquelas com que se ficava antigamente, quando o importante era fechar a ferida e não ficar bonito depois. Tantas horas perdidas nas aulas de têxteis para isto.
P.S. - não é que eu tenha muita necessidade de coser ou pena de não o conseguir, mas de vez em quando lá acontece alguma coisa a uma baínha ou cai um botão e eu... estrago mais do que arranjo.

Traduções

O weather.com agora aparece meio traduzido para português, mas só meio. E como se não fosse suficientemente estranho darmos com uma página que diz right now (imagem das nuvens) nublado, 3ºC feels like -1ºC, "PM Light rain" vem traduzido por "Pancads. à tarde". Pancadas?!? Primeiro, uma pancada de água não é light rain e sim chuva forte durante um período curto de tempo. E, depois, não me parece a palavra mais adequada para um site especializado no tempo. Que tal... chuva? chuva forte? chuviscos, quando é pouquinha? Será demasiado ousado para o weather.com?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Dei hoje pela primeira vez os parabéns a um homem que conheço bem, mesmo bem, por ir ser pai. É meu primo, daquelas pessoas que não me lembro de quando entraram na minha vida - pura e simplesmente porque sempre lá estiveram. E estou feliz. Mesmo ao telemóvel, mesmo a kms e kms de distância, ouvi-lhe o sorriso na voz. A felicidade nas palavras. É assim que deve ser. Parabéns, primo, vais ser pai. Mal posso esperar por te ver com o teu bebé nos braços.

Superstições (?)

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Eu não passo por baixo de escadas (mas só porque tenho medo que elas escorreguem e me caiam em cima).
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Eu não acredito

que acabei de falar* pelo intercomunicador do meu prédio, em Amesterdão, Holanda do Norte, Países Baixos, com uma Testemunha de Jeová que se dirigiu a mim em português**. Oh-my-god!, se existires, livra-me destes carrapatos que nem com o frio que faz nesta terra morrem, amén!

* despachar seria o verbo adequado, se bem que tenho que admitir que a estupefacção fez com que a minha reacção de repúdio tenha sido um pouco mais lenta do que é costume.
** ok, termos os nossos apelidos escarrapachados ao lado da campaínha é capaz de ter ajudado nesta parte.

Sejam criativos, substituam os itálicos

O cocó da camisola de Angorá, ou seja lá de que tipo de lã for, acabou de me deixar metade das outras camisolas que foram a lavar com ela com quase tanto pêlo como a original! Pepinos que a forniquem! Senhora da vida que a pariu! Só não vai parar ao lixo porque foi prenda. Odeio camisolas de lã.

Not there yet, though*


Acabei de abrir uma manga que deixei desde Sábado na fruteira - podre. E acabei de comer outra que, por precaução, guardei no frigorífico - consistência de pepino, cor de limão** e um sabor... entre os dois.

* ou O que eu não dava por uma frutinha da mercearia da D. Luísa.
** tive que tirar a casca generosamente para desaparecer a cor de lima.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

You know you've been in The Netherlands for too long when...

1. You think about going shopping and instead of wondering where are the car keys, you wonder where is the bike.
2. You prefer a latte to a galão.
3. You expect your dog to go inside the coffee with you and seat by your feet while you have lunch.
4. You forget your sunglasses' shape.
5. You find portuguese butter way too salty.
6. The smell of a joint becomes just another urban smell.
7. You know whether Els, Yordi and Femke are boys or girls.
8. You no longer feel robbed for paying €29,88/kg for (Spanish!) Presunto.
9. After being invited for dinner in someone's house you wonder which kind of flowers (not desert) should you take with you.
10. You start thinking you're not that tall after all.
11. You're happy that it's not that cold anymore (and the temperature is barely above freezing).
12. Seeing (almost) naked women in a window doesn't surprise you anymore.
13. You don't expect the ATM machine to do more than give you money.
14. Two very fashionable portuguese friends have no idea what UGGS are and you feel shocked.
15. "Lekker!" is what comes shooting out of your mouth when the food is good.
16. You go to the toilet in Lisbon and feel like falling because it is much lower than you thought.

My own version of this post.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Getting dutcher by the minute

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A minha melhor aquisição nos saldos.

Lembranças

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Adoro ver álbuns de fotografias. Tenho aproveitado o tempo livre para fazer álbuns de fotos que ainda não tinham saído do digital. Mas gosto especialmente de ver álbuns antigos. Ver pessoas que já não estão connosco, que nunca conhecemos, que não vemos há tempos ou que hoje estão tão diferentes. Tenho uma priminha que, em pequena, recusava-se a acreditar que aquele menino que via nas fotos, de cabelo cortado à rapazinho, era o pai... porque o pai era careca! Esses álbuns encerram uma certa magia nas páginas repletas de fotos antigas (nunca velhas), a sépia ou preto-e-branco verdadeiros, espectaculares, principalmente as das mulheres. Não sei como se arranjavam, mas estão sempre lindas, com o sorriso certo, viradas para o lado que mais as favorece... perfeitas. Serenas. Imaculadas. Gosto da calma que esses retratos me transmitem. Não sei bem porque me lembrei disto agora, mas quando regressar a Lisboa vou ver os meus. Ver a minha bisavó, sempre velhinha como a recordo, na negrura das suas roupas de viúva, a minha tia, querida, a assinar um livro de casamentos com o mais perfeito dos caracóis a cruzar-lhe a face, a minha avó com o seu chapéu das cerimónias, as tranças grossas da minha mãe, que se recusava a olhar para o fotógrafo, o primeiro encontro de duas irmãs do coração, um ano de diferença entre nós espelhado na menina de calças de fazenda e na bebé com vestido de baptismo, o meu avô quando ainda não pesava menos de 60 kgs e olhava o mundo do alto dos cento e setenta e dois centímetros que constam do seu BI mas que foram há tanto perdidos. Ao folhear álbuns antigos sinto uma pertença, um sentido de família, de tradição, legado de tantas pessoas que vieram antes de mim e que, de algum modo, me puseram aqui. Gosto desse sentimento.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O que eu não dava...

... para estes olhinhos verem este espectáculo um dia!



Uma das fotos do ano 2009 da National Geographic. Obrigada, Fuschia!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A'dam está linda

A neve é uma coisa muita gira, pois é. A paisagem fica linda, a neve range e estala debaixo dos nossos pés, a noite brilha como dia, há algo de conto de fadas numa casa com tecto de colmo coberto de frosting. No primeiro dia parecia uma miúda, feliz por estar contente apesar de o cabelo estar ensopado de tanta neve* e não sentir os dedos das mãos. Mas a cena de a neve calcada por centenas de pés congelar, transformar-se em gelo e ficar a escorregar mais que o ringue de patinagem de Museumplein já não é tão engraçada, pois que não é. Bailado nunca foi a minha especialidade. E os termómetros já subiam um ou dois grausinhos acima do zero (não é pedir muito!) que eu sei que o frio conserva mas, felizmente não preciso de ajudas como essa, ainda na 2ª-feira me disseram que pareço ter uns 25**...
* nunca tinha visto cair tanta neve como há uma semana e não me passou pela cabeça que levar o cabelo fora do casaco era capaz de ser má ideia.
** há que reparar na forma subtil como enfiei esta informação no texto... Nada forçada, completamente dentro do contexto, em suma, perfeita!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

Desabafo

Depois de estar em Portugal duas semanas a celebrar Natal e Ano Novo e a correr e acelerar para conseguir ver o maior número possível de amigos e família, voltar à pasmaceira de Amsterdão é dose. Acrescentar a isto temperaturas uns quantos graus a baixo de zero (em Lisboa apanhei 18ºC em dois dias!), mariduncho doente e... internet em baixo sem razão aparente é coisa para deixar qualquer um à beira de um ataque de nervos. Bem, uma semana depois o marido está bom, o corpo já congelou tantas vezes que já se habituou (ou seja, já estou constipada) e a internet regressou à vida sem aviso prévio nem razão aparente. Estou satisfeita. Agora espera-se o técnico da companhia de cabo na 2ª para garantir que o chilique não se repete. Vamos ver se a je também não tem de ir ao senhor doutor...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Num pulinho

Passo só para dizer que não morri nem do frio nem do calor que já passei aqui na lusitânia e que é difícil manter o estaminé quando não se está em casa muito mais de 2 horas de seguida, sem contar com as que se passa a dormir. Para a semana já estou de volta ao frio (correm boatos de mínimas entre os -6ºC e os -15ºC, estou a considerar ficar por cá mais dois ou três mesinhos) e à escrita regular. Aos portugueses tenho a dizer: irra, minha gente, eu sei que chove a potes e têm os putos em casa por causa das férias mas saiam do centro comercial! É que aqui a emigrante quer aproveitar os preços um pouco mais baixos aqui do país para abastecer a sapateira e o armário e assim torna-se difícil. Hoje à noite terá lugar mais uma tentativa, como ainda não sei em que antro do consumismo irei aterrar, libertem-me o Fórum Almada, as Amoreiras e o Dolce Vita apartir das 19h30, sff. Ah, e o Allegro também, por precaução. Muito agradecida!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Nuns lados...

... treme, noutros neva! Caiu esta noite o maior "nevão" que já tive o prazer de ver a cobrir Amsterdão. Está tudo branco, com uma camada de uns bons 5 cm e tenho a dizer que a Luna não aprecia a neve. Se eu não usasse sapatos também não apreciaria, de certeza. E que a máquina, no meio de tanto branco, não a consegue focar, apesar de pretinha*. O próximo post já será Made in Lisbon. Vaga de frio, aqui vou eu!

* desculpas de mau pagador (aka mau fotógrafo)...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

E quando A'dam cheira às escadinhas da Regina?

Quem não se lembra dos chocolates da Regina? Embalagem sobrecomprida, vermelha com laivos dourados, chocolate de leite? Mais do que o paladar, a Regina faz disparar o meu olfato. Fui à fábrica por duas vezes, em visita de estudo com a escola primária. Lembro-me do calor que fazia lá dentro e de oferecerem um saco gigantesco de chocolates, bombons variados e autocolantes. Mas, além dessas visitas, passava lá ao pé muitas, muitas vezes, toda a minha infância e adolescência. Andávamos tanto a pé naquela altura que não sei como não gastámos as pedras da calçada. O cheiro do chocolate a ser feito... entranhou-se-me na memória e continua a enviar-me num instante para aquelas escadinhas (não faço ideia porque é que toda a gente usa o diminutivo, de pequenas não têm nada) onde terminava o edifício da fábrica da Regina e onde estavam as gigantescas turbinhas que faziam circular o ar dentro da fábrica e salivar os passantes... O resultado é que já estive nas escadinhas da Regina quando estive Bruxelas, à procura do Mannekin Pis, ou em Bruges ou, por duas ou três vezes, em Amsterdão. Sempre que o ar cheira a chocolate. Nos outros locais, a culpa é das fontes de chocolate derretido que é costume terem nas montras das chocolaterias. Em Amsterdão, não sei. Mas há dias em que o ar cheira a chocolate. E cheira tão bem... cheira a tempos felizes.


Foto roubada daqui, depois de uma pesquisa no Google. Estão a ver o prédio à direita com janelas quadradas pequeninas? Era aí a Regina, hoje é um condomínio privado com preços acima do aconselhado. E estas são as escadinhas da Regina. Não sei o seu verdadeiro nome. Os carros que se vêem a meio da foto estão numa rua que fica a meio das escadinhas - como podem ver pela fileira central de candeeiros, elas continuam até lá acima, à Rua Gil Vicente. Se calhar começou-se a chamar-lhes "escadinhas" como piada.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Piada de emigrante

É preciso regressar a Portugal para passar frio... dentro da minha própria casa!

Peço desculpas à tecla "faz frio" por não a deixar em paz mas é que não consigo pensar noutra coisa. E pensar no gelo que vai estar no meu quarto de Lisboa na 5ª-feira quando chegar também me causa arrepios, e muitos. Não há comparação possível - aqui faz muito mais frio; o sol deixa de se sentir na pele a partir de Outubro; as ruas estão à sombra mesmo a meio do dia porque o sol em vez de se levantar bem alto no céu passeia pelo horizonte sem forças para mais; a relva à sombra mantém a geada congelada (que belo duo) até mesmo à hora de almoço. Em Portugal, sofre-se dentro de casa. E ainda se ouve pessoas que defendem que o quentinho dentro de casa não é bom porque depois está muito frio lá fora e o choque térmico faz mal e tal e coisa. Bullshit. Se isto fosse verdade toda a Europa para lá da Península Ibérica (e já estou a lançar-me em adivinhações porque não conheço a realidade espanhola) passava a vida doente devido aos choques térmicos. Sim, porque aqui faz muito mais frio e as casas estão muito mais aquecidas. E não tenho sofrido nem ouvido queixas sobre choques térmicos.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Vaga de frio? Onde?

Não fosse esta a última aula do Cervantes e ia já a correr para a rua, ia. E chegar a casa às 23h, quando devem estar uns -5ºC, pois claro que ia. Irra, que até sinto a pela da cara a repuxar. Daqui a três dias estou a pousar em Portugal, espero aguentar as temperaturas polares que por lá se estão a fazer sentir...

domingo, 13 de dezembro de 2009

Rituais

Há quem tome banho antes de ir dormir. Há quem não saia de casa sem rímel. Há quem escove o cabelo antes de se deitar. Eu, passeio a princesa cá de casa antes de irmos para a cama. E é um ritual elaborado: pôr a coleira na bicha; vestir-lhe a capa para o frio*; pegar num saco, abri-lo** e atá-lo à alça da trela; prender as calças dentro das peúgas para calçar as patas de mamute; calçar as luvas e de seguida vestir o casaco; fechá-lo bem até acima; enrolar o cachecol à volta do pescoço, o mais para cima possível, de preferência a tapar o queixo; soltar o cabelo e pôr o gorro na cabeça, cuidado para não deixar orelhas de fora; pegar nas chaves e guardá-las no bolso. Demorou quase 10 minutos mas estamos prontas a sair.

* feels like -2ºC lá fora, não brinquemos
** experimentem abrir um saco novo com luvas***
*** é preciso relembrar? feels like -2ºC lá fora, acham que ia tirar as luvas!?

sábado, 12 de dezembro de 2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Raio dos espanhóis

Devem andar com poucos alunos no Cervantes e vai daí resolvem que a melhor maneira de resolver o problema é diminuirem as horas lectivas de cada curso consoante o número de alunos inscritos. Eu sei que quanto menor o número de alunos mais fácil é a aquisição de conhecimentos, mas passarem cursos de 39h para 36h (se a turma tiver 6-7 alunos) ou para 30h (4 ou 5 alunos) parece-me um bocadinho desproporcional!*

* Será que pagam aos professores à hora? É que não estou a ver outra justificação para este corte!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Vai-t'embora, ó melga!

A Luna, princesa como é desta casa, tem direito a três passeios diários. O matinal é com o dono, antes de ir para o emprego, o que, em linguagem mariduncho significa cedo, bastante cedo... E o "cedo", agora, é de noite! Ora, de noite, o que é que se faz? Dorme-se, pois claro! A Luna concorda e assina por baixo. Já são duas manhãs que não quer sair. Ontem, não se levantava da caminha dela, nem abria os olhos. Cardíaco, o mariduncho já estava a lançar um lamento tipo "Mas o que se passa, a cadela não acorda, estará doente?" quando se dignou a abrir a pestana. Hoje abriu os olhos, lá isso abriu. E até se levantou... para dar uma voltinha no mesmo lugar e deitar-se de novo mas de costas para o dono! Se a vida da Luna desse um filme Disney, já tenho título: A Princesa Vira-lata.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Blog novo!

É interessante como as coisas se passam. Num dia recebo uma corrente culinária via e-mail de uma blogger com quem falo por causa aqui do aquário. Como pedia para avisar caso não se pudesse dar continuidade e eu não podia, avisei. Conversa puxa conversa via Gmail e, depois de passarmos pela transformação da corrente culinária em desafio para blog, chegámos à conclusão que o melhor mesmo era arranjarmos outro blog. Um blog culinário. Não é que haja poucos – há imensos. Não é que os existentes sejam maus – de modo nenhum, há coisas espectaculares. Mas este tem uma particulariedade: não é um blog nosso, mas de todos. De todos os que decidirem partilhar uma, duas ou mais das suas receitas, aquelas mesmo boas, originais, que fazem lá em casa de vez em quando, ou simples e práticas mas tão saborosas para o dia-a-dia, que com orgulho partilharão com a restante blogosfera. Daí o nome: Receitas Partilhadas. Para quem não tem tempo, ou receitas, suficientes para criar um blog só seu de receitas mas que quer mostrar que também tem talento. E como não queríamos ficar-nos pelas receitas arranjámos quem nos aconselhasse a bebida! Há tantas receitas boas por aí... Receitas novas, ou velhas, copiadas de uma revista ou livro ou passadas de geração em geração na família. Os outros também merecem conhecê-las! Partilhem-nas connosco no Receitas Partilhadas!

Homo Sapiens non urinat in ventum

é o que está escrito num edifício de Amsterdão. E não, não é graffiti (dois "f", dois "t" ou dois "f" e dois "t"?) ou qualquer tipo de escrita criativa de um adolescente com conhecimentos linguísticos acima da média. É o que está gravado na pedra. Decidido, portanto, por um arquitecto. Talvez seja um arquitecto adolescente com conhecimentos de latim acima da média? Vejam, por cima das colunas:


Este post merecia o título "A vida em Amsterdão tem destas coisas #7" mas estou obcecada com o "non urinat in ventum". Consegui dedicar-lhe dois posts! Infelizmente nem algumas pesquisas online nem conversas com locais conseguiram explicar o porquê da escolha de tão bonita e poética frase. Resta acrescentar que estas colunas servem de entrada a um complexo de edifícios onde a maioria dos estabelecimentos são restaurantes. Homo sapiens. Adequado.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Como Latim para mim é Grego

alguém que perceba esta língua que me diga se esta frase diz o que parece dizer:

HOMO SAPIENS NON URINAT IN VENTUM
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Limbo

Tenho uma inveja do caraças daquelas pessoas que sabem o que querem fazer da vida quase desde sempre e por isso lutam pelo seu objectivo e, por vezes, melhor ou pior, conseguem alcançá-lo. Não é porque ache que as coisas lhes caem do céu ou que não precisam de se esforçar para alcançarem o que querem - mas apenas porque pelo menos têm uma ideia do que gostavam de fazer com a sua vida. Eu sinto-me num limbo. Não sei para onde me virar e o problema nem está em estar na Holanda, mas em não ter um plano. É preciso ter um plano de vida. Objectivos. Para que no dia-a-dia não nos percamos com afazeres menores ou num marasmo cheio de nadas. Pode correr tudo bem (acontece, eu já vi!). Pode correr mais-ou-menos e ficarmo-nos por meio plano realizado. E nesse caso podemos continuar a perseguir o resto do plano e pode ser que, mais tarde ou mais cedo, nos achemos satisfeitos. Pode também correr tudo mal, e não haver volta a dar-lhe para que o nosso plano de vida volte à vida... E aí estamos uns tempos perdidos. Mas pelo menos tentámos. E eventualmente outros planos de vida surgirão para tentar de novo. O meu plano de vida original desmoronou-se quando ainda era tão novo, tão novo que se fosse humano estaria ainda separado em óvulo e espermatozóide. E desde aí estou neste limbo, que só a vinda para a Holanda e a falta de emprego aqui despertou. Já tenho algo a agradecer a esta experiência expatriada: abriu-me os olhos. Agora só resta focá-los num objectivo, traçar um plano com pés e cabeça e espaço de manobra e pôr-me a caminho. Estou a guardar pelo menos metade das minhas passas desta passagem de ano para pedir inspiração...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

950

Um casal e as suas filhas, teenagers, querem mudar de casa. O objectivo é simples: estarem mais perto das escolas que elas frequentam, em Lisboa. Comprar casa está fora de questão e mesmo alugar casa, em Lisboa, como toda a gente sabe, é caro. Mas o ordenado do pai é bom e a procura começa. O sonho é que a casa tenha dois quartos, um para o casal e outro para as filhas, que até agora sempre dormiram na sala. No final de muita procura há dois apartamentos em vista, curiosamente em prédios lado-a-lado. Um com um quarto, o outro com dois. A diferença de preços não é grande, mas o casal hesita. No apartamento maior estavam mais à-vontade, mas a diferença entre as duas rendas é equivalente ao espaço de manobra do orçamento familiar. Se optarem pelo apartamento maior não pode haver precalços. O dinheiro será à justa para as despesas correntes. Mas há sempre precalços. Optam, com pena, pelo apartamento mais pequeno, as miúdas continuam a dormir no sofá-cama da sala. Tem de ser.

Só para terem uma ideia, a diferença entre as duas rendas era o preço de uma bilha de gás. Em Lisboa, na altura, o gás era de bilha. Na altura, uma bilha de gás custava 50 escudos. Sim, 50 escudos. Era essa a margem de manobra, em caso de precalço, na casa dos meus avós quando a minha mãe era adolescente. A renda da casa que alugaram e onde ainda hoje o meu avô vive era 900 escudos. Um balúrdio, na altura. Não me digam que "hoje ainda estamos pior que antigamente"*. Não brinquem.

* Porque ainda há dias ouvi esta frase a ser proferida. E, por estas e por outras, esta frase irrita-me solenemente.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Em Roma, sê romano

Em Amsterdão, usa patas de mamute.


Eu sei, não são as coisas mais bonitas que os designers de moda se lembraram de criar. E ficar bem, mesmo, acho que não ficam a ninguém. Mas são quentinhas. E confortáveis. E eu hoje andei mais de duas horas na rua, está frio e souberam mesmo bem.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A vida em Amsterdão tem destas coisas #6

Daqui a três semanas já estou a aquecer os estofos do meu boguinhas. Ui, as saudades que eu já tenho da minha embraiagem, caixa de mudanças, acelerador... Não percebo quem gosta de caixas automáticas: quem me tira a possibilidade de mandar uma abaixo para ajudar a ultrapassar o pastel que vai à minha frente tira-me tudo*. Bem, mas este post vinha, por inspiração deste aqui, falar de rádio e de holandeses - novidade, novidade! Eu cá desafino ao volante. Aquela cena de cantar no duche nunca foi comigo, eu já sou mouca de natureza não preciso de água a escorrer pelos ouvidos para ouvir ainda menos a guincharia que estou a fazer. Pois os holandeses são como eu, gostam de cantar (ok, ok, guinchar) ao volante - a grande diferença é que eles não têm chapa à volta a absorver o barulho ou rádio em altos berros para disfarçar a voz de cana rachada. Eles guiam bicicletas! Muito gostam eles de cantar ao volante das suas binas. Alguns, percebe-se, estão a tentar embalar as crianças que viajam no cesto da frente, ou atrás, não interessa. Outros fazem mesmo como eu - o grande objectivo é assassinar boas músicas com a pior voz que se possa imaginar.

* Cruzes, sou tão portuga que até faz impressão.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sabemos que somos queridas quando

recebemos uma mensagem a dizer que o melhor é marcarmos já* o nosso jantar de Natal, antes que se marquem todos os outros e depois seja complicado conciliar. "É que o nosso tem prioridade!".

* mensagem recebida há umas três semanas atrás, quando faltava quase 1 mês e meio para ir para Portugal

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Mais tarde ou mais cedo tinha de acontecer

A temperatura máxima já não chega aos dois dígitos.

8°C
Actual: Aguaceiros
Vento: SO a 35 km/h
Humidade: 87%
sex

9° 7°

sáb

8° 4°

Quantos pontos valerá no Scrabble?

Sabem quando falamos demasiado depressa ou estamos cansados e o cérebro mistura duas palavras sinónimas porque parece não conseguir decidir qual delas utilizar? Nessas ocasiões saem palavras tão interessantes como "espantacular". No outro dia o mariduncho saiu-se com uma mistura tão boa, tão boa que, arrisco dizer, é "espantacular" de boa. "Odeio que me 'disturbem'", disse ele. Sim, porque como já não chegava a misturada de palavras portuguesas, agora também mete o inglês ao barulho. Isto de se passar o dia a mudar de idioma não é nada saudável.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Dúvidas Existenciais III

Já agora, porque é que são tantos?!?* A lenda diz que o (singular) Zwarte Piet é o (singular) companheiro do Sinterklas, que ajuda na distribuição dos presentes às crianças**.

* no desfile de há duas semanas em Amsterdão só havia um Sinterklas mas dezenas e dezenas de Piets!
** para mais informação e fotos (hão-de reparar que o Piet é pintado), ver aqui

Dúvidas existenciais II

Porque é que os Zwarte Piets* que agora pululam** por Amsterdão não são, efectivamente, pretos, mas sim brancos pintados?

* Piets Pretos, numa tradução literal; o Zwarte Piet é um companheiro do Pai Natal cá do sítio, o Sinterklas, que é suposto vir de Espanha e ser negro (?)
** acabei de ver 3 a pular pela Museumplein fora

terça-feira, 24 de novembro de 2009

É para achar que está a chover mesmo muito

quando começamos a ver que os holandeses também andam com os chapéus-de-chuva atrás!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

É para receber mensagens assim que criaram o e-mail

Testículo: Texto pequeno
Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Coitado: Pessoa vítima de coito
Padrão: Padre muito alto
Estouro*: Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão: Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério*: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente*: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito
inteligentes
Expedidor: Mendigo que mudou de classe social
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Aspirado*: Carta de baralho completamente maluca
Assaltante: Um 'A' que salta
Determine*: Prender a namorada do Mickey Mouse
Ortográfico: Horta feita com letras
Destilado*: do lado contrário
Pornográfico*: O mesmo que "colocar no desenho"
Coordenada*: Que não tem cor
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Ratificar: Tornar-se um rato
Violentamente: Viu com lentidão

* soa melhor se se ler com (o que nós achamos ser) pronúncia brasileira do português.

domingo, 22 de novembro de 2009

Fiquei fã

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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Bom fim-de-semana!

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Higiene oral antes de tudo

e não importa onde!

Ontem ia muito bem a passear a minha Luna quando olho para dentro de um carro parado num semáforo e vejo que a miúda que ia no banco do pendura (mas não devia ter nem 12 anos) está a escovar os dentes. Escova na mão direita, boca (não muito) cheia de espuma e vá de esfregar. Para terminar, abre o vidro do carro e cospe a espuma para a estrada. Águinha para enxaguar fica para a próxima (a pasta devia ser da que tem sabor a morango e dá tanta vontade de comer como a gelatina Royal) que o semáforo passou a verde para os carros e ela fechou o vidro e foi-se.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Como não chegava o vento com rajadas a mais de 40km/h, agora está a chover com rajadas.*

* É por estas que na aula de espanhol quando tivemos de descrever a chuva sem usar as palavras água, nuvens e não sei que mais, houve quem escrevesse "Es el tiempo más comun aqui en Holanda" - e não fui só eu!

O mundo não anda para trás

Já houve uma altura em que o casamento era só religioso. Quando se começou a falar de casamento civil, o que se dizia? Que o casamento civil não fazia sentido, que o casamento só fazia sentido enquanto cerimónia e compromisso religioso. Alguém hoje ainda pensa assim? Com certeza, dois ou três - há sempre alguém com uma opinião diferente, seja ela baseada em novas ideias ou em ideias com séculos ou décadas de existência. Há (muito, mas também não tanto assim) tempo atrás os negros não eram pessoas, humanos como os brancos, mas sim uma qualquer subespécie mais próxima do animal do que do humano que, por mero acaso, possuía a única grande característica (física) que nos distingue dos animais - a fala. Alguém ainda hoje pensa assim? Claro! Infelizmente, ainda há muitos, tal como disse atrás, há sempre quem pense de maneira diferente. Há alguns anos atrás (poucos, tão poucos...) em Portugal era dado adquirido que um bom ensaio de porrada (com um cinto, a régua, os punhos - originalidade era a palavra de ordem) era a melhor maneira de ensinar às crianças fosse o que fosse - até a respeitar quem tinha acabado de lhe deixar o corpo negro. O mundo muda. As opiniões (da sociedade enquanto um todo) mudam. Por isso, neste caso, também mudará. O casamento entre homossexuais será uma realidade dentro de pouco tempo. E continuarão a existir pessoas que dizem "casamento sim, que a vida de cada um não nos diz respeito, mas adopção de crianças não, que as pobres vão ser doutrinadas, gozadas, desviadas, etc., etc.". E o mundo continuará a girar. E, quando a sociedade decidir que afinal as crianças estão melhor com um casal homossexual do que numa instituição (por muito boa que seja, por muito dedicados que sejam os funcionários), também isso se alterará. E, aí, provavelmente, virão alguns dizer "adopção sim, que aquelas pobres crianças já nasceram e estão melhor assim do que noutras circunstâncias, mas agora inseminação artificial para homossexuais é que não, que uma coisa são as crianças que já cá andam, outra encomendarmos novas crianças nessas condições". E, novamente, o mundo girará. E o mundo não anda para trás.* Só tenho alguma pena que, entretanto, haja crianças que continuem a sofrer quando se calhar há alguém que queria dar-lhes amor.

* excepção feita a grandes cataclismos que provoquem alterações radicais nas condições em que vivemos e, consequentemente, na organização da sociedade

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Problem solved

Já estava pronta para comprar uns ganchinhos e ficar a parecer mais totó do que o normal na tentativa de resolver o meu problema de franja. Tenho duas razões para não ir ao cabeleireiro: um, não gosto de experimentações com o meu cabelo; dois, toda a gente sabe que ir ao cabeleireiro cortar a franja implica perder pelo menos três dedos de comprimento (começo a acreditar que é defeito profissional), e eu estou a usar o exílio como desculpa para deixar crescer o cabelo à séria. Entretanto, lembrei-me de uma querida amiga que, nos tempos paupérrimos da universidade, escadeava a parte da frente do cabelo (a que emoldura a cara) com uma gillette para não ter de ir tantas vezes ao cabeleireiro. Usei o mesmo método na franja - e funcionou! Esteva com um certo receio de ficar a parecer um bicho com meia dúzia de pêlos espetados irregularmente na testa, admito, até porque há histórias de fracassos desses na família, mas tudo correu pelo melhor. Quando o mundo acabar e deixar de haver cabeleireiros já sei que posso manter a franja controlada, desde que a fábrica de gilletttes não feche. É sempre bom saber!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Irritações 2)

O Messenger diz-me que não pode ligar porque preciso de fazer o download da versão mais actual. Ora, a última actualização que fiz foi há menos de 6 meses! Mas não tenho mais nada que fazer senão desinstalar e instalar diferentes versões do Messenger?!? Eu até prefiro o Skype ou o gmail...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Remédio Santo

O vosso relógio biológico diz-vos que está na hora de procriar? Quando vêem crianças na rua, especialmente bebés, têm vontade de os raptar e levá-los com vocês para casa? Nada vos satisfaz mais do que comprar prendas para as crianças da família e dos amigos?

Por outro lado:

Acham que ainda têm muito que gozar antes de "abdicarem da vossa liberdade" por um filho? O horário de trabalho mal dá para tratarem de vocês, quanto mais de uma criança? O ordenado é curto só com duas bocas, acrescentar uma (ou duas, se vos sair a sorte grande em forma de gémeos) é uma ideia que se vos afigura suicida?

Então, vejam um programa chamado Take Home Nanny... Não há melhor controlo de natalidade, de certeza! Para quem, como eu até ontem, desconhece o programa, passo a explicar: uma senhora, a Nanny Emma, desloca-se a casa de várias famílias com crianças problemáticas durante uns dias para orientar os pais sobre a melhor forma de resolverem os problemas com os filhos. Que bichinhos! E sabem o que é para mim mais assustador? É que aqueles pais não quiseram fazer mal aos filhos, não os quiseram deseducar, não quiseram transformá-los em bichinhos desgovernados com mais poder naquela casa que o Papa no Vaticano! Não, aquelas pessoas quiseram o melhor para os seus filhos, quiseram poupá-los. E deu naquilo. Quem garante que eu, tu, ou qualquer outra pessoa não faz o mesmo, sem querer? Fiquei traumatizada e se quero poder ter filhos antes dos 40 não posso voltar a ver o programa.

Irritações

A nova publicidade pop-up no Público online. Cada página, cada secção, cada nova notícia, lá vem o anúncio da semana... Muito bem colocado sobre a última notícia de cada secção. Agora até é um rapazito jeitoso o que melhor se vê no anúncio, mas depois de abrir umas quantas notícias até ele já enjoa!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

São Martinho!

Castanhas! É (devia ser) hoje! E eu aqui, onde num quilo de castanhas meio vem com bolor mesmo agora, no início da época! É com esta que deprimo de vez. E a culpa é desta portuga que tinha que me lembrar da data.
P.S. - Para quem não saiba, eu amo castanhas. Assadas, cozidas, piladas, na comida, em doces, até cruas eu as como. O que eu não dava por meia dúzia de quentes e boas hoje ao lanche...