sábado, 6 de março de 2010

A vida em Amesterdão tem destas coisas #7

Um rapaz acabou de me perguntar para que lado é Sudeste. Porque quer ir para Utreque. Eu perguntei de volta Ah, Utreque, quer ir apanhar o comboio a Centraal Station? Não, não, responde-me. Vou de bicicleta.*
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* para quem, compreensivelmente, não está bem a ver a coisa, Utreque é outra cidade; e apesar de este país não ser propriamente grande, Utreque não é já aqui ao lado - é outra região; no comboio rápido chega-se lá em meia hora, no lento em 50 min.; está -1ºC lá fora e são 22:50; podia continuar, mas acho que já dá para terem uma ideia.

Diferenças geracionais

Há uns tempos o meu avô atirou-se de umas escadas abaixo. Está inteiro e fino, dois dias depois já gozava com o assunto, apesar de eu ainda me arrepiar só de me lembrar das escadas por onde andou à reboleta. No outro dia, estava eu em Lisboa, e depois de ter ficado só com a minha mãe, o meu velhote diz-lhe: "Afinal a menina* também caiu!". A minha mãe, sem perceber, pergunta-lhe: "Caiu? Ela disse-lhe? É que eu não sei de nada." Resposta do meu velhote, completamente lógica se tivermos em conta que tem quase, quase 90 anos e a ideia de um par de calças virem já rotas da loja não lhe ocorrer sequer em sonhos: "Então não viste que trazia as calças rotas no joelho? Caiu, rompeu-as e deve estar toda esfolada!".

* a menina sou eu, of course. Independentemente dos 31.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Como o bom humor se vai depressa

Em Portugal o meu tom de pele de Inverno é naturalmente amarelado - sou morena, mas não muito, pelo que nunca perco todo o bronzeado do Verão nem chego a ficar completamente branca - ou seja, fico amarelada. Odiava com todas as minhas forças essa cor de ictrícia com que tinha de desfilar por Lisboa alguns meses por ano até me ver com a cara com que fico nos Invernos holandeses... Ou seja, a cara que tenho de Outubro a Maio. Aqui, não há bronzeado de Verão que resista, nem marca da aliança tenho e o frio transforma a minha cor pálida (apesar da falta de sol não consigo chegar ao tom leitoso da pele dos que são mesmo, mesmo brancos) num avermelhado com manchas que não lembra ao diabo. Juntem a isto as gotas de chuva que se vão acumulando (remember, aqui ninguém usa chapéu-de-chuva por menos que um dilúvio) e terão uma ideia do meu aspecto, agora que acabei de chegar da rua. E, para eu não me esquecer da triste figura que passeio por Amesterdão, mesmo em frente à porta da entrada de casa tenho um espelho gigantesco. Pareço um russo que abusou do vodka, e não há muito que possa fazer - a minha pele da cara quase não suporta creme hidratante (nem com o frio que aqui faz!), quanto mais cremes e bases e sei lá mais o quê que lhe desse cor... Como devem ter percebido, o solzinho de ontem já se foi. E com ele, a boa disposição. Agora, chove. E dão neve para amanhã. Aaaaargh!

Pensava que isto já não se usava...

... mas parece que estava redondamente enganada. Um antigo colega da escola foi pai... nada de novo, por enquanto... o grande espanto é que a criança foi fruto de uma one night stand. Ou seja, o velho e mítico golpe da barriga! Rapaz comprometido enrola-se com outra rapariga (não sei pormenores) chegam a vias de facto e surge uma gravidez. O rapaz continua comprometido mas a rapariga da one night stand resolve ter a criança - e voilá!, temos mais uma criança neste mundo. Lindo!

P.S.1 - atenção que não estou, de forma nenhuma, a defender o menino que resolveu ir molhar o bico fora de casa... Fosse comigo e já tinha levado um belo par de patins - de gelo, que deslizam bem mais rápido. Mas, convenhamos, fosse eu a rapariga da one night stand (imagem um bocado estranha da minha pessoa acaba de formar-se na minha cabeça) e não tinha tido a criança!
P.S.2 - ah e tal, viva a família tradicional, é o casamento (e a adopção) gay que vai desvirtuar a nossa bela sociedade; vê-se!
P.S.3 - meninos (que não lêem este blog), tenham cuidado com o vosso general... mantenham-no dentro das calças ou, pelo menos (é pedir assim tanto?) usem preservativos! (Ai não que não tinha levado com os patins... nojo!!!)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Zen

É nestes dias que melhor consigo apreciar a cidade onde vivo. O sol que (pelo menos hoje) brilha no céu, as pessoas, as bicicletas, os passeios planos e desimpedidos, a forma como tudo está tão próximo que, apesar de já viver no sul de Amesterdão, posso perfeitamente ir ao centro a pé, aventurar-me mesmo até à estação central, e regressar a casa dando a volta pelo oeste (ou, como se costuma dizer, dando a volta pelo bilhar grande) e chegar relativamente descansada e, o que é melhor, profundamente satisfeita e em paz.
É uma pena que "estes dias" impliquem estar saciada de familiares, rejuvenescida pelos amigos, saturada de Lisboa (o caos no estacionamento e a chuva constante e torrencial conseguem esta proeza, apesar de durar pouco) e, portanto, satisfeita por ter um tempo só para mim, para divagar e olhar à volta com olhos e mente bem abertos.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

"Daqui para a frente só pode melhorar!"

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Ahahahahah!
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Começa bem

Em menos de 12h em Lisboa já me caiu em cima uma mini-tromba-d'água (isto na onda dos mini-tornados que andam frequentes no nosso país). O caudal de lama, impossível de conter no desnível entre o passeio e o alcatrão, subiu o passeio. O bogas passou de azul a castanho, no lado do condutor (ainda por cima). O lado positivo? Daqui para a frente só pode melhorar!*
* conforme acabo de teclar já ouço uma nova chuvada a fustigar a janela... Já estou a ver que acordos com o Cornudo valem tanto como apelos ao São Pedro (e esta, hein?).

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Deviam ser todos assim!

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Noticia o Público, desde ontem, que um edifício que ruiu em Lisboa foi também capaz de realojar 5 pessoas*. Sim, realojou-as - ou pelo menos é o que anunciam! Titula o Público (avisando da autoria da Lusa - pérolas destas não devem ser plagiadas): Edifício em Alfama desaba parcialmente, realojando cinco pessoas. Não sei exactamente de quando data o edifício mas, situando-se num dos bairros históricos da capital, será provavelmente um prodígio de tecnologia centenária, com certeza já perdida, ou uma maravilha das mais modernas invenções. Eu defendo que o caso seja investigado a fundo e seja obrigatório (eu ia dizer por lei, mas essas valem o que valem) que todos os congéneres edifícios possuam a mesma faculdade - em caso de desmoronarem, continuam a poder realojar os seus antigos (e actuais) moradores. Chegámos, sem dúvida, ao séc. XXI da arquitectura!
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* O jeito que isto não dava aos desgraçados da Madeira...
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Vou-me

Em busca do sol e de temperaturas mais amenas.
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(foto daqui)
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sábado, 20 de fevereiro de 2010

A woman's got to do what a woman's got to do

Depois de estudar diariamente o weather.com Lisboa/Gago Coutinho (que raio, ou melhor, onde é Gago Coutinho?!) e de ver a cada visita mais um dia da minha ida a Portugal marcada por outra nuvem cinzenta e, ainda por cima, chorosa, resolvi fazer um pacto com Satanás. Sim, que isso de pedir ao São Pedro já se viu que não resulta*. Aqui vai. Exmo. Sr. Diabo, se me der o prazer de ver e gozar o sol nos dias que passarei à beira Tejo, vendo-lhe a minha alma** (sim, primeiro quero provas, só depois vendo seja o que for!). O preço está ainda aberto para discussão (mas já sei que incluirá muitos e muitos dias de sol encomendados desta vez para a altura do Verão), caso se confirme que mais de 80% dos dias do final de Fevereiro são de sol (não achavam que ia vender a minha alminha por dá cá aquela palha, pois não?). Esforce-se, Satã, empenhe-se, Sr. Cornudo, que esta alminha vale ouro!

* Estás a ver, santinho de vão de escada, o que me fazes fazer?!? Se fosses um gajo como deve de ser trazias todas as nuvens previstas para Lisboa (pronto, vá, para Portugal, que parece que o país já quase virou pântano) para os Países Baixos, que aqui já há tantas que mais umas ninguém nota e eu escusava de fazer um acordo com o gajo lá de baixo ainda antes dos 31!
** Primeiro passem uns meses no Inverno holandês (ou outro aqui por estes lados) e depois venham criticar, boa?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Tudo tem um lado positivo

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Uma vantagem de quando neva... é que quando neva não chove.
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Estou chocada

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O Inquisidor que há em mim veio à tona...
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Um pouco de rigor, não peço mais

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Um livro de História que menciona Espanha no tempo dos Romanos faz-me pensar na salamandra que aquece a sala da minha mãe...
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Acontece que não pode

Apesar de no site dizerem cats and dogs up to 6 kg, o que querem dizer é: cats and dogs that, with their bag, weigh up to 6 kgs. Isto é informação errónea. Pensei que isto não acontecia nos países desenvolvidos. Pensei que isto não acontecia nas empresas dos países desenvolvidos. O que está no site tem de ser informação oficial e tem de ser absolutamente explícita. Por exemplo, na TAP dizem "O peso total (animal mais contentor) não pode exceder 7kg". Na KLM o que diz é cães até 6 kg, nada mais. Resultado? Não viajo com a KLM, mas sempre com a TAP.
A falta das minhas viagens não lhes faz diferença alguma, mas a mim, sim. Se fossem à falência, ria-me. Se pudesse, enviava para os voos deles os passageiros mais chatos, porcos e mais mal-educados. E todos os cães e gatos que com a mala pesem até 6 kg, mas com litros e litros de água no bucho, o avião havia de escorrer mijo quando aterrasse. E às dúzias de Miriams, Zéleidas e Dorotéias que estão no helpdesk, cuspia-lhes na cara, uma a uma. E isto é porque já passaram uns meses desde que me chateei com eles, a raiva já abrandou.

Digam-me lá

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A Luna tem 5,9 kg e a caixa onde a levo está dentro dos parâmetros (é uma travel bag com 105 cm). Posso levar a Luna comigo na cabine quando viajo com a KLM?
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Consolação à portuguesa

Coitadas de vós, meninas semi-nuas dos Carnavais portugueses... Um frio de rachar, chuva a potes e vocês de biquini a sambar. E se eu vos disser que me asseguraram que há um sítio qualquer aqui nas Terras Baixas (raios partam a minha falta de memória para nomes esquisitos de cidades holandesas!) onde também se copia o Carnaval do Rio e há meninas de biquini a sambar pelas ruas (literalmente) congeladas do dito burgo... sentam-se menos ridículas? Pois. Porque aqui ainda faz mais frio. É o consolo habitual do português*: não faz mal estarmos mal, olha ali os outros ainda pior!
* contra mim falo, atenção, pois apesar de não me dar para bailar semi-nua no meio da rua (seja com que temperaturas for), tantas e tantas vezes uso este (triste) argumento para me consolar...

Já tinha saudades*

Estou novamente a ouvir o violoncelista que vive por cima de mim - acho que não dava por ele desde antes do Natal. Já pensava que lhe tinha acontecido alguma coisa, coitadinho, um rapaz tão novo (vi-o uns tempos antes com o trambolho às costas na entrada do prédio) ou que, azar do azares, tinha mudado de casa - abrindo a possibilidade de vir para cá morar alguém que tocasse algo bem pior que um violoncelo... Mas não. Deve ter andado em tournée. Agora voltou. A minha enxaqueca confirma-o.
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* mentira, não tinha saudades nenhumas, estava tão bem sem este chato a buzinar-me ao ouvido dias inteiros...

Não estou de Acordo, nada a fazer

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Título de notícia na RTP: "Estações da Linha de Gondomar já estão batizadas".

Tantos e tantos anos a aprender a escrever e agora sinto-me quase analfabeta outra vez. Já não chega outras idiotices, como "pôr" e "for" (porque não levam ambas acento? Não me venham dizer que é porque existe "pôr" e "por", porque então também deveria existir "côr" - amarelo, azul, etc. - para diferenciar de "cor", de "saber de cor"!), agora desaparecem as "consoantes mudas" - a mim ensinaram-me que elas não se lêem, mas têm como objectivo abrir a vogal que está antes... assim para se ler "bátizadas" e não "bâtizadas" - e outros tantos acentos, fazendo com que a ordem do verbo parar "pára imediatamente" passe a escrever-se "para imediatamente", o que é claramente muito mais fácil de entender e não se presta a confusões nenhumas... Isto para não falar das maiúsculas que desaparecem dos dias da semana e dos meses. Porquê? Que diferença faz fevereiro ou Fevereiro? Quem percebe um percebe o outro, mas para mim é bastante mais fácil compreender que alguém que escreve Segunda está a referir-se a um dia da semana do que se escrever segunda. Por outro lado, demoram décadas a oficializar letras do alfabeto - já quando eu andei na Primária a professora explicou a existência do k, w e do y e o seu uso em algumas palavras mas só agora é que esta explicação passa a oficial! Passados vinte e tal anos!
Já li várias defesas do acordo ortográfico. Com atenção, que eu gosto de saber e para isso preciso de compreender, dado que tudo o que é decorado depressa se esconde nas muitas pregas do meu cérebro, para nunca mais ser encontrado. E, francamente, não percebo. Não acho que tenha lógica e não me parece que facilite a compreensão de uma língua que já é tão complicada. Além disso, este acordo faz com que haja muito mais regras da língua escrita cuja justificação é "porque sim". E se havia coisa que me fazia urticária nas aulas de gramática portuguesa era o "porque sim"...
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P.S. - Dobrar-me-ei, eventualmente, à escrita oficial, eu sei que sim, mas vai ser por obrigatoriedade e sempre com um travo amargo na boca.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A vida em Amesterdão tem destas coisas #6

Soma:
1 canal congelado
+
1 bicicleta estacionada contra o gradeamento da ponte
+
5 pares de dedos congelados pelo frio

Resultado? Chaves dos cadeados no canal (congelado).

Solução? Um cordel com um íman na ponta.

Pergunta óbvia: onde arranjou a rapariga um íman? Trá-lo na mala, em caso de necessidade?!?

Xpectations

A vida é feita de expectativas... Como âncoras colocadas lá à frente, bem ao longe, onde o barco que somos vai chegar um dia. E a vida é como o vento, empurrando a nossa nau, umas vezes depressa, outras devagar, mas sempre em frente, fazendo com que eventualmente cheguemos às âncoras que, até agora, serviram para orientar a nau na direcção certa, apesar de ventos e tempestades. E nós remamos, com todas as forças e o máximo de jeito. No entanto, a grande questão é: agora chegados àquela âncora, teremos condições de a levantar do fundo do mar para continuarmos a navegar? Se sim, óptimo, mas quando não temos forças, ou quando não se proporciona, essas âncoras ficam para trás e ao invés de servirem de guia, servem de lastro. O lastro de objectivos por cumprir. A prender-nos. Para continuarmos em frente é preciso fazermos duas coisas: começar por cortar a corda que nos prende ao lastro e atirar, com todas as nossas forças, novas âncoras, fresquinhas, lá bem para o fundo, onde continuarão a guiar-nos na direcção certa. É tudo tão bonitinho e fácil, assim por escrito e no plano abstracto...