terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

É que é sempre à 2ª!

Como já sabem, sou uma pessoa extremamente ocupada e que tenho imensa necessidade de sair de casa e aturar o tempo que faz lá fora. Aliás, se eu não saísse de casa um dia pararia a economia, e não só a dos países baixos, mas a portuguesa também! Posto isto, há que considerar o espanhol à 2ª - ou seja, a minha única obrigação com local definido e horário imposto. Ora o que eu tenho neste momento a dizer sobre as aulinhas de espanhol é que me entretêm a cabeça* e me congelam o cérebro. Ontem estavam uns maravilhosos -4ºC (feels like -10ºC!) quando saí de A'dam, às 16h30, agora às 23h, quando cheguei, nem vi para não me assustar. Nas (muitas) 2ªs-feiras de espanhol deste Inverno já me caiu em cima uma chuvada que fez os holandeses presentes falarem em falta de comboios (e eu a pensar como é que volto para Amesterdão sem comboios?!?), já me nevou em cima (várias vezes) e já me trovejou mesmo por cima da cabeça (apanhei um susto daqueles). Ontem ia congelando (mais uma vez) com o ventinho que se fazia sentir. Com tanto dia da semana, tinha de ser à 2ª?

* porra, o raio dos pronombres me hacen la cabeza en agua (vêem, vêem? estou quase hispanohablante!!)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Poupadinha, eu?

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Não sei de onde tiraram essa ideia!
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P.S. - caso seja difícil identificar, é o que resta de uma bisnaga de creme para as mãos, tinha originalmente cerca de 10 cm de comprimento.
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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Lá no fundo eu até sei

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Se nós tivermos de ficar na Holanda eu terei de aprender holandês. Ninguém fica permanentemente num país sem saber a língua... Por isso, enquanto não souber holandês, sei que esta estadia não é definitiva. É o meu refúgio, por idiota que soe.
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

É mesmo só para tirar o outro post do lugar de destaque

Ando meio sem inspiração para escrever, ainda não percebi porquê, mas o último post que publiquei é mau de mais para estar em posição de destaque tanto tempo. Para tentar arranjar o que escrever mergulhei de cabeça nos jornais nacionais online. O problema é que esqueci do escafandro e parece não haver oxigénio para respirar nestas páginas. É o Mário Crespo para a frente e para trás, e se às notícias parvas juntarmos os comentários dos leitores, obtemos uma mistura letal, autêntico dióxido de carbono. Depois é o Belmiro que disse que o Cavaco é um ditador, e que foi ditador numa ocasião ou outra mas que afinal não é ditador na totalidade, foi uma maneira de dizer. E é o conselho de Estado convocado por Cavaco quando este percebeu que as ameaças de Sócrates se demitir eram para ser levadas a sério, ao mesmo tempo que o gabinete do PM diz que este nunca disse a Cavaco que se iria demitir. E Rosa Lobato Faria, falecida, como sempre grande senhora e grande actriz e grande portuguesa e grande escritora e grande tudo agora, depois de morta. Se lhe tivessem dado um terço da atenção que lhe dão agora aquando da edição dos seus romances eu já teria lido pelo menos um e agora escusava de me sentir ignorante por nunca ter ouvido falar deles. Estou enjoada e enojada e não sei se é só por falta de oxigénio ou mesmo por excesso de dejectos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Foi para isto que inventaram o Skype

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Eu: Olá, amiga! Como estás?
Ela: TOU A ATURAR UMA P***A AO TELEFONE
Eu: :D (= emoticon giro que se ri à gargalhada)
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Sand and water

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Solid stone is just sand and water, baby, and a million years gone by.
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Beth Nielsen Chapman

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nunca vou entender a moda

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Estão a ver foto acima? Reparem bem na roupinhas. Devem ser peças de marcas conhecidas e um especialista nestes assuntos provavelmente diria que é um conjunto fantástico, os sapatos não-sei-quê e a saia do não-sei-quantos a combinarem na perfeição com a camisolinha não-sei-que-mais. Ora eu, ao apreciar (criticamente) este conjuntinho, para além de ter a certeza que custará mais do que o recheio de grande parte do meu guarda-roupa, diria o seguinte: camisola às riscas com saia com padrão? Mas eu pensava que as t-shirts às risquinhas, além de serem próprias para ir fazer jogging, só jogavam bem com lisos... e, além disso, vai com sapatos de salto agulha! Péssimo para o jogging! E, já que falamos de sapatos, a sério, sapatos castanhos com meias cinzentas?!? Que combinação horrível, odeio a mistura de cinzento ou preto com castanhos e cremes. E eu até sei que se tornou moda este ano, mas cá para mim... Nããã! Creme com castanho, cinzento com preto, nada de misturas. E a pasta / mala que leva na mão, tem dois tons, castanho e creme, mas nada a ver com o tom e material dos sapatos! Não me digam que não havia nada do tom dos sapatos no guarda-roupa ? (Imagino o guarda-roupa que estas pessoas devem ter, no meu às vezes há coisas que não combinam com nada, mas eu sou esquisita, nem tudo me assenta bem nas curvas, sou forreta e ninguém me oferece roupa à borla!)

Pronto, isto é o que tenho a comentar sobre a indumentária. Resumindo, eu, para a moda, não dou. Sim, porque o defeito não será com certeza dos estilistas, nem de quem escolheu o conjunto, mas meu. Resigno-me a gostar do que gosto, independente (ou dentro) do que a moda de cada estação me permite... e o bolso também.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Ontem no cinema

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Que filme fui ver? Se era bom / eu gostei? A sala estava cheia? Who cares? Ao meu lado um inglês limpava o sótão dos seus (muitos) habitantes indesejados e de seguida procedia à sua remoção das unhas usando os dentes e os espaços entre eles.*

* Ainda bem que nestas bandas não há lugares marcados e que toda a gente tem o saudável hábito de deixar um lugar vago entre cada pessoa / grupo / casal.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Isto só neste país!

Podia ser só no nosso rectângulo (há lá frase feita que mais repitamos em relação a Portugal do que a que dá título a este post?) mas não é. Aqui na Holanda também há tanta coisa a funcionar mal... Nos últimos tempos têm acontecido umas interessantes! No job do mariduncho descobriram que durante quase um ano andaram a calcular-lhe mal o ordenado (não exactamente o ordenado, mas uns perks a que ele tem direito) e a cobrar indevidamente a percentagem para a segurança social. Sorte nossa, no final ficou a ganhar, olhem se tivesse de devolver dinheiro?! Mas... como é que se enganam durante meses a fio a pagar a um trabalhador e não dão por nada? Já a empresa que trata dos impostos só há pouco acabou de tratar da nossa papelada relativa ao ano fiscal... 2008! Entregaram tudo. Vai haver multas por atraso? Não sei. Diria que sim. Mas quem as pagará, se houver? É que eles tinham a documentação toda, só não se despacharam antes porque "têm muito trabalho"*. E agora a UPC. Fizeram não-sei-o-quê que enfraqueceu o sinal que vem da rua e como resultado o sinal dentro de casa chega mais fraco e não dá para separar a linha para a sala e quarto - ou melhor, dar, dá, mas a net não funciona. Para perceber o que se passava a UPC marcou-me um técnico que viria no dia seguinte ao telefonema, entre as 13h e as 18h. Às 18h30 não tinha aparecido ninguém. Ligo-lhes de novo, do telemóvel porque o telefone foi-se com a net, dizem-me que não há visita nenhuma de um técnico agendada para mim. Não há? Como? Ah, a colega enganou-se. Ok, passa, quando pode então vir o técnico? Só para a semana, respondem. Bem, uma semana sem net, aqui, não dá com nada. Ainda insisti, mas acabei por me conformar. Na semana seguinte lá espero eu pelo técnico, desta vez deveria vir entre as 8h e as 13h. São 12h30 e ainda não veio ninguém pelo que resolvo ligar. Lá vai barão em telemóvel outra vez para ouvir que... não tenho nenhum técnico agendado. Pronto, aí passei-me eu e lixaram-se eles. A net tinha voltado, subitamente, na 6ª-feira anterior e eu tinha ligado à UPC para saber se havia de desmarcar o técnico, sendo que a resposta deles foi "Não, deixe estar marcado, é já para a semana e a força do sinal continua estranha, é um milagre ter internet". Ou seja, na 6ª-feira havia um técnico agendado e na 3ª tinha desaparecido do sistema, não?!? Tiveram de ouvir que estavam a mentir. E que este era um serviço do piorzinho que já vi. E que era uma falta de respeito. E que, principalmente, queria um técnico e já! Lá veio um técnico, lá teve de vir outro no dia seguinte e acabámos nós a resolver o problema com uma ajudinha do senhorio. Ai, havia de ser no nosso rectângulo... iam ver a reclamação no livro!**

Pois é... só neste país...

* a sério, foi a justificação que deram ao mariduncho quando ele ligou para lá...
** e não só... é que, soubesse eu reclamar em holandês e haviam de ver! Se há coisa que faço bem é reclamar quando me pisam os calos. Agora reclamar noutra língua não dá com nada!

Nikky

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Estou a ficar uma senhora.

Quando saía do trabalho, um tipo ultrapassou-me, virou-se para trás e disse-me "O que eu gostava de te ver a f*der-me". E virou-me as costas.
Eu tive vontade de tirar uma batata ou uma maçã dos caixotes de madeira que estão à porta da mercearia onde passava, atirar-lha à nuca, passar por ele e dizer-lhe "F*di-te! Gostaste?".
Mas até eu tenho limites.
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* porque a semana está a terminar e porque gostava que estas respostas me passassem pela cabeça na altura certa e de não ter limites para as dizer.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Lisboetas

O pessoal do resto do país revolta-se quando ouvem que Lisboa é Lisboa e o resto é província. Compreendo-os - o resto não é Lisboa (estou a falar apenas geograficamente) mas não será necessariamente província. A mim irrita-me o texto (tenho a certeza que até já o li em blogs, mas não me lembro quais!) de um autor conhecido que diz que ninguém é lisboeta, que todos os lisboetas têm raízes noutros locais. Ora não há lisboetas o caraças (e é para não dizer outra coisa, bem à moda do Norte!). Tenho alguns bisavós lisboetas e três avós que nasceram em Lisboa. O outro era da Costa da Caparica. Os meus pais nasceram e viveram toda a vida na Grande Lisboa e eu nasci e vivi toda a vida (até vir desterrada para o país dos moinhos) em Lisboa. E não sou lisboeta?!? Ora, poupem-me as generalizações da tanga.

Coragem

A impressão que me faz ainda haver pessoas a serem salvas dos escombros do(s) terramoto(s) no Haiti é tanta que não dá para descrever. Viver o terramoto. Ficar soterrado. Ter, por um qualquer acaso, água à disposição e um espaço que permita a existência de ar. E sobreviver, dia após dia, sempre com alguma esperança, a suficiente para não desistir, poupando na água com toda a consciência de quem não sabe quanto tempo levará até darem connosco. Curvo-me perante tamanha força.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Cenas de gaja

Está frio. De tal maneira que ando sempre, mas sempre, de luvas, cachecol e gorro. Saio de casa - põe luvas, cachecol e gorro. Entro no supermercado - tira luvas, cachecol e gorro. Termino as compras, volto para a rua - põe luvas, cachecol e gorro. Chego a casa - tira luvas, cachecol e gorro. Isto de cada vez que saio de casa e não exclusivamente quando vou ao supermercado. Além do profundo tédio que este ritual (não, não é só o texto que está chato) já me causa, ainda tenho de sofrer com o flagelo da electricidade estática no cabelo. Esfregar lã no cabelo, como qualquer gaja sabe, tem uma única consequência: pô-lo a voar. Agora experimentem passar 3 coisas de lã no cabelo de cada vez que entram e saem de um local aquecido (ou seja, todos). É vestir o casaco e tirar o cabelo de lá de dentro (o cabelo começa a voar). É colocar o cachecol e soltar o cabelo, novamente preso (madeixas inteiras levantam-se até ficarem paralelas ao chão). Enfiar o gorro (ao forçar as madeixas acrobatas a voltar à posição vertical dá-se uma autêntica revolta capilar manifestada através de estalos e estalidos extremamente incomodativos). Restam as pontas, ainda longas, da melena histérica em plena histeria, abanando-se como se estivessem no meio de um temporal até serem inexoravelmente atraídas pelos lábios - cobertos por uma espessa camada de baton anti-cieiro. Solução? Tirá-las com as mãos. Previamente cobertas pelas luvas. Que, sendo de lã, provocam ainda mais electricidade estática.

Ou este frio se vai ou ainda me dá um vaipe* e corto o cabelo à rapazinho.

* ora aqui está uma palavra que uso regularmente na sua forma oral mas que não faço ideia como se escreverá.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Eu vi um pato

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a bater o bico. Estaria com frio?
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Façam o que eu digo, não o que eu faço...

Ele há sol. E ele há neve. E ele há idiotas (também conhecidos como Goldfish, Goldie, Golden e mais um par de nomes menos anglo-saxónicas) que se esquecem de onde puseram os óculos de sol da última vez que os usaram e que por isso resolvem ir ao supermercado sem eles. Para quem nunca viveu com neve e que também nunca foi esquiar com sol, aprendam: sol + neve = cegueira por excesso de lágrima**. Eu acabei de aprender.
* porque será?
** esse excesso tende a escorrer pelas faces, congelando ao entrar em contacto com a pele, desculpem, o ar frio. Não é agradável.

Superstições (?)

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Partir um espelho dá sete anos de azar (daí evitar olhar muito para os que tenho, não vá partirem-se de susto).
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Soberba e outras não-qualidades

Eu também sofro de peneiras várias. Tenho a mania que escrevo bem, que a minha capacidade de raciocínio estará (um pouco) acima da média, que tenho alguma cultura (não muita, que há cultura muito chata e eu não consigo ter paciência), que sou resiliente e que as agruras normais (e não tão normais) da vida não me consomem e sinto um desprezo (que tento calar ao máximo, acho-o horrível) pelos que sucumbem a vícios menores ou maiores nas suas vidas - como se eu não sucumbisse, se não a esses, a outros (é por isto que o acho horrível, apesar de não o conseguir evitar). Mas há pessoas que sofrem de uma quantidade tão exorbitante de peneiras que me deixam estupefacta - e os blogs são um dos melhores locais para arejar essas manias. Acabei de ler um texto tão pedante e cheio de desprezo que me subiu a bílis à boca. Num blog conhecido, de uma pessoa inteligente, que escreve bem. Não procurem na lista ao lado, não consta. Nem constará, vou apagá-lo também da minha lista privada. Gostava de saber quanto de tanta soberba é realmente dirigida aos outros e quanto será, quem sabe inconscientemente, dirigida a si.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Nem acredito

Amesterdão está cheia de neve outra vez!


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Homens

Se há coisa que detesto é que venham homens desconhecidos falar comigo no meio da rua. Não estou a falar daqueles olhares que nos lavam a alma. Nem de algumas palavras, muito bem escolhidas, que nos acariciem o ego. Estou mesmo a referir-me ao meter conversa à descarada. Odeio. Não é que tenha medo ou por ser comprometida - é que não gosto de ser obrigada a falar com alguém que não conheço de lado algum. Julguei que aqui nas Lowlands estava safa, mas parece que não. Eu juro que fiz caras. Sorri um sorriso muito amarelo. Incluí um "não" em cada frase, em algumas, dois. Arqueei as sobrancelhas de forma depreciativa e abstive-me de responder quando me perguntou o nome. Custou até a lapa despegar. E quando despegou, o que fez? Entrou na sexshop que havia naquela rua. Lindo. Só comigo.