terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Sand and water

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Solid stone is just sand and water, baby, and a million years gone by.
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Beth Nielsen Chapman

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nunca vou entender a moda

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Estão a ver foto acima? Reparem bem na roupinhas. Devem ser peças de marcas conhecidas e um especialista nestes assuntos provavelmente diria que é um conjunto fantástico, os sapatos não-sei-quê e a saia do não-sei-quantos a combinarem na perfeição com a camisolinha não-sei-que-mais. Ora eu, ao apreciar (criticamente) este conjuntinho, para além de ter a certeza que custará mais do que o recheio de grande parte do meu guarda-roupa, diria o seguinte: camisola às riscas com saia com padrão? Mas eu pensava que as t-shirts às risquinhas, além de serem próprias para ir fazer jogging, só jogavam bem com lisos... e, além disso, vai com sapatos de salto agulha! Péssimo para o jogging! E, já que falamos de sapatos, a sério, sapatos castanhos com meias cinzentas?!? Que combinação horrível, odeio a mistura de cinzento ou preto com castanhos e cremes. E eu até sei que se tornou moda este ano, mas cá para mim... Nããã! Creme com castanho, cinzento com preto, nada de misturas. E a pasta / mala que leva na mão, tem dois tons, castanho e creme, mas nada a ver com o tom e material dos sapatos! Não me digam que não havia nada do tom dos sapatos no guarda-roupa ? (Imagino o guarda-roupa que estas pessoas devem ter, no meu às vezes há coisas que não combinam com nada, mas eu sou esquisita, nem tudo me assenta bem nas curvas, sou forreta e ninguém me oferece roupa à borla!)

Pronto, isto é o que tenho a comentar sobre a indumentária. Resumindo, eu, para a moda, não dou. Sim, porque o defeito não será com certeza dos estilistas, nem de quem escolheu o conjunto, mas meu. Resigno-me a gostar do que gosto, independente (ou dentro) do que a moda de cada estação me permite... e o bolso também.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Ontem no cinema

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Que filme fui ver? Se era bom / eu gostei? A sala estava cheia? Who cares? Ao meu lado um inglês limpava o sótão dos seus (muitos) habitantes indesejados e de seguida procedia à sua remoção das unhas usando os dentes e os espaços entre eles.*

* Ainda bem que nestas bandas não há lugares marcados e que toda a gente tem o saudável hábito de deixar um lugar vago entre cada pessoa / grupo / casal.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Isto só neste país!

Podia ser só no nosso rectângulo (há lá frase feita que mais repitamos em relação a Portugal do que a que dá título a este post?) mas não é. Aqui na Holanda também há tanta coisa a funcionar mal... Nos últimos tempos têm acontecido umas interessantes! No job do mariduncho descobriram que durante quase um ano andaram a calcular-lhe mal o ordenado (não exactamente o ordenado, mas uns perks a que ele tem direito) e a cobrar indevidamente a percentagem para a segurança social. Sorte nossa, no final ficou a ganhar, olhem se tivesse de devolver dinheiro?! Mas... como é que se enganam durante meses a fio a pagar a um trabalhador e não dão por nada? Já a empresa que trata dos impostos só há pouco acabou de tratar da nossa papelada relativa ao ano fiscal... 2008! Entregaram tudo. Vai haver multas por atraso? Não sei. Diria que sim. Mas quem as pagará, se houver? É que eles tinham a documentação toda, só não se despacharam antes porque "têm muito trabalho"*. E agora a UPC. Fizeram não-sei-o-quê que enfraqueceu o sinal que vem da rua e como resultado o sinal dentro de casa chega mais fraco e não dá para separar a linha para a sala e quarto - ou melhor, dar, dá, mas a net não funciona. Para perceber o que se passava a UPC marcou-me um técnico que viria no dia seguinte ao telefonema, entre as 13h e as 18h. Às 18h30 não tinha aparecido ninguém. Ligo-lhes de novo, do telemóvel porque o telefone foi-se com a net, dizem-me que não há visita nenhuma de um técnico agendada para mim. Não há? Como? Ah, a colega enganou-se. Ok, passa, quando pode então vir o técnico? Só para a semana, respondem. Bem, uma semana sem net, aqui, não dá com nada. Ainda insisti, mas acabei por me conformar. Na semana seguinte lá espero eu pelo técnico, desta vez deveria vir entre as 8h e as 13h. São 12h30 e ainda não veio ninguém pelo que resolvo ligar. Lá vai barão em telemóvel outra vez para ouvir que... não tenho nenhum técnico agendado. Pronto, aí passei-me eu e lixaram-se eles. A net tinha voltado, subitamente, na 6ª-feira anterior e eu tinha ligado à UPC para saber se havia de desmarcar o técnico, sendo que a resposta deles foi "Não, deixe estar marcado, é já para a semana e a força do sinal continua estranha, é um milagre ter internet". Ou seja, na 6ª-feira havia um técnico agendado e na 3ª tinha desaparecido do sistema, não?!? Tiveram de ouvir que estavam a mentir. E que este era um serviço do piorzinho que já vi. E que era uma falta de respeito. E que, principalmente, queria um técnico e já! Lá veio um técnico, lá teve de vir outro no dia seguinte e acabámos nós a resolver o problema com uma ajudinha do senhorio. Ai, havia de ser no nosso rectângulo... iam ver a reclamação no livro!**

Pois é... só neste país...

* a sério, foi a justificação que deram ao mariduncho quando ele ligou para lá...
** e não só... é que, soubesse eu reclamar em holandês e haviam de ver! Se há coisa que faço bem é reclamar quando me pisam os calos. Agora reclamar noutra língua não dá com nada!

Nikky

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Estou a ficar uma senhora.

Quando saía do trabalho, um tipo ultrapassou-me, virou-se para trás e disse-me "O que eu gostava de te ver a f*der-me". E virou-me as costas.
Eu tive vontade de tirar uma batata ou uma maçã dos caixotes de madeira que estão à porta da mercearia onde passava, atirar-lha à nuca, passar por ele e dizer-lhe "F*di-te! Gostaste?".
Mas até eu tenho limites.
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* porque a semana está a terminar e porque gostava que estas respostas me passassem pela cabeça na altura certa e de não ter limites para as dizer.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Lisboetas

O pessoal do resto do país revolta-se quando ouvem que Lisboa é Lisboa e o resto é província. Compreendo-os - o resto não é Lisboa (estou a falar apenas geograficamente) mas não será necessariamente província. A mim irrita-me o texto (tenho a certeza que até já o li em blogs, mas não me lembro quais!) de um autor conhecido que diz que ninguém é lisboeta, que todos os lisboetas têm raízes noutros locais. Ora não há lisboetas o caraças (e é para não dizer outra coisa, bem à moda do Norte!). Tenho alguns bisavós lisboetas e três avós que nasceram em Lisboa. O outro era da Costa da Caparica. Os meus pais nasceram e viveram toda a vida na Grande Lisboa e eu nasci e vivi toda a vida (até vir desterrada para o país dos moinhos) em Lisboa. E não sou lisboeta?!? Ora, poupem-me as generalizações da tanga.

Coragem

A impressão que me faz ainda haver pessoas a serem salvas dos escombros do(s) terramoto(s) no Haiti é tanta que não dá para descrever. Viver o terramoto. Ficar soterrado. Ter, por um qualquer acaso, água à disposição e um espaço que permita a existência de ar. E sobreviver, dia após dia, sempre com alguma esperança, a suficiente para não desistir, poupando na água com toda a consciência de quem não sabe quanto tempo levará até darem connosco. Curvo-me perante tamanha força.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Cenas de gaja

Está frio. De tal maneira que ando sempre, mas sempre, de luvas, cachecol e gorro. Saio de casa - põe luvas, cachecol e gorro. Entro no supermercado - tira luvas, cachecol e gorro. Termino as compras, volto para a rua - põe luvas, cachecol e gorro. Chego a casa - tira luvas, cachecol e gorro. Isto de cada vez que saio de casa e não exclusivamente quando vou ao supermercado. Além do profundo tédio que este ritual (não, não é só o texto que está chato) já me causa, ainda tenho de sofrer com o flagelo da electricidade estática no cabelo. Esfregar lã no cabelo, como qualquer gaja sabe, tem uma única consequência: pô-lo a voar. Agora experimentem passar 3 coisas de lã no cabelo de cada vez que entram e saem de um local aquecido (ou seja, todos). É vestir o casaco e tirar o cabelo de lá de dentro (o cabelo começa a voar). É colocar o cachecol e soltar o cabelo, novamente preso (madeixas inteiras levantam-se até ficarem paralelas ao chão). Enfiar o gorro (ao forçar as madeixas acrobatas a voltar à posição vertical dá-se uma autêntica revolta capilar manifestada através de estalos e estalidos extremamente incomodativos). Restam as pontas, ainda longas, da melena histérica em plena histeria, abanando-se como se estivessem no meio de um temporal até serem inexoravelmente atraídas pelos lábios - cobertos por uma espessa camada de baton anti-cieiro. Solução? Tirá-las com as mãos. Previamente cobertas pelas luvas. Que, sendo de lã, provocam ainda mais electricidade estática.

Ou este frio se vai ou ainda me dá um vaipe* e corto o cabelo à rapazinho.

* ora aqui está uma palavra que uso regularmente na sua forma oral mas que não faço ideia como se escreverá.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Eu vi um pato

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a bater o bico. Estaria com frio?
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Façam o que eu digo, não o que eu faço...

Ele há sol. E ele há neve. E ele há idiotas (também conhecidos como Goldfish, Goldie, Golden e mais um par de nomes menos anglo-saxónicas) que se esquecem de onde puseram os óculos de sol da última vez que os usaram e que por isso resolvem ir ao supermercado sem eles. Para quem nunca viveu com neve e que também nunca foi esquiar com sol, aprendam: sol + neve = cegueira por excesso de lágrima**. Eu acabei de aprender.
* porque será?
** esse excesso tende a escorrer pelas faces, congelando ao entrar em contacto com a pele, desculpem, o ar frio. Não é agradável.

Superstições (?)

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Partir um espelho dá sete anos de azar (daí evitar olhar muito para os que tenho, não vá partirem-se de susto).
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Soberba e outras não-qualidades

Eu também sofro de peneiras várias. Tenho a mania que escrevo bem, que a minha capacidade de raciocínio estará (um pouco) acima da média, que tenho alguma cultura (não muita, que há cultura muito chata e eu não consigo ter paciência), que sou resiliente e que as agruras normais (e não tão normais) da vida não me consomem e sinto um desprezo (que tento calar ao máximo, acho-o horrível) pelos que sucumbem a vícios menores ou maiores nas suas vidas - como se eu não sucumbisse, se não a esses, a outros (é por isto que o acho horrível, apesar de não o conseguir evitar). Mas há pessoas que sofrem de uma quantidade tão exorbitante de peneiras que me deixam estupefacta - e os blogs são um dos melhores locais para arejar essas manias. Acabei de ler um texto tão pedante e cheio de desprezo que me subiu a bílis à boca. Num blog conhecido, de uma pessoa inteligente, que escreve bem. Não procurem na lista ao lado, não consta. Nem constará, vou apagá-lo também da minha lista privada. Gostava de saber quanto de tanta soberba é realmente dirigida aos outros e quanto será, quem sabe inconscientemente, dirigida a si.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Nem acredito

Amesterdão está cheia de neve outra vez!


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Homens

Se há coisa que detesto é que venham homens desconhecidos falar comigo no meio da rua. Não estou a falar daqueles olhares que nos lavam a alma. Nem de algumas palavras, muito bem escolhidas, que nos acariciem o ego. Estou mesmo a referir-me ao meter conversa à descarada. Odeio. Não é que tenha medo ou por ser comprometida - é que não gosto de ser obrigada a falar com alguém que não conheço de lado algum. Julguei que aqui nas Lowlands estava safa, mas parece que não. Eu juro que fiz caras. Sorri um sorriso muito amarelo. Incluí um "não" em cada frase, em algumas, dois. Arqueei as sobrancelhas de forma depreciativa e abstive-me de responder quando me perguntou o nome. Custou até a lapa despegar. E quando despegou, o que fez? Entrou na sexshop que havia naquela rua. Lindo. Só comigo.

Superstições (?)

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Concordo com quem defende que andar com uma patinha de coelho dá sorte (eu ando com quatro para todo o lado; são de cadela e vão de motto proprio, mas conta na mesma que eu sei).
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Capacidades

Há pessoas que sabem fazer coisas tão interessantes e elaboradas como coser... até cerzir. With a needle in my hands I can only scar. E não é uma cicatriz qualquer, mas daquelas com que se ficava antigamente, quando o importante era fechar a ferida e não ficar bonito depois. Tantas horas perdidas nas aulas de têxteis para isto.
P.S. - não é que eu tenha muita necessidade de coser ou pena de não o conseguir, mas de vez em quando lá acontece alguma coisa a uma baínha ou cai um botão e eu... estrago mais do que arranjo.

Traduções

O weather.com agora aparece meio traduzido para português, mas só meio. E como se não fosse suficientemente estranho darmos com uma página que diz right now (imagem das nuvens) nublado, 3ºC feels like -1ºC, "PM Light rain" vem traduzido por "Pancads. à tarde". Pancadas?!? Primeiro, uma pancada de água não é light rain e sim chuva forte durante um período curto de tempo. E, depois, não me parece a palavra mais adequada para um site especializado no tempo. Que tal... chuva? chuva forte? chuviscos, quando é pouquinha? Será demasiado ousado para o weather.com?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Dei hoje pela primeira vez os parabéns a um homem que conheço bem, mesmo bem, por ir ser pai. É meu primo, daquelas pessoas que não me lembro de quando entraram na minha vida - pura e simplesmente porque sempre lá estiveram. E estou feliz. Mesmo ao telemóvel, mesmo a kms e kms de distância, ouvi-lhe o sorriso na voz. A felicidade nas palavras. É assim que deve ser. Parabéns, primo, vais ser pai. Mal posso esperar por te ver com o teu bebé nos braços.

Superstições (?)

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Eu não passo por baixo de escadas (mas só porque tenho medo que elas escorreguem e me caiam em cima).
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Eu não acredito

que acabei de falar* pelo intercomunicador do meu prédio, em Amesterdão, Holanda do Norte, Países Baixos, com uma Testemunha de Jeová que se dirigiu a mim em português**. Oh-my-god!, se existires, livra-me destes carrapatos que nem com o frio que faz nesta terra morrem, amén!

* despachar seria o verbo adequado, se bem que tenho que admitir que a estupefacção fez com que a minha reacção de repúdio tenha sido um pouco mais lenta do que é costume.
** ok, termos os nossos apelidos escarrapachados ao lado da campaínha é capaz de ter ajudado nesta parte.

Sejam criativos, substituam os itálicos

O cocó da camisola de Angorá, ou seja lá de que tipo de lã for, acabou de me deixar metade das outras camisolas que foram a lavar com ela com quase tanto pêlo como a original! Pepinos que a forniquem! Senhora da vida que a pariu! Só não vai parar ao lixo porque foi prenda. Odeio camisolas de lã.

Not there yet, though*


Acabei de abrir uma manga que deixei desde Sábado na fruteira - podre. E acabei de comer outra que, por precaução, guardei no frigorífico - consistência de pepino, cor de limão** e um sabor... entre os dois.

* ou O que eu não dava por uma frutinha da mercearia da D. Luísa.
** tive que tirar a casca generosamente para desaparecer a cor de lima.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

You know you've been in The Netherlands for too long when...

1. You think about going shopping and instead of wondering where are the car keys, you wonder where is the bike.
2. You prefer a latte to a galão.
3. You expect your dog to go inside the coffee with you and seat by your feet while you have lunch.
4. You forget your sunglasses' shape.
5. You find portuguese butter way too salty.
6. The smell of a joint becomes just another urban smell.
7. You know whether Els, Yordi and Femke are boys or girls.
8. You no longer feel robbed for paying €29,88/kg for (Spanish!) Presunto.
9. After being invited for dinner in someone's house you wonder which kind of flowers (not desert) should you take with you.
10. You start thinking you're not that tall after all.
11. You're happy that it's not that cold anymore (and the temperature is barely above freezing).
12. Seeing (almost) naked women in a window doesn't surprise you anymore.
13. You don't expect the ATM machine to do more than give you money.
14. Two very fashionable portuguese friends have no idea what UGGS are and you feel shocked.
15. "Lekker!" is what comes shooting out of your mouth when the food is good.
16. You go to the toilet in Lisbon and feel like falling because it is much lower than you thought.

My own version of this post.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Getting dutcher by the minute

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A minha melhor aquisição nos saldos.

Lembranças

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Adoro ver álbuns de fotografias. Tenho aproveitado o tempo livre para fazer álbuns de fotos que ainda não tinham saído do digital. Mas gosto especialmente de ver álbuns antigos. Ver pessoas que já não estão connosco, que nunca conhecemos, que não vemos há tempos ou que hoje estão tão diferentes. Tenho uma priminha que, em pequena, recusava-se a acreditar que aquele menino que via nas fotos, de cabelo cortado à rapazinho, era o pai... porque o pai era careca! Esses álbuns encerram uma certa magia nas páginas repletas de fotos antigas (nunca velhas), a sépia ou preto-e-branco verdadeiros, espectaculares, principalmente as das mulheres. Não sei como se arranjavam, mas estão sempre lindas, com o sorriso certo, viradas para o lado que mais as favorece... perfeitas. Serenas. Imaculadas. Gosto da calma que esses retratos me transmitem. Não sei bem porque me lembrei disto agora, mas quando regressar a Lisboa vou ver os meus. Ver a minha bisavó, sempre velhinha como a recordo, na negrura das suas roupas de viúva, a minha tia, querida, a assinar um livro de casamentos com o mais perfeito dos caracóis a cruzar-lhe a face, a minha avó com o seu chapéu das cerimónias, as tranças grossas da minha mãe, que se recusava a olhar para o fotógrafo, o primeiro encontro de duas irmãs do coração, um ano de diferença entre nós espelhado na menina de calças de fazenda e na bebé com vestido de baptismo, o meu avô quando ainda não pesava menos de 60 kgs e olhava o mundo do alto dos cento e setenta e dois centímetros que constam do seu BI mas que foram há tanto perdidos. Ao folhear álbuns antigos sinto uma pertença, um sentido de família, de tradição, legado de tantas pessoas que vieram antes de mim e que, de algum modo, me puseram aqui. Gosto desse sentimento.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O que eu não dava...

... para estes olhinhos verem este espectáculo um dia!



Uma das fotos do ano 2009 da National Geographic. Obrigada, Fuschia!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A'dam está linda

A neve é uma coisa muita gira, pois é. A paisagem fica linda, a neve range e estala debaixo dos nossos pés, a noite brilha como dia, há algo de conto de fadas numa casa com tecto de colmo coberto de frosting. No primeiro dia parecia uma miúda, feliz por estar contente apesar de o cabelo estar ensopado de tanta neve* e não sentir os dedos das mãos. Mas a cena de a neve calcada por centenas de pés congelar, transformar-se em gelo e ficar a escorregar mais que o ringue de patinagem de Museumplein já não é tão engraçada, pois que não é. Bailado nunca foi a minha especialidade. E os termómetros já subiam um ou dois grausinhos acima do zero (não é pedir muito!) que eu sei que o frio conserva mas, felizmente não preciso de ajudas como essa, ainda na 2ª-feira me disseram que pareço ter uns 25**...
* nunca tinha visto cair tanta neve como há uma semana e não me passou pela cabeça que levar o cabelo fora do casaco era capaz de ser má ideia.
** há que reparar na forma subtil como enfiei esta informação no texto... Nada forçada, completamente dentro do contexto, em suma, perfeita!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

Desabafo

Depois de estar em Portugal duas semanas a celebrar Natal e Ano Novo e a correr e acelerar para conseguir ver o maior número possível de amigos e família, voltar à pasmaceira de Amsterdão é dose. Acrescentar a isto temperaturas uns quantos graus a baixo de zero (em Lisboa apanhei 18ºC em dois dias!), mariduncho doente e... internet em baixo sem razão aparente é coisa para deixar qualquer um à beira de um ataque de nervos. Bem, uma semana depois o marido está bom, o corpo já congelou tantas vezes que já se habituou (ou seja, já estou constipada) e a internet regressou à vida sem aviso prévio nem razão aparente. Estou satisfeita. Agora espera-se o técnico da companhia de cabo na 2ª para garantir que o chilique não se repete. Vamos ver se a je também não tem de ir ao senhor doutor...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Num pulinho

Passo só para dizer que não morri nem do frio nem do calor que já passei aqui na lusitânia e que é difícil manter o estaminé quando não se está em casa muito mais de 2 horas de seguida, sem contar com as que se passa a dormir. Para a semana já estou de volta ao frio (correm boatos de mínimas entre os -6ºC e os -15ºC, estou a considerar ficar por cá mais dois ou três mesinhos) e à escrita regular. Aos portugueses tenho a dizer: irra, minha gente, eu sei que chove a potes e têm os putos em casa por causa das férias mas saiam do centro comercial! É que aqui a emigrante quer aproveitar os preços um pouco mais baixos aqui do país para abastecer a sapateira e o armário e assim torna-se difícil. Hoje à noite terá lugar mais uma tentativa, como ainda não sei em que antro do consumismo irei aterrar, libertem-me o Fórum Almada, as Amoreiras e o Dolce Vita apartir das 19h30, sff. Ah, e o Allegro também, por precaução. Muito agradecida!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Nuns lados...

... treme, noutros neva! Caiu esta noite o maior "nevão" que já tive o prazer de ver a cobrir Amsterdão. Está tudo branco, com uma camada de uns bons 5 cm e tenho a dizer que a Luna não aprecia a neve. Se eu não usasse sapatos também não apreciaria, de certeza. E que a máquina, no meio de tanto branco, não a consegue focar, apesar de pretinha*. O próximo post já será Made in Lisbon. Vaga de frio, aqui vou eu!

* desculpas de mau pagador (aka mau fotógrafo)...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

E quando A'dam cheira às escadinhas da Regina?

Quem não se lembra dos chocolates da Regina? Embalagem sobrecomprida, vermelha com laivos dourados, chocolate de leite? Mais do que o paladar, a Regina faz disparar o meu olfato. Fui à fábrica por duas vezes, em visita de estudo com a escola primária. Lembro-me do calor que fazia lá dentro e de oferecerem um saco gigantesco de chocolates, bombons variados e autocolantes. Mas, além dessas visitas, passava lá ao pé muitas, muitas vezes, toda a minha infância e adolescência. Andávamos tanto a pé naquela altura que não sei como não gastámos as pedras da calçada. O cheiro do chocolate a ser feito... entranhou-se-me na memória e continua a enviar-me num instante para aquelas escadinhas (não faço ideia porque é que toda a gente usa o diminutivo, de pequenas não têm nada) onde terminava o edifício da fábrica da Regina e onde estavam as gigantescas turbinhas que faziam circular o ar dentro da fábrica e salivar os passantes... O resultado é que já estive nas escadinhas da Regina quando estive Bruxelas, à procura do Mannekin Pis, ou em Bruges ou, por duas ou três vezes, em Amsterdão. Sempre que o ar cheira a chocolate. Nos outros locais, a culpa é das fontes de chocolate derretido que é costume terem nas montras das chocolaterias. Em Amsterdão, não sei. Mas há dias em que o ar cheira a chocolate. E cheira tão bem... cheira a tempos felizes.


Foto roubada daqui, depois de uma pesquisa no Google. Estão a ver o prédio à direita com janelas quadradas pequeninas? Era aí a Regina, hoje é um condomínio privado com preços acima do aconselhado. E estas são as escadinhas da Regina. Não sei o seu verdadeiro nome. Os carros que se vêem a meio da foto estão numa rua que fica a meio das escadinhas - como podem ver pela fileira central de candeeiros, elas continuam até lá acima, à Rua Gil Vicente. Se calhar começou-se a chamar-lhes "escadinhas" como piada.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Piada de emigrante

É preciso regressar a Portugal para passar frio... dentro da minha própria casa!

Peço desculpas à tecla "faz frio" por não a deixar em paz mas é que não consigo pensar noutra coisa. E pensar no gelo que vai estar no meu quarto de Lisboa na 5ª-feira quando chegar também me causa arrepios, e muitos. Não há comparação possível - aqui faz muito mais frio; o sol deixa de se sentir na pele a partir de Outubro; as ruas estão à sombra mesmo a meio do dia porque o sol em vez de se levantar bem alto no céu passeia pelo horizonte sem forças para mais; a relva à sombra mantém a geada congelada (que belo duo) até mesmo à hora de almoço. Em Portugal, sofre-se dentro de casa. E ainda se ouve pessoas que defendem que o quentinho dentro de casa não é bom porque depois está muito frio lá fora e o choque térmico faz mal e tal e coisa. Bullshit. Se isto fosse verdade toda a Europa para lá da Península Ibérica (e já estou a lançar-me em adivinhações porque não conheço a realidade espanhola) passava a vida doente devido aos choques térmicos. Sim, porque aqui faz muito mais frio e as casas estão muito mais aquecidas. E não tenho sofrido nem ouvido queixas sobre choques térmicos.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Vaga de frio? Onde?

Não fosse esta a última aula do Cervantes e ia já a correr para a rua, ia. E chegar a casa às 23h, quando devem estar uns -5ºC, pois claro que ia. Irra, que até sinto a pela da cara a repuxar. Daqui a três dias estou a pousar em Portugal, espero aguentar as temperaturas polares que por lá se estão a fazer sentir...

domingo, 13 de dezembro de 2009

Rituais

Há quem tome banho antes de ir dormir. Há quem não saia de casa sem rímel. Há quem escove o cabelo antes de se deitar. Eu, passeio a princesa cá de casa antes de irmos para a cama. E é um ritual elaborado: pôr a coleira na bicha; vestir-lhe a capa para o frio*; pegar num saco, abri-lo** e atá-lo à alça da trela; prender as calças dentro das peúgas para calçar as patas de mamute; calçar as luvas e de seguida vestir o casaco; fechá-lo bem até acima; enrolar o cachecol à volta do pescoço, o mais para cima possível, de preferência a tapar o queixo; soltar o cabelo e pôr o gorro na cabeça, cuidado para não deixar orelhas de fora; pegar nas chaves e guardá-las no bolso. Demorou quase 10 minutos mas estamos prontas a sair.

* feels like -2ºC lá fora, não brinquemos
** experimentem abrir um saco novo com luvas***
*** é preciso relembrar? feels like -2ºC lá fora, acham que ia tirar as luvas!?

sábado, 12 de dezembro de 2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Raio dos espanhóis

Devem andar com poucos alunos no Cervantes e vai daí resolvem que a melhor maneira de resolver o problema é diminuirem as horas lectivas de cada curso consoante o número de alunos inscritos. Eu sei que quanto menor o número de alunos mais fácil é a aquisição de conhecimentos, mas passarem cursos de 39h para 36h (se a turma tiver 6-7 alunos) ou para 30h (4 ou 5 alunos) parece-me um bocadinho desproporcional!*

* Será que pagam aos professores à hora? É que não estou a ver outra justificação para este corte!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Vai-t'embora, ó melga!

A Luna, princesa como é desta casa, tem direito a três passeios diários. O matinal é com o dono, antes de ir para o emprego, o que, em linguagem mariduncho significa cedo, bastante cedo... E o "cedo", agora, é de noite! Ora, de noite, o que é que se faz? Dorme-se, pois claro! A Luna concorda e assina por baixo. Já são duas manhãs que não quer sair. Ontem, não se levantava da caminha dela, nem abria os olhos. Cardíaco, o mariduncho já estava a lançar um lamento tipo "Mas o que se passa, a cadela não acorda, estará doente?" quando se dignou a abrir a pestana. Hoje abriu os olhos, lá isso abriu. E até se levantou... para dar uma voltinha no mesmo lugar e deitar-se de novo mas de costas para o dono! Se a vida da Luna desse um filme Disney, já tenho título: A Princesa Vira-lata.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Blog novo!

É interessante como as coisas se passam. Num dia recebo uma corrente culinária via e-mail de uma blogger com quem falo por causa aqui do aquário. Como pedia para avisar caso não se pudesse dar continuidade e eu não podia, avisei. Conversa puxa conversa via Gmail e, depois de passarmos pela transformação da corrente culinária em desafio para blog, chegámos à conclusão que o melhor mesmo era arranjarmos outro blog. Um blog culinário. Não é que haja poucos – há imensos. Não é que os existentes sejam maus – de modo nenhum, há coisas espectaculares. Mas este tem uma particulariedade: não é um blog nosso, mas de todos. De todos os que decidirem partilhar uma, duas ou mais das suas receitas, aquelas mesmo boas, originais, que fazem lá em casa de vez em quando, ou simples e práticas mas tão saborosas para o dia-a-dia, que com orgulho partilharão com a restante blogosfera. Daí o nome: Receitas Partilhadas. Para quem não tem tempo, ou receitas, suficientes para criar um blog só seu de receitas mas que quer mostrar que também tem talento. E como não queríamos ficar-nos pelas receitas arranjámos quem nos aconselhasse a bebida! Há tantas receitas boas por aí... Receitas novas, ou velhas, copiadas de uma revista ou livro ou passadas de geração em geração na família. Os outros também merecem conhecê-las! Partilhem-nas connosco no Receitas Partilhadas!

Homo Sapiens non urinat in ventum

é o que está escrito num edifício de Amsterdão. E não, não é graffiti (dois "f", dois "t" ou dois "f" e dois "t"?) ou qualquer tipo de escrita criativa de um adolescente com conhecimentos linguísticos acima da média. É o que está gravado na pedra. Decidido, portanto, por um arquitecto. Talvez seja um arquitecto adolescente com conhecimentos de latim acima da média? Vejam, por cima das colunas:


Este post merecia o título "A vida em Amsterdão tem destas coisas #7" mas estou obcecada com o "non urinat in ventum". Consegui dedicar-lhe dois posts! Infelizmente nem algumas pesquisas online nem conversas com locais conseguiram explicar o porquê da escolha de tão bonita e poética frase. Resta acrescentar que estas colunas servem de entrada a um complexo de edifícios onde a maioria dos estabelecimentos são restaurantes. Homo sapiens. Adequado.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Como Latim para mim é Grego

alguém que perceba esta língua que me diga se esta frase diz o que parece dizer:

HOMO SAPIENS NON URINAT IN VENTUM
.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Limbo

Tenho uma inveja do caraças daquelas pessoas que sabem o que querem fazer da vida quase desde sempre e por isso lutam pelo seu objectivo e, por vezes, melhor ou pior, conseguem alcançá-lo. Não é porque ache que as coisas lhes caem do céu ou que não precisam de se esforçar para alcançarem o que querem - mas apenas porque pelo menos têm uma ideia do que gostavam de fazer com a sua vida. Eu sinto-me num limbo. Não sei para onde me virar e o problema nem está em estar na Holanda, mas em não ter um plano. É preciso ter um plano de vida. Objectivos. Para que no dia-a-dia não nos percamos com afazeres menores ou num marasmo cheio de nadas. Pode correr tudo bem (acontece, eu já vi!). Pode correr mais-ou-menos e ficarmo-nos por meio plano realizado. E nesse caso podemos continuar a perseguir o resto do plano e pode ser que, mais tarde ou mais cedo, nos achemos satisfeitos. Pode também correr tudo mal, e não haver volta a dar-lhe para que o nosso plano de vida volte à vida... E aí estamos uns tempos perdidos. Mas pelo menos tentámos. E eventualmente outros planos de vida surgirão para tentar de novo. O meu plano de vida original desmoronou-se quando ainda era tão novo, tão novo que se fosse humano estaria ainda separado em óvulo e espermatozóide. E desde aí estou neste limbo, que só a vinda para a Holanda e a falta de emprego aqui despertou. Já tenho algo a agradecer a esta experiência expatriada: abriu-me os olhos. Agora só resta focá-los num objectivo, traçar um plano com pés e cabeça e espaço de manobra e pôr-me a caminho. Estou a guardar pelo menos metade das minhas passas desta passagem de ano para pedir inspiração...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

950

Um casal e as suas filhas, teenagers, querem mudar de casa. O objectivo é simples: estarem mais perto das escolas que elas frequentam, em Lisboa. Comprar casa está fora de questão e mesmo alugar casa, em Lisboa, como toda a gente sabe, é caro. Mas o ordenado do pai é bom e a procura começa. O sonho é que a casa tenha dois quartos, um para o casal e outro para as filhas, que até agora sempre dormiram na sala. No final de muita procura há dois apartamentos em vista, curiosamente em prédios lado-a-lado. Um com um quarto, o outro com dois. A diferença de preços não é grande, mas o casal hesita. No apartamento maior estavam mais à-vontade, mas a diferença entre as duas rendas é equivalente ao espaço de manobra do orçamento familiar. Se optarem pelo apartamento maior não pode haver precalços. O dinheiro será à justa para as despesas correntes. Mas há sempre precalços. Optam, com pena, pelo apartamento mais pequeno, as miúdas continuam a dormir no sofá-cama da sala. Tem de ser.

Só para terem uma ideia, a diferença entre as duas rendas era o preço de uma bilha de gás. Em Lisboa, na altura, o gás era de bilha. Na altura, uma bilha de gás custava 50 escudos. Sim, 50 escudos. Era essa a margem de manobra, em caso de precalço, na casa dos meus avós quando a minha mãe era adolescente. A renda da casa que alugaram e onde ainda hoje o meu avô vive era 900 escudos. Um balúrdio, na altura. Não me digam que "hoje ainda estamos pior que antigamente"*. Não brinquem.

* Porque ainda há dias ouvi esta frase a ser proferida. E, por estas e por outras, esta frase irrita-me solenemente.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Em Roma, sê romano

Em Amsterdão, usa patas de mamute.


Eu sei, não são as coisas mais bonitas que os designers de moda se lembraram de criar. E ficar bem, mesmo, acho que não ficam a ninguém. Mas são quentinhas. E confortáveis. E eu hoje andei mais de duas horas na rua, está frio e souberam mesmo bem.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A vida em Amsterdão tem destas coisas #6

Daqui a três semanas já estou a aquecer os estofos do meu boguinhas. Ui, as saudades que eu já tenho da minha embraiagem, caixa de mudanças, acelerador... Não percebo quem gosta de caixas automáticas: quem me tira a possibilidade de mandar uma abaixo para ajudar a ultrapassar o pastel que vai à minha frente tira-me tudo*. Bem, mas este post vinha, por inspiração deste aqui, falar de rádio e de holandeses - novidade, novidade! Eu cá desafino ao volante. Aquela cena de cantar no duche nunca foi comigo, eu já sou mouca de natureza não preciso de água a escorrer pelos ouvidos para ouvir ainda menos a guincharia que estou a fazer. Pois os holandeses são como eu, gostam de cantar (ok, ok, guinchar) ao volante - a grande diferença é que eles não têm chapa à volta a absorver o barulho ou rádio em altos berros para disfarçar a voz de cana rachada. Eles guiam bicicletas! Muito gostam eles de cantar ao volante das suas binas. Alguns, percebe-se, estão a tentar embalar as crianças que viajam no cesto da frente, ou atrás, não interessa. Outros fazem mesmo como eu - o grande objectivo é assassinar boas músicas com a pior voz que se possa imaginar.

* Cruzes, sou tão portuga que até faz impressão.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sabemos que somos queridas quando

recebemos uma mensagem a dizer que o melhor é marcarmos já* o nosso jantar de Natal, antes que se marquem todos os outros e depois seja complicado conciliar. "É que o nosso tem prioridade!".

* mensagem recebida há umas três semanas atrás, quando faltava quase 1 mês e meio para ir para Portugal

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Mais tarde ou mais cedo tinha de acontecer

A temperatura máxima já não chega aos dois dígitos.

8°C
Actual: Aguaceiros
Vento: SO a 35 km/h
Humidade: 87%
sex

9° 7°

sáb

8° 4°

Quantos pontos valerá no Scrabble?

Sabem quando falamos demasiado depressa ou estamos cansados e o cérebro mistura duas palavras sinónimas porque parece não conseguir decidir qual delas utilizar? Nessas ocasiões saem palavras tão interessantes como "espantacular". No outro dia o mariduncho saiu-se com uma mistura tão boa, tão boa que, arrisco dizer, é "espantacular" de boa. "Odeio que me 'disturbem'", disse ele. Sim, porque como já não chegava a misturada de palavras portuguesas, agora também mete o inglês ao barulho. Isto de se passar o dia a mudar de idioma não é nada saudável.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Dúvidas Existenciais III

Já agora, porque é que são tantos?!?* A lenda diz que o (singular) Zwarte Piet é o (singular) companheiro do Sinterklas, que ajuda na distribuição dos presentes às crianças**.

* no desfile de há duas semanas em Amsterdão só havia um Sinterklas mas dezenas e dezenas de Piets!
** para mais informação e fotos (hão-de reparar que o Piet é pintado), ver aqui

Dúvidas existenciais II

Porque é que os Zwarte Piets* que agora pululam** por Amsterdão não são, efectivamente, pretos, mas sim brancos pintados?

* Piets Pretos, numa tradução literal; o Zwarte Piet é um companheiro do Pai Natal cá do sítio, o Sinterklas, que é suposto vir de Espanha e ser negro (?)
** acabei de ver 3 a pular pela Museumplein fora

terça-feira, 24 de novembro de 2009

É para achar que está a chover mesmo muito

quando começamos a ver que os holandeses também andam com os chapéus-de-chuva atrás!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

É para receber mensagens assim que criaram o e-mail

Testículo: Texto pequeno
Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Coitado: Pessoa vítima de coito
Padrão: Padre muito alto
Estouro*: Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão: Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério*: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente*: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito
inteligentes
Expedidor: Mendigo que mudou de classe social
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Aspirado*: Carta de baralho completamente maluca
Assaltante: Um 'A' que salta
Determine*: Prender a namorada do Mickey Mouse
Ortográfico: Horta feita com letras
Destilado*: do lado contrário
Pornográfico*: O mesmo que "colocar no desenho"
Coordenada*: Que não tem cor
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Ratificar: Tornar-se um rato
Violentamente: Viu com lentidão

* soa melhor se se ler com (o que nós achamos ser) pronúncia brasileira do português.

domingo, 22 de novembro de 2009

Fiquei fã

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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Bom fim-de-semana!

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Higiene oral antes de tudo

e não importa onde!

Ontem ia muito bem a passear a minha Luna quando olho para dentro de um carro parado num semáforo e vejo que a miúda que ia no banco do pendura (mas não devia ter nem 12 anos) está a escovar os dentes. Escova na mão direita, boca (não muito) cheia de espuma e vá de esfregar. Para terminar, abre o vidro do carro e cospe a espuma para a estrada. Águinha para enxaguar fica para a próxima (a pasta devia ser da que tem sabor a morango e dá tanta vontade de comer como a gelatina Royal) que o semáforo passou a verde para os carros e ela fechou o vidro e foi-se.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Como não chegava o vento com rajadas a mais de 40km/h, agora está a chover com rajadas.*

* É por estas que na aula de espanhol quando tivemos de descrever a chuva sem usar as palavras água, nuvens e não sei que mais, houve quem escrevesse "Es el tiempo más comun aqui en Holanda" - e não fui só eu!

O mundo não anda para trás

Já houve uma altura em que o casamento era só religioso. Quando se começou a falar de casamento civil, o que se dizia? Que o casamento civil não fazia sentido, que o casamento só fazia sentido enquanto cerimónia e compromisso religioso. Alguém hoje ainda pensa assim? Com certeza, dois ou três - há sempre alguém com uma opinião diferente, seja ela baseada em novas ideias ou em ideias com séculos ou décadas de existência. Há (muito, mas também não tanto assim) tempo atrás os negros não eram pessoas, humanos como os brancos, mas sim uma qualquer subespécie mais próxima do animal do que do humano que, por mero acaso, possuía a única grande característica (física) que nos distingue dos animais - a fala. Alguém ainda hoje pensa assim? Claro! Infelizmente, ainda há muitos, tal como disse atrás, há sempre quem pense de maneira diferente. Há alguns anos atrás (poucos, tão poucos...) em Portugal era dado adquirido que um bom ensaio de porrada (com um cinto, a régua, os punhos - originalidade era a palavra de ordem) era a melhor maneira de ensinar às crianças fosse o que fosse - até a respeitar quem tinha acabado de lhe deixar o corpo negro. O mundo muda. As opiniões (da sociedade enquanto um todo) mudam. Por isso, neste caso, também mudará. O casamento entre homossexuais será uma realidade dentro de pouco tempo. E continuarão a existir pessoas que dizem "casamento sim, que a vida de cada um não nos diz respeito, mas adopção de crianças não, que as pobres vão ser doutrinadas, gozadas, desviadas, etc., etc.". E o mundo continuará a girar. E, quando a sociedade decidir que afinal as crianças estão melhor com um casal homossexual do que numa instituição (por muito boa que seja, por muito dedicados que sejam os funcionários), também isso se alterará. E, aí, provavelmente, virão alguns dizer "adopção sim, que aquelas pobres crianças já nasceram e estão melhor assim do que noutras circunstâncias, mas agora inseminação artificial para homossexuais é que não, que uma coisa são as crianças que já cá andam, outra encomendarmos novas crianças nessas condições". E, novamente, o mundo girará. E o mundo não anda para trás.* Só tenho alguma pena que, entretanto, haja crianças que continuem a sofrer quando se calhar há alguém que queria dar-lhes amor.

* excepção feita a grandes cataclismos que provoquem alterações radicais nas condições em que vivemos e, consequentemente, na organização da sociedade

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Problem solved

Já estava pronta para comprar uns ganchinhos e ficar a parecer mais totó do que o normal na tentativa de resolver o meu problema de franja. Tenho duas razões para não ir ao cabeleireiro: um, não gosto de experimentações com o meu cabelo; dois, toda a gente sabe que ir ao cabeleireiro cortar a franja implica perder pelo menos três dedos de comprimento (começo a acreditar que é defeito profissional), e eu estou a usar o exílio como desculpa para deixar crescer o cabelo à séria. Entretanto, lembrei-me de uma querida amiga que, nos tempos paupérrimos da universidade, escadeava a parte da frente do cabelo (a que emoldura a cara) com uma gillette para não ter de ir tantas vezes ao cabeleireiro. Usei o mesmo método na franja - e funcionou! Esteva com um certo receio de ficar a parecer um bicho com meia dúzia de pêlos espetados irregularmente na testa, admito, até porque há histórias de fracassos desses na família, mas tudo correu pelo melhor. Quando o mundo acabar e deixar de haver cabeleireiros já sei que posso manter a franja controlada, desde que a fábrica de gilletttes não feche. É sempre bom saber!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Irritações 2)

O Messenger diz-me que não pode ligar porque preciso de fazer o download da versão mais actual. Ora, a última actualização que fiz foi há menos de 6 meses! Mas não tenho mais nada que fazer senão desinstalar e instalar diferentes versões do Messenger?!? Eu até prefiro o Skype ou o gmail...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Remédio Santo

O vosso relógio biológico diz-vos que está na hora de procriar? Quando vêem crianças na rua, especialmente bebés, têm vontade de os raptar e levá-los com vocês para casa? Nada vos satisfaz mais do que comprar prendas para as crianças da família e dos amigos?

Por outro lado:

Acham que ainda têm muito que gozar antes de "abdicarem da vossa liberdade" por um filho? O horário de trabalho mal dá para tratarem de vocês, quanto mais de uma criança? O ordenado é curto só com duas bocas, acrescentar uma (ou duas, se vos sair a sorte grande em forma de gémeos) é uma ideia que se vos afigura suicida?

Então, vejam um programa chamado Take Home Nanny... Não há melhor controlo de natalidade, de certeza! Para quem, como eu até ontem, desconhece o programa, passo a explicar: uma senhora, a Nanny Emma, desloca-se a casa de várias famílias com crianças problemáticas durante uns dias para orientar os pais sobre a melhor forma de resolverem os problemas com os filhos. Que bichinhos! E sabem o que é para mim mais assustador? É que aqueles pais não quiseram fazer mal aos filhos, não os quiseram deseducar, não quiseram transformá-los em bichinhos desgovernados com mais poder naquela casa que o Papa no Vaticano! Não, aquelas pessoas quiseram o melhor para os seus filhos, quiseram poupá-los. E deu naquilo. Quem garante que eu, tu, ou qualquer outra pessoa não faz o mesmo, sem querer? Fiquei traumatizada e se quero poder ter filhos antes dos 40 não posso voltar a ver o programa.

Irritações

A nova publicidade pop-up no Público online. Cada página, cada secção, cada nova notícia, lá vem o anúncio da semana... Muito bem colocado sobre a última notícia de cada secção. Agora até é um rapazito jeitoso o que melhor se vê no anúncio, mas depois de abrir umas quantas notícias até ele já enjoa!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

São Martinho!

Castanhas! É (devia ser) hoje! E eu aqui, onde num quilo de castanhas meio vem com bolor mesmo agora, no início da época! É com esta que deprimo de vez. E a culpa é desta portuga que tinha que me lembrar da data.
P.S. - Para quem não saiba, eu amo castanhas. Assadas, cozidas, piladas, na comida, em doces, até cruas eu as como. O que eu não dava por meia dúzia de quentes e boas hoje ao lanche...

Eu e a música

Devo ter sido amaldiçoada com música por alguém. É a única explicação. Em miúda, era o vizinho de baixo, adolescente radical, com melena à Axel Rose (aquelas que davam para sacudir, na praia, depois de sair do banho, lembram-se das tristes figuras?), que tinha a mania que ia ser guitarrista. E como aquela era a segunda casa da família era para lá que ia assassinar a música, quero dizer, praticar guitarra eléctrica... A certa altura deu-lhe para praticar de madrugada - foi o princípio do fim. O pai, na outra casa, não gostou nada de ser acordado de madrugada pela polícia a dizer que tinha havido uma queixa sobre o barulho, perdão, a música, que o filho estava a fazer (adivinhem lá qual foi o vizinho que chamou a polícia, eheh!). Depois, veio a professora de música da preparatória. Conhecida entre os alunos como bruxa Ludovina (perdão à senhora, que entretanto já faleceu e nem devia ser má pessoa, mas era uma péssima professora), resolveu que toda a minha turma ia tocar flauta. Nas outras turmas tocavam outros instrumentos, não sei porque raio a minha havia de ser toda corrida a flauta, foi uma desgraça. Acho que foi a única professora que embirrou comigo. E uma das poucas com quem eu embirrei. É capaz de não ter ajudado o facto de ela usar um bocado de tábua das costas de uma cadeira qualquer para bater na mesa quando nos queria calar - foi uma sorte nenhum aluno morrer de ataque cardíaco, aquilo fazia um eco tremendo na sala, afinal estávamos numa cave! Dois anos de tortura obrigatória. Anos depois veio morar para o prédio em frente ao meu um estudante de... flauta (ou qualquer outro instrumento de sopro cujo som é fino, com as aulas de música que tive não esperavam grandes conhecimentos, pois não?). O pior é que devia ser iniciante e durante semanas não treinou outra coisa que não a escala musical. Do-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó! Dó-si-lá-sol-fá-mi-ré-do! Uma e outra vez. Um dia, um trolha que trabalhava num outro apartamento veio à janela mandá-lo meter o pífaro naquele sítio. Ri até às lágrimas porque eu tinha ido naquele preciso instante até à janela com o objectivo de o mandar calar que já não se aguentava tanto apito. Quando mudei de casa, foi a maldição da quizomba. Não que eu tenha algo contra este estilo de música, o problema nem era tanto a música mas o tom a que a punham a tocar, mesmo por cima de mim. A qualquer hora do dia. Resolvi o problema pagando-lhes na mesma moeda - rádio em altos berros com o rock mais pesado que consegui descobrir na colecção do mariduncho. Ligavam o deles, ligava eu o meu. Até o prédio estremecia! Depois de meia dúzia de curtas disputas sobre quem é que tinha o woofer mais potente, lá perceberam a mensagem e passaram a moderar o décibel. Agora, aqui na Holanda, é outro músico. Este toca, mesmo, não assassina guitarras eléctricas, não me obriga a tocar com ele, não repete a escala musical até à exaustão e o som do seu violoncelo (mais uma vez deito-me a adivinhar porque os conhecimentos não são muitos) é um pequeno zum-zum longínquo. Mas irrita, ai que irrita. Todo o dia. Todos os dias. Non-stop. É maldição, só pode.

Porquê?

Maldito relógio interno, que me acorda sem razão aparente (nem necessidade nenhuma) às 7h30 da manhã todos os dias! Porquê, alguém é capaz de me explicar?!?

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Segredo

O Segredo (com letra maiúscula por ser tão importante) para manter uma casa arrumada é não permitir que ela se desarrume. É este o ensinamento de anos de desarrumação (como já disse algures aqui, sinto pelas tarefas domésticas um ódio que só quem também o sentir compreenderá e que me acompanha deste tenra idade). Quando temos a casita arrumada é mais fácil (porque menos demorado) colocar no lugar aquela coisinha que escapou ontem à noite e ficou esquecida sobre uma qualquer superfície menos apropriada. Se o caos se instala vamos demorar horas a voltar a pôr tudo como deve ser - e quantas mais horas se calcula que demore, menos vontade temos de arrumar. Com tudo isto em mente, aquando da mudança para as terras baixas prometi a mim mesma que tudo iria ser devidamente arrumado (um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar) e que me iria esforçar por manter cada coisa no lugar previamente atribuído. Consegui-o, com algum esforço, até à chegada da minha Luna. Não é que ela suje ou desarrume seja o que for, eu é que me ponho a brincar com ela ou a treiná-la em vez de arrumar a tralha. Pois hoje isso muda. Já brinquei com ela, agora vou arrumar tralha e pôr esta casa de novo num brinco. Está prometido.

P.S. - Bem sei que nada disto vos interessa, mas é mais urgente cumprir uma promessa pública do que uma que só a Luna ouviu e não vai contar a ninguém se não for cumprida...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Desqueci-me

Há quatro anos atrás ouvi esta pérola dos pontapés na gramática portuguesa pela primeira vez. Antes disso, ou andava surda, ou nunca me tinha cruzado com nenhum dos adeptos desta forma de conjugar o até então desconhecido verbo "desquecer-se". Novamente o caricato da minha situação veio inundar-me o cérebro de dúvidas e perguntas. Ali estava eu, perante vinte e muitos alunos de um 4º ano da escola primária, a ensinar a pronúncia correcta da palavra "the" (com a língua a bater espalhafatosamente nos dentes da frente e a ridicularizar o procedimento com a famosa frase "say it, don't spray it") quando cerca de um terço dos meus alunos não conjugava correctamente o verbo esquecer.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A palavra mais odiada


NATIVE (english)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Eu passo-me com isto

Eu até sou uma defensora das liberdades individuais - ou seja, desde que não andem a pisar nas liberdades de outrém, para mim, cada um deve fazer o que bem entende. É por isso que, apesar de ser uma defensora do ensino da Educação Sexual nas escolas, porque a informação nunca fez mal a ninguém, compreendo que alguns pais decidam que não querem que os seus filhos as frequentem. Agora, quando a propósito deste tema leio certas declarações, passa-me a vontade de conciliação, entendimento mútuo e divergência civilizada e só me apetece distribuir uns bons pares de estalos. Ora leiam:

"É verdade que Portugal é o segundo país europeu com mais alta taxa de gravidez na adolescência, mas é uma verdade com a qual eu me congratulo porque significa que as jovens levam a gravidez até ao fim e não abortam".

Já faltou mais

Sabem aqueles cãezinhos de pêlo longo a quem alguns donos fazem um carrapicho no alto da cabeça? Pois se não tratar desta franja não tarda pareço um desses.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Declaro oficialmente aberta

a época das luvas


e dos cachecóis.




A dos gorros seguir-se-á, sem dúvida, em breve.


Brrrr!

Dia-a-dia

Levantar cedo, ir tomar o pequeno-almoço com a minha mãe e dar dois dedos de conversa. Ir à mercearia. Pegar no carro, ir até à escola, dar aulas e almoçar por lá. Aproveita-se e prepara-se uma festa ou fazem-se umas avaliações. Ou ir almoçar com a S. Ou com a X. Ou regressar a casa num pulo para dar uma explicação e almoçar com a mãe e o avô. E ir de novo para a escola, para mais umas aulas. Voltar para casa, rapidamente, mais umas meninas à espera de um apoio. Ou ir ao supermercado abastecer duas despensas. E depois, encontro e lanche com a R. Ah, e visitar a avó. Ou jantar com a J. Ou com o mariduncho. Ou ver um cinema. Ou preparar aulas e explicações. Ir à natação. E, quem sabe, ver uma série na RTP2. Ler um capítulo de um livro e dormir.

É por isto que agora os meus dias são vazios. Faz-me falta ter pressa, correr, trabalhar, combinar isto ou aquilo (ou isto e aquilo), conduzir, stressar, divertir-me, comer fora, conversar, visitar gente, combinar saídas. Se não fosse uma verdade tão crua diria que me faz falta viver. Mas é a verdade.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ai Luna, Luna

Lembram-se de eu dizer que a Luna ainda ia ao banho por causa da sua relação amor / ódio aos patos? Eu canso-me de dizer que tenho sempre razão! Este Sábado foi o dia. Splash num lago do Voldelpark. Pelo aspecto da coisa o objectivo era acertar no pato e não persegui-lo a nado - sim, que assim que voltou à superfície deu meia volta e saiu da água. Agora, das duas, uma: ou é o primeiro de muitos, ou é o primeiro e o último. Fez o dia de um casal de turistas italianos e o nosso fim de tarde - banheira com ela.

sábado, 31 de outubro de 2009

Min Pin


Nesta foto até parece engraçado mas é, definitivamente, um ratinho. Os sites da raça dizem que é "a big dog in a small package" devido à sua atitude possessiva e até agressiva. Aquilo que foi criado para ser um caça-ratazanas é agora classificado pelo American Kennel Club como toy breed e afectuosamente apelidado Min(iature) Pin(scher). Ah, e o objectivo de Herr Dobberman quando criou a raça que lhe tomou o nome era criar um Min Pin 15 vezes maior. Digam lá que não vale a pena vir até aqui para ficar a saber estas coisas tão interessantes (e úteis!).

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Ainda hoje o vi

Há um cãozinho que vejo de vez em quando a passear que é mais pequeno que as ratazanas que já vi em Lisboa. É um pinscher anão e pesa 1,5 kg. Eu gosto muito de cães, no geral, mas aquilo... não é bem um cão, pois não?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Uns fazem corninhos,

outros gostaram muito, mas mesmo muito, d' O Código da Vinci. E têm também tempo demais em mãos. E, apesar de já terem sido Exterminadores Implacáveis, levam-se demasiado a sério. Ou, já não podendo dar uns quantos murros nos adversários, lembram-se disto:


Não havia necessidade.

* quem quiser saber mais faça o favor de ir aqui, que estou tão sem palavras que ia acabar a plagiar o jornalista do Público.

Qualquer dia passo-me e ofereço um treat (daqueles que levo para ir treinando a Luna pelo caminho) aos meninos que acham piada a ladrar e rosnar a cães pequenos como a minha farrusquinha. A minha única consolação, até agora, tem sido a impassividade com que ela aceita estes ataques histéricos. Deve pensar lá para com ela, "Coitadinho, que cão tão feínho...", e nem sequer pára de andar.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Já agora,

queria dizer que não fiquei incomodada, ou algo que se pareça, com algum comentário... Mas achei que, efectivamente, já andava a bater muito na mesma tecla e que devia esclarecer o mundo sobre Amsterdão e o aquário - não quero provocar um decréscimo das taxas de ocupação dos hotéis das terras baixas com o que escrevo por aqui! E agora podem voltar a comentar o que quiserem, dêem-me o que fazer, vá!

Impõe-se um esclarecimento

Este aquário nada mais é que uma página pessoal de idiotices e resmungo que vai contribuindo para que eu me mantenha ocupada e que algumas pessoas em Portugal saibam de mim. O que aqui escrevo é, na maioria das vezes, coisas parvas que me acontecem ou que me vêm à ideia, ou coisas que me incomodam e irritam. Tudo o resto acaba por ficar de fora, distorcendo um bocado a realidade. Parece que isso acontece especialmente em relação a Amsterdão e à Holanda... dando a ideia de que eu não gosto disto nem dos holandeses. Ora bem, a Holanda não é Portugal e Amsterdão não é Lisboa - e portanto nunca será a minha terra, nem a minha cidade, onde tenho os meus cantos, as minhas memórias, os meus amigos e a minha família. É, por enquanto, o sítio onde tenho a minha casa (sim, esta já é mais a minha casa que a que tenho ainda em Lisboa) e onde vivo com a família mais próxima (mariduncho e cadela) e é um sítio espectacular para se viver. Vivo num bom bairro, numa casa boa (então para o padrão holandês é uma casa extraordinária) tenho vizinhos simpáticos, toda a gente me trata bem, seja na rua, nas lojas ou nos locais onde procuro emprego, apesar de ser claramente uma estrangeira que, ainda por cima, não fala pêvas da língua local. Arrisco dizer que não há mais nenhuma cidade da Europa onde alguém possa viver sem falar a língua do país, usando única e exclusivamente o inglês - e aqui é possível, sem sequer originar mal-estar (os holandeses são os primeiros a perguntar porque é que alguém quer estudar a língua deles se falar bem inglês!). A qualidade de vida que tenho aqui é, de longe, superior à que tinha em Lisboa, e a qualidade de vida dos holandeses é muito superior à dos portugueses. Aqui, as pessoas passeiam nas ruas, saem das lojas com sacos, têm tempo para estar com os filhos e com a família e os amigos (eu nunca vi crianças portuguesas no dia-a-dia serem tão felizes como vejo as holandesas), viajam várias vezes ao ano para fora do país e têm dinheiro para gastar. A questão é que eu não acho que isto tenha a mais pequena graça. O que tem graça é eu sair de casa, atravessar a rua e estar à porta de uma escola e depois atravessar o canal e ter meio quarteirão de montras com meninas em roupa interior. E tem piada oferecerem-se para me pagar um charro, quando em Portugal nem sequer vender-me um alguma vez tentaram (estão a imaginar o meu ar de menina, não estão?). E quase ser atropelada por uma bicicleta também tem piada (enquanto se mantiver no quase, claro está...). E despirem-se todos em pleno Vondelpark (ficam de boxers ou de bikini) mal o sol fura as nuvens? Tem piada, ah pois tem! Muito mais do que andar a fazer a apologia da Holanda contra um Portugal que, apesar de ranhoso em tantos aspectos, é a minha terra e eu adoro. E é este o esclarecimento que queria fazer. Nunca se esqueçam que o que eu conto é só uma parte da realidade, aquela que (nos) é estranha por ser tão díspar da portuguesa e, por isso mesmo, engraçada, incomodativa ou simplesmente curiosa. Admitam, tem piada um gajo (não era um drogado ou alguém com mau aspecto, atenção!) passar de um convite para um chá para um outro tipo de ervinha...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A vida em Amsterdão tem destas coisas #5

E se um desconhecido te convida para um chá e tu respondes que não, o que é que ele diz a seguir?

"What about a joint?"

domingo, 25 de outubro de 2009

Today is...

the never ending day.

E ainda só são seis e meia da noite.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A vida em Amsterdão tem destas coisas #4

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A beleza desta foto é o que não se vê nela. Este pato estava orgulhosamente pousado na amurada do barco, tão perfeito que resolvi tirar uma foto. No momento em que ia pressionar o botão da máquina o idiota do bicho escorrega de traseiro para dentro do barco e depois põe-se, assim como acabou por ficar na foto, a espreitar de lá de dentro, com a cabecinha a girar para todos os lados como se ainda não tivesse percebido bem o que se tinha passado.
O porquê do título? Então, o bicho estava drogado, de certeza...

Doenças silenciosas

Tudo o que seja doença silenciosa que não tenha um nome assustador como cancro, diabetes ou colesterol elevado é como se não existisse, especialmente quando o afectado é um colega de trabalho. Um dia, entre quatro amigas, discutíamos as enxaquecas, que afectam duas de nós, e as alergias, que afectam as outras duas. Saiu-me uma frase que, creio, resume tudo. As alergias são uma coisa horrível e até incapacitante (não me venham dizer que são uns espirrinhos). Mas ao menos as alergias são visíveis. Se tens os olhos inchados e vermelhos, se espirras como uma possuída e dás cabo de três maços de lenços em meio dia é óbvio para toda a gente que estás doente. As enxaquecas, para dar o exemplo de doença silenciosa que me afecta, não têm sinais exteriores além da cara miserável que qualquer um põe nessa situação. Mas caras miseráveis é o que mais há por aí e, além de provocadas por milhentas outras razões, podem perfeitamente ser falsas. A única vez em que, numa situação de trabalho, olharam para mim e perceberam imediatamente que eu não estava nada bem (apesar de não saberem o que tinha) foi em Chelas, lugarzinho maravilhoso, numa escola óptima, perante uma turma de criancinhas do 3º ano do pior que já tive que domar. Estas pestes, difíceis de controlar, consistentemente mal-educadas e, em muitos casos, com problemas na vida mais graves do que eu e algumas pessoas que conheço juntas, olharam para mim mal tínhamos entrado na sala de aula, calaram-se como por magia e perguntaram com uma cara assustada "Teacher, o que é que tem?". Se não estivesse tão mal-disposta acho que me teriam vindo as lágrimas aos olhos. Aquelas crianças, normalmente indiferentes a tudo e todos além deles e dos seus amigos, olharam para mim e viram a minha doença estampada na minha cara. E, acreditem, a cara com que habitualmente encarava aquela turma já não era das melhores (adoptei e estendi com algumas turmas o adágio não mostres os dentes até ao Natal). Estava para morrer nesse dia, quase não conseguia raciocinar e qualquer barulho explodia na minha cabeça como uma bomba. Aquelas pestes conseguiram o milagre de me perceber doente antes de eu lhes dizer e não só. Conseguiram respeitar a minha doença, portaram-se impecavelmente, trataram-me como a um bebé e ainda se lembraram de me desejar as melhoras conforme saíam disparados da sala em direcção a casa depois de um dia de trabalho. Nunca colegas de trabalho me mostraram a mesma consideração. Como disse num comentário a um post anterior, uma amiga, que consegue sofrer mais de enxaquecas do que eu, chegou ao limite um dia quando, em pleno emprego, não aguentou as náuseas e saiu disparada para a casa de banho. Há semanas que pedia aos colegas para não fumarem no open space onde todos trabalham. Nunca foi ouvida. A doença dela não se vê, deve ser só mais uma maníaca anti-tabagista que resolveu chatear-nos. Só depois deste triste episódio se aperceberam do que ela sofria, aflita da cabeça, mal disposta, a ter de trabalhar no meio de um cheiro que dá nauseas a muita gente que não sofre de enxaquecas. Todos os médicos a quem me queixo das enxaquecas me perguntam se há hereditariedade. Que eu saiba, não, nem na família alargada. Consegui herdar uma data de coisas más de uma data de gente da família e ainda juntei uma doençazinha só minha...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

No Palácio da Rainha




Fui visitar o Palácio da Rainha há algum tempo e estas duas pinturas chamaram-me a atenção. Estão pintadas no tecto da sala adjacente à varanda de onde se faziam os anúncios das autoridades à população e representam as notícias.

Na primeira pintura as boas notícias são representadas por uma figura com asas de anjo, uma corneta e um ramo de oliveira, símbolo sobejamente conhecido. Na segunda, temos as más notícias. Além de a figura ter um ar demoníaco, as asas que o sustentam são de morcego e, em vez de uma, tem duas cornetas - porque as más notícias chegam duas vezes mais rápido.

Experimentações é no que dá

Descobri os blogs de culinária. Alguns têm receitas completamente diferentes do que costumo cozinhar e como não tenho muito que fazer e os ingredientes são limitados, resolvi começar a experimentar. Tenho descoberto coisas bem boas, até que ontem resolvi dar uma hipótese a um creme de courgettes - sopa sem cenoura é uma coisinha muito chata, sabe sempre tudo ao mesmo, por isso há que inovar. Neste creme usavam manjericão, erva que eu nunca usei na vida nem sabia a que sabia (hum, esta frase deve ser mesmo boa para baralhar o tradutor do google). Ao cozinhar cortei um bocadinho na dose indicada, felizmente, porque tem um sabor bastante forte e também bastante cheiro.
Quando o mariduncho chega a casa começa a cheirar o ar e pergunta-me com um ar entre o receoso e o gozão: "Fizeste vagarosos para o jantar?" Efectivamente, o manjericão pode ser usado para cozinhar caracóis. A sopa não é para repetir e fiquei com desejos de vagarosos.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A vida em Amsterdão tem destas coisas #3

Os meus vizinhos estão sem água no apartamento há mais de uma semana - rebentou um cano no contador e ninguém dá conta daquilo. Mas esta semana são as férias dos miúdos na escola... Solução? A mãe foi com os dois putos para Lanzarote apanhar sol e o pai ficou em casa a tratar dos canos.

A liberdade de expressão

tem as costas largas - quando se quer dizer tudo o que apetece ou quando se quer calar os outros... Será que para a maioria das pessoas (leia-se católicos) a Bíblia é assim tão importante? É que Saramago veio dizer mal da Bíblia e levantou-se um mundo e o outro. Saramago não falou mal de Deus, sequer, apenas de um livro que, apesar de símbolo de uma religião, disso não passa. Quando se critica a burka não se está a criticar um símbolo de uma religião? A liberdade de uma pessoa termina onde começa a da outra. E a liberdade de cada um permite-lhe ignorar, discordar ou até desconhecer o que outros pensam sobre determinado assunto. Saramago emitiu uma opinião (fundamentada ou não, não interessa para o caso) os críticos podem rebater, mais uma vez se aplica a liberdade. Mas não façam disso um caso de cidadania. Ninguém é obrigado a ser católico, ou a seguir a Bíblia, para ser português. Critiquem-no, ignorem-no ou aclamem-no, mas há limites!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Há 15 anos, quando vim a Amsterdão pela primeira vez, chocaram-me os drogados e os mendigos que se espalhavam pelas ruas, escuras e sujas. O comboio que nos levaria embora saía de Centraal Station já de noite por isso tivemos um bom par de horas para deambular por aí, quando já se acomodavam para mais uma noite de frio aqueles que não podiam contar com um tecto. Se querem a verdade, o medo apertou, a estação e o centro lembravam a Meia-laranja só que de noite, sem carro e num país estranho. Hoje em dia já não há nada disso. Primeiro estranhei, depois entranhei: resolveram o problema! Lá resolver, resolveram, só que não da forma que eu pensei. A polícia "enxota" os pedintes, os drogados e quaisquer sem-abrigo para fora do centro de Amsterdão para não chocar os turistas. As estações de comboio dos arredores são, de noite, iguais à Centraal de há 15 anos atrás - só faltam os turistas. Não haverá outra forma de lidar com este problema?

OMG!

Nesta cidade vive muita gente, trabalha mais e passeia ainda mais. Só habitantes são 4457 por km2... espaço em barda, portanto. Muitos holandeses trabalham apenas 4 dias por semana e muitas, depois de terem filhos ou enquanto estes são pequenos, não trabalham de todo - mas passeiam, sempre, faça chuva ou faça sol, frio ou calor, está tudo na rua. E, claro, ainda temos os turistas. O resultado são ruas cheias de gente, os parques animados por risos e correrias dos mais pequenos e bicicletas por todo o lado. Normalmente esta animação agrada-me, gosto de deambular enquanto vou observando os outros. Acontece que esta é a semana das férias de Outono aqui da pirralhada, significando que, mais do que uma alegre e pululante cidade, ontem tínhamos uma insuportavelmente apinhada cidade, cheia de adolescentes por todo o lado - em grupinhos, em grupos, em manada, tão self-centered e indiferentes como só eles. E isto era na rua. Nem quero imaginar se tenho decidido ir às compras esta semana - não eram só as calças skinny que me iam mexer com o nervoso miudinho, não!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Na verdade,

acho que não vou mesmo perceber nada... Falta-me a crença e sobra-me o cepticismo! Mas, pelo menos, vou poder dizer que já li os dois livros mais publicados de todos os tempos: a Bíblia e o Harry Potter.
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P.S. - Não será a Bíblia, proporcionalmente, também o livro menos lido do mundo?

Qualquer dia, não há-de faltar muito,

eu leio a Bíblia. Todinha, Novo e Velho, tudo. Aí, sim, vou poder opinar à séria...

sábado, 17 de outubro de 2009

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Donos, não sei porque é que dizem que eu tenho quatro patinhas da frente...
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Manifesto(-me) contra a Pobreza

Não será muito contributo para a luta contra a pobreza a mera publicação neste blog do manifesto que se segue. No entanto, e como é uma corrente em que pode participar quem quiser e que pretende alcançar visibilidade através da entrada no Guiness, vai, pelo menos, lembrar uns quantos de que a comida que muitas vezes fica nos nossos pratos quando acabamos de comer é mais do que outros, neste mundo ao mesmo tempo que nós mas seguramente por menos tempo, têm num dia inteiro. E lembra-me a mim também.

Manifestamos que:

1. A pobreza e a exclusão social não são uma fatalidade, mas antes o resultado de um mundo injusto e desigual e não se resolvem apenas com sobras ou gestos de generosidade esporádica. As causas da pobreza e da exclusão social só podem ser eliminadas modificando os factores económicos, sociais e culturais que geram e perpetuam as condições favoráveis a elas. A pobreza é um atentado aos Direitos Humanos, que deve ser erradicada em todos os países;

2. A campanha Pobreza Zero luta contra as causas estruturais determinantes da pobreza e da exclusão social, e desafia as instituições e os processos que perpetuam a pobreza e a desigualdade no mundo. Trabalhamos pela defesa dos direitos humanos, pela equidade de género e pela justiça social;

3. O mundo em que vivemos é um mundo de abundância e nunca como hoje foi tão possível erradicar a pobreza – nunca houve tantos recursos financeiros e tecnológicos disponíveis que permitam erradicar para sempre a pobreza extrema do nosso planeta. Deve também reconhecer-se que a pobreza em Portugal, tal como a nível mundial, não é devida à falta de recursos. O problema reside no facto de a pobreza continuar a ser vista como uma questão periférica, pretensamente resolúvel por políticas e medidas periféricas e residuais;

4. Na nossa acção queremos pressionar os governos para que erradiquem a pobreza, diminuam drasticamente as desigualdades e alcancem os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Pedimos:

* Prestação pública de contas, governação justa e o respeito pelos direitos humanos;

* Justiça no comércio global;

* Aumento substancial na quantidade e na qualidade de ajuda (0,7% do RNB até 2015) e no financiamento para o desenvolvimento;

* O cancelamento de dívidas dos países mais pobres e de rendimento médio;

* A tomada de medidas politicas que visem a mitigação das alterações climáticas, de forma a que os países poluidores paguem os danos causados no meio ambiente;

* O apoio internacional à concretização de medidas de adaptação às alterações climáticas, nos países e comunidades mais vulneráveis, com recursos adicionais aos da ajuda pública ao desenvolvimento;

* O fim dos bloqueios culturais e comportamentais que a pobreza persistente gera nos pobres, comprometendo a sua capacidade de vencer a situação e de utilizar os meios postos ao seu dispor;

* Integrar, nas diferentes políticas públicas, objectivos, estratégias e instrumentos que visem a remoção das causas estruturais da pobreza e da exclusão;

* Promover a mudança de mentalidade dos não-pobres, superando preconceitos acerca da pobreza e suas causas e estimulando comportamentos mais solidários;

* Que a equidade de género seja reconhecida como elemento central na erradicação da pobreza.
Por isso agimos, mobilizando a sociedade civil, para que, unida nesta luta, pressione o governo português e as instituições poderosas para que:

» Incluam nas suas agendas o objectivo da erradicação da pobreza no mais curto período de tempo;

» Adoptem níveis salariais, pensões e prestações sociais mínimas que não fiquem aquém do limiar da pobreza e aumentem a eficácia e eficiência das transferências sociais e demais políticas sociais;

» Reduzam drasticamente as emissões de gases de efeito de estufa e proporcionem recursos adicionais (para além dos 0,7% do RNB) para o apoio a países em desenvolvimento;

» Acabem com os conflitos armados, ocupações, guerras e as violações sistemáticas dos direitos humanos que as acompanham, e trabalhem com vista à desmilitarização de modo a assegurar a paz e a segurança humana;

» Todos os governos prestem contas aos seus povos e tenham transparência no uso dos recursos públicos, desenvolvam estratégias anti-corrupção pró-activas e consistentes com as convenções internacionais;

» Protejam jurídica, física, social e economicamente os direitos das crianças, incluindo as crianças afectadas por conflitos e/ou catástrofes e carentes de acesso a serviços públicos de qualidade;

» Garantam o direito à informação e à liberdade de expressão, incluindo a liberdade de imprensa e de livre associação;

» Assegurem a participação da sociedade civil nos processos de orçamentação;

» Assegurem serviços públicos universais e de qualidade para todos (saúde, educação – incluindo a alfabetização de adultos – água e outros);

» Promovam regras de comércio internacional e políticas nacionais de comércio que assegurem modos de vida sustentáveis, os direitos das mulheres, crianças e povos indígenas, conduzindo à erradicação da pobreza;

» Garantam um aumento substancial na qualidade e na quantidade de recursos necessários para a erradicação da pobreza, a promoção da justiça social, a realização dos ODM, a equidade de género e a garantia dos direitos das crianças e dos jovens;

» Revertam a fuga de capitais dos países pobres para os países ricos, identifiquem e repatriem os activos roubados, por meio de acções contra paraísos fiscais, instituições financeiras, multinacionais e outros actores que facilitem esse processo.

Pretendemos mobilizar o máximo de pessoas possível, de modo a mostrar o poder da sociedade civil unida na luta por uma causa global e solidária. É preciso pôr um fim à pobreza. Juntos somos capazes de acabar com a pobreza!

Junta-te a nós!

A música associada a esta iniciativa, do Bob Marley, está no seguinte link: http://www.youtube.com/watch?v=6aRuqozNMmQ

Quem quiser juntar-se à corrente é favor enviar um e-mail a pedir este texto e o link para esta música à Ka através do blogdaka@gmail.com. Temos hoje, amanhã e depois para nos lembrarmos que a pobreza existe, mesmo quando andamos perdidos neste mundo de gente sem esse tipo de dificuldades que é a blogosfera.

Conclusões importantes

após uma tarde nas compras:
  1. ODEIO calças skinny - pareço um chouriço com pézinhos de cinderella;
  2. finalmente, os casacos cresceram no comprimento! Estava farta que os casacos de mulher tivessem altura para caber à minha prima de 9 anos;
  3. um casaco ou uns sapatos na Zara em Portugal são €15, €20 mais baratos q na Zara na Holanda - é por isto que os salários aí são tão mais baixos?!?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Cá em casa estamos em guerra

Eu e o mariduncho andamos desavindos. Cada um julga que tem mais razão que o outro e vai de puxar a brasa à sua sardinha a cada oportunidade que se lhe apresente. E, acreditem ou não, as hostilidades têm lugar logo de manhãzinha, acabados de sair da cama. Ainda por cima a causa do desaguisado é tão estrutural à nossa pessoa, ao nosso corpo que, temo, não haja solução para nós, a curto prazo. A longo prazo, claro - duas banheiras e/ou chuveiros!
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O mariduncho, que faz algo pela vida, levanta-se cedo e toma banho, girando a torneira para os 40ºC (cá as torneiras são esquisitinhas, em vez do velho quente e frio temos uma torneira que controla o fluxo da água e outra que estipula a temperatura, tudo muito científico, tem os graus escritos e tudo) para aquecer. Depois de ele sair levanto-me eu e dirijo-me para o chuveiro. Estou bem acordada (a minha dificuldade é dormir e não acordar) mas, como podem compreender, ainda não pensei na vida, faço tudo automaticamente. Ligo a água, escovo o cabelo e ponho-me debaixo do chuveiro. E saio, acto contínuo, molhando o chão da casa-de-banho. Mas quem é que consegue tomar banho com a água a 40ºC?!? Eu quero lavar-me, não cozer em lume brando... Depois de recomposta do choque inicial desço a temperatura para uns agradáveis 35ºC. Tomo banho. E, quando me viro para a torneira que desliga a água, olho de soslaio para os 35ºC que assinala a outra torneira, sorrio maleficamente e deixo-a estar. Se hoje me escaldou, amanhã congelo-o a ele! Estamos em guerra matinal, ah pois estamos.

Caneco, já me tinha esquecido

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do frio que pode fazer nesta terra mesmo em Outubro! 4ºC! Às 9 da manhã de um dia de sol... Em cima da bicicleta e apesar dos óculos de sol, corriam-me lágrimas pela cara provocadas pelo vento frio. Terrinha boa para ursos polares e pinguins... Eu cá sou peixinho de água quente! Por falar nisso, tenho mas é de começar a pensar numas férias tropicalientes. Essa é que é essa!
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Where's Wally? (versão Golden)

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Querem descobrir este peixe no meio da restante fauna que pulula por Amesterdão? Pois procurem pela idiota que saca dos óculos escuros ao primeiro raio do astro-rei que se escape por entre as nuvens - that's me! Se o sol de Portugal me mata pela intensidade, este, fraquinho que só ele, como anda sempre rasteirinho (a esta hora já se esconde atrás de prédios de 3 andares), quando brilha acerta logo à altura dos olhos e só não cega porque, coitado, não tem genica para tanto. Resumindo: noves fora alguns turistas que não sabem ao que vêm quando marcam férias para esta terra e andam de óculos de sol no primeiro dia porque voltar ao hotel é perder tempo, só eu e mais alguns hiper-sensíveis à luz solar usam semelhante acessório nesta altura do ano. Quando disse a uma holandesa que tenho, devidamente guardados desde a expatriação, 5 pares de óculos de sol ela olhou para mim como se tivesse acabado de aterrar de Marte (ou, quem sabe, de um outro planeta mais próximo do sol...).
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A propósito do post anterior... tirada daqui.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Às vezes,

gostava tanto que o mundo se dividisse em preto e branco, bom e mau, amargo e doce, claro e escuro, sol ou chuva...
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Mas depois perdíamos o cinzento, que até é a cor que uso para substituir o preto que odeio, não existiam pessoas (que ninguém é bom nem mau), não faço ideia como é que comíamos sem o salgado, não existiriam jantares à meia-luz nem neve... branca, gelada, perfeita, única. Era um mundo simples mas, oh, tão chato!

sábado, 10 de outubro de 2009

O sol de Amsterdão


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

2 anos de garantia - take 2

Se fizermos as contas, e dado que só aspirou três vezes antes de lhe dar a tremadinha final, cada aspiradela do meu segundo electrodoméstico sugador portátil custou mais de 11€!!! Isto sem contar com deslocações para a troca e regresso ao país das socas...
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Chiça, anda a sair caro andar de rabo para o ar a apanhar migalhas!