domingo, 24 de janeiro de 2010

Nem acredito

Amesterdão está cheia de neve outra vez!


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Homens

Se há coisa que detesto é que venham homens desconhecidos falar comigo no meio da rua. Não estou a falar daqueles olhares que nos lavam a alma. Nem de algumas palavras, muito bem escolhidas, que nos acariciem o ego. Estou mesmo a referir-me ao meter conversa à descarada. Odeio. Não é que tenha medo ou por ser comprometida - é que não gosto de ser obrigada a falar com alguém que não conheço de lado algum. Julguei que aqui nas Lowlands estava safa, mas parece que não. Eu juro que fiz caras. Sorri um sorriso muito amarelo. Incluí um "não" em cada frase, em algumas, dois. Arqueei as sobrancelhas de forma depreciativa e abstive-me de responder quando me perguntou o nome. Custou até a lapa despegar. E quando despegou, o que fez? Entrou na sexshop que havia naquela rua. Lindo. Só comigo.

Superstições (?)

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Concordo com quem defende que andar com uma patinha de coelho dá sorte (eu ando com quatro para todo o lado; são de cadela e vão de motto proprio, mas conta na mesma que eu sei).
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Capacidades

Há pessoas que sabem fazer coisas tão interessantes e elaboradas como coser... até cerzir. With a needle in my hands I can only scar. E não é uma cicatriz qualquer, mas daquelas com que se ficava antigamente, quando o importante era fechar a ferida e não ficar bonito depois. Tantas horas perdidas nas aulas de têxteis para isto.
P.S. - não é que eu tenha muita necessidade de coser ou pena de não o conseguir, mas de vez em quando lá acontece alguma coisa a uma baínha ou cai um botão e eu... estrago mais do que arranjo.

Traduções

O weather.com agora aparece meio traduzido para português, mas só meio. E como se não fosse suficientemente estranho darmos com uma página que diz right now (imagem das nuvens) nublado, 3ºC feels like -1ºC, "PM Light rain" vem traduzido por "Pancads. à tarde". Pancadas?!? Primeiro, uma pancada de água não é light rain e sim chuva forte durante um período curto de tempo. E, depois, não me parece a palavra mais adequada para um site especializado no tempo. Que tal... chuva? chuva forte? chuviscos, quando é pouquinha? Será demasiado ousado para o weather.com?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Dei hoje pela primeira vez os parabéns a um homem que conheço bem, mesmo bem, por ir ser pai. É meu primo, daquelas pessoas que não me lembro de quando entraram na minha vida - pura e simplesmente porque sempre lá estiveram. E estou feliz. Mesmo ao telemóvel, mesmo a kms e kms de distância, ouvi-lhe o sorriso na voz. A felicidade nas palavras. É assim que deve ser. Parabéns, primo, vais ser pai. Mal posso esperar por te ver com o teu bebé nos braços.

Superstições (?)

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Eu não passo por baixo de escadas (mas só porque tenho medo que elas escorreguem e me caiam em cima).
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Eu não acredito

que acabei de falar* pelo intercomunicador do meu prédio, em Amesterdão, Holanda do Norte, Países Baixos, com uma Testemunha de Jeová que se dirigiu a mim em português**. Oh-my-god!, se existires, livra-me destes carrapatos que nem com o frio que faz nesta terra morrem, amén!

* despachar seria o verbo adequado, se bem que tenho que admitir que a estupefacção fez com que a minha reacção de repúdio tenha sido um pouco mais lenta do que é costume.
** ok, termos os nossos apelidos escarrapachados ao lado da campaínha é capaz de ter ajudado nesta parte.

Sejam criativos, substituam os itálicos

O cocó da camisola de Angorá, ou seja lá de que tipo de lã for, acabou de me deixar metade das outras camisolas que foram a lavar com ela com quase tanto pêlo como a original! Pepinos que a forniquem! Senhora da vida que a pariu! Só não vai parar ao lixo porque foi prenda. Odeio camisolas de lã.

Not there yet, though*


Acabei de abrir uma manga que deixei desde Sábado na fruteira - podre. E acabei de comer outra que, por precaução, guardei no frigorífico - consistência de pepino, cor de limão** e um sabor... entre os dois.

* ou O que eu não dava por uma frutinha da mercearia da D. Luísa.
** tive que tirar a casca generosamente para desaparecer a cor de lima.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

You know you've been in The Netherlands for too long when...

1. You think about going shopping and instead of wondering where are the car keys, you wonder where is the bike.
2. You prefer a latte to a galão.
3. You expect your dog to go inside the coffee with you and seat by your feet while you have lunch.
4. You forget your sunglasses' shape.
5. You find portuguese butter way too salty.
6. The smell of a joint becomes just another urban smell.
7. You know whether Els, Yordi and Femke are boys or girls.
8. You no longer feel robbed for paying €29,88/kg for (Spanish!) Presunto.
9. After being invited for dinner in someone's house you wonder which kind of flowers (not desert) should you take with you.
10. You start thinking you're not that tall after all.
11. You're happy that it's not that cold anymore (and the temperature is barely above freezing).
12. Seeing (almost) naked women in a window doesn't surprise you anymore.
13. You don't expect the ATM machine to do more than give you money.
14. Two very fashionable portuguese friends have no idea what UGGS are and you feel shocked.
15. "Lekker!" is what comes shooting out of your mouth when the food is good.
16. You go to the toilet in Lisbon and feel like falling because it is much lower than you thought.

My own version of this post.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Getting dutcher by the minute

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A minha melhor aquisição nos saldos.

Lembranças

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Adoro ver álbuns de fotografias. Tenho aproveitado o tempo livre para fazer álbuns de fotos que ainda não tinham saído do digital. Mas gosto especialmente de ver álbuns antigos. Ver pessoas que já não estão connosco, que nunca conhecemos, que não vemos há tempos ou que hoje estão tão diferentes. Tenho uma priminha que, em pequena, recusava-se a acreditar que aquele menino que via nas fotos, de cabelo cortado à rapazinho, era o pai... porque o pai era careca! Esses álbuns encerram uma certa magia nas páginas repletas de fotos antigas (nunca velhas), a sépia ou preto-e-branco verdadeiros, espectaculares, principalmente as das mulheres. Não sei como se arranjavam, mas estão sempre lindas, com o sorriso certo, viradas para o lado que mais as favorece... perfeitas. Serenas. Imaculadas. Gosto da calma que esses retratos me transmitem. Não sei bem porque me lembrei disto agora, mas quando regressar a Lisboa vou ver os meus. Ver a minha bisavó, sempre velhinha como a recordo, na negrura das suas roupas de viúva, a minha tia, querida, a assinar um livro de casamentos com o mais perfeito dos caracóis a cruzar-lhe a face, a minha avó com o seu chapéu das cerimónias, as tranças grossas da minha mãe, que se recusava a olhar para o fotógrafo, o primeiro encontro de duas irmãs do coração, um ano de diferença entre nós espelhado na menina de calças de fazenda e na bebé com vestido de baptismo, o meu avô quando ainda não pesava menos de 60 kgs e olhava o mundo do alto dos cento e setenta e dois centímetros que constam do seu BI mas que foram há tanto perdidos. Ao folhear álbuns antigos sinto uma pertença, um sentido de família, de tradição, legado de tantas pessoas que vieram antes de mim e que, de algum modo, me puseram aqui. Gosto desse sentimento.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O que eu não dava...

... para estes olhinhos verem este espectáculo um dia!



Uma das fotos do ano 2009 da National Geographic. Obrigada, Fuschia!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A'dam está linda

A neve é uma coisa muita gira, pois é. A paisagem fica linda, a neve range e estala debaixo dos nossos pés, a noite brilha como dia, há algo de conto de fadas numa casa com tecto de colmo coberto de frosting. No primeiro dia parecia uma miúda, feliz por estar contente apesar de o cabelo estar ensopado de tanta neve* e não sentir os dedos das mãos. Mas a cena de a neve calcada por centenas de pés congelar, transformar-se em gelo e ficar a escorregar mais que o ringue de patinagem de Museumplein já não é tão engraçada, pois que não é. Bailado nunca foi a minha especialidade. E os termómetros já subiam um ou dois grausinhos acima do zero (não é pedir muito!) que eu sei que o frio conserva mas, felizmente não preciso de ajudas como essa, ainda na 2ª-feira me disseram que pareço ter uns 25**...
* nunca tinha visto cair tanta neve como há uma semana e não me passou pela cabeça que levar o cabelo fora do casaco era capaz de ser má ideia.
** há que reparar na forma subtil como enfiei esta informação no texto... Nada forçada, completamente dentro do contexto, em suma, perfeita!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

Desabafo

Depois de estar em Portugal duas semanas a celebrar Natal e Ano Novo e a correr e acelerar para conseguir ver o maior número possível de amigos e família, voltar à pasmaceira de Amsterdão é dose. Acrescentar a isto temperaturas uns quantos graus a baixo de zero (em Lisboa apanhei 18ºC em dois dias!), mariduncho doente e... internet em baixo sem razão aparente é coisa para deixar qualquer um à beira de um ataque de nervos. Bem, uma semana depois o marido está bom, o corpo já congelou tantas vezes que já se habituou (ou seja, já estou constipada) e a internet regressou à vida sem aviso prévio nem razão aparente. Estou satisfeita. Agora espera-se o técnico da companhia de cabo na 2ª para garantir que o chilique não se repete. Vamos ver se a je também não tem de ir ao senhor doutor...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Num pulinho

Passo só para dizer que não morri nem do frio nem do calor que já passei aqui na lusitânia e que é difícil manter o estaminé quando não se está em casa muito mais de 2 horas de seguida, sem contar com as que se passa a dormir. Para a semana já estou de volta ao frio (correm boatos de mínimas entre os -6ºC e os -15ºC, estou a considerar ficar por cá mais dois ou três mesinhos) e à escrita regular. Aos portugueses tenho a dizer: irra, minha gente, eu sei que chove a potes e têm os putos em casa por causa das férias mas saiam do centro comercial! É que aqui a emigrante quer aproveitar os preços um pouco mais baixos aqui do país para abastecer a sapateira e o armário e assim torna-se difícil. Hoje à noite terá lugar mais uma tentativa, como ainda não sei em que antro do consumismo irei aterrar, libertem-me o Fórum Almada, as Amoreiras e o Dolce Vita apartir das 19h30, sff. Ah, e o Allegro também, por precaução. Muito agradecida!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Nuns lados...

... treme, noutros neva! Caiu esta noite o maior "nevão" que já tive o prazer de ver a cobrir Amsterdão. Está tudo branco, com uma camada de uns bons 5 cm e tenho a dizer que a Luna não aprecia a neve. Se eu não usasse sapatos também não apreciaria, de certeza. E que a máquina, no meio de tanto branco, não a consegue focar, apesar de pretinha*. O próximo post já será Made in Lisbon. Vaga de frio, aqui vou eu!

* desculpas de mau pagador (aka mau fotógrafo)...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

E quando A'dam cheira às escadinhas da Regina?

Quem não se lembra dos chocolates da Regina? Embalagem sobrecomprida, vermelha com laivos dourados, chocolate de leite? Mais do que o paladar, a Regina faz disparar o meu olfato. Fui à fábrica por duas vezes, em visita de estudo com a escola primária. Lembro-me do calor que fazia lá dentro e de oferecerem um saco gigantesco de chocolates, bombons variados e autocolantes. Mas, além dessas visitas, passava lá ao pé muitas, muitas vezes, toda a minha infância e adolescência. Andávamos tanto a pé naquela altura que não sei como não gastámos as pedras da calçada. O cheiro do chocolate a ser feito... entranhou-se-me na memória e continua a enviar-me num instante para aquelas escadinhas (não faço ideia porque é que toda a gente usa o diminutivo, de pequenas não têm nada) onde terminava o edifício da fábrica da Regina e onde estavam as gigantescas turbinhas que faziam circular o ar dentro da fábrica e salivar os passantes... O resultado é que já estive nas escadinhas da Regina quando estive Bruxelas, à procura do Mannekin Pis, ou em Bruges ou, por duas ou três vezes, em Amsterdão. Sempre que o ar cheira a chocolate. Nos outros locais, a culpa é das fontes de chocolate derretido que é costume terem nas montras das chocolaterias. Em Amsterdão, não sei. Mas há dias em que o ar cheira a chocolate. E cheira tão bem... cheira a tempos felizes.


Foto roubada daqui, depois de uma pesquisa no Google. Estão a ver o prédio à direita com janelas quadradas pequeninas? Era aí a Regina, hoje é um condomínio privado com preços acima do aconselhado. E estas são as escadinhas da Regina. Não sei o seu verdadeiro nome. Os carros que se vêem a meio da foto estão numa rua que fica a meio das escadinhas - como podem ver pela fileira central de candeeiros, elas continuam até lá acima, à Rua Gil Vicente. Se calhar começou-se a chamar-lhes "escadinhas" como piada.