terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Segredo

O Segredo (com letra maiúscula por ser tão importante) para manter uma casa arrumada é não permitir que ela se desarrume. É este o ensinamento de anos de desarrumação (como já disse algures aqui, sinto pelas tarefas domésticas um ódio que só quem também o sentir compreenderá e que me acompanha deste tenra idade). Quando temos a casita arrumada é mais fácil (porque menos demorado) colocar no lugar aquela coisinha que escapou ontem à noite e ficou esquecida sobre uma qualquer superfície menos apropriada. Se o caos se instala vamos demorar horas a voltar a pôr tudo como deve ser - e quantas mais horas se calcula que demore, menos vontade temos de arrumar. Com tudo isto em mente, aquando da mudança para as terras baixas prometi a mim mesma que tudo iria ser devidamente arrumado (um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar) e que me iria esforçar por manter cada coisa no lugar previamente atribuído. Consegui-o, com algum esforço, até à chegada da minha Luna. Não é que ela suje ou desarrume seja o que for, eu é que me ponho a brincar com ela ou a treiná-la em vez de arrumar a tralha. Pois hoje isso muda. Já brinquei com ela, agora vou arrumar tralha e pôr esta casa de novo num brinco. Está prometido.

P.S. - Bem sei que nada disto vos interessa, mas é mais urgente cumprir uma promessa pública do que uma que só a Luna ouviu e não vai contar a ninguém se não for cumprida...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Desqueci-me

Há quatro anos atrás ouvi esta pérola dos pontapés na gramática portuguesa pela primeira vez. Antes disso, ou andava surda, ou nunca me tinha cruzado com nenhum dos adeptos desta forma de conjugar o até então desconhecido verbo "desquecer-se". Novamente o caricato da minha situação veio inundar-me o cérebro de dúvidas e perguntas. Ali estava eu, perante vinte e muitos alunos de um 4º ano da escola primária, a ensinar a pronúncia correcta da palavra "the" (com a língua a bater espalhafatosamente nos dentes da frente e a ridicularizar o procedimento com a famosa frase "say it, don't spray it") quando cerca de um terço dos meus alunos não conjugava correctamente o verbo esquecer.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A palavra mais odiada


NATIVE (english)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Eu passo-me com isto

Eu até sou uma defensora das liberdades individuais - ou seja, desde que não andem a pisar nas liberdades de outrém, para mim, cada um deve fazer o que bem entende. É por isso que, apesar de ser uma defensora do ensino da Educação Sexual nas escolas, porque a informação nunca fez mal a ninguém, compreendo que alguns pais decidam que não querem que os seus filhos as frequentem. Agora, quando a propósito deste tema leio certas declarações, passa-me a vontade de conciliação, entendimento mútuo e divergência civilizada e só me apetece distribuir uns bons pares de estalos. Ora leiam:

"É verdade que Portugal é o segundo país europeu com mais alta taxa de gravidez na adolescência, mas é uma verdade com a qual eu me congratulo porque significa que as jovens levam a gravidez até ao fim e não abortam".

Já faltou mais

Sabem aqueles cãezinhos de pêlo longo a quem alguns donos fazem um carrapicho no alto da cabeça? Pois se não tratar desta franja não tarda pareço um desses.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Declaro oficialmente aberta

a época das luvas


e dos cachecóis.




A dos gorros seguir-se-á, sem dúvida, em breve.


Brrrr!

Dia-a-dia

Levantar cedo, ir tomar o pequeno-almoço com a minha mãe e dar dois dedos de conversa. Ir à mercearia. Pegar no carro, ir até à escola, dar aulas e almoçar por lá. Aproveita-se e prepara-se uma festa ou fazem-se umas avaliações. Ou ir almoçar com a S. Ou com a X. Ou regressar a casa num pulo para dar uma explicação e almoçar com a mãe e o avô. E ir de novo para a escola, para mais umas aulas. Voltar para casa, rapidamente, mais umas meninas à espera de um apoio. Ou ir ao supermercado abastecer duas despensas. E depois, encontro e lanche com a R. Ah, e visitar a avó. Ou jantar com a J. Ou com o mariduncho. Ou ver um cinema. Ou preparar aulas e explicações. Ir à natação. E, quem sabe, ver uma série na RTP2. Ler um capítulo de um livro e dormir.

É por isto que agora os meus dias são vazios. Faz-me falta ter pressa, correr, trabalhar, combinar isto ou aquilo (ou isto e aquilo), conduzir, stressar, divertir-me, comer fora, conversar, visitar gente, combinar saídas. Se não fosse uma verdade tão crua diria que me faz falta viver. Mas é a verdade.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ai Luna, Luna

Lembram-se de eu dizer que a Luna ainda ia ao banho por causa da sua relação amor / ódio aos patos? Eu canso-me de dizer que tenho sempre razão! Este Sábado foi o dia. Splash num lago do Voldelpark. Pelo aspecto da coisa o objectivo era acertar no pato e não persegui-lo a nado - sim, que assim que voltou à superfície deu meia volta e saiu da água. Agora, das duas, uma: ou é o primeiro de muitos, ou é o primeiro e o último. Fez o dia de um casal de turistas italianos e o nosso fim de tarde - banheira com ela.

sábado, 31 de outubro de 2009

Min Pin


Nesta foto até parece engraçado mas é, definitivamente, um ratinho. Os sites da raça dizem que é "a big dog in a small package" devido à sua atitude possessiva e até agressiva. Aquilo que foi criado para ser um caça-ratazanas é agora classificado pelo American Kennel Club como toy breed e afectuosamente apelidado Min(iature) Pin(scher). Ah, e o objectivo de Herr Dobberman quando criou a raça que lhe tomou o nome era criar um Min Pin 15 vezes maior. Digam lá que não vale a pena vir até aqui para ficar a saber estas coisas tão interessantes (e úteis!).

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Ainda hoje o vi

Há um cãozinho que vejo de vez em quando a passear que é mais pequeno que as ratazanas que já vi em Lisboa. É um pinscher anão e pesa 1,5 kg. Eu gosto muito de cães, no geral, mas aquilo... não é bem um cão, pois não?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Uns fazem corninhos,

outros gostaram muito, mas mesmo muito, d' O Código da Vinci. E têm também tempo demais em mãos. E, apesar de já terem sido Exterminadores Implacáveis, levam-se demasiado a sério. Ou, já não podendo dar uns quantos murros nos adversários, lembram-se disto:


Não havia necessidade.

* quem quiser saber mais faça o favor de ir aqui, que estou tão sem palavras que ia acabar a plagiar o jornalista do Público.

Qualquer dia passo-me e ofereço um treat (daqueles que levo para ir treinando a Luna pelo caminho) aos meninos que acham piada a ladrar e rosnar a cães pequenos como a minha farrusquinha. A minha única consolação, até agora, tem sido a impassividade com que ela aceita estes ataques histéricos. Deve pensar lá para com ela, "Coitadinho, que cão tão feínho...", e nem sequer pára de andar.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Já agora,

queria dizer que não fiquei incomodada, ou algo que se pareça, com algum comentário... Mas achei que, efectivamente, já andava a bater muito na mesma tecla e que devia esclarecer o mundo sobre Amsterdão e o aquário - não quero provocar um decréscimo das taxas de ocupação dos hotéis das terras baixas com o que escrevo por aqui! E agora podem voltar a comentar o que quiserem, dêem-me o que fazer, vá!

Impõe-se um esclarecimento

Este aquário nada mais é que uma página pessoal de idiotices e resmungo que vai contribuindo para que eu me mantenha ocupada e que algumas pessoas em Portugal saibam de mim. O que aqui escrevo é, na maioria das vezes, coisas parvas que me acontecem ou que me vêm à ideia, ou coisas que me incomodam e irritam. Tudo o resto acaba por ficar de fora, distorcendo um bocado a realidade. Parece que isso acontece especialmente em relação a Amsterdão e à Holanda... dando a ideia de que eu não gosto disto nem dos holandeses. Ora bem, a Holanda não é Portugal e Amsterdão não é Lisboa - e portanto nunca será a minha terra, nem a minha cidade, onde tenho os meus cantos, as minhas memórias, os meus amigos e a minha família. É, por enquanto, o sítio onde tenho a minha casa (sim, esta já é mais a minha casa que a que tenho ainda em Lisboa) e onde vivo com a família mais próxima (mariduncho e cadela) e é um sítio espectacular para se viver. Vivo num bom bairro, numa casa boa (então para o padrão holandês é uma casa extraordinária) tenho vizinhos simpáticos, toda a gente me trata bem, seja na rua, nas lojas ou nos locais onde procuro emprego, apesar de ser claramente uma estrangeira que, ainda por cima, não fala pêvas da língua local. Arrisco dizer que não há mais nenhuma cidade da Europa onde alguém possa viver sem falar a língua do país, usando única e exclusivamente o inglês - e aqui é possível, sem sequer originar mal-estar (os holandeses são os primeiros a perguntar porque é que alguém quer estudar a língua deles se falar bem inglês!). A qualidade de vida que tenho aqui é, de longe, superior à que tinha em Lisboa, e a qualidade de vida dos holandeses é muito superior à dos portugueses. Aqui, as pessoas passeiam nas ruas, saem das lojas com sacos, têm tempo para estar com os filhos e com a família e os amigos (eu nunca vi crianças portuguesas no dia-a-dia serem tão felizes como vejo as holandesas), viajam várias vezes ao ano para fora do país e têm dinheiro para gastar. A questão é que eu não acho que isto tenha a mais pequena graça. O que tem graça é eu sair de casa, atravessar a rua e estar à porta de uma escola e depois atravessar o canal e ter meio quarteirão de montras com meninas em roupa interior. E tem piada oferecerem-se para me pagar um charro, quando em Portugal nem sequer vender-me um alguma vez tentaram (estão a imaginar o meu ar de menina, não estão?). E quase ser atropelada por uma bicicleta também tem piada (enquanto se mantiver no quase, claro está...). E despirem-se todos em pleno Vondelpark (ficam de boxers ou de bikini) mal o sol fura as nuvens? Tem piada, ah pois tem! Muito mais do que andar a fazer a apologia da Holanda contra um Portugal que, apesar de ranhoso em tantos aspectos, é a minha terra e eu adoro. E é este o esclarecimento que queria fazer. Nunca se esqueçam que o que eu conto é só uma parte da realidade, aquela que (nos) é estranha por ser tão díspar da portuguesa e, por isso mesmo, engraçada, incomodativa ou simplesmente curiosa. Admitam, tem piada um gajo (não era um drogado ou alguém com mau aspecto, atenção!) passar de um convite para um chá para um outro tipo de ervinha...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A vida em Amsterdão tem destas coisas #5

E se um desconhecido te convida para um chá e tu respondes que não, o que é que ele diz a seguir?

"What about a joint?"

domingo, 25 de outubro de 2009

Today is...

the never ending day.

E ainda só são seis e meia da noite.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A vida em Amsterdão tem destas coisas #4

.

A beleza desta foto é o que não se vê nela. Este pato estava orgulhosamente pousado na amurada do barco, tão perfeito que resolvi tirar uma foto. No momento em que ia pressionar o botão da máquina o idiota do bicho escorrega de traseiro para dentro do barco e depois põe-se, assim como acabou por ficar na foto, a espreitar de lá de dentro, com a cabecinha a girar para todos os lados como se ainda não tivesse percebido bem o que se tinha passado.
O porquê do título? Então, o bicho estava drogado, de certeza...

Doenças silenciosas

Tudo o que seja doença silenciosa que não tenha um nome assustador como cancro, diabetes ou colesterol elevado é como se não existisse, especialmente quando o afectado é um colega de trabalho. Um dia, entre quatro amigas, discutíamos as enxaquecas, que afectam duas de nós, e as alergias, que afectam as outras duas. Saiu-me uma frase que, creio, resume tudo. As alergias são uma coisa horrível e até incapacitante (não me venham dizer que são uns espirrinhos). Mas ao menos as alergias são visíveis. Se tens os olhos inchados e vermelhos, se espirras como uma possuída e dás cabo de três maços de lenços em meio dia é óbvio para toda a gente que estás doente. As enxaquecas, para dar o exemplo de doença silenciosa que me afecta, não têm sinais exteriores além da cara miserável que qualquer um põe nessa situação. Mas caras miseráveis é o que mais há por aí e, além de provocadas por milhentas outras razões, podem perfeitamente ser falsas. A única vez em que, numa situação de trabalho, olharam para mim e perceberam imediatamente que eu não estava nada bem (apesar de não saberem o que tinha) foi em Chelas, lugarzinho maravilhoso, numa escola óptima, perante uma turma de criancinhas do 3º ano do pior que já tive que domar. Estas pestes, difíceis de controlar, consistentemente mal-educadas e, em muitos casos, com problemas na vida mais graves do que eu e algumas pessoas que conheço juntas, olharam para mim mal tínhamos entrado na sala de aula, calaram-se como por magia e perguntaram com uma cara assustada "Teacher, o que é que tem?". Se não estivesse tão mal-disposta acho que me teriam vindo as lágrimas aos olhos. Aquelas crianças, normalmente indiferentes a tudo e todos além deles e dos seus amigos, olharam para mim e viram a minha doença estampada na minha cara. E, acreditem, a cara com que habitualmente encarava aquela turma já não era das melhores (adoptei e estendi com algumas turmas o adágio não mostres os dentes até ao Natal). Estava para morrer nesse dia, quase não conseguia raciocinar e qualquer barulho explodia na minha cabeça como uma bomba. Aquelas pestes conseguiram o milagre de me perceber doente antes de eu lhes dizer e não só. Conseguiram respeitar a minha doença, portaram-se impecavelmente, trataram-me como a um bebé e ainda se lembraram de me desejar as melhoras conforme saíam disparados da sala em direcção a casa depois de um dia de trabalho. Nunca colegas de trabalho me mostraram a mesma consideração. Como disse num comentário a um post anterior, uma amiga, que consegue sofrer mais de enxaquecas do que eu, chegou ao limite um dia quando, em pleno emprego, não aguentou as náuseas e saiu disparada para a casa de banho. Há semanas que pedia aos colegas para não fumarem no open space onde todos trabalham. Nunca foi ouvida. A doença dela não se vê, deve ser só mais uma maníaca anti-tabagista que resolveu chatear-nos. Só depois deste triste episódio se aperceberam do que ela sofria, aflita da cabeça, mal disposta, a ter de trabalhar no meio de um cheiro que dá nauseas a muita gente que não sofre de enxaquecas. Todos os médicos a quem me queixo das enxaquecas me perguntam se há hereditariedade. Que eu saiba, não, nem na família alargada. Consegui herdar uma data de coisas más de uma data de gente da família e ainda juntei uma doençazinha só minha...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

No Palácio da Rainha




Fui visitar o Palácio da Rainha há algum tempo e estas duas pinturas chamaram-me a atenção. Estão pintadas no tecto da sala adjacente à varanda de onde se faziam os anúncios das autoridades à população e representam as notícias.

Na primeira pintura as boas notícias são representadas por uma figura com asas de anjo, uma corneta e um ramo de oliveira, símbolo sobejamente conhecido. Na segunda, temos as más notícias. Além de a figura ter um ar demoníaco, as asas que o sustentam são de morcego e, em vez de uma, tem duas cornetas - porque as más notícias chegam duas vezes mais rápido.

Experimentações é no que dá

Descobri os blogs de culinária. Alguns têm receitas completamente diferentes do que costumo cozinhar e como não tenho muito que fazer e os ingredientes são limitados, resolvi começar a experimentar. Tenho descoberto coisas bem boas, até que ontem resolvi dar uma hipótese a um creme de courgettes - sopa sem cenoura é uma coisinha muito chata, sabe sempre tudo ao mesmo, por isso há que inovar. Neste creme usavam manjericão, erva que eu nunca usei na vida nem sabia a que sabia (hum, esta frase deve ser mesmo boa para baralhar o tradutor do google). Ao cozinhar cortei um bocadinho na dose indicada, felizmente, porque tem um sabor bastante forte e também bastante cheiro.
Quando o mariduncho chega a casa começa a cheirar o ar e pergunta-me com um ar entre o receoso e o gozão: "Fizeste vagarosos para o jantar?" Efectivamente, o manjericão pode ser usado para cozinhar caracóis. A sopa não é para repetir e fiquei com desejos de vagarosos.