terça-feira, 3 de novembro de 2009

Dia-a-dia

Levantar cedo, ir tomar o pequeno-almoço com a minha mãe e dar dois dedos de conversa. Ir à mercearia. Pegar no carro, ir até à escola, dar aulas e almoçar por lá. Aproveita-se e prepara-se uma festa ou fazem-se umas avaliações. Ou ir almoçar com a S. Ou com a X. Ou regressar a casa num pulo para dar uma explicação e almoçar com a mãe e o avô. E ir de novo para a escola, para mais umas aulas. Voltar para casa, rapidamente, mais umas meninas à espera de um apoio. Ou ir ao supermercado abastecer duas despensas. E depois, encontro e lanche com a R. Ah, e visitar a avó. Ou jantar com a J. Ou com o mariduncho. Ou ver um cinema. Ou preparar aulas e explicações. Ir à natação. E, quem sabe, ver uma série na RTP2. Ler um capítulo de um livro e dormir.

É por isto que agora os meus dias são vazios. Faz-me falta ter pressa, correr, trabalhar, combinar isto ou aquilo (ou isto e aquilo), conduzir, stressar, divertir-me, comer fora, conversar, visitar gente, combinar saídas. Se não fosse uma verdade tão crua diria que me faz falta viver. Mas é a verdade.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ai Luna, Luna

Lembram-se de eu dizer que a Luna ainda ia ao banho por causa da sua relação amor / ódio aos patos? Eu canso-me de dizer que tenho sempre razão! Este Sábado foi o dia. Splash num lago do Voldelpark. Pelo aspecto da coisa o objectivo era acertar no pato e não persegui-lo a nado - sim, que assim que voltou à superfície deu meia volta e saiu da água. Agora, das duas, uma: ou é o primeiro de muitos, ou é o primeiro e o último. Fez o dia de um casal de turistas italianos e o nosso fim de tarde - banheira com ela.

sábado, 31 de outubro de 2009

Min Pin


Nesta foto até parece engraçado mas é, definitivamente, um ratinho. Os sites da raça dizem que é "a big dog in a small package" devido à sua atitude possessiva e até agressiva. Aquilo que foi criado para ser um caça-ratazanas é agora classificado pelo American Kennel Club como toy breed e afectuosamente apelidado Min(iature) Pin(scher). Ah, e o objectivo de Herr Dobberman quando criou a raça que lhe tomou o nome era criar um Min Pin 15 vezes maior. Digam lá que não vale a pena vir até aqui para ficar a saber estas coisas tão interessantes (e úteis!).

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Ainda hoje o vi

Há um cãozinho que vejo de vez em quando a passear que é mais pequeno que as ratazanas que já vi em Lisboa. É um pinscher anão e pesa 1,5 kg. Eu gosto muito de cães, no geral, mas aquilo... não é bem um cão, pois não?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Uns fazem corninhos,

outros gostaram muito, mas mesmo muito, d' O Código da Vinci. E têm também tempo demais em mãos. E, apesar de já terem sido Exterminadores Implacáveis, levam-se demasiado a sério. Ou, já não podendo dar uns quantos murros nos adversários, lembram-se disto:


Não havia necessidade.

* quem quiser saber mais faça o favor de ir aqui, que estou tão sem palavras que ia acabar a plagiar o jornalista do Público.

Qualquer dia passo-me e ofereço um treat (daqueles que levo para ir treinando a Luna pelo caminho) aos meninos que acham piada a ladrar e rosnar a cães pequenos como a minha farrusquinha. A minha única consolação, até agora, tem sido a impassividade com que ela aceita estes ataques histéricos. Deve pensar lá para com ela, "Coitadinho, que cão tão feínho...", e nem sequer pára de andar.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Já agora,

queria dizer que não fiquei incomodada, ou algo que se pareça, com algum comentário... Mas achei que, efectivamente, já andava a bater muito na mesma tecla e que devia esclarecer o mundo sobre Amsterdão e o aquário - não quero provocar um decréscimo das taxas de ocupação dos hotéis das terras baixas com o que escrevo por aqui! E agora podem voltar a comentar o que quiserem, dêem-me o que fazer, vá!

Impõe-se um esclarecimento

Este aquário nada mais é que uma página pessoal de idiotices e resmungo que vai contribuindo para que eu me mantenha ocupada e que algumas pessoas em Portugal saibam de mim. O que aqui escrevo é, na maioria das vezes, coisas parvas que me acontecem ou que me vêm à ideia, ou coisas que me incomodam e irritam. Tudo o resto acaba por ficar de fora, distorcendo um bocado a realidade. Parece que isso acontece especialmente em relação a Amsterdão e à Holanda... dando a ideia de que eu não gosto disto nem dos holandeses. Ora bem, a Holanda não é Portugal e Amsterdão não é Lisboa - e portanto nunca será a minha terra, nem a minha cidade, onde tenho os meus cantos, as minhas memórias, os meus amigos e a minha família. É, por enquanto, o sítio onde tenho a minha casa (sim, esta já é mais a minha casa que a que tenho ainda em Lisboa) e onde vivo com a família mais próxima (mariduncho e cadela) e é um sítio espectacular para se viver. Vivo num bom bairro, numa casa boa (então para o padrão holandês é uma casa extraordinária) tenho vizinhos simpáticos, toda a gente me trata bem, seja na rua, nas lojas ou nos locais onde procuro emprego, apesar de ser claramente uma estrangeira que, ainda por cima, não fala pêvas da língua local. Arrisco dizer que não há mais nenhuma cidade da Europa onde alguém possa viver sem falar a língua do país, usando única e exclusivamente o inglês - e aqui é possível, sem sequer originar mal-estar (os holandeses são os primeiros a perguntar porque é que alguém quer estudar a língua deles se falar bem inglês!). A qualidade de vida que tenho aqui é, de longe, superior à que tinha em Lisboa, e a qualidade de vida dos holandeses é muito superior à dos portugueses. Aqui, as pessoas passeiam nas ruas, saem das lojas com sacos, têm tempo para estar com os filhos e com a família e os amigos (eu nunca vi crianças portuguesas no dia-a-dia serem tão felizes como vejo as holandesas), viajam várias vezes ao ano para fora do país e têm dinheiro para gastar. A questão é que eu não acho que isto tenha a mais pequena graça. O que tem graça é eu sair de casa, atravessar a rua e estar à porta de uma escola e depois atravessar o canal e ter meio quarteirão de montras com meninas em roupa interior. E tem piada oferecerem-se para me pagar um charro, quando em Portugal nem sequer vender-me um alguma vez tentaram (estão a imaginar o meu ar de menina, não estão?). E quase ser atropelada por uma bicicleta também tem piada (enquanto se mantiver no quase, claro está...). E despirem-se todos em pleno Vondelpark (ficam de boxers ou de bikini) mal o sol fura as nuvens? Tem piada, ah pois tem! Muito mais do que andar a fazer a apologia da Holanda contra um Portugal que, apesar de ranhoso em tantos aspectos, é a minha terra e eu adoro. E é este o esclarecimento que queria fazer. Nunca se esqueçam que o que eu conto é só uma parte da realidade, aquela que (nos) é estranha por ser tão díspar da portuguesa e, por isso mesmo, engraçada, incomodativa ou simplesmente curiosa. Admitam, tem piada um gajo (não era um drogado ou alguém com mau aspecto, atenção!) passar de um convite para um chá para um outro tipo de ervinha...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A vida em Amsterdão tem destas coisas #5

E se um desconhecido te convida para um chá e tu respondes que não, o que é que ele diz a seguir?

"What about a joint?"

domingo, 25 de outubro de 2009

Today is...

the never ending day.

E ainda só são seis e meia da noite.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A vida em Amsterdão tem destas coisas #4

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A beleza desta foto é o que não se vê nela. Este pato estava orgulhosamente pousado na amurada do barco, tão perfeito que resolvi tirar uma foto. No momento em que ia pressionar o botão da máquina o idiota do bicho escorrega de traseiro para dentro do barco e depois põe-se, assim como acabou por ficar na foto, a espreitar de lá de dentro, com a cabecinha a girar para todos os lados como se ainda não tivesse percebido bem o que se tinha passado.
O porquê do título? Então, o bicho estava drogado, de certeza...

Doenças silenciosas

Tudo o que seja doença silenciosa que não tenha um nome assustador como cancro, diabetes ou colesterol elevado é como se não existisse, especialmente quando o afectado é um colega de trabalho. Um dia, entre quatro amigas, discutíamos as enxaquecas, que afectam duas de nós, e as alergias, que afectam as outras duas. Saiu-me uma frase que, creio, resume tudo. As alergias são uma coisa horrível e até incapacitante (não me venham dizer que são uns espirrinhos). Mas ao menos as alergias são visíveis. Se tens os olhos inchados e vermelhos, se espirras como uma possuída e dás cabo de três maços de lenços em meio dia é óbvio para toda a gente que estás doente. As enxaquecas, para dar o exemplo de doença silenciosa que me afecta, não têm sinais exteriores além da cara miserável que qualquer um põe nessa situação. Mas caras miseráveis é o que mais há por aí e, além de provocadas por milhentas outras razões, podem perfeitamente ser falsas. A única vez em que, numa situação de trabalho, olharam para mim e perceberam imediatamente que eu não estava nada bem (apesar de não saberem o que tinha) foi em Chelas, lugarzinho maravilhoso, numa escola óptima, perante uma turma de criancinhas do 3º ano do pior que já tive que domar. Estas pestes, difíceis de controlar, consistentemente mal-educadas e, em muitos casos, com problemas na vida mais graves do que eu e algumas pessoas que conheço juntas, olharam para mim mal tínhamos entrado na sala de aula, calaram-se como por magia e perguntaram com uma cara assustada "Teacher, o que é que tem?". Se não estivesse tão mal-disposta acho que me teriam vindo as lágrimas aos olhos. Aquelas crianças, normalmente indiferentes a tudo e todos além deles e dos seus amigos, olharam para mim e viram a minha doença estampada na minha cara. E, acreditem, a cara com que habitualmente encarava aquela turma já não era das melhores (adoptei e estendi com algumas turmas o adágio não mostres os dentes até ao Natal). Estava para morrer nesse dia, quase não conseguia raciocinar e qualquer barulho explodia na minha cabeça como uma bomba. Aquelas pestes conseguiram o milagre de me perceber doente antes de eu lhes dizer e não só. Conseguiram respeitar a minha doença, portaram-se impecavelmente, trataram-me como a um bebé e ainda se lembraram de me desejar as melhoras conforme saíam disparados da sala em direcção a casa depois de um dia de trabalho. Nunca colegas de trabalho me mostraram a mesma consideração. Como disse num comentário a um post anterior, uma amiga, que consegue sofrer mais de enxaquecas do que eu, chegou ao limite um dia quando, em pleno emprego, não aguentou as náuseas e saiu disparada para a casa de banho. Há semanas que pedia aos colegas para não fumarem no open space onde todos trabalham. Nunca foi ouvida. A doença dela não se vê, deve ser só mais uma maníaca anti-tabagista que resolveu chatear-nos. Só depois deste triste episódio se aperceberam do que ela sofria, aflita da cabeça, mal disposta, a ter de trabalhar no meio de um cheiro que dá nauseas a muita gente que não sofre de enxaquecas. Todos os médicos a quem me queixo das enxaquecas me perguntam se há hereditariedade. Que eu saiba, não, nem na família alargada. Consegui herdar uma data de coisas más de uma data de gente da família e ainda juntei uma doençazinha só minha...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

No Palácio da Rainha




Fui visitar o Palácio da Rainha há algum tempo e estas duas pinturas chamaram-me a atenção. Estão pintadas no tecto da sala adjacente à varanda de onde se faziam os anúncios das autoridades à população e representam as notícias.

Na primeira pintura as boas notícias são representadas por uma figura com asas de anjo, uma corneta e um ramo de oliveira, símbolo sobejamente conhecido. Na segunda, temos as más notícias. Além de a figura ter um ar demoníaco, as asas que o sustentam são de morcego e, em vez de uma, tem duas cornetas - porque as más notícias chegam duas vezes mais rápido.

Experimentações é no que dá

Descobri os blogs de culinária. Alguns têm receitas completamente diferentes do que costumo cozinhar e como não tenho muito que fazer e os ingredientes são limitados, resolvi começar a experimentar. Tenho descoberto coisas bem boas, até que ontem resolvi dar uma hipótese a um creme de courgettes - sopa sem cenoura é uma coisinha muito chata, sabe sempre tudo ao mesmo, por isso há que inovar. Neste creme usavam manjericão, erva que eu nunca usei na vida nem sabia a que sabia (hum, esta frase deve ser mesmo boa para baralhar o tradutor do google). Ao cozinhar cortei um bocadinho na dose indicada, felizmente, porque tem um sabor bastante forte e também bastante cheiro.
Quando o mariduncho chega a casa começa a cheirar o ar e pergunta-me com um ar entre o receoso e o gozão: "Fizeste vagarosos para o jantar?" Efectivamente, o manjericão pode ser usado para cozinhar caracóis. A sopa não é para repetir e fiquei com desejos de vagarosos.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A vida em Amsterdão tem destas coisas #3

Os meus vizinhos estão sem água no apartamento há mais de uma semana - rebentou um cano no contador e ninguém dá conta daquilo. Mas esta semana são as férias dos miúdos na escola... Solução? A mãe foi com os dois putos para Lanzarote apanhar sol e o pai ficou em casa a tratar dos canos.

A liberdade de expressão

tem as costas largas - quando se quer dizer tudo o que apetece ou quando se quer calar os outros... Será que para a maioria das pessoas (leia-se católicos) a Bíblia é assim tão importante? É que Saramago veio dizer mal da Bíblia e levantou-se um mundo e o outro. Saramago não falou mal de Deus, sequer, apenas de um livro que, apesar de símbolo de uma religião, disso não passa. Quando se critica a burka não se está a criticar um símbolo de uma religião? A liberdade de uma pessoa termina onde começa a da outra. E a liberdade de cada um permite-lhe ignorar, discordar ou até desconhecer o que outros pensam sobre determinado assunto. Saramago emitiu uma opinião (fundamentada ou não, não interessa para o caso) os críticos podem rebater, mais uma vez se aplica a liberdade. Mas não façam disso um caso de cidadania. Ninguém é obrigado a ser católico, ou a seguir a Bíblia, para ser português. Critiquem-no, ignorem-no ou aclamem-no, mas há limites!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Há 15 anos, quando vim a Amsterdão pela primeira vez, chocaram-me os drogados e os mendigos que se espalhavam pelas ruas, escuras e sujas. O comboio que nos levaria embora saía de Centraal Station já de noite por isso tivemos um bom par de horas para deambular por aí, quando já se acomodavam para mais uma noite de frio aqueles que não podiam contar com um tecto. Se querem a verdade, o medo apertou, a estação e o centro lembravam a Meia-laranja só que de noite, sem carro e num país estranho. Hoje em dia já não há nada disso. Primeiro estranhei, depois entranhei: resolveram o problema! Lá resolver, resolveram, só que não da forma que eu pensei. A polícia "enxota" os pedintes, os drogados e quaisquer sem-abrigo para fora do centro de Amsterdão para não chocar os turistas. As estações de comboio dos arredores são, de noite, iguais à Centraal de há 15 anos atrás - só faltam os turistas. Não haverá outra forma de lidar com este problema?

OMG!

Nesta cidade vive muita gente, trabalha mais e passeia ainda mais. Só habitantes são 4457 por km2... espaço em barda, portanto. Muitos holandeses trabalham apenas 4 dias por semana e muitas, depois de terem filhos ou enquanto estes são pequenos, não trabalham de todo - mas passeiam, sempre, faça chuva ou faça sol, frio ou calor, está tudo na rua. E, claro, ainda temos os turistas. O resultado são ruas cheias de gente, os parques animados por risos e correrias dos mais pequenos e bicicletas por todo o lado. Normalmente esta animação agrada-me, gosto de deambular enquanto vou observando os outros. Acontece que esta é a semana das férias de Outono aqui da pirralhada, significando que, mais do que uma alegre e pululante cidade, ontem tínhamos uma insuportavelmente apinhada cidade, cheia de adolescentes por todo o lado - em grupinhos, em grupos, em manada, tão self-centered e indiferentes como só eles. E isto era na rua. Nem quero imaginar se tenho decidido ir às compras esta semana - não eram só as calças skinny que me iam mexer com o nervoso miudinho, não!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Na verdade,

acho que não vou mesmo perceber nada... Falta-me a crença e sobra-me o cepticismo! Mas, pelo menos, vou poder dizer que já li os dois livros mais publicados de todos os tempos: a Bíblia e o Harry Potter.
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P.S. - Não será a Bíblia, proporcionalmente, também o livro menos lido do mundo?

Qualquer dia, não há-de faltar muito,

eu leio a Bíblia. Todinha, Novo e Velho, tudo. Aí, sim, vou poder opinar à séria...

sábado, 17 de outubro de 2009

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Donos, não sei porque é que dizem que eu tenho quatro patinhas da frente...
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Manifesto(-me) contra a Pobreza

Não será muito contributo para a luta contra a pobreza a mera publicação neste blog do manifesto que se segue. No entanto, e como é uma corrente em que pode participar quem quiser e que pretende alcançar visibilidade através da entrada no Guiness, vai, pelo menos, lembrar uns quantos de que a comida que muitas vezes fica nos nossos pratos quando acabamos de comer é mais do que outros, neste mundo ao mesmo tempo que nós mas seguramente por menos tempo, têm num dia inteiro. E lembra-me a mim também.

Manifestamos que:

1. A pobreza e a exclusão social não são uma fatalidade, mas antes o resultado de um mundo injusto e desigual e não se resolvem apenas com sobras ou gestos de generosidade esporádica. As causas da pobreza e da exclusão social só podem ser eliminadas modificando os factores económicos, sociais e culturais que geram e perpetuam as condições favoráveis a elas. A pobreza é um atentado aos Direitos Humanos, que deve ser erradicada em todos os países;

2. A campanha Pobreza Zero luta contra as causas estruturais determinantes da pobreza e da exclusão social, e desafia as instituições e os processos que perpetuam a pobreza e a desigualdade no mundo. Trabalhamos pela defesa dos direitos humanos, pela equidade de género e pela justiça social;

3. O mundo em que vivemos é um mundo de abundância e nunca como hoje foi tão possível erradicar a pobreza – nunca houve tantos recursos financeiros e tecnológicos disponíveis que permitam erradicar para sempre a pobreza extrema do nosso planeta. Deve também reconhecer-se que a pobreza em Portugal, tal como a nível mundial, não é devida à falta de recursos. O problema reside no facto de a pobreza continuar a ser vista como uma questão periférica, pretensamente resolúvel por políticas e medidas periféricas e residuais;

4. Na nossa acção queremos pressionar os governos para que erradiquem a pobreza, diminuam drasticamente as desigualdades e alcancem os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Pedimos:

* Prestação pública de contas, governação justa e o respeito pelos direitos humanos;

* Justiça no comércio global;

* Aumento substancial na quantidade e na qualidade de ajuda (0,7% do RNB até 2015) e no financiamento para o desenvolvimento;

* O cancelamento de dívidas dos países mais pobres e de rendimento médio;

* A tomada de medidas politicas que visem a mitigação das alterações climáticas, de forma a que os países poluidores paguem os danos causados no meio ambiente;

* O apoio internacional à concretização de medidas de adaptação às alterações climáticas, nos países e comunidades mais vulneráveis, com recursos adicionais aos da ajuda pública ao desenvolvimento;

* O fim dos bloqueios culturais e comportamentais que a pobreza persistente gera nos pobres, comprometendo a sua capacidade de vencer a situação e de utilizar os meios postos ao seu dispor;

* Integrar, nas diferentes políticas públicas, objectivos, estratégias e instrumentos que visem a remoção das causas estruturais da pobreza e da exclusão;

* Promover a mudança de mentalidade dos não-pobres, superando preconceitos acerca da pobreza e suas causas e estimulando comportamentos mais solidários;

* Que a equidade de género seja reconhecida como elemento central na erradicação da pobreza.
Por isso agimos, mobilizando a sociedade civil, para que, unida nesta luta, pressione o governo português e as instituições poderosas para que:

» Incluam nas suas agendas o objectivo da erradicação da pobreza no mais curto período de tempo;

» Adoptem níveis salariais, pensões e prestações sociais mínimas que não fiquem aquém do limiar da pobreza e aumentem a eficácia e eficiência das transferências sociais e demais políticas sociais;

» Reduzam drasticamente as emissões de gases de efeito de estufa e proporcionem recursos adicionais (para além dos 0,7% do RNB) para o apoio a países em desenvolvimento;

» Acabem com os conflitos armados, ocupações, guerras e as violações sistemáticas dos direitos humanos que as acompanham, e trabalhem com vista à desmilitarização de modo a assegurar a paz e a segurança humana;

» Todos os governos prestem contas aos seus povos e tenham transparência no uso dos recursos públicos, desenvolvam estratégias anti-corrupção pró-activas e consistentes com as convenções internacionais;

» Protejam jurídica, física, social e economicamente os direitos das crianças, incluindo as crianças afectadas por conflitos e/ou catástrofes e carentes de acesso a serviços públicos de qualidade;

» Garantam o direito à informação e à liberdade de expressão, incluindo a liberdade de imprensa e de livre associação;

» Assegurem a participação da sociedade civil nos processos de orçamentação;

» Assegurem serviços públicos universais e de qualidade para todos (saúde, educação – incluindo a alfabetização de adultos – água e outros);

» Promovam regras de comércio internacional e políticas nacionais de comércio que assegurem modos de vida sustentáveis, os direitos das mulheres, crianças e povos indígenas, conduzindo à erradicação da pobreza;

» Garantam um aumento substancial na qualidade e na quantidade de recursos necessários para a erradicação da pobreza, a promoção da justiça social, a realização dos ODM, a equidade de género e a garantia dos direitos das crianças e dos jovens;

» Revertam a fuga de capitais dos países pobres para os países ricos, identifiquem e repatriem os activos roubados, por meio de acções contra paraísos fiscais, instituições financeiras, multinacionais e outros actores que facilitem esse processo.

Pretendemos mobilizar o máximo de pessoas possível, de modo a mostrar o poder da sociedade civil unida na luta por uma causa global e solidária. É preciso pôr um fim à pobreza. Juntos somos capazes de acabar com a pobreza!

Junta-te a nós!

A música associada a esta iniciativa, do Bob Marley, está no seguinte link: http://www.youtube.com/watch?v=6aRuqozNMmQ

Quem quiser juntar-se à corrente é favor enviar um e-mail a pedir este texto e o link para esta música à Ka através do blogdaka@gmail.com. Temos hoje, amanhã e depois para nos lembrarmos que a pobreza existe, mesmo quando andamos perdidos neste mundo de gente sem esse tipo de dificuldades que é a blogosfera.

Conclusões importantes

após uma tarde nas compras:
  1. ODEIO calças skinny - pareço um chouriço com pézinhos de cinderella;
  2. finalmente, os casacos cresceram no comprimento! Estava farta que os casacos de mulher tivessem altura para caber à minha prima de 9 anos;
  3. um casaco ou uns sapatos na Zara em Portugal são €15, €20 mais baratos q na Zara na Holanda - é por isto que os salários aí são tão mais baixos?!?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Cá em casa estamos em guerra

Eu e o mariduncho andamos desavindos. Cada um julga que tem mais razão que o outro e vai de puxar a brasa à sua sardinha a cada oportunidade que se lhe apresente. E, acreditem ou não, as hostilidades têm lugar logo de manhãzinha, acabados de sair da cama. Ainda por cima a causa do desaguisado é tão estrutural à nossa pessoa, ao nosso corpo que, temo, não haja solução para nós, a curto prazo. A longo prazo, claro - duas banheiras e/ou chuveiros!
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O mariduncho, que faz algo pela vida, levanta-se cedo e toma banho, girando a torneira para os 40ºC (cá as torneiras são esquisitinhas, em vez do velho quente e frio temos uma torneira que controla o fluxo da água e outra que estipula a temperatura, tudo muito científico, tem os graus escritos e tudo) para aquecer. Depois de ele sair levanto-me eu e dirijo-me para o chuveiro. Estou bem acordada (a minha dificuldade é dormir e não acordar) mas, como podem compreender, ainda não pensei na vida, faço tudo automaticamente. Ligo a água, escovo o cabelo e ponho-me debaixo do chuveiro. E saio, acto contínuo, molhando o chão da casa-de-banho. Mas quem é que consegue tomar banho com a água a 40ºC?!? Eu quero lavar-me, não cozer em lume brando... Depois de recomposta do choque inicial desço a temperatura para uns agradáveis 35ºC. Tomo banho. E, quando me viro para a torneira que desliga a água, olho de soslaio para os 35ºC que assinala a outra torneira, sorrio maleficamente e deixo-a estar. Se hoje me escaldou, amanhã congelo-o a ele! Estamos em guerra matinal, ah pois estamos.

Caneco, já me tinha esquecido

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do frio que pode fazer nesta terra mesmo em Outubro! 4ºC! Às 9 da manhã de um dia de sol... Em cima da bicicleta e apesar dos óculos de sol, corriam-me lágrimas pela cara provocadas pelo vento frio. Terrinha boa para ursos polares e pinguins... Eu cá sou peixinho de água quente! Por falar nisso, tenho mas é de começar a pensar numas férias tropicalientes. Essa é que é essa!
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Where's Wally? (versão Golden)

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Querem descobrir este peixe no meio da restante fauna que pulula por Amesterdão? Pois procurem pela idiota que saca dos óculos escuros ao primeiro raio do astro-rei que se escape por entre as nuvens - that's me! Se o sol de Portugal me mata pela intensidade, este, fraquinho que só ele, como anda sempre rasteirinho (a esta hora já se esconde atrás de prédios de 3 andares), quando brilha acerta logo à altura dos olhos e só não cega porque, coitado, não tem genica para tanto. Resumindo: noves fora alguns turistas que não sabem ao que vêm quando marcam férias para esta terra e andam de óculos de sol no primeiro dia porque voltar ao hotel é perder tempo, só eu e mais alguns hiper-sensíveis à luz solar usam semelhante acessório nesta altura do ano. Quando disse a uma holandesa que tenho, devidamente guardados desde a expatriação, 5 pares de óculos de sol ela olhou para mim como se tivesse acabado de aterrar de Marte (ou, quem sabe, de um outro planeta mais próximo do sol...).
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A propósito do post anterior... tirada daqui.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Às vezes,

gostava tanto que o mundo se dividisse em preto e branco, bom e mau, amargo e doce, claro e escuro, sol ou chuva...
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Mas depois perdíamos o cinzento, que até é a cor que uso para substituir o preto que odeio, não existiam pessoas (que ninguém é bom nem mau), não faço ideia como é que comíamos sem o salgado, não existiriam jantares à meia-luz nem neve... branca, gelada, perfeita, única. Era um mundo simples mas, oh, tão chato!

sábado, 10 de outubro de 2009

O sol de Amsterdão


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

2 anos de garantia - take 2

Se fizermos as contas, e dado que só aspirou três vezes antes de lhe dar a tremadinha final, cada aspiradela do meu segundo electrodoméstico sugador portátil custou mais de 11€!!! Isto sem contar com deslocações para a troca e regresso ao país das socas...
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Chiça, anda a sair caro andar de rabo para o ar a apanhar migalhas!

2 anos de garantia

Objecto nenhum que eu tenha possuído ao longo de três décadas (e do que posso lembrar-me) avariou de vez dentro da garantia. Foi preciso trazer para o outro lado da Europa o @*#!§ do aspirador portátil, para nem 1 ano aguentar. Agora as dúvidas existenciais: levo-o de volta para Portugal para o ir trocar?; será que o trocam?; e, se levo, onde está o *@!# do recibo, cá ou lá?
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Acima podem ler as minhas dúvidas existenciais, inéditas aqui no aquário, por alturas de Março deste ano. Entretanto, achei o recibo e acabei por levar o aspirador que, portátil ou não, pesa bastante, trocaram-no (ao menos isso!) e trouxe um novinho em folha. Que não durou um mês. Ou, melhor, funcionou perfeitamente em Portugal e cá, uma semana depois de termos chegado, caput. Volto a levá-lo? E se o trocarem de novo, quanto irá durar o próximo? Uma hora? Um dia? Entretanto, acarta, que as malas já costumam ir vazias e levezinhas! Eu sei, não é uma tragédia mundial. Mas irrita, caramba!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Hotel Ruanda

Ontem revi o Hotel Ruanda. Há meses, desde que trouxe o DVD de Portugal, que me falta a coragem para o pôr no aparelho e carregar no play. Creio que a crueldade que grassa no mundo é sempre pior na realidade do que conseguem reproduzir na ficção, mesmo que a história relatada seja baseada em factos reais. O engenho do homem para o mal sempre foi grande. E enorme é também o seu talento para a indiferença, mais que não seja como mecanismo de protecção - como tão bem é aqui retratado. Ontem, e apesar de pressentir a enxaqueca que se instalaria a seguir, revi o Hotel Ruanda. Poderoso, esmagador, não acredito que alguém veja este filme e lhe seja indiferente. Penso que duas das falas deste filme fazem uma síntese aproximada, cruel de tão condensada.
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Nick Nolte, enquanto comandante das forças das NU: "We're here as peace keepers, not as peace makers".
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E, principalmente, a de Joaquín Phoenix, enquanto repórter de guerra, na altura em que todos os estrangeiros são evacuados, deixando para trás,e para uma morte quase certa, os ruandeses tutsis refugiados no Hotel. Conforme sai do Hotel, em direcção ao autocarro que o vai levar, um dos empregados ruandeses vem a correr cobri-lo com um chapéu-de-chuva que o proteja da chuvada torrencial que cai naquele momento, como era próprio de um Hotel da categoria do Mille Colines, e ele diz: "Please don't do that. Jesus Christ, I'm so ashamed!" A expressão, a postura, o contraste com a maneira de estar do colega que caminha ao seu lado... Poderoso.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Não sei se tenho mais receio dos terroristas ou dos outros

Não muito longe de onde vivo é a embaixada norte-americana em Amsterdão. Que é um sítio que passaria completamente despercebido não fosse o facto de ter dois gradeamentos, em vez de um, de uns três metros de altura e, a separá-la da estrada, ainda uma fileira de vasos de betão armado, cada um com um metro de altura, em forma de paralelipípedo... Enfim. Pois que a zona petonal, onde às vezes passo com a Luna, encontra-se entre os vasos-protecção-contra-investidas-de-camiões-TIR e o gradeamento exterior, é um bocado claustrofóbica, especialmente se andarmos a meros 30 cm do chão. A única escapatória é através dos espaços do gradeamento - via que a Luna várias vezes quer tomar.
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Há uns dias sonhei que ela se tinha enfiado mesmo pelo gradeamento e que, antes de a conseguir puxar cá para fora, aparecia um guarda da embaixada que a agarrava. E foi este o começo de um dos mais estranhos sonho-diálogo que já tive o desprazer de imaginar subconscientemente. Eu, pedia desculpa ao guarda, que me tinha distraído, se por favor me devolve a cadela, coitadinha, está aterrorizada, não está comigo assim há muito tempo, foi abandonada e mal tratada, ainda tem muito medo de pessoas, especialmente homens, e não gosta que a peguem ao colo... Ele, que não, não a podia devolver, tinham que a levar para a máquina de raios-x porque podia ser um cão-bomba (sim, leram bem, estou completamente choné) e que depois, mesmo se ela não "estivesse armada", não sabia bem quais eram os protocolos para ma devolverem, afinal agora estava em solo norte-americano (!), tinha de ter um documento que provasse que eu era a dona, nem se a podiam devolver no próprio dia, talvez só depois...
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Eu sei, eu sei... internem-me. Pelo sim, pelo não, quando estou por aqueles lados dou a volta pelo outro lado do quarteirão.
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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Boas notícias

É para isto que a vida serve - ouvir boas notícias. Podem ser boas notícias pequeninas, bem petites, como ganhar €2 no euromilhões, ou grandes, daquelas imensas, gigantescas até, como quando alguém que nos importa vai ter um filho. Desde que sejam boas. E até podem ser surpresas, ou "apenas" boas confirmações de algo que já sabemos que vai acontecer. Mais cedo ou mais tarde. Nestes casos, é a surpresa do momento. É nessa altura que vem ao de cima o que de melhor temos em nós, em que ficamos contentes pelos outros, pela felicidade deles, pela sorte deles, pela concretização dos seus desejos ou ambições. E sentimos uma pressão no peito, como se realmente o coração inchasse de felicidade e o sentíssemos a bater num espaço que, por algum tempo, é pequeno demais para ele. Quando ouvimos boas notícias distanciamo-nos do dia-a-dia geralmente egoísta em que vivemos, onde apenas nos comove e nos interessa o que se passa à nossa volta, num raio de pouquíssimos centímetros. As boas notícias fazem de nós pessoas melhores. Não há por aí boas notícias para me dar?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

IgNobel

A revista Annals of Improbable Research atribui há quase 20 anos os prémios IgNobel, que pretendem galardoar estudos que "primeiro fazem rir e depois fazem pensar" - se e quando consegirmos parar de rir. A entrega foi há alguns dias, na Universidade de Harvard e a notícia, inteirinha, vinha aqui. Divirtam-se ou, pelo menos, pasmem.
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IgNobel da Paz - Stephan Bolliger, por ter estudado se causa mais danos bater na cabeça de alguém com uma garrafa de cerveja cheia ou... vazia! (Desconfio que o senhor seja inglês... ou será alemão?!?)
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IgNobel da Literatura - à Polícia Irlandesa, pelas mais de 50 multas passadas ao condutor polaco Prazo Jazdy - sendo que, em polaco, prazo jazdy significa carta de condução, algo que aparece escrito por cima do nome em todas as cartas de condução daquele país. (Ainda bem que já ratificaram o Tratado de Lisboa, sem a Europa não sei como é que si iam safar...)
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IgNobel da Química - Javier Morales, que assegura conseguir produzir diamantes apartir de tequilla. (Hum... não sei bem o que dizer disto.)
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IgNobel da Medicina - Donald Unger, que há 60 anos estala apenas os dedos da mão esquerda para ver se tal é causa de artrite. (Espero, a bem da sanidade do senhor, que já tenha pelo menos ligeiros sintomas de artrite, e que seja só na mão esquerda!)
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IgNobel da Economia - atribuído, ex-aequo, aos directores de quatro bancos islandeses por demonstrarem que não só é possível transformar pequenos bancos em grandes bancos como o contrário. (Se os senhores da Annals soubessem que Portugal não é uma província espanhola, atribuiam este prémio era aos gestores das empresas públicas e semi-públicas portuguesas!)
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IgNobel da Física - a investigadores norte-americanos, por determinarem analiticamente o porquê de as grávidas não tombarem com o peso da barriga. (Admito, esta questão já me atormentou.)
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IgNobel da Saúde Pública - Elena Bodnar, que inventou soutiens que se transformam, em caso de emergência, em máscaras anti-gás. (Nada como juntar à versatilidade das mulheres a versatilidade de um dos seus mais apreciados artefactos.)
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IgNobel da Biologia - conseguido por uma equipa de cientistas japoneses que demonstrou que as bactérias presentes nas fezes dos pandas são capazes de degradar 90% do lixo orgânico da cozinha. (Agora é só decidir em que lixeiras pôr os 100 ou 200 pandas que ainda existem neste mundo!)
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IgNobel da Matemática - para Gideon Gono, governador do banco do Zimbabué, que mandou emitir notas entre 0,01 e 100 mil milhões de dólares. (Isto quando nós até costumamos andar com um porta-moedas bem levezinho, só com uns quantos exemplares de moedas de 1, 2, 5, 10, 20 e 50 cêntimos, além das de 1 e 2 euros... vendo bem, nem acho um feito assim tão extraordinário da parte deste senhor.)
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IgNobel da Medicina Veterinária - Catherine Douglas, pelo estudo que concluiu que as vacas que têm nome dão mais leite. (Senhores da Mimosa, olhos abertos! Já não podem chamar Mimosa a todas... Talvez ajude se for Mimosa I, Mimosa II, etc., etc..)
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Só para saberem

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Último feriado aqui na Holanda: 1 de Junho
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Próximo feriado: 25 de Dezembro
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domingo, 4 de outubro de 2009

Não tenho palavras que me permitam explicar a raiva, dor e impotência que sinto quando vejo animais abandonados, maltratados e deixados ao Deus dará. O pouco caso que muita gente faz dos seus próprios animais domésticos choca-me. Tratam-nos como objectos, que se adquirem porque são bonitos e até compõem o quadro, dão-lhes toda a atenção enquanto são novidade mas depressa perdem o interesse e passam a ser mais uma bugiganga que por ali anda e que, bem vistas as coisas, até pode ser dispensada. A presença destes animais dispensados, ou das suas incontáveis proles, pelas ruas é tão comum que a maioria das pessoas já lhe é indiferente. Os animais não são pessoas, dizem. E, na verdade, quantas vezes nem pelas pessoas temos respeito, quanto mais pelos animais! Deixo-vos um pequeno excerto de um apelo divulgado pelo SOS Animais que li há pouco sobre um animal abandonado que tem vivido num parque: "'Fazem-lhe a vida negra', (é o) termo utilizado por quem assiste diariamente às crueldades a que (este cão) é submetido (por crianças que brincam no parque) e nada faz, alegando 'coisas de crianças'... 'Perseguem-no com as bicicletas, dão-lhe pontapés, enxotam-no para a estrada propositadamente quando os carros passam para ser atropelado.' (...) As crianças riem e os adultos ignoram...". Crueldade, ignorância, falta de valores, de acompanhamento, desrespeito pela vida e desresponsabilização dos adultos pela educação das crianças pertencentes à sua sociedade em meia dúzia de linhas.
Iniciei-me no mundo dos blogs dedicados aos animais com a busca de um cão para adopção que acabou na escolha da Luna. São dezenas. Os blogs. Porque os animais, parece-me, devem ser milhares. Blogs cheios de exemplos de que o adjectivo "humano" é completamente desadequado para caracterizar uma atitude bondosa, pois isso nós, humanos, pouco somos. Com gloriosas excepções. Há pessoas que se dedicam, de corpo e alma, a fazer com que os animais não sofram mais do que o necessário. Essas pessoas constroem blogs cujo único objectivo é divulgar animais que estão na rua, em associações ou em canis na esperança que alguém os adopte. Blogs onde divulgam para venda trabalhos que realizam, às suas custas, nos seus tempos livres, para conseguirem o dinheiro necessário para tratar e alimentar animais que não são delas. Há pessoas que, sem sequer pertencerem a nenhuma associação, alimentam animais do seu próprio bolso e, quando é possível, acolhem em suas casas os que outros abandonaram, tratam-nos, esterilizam-nos e dão-nos para adopção. Sem nada pedirem em troca além da devoção do adoptante a esse animal. Foi uma pessoa assim que tirou a minha Luna da rua, esquelética e gravidíssima. Do seu bolso pagou o aborto dos cãezinhos, a esterilização da Luna e a sua desparasitação. Lentamente, começou a apagar a má memória do bicho Homem que ela tinha. Acarinhou-a e alimentou-a até eu a ir buscar. Como agradecimento, apenas aceitou ração para continuar a alimentar outros cães de rua.
Aqui fica a minha homenagem, singela mas sentida, e um muito obrigada que peca por tardio. À laia de justificação tenho a dizer que, até hoje, não tinha conseguido terminar este texto antes de ter de ir para o quarto chorar a minha frustração por não ter coragem para fazer mais.

sábado, 3 de outubro de 2009

Começo oficial do Outono

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O aquecimento central ligou-se automaticamente esta tarde.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A melhor invenção do século passado

As lentes de contacto! Deve estar quase a fazer 13 anos que comprei a minha primeira lente - sim, os meus olhos são esquisitinhos, quando um já via mal o suficiente para precisar de correcção, o outro ainda via quase a 100%. Uso lentes semi-rígidas, que quase ninguém aguenta, sem qualquer esforço. Já as usei mais de 24h seguidas e já adormeci com elas sem consequências. Tenho sorte, porque odeio usar óculos - fico mal com eles que só eu e odeio a sensação de só ver bem um pequeno rectângulo à frente - assim que cometo o pecado de mover os olhos em vez da cabeça tudo o que distingo é uma amálgama de tons. Porquê esta conversa? Porque pela primeira vez em todos estes anos esqueci-me de colocar as lentes antes de sair de casa. E até a senhora da caixa do supermercado reparou.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009


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País novo, casa nova, vida nova - foi há um ano que fiquei fora d'água.
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Leila, the wolf

Um miúdo, depois de ver isto a passear com a minha mãe:



"Sabes por que é que tem as orelhas tão grandes?.... Para te ouvir melhor!"
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P.S. - conhecendo-a (à cadela), ninguém diria!
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É por estas que a minha vida é tão interessante

Ligaram-me, no outro dia, mais uma vez de um número não identificado. Atendi com meu melhor "hallo!" - o pânico de ser de algum emprego e não estar a atender leva a melhor, de vez em quando, sobre a decisão de não voltar a atender quem não se identifique.
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Uma voz feminina do outro lado arranha-me o ouvido com umas frases em holandês, para ser interrompida pelo meu apologético e costumeiro "sorry, I don't speak dutch...". Alegrei-me, é uma entrevista! E, logo a seguir, "não é o maluco dos telefonemas anónimos!".
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Após um ligeiro engasganço recomeça a falar, num inglês sofrível, diz que é da KLM e que quer saber se eu quero aderir a qualquer coisa que me permite fazer compras, trá-lá-lá (assim que me perguntam se quero aderir a algo ligo o modo automático de recusa em ouvir, seguido da recusa em aceitar seja o que for).
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Enquanto vou, o mais educadamente possível, recusando o não-sei-quê que me querem impingir numa das piores performances de inglês que por cá já me foi dado ouvir, entram em acção o Tico e o Teco. O Tico pensa "Que inglês básico para uma holandesa!". O Teco, por seu lado, pensa "Deve estar a rogar pragas por o meu telemóvel lhe ter calhado!". Fez-se luz (o Tico e o Teco encontraram-se à esquina) e, conforme me despedia e carregava no botão vermelho para desligar, percebi. Devem andar a ligar-me há dias (semanas!), mas quando percebem que não sou holandesa - nem o "Hallo!" tem a pronúncia correcta, pelos vistos - preferem não se dar ao trabalho. Esta, coitada, devia estar distraída e não percebeu que ia ter de esforçar o seu inglês para comunicar comigo...
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Bem pensado, bem verificado (numa adaptação livre do popular "bem dito, bem feito") - nunca mais recebi chamadas cujo autor opta por não explicar quem é nem ao que vem. Nada de apaixonados platónicos, nada de SIS versão Nederland, nada de jeito, apenas telemarketing. Digam lá se não é triste?!?
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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Why?

Why, why, why?

Auto-consciência

O meu pior defeito?
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.............................................Teimosia
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A minha maior qualidade?
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...........................................................Empatia
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E, arriscando-me a cair na vaidade, digo que há por aí imensa gente com o mesmo pior defeito que eu, mas não muitos com a mesma maior qualidade...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Parece que já temos resultados

Deixo os únicos comentários que me veem à ideia.
1. Tendo em conta a única outra pessoa que podia ganhar estas eleições, Ferreira Leite, estou satisfeita com o resultado.
2. Agora, o Portas, a sério?!? Está tudo louco?!?
3. O PC e os seus "estimulantes sinais"... O discurso deve estar escrito no matter what...
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O meu avô no seu melhor III

À porta de uma loja, o meu avô segura na trela de uma Luna choramingante devido à minha ausência. Aproxima-se uma empregada para ver o que se passa. Para que não haja mal-entendidos, o meu avô apressa-se a esclarecer a situação: "Não se preocupe, estou só à espera...".
Pois. Foi o que ele disse à empregada holandesa. Com todas as letrinhas. Se isto não é crer na universalidade do português, não sei o que será!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

É só uma semanita...

Este blogue está em modo "visita da mãe e avô". Este modo, para quem não conhece, é um modo caracterizado pela escassez de posts devido a excesso de passeio e conversa. Pedimos desculpas pelo incómodo mas, à laia de compensação, avisamos que já há novidades quanto ao "Sr. anónimo". Prometo explicações rápido q.b..

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A quem de direito

À pessoa que anda a telefonar-me anonimamente todos os dias, uma vez por dia, de 2ª a 6ª, sem nunca responder quando eu atendo ou voltar a telefonar quando faço o contrário:

Vá chatear outra! Não tem nada melhor que fazer? Trabalhe... Leia um livro... Escreva um blog... Qualquer coisa, não me interessa exactamente o quê... mas qualquer coisa! E caso seja alguma alma penada, com mensagens do mundo mais além... deixe lá as mensagens e deixe-se estar no outro mundo, que este não está para brincadeiras!

Caso seja um gajo perdidamente apaixonado pelos meus encantos de portuguesa mas tão, tão tímido que nada mais consegue além de ligar o meu número de telemóvel uma vez por dia... não vale a pena arranjares coragem, parte para outra!

Se é o SIS holandês... Exmos. srs., tenho muito apreço pelo vosso país, menos pelo tempo que cá faz, mas como isso eu não posso resolver não penso tomar nenhuma medida retaliatória contra os Países Baixos (ou qualquer outro país do mundo com mau tempo, já agora).
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Se é uma empresa de trabalho temporário a querer fazer um qualquer teste à minha capacidade de resistência à chateação... vão desiludir-se em breve, já andei a pesquisar no dicionário uns palavrões em holandês, agora só preciso de descobrir como se pronunciam...
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P.S. - Para mim, este assunto está encerrado. Se não pararem os telefonemas no tempo que vai demorar a gastar o dinheiro que tenho no cartão, deito-o fora e compro outro. Irra!

Patrick Swayze

Quem nunca dançou, cantou ou suspirou por causa deste actor que atire a primeira pedra. Toda uma geração sonhou ao som do mambo, e foi há menos de 20 anos. Morreu Patrick Swayze.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Estou muito mais satisfeita

Afinal não era só mais uma esquisitice da língua portuguesa escrita que soava mal... estava mesmo mal! O verbo é mesmo Pôr. Obrigada, Antígona!
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Escrever Pôr cinco vezes para não esquecer... pôr - pôr - pôr - pôr - pôr. A professora Irene fez milagres com estas repetições, pelo menos no meu caso! Temo, no entanto, que quando era escrito à mão tinha maior impacto...

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Sou só eu ou o verbo por sem acento circunflexo soa mal com'ó caraças?!
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P.S. - Saber que é assim que se escreve não ajuda a soar bem; nem quero pensar quando o acordo ortográfico entrar em vigor...

Por em perspectiva

Se desde o início dos tempos até hoje tivesse passado apenas um ano... os dinossáurios teriam aparecido a 5 de Dezembro e desaparecido a 24. Nós? Nós teríamos surgido nos últimos minutos do ano...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Luto contra o abandono

Tenho um favor a pedir a quem aqui vem. Não é um grande favor, não ultrapassa o tamanho A4...

Como vêem aqui ao lado, dia 18 de Setembro há mais uma iniciativa contra o abandono de animais no nosso país. Li no site da Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais que cerca de 10.000 animais são abandonados, anualmente, em Portugal. Se fosse um só, já seria demais. Mas são 10.000.

Como podem ler no site do Luto contra o abandono, o objectivo é, no dia 18, lembrar Portugal que há quem esteja de luto por estes animais, que alguém quis e depois descartou. Não acho que alguém se vá vestir de negro, mas imprimir este cartaz (no site há um cartaz próprio para imprimir) e colar no vidro do carro no dia 18 dá, apenas, uma pequena despesa em tinteiro.

Façam-no pelos animais e por mim, que não estou aí para pendurar um no vidro do meu boguinhas.

Obrigada!

Apropriado...

A ideia veio da momentU e a imagem daqui.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

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Está tudo louco... ou, talvez seja melhor escrever "está tudo louco"! Vejam, aqui, e já agora leiam também os comentários.
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P.S. - peço perdão por terem de ir ao link para saberem do que estou a falar, mas é que é tão estúpida a notícia que eu nem sei o que hei-de escrever...

The new "beto" vs the old "beto"

Aparentemente, a betalhada do nosso Portugal mudou de estilo. Agora assemelham-se ao cigano que mora na rua acima da minha (em Lisboa, claro), com corrente de ouro ao pescoço... O que é feito do velho beto, com o pólo por cima dos ombros, camisa Quebra-mar às riscas e calças penduradas ligeiramente acima do tornozelo ossudo, peludo e desnudo?!? Ainda me lembro dos primeiros espécimes deste tipo que apareceram na minha querida Secundária. Nós chamávamos-lhes (bem, era mais a um em particular, mas aos outros a carapuça também servia) eternos enganados! Sim, eternos enganados... pelo alfaiate! Claro, em honra do engano da costureira que lhes fazia a baínha das calças... É claro que só uns poucos de nós sabiam que o "eterno enganado" era um beto - o resto achava simplesmente que era alguém... ornamentado na cabeça, à Manuel Pinho, dir-se-ia nos dias de hoje! Muitas lágrimas (de riso, claro) já me escorreram pela face por causa do eterno enganado... Ainda hoje, quando me cruzo com ele, me vem um sorriso aos lábios. Quando penso na corrente de ouro e camisa desabotoada até ao umbigo do novo beto tenho apenas uma coisa a dizer: volta, eterno enganado, que estás perdoado!

A vida em Amsterdão tem destas coisas #2


Eles usam-nas mesmo! Até agora só tinha visto as famosas socas holandesas nas lojas de souvenirs, hoje vi um senhor com umas calçadas... no supermercado! Que espectáculo!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A minha velhota também tem a sua piada

O telefone da minha avó ainda está em nome de um senhor que vivia naquela casa e que já faleceu - é esse o nome que aparece na lista telefónica. Como todos sabemos, as empresas de sondagens, inquéritos e promoções (aquelas que dizem que ganhámos prémios mas na realidade querem que compremos qualquer coisa que não nos faz falta) usam as páginas amarelas como lista de possíveis clientes, ligam e pedem para falar com seja-quem-for-que-conste-na-lista. Ela, que está quase sempre em casa, recebe "n" telefonemas destes. Com a maior descontracção do mundo, responde sempre - Ah, o senhor não-sei-quantos não está cá! Foi pr'a terra... Não sei quando volta.
Depois desliga, ri-se e diz-me como que a pedir desculpa - É que foi mesmo para a terra...
São 09 horas e 09 minutos do dia 09 do mês 09 do ano 2009.
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É mentira, por acaso, que onde estou já são 10 horas e 09 minutos, mas para todos os efeitos, hoje, aqui o aquário rege-se pela hora portuguesa.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A vida em Amsterdão tem destas coisas

Hoje tirei uma foto a um texano. Agradeceu-me com um sonoro "Thank you very much, ma'am!", bem nasalado e muito arrastado no "ma'am". Nunca me tinham chamado "ma'am"!

É por estas que nem sempre gosto da BBC

É triste uma pessoa estar descansada a ouvir o programa da manhã da BBC (e digo descansada porque é pouco provável que alguma notícia me envolva directamente, dado que não sou inglesa nem vivo no RU) e descobrir que, afinal, há motivos para me sentir mencionada. Acabaram de noticiar um qualquer encontro de bigodudos no norte de Portugal. É, segundo a BBC, o quinto encontro do género. E, também segundo a BBC, deve ser interessante vê-los a beber. Ah-ah-ah!
Não que eu veja particular charme nos portadores de bigodes ou barbas. No geral, incomoda-me e não posso deixar de pensar que estão sujos - por muito que os lavem, escovem ou sei lá o que costumam fazer para cuidar do pêlo facial. Mas irrita-me que gozem com os moustaches dos outros e glorifiquem comportamentos igualmente estranhos e antiquados no seu próprio país! Ainda há quem use peruca à Marquês de Pombal no Parlamento! Quando vão para as corridas de cavalos têm de ir vestidos a preceito - por exemplo, os chapéus que as mulheres costumam usar naqueles eventos ocupam, de certeza, dois lugares. E, se a mulher que se sentar ao nosso lado for mais baixinha que nós corremos o sério risco de cegar com o golpe de uma aba furiosa mesmo à altura das nossas delicadas pupilas! Ora, deixem lá os bigodudos do norte de Portugal em paz e olhem mais para as tristes figuras que fazem os ingleses...
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P.S. - perguntem aos amsterdamers qual é a nacionalidade que mais estraga o ambiente quando vem aqui gozar as liberdades da capital dos Países Baixos... perguntem!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Também há que agradecer

quando S. Pedro nos brinda com um dia de sol e de mais de 20ºC, já na segunda semana de Setembro, num lugarzinho tão dado à chuva, ao vento e ao frio como Amsterdão. Muito agradecida!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Observações

Em frente à janela da sala da minha casa está a escola secundária aqui do "bairro", ponto fulcral das minhas observações da maneira de ser do adolescente amsterdamer. E neste ano lectivo 2009-10 (começou a semana passada) fui surpreendida pelos veículos de duas rodas estacionados à volta da escola... Onde, no ano lectivo passado, se via uma boa centena de bicicletas de todas as cores, tamanhos e feitios, vê-se hoje umas dezenas de scooters - mantém-se apenas a variedade de cores e feitios... Há um par de meses atrás, havia tão poucos alunos desta escola com scooter que quase não se dava por elas no meio de tanta bicicleta! Tivesse eu máquina fotográfica (ai, ai...) e tirava uma para ilustrar aqui o texto. Será que a crise, por cá, já está a passar?

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Mudança

Não gosto de falar de política, principalmente porque não tenho conhecimentos suficientes da matéria para poder discutir (no bom sentido) um assunto sem meter os pés pelas mãos. E, admito, não sou dona de um pensamento livre. Fui educada por pessoas de esquerda, com tudo o que isso implica, e estou doutrinada. Consigo, no entanto, ver erros e defeitos em todos os quadrantes, principalmente no que diz respeito aos partidos enquanto organização e às pessoas que neles fazem vida.
Posto isto, vamos ao que motivou o post. Manuela Ferreira Leite diz, segundo notícia no DN, "os portugueses estão conscientes de que ninguém se transforma de uma hora para a outra". Tenho de concordar, eu também não acredito na mudança radical das pessoas. Talvez por isso MFL ainda me dê pele-de-galinha. Lembro-me tão bem dos conturbados anos políticos do início da minha adolescência, quando esta senhora era Ministra da Educação. Tão bem...

The perfect mix

A minha cadelinha é um amor. Cada dia estou mais apaixonada por ela. E, além de ser meiga, sossegadinha e dedicada, é linda. Todas as vezes que saio com ela à rua ouço um elogio - por causa das floppy ears, tão giras, ou do pelo - it's sooo shinny. Muitos me perguntam de que raça é. Raça? Street dog, como aqui já disseram, e com muito orgulho! Descobri através de uma amiga (afinal, S., ainda aprendi inglês contigo, quem diria, ãh, amiga?) que rafeiro, em inglês, se diz mutt. Ontem, no Vondelpark, uma senhora com um chihuahua entreteve-se a falar um pouquinho connosco sobre cães, a Luna em particular. Quando lhe dissemos "It's a mutt, a mix of dogs" ela saiu-se com "Oh, but it's the perfect mix, isn't it?"

A baba ainda não chegou aí a Portugal? Acautelem-se, não deve faltar muito.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

@?*&#!

Em cinco dias perdi dois textos gigantescos que tinha escrito aqui para o blog. Estou em choque, não quero acreditar. Aahhhhhhhhh!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

E pronto, já recebi a chamada anónima e silenciosa de hoje. Não há apitos, cliques ou qualquer outro som - até desliguei a televisão para ouvir bem o que vinha de lá do outro lado da "linha". Descobri, no entanto, que se ao atender não disser "Estou,", "Hallo," ou "Yes,", nem nada, demoram mais um bocadinho a desligar. Estou bem arranjada com esta brincadeira, estou.

Estou ligeiramente amedrontada

Porque carga d'água andará alguém a ligar-me para o telemóvel holandês todos os dias de há uma semana para cá para desligar a chamada segundos depois de eu atender?!? No início julguei que era engano, depois comecei a atender em português e em inglês, agora atendo mas não falo. Estou a ficar ligeiramente paranóica, dado que pouquíssimas pessoas têm este número e nenhuma delas é do género de andar a pregar-me partidinhas! Será que a Golden tem um stalker?!?

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sinto-me um nadinha estranha

Quando dou por mim a pensar coisas como esta:
Ok, o consultório do dentista é na não-sei-quantas-straat... É perto, dá para ir a pé e chego lá num instante. Mas, se for de bicicleta ainda chego mais rápido!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Ó tempo, volta p'ra trás

Não cabe na minha cabeça que alguém diga, nos dias de hoje, "Ai, a minha filha / irmã / prima é tão boa mãe que engoma a roupa toda da casa, até os pijamas e as boxers do filho!", com um sorriso rasgado no rosto. A capacidade mártir de lidar com o ferro de engomar não faz de ninguém boa mãe.
P.S. - Estas diarreias verbais ainda me irritam mais quando olho para o monte de roupa que está pendurada na corda. E que me vai custar a dobrar, que engomar só certas (e poucas) coisas...

Curiosidade mórbida

Admito ter alguma curiosidade mórbida em relação a histórias e pessoas como Jaycee Lee Dugard, a rapariga norte-america raptada há 18 anos (tinha na altura 11) por um "registered sex offender" que a manteve presa e de quem teve duas crianças, hoje com 11 e 15 anos. Quero dizer, se se confirmar que a mulher que agora apareceu é mesmo Jaycee. Como será a mente e a personalidade de alguém que passou quase metade da sua vida em cativeiro? Terá desenvolvido o conhecido síndroma de Estocolmo e compreenderá e aceitará, pelo menos até agora, as acções do seu raptor? O que sentirá em relação aos filhos que teve com este homem? Filhos que nasceram quando Jaycee tinha 14 e 18 anos... E essas crianças / adolescentes? Será que nunca tiveram liberdade? Nunca terão interagido com outras crianças ou adultos? Será possível, algum dia, estas três pessoas terem e serem pessoas normais, com vidas normais? O que será de Elisabeth Fritzl, e dos seus filhos, no assombroso caso do Monstro da Áustria?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A Dieta do Chocolate IV

Ok, afinal o mal não era do chocolate... O mal sou eu mesma! Obrigada, Dr. Vaillant, por finalmente ter descoberto qual o motivo por detrás do meu excesso de peso. Com tudo, nesta vida, é preciso ter sorte, e os médicos não são excepção. Há séculos que o meu problema se mantinha - engordar sem saber porquê - mas a causa era tão (ou mais!) desconhecida que o verdadeiro motivo da extinção dos dinossáurios. Uma pessoa chega a duvidar da sua sanidade - será que eu como mesmo pouco, e com qualidade, ou as minhas refeições são autênticos banquetes romanos e eu é que não vejo?!?

Fiz um (execrável) exame em que, depois de sugarem mililitros preciosos do meu sangue, tive de beber um copo de glucose (chamem-lhe o que quiserem, aquilo parecia açúcar em pó!) ligeiramente diluído em água, em jejum, esperar duas horas (quase sem beber água e sem me mexer), totalmente enjoada - e ainda me tiraram mais sangue a seguir! Bem, sofri, mas resultou. O meu corpo não processa o açúcar. Posso vir a (que é como quem diz, se não me cuidar vou mesmo) ser diabética. À partida, medicamentada, vou emagrecer. Grande coisa, agora que tenho o espectro da diabetes a pairar sobre a cabeça.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Parties - Dutch style

Fui convidada para uma festa de aniversário / celebração de um nascimento dos filhos de um colega do mariduncho no próximo Domingo. Foram convidadas cerca de 100 pessoas (eles estão a torcer por que não apareça toda a gente) e está tudo planeado para a party ser no quintal (estão, portanto, também a torcer por que não chova). O convite, enviado por e-mail (ai tão modernaços que nós somos) informa-nos que a festa começa às 12h... e termina às 16h! Obrigada, holandeses, por me livrarem de um problema - o eterno dilema: quando é que devemos abandonar uma festa? Demasiado cedo, parece que não gostámos... Demasiado tarde, somos os chatos que nunca mais despegam! Desta vez, aparentemente, quando chegarem as 16h, o aniversariante, o recém-nascido e os respectivos pais pegarão em vassouras e correrão com a centena de convidados que aparecerem. Gostei.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Perde a sociedade

As cunhas são sempre algo vergonhoso. Não vale a pena dizer-se que no nosso país elas são vistas e apregoadas como uma conquista porque, na verdade, e para aqueles que realmente percebem, as cunhas são um vício da sociedade. E eu, que experimentei uma cunha, percebi porque são um vício tão perigoso.

Não usei uma cunha para conseguir um emprego nem para colocar-me à frente de outrém. Necessitei de uma cunha porque o serviço com que contava (e que constava no site oficial da empresa) tinha, afinal, outros moldes, nos quais eu já não cabia. E eu tinha de caber. Mexi-me e através de amigos de amigos consegui a ajuda de alguém que trabalhava na empresa. Ao início, nada era garantido, iam apenas ver se o que eu queria (e que, segundo o site da empresa podia fazer) era exequível. Era, com a ajuda de uma ou outra pessoa ao serviço para fechar os olhos a um pormenor. Não prejudiquei ninguém com a minha cunha - no sentido em que não deixei ninguém pendurado porque me colocaram à frente. Nem sequer prejudiquei a empresa, pois paguei o que era devido. Só fecharam os olhos a um pequeno pormenor. E assim consegui fazer o que, julgava eu, conseguiria fazer dentro da total legalidade - pois isso me garantia o site e o telefonema para a empresa em questão uns dias antes.

Agora, impõe-se fazer queixa. Um site oficial de uma empresa não pode ter informação errada! E não pode ser um atendimento de call center a dizer que o site está errado - até porque, alguns dias antes, tinha dito que estava certo! Podiam ter-me prejudicado desta vez (só não o fizeram graças à dita cunha) mas vão prejudicar-me outras vezes, porque não vou estar permanentemente a importunar a pessoa que me ajudou com este pormenor... Uma queixa para a DECO impõe-se pois eu planeei certas coisas de acordo com o que estava escrito num site oficial que, dizem agora, não tem informação correcta. E é aqui que a cunha estraga tudo. E é por isto que é tão perigosa.

Eu tenho a certeza que tenho razão. Um site oficial não pode estar "errado". As empresas são obrigadas a reger-se pelo que dizem nos seus sites oficiais - pelo menos até os emendarem. Mas como é que eu agora posso ir apresentar uma queixa? Eu consegui o que queria... E, se é ilegal, tive de ter alguma ajuda. De quem? Nem sequer deve ser difícil descobrir, tudo hoje em dia fica registado, não é difícil descobrir-me a mim, nem as pessoas que trabalhavam nessa altura, nem a pessoa que falou com elas para me ajudarem... Ou seja, se eu agora apresentar queixa estou a prejudicar quem me ajudou!
É este o vício. Porque usei a cunha, agora não posso fazer valer os meus direitos à vontade, sem prejudicar ninguém. Agora a empresa em causa pode continuar a fazer a outros o que me fez a mim - diz uma coisa no site e outra através do call center - e outros serão prejudicados. Outros que, quem sabe, não têm amigos de amigos que abranjam esta companhia. Alguns funcionários sabem o que está mal, mas quem de direito não. E a empresa vai continuar, sem nenhum tipo de condenação ou prejuízo, a fazer o que quiser. Quem perde? Perdemos todos. Incluíndo eu.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Blógui Fréscurah



Cá está ele, com atraso... lá me estreei na recepção de selinhos! Dado que nos últimos tempos já três pessoas disseram que o meu cantinho é fresquinho e, afinal de contas, não se espera outra coisa de um aquário, não havia selo mais apropriado! Agora vem a parte complicada - passar a bola (ou a lima, neste caso).
A Sra. D. Antígona, daqui, foi quem o ofereceu mas nem por isso está fora da lista daqueles a quem eu passaria este selo. E esses blogs constam da lista aqui à direita. E não pensem que eu não quis ferir susceptibilidades, ou algo do género, ao escolher apenas os 7 ou 8 das "regras". Não, o que me faltou foi mesmo paciência para decidir entre todos os que eu adoro. É que eu adoro ler estes bloguesitos aqui do lado... Porquê? Porque são engraçados (os que fazem chorar não me agradam), porque escrevem bem (e como o bom português me lava a vista...), porque são de amigos, ou porque não os conheço de lado nenhum, porque são famosos, ou porque não o são, porque são criativos (os chatos eu não aturo), porque são complicados como a vida ou simples como os sonhos, porque são pessoais ou porque são distantes, porque contam estórias ou contam já uma história, porque não interessam a ninguém - a não ser a mim ou, simplesmente, porque sim.

domingo, 23 de agosto de 2009

A prova

Eu sabia que tinham exterminado todos os patos de Portugal! Disse isso há algum tempo, mas agora a minha Luna provou-o para lá de qualquer dúvida! Ao passear pelo Vondelpark e pelas ruas com canais avistou (e ouviu) a enorme quantidade de patos que está neste momento de férias neste país. Passou-se! Hoje estava a ver que se mandava à água para ir confraternizar (ok, pronto, provavelmente ia fazer mais do que isso...) com uns patos com quem se cruzou!
Se se perguntam porque é que isto prova que dizimaram os patos em Portugal, é simples. Ora um cão que andou na rua sabe-se lá quanto tempo, completamente dona do seu nariz, não teve contacto suficiente com patos para saber que se tentar "confraternizar" com eles leva umas bicadas das boas?!? Ou que eles nadam (bem) e até voam - duas coisas pouco exequíveis para as curtas patinhas e cú pesadinho da minha Luna! Pois não sabe... porque já não há patos em Portugal!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Falta de tempo

1 mês em Portugal não foi suficiente... Ele precisava de mais! Eu até o compreendo, 4 semaninhas, mesmo bem contadas como estas foram, não chegam quando o programa mete Portugal! Se calhar, estivéssemos lá 5, 6 ou até 7 semanas e seria o mesmo... sempre pouco tempo! Com tanto amigo, família, praia, café, restaurante, etc. etc., para visitar, o tempo nunca chega. Ainda por cima, tempo bom - solzinho, calor! Agora nos Países Baixos há tempo para tudo... Nem há uma semaninha chegámos e já arranjou tempo para cair... Raio do pivot!*
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* nem quero pensar quanto custa um dentista por aqui!!

Parabéns, Sr. R.!

Há sempre motivo para se ter esperança, mesmo nos casos mais desesperados. O avô de uma amiga, já na respeitável oitava década de vida, sai hoje do hospital, depois de lá ter estado mais de 10 meses internado com queimaduras gravíssimas em ambas as pernas - e sai a andar, apesar de alguns condicionantes. Ao início, as esperanças eram poucas - ninguém se atrevia a falar nisso - podia até perder as pernas. O senhor, que é um Senhor para além de qualquer dúvida, nunca desistiu. À boa saúde de que gozava juntou boa disposição (a possível) e uma inesgotável força de vontade para fazer tudo o que os médicos pediam dele. Lutou, lutou, lutou. E ganhou. Parabéns, Sr. R., queridas S. e G.! Não digo mais do que Parabéns porque não há, realmente, mais palavras.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Ainda nos porcos

Experiência muito interessante (e divertida) é fazer "óinc-óinc" cada vez que nós próprios ou alguém nas redondezas espirra ou tosse. Especialmente para um casal que, em férias, não tinha mesmo nada para fazer. Houve reacções para todos os gostos, desde o sorriso discreto à gargalhada histérica, passando ainda por umas quantas carrancas de quem, claramente, ficou a pensar mal de nós (uma coisa tão séria e estes dois marmanjões com ar de quem já tem idade para ter juízo, a fazer estas figuras! O mundo está perdido...). Esperimentai, é diversão garantida - pelo menos para quem grunhe!

Parece-me...

... que a gripe suína (esqueçam lá a designação "A", que "dos porcos" é bem mais engraçada) grassa muito mais rapidamente pelos meios de comunicação social do que pela população em geral...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Petição

Queria divulgar aqui uma petição que está online para assinatura e posterior entrega na Assembleia da República. Esta petição pede que os partidos políticos e os governos apoiem a esterilização de cães e gatos errantes e de munícipes necessitados de norte a sul do país. O objectivo é, obviamente, tentar diminuir o número de animais existentes, dado que os números do abandono não páram de aumentar.
Bem sei que dificilmente será a classe política desse país a resolver o problema, mas penso que não custa assinar e mostrar que há quem se importe. Se puderem e quiserem, vão a www.peticao.com.pt/esterilizacao-caes-gatos, assinem e divilguem.
Para que não haja tantas Lunas, Leilas e tantos outros por aí.

Sem título (nem comentários)

Até se arrepiam os pelinhos que eu diligentemente arranco com a máquina depilatória quando ouço uma das (muitas) variantes de: "Então, se não atirarmos um papelinho para o chão de vez em quando os varredores iam todos para o desemprego...". E, claro, não há estadia em Portugal em que os meus ouvidos não sejam brindados com esta pérola - até na praia, onde, que eu saiba, os almeidas não trabalham!
Gostava que o povo português (e falo no geral porque, apesar de saber que nem todos são assim, parece ser um problema bastante generalizado) se dedicasse com tanto afinco a salvar outras profissões. Por exemplo, que tal dar umas boas biqueiradas nos muitos paralelipípedos salientes da nossa calçada como desculpa para dar de comer ao sapateiro da esquina? E se fizéssemos greve às bombas de gasolina self-service, dado que cobram o mesmo que as que empregam gasolineiro e no final quem tem o trabalho somos nós? Talvez devêssemos (creio que esta ideia, bem divulgada, tinha futuro) deixar de pagar impostos, para terem de formar e empregar mais inspectores das finanças! E, sejamos honestos, o que é que custa partir uma perna por ano se isso mantiver mais uns quantos ortopedistas ao serviço? Para não falar dos pobres dentistas... quem não gostaria de comer mais umas chiclettes, gomas ou chupa-chups, se isso servir para que mais umas cáries mantenham vivos uns quantos dentistas?!?
Agora que dediquei mais alguns momentos a pensar nesta questão, tenho de admitir que, no fundo, os salvadores dos almeidas que comecei por citar até têm alguma razão. Para sermos um povo melhor, deveríamos colocar todas estas (e ainda outras que de momento não me ocorrem) ideias em prática, por muito que nos custassem. Afinal, todos temos de trabalhar por um Portugal melhor, com mais oportunidades e emprego.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

sovitaraperP*

A roupa está suja, amarrotada e só não foi enfiada às três pancadas na mala porque desarrumada não cabia. As sabrinas voltaram, as sandálias descansam em Portugal depois de uso intensivo e um até para o ano sussurrado (se soubessem que falo com sapatos as pessoas achavam que estou louca, por isso há que ser discreta). O bilhete, amarrotado, os documentos, espalhados pela mala. O sorriso costuma voltar 5 a 7 dias depois de mim quando venho de Portugal, encontro-me à espera, torcendo para que o seu avião não caia. Mesmo um mês depois, não estava pronta! Holanda, cheguei, Pátria, vemo-nos no Natal.
* para quem não chegar lá sózinho, basta ler do fim para o início

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A cadela que dá 300 nas curvas

Tenho uma cadela duplamente chipada. E, como qualquer bom veículo chipado (ainda por cima duas vezes!!) tem cá uma potência... É vê-la a 300 nas curvas com o rabiosque a fugir muito (mas muito!) ligeiramente!

P.S. - o sistema de identificação dos chips é tão eficaz que o vet, apesar de a percorrer duas vezes com o aparelhómetro, não deu com o chip que outra vet tinha posto no bicho duas semanas antes... Como precaução vou mas é pôr-lhe uma boa e velha chapinha em forma de osso pendurada ao pescoço!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Manteiga-manteiga

Deve ser de já não viver cá há uns longos 10 meses... Já não sei pedir pão com manteiga num café! Parece que se quiser que o pão venha barrado com manteiga, aquele creme branco-amarelado que é feito do leite da vaca, tenho de dizer "quero um pão com manteiga-manteiga", porque se (estupidamente, ora que eu tenho com cada uma!) pedir um simples "pão com manteiga" sai-me recheio de Becel! E, atenção, ai de mim se disser que aquilo é Planta! Aquilo não é Planta! É Becel! Be-cel! Blarghhh!
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P.S. - Futuramente, vou passar também a dizer que quero um galão de café-café (se não ainda me sai um Brasa) e não hei-de esquecer-me de dizer ao taxista que quero que ele vire à esquerda-esquerda, se não o coitado do homem pode pensar que o que eu quero é virar à esquerda-direita, ora pois!

sábado, 1 de agosto de 2009

Contabilidade da vida com animais

Perdas:
  • 1 trela roída (pela companheira, não pela própria, revelando um alto grau de cooperação intraespécie)

  • um carregador de telemóvel dividido em dois (seria prático, se continuasse a funcionar)

  • 5 chichocas e 2 cocózadas pela sala (felizmente o chão é de azulejo)

  • muitas horas de passeio inglório (ou seja, sem chichocas nem cocózadas)

  • 1 gata perdida durante várias horas e finalmente achada com o nariz arranhado (sim, que cá em casa, de momento, somos 5 humanos contra 2 cadelas e 1 gata)

Ganhos:

  • horas e horas de muito amor canino sob a forma de rabos a abanar, línguas perdidas em milhentos beijinhos e outras demonstrações de pura ternura

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A família cresceu! É com o maior prazer que vos apresento as minhas duas novas meninas... A primeira, aqui em tamanho gigante, é a Leila, a nova bichinha da minha mãe. Na realidade pesa apenas 10kgs e metade é, como é óbvio, em cabeça e orelhas.


E esta mini-mini, muito meiguinha, é a minha Luna! É um autêntico docinho, a coisa mais meiga que se pode imaginar e parece a minha sombra - onde vou, ela vai atrás.



E pronto!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Preparativos

A roupa está lavada, dobrada e encaixada. As sabrinas, dentro de um saco. O bilhete, impresso. Os documentos, guardados. Um sorriso no rosto. Estou pronta! Pátria, aqui vou eu! :)

Diz a minha mãe...

... que me saí com esta quando ainda nem sabia falar usando todas as letras das palavras:

"Eléções??? Outa vez?"

Achei, não sei porquê, que é uma frase com pertinência nos tempos que correm.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

...

Um em cada seis dos títulos dos meus posts termina ou inclui este maravilhoso artefacto da escrita que são as... reticências! Informalmente conhecidas como "três pont(inh)os", são uma maravilha para expressar de tudo um pouco. Podemos usá-las para criar expectativa, para simular um suspiro, mostrarmos que ainda há mais a dizer, apesar de na altura nada nos ocorrer, e até para quuando nada mais há a acrescentar. Já li (e tenho a certeza quase, quase absoluta que foi algures na blogosfera, apesar de não conseguir lembrar-me do sítio) que as reticências são algo feminino. Que nunca (ou quase nunca)um homem se lembra de as empregar. Uma coisa eu sei. Esta peixinha aqui lembra-se... muito!

X? Y?

A escolha, quando nada tem de racional e lógico, é algo do mais injusto e penoso. Temos x e temos também y. Duas letras, apenas. Tão insignificantes como isso. E há que escolher. É essa a nossa tarefa. Preterir o x pelo y porque... sim. Preferir o y porque... sim. E viver com isso.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Acabou-se o que era doce

Quatro dias com companhia extra - uma amiga de meia vida e outra que poderá sê-lo, caso a vida o permita. Passeios pelos canais, amostras da má educação dos holandeses, enxaquecas partilhadas, objectos não-identificados em sexshops, moinhos de vento, provas dadas na qualidade e celeridade do atendimento na restauração deste país, um red light visto por olhos novos e muita conversa parva depois, estamos de volta à vidinha do costume. Cheguei a uma conclusão. Quatro dias não chegam nem para ver a cidade ao de leve. Dos quatro, um é passado a caminho do destino e, depois, da origem. Além disto, temos a preguiça matinal - afinal, são férias, palmilhámos quilómetros na véspera e a hora de deitar pecou por tardia. Confirmei que Amsterdão não é uma cidade monumental, antes uma cidade-monumento - ou seja, onde o que há de mais engraçado para ver é a própria cidade, os seus habitantes, os turistas, as ruas, os canais, as "meninas" nas montras, os prédios mais tortos que a Torre de Pizza, as bicicletas, os cães e os patos. E isso implica ter tempo para deambular, para ver montras, para comprar souvenirs, para sentar no café, para tirar fotografias, para fazer figuras tristes, para olhar. Adorei voltar a descobrir Amsterdão. Obrigada pela visita.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Eu sei que é 6ª-feira,

mas vamos lá a exercitar a mente! Tentem lá ler este texto, não desistam, mesmo que não percebam a primeira linha passem para as de baixo... É espantosa a capacidade de adaptação do nosso cérebro!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Férias


Agora que se aproxima uma época (ainda) mais crítica para os pobres animais, fica aqui este cartaz espectacular... Roubado daqui, depois de o ver aqui, blog onde o meu coração se partiu em tantos bocadinhos quantas as histórias de terror aqui retratadas. Estou cá com umas ganas de trazer um para passear comigo em Amsterdão que nem imaginam...

Série Se...

... pudesse viajar no tempo, onde ia?

Pois que ia a Lisboa. Uns dias (talvez semanas, não fosse o diabo tecê-las) antes do grande terramoto de 1755. Acho a história fascinante. E aterradora. Confesso que o desejo me vem de há muitos anos, altura em que, adolescente, devorei os livros da colecção Viagens no Tempo. Os meus favoritos? Brasil! Brasil!, o Ano da Peste Negra e O Dia do Terramoto, obviamente. Descobri com estes livros que afinal gosto de História, essa disciplina que tanto me custou estudar nos anos de estudante. História é algo tão complexo como interessante. É igualmente interessante tentar perceber como é que tantos manuais, fazedores de programas escolares e professores conseguem transformá-la num monte de factos disconexos e sem a menor ponta de interesse.
Voltando ao Terramoto. Ou à cidade antes dele. Como seria Lisboa? Já vi desenhos e pinturas, mas nada disso tem a profundidade da realidade. Como seria o Teatro da Ópera, um dos muitos edifícios que não sobreviveram à ira da terra? Como seria a Baixa antes da esquadria geométrica de hoje? Como eu gostaria de ver igrejas, capelas, conventos, palácios e tudo o mais que desapareceu, muita coisa literalmente engolida pela terra! Já li (algures) que este terramoto foi a primeira catástrofe a ser notícia por todo o mundo. Foi a primeira vez que se organizou ajuda humanitária - chegaram a Lisboa mantimentos vindos do estrangeiro! Lisboa não era, na altura, a capital de um pequeno e pouco importante país. Era uma grande cidade, conhecida por todos, cheia de riquezas, que, depois de abanada durante intermináveis minutos foi engolida por uma onda gigantesca que acabou de destruir o pouco que ainda estava de pé. Adorava conhecer essa outra Lisboa.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Tem de ser

Hoje é dia de exame de espanhol. Onde estou? O que faço? Estudo!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Queridas...

... amigas e leitoras, futuras e actuais mães de toda a minha (futura e actual) equipa de futebol:
Ensinem o(s) vosso(s) filhote(s) a NÃO fazerem chichi em locais que não são casas-de-banho. Eu sei que os homens podem (reparem na escolha do verbo "poder" em detrimento do "ter") aliviar as suas bexigas de pé. Mas façam-no exclusivamente em locais onde existam uma de duas coisas: sanita ou urinol. Estes locais, também conhecidos como lavabos, são geralmente assinalados por bonequinhos de pernas abertas e não por ângulos rectos de prédios, troncos de árvores ou folhagem densa de arbustos. É que grande parte dos homens parece associar o fazer de pé ao fazer em qualquer lado. E depois é só espectáculos deprimentes por estas ruas fora. Lembrem-se, queridas mães, que vós, as educadoras, não sois homens. Vós não mijais de pé. Vós aguentais até poderdes ir a uma casa-de-banho. Ensinai o mesmo aos pirralhos de hoje para que eles não sejam os mijões de esquinas de amanhã.
Tudo isto porquê? Porque uma pessoa não mora num prédio todo bonitinho, com um jardim à frente para este servir de mictório! Uma pessoa não devia nunca ser confrontada, à saída do seu próprio prédio, com um porco enfiado no meio das buganvílias (ou outras coisas quaisquer, não as sei distinguir) a abanar-se. No entanto, esta foi a triste cena com que me presentearam hoje pouco depois de almoçar. Mau, muito mau!