quarta-feira, 22 de julho de 2009

A família cresceu! É com o maior prazer que vos apresento as minhas duas novas meninas... A primeira, aqui em tamanho gigante, é a Leila, a nova bichinha da minha mãe. Na realidade pesa apenas 10kgs e metade é, como é óbvio, em cabeça e orelhas.


E esta mini-mini, muito meiguinha, é a minha Luna! É um autêntico docinho, a coisa mais meiga que se pode imaginar e parece a minha sombra - onde vou, ela vai atrás.



E pronto!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Preparativos

A roupa está lavada, dobrada e encaixada. As sabrinas, dentro de um saco. O bilhete, impresso. Os documentos, guardados. Um sorriso no rosto. Estou pronta! Pátria, aqui vou eu! :)

Diz a minha mãe...

... que me saí com esta quando ainda nem sabia falar usando todas as letras das palavras:

"Eléções??? Outa vez?"

Achei, não sei porquê, que é uma frase com pertinência nos tempos que correm.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

...

Um em cada seis dos títulos dos meus posts termina ou inclui este maravilhoso artefacto da escrita que são as... reticências! Informalmente conhecidas como "três pont(inh)os", são uma maravilha para expressar de tudo um pouco. Podemos usá-las para criar expectativa, para simular um suspiro, mostrarmos que ainda há mais a dizer, apesar de na altura nada nos ocorrer, e até para quuando nada mais há a acrescentar. Já li (e tenho a certeza quase, quase absoluta que foi algures na blogosfera, apesar de não conseguir lembrar-me do sítio) que as reticências são algo feminino. Que nunca (ou quase nunca)um homem se lembra de as empregar. Uma coisa eu sei. Esta peixinha aqui lembra-se... muito!

X? Y?

A escolha, quando nada tem de racional e lógico, é algo do mais injusto e penoso. Temos x e temos também y. Duas letras, apenas. Tão insignificantes como isso. E há que escolher. É essa a nossa tarefa. Preterir o x pelo y porque... sim. Preferir o y porque... sim. E viver com isso.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Acabou-se o que era doce

Quatro dias com companhia extra - uma amiga de meia vida e outra que poderá sê-lo, caso a vida o permita. Passeios pelos canais, amostras da má educação dos holandeses, enxaquecas partilhadas, objectos não-identificados em sexshops, moinhos de vento, provas dadas na qualidade e celeridade do atendimento na restauração deste país, um red light visto por olhos novos e muita conversa parva depois, estamos de volta à vidinha do costume. Cheguei a uma conclusão. Quatro dias não chegam nem para ver a cidade ao de leve. Dos quatro, um é passado a caminho do destino e, depois, da origem. Além disto, temos a preguiça matinal - afinal, são férias, palmilhámos quilómetros na véspera e a hora de deitar pecou por tardia. Confirmei que Amsterdão não é uma cidade monumental, antes uma cidade-monumento - ou seja, onde o que há de mais engraçado para ver é a própria cidade, os seus habitantes, os turistas, as ruas, os canais, as "meninas" nas montras, os prédios mais tortos que a Torre de Pizza, as bicicletas, os cães e os patos. E isso implica ter tempo para deambular, para ver montras, para comprar souvenirs, para sentar no café, para tirar fotografias, para fazer figuras tristes, para olhar. Adorei voltar a descobrir Amsterdão. Obrigada pela visita.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Eu sei que é 6ª-feira,

mas vamos lá a exercitar a mente! Tentem lá ler este texto, não desistam, mesmo que não percebam a primeira linha passem para as de baixo... É espantosa a capacidade de adaptação do nosso cérebro!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Férias


Agora que se aproxima uma época (ainda) mais crítica para os pobres animais, fica aqui este cartaz espectacular... Roubado daqui, depois de o ver aqui, blog onde o meu coração se partiu em tantos bocadinhos quantas as histórias de terror aqui retratadas. Estou cá com umas ganas de trazer um para passear comigo em Amsterdão que nem imaginam...

Série Se...

... pudesse viajar no tempo, onde ia?

Pois que ia a Lisboa. Uns dias (talvez semanas, não fosse o diabo tecê-las) antes do grande terramoto de 1755. Acho a história fascinante. E aterradora. Confesso que o desejo me vem de há muitos anos, altura em que, adolescente, devorei os livros da colecção Viagens no Tempo. Os meus favoritos? Brasil! Brasil!, o Ano da Peste Negra e O Dia do Terramoto, obviamente. Descobri com estes livros que afinal gosto de História, essa disciplina que tanto me custou estudar nos anos de estudante. História é algo tão complexo como interessante. É igualmente interessante tentar perceber como é que tantos manuais, fazedores de programas escolares e professores conseguem transformá-la num monte de factos disconexos e sem a menor ponta de interesse.
Voltando ao Terramoto. Ou à cidade antes dele. Como seria Lisboa? Já vi desenhos e pinturas, mas nada disso tem a profundidade da realidade. Como seria o Teatro da Ópera, um dos muitos edifícios que não sobreviveram à ira da terra? Como seria a Baixa antes da esquadria geométrica de hoje? Como eu gostaria de ver igrejas, capelas, conventos, palácios e tudo o mais que desapareceu, muita coisa literalmente engolida pela terra! Já li (algures) que este terramoto foi a primeira catástrofe a ser notícia por todo o mundo. Foi a primeira vez que se organizou ajuda humanitária - chegaram a Lisboa mantimentos vindos do estrangeiro! Lisboa não era, na altura, a capital de um pequeno e pouco importante país. Era uma grande cidade, conhecida por todos, cheia de riquezas, que, depois de abanada durante intermináveis minutos foi engolida por uma onda gigantesca que acabou de destruir o pouco que ainda estava de pé. Adorava conhecer essa outra Lisboa.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Tem de ser

Hoje é dia de exame de espanhol. Onde estou? O que faço? Estudo!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Queridas...

... amigas e leitoras, futuras e actuais mães de toda a minha (futura e actual) equipa de futebol:
Ensinem o(s) vosso(s) filhote(s) a NÃO fazerem chichi em locais que não são casas-de-banho. Eu sei que os homens podem (reparem na escolha do verbo "poder" em detrimento do "ter") aliviar as suas bexigas de pé. Mas façam-no exclusivamente em locais onde existam uma de duas coisas: sanita ou urinol. Estes locais, também conhecidos como lavabos, são geralmente assinalados por bonequinhos de pernas abertas e não por ângulos rectos de prédios, troncos de árvores ou folhagem densa de arbustos. É que grande parte dos homens parece associar o fazer de pé ao fazer em qualquer lado. E depois é só espectáculos deprimentes por estas ruas fora. Lembrem-se, queridas mães, que vós, as educadoras, não sois homens. Vós não mijais de pé. Vós aguentais até poderdes ir a uma casa-de-banho. Ensinai o mesmo aos pirralhos de hoje para que eles não sejam os mijões de esquinas de amanhã.
Tudo isto porquê? Porque uma pessoa não mora num prédio todo bonitinho, com um jardim à frente para este servir de mictório! Uma pessoa não devia nunca ser confrontada, à saída do seu próprio prédio, com um porco enfiado no meio das buganvílias (ou outras coisas quaisquer, não as sei distinguir) a abanar-se. No entanto, esta foi a triste cena com que me presentearam hoje pouco depois de almoçar. Mau, muito mau!

Série Se...

... eu pudesse olhar para mim através dos olhos de outrém, o que via?

E não estou a falar da parte física, que para resolver essa dúvida quasi-existencial existem espelhos. Estou a falar do resto. Da personalidade - qualidades e defeitos. Da maneira de ser, de estar, de viver, de me comportar, etc., etc.. Como sou como filha? Como neta? Como amiga? E aqui, no blogue, como será que me vêem as pessoas que não me conhecem de mais lado nenhum? Sim, porque eu quando vou a outros blogs imagino as pessoas que os escrevem e a possibilidade de mais não serem do que um alter-ego da verdadeira pessoa é algo que não me faz a mínima diferença. Quando se escreve transmite-se mais do que a soma de todas as palavras tecladas. Existe significado nos temas, nas fotografias que mostramos, nas cores, fontes e imagens do próprio blog. Tudo isto transmite um pouco da pessoa por trás do blog - mas só um pouco, pois se há coisa na qual não creio é em lineridades. Não há pessoas lineares. Por isso não gosto das personalidades associadas aos signos, dos supostos significados das cores que escolhemos para a nossa roupa e azulejos de casa-de-banho ou dos nomes que escolheram para nós. Eu posso ser Goldfish, mas o meu animal de eleição é o cão.

"Como é que eu sou?" é uma daquelas questões que não colocamos aos que nos conhecem. Por vergonha (de pedir semelhante coisa), por pudor (sabe-se lá o que diriam) e por medo de quebrar regras do politicamente correcto que nos dizem que não devemos confrontar os outros ou obrigá-los a confrontar-nos a nós. Por tudo isto gostava de, um dia, e por uns instantes, ser outra pessoa, conhecer-me e ter noção do que sou eu vista por outros olhos. Às vezes não resisto a tentar sacar mais algumas informações quando alguém me diz que eu sou de tal maneira... Ai, sou? Então e porque é que dizes isso? A sério? Achas mesmo? É a minha maneira de perseguir o adágio "Conhece-te a ti próprio".

Tudo isto é muito engraçado. Padece, todavia, de um pequeno problema chamado subjectividade. Nem todos os olhos me vêem da mesma maneira. E nenhuns me vêem como eu me veria, caso pudesse ser eu mesma duas vezes e, frente a frente, olhar-me nos olhos. Ou seja, no final, caso fosse possível ser outra pessoa sem deixar de ser eu, caso chegasse a conhecer-me, não me veria como os outros me vêem, mas apenas como me vejo a mim própria. E isso de nada serve numa sociedade em que é o que os outros pensam de nós que verdadeiramente conta.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Ahahah!

Claramente, isto não foi escrito por um native speaker...
Ah, ah, ah!

Acho que este anúncio não está afixado em sítios suficientes...


Para começar bem a semana! :)


domingo, 5 de julho de 2009

A equipa de futebol II

Um colega do mariduncho foi pai há poucos dias. O casal não quis saber o sexo da criança antes do nascimento mas o pai era o mais franco possível quando respondia "I want a boy!" a qualquer pessoa que lhe perguntasse preferências. O casal já tem uma menina, muito querida, e que é a menina dos olhos do pai - que até tem um jeito para ela fora do comum. O mariduncho tentou, inclusivamente, começar uma aposta sobre o sexo da criança, mas sem resultado, que os holandeses não se entusiasmaram. A curiosidade, no entanto, andava ao rubro. Finalmente, chega a mensagem a anunciar o nascimento, sendo que o principal era, finalmente, descobrir o sexo da criança. Primeira informação, o nome: Pike Eli. Ok, por aqui não vamos lá... passemos às fotos. Foto nº 1: cara (também não é muito informativa, queres ver que ficamos na mesma sem saber?!?), foto nº 2: a pilinha, é menino! Ou seja, mais um para a equipa! Chiça! Será que não sabem fazer mais nada?
i
P.S.1 - outro colega do mariduncho, em conversa com ele, também comentou que ainda bem que se via a pilinha, que pelo nome não chegava lá (e, antes que perguntem, sim, é holandês também);
i
P.S.2 - a irmãzinha do Pike chama-se... Candy! Lá originalidade não lhes falta... :)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Definitivamente, não!

Eu sei que Portugal tem defeitos. Que a política em Portugal é do mais baixo nível que há. Que os políticos então... bradam aos céus. Que as próprias pessoas, muitas vezes, têm atitudes que me revoltam. Mas deixar de ser portuguesa? Não, isso é que não! Posso estar cá longe, posso até nem voltar (espero que não), mas serei sempre portuguesa. Parece, no entanto, que há quem não se sinta assim.
P.S.1 - descaradamente copiado do cantinho da Pitucha.
P.S.2 - ressalvando que tudo o que sei da história é o que li na notícia; que as notícias valem o que valem...; que ainda por cima não há nada gravado... Não posso deixar de achar que a frase "o convite feito pelas autoridades brasileiras terá sido muito sedutor" soa muito a "quem dá mais, quem dá mais?", não soa? E eu a pensar que eram só os jogadores de futebol sem lugar na selecção que faziam isto...

(...)

Se uma pessoa está no estrangeiro, tudo e todos são alheios à nossa pessoa, maneira de ser e estar, vida e história pessoal. Não há amigos e poucos são os conhecidos, não há mãe nem avós, não há primos nem sobrinhos, até os sogros fazem falta (coitados dos sogros, são óptimas pessoas e eu gosto muito deles, para que conste). Não há companhia para ir às compras, para um passeio à beira rio ao pôr-do-sol, para um cinema depois do jantar ou mesmo para um almoço delimitado pela sempre curta hora de almoço de um emprego.

Eis senão quando tudo muda. Por uns quantos dias (sempre curtos, não importa quantos sejam) temos visitas. Nunca ninguém há-de compreender o bem que sabem as visitas melhor do que os emigrados. Durante aqueles dias vamos ter com quem falar a nossa língua (não é que eu não tenha o mariduncho para falar, mas qualquer pessoa que o conheça sabe que não é essa a sua melhor faceta...) até que a voz nos falte, vamos ter quem passear pelas ruas que já nos são familiares, mas que ainda provocam o espanto nos outros, vamos aproveitar os saldos e mostrar, além de todos os locais turísticos da praxe, as pequenas coisas que só quem cá vive já descobriu, experimentou e provou.

Pois é, aqui a Golden vai ter visitas... a minha querida amiga S. vem cá, acompanhada de outra amiga, durante 4 diazinhos! Vão ser 4 dias de bolhas nos pés (Sr. S. Pedro, um pouco menos de calor ajudava, agora chuva é que não, mas só se não for muito incómodo, veja lá, não se sinta pressionado) muito passeio e corte-e-costura. É já de hoje a 8... Mal posso esperar!! Estou tão contente... :)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Foi para dias como o de hoje...

... que a Coffee Company inventou o Frozen Cappuccino!


Dank je wel!

Mudanças no estilo de vida de uma pessoa

Aí em Portugal, quando ia à compras (e, a bem dizer, a qualquer outro lado), levava isto:




Aqui nas Holandas, quando vou às compras... Levo isto:



P.S. - digam lá que o cor-de-rosa às bóuinhas não é estiloso?!?

terça-feira, 30 de junho de 2009

Os sogros em Amsterdão

Os meus sogros vieram visitar Amsterdão há uns aninhos, num fim-de-semana prolongado. A minha sogra, mulher viajada, até já conhecia depois de trabalhar uns tempos em Bruxelas e aproveitar para visitar algumas coisinhas à volta. O sogro não. Cinquentões prá-frentex (há quanto tempo não "ouviam" esta pérola do português dos anos 80?) que são, compraram bilhetes online, marcaram o hotel no booking (depois de se aconselharem com o mariduncho, que já cá vinha a trabalho regularmente) e andaram na net a pesquisar o que fazer, o que visitar, mapas e o diabo a sete. Isto além dos conselhos de n pessoas que já cá tinham vindo, claro está. Turistas muito bem informados, meteram-se no avião e para cá vieram. Como não seria de esperar outra coisa, choveu-lhes em cima boa parte do tempo, pelo que resolveram tomar um cafézinho para aquecer e esperar que a chuva amainasse. E que sítio nesta cidade pode ser mais aconselhável para beber um café do que uma Coffee Shop?!? Pronto, o cheiro era um bocado estranho. E a decoração completamente psicadélica, num exagero de cores. Sim, não havia muita gente lá dentro... e os que estavam nem bebiam cafés. Mas nada disto demoveu os sogros! 'Bora lá tomar café na Coffe Shop, decidiram, e fizeram. Diz que o café não prestava...*
* há que dizer que os sogros são os primeiros a rir da sua própria idiotice... ora lá alguém ouviu Amsterdão ser associada a lojas que vendem cigarros "especiais"? Ninguém, pois não? Ah, e não quero deixar os créditos por mãos alheias... Esta pérola da história familiar estava bem escondida nas traseiras da minha memória até ser catapultada para o spotlight ao ler esta outra história - gente muito bem informada, também, não haja dúvidas!

Limpezas


Quem inventou o conceito "limpezas" deve esconder-se, calar-se bem caladinho e desaparecer do mapa para um lugar bem longe. É que se eu descubro quem foi o idiota que se lembrou de semelhante coisa sou capaz de o processar. Magoar. Violentar. Matar, talvez. Aaaargh! Odeio limpezas!
P.S. - mas quem é que põe aquele sorriso perante um espanador e um aspirador?!? Será loucura? Bem, se calhar já acabou...

sábado, 27 de junho de 2009

Decidiram-se, finalmente!

Aleluia, temos eleições marcadas! E não, não estou delirante por ir votar, até porque ainda nem me desloquei ao consulado (em Roterdão) para dizer que estou por cá... se bem que já estou com a consciência a ficar pesada, pois apesar de descontente com a nossa democracia, tenho imenso respeito por quem se esforçou por a conseguir, nem quero pensar no que seria voltar a uma ditadura e, principalmente, continuo sem ver nenhuma outra opção melhor - e democracia sem votos não é democracia. Vamos ver, pode ser que ainda vá a Roterdão passear para a semana. A minha satisfação prende-se com o facto de, finalmente, poder marcar a nova visita da minha mãezocas e do meu avô - que há-de vir celebrar os seus 89 aninhos a Amsterdão! :) E, se estão a perguntar-se (só porque não o conhecem) qual é a importância da data das eleições, eu explico. O velhote, apesar da provecta idade, não dispensa o acto eleitoral - e não só vota religiosamente nos seus camaradas de sempre como passa os Domingos de votos nas mesas da sua freguesia... Agora é delegado e (disse-me aquando das europeias) tem de controlar tudo para não haver fraudes e, no final, fazer um relatório com tudo (tudinho!) o que se passou. Já disse aqui que tenho um orgulho do tamanho do mundo do meu velhote? Pois tenho.

Eu e o holandês

De vez em quando vou à mercearia portuguesa buscar qualquer ingrediente mais português que não trouxe, bem guardado no meio das peúgas e soutiens, da última visita a Portugal. Sim, que mesmo no estrangeiro a comidinha cá em casa é portuguesíssima, que essa de pôr molhanga de maionese em cima de tudo e quase não comer peixe não dá para mim. Hoje lá fomos buscar um pacote de batata-palha para fazer um bacalhau à Brás (ou é à Gomes de Sá? Troco sempre os dois...) para o almoço*. Os donos são portugueses, obviamente, e o filho, de uns 20 e poucos anos, se não nasceu cá já cá vive há bastante tempo, pois fala um holandês fluente além de um português irrepreensível. Mas a falar português tem um tique de holandês... Está sempre a dizer "faz favor", a tradução de alstublief, palavra holandesa que os nativos repetem insistentemente e que tem vários usos, como "se faz favor" ou "de nada", e mais uns quantos que ainda não consegui entender. Ele disse-nos "faz favor" 2 ou 3 vezes em alturas que nenhum português o faria... mas um holandês sim! Estou tão orgulhosa... afinal já percebo qualquer coisinha de holandês, até identifico tiques de quem é bilingue!! :)
* não, ainda não mandei a dieta dar uma curva, esta é apenas a refeição semanal em que a desrespeito... mas vontade não me falta, sinto tanta falta de arroz e esparguete! :(

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Dúvidas existenciais

O que fará uma pessoa admirada, invejada, idolatrada, achar-se inferior? Alguém que tem tudo sentir que nada do que tem é suficiente? Uma pessoa bela achar-se feia, imperfeita? Uma pessoa magra achar-se gorda? Quem é rico achar que precisa (sempre) de mais dinheiro? Que mecanismo perverso no nosso cérebro conseguirá distorcer tanto a verdade? Será fisiológico ou psicológico? Uma mistura dos dois? Não faltam exemplos. Mas faltam explicações.
A linha entre a sanidade e a loucura (seja lá o que isso for) sempre foi, é e será esticada, puxada, torcida por gente de todo o mundo. Os nossos olhos não vêem o que está à nossa frente, mas aquilo que o cérebro processou por eles. Por isso é que o que uma pessoa acha belo é feio aos olhos de outro. O mesmo com os restantes sentidos. Por isso existem diferentes gostos musicais. Diferentes paladares. Diferentes sensibilidades ao cheiro. Por isso devemos ser compreensivos com os outros e, principalmente, com nós próprios. Entre o preto e o branco há uma infinidade de cinzentos, todos ligeiramente diferentes uns dos outros. Porque será que algumas pessoas acham o seu tom o melhor do mundo e outras não se conformam com a tonalidade que lhes calhou em sorte? Todos temos a nossa tonalidade própria, única, que será agradável aos olhos de uns, indeferente para outros e intolerável para outros ainda. O nosso tom não é lindo nem feio, perfeito nem imperfeito. É, essencialmente, único. E, sendo o nosso, convém que saibamos conviver com ele.
Só nunca ninguém disse que era fácil.

Michael

Isto de viver num sítio onde não se percebe nada do que os outros dizem é no que dá. Só soube esta manhã. Michael Jackson morreu. Não era fã, lembro-me vagamente do videoclip do Thriller, melhor da música Black or White (achava piada reconhecer as duas palavras no meio do resto da algaraviada que era para mim o inglês). Nada mais. Mas não deixa de me chocar, até porque tudo o que se soube da sua vida só mostra que era uma pessoa à procura de si próprio, e que apesar de ter tido tanto, nunca nada lhe bastou. Talvez tenha ido para a Terra do Nunca.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

?

Se calhar sou eu que sou limitada... mas é possível adquirir em Portugal bens que não sejam de consumo?

Más ideias (a não repetir)

Ir andar de bicicleta com o cabelo húmido do duche sem tomar a mínima precaução - nete caso, apanhá-lo com um elástico. E depois, não o escovar. Dormir de seguida. E, aí sim, pegar na escova. Ouch!
Se houver erros, perdoem-me, que ainda vejo as letras a bailar num mar de lágrimas por cair.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Como?

Como é que alguém que não tem nada para fazer não consegue arranjar tempo para vir escrever um mísero post antes das 20h46??

terça-feira, 23 de junho de 2009

Já que em Lisboa até me choveu em cima... hoje fui para o parque apanhar sol tipo lagartixa. Ahhhhhhh..... :)

Obrigada, muito obrigada!

Afinal não havia ninguém com o meu NIB equivocado! Nadie, nobody, niemand, n-i-n-g-u-é-m! Já recebi um e-mail, já conferi o saldo da conta e o dinheirito já cá canta! Ai, tenho de pensar quantas camisolinhas da Zara e afins vou poder comprar... :)
Mental note to self: não confiar nos números impressos a tinta nos cartões MB já usados.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Os dias mais longos

Amanhã e depois vão ser (em números redondos) os dias mais longos do ano aqui em Amsterdão, com o sol a nascer às 5h20 e a pôr-se às 22h07. Ora eu durmo mal e pouco. Falo de noite. Mexo-me tanto que já pus um olho negro ao mariduncho e acordei virada para os pés da cama toda enfiada por baixo do lençol de baixo (daqueles com elástico, ainda por cima, estão a ver?). Raramente durmo mais de 8h, mesmo que esteja estafada, mesmo que me tenha deitado de madrugada, mesmo que não tenha nada para fazer. E se há duas coisas que não me deixam dormir são o barulho e a luz - tenho uma venda para os olhos e tampões para os ouvidos que levo religiosamente cada vez que durmo fora de casa. Mas em casa não me dá jeito dormir com uma coisa sobre os olhos e outras duas que me impedem de ouvir quase tudo. O meu quê de medrosa lembra-se logo de todas as coisas más que podem acontecer sem eu ouvir por causa do raio das borrachinhas. Mas, sem venda, o cortinado da minha casa parece um quadro negro gigantesco iluminado por raios divinos (daqueles que aparecem nas pinturas religiosas, a furar autênticos montes de nuvens) às 5h30 da matina! Ou seja, há mais de um mês que estou a pé, já a preparar o pequeno-almoço, às 7h. Ora, se ainda fosse trabalhar... mas não vou! Ah, claro, daqui a uns meses, quando voltar a estar noite cerrada antes das 18h, volto a queixar-me, ok? Mas aí é porque às 5 da tarde já é quase noite, está um frio de rachar e não há nada para fazer na rua sem ser ir aos bares. Golden sofre...

sábado, 20 de junho de 2009

Tudo o que podemos fazer trocando um C por um T ou um D

Eu tenho uma capacidade muito limitada de compreender o holandês. Um dos problemas é perceber os nomes quando me apresentam a alguém. Mas, verdade seja dita, eles também não ajudam! No primeiro curso de espanhol que tirei aqui na Holanda tinha um colega chamado Con. Ao fim de umas quantas aulas percebi finalmente o seu nome - vi-o escrito. Agora, no outro curso, tenho outro colega, este chamado Ton. Logo na primeira aula, felizmente, a professora fez passar uma folha para escrevermos os nossos contacto e eu fui a última... Se não acabava a chamar-lhe Con, como ao outro. Na última aula, descobrimos que o marido de outra colega se chama... Don. A prof, espanhola, tão dura de ouvido do que eu, disse, verbalizando os meus pensamentos "Ah, como Ton!", apontando para o nosso colega. Lá fomos corrigidas, "No, con una 'd', Don". Bem, pelo menos são fáceis de dizer - nada como Jerome, nome de um colega do mariduncho, a quem ele jura já ter ouvido chamar rreruume, jeruume e xeruume, e que ainda por cima é um nome muito comum. Mas Con, Ton e Don... que falta de originalidade!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ai, eu

Arrombam-me o carro. Levam-me a carteira com todos os cartões do banco (ãh, dito assim até parece que são muitos...) e parte dos códigos do netbanking. Logicamente, cancelei tudo. Já tenho tudo tratado, menos o netbanking. Há dias precisei do meu NIB português por causa de um pagamento. Não tendo netbanking, lembrei-me de ver o NIB nas costas do cartão de débito, por acaso está lá escrito. E lá mandei os números por e-mail. Avisaram-me que a transferência já tinha sido feita. Cravei os dados de acesso ao netbanking da minha mãe (um rasgo de inteligência) e como ela é 2ª titular da minha conta lá fui ver da guita. Não estava lá. No dia seguinte, voltei a confirmar. Nada. Comecei a temer o pior. Já que agora já tinha os acessos da minha mãe, fui confirmar o NIB. 20 números confirmados depois, já suspirava de alívio quando olhei para o 21º - estava errado! O último dígito do NIB, um 8, tinha-se transformado num 6 perfeitinho devido ao uso do cartão. Ataque de stress. Bebi meio litro de água para acalmar e liguei para o banco. Um rapazinho super-simpático atendeu-me e depois de ouvir a minha never ending story (sim, eu não admito estes erros idiotas sem me explicar bem) explicou-me tudo tintim por tintim. Se o NIB errado não pertencer a ninguém, estou safa, a transferência não é feita. Se pertencer a outra pessoa é que a porca torce o rabo... A pessoa / empresa que fez a transferência é que tem de contactar o seu banco, avisar que o NIB está errado e o banco tem de entrar em contacto com o dono da conta para onde foi o dinheiro para pedir autorização para retirarem o dinheiro! Se não houver autorização, chapéu, só indo a tribunal... Ou seja, ou a transferência é rejeitada e faço figura de parva perante a empresa, ou o NIB existe e tenho que lhes dizer que não é meu e que têm de ter o trabalho de ligar para o banco, fazendo também figura de parva e ainda por cima dando-lhes um trabalhão extra - para piorar as coisas é o primeiro trabalho que faço para eles, que mau aspecto... E corro ainda o risco final de ficar a arder porque não vou meter ninguém em tribunal por 100€!! Ai, eu. Esperam-se desenvolvimentos.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Será piada do dia ou frase do dia?

Handle every stressful situation like a dog:
If you can't eat it or hump it,
piss on it and walk away

Saudades

Ir a Portugal também é triste. Porque chegamos a casa e já não encontramos esta loura linda. Ainda não consigo deixar de esperar que ponha a cabecita pela porta da cozinha, atraída pelo som da porta do frigorífico, associado num perfeito efeito Pavlov a uma deliciosa fatia de fiambre.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

E não é que funcionou?!?

Podem cair os queixos, pasmar as almas, fazer boquinhas em forma de "ó". É verdade, o raio da dieta funcionou! Mesmo com chocolate! Menos do que deveria, é certo (já tenho exames para fazer na próxima visita a Portugal), mas lá perdi 3 quilitos! Viva! Hurray! Yuppi! Etc., etc.!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Um quiz de holandês

A revista da KLM que me foi entretendo no voo para Lisboa trazia um quiz sobre conhecimentos da língua holandesa. Se por um lado não escrevo aqui o pobre resultado que obtive (tenho vergonha), uma das palavras cujo significado obviamente não adivinhei merece ser conhecida para lá das fronteiras dos países baixos... Falo da palavra brilzeeëend. Isso mesmo, leram bem - brilz-e-e-ë-e-nd. Quatro "e" seguidinhos, um deles com um trema em cima que, pelo que entendi nas aulas de holandês (será melhor, portanto, procurarem informação mais fidedigna), serve para indicar que temos de carregar na pronúncia daquela letra. Qual será a utilidade de repetir (quase ad eternum), uma letra numa palavra?! Será que a pronúncia seria diferente se se escrevesse brilzeëend (para os mais distraídos, tem apenas 3 "e") ou ainda brilzëend ( com 2)? Ou será que existem 3 palavras diferentes, com significados completamente distintos, com 4, 3 e 2 "e"? E, já agora, como é que se lêem 4 "e" de seguida, com ou sem trema, perguntam vocês... Pois vejam lá que não sei! E, desconfio, nunca virei a saber. Ou talvez sim, se me lembrar de perguntar semelhante coisa da próxima vez que estiver com um holandês que conheça. Caso o descubra, partilho.


P.S. - já que já, um brilzeeëend é um pato-careto, espécie cujo nome em latim é Melanitta perspicillata; será que ainda me espanta que até uma língua morta seja mais fácil de ler do que holandês?! Nãoooo!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Já que apelar ao S. Pedro não parece resultar...

Querida R.,
Eu sei que não te disse que vinha à tua despedida, que fui má e que até consegui enganar-te ao telefone. E sei também que, por não querer informar-te das datas da minha estadia em Lisboa não pudeste informar com a devida antecedência os teus compadres deus nosso senhor, Jesus ou, ainda melhor, S. Pedro da minha vinda e da necessidade que alguém que vem da Holanda tem de encontrar uma Lisboa no seu melhor, solarenga, quentinha, luminosa, aprazível, etc., etc.. É bem feita, resmungas tu neste momento, tivesses dito que vinhas que eu fazia lobby com os meus santinhos de cabeceira! Ora mas vamos lá a pensar, querida amiga... O fim-de-semana que se aprochega (será assim que se escreve? será que existe? :s) é a última oportunidade de os teus convidados bronzearem a pele antes do casório. E tu não queres uma data de minhocas esbranquiçadas a deambular pelo copo d'água, por muito bem vestidas que vão, pois não? Então vê lá se mexes os cordelinhos, acendes uma velinha e tudo o mais que houver para termos um fim-de-semana de Verão e, já agora, uma semaninha que se aproveite também!
Muitos beijinhos e xi-corações desta tua amiga,
Golden
P.S. - tens de admitir que é triste que, dos teus convidados europeus (nós), o único que vem bronzeado tenha apanhado um escaldão... na Holanda!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Só a mim

Pois é, isto só a mim. Depois de um fim-de-semana porreiríssimo, com outras 12 gajas (quanto ao número não há dúvidas, até fomos contadas numa praia perto de São Torpes...) e outros tantos lencinhos de odalisca (ir a despedidas de solteira é no que dá) acabamos em Melides com o carro arrombado! Sim, mesmo na praia de Melides, ou seja, no fim do mundo conhecido! Ora uma pessoa vive e deambula por metrópoles agitadíssimas como Amsterdão e Lisboa a toda a hora do dia e da noite para depois ser roubada numa praia do Alentejo?!? E como não chegava perturbar o final do nosso querido fim-de-semana, ainda me deixaram o canhão da porta do pendura estragado e obrigaram-me a voltar a Grândola no dia seguinte para ir buscar quase tudo o que nos tinham tirado na véspera! Fdp, hão-de arder no inferno mais profundo depois de se esvaírem em caganeiras sucessivas durante dois meses e três dias, nem mais, nem menos!!
Que me sirva de emenda:
- não abrir porta-bagagens recheados no meio da rua onde vamos deixar o carro estacionado;
- não deixar a carteira dos documentos dentro do carro;
- não voltar a desperdiçar dinheiro em alarmes para o carro.
Como tudo está bem quando acaba bem, não me posso queixar. A fechadura da porta ficou estragada mas o fecho centralizado funciona como sempre. Outras vítimas da onda de assaltos (parece que andaram em várias praias, umas a seguir às outras) tinham um furo na chapa da porta, mesmo ao lado do canhão, que vão ter de reparar e não deve ser barato. Além das nossas coisas, nada foi encontrado pela polícia. E podiam ter-me levado o carro - chorava baba e ranho, nem quero pensar... Recuperei todos os documentos e cartões, mala e carteiras, e as outras duas vítimas também. Só faltou mesmo a máquina fotográfica, velha de alguns anos e já com a patilha das pilhas meia partida - como diz o mariduncho, estávamos mesmo a precisar de um incentivo para comprar uma máquina nova que não desfoque metade das fotos e que consiga funcionar também de noite!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Qual é o sítio, qual é ele...

... onde eu fui roubada?
Opções:
a) cidade de Amsterdão
b) cidade de Lisboa
c) Vila Nova de Milfontes
d) praia de Melides
e) praia da Costa da Caparica
Eu até dava um prémio a quem acertasse mas... não dou. Vá, tentem lá adivinhar! Atenção, nos últimos 3 dias estive em todos estes sítios! Amanhã respondo. :)

sábado, 30 de maio de 2009

The cat is out of the box



Já não há segredo!! A esta hora já a minha querida R. sabe que sim, vou poder estar com ela neste fim-de-semana a gozar (espero) um merecido sol e, principalmente, a companhia dela e das minhas outras queridas... S. e X.!!




Havemos de estar num destes apartamentos lindos, em Vila Nova de Milfontes, a assentar arraiais bem depressa para irmos ver como está a praia.




E apesar de dormir não ser uma prioridade, vai dar gosto dormir aqui...



E, além deste fim-de-semana, vou poder matar saudades de tudo e todos durante duas semanas inteirinhas... Vou ter direito a miminhos da mãe e do avô, almoços e jantares com amigos, ver e falar com uma certa prima que anda muito ocupada e, claro, visitar os sobrinhos, todos (espero)os que já compõem a minha mini-equipa de futebol. Vou guiar o meu boguinhas, vou sentir o meu mar, vou passear à beira do meu Tejo e vou matar saudades de todas as coisas boas que só se comem num lugar do mundo: em casa. Sou capaz de vir aqui sossegar o bichinho "bloguístico" uma vez ou outra, mas nestes dias valores mais altos se levantam. Até já!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

How many...

... babes does it take to screw a light bulb? - ouço o Bruce Willis a perguntar pela boca de um bebé* ao mesmo tempo que olho, desanimada, para o candeeiro da cozinha. Fundiu-se mais uma lâmpada. E quando eu digo "mais uma" estou a referir-me à última num total de seis... em 8 meses!! Nunca na minha vida vi tanta lâmpada dar o berro! Aliás, tenho a impressão que mudei mais lâmpadas em 8 meses nos Países Baixos do que em quase 30 anos em Portugal! Será um problema local? Das próprias lâmpadas? Da corrente eléctrica? Dos candeeiros do IKEA? Será que as lâmpadas gostavam mais do inquilino anterior e estão a organizar-se numa autêntica conspiração / greve geral para nos expulsar? Acho que estou a ficar um bocado desequilibrada, ainda bem que estou quase a ir para Portugal...


* a quantidade de idiotices irrelevantes que o meu cérebro tem capacidade para reter nunca deixa de me espantar - especialmente quando sinto fugir constantemente ideias interessantes e muito mais úteis. Esta frase foi retirada do filme "Olha quem fala!", comédia tonta mas muito bem apanhada que tanto me fez rir na altura, mas, apesar de me recordar da pergunta (tenho a "certeza quase absoluta" que a frase é dita por estas exactas palavras) não me recordo da resposta... era suposto ser uma piada e acho que o outro bebé, a quem foi contada, também não a entendeu!!!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Ena, viva a minha mãezocas!

Eu já sabia que a minha mãe não é uma mãe qualquer - é a minha mãezocas. E sei que, além de ser uma mãe fora do normal, é uma pessoa especial, com uma sensibilidade e bom-senso dignos de um (novo) livro, com uma coragem infinita (tirar a carta aos 59 não é para qualquer um) e uma força de vontade que consegue, se não mover montanhas, pelo menos fazer mover um tornozelo que em vez de articulação tem uma prótese resultante de 3 anos de operações, gessos, parafusos, placas e sabe-se lá o que mais. Não, a minha mãe não é uma mãe qualquer. Mas agora, além de especial, é uma pessoa famosa! Sim, porque ninguém é alvo de um abaixo-assinado se não for famoso... Que fixe, pode ser que ganhe uns cobres e possa vir visitar-me mais vezes sem ir à falência com os preços da TAP e da KLM! Não, mas espera aí... Um momentinho, faxavô! A minha mãe não é famosa - não está nos jornais, na TV (nem na I) nem nas revistas cor-de-rosa. Então se não é famosa, há abaixo-assinado para quê? Ah... é um abaixo-assinado contra ela por causa do lugar de estacionamento para deficiente! 'pera aí! Contra?? Contra?!? Contra o quê? Ah, e tal, as pessoas da rua acham que ela não deve ter direito ao lugar de estacionamento à porta de casa. As pessoas da rua acham? Mas quais pessoas da rua?! E acham que não deve ter direito?! Mas que conhecimentos têm de medicina para acharem?! Ah, pois, não sei, mas acham e agora estão a fazer um abaixo-assinado.
Ok. Estão a fazer um abaixo-assinado contra a minha mãe porque ela, enquanto portadora de deficiência, declarada por uma junta médica do centro de saúde da zona de residência, exerceu o seu direito de pedir junto da Câmara de Lisboa, apresentando a documentação necessária, um lugar para estacionar o carro. Acho que sim, fazem bem. Primeiro, porque ela nada tem a temer nem a provar. Segundo, porque talvez seja o início de um espírito de comunidade participativa que tanta falta faz ao nosso país - pode ser que, depois de darem com os burros n'água (como diz a minha avó) se lembrem de lutar por outras coisas, essas sim, tão necessárias à nossa cidade, à nossa freguesia e, também, à nossa rua. A começar, talvez, por uma escola que tente educar "as pessoas" para respeitarem a lei, não fazerem julgamentos apressados e baseados nas primeiras impressões, deixarem de se meter na vida dos outros e, last but not least, não julgarem os outros pela sua própria medida - não foi nenhuma cunha que conseguiu aquele lugar, só a aplicação da lei, que cunhas não conhecemos; e se a minha mãe não passa a vida a lamentar-se pelas dores que tem naquele pé, não é porque não as tenha, é porque não faz o seu feitio - basta olhar para o inchaço do pé e do tornozelo, para a cor avermelhada da pele, para as cicatrizes que se cruzam e para os dedos encolhidos de um pé que tem quase dois centímetros a menos do que o outro para se perceber que saúde e ligeireza, ali, já não há. Ainda há poucos dias escrevi sobre a mesquinhez nas relações laborais. Infelizmente, esta característica tão triste do nosso rectângulo não se limita às relações profissionais, antes sai do dia-a-dia e da maneira de ser das pessoas para o local de trabalho. É triste.

Falta de condições

À enxaqueca tipo vai-e-vem que me acompanha desde Sábado (vai quando tomo os meus comprimidinhos maravilha, vem assim que passa o seu efeito, é claro) junta-se agora uma noite extremamente mal passada - a chuva e a trovoada foram de tal ordem que me acordaram 4 vezes durante a noite. Tendo em conta que me deitei quase à meia-noite e que me levantei às 7h da matina podem calcular o estado em que me encontro. Algo mais profundo do que isto, talvez amanhã, se S. Pedro, o João Pestana e o Migretil ajudarem.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Ai, a praia...

O problema da praia aqui é este... embora eu, neste preciso momento, fosse muito mais feliz se me encaminhasse para Zandvoort (a prainha do post de baixo - esqueci-me de dizer na altura) e não para Utrecht, tenho de ir para Utrecht. E, mesmo que fosse para Zandvoort, quando lá chegasse estaria, provavelmente, a chover. E, peixe ou não, a chover e com frio não me apanham em mar nenhum, nem azul, nem amarelo, nem cor-de-rosa às bolinhas. Irra, tempinho chato!

domingo, 24 de maio de 2009

Passeios de fim-de-semana

Está bom tempo na Holanda! Sim, acima dos 20ºC e com sol! Para português, está bom para passear, mas para holandês já está bom para a praia - ou qualquer coisa que se assemelhe a isso, tipo relvado à beira do IJsselmeer. Ainda não foi desta que fui ver a maravilha da engenharia que separou este "mar" do oceano, mas está na minha to-do list enquanto estiver por aqui...

Desde pequena que tenho um fascínio e adoração por estes edifícios. Quando era pequena descobri - ou, mais provavelmente, a minha mãe apontou-me - um antigo moinho de vento que se avista da via rápida da Costa da Caparica. Religiosamente, esforçava-me por o ver todos os dias - está bem ao longe e apenas é visível durante uns segundos - e ficou conhecido como "o moinho velho". Se, na altura, já era "velho", agora pouco mais é do que uma ruína, se é que não foi abaixo desde a última vez que me lembrei de procurar por esta recordação de infância. Por cá estão todos bem conservados (os que sobram, pois apesar de continuar a haver muitos, muitos mais foram destruídos), como se vê, e todos são obrigados a funcionar uma vez por semana, para não se deteriorarem.

Ora digam lá se não é uma praia de fazer inveja a muitas portuguesas?!? A areia é branquinha e fininha como a da Costa (diminutivos = amor profundo) e a praia é enorme, há areal a perder de vista. O problem é mesmo o mar. Aqui não parece, mas a água não é transparente e azul, e sim baça e amarelada - já me disseram que é por causa de uma alga qualquer, mas em abono da verdade tem mais semelhanças com o Tejo do que com o Atlântico...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Sobre a fé e a ignorância

Pegando no feriado de ontem e no filme Angels and Demons, do livro homónimo de Dan Brown (o filme, sendo um normal filme de acção e aventura pareceu-me muito mais bem conseguido do que O Código da Vinci), as questões religiosas ficaram-me na cabeça. Eu não sou religiosa, nem crente, de espécie nenhuma. Se, por um lado, ninguém fez questão de me educar na igreja, por outro, sempre nutri uma profunda desconfiança e um pouco de raiva pela igreja. Passo a explicar. A única católica praticante no meu agregado familiar alargado era a minha avó materna que costumava levar-me, em pequena, à missa. No final (penso eu) da missa o padre distribuía a hóstia. Eu, que sempre fui gulosa e dada à experimentação, queria por força maior provar o que toda a gente ia buscar - menos eu (e a minha avó, por solidariedade). E não me deixavam, explicavam-me, porque eu não era baptizada. Eu não gostei. E não me esqueci. Mais tarde, foi o fascínio pelos escuteiros - as tendas, as aventuras dos sobrinhos do Pato Donald, um monte de amigos novos... Novamente, não podes, não és baptizada. Aqui, mais crescidinha, deram-me a escolher. "Queres ser baptizada, na igreja, para poderes ir aos escuteiros?", perguntaram-me. Depois de várias explicações sobre o baptismo e a igreja a minha resposta foi rápida - não. Nada daquilo fazia sentido para mim, a menina mimada da família, que achava que não era justo ter de ser baptizada e ir à igreja aturar uma data de coisas que me pareciam altamente entediantes para pertencer a um grupo de crianças cujo interesse principal era a brincadeira e diversão. E ainda me lembrava da questão da hóstia. Conforme fui crescendo, a descrença na existência de um ser maior que olha por nós foi ficando cada vez mais firme por força das circunstâncias e as atidudes e opiniões do representantes da igreja cada vez me pareciam menos de acordo com o que eu achava que uma igreja deveria pregar. A soma de tudo isto resulta numa pessoa que não consegue acreditar num ser superior (por vezes com pena, pois sinto o alívio e conforto que muitas vezes advém dessa crença) e que nutre uma profunda desconfiança e, até, repulsa pela instituição igreja católica.
O Angels and Demons relembrou-me o fanatismo e a psicologia das massas que sinto na igreja. A falta de informação sobre o dia da Ascensão em pessoas educadas e criadas na igreja, com baptismo e aulas de catecismo despertou em mim a ideia de que a igreja prefere manter os seus na ignorância. E que alguém, ou alguma instituição, prefira manter os seus membros na ignorância é algo que me espanta, principalmente nos dias que correm. Quem prefere a ignorância ao esclarecimento tem medo do último porque tem algo a esconder. Eu não me esqueço que uma querida amiga, crente, católica, catecista, me disse certa vez que a história de David e Golias não era bíblica. E que outra, uma senhora já com muitas décadas de igreja nas costas, não acreditou quando lhe disse que o deus da igreja católica é o mesmo do judaísmo e do islamismo - só divergem na questão de quem foi o último profeta. Não sabia (nem ficou a acreditar, como se fosse algo em dúvida) que o antigo testamento corresponde ao livro sagrado dos judeus. Tudo isto fica na minha cabeça, dá-me que pensar, e cada vez me causa mais espanto. Espanta-me e choca-me que alguém diga pertencer a uma organização e não saiba quase nada sobre ela. Eu até compreendo que continuem a dizer-se católicos os que não seguem todas as directivas do Papa, como nas questões do aborto, do uso dos preservativos, da eutanásia ou outras - creio que esta escolha é o que separa um crente de um fanático - mas não percebo como se podem identificar com uma instituição e com uma doutrina sobre as quais têm um conhecimento que não vai além do superficial. O ritual da missa. O gosto pelo casamento religioso e pelo baptizado. Como é que a crença em deus, algo tão profundo, pode ser misturada, confundida, com estas superficialidades? É que dizermo-nos crentes em deus é muito diferente de nos dizermos católicos, budistas ou qualquer outra coisa. E, pela minha experiência, muita gente confunde as duas coisas.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Feriado? Ascensão? Espiga? What?

Amén à Wikipédia! Finalmente - depois de uma exaustiva procura - descobri por que carga de água é hoje feriado nestes lados do mundo onde me foi dado viver! É um feriado cristão que celebra, 40 dias após a Páscoa, a Ascensão de Jesus ao céu. Ou seja, foi crucificado, morreu, ressuscitou e depois ascendeu aos céus. Complicado? Parece que sim... É que perguntei a holandeses... e nada. Que fixe, é feriado, mas porquê... who cares? Perguntei a portugueses... ah e tal, é 5ª feira de espiga, mas o que é isso da espiga para a igreja, ah pois, não sei. Não é que seja importante... mas eu gosto de saber estas coisas! Agora, esclarecida, até vou dormir melhor.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Da mesquinhez

Criticar alguém apenas para que outros ouçam.
Proclamar que se faz uma coisa fazendo o exacto oposto pela calada.
Fingir amizade para utilizar a informação obtida contra o "amigo".
Aproveitar posições de superioridade para abusar dos outros.
Descobrir fragilidades e usá-las pública e repetidamente para desmoralizar o outro.
Será esta a nova forma de trabalhar? Alguém acerditará que é esta a forma de se progredir na carreira? Como chegam a cargos de chefia pessoas que usaram esta estratégia para singrar no trabalho? Como podem ser tão inseguros que, mesmo quando chegaram lá e estão bem instalados, continuam a usar a mesma estratégia, desta vez contra pessoas que não estão, de forma nenhuma, a competir com eles?
Pergunto-me o que lhes terão feito na vida para transformar estas pessoas em semelhantes seres. Tenho pena, porque para se ser assim deve ser necessário ter uma alma muito pequenina e ter tido uma vida muito má. E tenho ainda mais pena porque esta maldade e as suas consequências são coisas de que muito dificilmente se livra quem as tem.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Tenho um segredo

Tenho um segredo, bem guardado, bem escondido, mas não resisti a vir pô-lo aqui... Até porque quem não pode saber não vem cá!! É um segredo bom, pela surpresa que vai ser quando deixar de ser segredo, mas é mau, porque está a custar-me horrores mantê-lo. Há uma diabinha que me incentiva e sussurra ao meu ouvido "é um segredo bom, vale a pena guardá-lo, vá, não digas nada... Vais ver que bom que vai ser quando o segredo sair da caixa!" O busílis da questão é mesmo manter o segredo dentro da caixa, morder a língua, não me descair, manter a mentira intacta, não cometer deslizes e concentrar-me na altura em que finalmente vou poder revelar, aos sete ventos, este segredo. E que bom que vai ser!

Gostos não se discutem

Um povo que come peixe cru com pickles e batatas fritas ao lanche acha que Nestum de mel é nojento... Se não tivesse sido testemunha da conversa não acreditava!!!

domingo, 17 de maio de 2009

Como alguns amigos nos levam à loucura ou como a burrice informática é mais que muita

Pois é, há uns dias apercebi-me que as páginas da web começaram a abrir com uma letra muito pequena, diria microscópica. Queixei-me, insultei a máquina, tremi perante a possibilidade de o pobre Vaio ficar a falar holandês para todo sempre. Pois.
Como sempre, a máquina tem razão e o erro foi meu. Aparentemente, se carregarmos no ctrl e mexermos simultaneamente na rodelinha do rato o tamanho da letra dos sites aumenta ou diminui - ou seja, os dias de pitosguice resultaram de uma tentativa frustrada de usar os atalhos do teclado... Valha-nos o mariduncho que lá vai sabendo alguma coisa útil!*
* isto diz-se baixinho, não queremos ninguém vaidoso...

Segredos de modelo

Ouvi no outro dia a Giselle Bundchen a dizer que tinha o vestido (um daqueles com um decote quase até ao umbigo que, usados por certas pessoas e em certas ocasiões, são do mais espectacular que há) preso com fita-cola para as alças (à falta de melhor nome) que cobrem os seios não resvalarem para posições... inadequadas. Eu já tinha perguntado aos meus botões como era possível usarem certas roupas sem ficarem nuas com uma rabanada de vento; afinal o segredo é a fita gomada!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

World Press Photo 2009


O World Press Photo está em Amsterdão. Esta foi a imagem vencedora. O meu primeiro pensamento foi "O que tem esta foto de especial? Mais uma cena de guerra..." Ao que parece, sou um exemplo vivo do que o júri do concurso quis que acontecesse.
Esta parece uma foto tirada num local de conflito, onde as casas estão destruídas, onde as pessoas andam de armas em punho com medo que, de um qualquer canto, salte um inimigo. Na realidade esta foto foi tirada nos EUA, mais concretamente em Cleveland, e conta a história de uma casa devastada não pela guerra, mas pela crise do crédito. Os donos deixaram de a poder pagar, foram despejados e a polícia tem de verificar se a casa está realmente vazia, se não há armas, se um sem-abrigo não a ocupou... de arma em punho.
"It looks like a classic conflict photograph". "You have to go into it to find out what it (really) is." "We need a new language, to learn how to illustrate our lives." São palavras do júri do concurso, eu não as conseguia escrever mais tocantes. Depois de achar a foto insípida, a mensagem por trás dela acertou-me como um murro no estômago.*
* imagem e citações retiradas do site do World Press Photo.

Segurem-me,

que estou com umas ganas de mandar o telemóvel ao canal que nem vos conto! É que só não vai dar umas braçadas porque sou pobre e muito agarradinha e não me apetece gastar dinheiro num substituto que, odds are, será ainda pior.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A prova cabal da minha idiotice

Acreditar que uma dieta de emagrecimento vai funcionar quando uma das suas especificações é comer chocolate duas vezes ao dia!

Sobre as coisas onde enfiamos os pés

Andei por aí (já se sabe que sou uma pessoa extremamente ocupada...) a passear por outros blogs e dei com um que, além de engraçado na escrita tem umas quantas fotos artísticas de sapatos, botas e, principalmente, sandálias. Ainda ontem ouvi um holandês atirar ao ar o suposto fascínio das mulheres por sapatos. É verdade, afecta muitas. A mim afecta-me mais (ou, diria mesmo, apenas) no Verão, quando há formas infinitas de pôr o dedão do pé a arejar.
Efectivamente, o sapato de Inverno e a bota não têm o mesmo apelo. São formais, são chatinhos, pouco coloridos e muitas vezes pouco confortáveis para a pobre parte do nosso corpo que tem de levar connosco em cima todo o dia (já sei, o rabiosque sofre o mesmo mal, mas pelo menos o tecido onde o enfiam costuma ser mais macio). Ah, e o calçado de Inverno pode, ainda, ser pura e simplesmente... feio. É o caso das horríveis botas tipo pata de mamute chamadas uggs. Admito que sejam confortáveis (costumo usar em casa umas pantufas que trago da Serra da Estrela que são iguaizinhas, só não têm cano, e são óptimas) e quentinhas (o que, pelo menos aqui, dá bastante jeito) mas, convenhamos, parecem moda do tempo da pedra lascada - literalmente! E, o pior de tudo, é que por cá, ao passo que algumas já se arriscam a perder um dedinho congelado com a bela sandaleca, muitas continuam a abusar da perna de mamute. Minhas amigas, estão 16º/17ºC de temperatura máxima, não havia necessidade! Nem quero imaginar quando tiram os pés de lá de dentro...
Voltando à bela sandália, há uma pequena coisinha que muita gente faz e que também me causa, assim, alguma impressão... Que é, basicamente, andar com os dedinhos de fora da sandália, ou seja, fora dos limites da sua sola, assentando-os directamente no chão. Ora, o chão não é algo muito lavado, nem higiénico. Tem pastilhas elásticas. Muitas vezes está bem semeado de presentes deixados pelos nojentos donos do melhor amigo do homem. E sabe-se lá mais o quê. E há quem arrisque assentar o seu belo dedo numa destas nhanhices! Há duas formas de evitar este problema. Não (não!) comprar sandálias um tamanho abaixo. E, ainda na sapataria, antes de passar o belo dinheiro para o lado de lá do balcão, calçar ambas as sandálias e andar, tipo ursa em jaula, para trás e para diante, reparando bem se o pé vai deslizando para a frente com o andar. Se, mesmo assim, forem enganadas - já me aconteceu - há sempre a solução radical... deitem-nas fora!
P.S. - sorry pela idiotice, já sei que nada disto tem o mais pequeno interesse, mas é que estou farta dos ténis de Inverno, feita idiota deixei todas as minhas sabrinas em Portugal e já me apetecia usar uma sandaleca bem destapada mas por aqui nada ajuda - não há dinheiro, não há bom tempo, não há disposição, não há nada excepto o desejo de dar ar ao dedo do pé grande...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Como alguns amigos nos levam à loucura

Tenho um amiguinho que, de quando em vez, me prega umas partidas... Que coisa mais teimosa e dissimulada. Num momento tudo está bem, no seguinte, sem motivo aparente, entra em crise, bloqueia, rejeita qualquer interferência da minha parte e faz coisas tão idiotas como começar a multiplicar-se ou alterar a sua fisionomia! E não vale a pena tentar o diálogo, porque recusa-se terminantemente a ouvir-me, não responde a nenhuma das minhas pressões e acaba por obrigar-me a levá-lo ao médico para ver se um bom tratamento de choque resolve os chiliques! O problema é que os médicos aqui só falam holandês ou inglês e o pobre está programado em português... raio do Vaio! A última crise resultou numa diminuição absurda do tamanho da letra das páginas web que abro. Abri uma notícia e não consegui ler uma palavrinha que fosse, em vez de palavras parecia que o DN, num rasgo de inspiração artística, tinha tirado uma foto a uma família de formigas liliputianas muito bem alinhadas e apresentado o resultado como uma notícia qualquer sobre um dos últimos nazis a serem levados à justiça. E agora? Alguém me ajuda? Ou tenho mesmo de o levar ao doutor e arriscar-me a vir de lá com um computador que só fala neerlandês?!?

terça-feira, 12 de maio de 2009

A doença

Não há nada mais injusto que a doença. É algo que não se planeia, não se provoca e não se controla. Que cai do céu aos trambolhões para nos esmagar, mas que vem directamente do quinto dos infernos. Ainda pior quando nada a anuncia, num momento tudo está bem e no outro lá está ela, bem instalada, de pés firmes e raízes bem fundas. Aí, confrotável, começa a contaminar os outros, os que estão próximos, minando-os não através de um vírus ou bactéria, mas através do medo. Medo do presente e do futuro, principalmente quando há tanto futuro ainda por acontecer. Quando quem está doente ainda não saiu dos teens.
Quando quem está doente não quer admiti-lo... como se convence?
Quando um filho está doente, como é que se diz a uma mãe que não se preocupe ?
E a um irmão mais velho?

Bimbo-master


Porquê? Mas porque é que há gente com tanto mau gosto? E, o que é pior, bom dinheiro tão mal gasto - já repararam nos estofos em pele laranja igual à carroçaria?! E, infelizmente, aqui só dá para reproduzir a imagem porque o conjunto só estaria completo se conseguissem ouvir o tum-tum-tum que fazia estremecer os vidros duplos da minha casa! O bimbo ficou a sorrir quando me viu na janela a tirar esta foto... Cruzes, será que achou que a visão me agradou?!?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Me, myself and I (nr. 2)

Já se via bem o cú com que ia ficar...



Oh!


"Mas naquele dia vestiram-te de preservativo?" (comentário do mariduncho, anda tão engraçado ultimamente, ah-ah-ah...)


Acordar nem sempre (ou nunca) põe uma pessoa bem-disposta!Também tinha os meus maus momentos...


... mas de curta duração!!!

domingo, 10 de maio de 2009

Me, myself and I

Como dizia noutro post, a vida é longa e as memórias perdem-se. É bom ter lembranças, que mais não são muitas vezes que histórias plantadas na nossa memória de tanto serem contadas e recontadas por outros. Não via estas fotos há décadas (na verdade são stand-stills tiradas de vídeos caseiros com cerca de 30 anos) mas é tão bom recordar. Olhar à distância, para tempos que eram tão mais simples. É bom ver pessoas que já não estão connosco. Mas essas ficam para outra altura, que hoje o post é meu, só meu e de mais ninguém.
Aqui estou eu a dormir sob o sol da Caparica. E ok, é verdade, usei chucha, mas durante pouco tempo e quase só para dormir, está bem?


Com uns meses de atraso, mas tal e qual vim ao mundo. E é bem capaz de ser melhor assim, porque quando vimos ao mundo somos tão enrugadinhos que mete dó.


A boa disposição é evidente.

Adorava o meu banhinho.

E já dormia de lado. Quase exactamente na posição em que hoje me ponho para conciliar o sono.

Ele há com cada piada...

Adoro quando vejo este símbolo na etiqueta de uma qualquer peça de roupa. Forma-se-me logo um sorriso rasgado nos lábios. Escapa-se uma gargalhadinha. É que só pode ser piada alguém achar que eu (euzinha!) vou perder tempo a lavar uma peça de roupa à mão. A sério. É hilariante.*


* acreditem, no máximo (enquanto me lembrar que aquela peça tinha este símbolo na etiqueta que arranquei antes de a vestir pela primeira vez) lavo-a no programa das lãs. E já goza!

sábado, 9 de maio de 2009

"Esse decote é uma vergonha!

Só não te mando para casa mudar de roupa porque sei que não vais!"
Esta singela frase prova que o mariduncho não só tem a sua piada como me conhece bem... :)

A equipa de futebol

Não gosto de futebol. A descrição que mais combina com o que sinto perante um jogo é 25 macacos a correrem atrás de uma bola. E odeio o clubismo, não o saudável, que até pode ser engraçado, mas o mais comum, o exacerbado. Não gosto do amor cego, da devoção absoluta perante algo tão... pouco necessário, pouco interessante e, regra geral, com tão pouco mérito. Sinceramente, nem da selecção consigo gostar. Então quando entrámos na loucura da bandeirinha, ia dando em doida.
Tendo isto tudo em conta, quem haveria de dizer que eu colecciono uma (ainda) incompleta equipa de fútebol júnior?! Pois é... ao J.P., ao A., ao D., ao X. juntou-se, dia 2 de Maio, o M. Bem-vindo a este mundo, puto, estava a ver que vinhas de véspera!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

(...)

"Do you know why do men die when they're lost in the wild?"
"No."
"They die of shame. They ask questions like: What did I do wrong? Why did I fail? They blame themselves and die of shame."*
E, não haja dúvidas, o mundo de hoje é do mais selvagem que há. Senão reagirmos, morremos de vergonha.
* de um filme que acabou de dar, sobre dois homens perdidos no Alasca, com o Alec Baldwin e o Anthony Hopkins. Não é que seja grande filme, mas identifiquei-me com a frase.

(...)

Problemas existenciais, dúvidas profissionais e medo geral do futuro impedem-me, por hora, de escrever. Esperamos inspiração, decisões e melhorias no geral.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Mézinhas

Tenho uma verruga num dedo da mão que me irrita solenemente. É pequena e não se vê muito porque está na articulação e fica disfarçada pelas rugas. Mas eu não gosto dela. Gosto das minhas mãos e dos meus dedos e esta coisa não combinada nada bem com eles. Perguntei à médica de família se ma podia tirar. Ela diz que não. Receita-me um químico que se vende na farmácia para o efeito. Ou para o suposto efeito, porque utilizei-o três vezes e a coisa continua cá. Agora na última visita a Portugal uma prima informa-me que se viu livre de uma verruga com uma receita muito mais simples: sal de cozinha e água morna. Ok. Isso é bom, pensei eu. É só misturar muito sal grosso com um pouco de água quente e mergulhar o dedo lá dentro durante um bom tempo, todos os dias, à noite, e não enxaguar para que o sal fique agarrado à coisa durante a noite. O sal seca a pele, eu sei, basta ver a triste figura da minha pele no Verão, portanto, seca também a verruga, que acaba por cair. Pus o dedo de molho durante um mês e meio, todos os dias, religiosamente, e a coisa... não caiu. Mas porque é que eu ainda acredito nestas mézinhas caseiras, muito simples, fáceis de fazer e aplicar mas que, pura e simplesmente, não funcionam?
i
P.S. - e não me venham propor que use ranho de lesma para secar a coisa porque dessa mézinha já me informaram, e por muito que funcione, esqueçam, que eu não vou coleccionar lesmas no frigorífico e muito menos esfregá-las no meu pobre dedo. Coitado, já lhe chega a verruga!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Despedidas de Solteira

Eu gosto de despedidas de solteira. Pelo menos das que me calharam, gostei. Juntar um grupo de mulheres, festejar o casamento (próximo) de uma de nós, passar um dia ou dois na praia, rever colegas de escola e conhecidas com quem, por vezes, há anos não nos cruzávamos é uma delícia. Agora, é preciso notar que gostei das despedidas de solteira a que fui porque (quase) nada tiveram a ver com as tristes figuras que muitas vezes se vêem por aí. Ok, a noiva até pode levar um véu rosa-choque. Pode receber umas prendinhas atrevidas. Podemos parecer um bando de galinhas a rir pelas ruas. Podemos até beber uns copos. Mas nada disto se compara às figuras que muitas vezes se vêem. Há pessoal que parece que só se consegue divertir quando está bêbedo para lá de qualquer noção do ridículo. Há pessoal que acha que só fazendo a noiva passear uma piloca gigantesca na cabeça a coisa tem graça. Na Alemanha vi um grupinho (deve haver montes de gente a casar nos próximos tempos naquela terra, tantos foram os grupos de despedidas de solteiros que vi em 4 dias) que levava, por cima das calças, cuecas tipo fio dental. Por fora. Cor-de-rosa. Vermelhas. De renda. Pareciam um bando saído do Monsanto. Há algum tempo, ainda em Lisboa, vi um grupo com preservativos às cores enfiados na cabeça. Porquê? há alguma necessidade de se fazer estas figuras ridículas? Ah, e a última novidade, quase me esquecia, o contratar gajos como prato de sushi... Sim, pôr um rapazinho, supostamente jeitoso (também há com raparigas), nú, a fazer de prato e é suposto o pessoal ir tirando os rolinhos de sushi e comendo directamente da "travessa"... Nem quero imaginar o balúrdio que se deve pagar por comermos num prato que nem pode ir à máquina, para uma pessoa ter a certeza de que está limpinho. Blergh!

(...)

O que é que fazemos quando a vida não corresponde aos nossos sonhos? Aos objectivos que para nós traçámos? O que fazemos com sentimentos como falha, inoperância, insucesso, desprezo, desadequação, desperdício nos inundam a mente ao pensarmos na nossa vida profissional? Aliás, chamar-lhe "vida profissional" é, por si só, uma mentira, pois não é profissional e quase não é vida, mas tão-só uma forma de sobrevivência que nem chega para nos sustentar. Como fazer as pazes connosco quando sabemos que foram, essencialmente, as nossas escolhas que nos conduziram a onde estamos. E, apesar de sabermos que não havia consciência do erro, talvez alguma pesquisa, alguns conselhos assimilados e não apenas ouvidos, tivessem feito a diferença. E, pior do que a consciência do passado, a incerteza do futuro. Como tentar mudar o curso? Como descobrir um novo caminho, no meio da confusão? Em que medida o que sabemos serve para alguma coisa? E, se servir, serve para quê? Haverá coragem para novos passos? E, além da coragem, haverá tempo para dar esses passos? E, voltamos ao princípio, passos em que direcção?

terça-feira, 5 de maio de 2009

E Colónia

A (famosa) Catedral de Colónia. Um colosso. Uma coisa gigantesca, nunca tinha visto uma coisa assim. E sobreviveu à II Guerra Mundial, pode ter tido alguns danos, mas ficou de pé quando tudo à volta eram escombros. Impressionante.


Estão a ver esta vista? É bonita? Fica bem, assim enquadrada pela janela de pedra com arabescos? Acham? Eu não tenho tanta certeza, depois de ter subido 533 degraus para tirar o raio da foto...

Desenho a giz e não sei mais o quê (umas latas de spray, mas não me pareceu graffitti) no chão da praça em frente à Catedral. Um amor. (Ah, só tirei a foto depois de agraciar a artista, que aqui a Golden tem vergonha na cara).


Autêntica coroa de ouro dos tempos romanos. Sim, Colónia é muito antiga, e no tempo dos romanos era enorme e riquíssima - pelo menos parece, a julgar pela quantidade e qualidade de artefactos, mosaicos, jóias, recipientes de vidro, etc., etc. que estão expostos no museu. Adorei. Mais uma vez, foto ranhosa devido à ranhosice da máquina, que não conseguia focar. É o que se arranja!

Frankfurt

Era assim Frankfurt há umas décadas atrás. As casas típicas são tão giras que parecem casinhas de bonecas. Infelizmente o que aqui vêem não são os prédios originais, mas reconstrucções feitas depois da II Grande Guerra, altura em que não ficou pedra sobre pedra.

Agora é assim. Uma mistura de antigo (perfeitamente reconstruído), com novo.


Um arranha-céus espectacular.


A viagem de comboio entre Frankfurt e Colónia. O comboio regional, que corre ao longo do Reno, leva o dobro do tempo do rápido (3 horinhas), mas vale bem a pena (na foto não ajudam a falta de sol, o vidro cagado e a máquina de fotografar ranhosa).

Alguém?

Mas alguém encomendou chuva aqui para a Holanda? É que eu quero desde já cancelar a encomenda...

Será...

... que os alemães ficaram muito chateados por eu lhes dizer, repetidas vezes, Sorry, I don't speak Dutch??? :s

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Portugal, Holanda, táxis e taxistas

Quero admitir desde já que sofro de um grave preconceito e que este post vai servir para o exorcisar. Sofro de uma enorme desconfiança, para não dizer temor, dos taxistas e, por muito que me queira convencer que nem todos são iguais, as pernas tremem-me de cada vez que estendo o braço para mandar parar um. Tudo começou em Portugal onde, como condutora habitual, sofria diariamente com a forma com que a maior parte destes profissionais encaram a estrada, o código que (supostamente) a rege e os restantes utilizadores (motorizados ou não). Agora, aqui em Amesterdão, além do medo de morrer num acidente, junta-se um novo medo, que é o de ser assaltada... pelo próprio taxista. Vamos por partes.
Tenho um medo que me pelo de andar de táxi em Portugal porque a maioria dos taxistas parecem kamikases ao volante, apesar de não me constar que o governo lhes pague ou os doutrine para se espetarem contra seja o que for. Quando me obrigam a circular dentro de um a primeira coisa que faço é procurar (freneticamente) e colocar (com a maior firmeza possível) o cinto de segurança. Já frisei a um senhor que não lhe tinha dito que estava com pressa de chegar ao meu destino. Já guinchei a outro que o sinal estava vermelho quando o seu pézinho teimava em não abandonar o pedal da direita. Não quero saber o que possam pensar, eu quero é chegar inteira ao destino.
Agora, ao medo de perder a minha saúde (aos taxistas de Amesterdão deve sair-lhes a carta de condução na mesma farinha que aos portugueses) junta-se ainda o temor pela saúde da minha carteira. É que tudo é caro nesta terra, tudo bem, mas pagar para sofrer... já chega na depilação! Não é que o senhor que conduz o taxi saque de uma pistola ou navalha e me obrigue a dar-lhe a minha quase sempre paupérrima carteira ou o fraco telemóvel. Não, o que ele faz é roubar no que cobra. O mariduncho já teve mais experiências interessantes, mas as minhas experiências, apesar de pouco numerosas, revelaram-se ilustrativas. Da primeira vez, ainda não tinha nascido este aquário, o taxista que nos trouxe do aeroporto tinha o taximetro colocado junto aos pés - óptima localização, se os clientes insistirem em ver o dito pode ser que o chulé lhes tolde o raciocínio e achem que pagar 45 € por 30 minutos de caminho é razoável. Mas nem isso é necessário, porque perante o nosso pedido para ver o valor no mostrador, alegou simplesmente que já o tinha apagado. E viva a transparência! Ontem, quase à 1 da manhã, um jeitoso queria cobrar-nos, à partida, 15€ para nos trazer numa viagem que, de eléctrico e na hora de ponta, não demora mais de 20 minutos! Sem utilizar o taximetro nem nada... fez umas contas de cabeça, somou a falta de transportes públicos àquela hora com o nosso discurso em inglês e o resultado foi um ora paguem lá 15 euritos que só vos faz é bem. E o melhor disto tudo é que parece que os taxistas cá são uma espécie de profissionais liberais, ou seja, não há empresa nenhuma a quem reclamar, cada um tem o seu carrinho, é o seu próprio patrão e nós se quisermos podemos sempre reclamar... com o próprio. Os resultados serão óbvios.
Depois disto tudo o que me apetece dizer é (e eu não gosto de dizer estas coisas), passasse-se isto lá no nosso rectângulo e bradava logo meio mundo (connosco à cabeça), "aqui d'el rei que é uma autêntica república das bananas, cada um faz o que quer, vivemos mesmo no terceiro mundo!"
P.S. - Se me esqueci de mais alguma das críticas habituais, perdoem-me e lembrem-me, que eu acrescento, acho que faz todo o sentido e o post só tem a ganhar.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Feriados

Para quem não sabe, amanhã é feriado, é Dia da Rainha (supostamente comemora-se o aniversário da rainha, se bem que a actual, coitada, parece que nasceu em Janeiro, mês muito pouco agradável neste hemisfério em geral e aqui em particular; a senhora, que parece ser simpática, resolveu que já era mau q.b. ela ter de comemorar ao frio, não valia a pena obrigar todo o país a fazer o mesmo e, vai daí, manteve o feriado nacional no dia do aniversário da sua mãe, 30 de Abril, amanhã). Perceberam?
Adiante, acontece que o Dia da Rainha comemora-se aqui em Amsterdão, onde a família real vem desfilar pelos canais e mostrar-se aos súbditos, que vêm todos cá ver a parada, comer nas ruas, comprar tralha em segunda mão que os locais podem vender na rua, ouvir concertos e sabe-se lá o que mais. Isto a juntar aos que já cá vivem e ao turistame do costume. Como o mariduncho só é dado a apertos comigo e com mais ninguém ;) vamos dar à sola amanhã bem cedinho e ver como páram as modas ali na Alemanha. Colónia e Frankfurt, cá vamos nós!
Tu e eu, encontramo-nos aqui na segunda, sem falta! Hasta.

Do que somos feitos

Os poetas escrevem. Os filósofos pensam. Os médicos tentam explicar a coisa cientificamente. Mas, por muito que misturem o ambiente com a genética, que puxem pela cabeça, que abusem das palavras, nunca serão capazes de reduzir o que cada ser humano é a uma simples fórmula, a uma teoria ou a um poema. Muito menos se reduzirá a um texto escrito por mim, mas aqui vai, que é esta a disposição do dia.
Se há algo que faz de nós o que somos, são as nossas memórias. O que vivemos, o que fizemos, o que nos deram e, principalmente, as pessoas que nos acompanharam em todas ou em cada uma das etapas. Tudo isto está na nossa cabeça, muito ou pouco enterrado em camadas sucessivas de problemas, acontecimentos, obrigações, que ocupam o nosso dia-a-dia. E, no meio das nossas caóticas vidas, por vezes, parece-nos que nos esquecemos de tudo. E queremos lembrarmo-nos, queremos recordar, mas tudo o que nos vem à cabeça é o presente. Para isto são precisas as outras pessoas. As fotos. Os diários. Os filmes. As músicas. E, mais modernamente, os blogs.
Uma colega blogger tem no cabeçalho do blog que escreve para o seu filho que espera que ele não lhe leve a mal a exposição. Eu tenho a certeza que não vai levar. O que ela descreve são as pequenas coisas do quotidiano que vão escapar, inexoravelmente, para o fundo do baú que é a nossa memória. Coisas pequenas, mas não insignificantes, e que tão bem nos sabe recordar. Sabe bem conversar, ou escrever, sobre as pessoas que nos importam, e saber que na mente do outro há uma versão ligeiramente diferente do que há na nossa. É tão bom olhar para fotos ou filmes caseiros de outras épocas e ver a agir, a falar, a amar-nos pessoas que o tempo já nos roubou - seja da forma mais radical, a morte, seja de forma gradual, o envelhecimento. É recordar o dar o dedo em vez da mão (que nós já somos crescidos), o chamar "cão" a todos os animais (até a um pobre passarinho diminuto), a fila de cabeças a passar que mal ultrapassava a altura da mesa da cozinha (que hoje sentem o ar a mais de 1,70m de altura), o acreditar que um helicóptero nos vem buscar para nos levar à escola, a birra que fizémos para que nos oferecessem um triciclo, os filmes de cowboys que vimos no cinema do bairro na companhia do avô, os bolos que a mãe nos levava a comer ao Domingo, as Barbies que os padrinhos nos traziam do Brasil, os jogos com que nos entretinham nas intermináveis bichas da Ponte 25 de Abril.
Muitos destes pequenos acontecimentos estão na nossa memória. No entanto, não estariam se não os revivessemos. A memória é muito frágil e não consegue competir com as exigências do dia-a-dia. A partilha faz com que a nossa vida tenha contornos, porque aquilo que para uns são memórias distantes da infância, para outros são memórias muito nítidas da primeira vez que foram pais. A ideia que temos de alguém, sem muitas certezas, é corroborada por outra pessoa que connosco a conheceu. As sensações que um determinado acontecimento nos transmite, vistas de outro ângulo. Tudo isto somos nós e são os nossos. A paciência, a amizade, o companheirismo, o amor que nos dedicam, ao longo da vida, as pessoas que connosco a vivem. É para isto que estamos nesta terra, sem a mais pequena dúvida.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Afinal não sou só eu... (ao som da conhecida música popular portuguesa)

Ontem ia muito bem no meio da rua quando sai um rapaz de um prédio. Muito decidido, dirige-se ao grupo de bicicletas estacionado no passeio. A um passo do aglomerado de rodas, estaca. Olha. Dá um passo para a direita. Olha melhor. Torce o pescoço para a esquerda. E repara em mim, que parei no meio do passeio e fiquei a olhar com um meio sorriso nos lábios. Fala-me em holandês, sorrindo também, eu papagaio a frase mais repetida nos últimos meses ("Sorry, I don't speak Dutch...") e ele repete em inglês que não sabe qual é a sua bicicleta. Aha! Eu sabia! Não sou só eu! Não são só os totós não-holandeses, que não estão habituados a tanta bicicleta! Afinal, after all, eles também perdem as bicicletas no meio da confusão! Ganhei o dia. :)

Hoje sou de Sintra

Hoje, como é costume, comecei o dia com as notícias da BBC ao pequeno-almoço e continuei com o Público online. E qual não é o meu espanto quando vejo um título que afirma que Sintra proibiu touradas e espectáculos de circo com animais! E, ao abrir a notícia, descobri que nem sequer são os primeiros, Viana do Castelo, Braga e Cascais já tinham feito o mesmo (pelo menos quanto à tourada)! Finalmente, um pouco de civilidade. Mais respeito pelos animais do que por supostas tradições. Fiquei feliz.

Entretanto, comecei a ler os comentários (mais de 150!) que por lá deixaram. E li com cada coisa... O apelo à "tradição" está por todo o lado - sim, vamos lá todos a voltar a fazer aquilo que se fazia há uns séculos atrás, tipo bater nas mulheres, pôr crianças a trabalhar, enforcar ou queimar pessoas na praça pública, etc., etc. Afinal, são "tradições"! Há ainda gente que vem defender a tourada para que o touro não se extinga - isso, vamos criar animais para os torturar na arena! Outros, defendem que a tourada é uma arte (??). Comparam matar (ou torturar) um touro a esborrachar uma melga ou barata (fiquei completamente estupidificada quando li semelhante barbaridade, acho que, na realidade, ainda não recuperei totalmente). Ah, sem esquecer quem defende que a tourada "atrai turismo" - claro, é isto e a matança de focas e baleias no norte da Europa, são cá umas atracções turísticas! Também há os que aproveitam para apelar ao vegetarianismo. Comer carne, lá têm alguma razão, não é necessário para a nossa sobrevivência. No entanto, entre comer animais e fazer da sua tortura um espectáculo... vai uma certa distância! E isto sem falar daqueles que não conseguem articular duas frases e nem se percebe de que lado estão. No geral, parece-me que os que apoiam a medida são bem mais do que os que a criticam (ao menos isso!), mas é uma triste amostra das mentes retrógradas e iletradas que ainda existem no nosso país. Enfim...
Mas não quero saber, estou feliz na mesma! Mesmo que sejam sítios onde a tourada já não era popular (como alguém apontou), é um princípio. Pode ser que o resto do país o vá seguindo. A esperança é a última a morrer.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

I'M just not that into THIS FILM

Uma desilusão... Pensei que este filme* fosse engraçado, para lá das piadas, que conseguisse captar um pouco o que torna as relações entre as pessoas tão difíceis, e como as pessoas são diferentes. Mas não. Não é engraçado - nem num sentido nem no outro. Não me ri, nem sequer sorri, até metade do filme. O meu pobre mariduncho contorcia-se na cadeira e suspirava. E não achei que as personagens representassem ninguém - se bem que algumas partes me lembrassem certos episódios da adolescência com algumas amigas - o que, por si só, também não é nada abonatório para personagens que deveriam ter, há muito, saído da adolescência.
Não gosto de comentar filmes, acho que o gosto de cada um é extremamente pessoal, soma de experiências, de acontecimentos, expectativas e sei lá o que mais. Por isto, cada um gosta do que gosta, e não me venham com conversas típicas dos críticos de cinema. Estou a escrever sobre este em específico porque me desapontou e não estava à espera. E, mais do que querer dizer a quem ler este post "não vás vê-lo, não vale um chavo", espero tão-somente transmitir a minha desilusão. Se forem ver e gostarem, melhor - não sentem que acabaram de desperdiçar €7.
* para quem ainda não percebeu, o filme é o He's just not that into you (não me apeteceu procurar o título em português)

sábado, 25 de abril de 2009

25 de Abril


Mesmo à distância. Apesar de tudo. Mais que não seja, pela LIBERDADE.*
* depois de ler isto, já não tenho tantas certezas, mas...