sexta-feira, 3 de julho de 2009

Definitivamente, não!

Eu sei que Portugal tem defeitos. Que a política em Portugal é do mais baixo nível que há. Que os políticos então... bradam aos céus. Que as próprias pessoas, muitas vezes, têm atitudes que me revoltam. Mas deixar de ser portuguesa? Não, isso é que não! Posso estar cá longe, posso até nem voltar (espero que não), mas serei sempre portuguesa. Parece, no entanto, que há quem não se sinta assim.
P.S.1 - descaradamente copiado do cantinho da Pitucha.
P.S.2 - ressalvando que tudo o que sei da história é o que li na notícia; que as notícias valem o que valem...; que ainda por cima não há nada gravado... Não posso deixar de achar que a frase "o convite feito pelas autoridades brasileiras terá sido muito sedutor" soa muito a "quem dá mais, quem dá mais?", não soa? E eu a pensar que eram só os jogadores de futebol sem lugar na selecção que faziam isto...

(...)

Se uma pessoa está no estrangeiro, tudo e todos são alheios à nossa pessoa, maneira de ser e estar, vida e história pessoal. Não há amigos e poucos são os conhecidos, não há mãe nem avós, não há primos nem sobrinhos, até os sogros fazem falta (coitados dos sogros, são óptimas pessoas e eu gosto muito deles, para que conste). Não há companhia para ir às compras, para um passeio à beira rio ao pôr-do-sol, para um cinema depois do jantar ou mesmo para um almoço delimitado pela sempre curta hora de almoço de um emprego.

Eis senão quando tudo muda. Por uns quantos dias (sempre curtos, não importa quantos sejam) temos visitas. Nunca ninguém há-de compreender o bem que sabem as visitas melhor do que os emigrados. Durante aqueles dias vamos ter com quem falar a nossa língua (não é que eu não tenha o mariduncho para falar, mas qualquer pessoa que o conheça sabe que não é essa a sua melhor faceta...) até que a voz nos falte, vamos ter quem passear pelas ruas que já nos são familiares, mas que ainda provocam o espanto nos outros, vamos aproveitar os saldos e mostrar, além de todos os locais turísticos da praxe, as pequenas coisas que só quem cá vive já descobriu, experimentou e provou.

Pois é, aqui a Golden vai ter visitas... a minha querida amiga S. vem cá, acompanhada de outra amiga, durante 4 diazinhos! Vão ser 4 dias de bolhas nos pés (Sr. S. Pedro, um pouco menos de calor ajudava, agora chuva é que não, mas só se não for muito incómodo, veja lá, não se sinta pressionado) muito passeio e corte-e-costura. É já de hoje a 8... Mal posso esperar!! Estou tão contente... :)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Foi para dias como o de hoje...

... que a Coffee Company inventou o Frozen Cappuccino!


Dank je wel!

Mudanças no estilo de vida de uma pessoa

Aí em Portugal, quando ia à compras (e, a bem dizer, a qualquer outro lado), levava isto:




Aqui nas Holandas, quando vou às compras... Levo isto:



P.S. - digam lá que o cor-de-rosa às bóuinhas não é estiloso?!?

terça-feira, 30 de junho de 2009

Os sogros em Amsterdão

Os meus sogros vieram visitar Amsterdão há uns aninhos, num fim-de-semana prolongado. A minha sogra, mulher viajada, até já conhecia depois de trabalhar uns tempos em Bruxelas e aproveitar para visitar algumas coisinhas à volta. O sogro não. Cinquentões prá-frentex (há quanto tempo não "ouviam" esta pérola do português dos anos 80?) que são, compraram bilhetes online, marcaram o hotel no booking (depois de se aconselharem com o mariduncho, que já cá vinha a trabalho regularmente) e andaram na net a pesquisar o que fazer, o que visitar, mapas e o diabo a sete. Isto além dos conselhos de n pessoas que já cá tinham vindo, claro está. Turistas muito bem informados, meteram-se no avião e para cá vieram. Como não seria de esperar outra coisa, choveu-lhes em cima boa parte do tempo, pelo que resolveram tomar um cafézinho para aquecer e esperar que a chuva amainasse. E que sítio nesta cidade pode ser mais aconselhável para beber um café do que uma Coffee Shop?!? Pronto, o cheiro era um bocado estranho. E a decoração completamente psicadélica, num exagero de cores. Sim, não havia muita gente lá dentro... e os que estavam nem bebiam cafés. Mas nada disto demoveu os sogros! 'Bora lá tomar café na Coffe Shop, decidiram, e fizeram. Diz que o café não prestava...*
* há que dizer que os sogros são os primeiros a rir da sua própria idiotice... ora lá alguém ouviu Amsterdão ser associada a lojas que vendem cigarros "especiais"? Ninguém, pois não? Ah, e não quero deixar os créditos por mãos alheias... Esta pérola da história familiar estava bem escondida nas traseiras da minha memória até ser catapultada para o spotlight ao ler esta outra história - gente muito bem informada, também, não haja dúvidas!

Limpezas


Quem inventou o conceito "limpezas" deve esconder-se, calar-se bem caladinho e desaparecer do mapa para um lugar bem longe. É que se eu descubro quem foi o idiota que se lembrou de semelhante coisa sou capaz de o processar. Magoar. Violentar. Matar, talvez. Aaaargh! Odeio limpezas!
P.S. - mas quem é que põe aquele sorriso perante um espanador e um aspirador?!? Será loucura? Bem, se calhar já acabou...

sábado, 27 de junho de 2009

Decidiram-se, finalmente!

Aleluia, temos eleições marcadas! E não, não estou delirante por ir votar, até porque ainda nem me desloquei ao consulado (em Roterdão) para dizer que estou por cá... se bem que já estou com a consciência a ficar pesada, pois apesar de descontente com a nossa democracia, tenho imenso respeito por quem se esforçou por a conseguir, nem quero pensar no que seria voltar a uma ditadura e, principalmente, continuo sem ver nenhuma outra opção melhor - e democracia sem votos não é democracia. Vamos ver, pode ser que ainda vá a Roterdão passear para a semana. A minha satisfação prende-se com o facto de, finalmente, poder marcar a nova visita da minha mãezocas e do meu avô - que há-de vir celebrar os seus 89 aninhos a Amsterdão! :) E, se estão a perguntar-se (só porque não o conhecem) qual é a importância da data das eleições, eu explico. O velhote, apesar da provecta idade, não dispensa o acto eleitoral - e não só vota religiosamente nos seus camaradas de sempre como passa os Domingos de votos nas mesas da sua freguesia... Agora é delegado e (disse-me aquando das europeias) tem de controlar tudo para não haver fraudes e, no final, fazer um relatório com tudo (tudinho!) o que se passou. Já disse aqui que tenho um orgulho do tamanho do mundo do meu velhote? Pois tenho.

Eu e o holandês

De vez em quando vou à mercearia portuguesa buscar qualquer ingrediente mais português que não trouxe, bem guardado no meio das peúgas e soutiens, da última visita a Portugal. Sim, que mesmo no estrangeiro a comidinha cá em casa é portuguesíssima, que essa de pôr molhanga de maionese em cima de tudo e quase não comer peixe não dá para mim. Hoje lá fomos buscar um pacote de batata-palha para fazer um bacalhau à Brás (ou é à Gomes de Sá? Troco sempre os dois...) para o almoço*. Os donos são portugueses, obviamente, e o filho, de uns 20 e poucos anos, se não nasceu cá já cá vive há bastante tempo, pois fala um holandês fluente além de um português irrepreensível. Mas a falar português tem um tique de holandês... Está sempre a dizer "faz favor", a tradução de alstublief, palavra holandesa que os nativos repetem insistentemente e que tem vários usos, como "se faz favor" ou "de nada", e mais uns quantos que ainda não consegui entender. Ele disse-nos "faz favor" 2 ou 3 vezes em alturas que nenhum português o faria... mas um holandês sim! Estou tão orgulhosa... afinal já percebo qualquer coisinha de holandês, até identifico tiques de quem é bilingue!! :)
* não, ainda não mandei a dieta dar uma curva, esta é apenas a refeição semanal em que a desrespeito... mas vontade não me falta, sinto tanta falta de arroz e esparguete! :(

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Dúvidas existenciais

O que fará uma pessoa admirada, invejada, idolatrada, achar-se inferior? Alguém que tem tudo sentir que nada do que tem é suficiente? Uma pessoa bela achar-se feia, imperfeita? Uma pessoa magra achar-se gorda? Quem é rico achar que precisa (sempre) de mais dinheiro? Que mecanismo perverso no nosso cérebro conseguirá distorcer tanto a verdade? Será fisiológico ou psicológico? Uma mistura dos dois? Não faltam exemplos. Mas faltam explicações.
A linha entre a sanidade e a loucura (seja lá o que isso for) sempre foi, é e será esticada, puxada, torcida por gente de todo o mundo. Os nossos olhos não vêem o que está à nossa frente, mas aquilo que o cérebro processou por eles. Por isso é que o que uma pessoa acha belo é feio aos olhos de outro. O mesmo com os restantes sentidos. Por isso existem diferentes gostos musicais. Diferentes paladares. Diferentes sensibilidades ao cheiro. Por isso devemos ser compreensivos com os outros e, principalmente, com nós próprios. Entre o preto e o branco há uma infinidade de cinzentos, todos ligeiramente diferentes uns dos outros. Porque será que algumas pessoas acham o seu tom o melhor do mundo e outras não se conformam com a tonalidade que lhes calhou em sorte? Todos temos a nossa tonalidade própria, única, que será agradável aos olhos de uns, indeferente para outros e intolerável para outros ainda. O nosso tom não é lindo nem feio, perfeito nem imperfeito. É, essencialmente, único. E, sendo o nosso, convém que saibamos conviver com ele.
Só nunca ninguém disse que era fácil.

Michael

Isto de viver num sítio onde não se percebe nada do que os outros dizem é no que dá. Só soube esta manhã. Michael Jackson morreu. Não era fã, lembro-me vagamente do videoclip do Thriller, melhor da música Black or White (achava piada reconhecer as duas palavras no meio do resto da algaraviada que era para mim o inglês). Nada mais. Mas não deixa de me chocar, até porque tudo o que se soube da sua vida só mostra que era uma pessoa à procura de si próprio, e que apesar de ter tido tanto, nunca nada lhe bastou. Talvez tenha ido para a Terra do Nunca.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

?

Se calhar sou eu que sou limitada... mas é possível adquirir em Portugal bens que não sejam de consumo?

Más ideias (a não repetir)

Ir andar de bicicleta com o cabelo húmido do duche sem tomar a mínima precaução - nete caso, apanhá-lo com um elástico. E depois, não o escovar. Dormir de seguida. E, aí sim, pegar na escova. Ouch!
Se houver erros, perdoem-me, que ainda vejo as letras a bailar num mar de lágrimas por cair.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Como?

Como é que alguém que não tem nada para fazer não consegue arranjar tempo para vir escrever um mísero post antes das 20h46??

terça-feira, 23 de junho de 2009

Já que em Lisboa até me choveu em cima... hoje fui para o parque apanhar sol tipo lagartixa. Ahhhhhhh..... :)

Obrigada, muito obrigada!

Afinal não havia ninguém com o meu NIB equivocado! Nadie, nobody, niemand, n-i-n-g-u-é-m! Já recebi um e-mail, já conferi o saldo da conta e o dinheirito já cá canta! Ai, tenho de pensar quantas camisolinhas da Zara e afins vou poder comprar... :)
Mental note to self: não confiar nos números impressos a tinta nos cartões MB já usados.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Os dias mais longos

Amanhã e depois vão ser (em números redondos) os dias mais longos do ano aqui em Amsterdão, com o sol a nascer às 5h20 e a pôr-se às 22h07. Ora eu durmo mal e pouco. Falo de noite. Mexo-me tanto que já pus um olho negro ao mariduncho e acordei virada para os pés da cama toda enfiada por baixo do lençol de baixo (daqueles com elástico, ainda por cima, estão a ver?). Raramente durmo mais de 8h, mesmo que esteja estafada, mesmo que me tenha deitado de madrugada, mesmo que não tenha nada para fazer. E se há duas coisas que não me deixam dormir são o barulho e a luz - tenho uma venda para os olhos e tampões para os ouvidos que levo religiosamente cada vez que durmo fora de casa. Mas em casa não me dá jeito dormir com uma coisa sobre os olhos e outras duas que me impedem de ouvir quase tudo. O meu quê de medrosa lembra-se logo de todas as coisas más que podem acontecer sem eu ouvir por causa do raio das borrachinhas. Mas, sem venda, o cortinado da minha casa parece um quadro negro gigantesco iluminado por raios divinos (daqueles que aparecem nas pinturas religiosas, a furar autênticos montes de nuvens) às 5h30 da matina! Ou seja, há mais de um mês que estou a pé, já a preparar o pequeno-almoço, às 7h. Ora, se ainda fosse trabalhar... mas não vou! Ah, claro, daqui a uns meses, quando voltar a estar noite cerrada antes das 18h, volto a queixar-me, ok? Mas aí é porque às 5 da tarde já é quase noite, está um frio de rachar e não há nada para fazer na rua sem ser ir aos bares. Golden sofre...

sábado, 20 de junho de 2009

Tudo o que podemos fazer trocando um C por um T ou um D

Eu tenho uma capacidade muito limitada de compreender o holandês. Um dos problemas é perceber os nomes quando me apresentam a alguém. Mas, verdade seja dita, eles também não ajudam! No primeiro curso de espanhol que tirei aqui na Holanda tinha um colega chamado Con. Ao fim de umas quantas aulas percebi finalmente o seu nome - vi-o escrito. Agora, no outro curso, tenho outro colega, este chamado Ton. Logo na primeira aula, felizmente, a professora fez passar uma folha para escrevermos os nossos contacto e eu fui a última... Se não acabava a chamar-lhe Con, como ao outro. Na última aula, descobrimos que o marido de outra colega se chama... Don. A prof, espanhola, tão dura de ouvido do que eu, disse, verbalizando os meus pensamentos "Ah, como Ton!", apontando para o nosso colega. Lá fomos corrigidas, "No, con una 'd', Don". Bem, pelo menos são fáceis de dizer - nada como Jerome, nome de um colega do mariduncho, a quem ele jura já ter ouvido chamar rreruume, jeruume e xeruume, e que ainda por cima é um nome muito comum. Mas Con, Ton e Don... que falta de originalidade!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ai, eu

Arrombam-me o carro. Levam-me a carteira com todos os cartões do banco (ãh, dito assim até parece que são muitos...) e parte dos códigos do netbanking. Logicamente, cancelei tudo. Já tenho tudo tratado, menos o netbanking. Há dias precisei do meu NIB português por causa de um pagamento. Não tendo netbanking, lembrei-me de ver o NIB nas costas do cartão de débito, por acaso está lá escrito. E lá mandei os números por e-mail. Avisaram-me que a transferência já tinha sido feita. Cravei os dados de acesso ao netbanking da minha mãe (um rasgo de inteligência) e como ela é 2ª titular da minha conta lá fui ver da guita. Não estava lá. No dia seguinte, voltei a confirmar. Nada. Comecei a temer o pior. Já que agora já tinha os acessos da minha mãe, fui confirmar o NIB. 20 números confirmados depois, já suspirava de alívio quando olhei para o 21º - estava errado! O último dígito do NIB, um 8, tinha-se transformado num 6 perfeitinho devido ao uso do cartão. Ataque de stress. Bebi meio litro de água para acalmar e liguei para o banco. Um rapazinho super-simpático atendeu-me e depois de ouvir a minha never ending story (sim, eu não admito estes erros idiotas sem me explicar bem) explicou-me tudo tintim por tintim. Se o NIB errado não pertencer a ninguém, estou safa, a transferência não é feita. Se pertencer a outra pessoa é que a porca torce o rabo... A pessoa / empresa que fez a transferência é que tem de contactar o seu banco, avisar que o NIB está errado e o banco tem de entrar em contacto com o dono da conta para onde foi o dinheiro para pedir autorização para retirarem o dinheiro! Se não houver autorização, chapéu, só indo a tribunal... Ou seja, ou a transferência é rejeitada e faço figura de parva perante a empresa, ou o NIB existe e tenho que lhes dizer que não é meu e que têm de ter o trabalho de ligar para o banco, fazendo também figura de parva e ainda por cima dando-lhes um trabalhão extra - para piorar as coisas é o primeiro trabalho que faço para eles, que mau aspecto... E corro ainda o risco final de ficar a arder porque não vou meter ninguém em tribunal por 100€!! Ai, eu. Esperam-se desenvolvimentos.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Será piada do dia ou frase do dia?

Handle every stressful situation like a dog:
If you can't eat it or hump it,
piss on it and walk away

Saudades

Ir a Portugal também é triste. Porque chegamos a casa e já não encontramos esta loura linda. Ainda não consigo deixar de esperar que ponha a cabecita pela porta da cozinha, atraída pelo som da porta do frigorífico, associado num perfeito efeito Pavlov a uma deliciosa fatia de fiambre.