Hoje tomei banho de manhã bem cedinho, ainda com os olhos a recusarem lidar com as fortes luzes que iluminam a minha casa-de-banho. A questão é que, a meio do banho, muito concentrada a tentar lavar o cabelo e massajar o couro cabeludo ao mesmo tempo, como fazem maravilhosamente no meu cabeleireiro, noto que se solta um cabelito... Puxo-o diligentemente (odeio cabelos colados ao corpo, blergh!) e, qual não é o meu espanto, conforme vai saindo da massa de milhentos cabelos castanhos, o cabelo deixa de ser escuro e passa a... branco???? B-r-a-n-c-o? Pronto, aí abri os olhos de vez, mas agora não eram os olhos que se recusavam a ver, era o meu cérebro que se recusava a processar aquela informação.
Primeiro, entrei em denial. Desde a nascença tenho um cabelo branco no meio de uma generosa cabeleira castanha escura. Este cabelito, que o meu pediatra dizia ser como um sinal, mas em forma de pêlo, tem uma resiliência digna de um gato. Volta sempre a nascer, apesar das muitas vezes que foi arrancado com ganas por simpáticas criancinhas ou adultos excessivamente curiosos. Ou seja, esta manhã pensei que o dito cabelo seria este sinal de nascença. A fase denial não durou muito. É que este cabelo era só branco até meio, e não totalmente branco como o do sinal, algo que eu comprovei nas "n" vezes em que foi impiedosamente arrancado. Passei assim para a fase inventive. Ora, tinha-me caído um cabelo que, por algum mal estranho, estava branco do meio até à ponta. Quem sabe, uma gota de descolorante da companheira do lado no cabeleireiro tinha, por engano, salpicado para o meu cabelo, caído sobre aquele fio em especial e descolorado o pobre até à ponta? Ao crescer, nascia escuro, mas a parte horrorosamente descolorada ainda não tinha sido cortada. Boa? Esta teoria, apesar de boa, infelizmente também não resistiu muito, submersa pela realidade. A parte que estava branca não era a ponta, mas a que trazia agarrada aquela bolinha a que nós chamamos raíz e que no CSI serve para apanhar tantos e tantos bandidos com problemas de queda de cabelo! Recapitulando: a ponta era escura, a raíz, branca. Ponta, escura; raíz, branca. NÃOOOOOOO! A realidade caiu-me em cima como uma bomba. Aquele meu cabelinho tinha nascido, há sabe-se lá quanto tempo, castanhinho como manda nosso senhor (sim, ele não gosta de cabelos brancos, que eu sei) e a meio do seu percurso tornou-se... tornou-se.... branco! Snifff! Que horror! Estou a ficar com cabelos brancos!
Saí rapidamente do duche, completamente esquecidas as massagens ao couro cabeludo, enxuguei a trunfa com a toalha e toca de lhe dar com o secador até estar sequinho. E vá de procurar. Procurei em cima, junto às raízes, e madeixa a madeixa, do lado direito, do lado esquerdo, o mais atrás que me foi possível (não queria partir o pescoço, mas de um torcicolo já ninguém me livra), com a ajuda de um pente, em frente ao espelho. Parecia uma macaquinha, a catar-me a mim própria, mas o que parece certo é que, iuppii!, não achei mais nenhum cabelo descolorado. Nem o de nascença! Com um bocado de sorte aquele fio de cabelo foi um engano, uma experiência a ser retomada daqui a cerca de uma década, quem sabe nem sequer era meu, e afinal eu não estou ainda a ficar com cabelos bancos.
Ah, mas claro que, pelo sim pelo não, já apresentei uma reclamação a quem de direito: a minha mãe, quem havia de ser? Ora se tenho o cabelo igual ao dela, e ela só teve os primeiros brancos aos 40 e tal, teve que fazer alguma coisa mal quando me preparou a mim!!! E tenho dito.