domingo, 24 de maio de 2009

Passeios de fim-de-semana

Está bom tempo na Holanda! Sim, acima dos 20ºC e com sol! Para português, está bom para passear, mas para holandês já está bom para a praia - ou qualquer coisa que se assemelhe a isso, tipo relvado à beira do IJsselmeer. Ainda não foi desta que fui ver a maravilha da engenharia que separou este "mar" do oceano, mas está na minha to-do list enquanto estiver por aqui...

Desde pequena que tenho um fascínio e adoração por estes edifícios. Quando era pequena descobri - ou, mais provavelmente, a minha mãe apontou-me - um antigo moinho de vento que se avista da via rápida da Costa da Caparica. Religiosamente, esforçava-me por o ver todos os dias - está bem ao longe e apenas é visível durante uns segundos - e ficou conhecido como "o moinho velho". Se, na altura, já era "velho", agora pouco mais é do que uma ruína, se é que não foi abaixo desde a última vez que me lembrei de procurar por esta recordação de infância. Por cá estão todos bem conservados (os que sobram, pois apesar de continuar a haver muitos, muitos mais foram destruídos), como se vê, e todos são obrigados a funcionar uma vez por semana, para não se deteriorarem.

Ora digam lá se não é uma praia de fazer inveja a muitas portuguesas?!? A areia é branquinha e fininha como a da Costa (diminutivos = amor profundo) e a praia é enorme, há areal a perder de vista. O problem é mesmo o mar. Aqui não parece, mas a água não é transparente e azul, e sim baça e amarelada - já me disseram que é por causa de uma alga qualquer, mas em abono da verdade tem mais semelhanças com o Tejo do que com o Atlântico...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Sobre a fé e a ignorância

Pegando no feriado de ontem e no filme Angels and Demons, do livro homónimo de Dan Brown (o filme, sendo um normal filme de acção e aventura pareceu-me muito mais bem conseguido do que O Código da Vinci), as questões religiosas ficaram-me na cabeça. Eu não sou religiosa, nem crente, de espécie nenhuma. Se, por um lado, ninguém fez questão de me educar na igreja, por outro, sempre nutri uma profunda desconfiança e um pouco de raiva pela igreja. Passo a explicar. A única católica praticante no meu agregado familiar alargado era a minha avó materna que costumava levar-me, em pequena, à missa. No final (penso eu) da missa o padre distribuía a hóstia. Eu, que sempre fui gulosa e dada à experimentação, queria por força maior provar o que toda a gente ia buscar - menos eu (e a minha avó, por solidariedade). E não me deixavam, explicavam-me, porque eu não era baptizada. Eu não gostei. E não me esqueci. Mais tarde, foi o fascínio pelos escuteiros - as tendas, as aventuras dos sobrinhos do Pato Donald, um monte de amigos novos... Novamente, não podes, não és baptizada. Aqui, mais crescidinha, deram-me a escolher. "Queres ser baptizada, na igreja, para poderes ir aos escuteiros?", perguntaram-me. Depois de várias explicações sobre o baptismo e a igreja a minha resposta foi rápida - não. Nada daquilo fazia sentido para mim, a menina mimada da família, que achava que não era justo ter de ser baptizada e ir à igreja aturar uma data de coisas que me pareciam altamente entediantes para pertencer a um grupo de crianças cujo interesse principal era a brincadeira e diversão. E ainda me lembrava da questão da hóstia. Conforme fui crescendo, a descrença na existência de um ser maior que olha por nós foi ficando cada vez mais firme por força das circunstâncias e as atidudes e opiniões do representantes da igreja cada vez me pareciam menos de acordo com o que eu achava que uma igreja deveria pregar. A soma de tudo isto resulta numa pessoa que não consegue acreditar num ser superior (por vezes com pena, pois sinto o alívio e conforto que muitas vezes advém dessa crença) e que nutre uma profunda desconfiança e, até, repulsa pela instituição igreja católica.
O Angels and Demons relembrou-me o fanatismo e a psicologia das massas que sinto na igreja. A falta de informação sobre o dia da Ascensão em pessoas educadas e criadas na igreja, com baptismo e aulas de catecismo despertou em mim a ideia de que a igreja prefere manter os seus na ignorância. E que alguém, ou alguma instituição, prefira manter os seus membros na ignorância é algo que me espanta, principalmente nos dias que correm. Quem prefere a ignorância ao esclarecimento tem medo do último porque tem algo a esconder. Eu não me esqueço que uma querida amiga, crente, católica, catecista, me disse certa vez que a história de David e Golias não era bíblica. E que outra, uma senhora já com muitas décadas de igreja nas costas, não acreditou quando lhe disse que o deus da igreja católica é o mesmo do judaísmo e do islamismo - só divergem na questão de quem foi o último profeta. Não sabia (nem ficou a acreditar, como se fosse algo em dúvida) que o antigo testamento corresponde ao livro sagrado dos judeus. Tudo isto fica na minha cabeça, dá-me que pensar, e cada vez me causa mais espanto. Espanta-me e choca-me que alguém diga pertencer a uma organização e não saiba quase nada sobre ela. Eu até compreendo que continuem a dizer-se católicos os que não seguem todas as directivas do Papa, como nas questões do aborto, do uso dos preservativos, da eutanásia ou outras - creio que esta escolha é o que separa um crente de um fanático - mas não percebo como se podem identificar com uma instituição e com uma doutrina sobre as quais têm um conhecimento que não vai além do superficial. O ritual da missa. O gosto pelo casamento religioso e pelo baptizado. Como é que a crença em deus, algo tão profundo, pode ser misturada, confundida, com estas superficialidades? É que dizermo-nos crentes em deus é muito diferente de nos dizermos católicos, budistas ou qualquer outra coisa. E, pela minha experiência, muita gente confunde as duas coisas.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Feriado? Ascensão? Espiga? What?

Amén à Wikipédia! Finalmente - depois de uma exaustiva procura - descobri por que carga de água é hoje feriado nestes lados do mundo onde me foi dado viver! É um feriado cristão que celebra, 40 dias após a Páscoa, a Ascensão de Jesus ao céu. Ou seja, foi crucificado, morreu, ressuscitou e depois ascendeu aos céus. Complicado? Parece que sim... É que perguntei a holandeses... e nada. Que fixe, é feriado, mas porquê... who cares? Perguntei a portugueses... ah e tal, é 5ª feira de espiga, mas o que é isso da espiga para a igreja, ah pois, não sei. Não é que seja importante... mas eu gosto de saber estas coisas! Agora, esclarecida, até vou dormir melhor.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Da mesquinhez

Criticar alguém apenas para que outros ouçam.
Proclamar que se faz uma coisa fazendo o exacto oposto pela calada.
Fingir amizade para utilizar a informação obtida contra o "amigo".
Aproveitar posições de superioridade para abusar dos outros.
Descobrir fragilidades e usá-las pública e repetidamente para desmoralizar o outro.
Será esta a nova forma de trabalhar? Alguém acerditará que é esta a forma de se progredir na carreira? Como chegam a cargos de chefia pessoas que usaram esta estratégia para singrar no trabalho? Como podem ser tão inseguros que, mesmo quando chegaram lá e estão bem instalados, continuam a usar a mesma estratégia, desta vez contra pessoas que não estão, de forma nenhuma, a competir com eles?
Pergunto-me o que lhes terão feito na vida para transformar estas pessoas em semelhantes seres. Tenho pena, porque para se ser assim deve ser necessário ter uma alma muito pequenina e ter tido uma vida muito má. E tenho ainda mais pena porque esta maldade e as suas consequências são coisas de que muito dificilmente se livra quem as tem.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Tenho um segredo

Tenho um segredo, bem guardado, bem escondido, mas não resisti a vir pô-lo aqui... Até porque quem não pode saber não vem cá!! É um segredo bom, pela surpresa que vai ser quando deixar de ser segredo, mas é mau, porque está a custar-me horrores mantê-lo. Há uma diabinha que me incentiva e sussurra ao meu ouvido "é um segredo bom, vale a pena guardá-lo, vá, não digas nada... Vais ver que bom que vai ser quando o segredo sair da caixa!" O busílis da questão é mesmo manter o segredo dentro da caixa, morder a língua, não me descair, manter a mentira intacta, não cometer deslizes e concentrar-me na altura em que finalmente vou poder revelar, aos sete ventos, este segredo. E que bom que vai ser!

Gostos não se discutem

Um povo que come peixe cru com pickles e batatas fritas ao lanche acha que Nestum de mel é nojento... Se não tivesse sido testemunha da conversa não acreditava!!!

domingo, 17 de maio de 2009

Como alguns amigos nos levam à loucura ou como a burrice informática é mais que muita

Pois é, há uns dias apercebi-me que as páginas da web começaram a abrir com uma letra muito pequena, diria microscópica. Queixei-me, insultei a máquina, tremi perante a possibilidade de o pobre Vaio ficar a falar holandês para todo sempre. Pois.
Como sempre, a máquina tem razão e o erro foi meu. Aparentemente, se carregarmos no ctrl e mexermos simultaneamente na rodelinha do rato o tamanho da letra dos sites aumenta ou diminui - ou seja, os dias de pitosguice resultaram de uma tentativa frustrada de usar os atalhos do teclado... Valha-nos o mariduncho que lá vai sabendo alguma coisa útil!*
* isto diz-se baixinho, não queremos ninguém vaidoso...

Segredos de modelo

Ouvi no outro dia a Giselle Bundchen a dizer que tinha o vestido (um daqueles com um decote quase até ao umbigo que, usados por certas pessoas e em certas ocasiões, são do mais espectacular que há) preso com fita-cola para as alças (à falta de melhor nome) que cobrem os seios não resvalarem para posições... inadequadas. Eu já tinha perguntado aos meus botões como era possível usarem certas roupas sem ficarem nuas com uma rabanada de vento; afinal o segredo é a fita gomada!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

World Press Photo 2009


O World Press Photo está em Amsterdão. Esta foi a imagem vencedora. O meu primeiro pensamento foi "O que tem esta foto de especial? Mais uma cena de guerra..." Ao que parece, sou um exemplo vivo do que o júri do concurso quis que acontecesse.
Esta parece uma foto tirada num local de conflito, onde as casas estão destruídas, onde as pessoas andam de armas em punho com medo que, de um qualquer canto, salte um inimigo. Na realidade esta foto foi tirada nos EUA, mais concretamente em Cleveland, e conta a história de uma casa devastada não pela guerra, mas pela crise do crédito. Os donos deixaram de a poder pagar, foram despejados e a polícia tem de verificar se a casa está realmente vazia, se não há armas, se um sem-abrigo não a ocupou... de arma em punho.
"It looks like a classic conflict photograph". "You have to go into it to find out what it (really) is." "We need a new language, to learn how to illustrate our lives." São palavras do júri do concurso, eu não as conseguia escrever mais tocantes. Depois de achar a foto insípida, a mensagem por trás dela acertou-me como um murro no estômago.*
* imagem e citações retiradas do site do World Press Photo.

Segurem-me,

que estou com umas ganas de mandar o telemóvel ao canal que nem vos conto! É que só não vai dar umas braçadas porque sou pobre e muito agarradinha e não me apetece gastar dinheiro num substituto que, odds are, será ainda pior.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A prova cabal da minha idiotice

Acreditar que uma dieta de emagrecimento vai funcionar quando uma das suas especificações é comer chocolate duas vezes ao dia!

Sobre as coisas onde enfiamos os pés

Andei por aí (já se sabe que sou uma pessoa extremamente ocupada...) a passear por outros blogs e dei com um que, além de engraçado na escrita tem umas quantas fotos artísticas de sapatos, botas e, principalmente, sandálias. Ainda ontem ouvi um holandês atirar ao ar o suposto fascínio das mulheres por sapatos. É verdade, afecta muitas. A mim afecta-me mais (ou, diria mesmo, apenas) no Verão, quando há formas infinitas de pôr o dedão do pé a arejar.
Efectivamente, o sapato de Inverno e a bota não têm o mesmo apelo. São formais, são chatinhos, pouco coloridos e muitas vezes pouco confortáveis para a pobre parte do nosso corpo que tem de levar connosco em cima todo o dia (já sei, o rabiosque sofre o mesmo mal, mas pelo menos o tecido onde o enfiam costuma ser mais macio). Ah, e o calçado de Inverno pode, ainda, ser pura e simplesmente... feio. É o caso das horríveis botas tipo pata de mamute chamadas uggs. Admito que sejam confortáveis (costumo usar em casa umas pantufas que trago da Serra da Estrela que são iguaizinhas, só não têm cano, e são óptimas) e quentinhas (o que, pelo menos aqui, dá bastante jeito) mas, convenhamos, parecem moda do tempo da pedra lascada - literalmente! E, o pior de tudo, é que por cá, ao passo que algumas já se arriscam a perder um dedinho congelado com a bela sandaleca, muitas continuam a abusar da perna de mamute. Minhas amigas, estão 16º/17ºC de temperatura máxima, não havia necessidade! Nem quero imaginar quando tiram os pés de lá de dentro...
Voltando à bela sandália, há uma pequena coisinha que muita gente faz e que também me causa, assim, alguma impressão... Que é, basicamente, andar com os dedinhos de fora da sandália, ou seja, fora dos limites da sua sola, assentando-os directamente no chão. Ora, o chão não é algo muito lavado, nem higiénico. Tem pastilhas elásticas. Muitas vezes está bem semeado de presentes deixados pelos nojentos donos do melhor amigo do homem. E sabe-se lá mais o quê. E há quem arrisque assentar o seu belo dedo numa destas nhanhices! Há duas formas de evitar este problema. Não (não!) comprar sandálias um tamanho abaixo. E, ainda na sapataria, antes de passar o belo dinheiro para o lado de lá do balcão, calçar ambas as sandálias e andar, tipo ursa em jaula, para trás e para diante, reparando bem se o pé vai deslizando para a frente com o andar. Se, mesmo assim, forem enganadas - já me aconteceu - há sempre a solução radical... deitem-nas fora!
P.S. - sorry pela idiotice, já sei que nada disto tem o mais pequeno interesse, mas é que estou farta dos ténis de Inverno, feita idiota deixei todas as minhas sabrinas em Portugal e já me apetecia usar uma sandaleca bem destapada mas por aqui nada ajuda - não há dinheiro, não há bom tempo, não há disposição, não há nada excepto o desejo de dar ar ao dedo do pé grande...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Como alguns amigos nos levam à loucura

Tenho um amiguinho que, de quando em vez, me prega umas partidas... Que coisa mais teimosa e dissimulada. Num momento tudo está bem, no seguinte, sem motivo aparente, entra em crise, bloqueia, rejeita qualquer interferência da minha parte e faz coisas tão idiotas como começar a multiplicar-se ou alterar a sua fisionomia! E não vale a pena tentar o diálogo, porque recusa-se terminantemente a ouvir-me, não responde a nenhuma das minhas pressões e acaba por obrigar-me a levá-lo ao médico para ver se um bom tratamento de choque resolve os chiliques! O problema é que os médicos aqui só falam holandês ou inglês e o pobre está programado em português... raio do Vaio! A última crise resultou numa diminuição absurda do tamanho da letra das páginas web que abro. Abri uma notícia e não consegui ler uma palavrinha que fosse, em vez de palavras parecia que o DN, num rasgo de inspiração artística, tinha tirado uma foto a uma família de formigas liliputianas muito bem alinhadas e apresentado o resultado como uma notícia qualquer sobre um dos últimos nazis a serem levados à justiça. E agora? Alguém me ajuda? Ou tenho mesmo de o levar ao doutor e arriscar-me a vir de lá com um computador que só fala neerlandês?!?

terça-feira, 12 de maio de 2009

A doença

Não há nada mais injusto que a doença. É algo que não se planeia, não se provoca e não se controla. Que cai do céu aos trambolhões para nos esmagar, mas que vem directamente do quinto dos infernos. Ainda pior quando nada a anuncia, num momento tudo está bem e no outro lá está ela, bem instalada, de pés firmes e raízes bem fundas. Aí, confrotável, começa a contaminar os outros, os que estão próximos, minando-os não através de um vírus ou bactéria, mas através do medo. Medo do presente e do futuro, principalmente quando há tanto futuro ainda por acontecer. Quando quem está doente ainda não saiu dos teens.
Quando quem está doente não quer admiti-lo... como se convence?
Quando um filho está doente, como é que se diz a uma mãe que não se preocupe ?
E a um irmão mais velho?

Bimbo-master


Porquê? Mas porque é que há gente com tanto mau gosto? E, o que é pior, bom dinheiro tão mal gasto - já repararam nos estofos em pele laranja igual à carroçaria?! E, infelizmente, aqui só dá para reproduzir a imagem porque o conjunto só estaria completo se conseguissem ouvir o tum-tum-tum que fazia estremecer os vidros duplos da minha casa! O bimbo ficou a sorrir quando me viu na janela a tirar esta foto... Cruzes, será que achou que a visão me agradou?!?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Me, myself and I (nr. 2)

Já se via bem o cú com que ia ficar...



Oh!


"Mas naquele dia vestiram-te de preservativo?" (comentário do mariduncho, anda tão engraçado ultimamente, ah-ah-ah...)


Acordar nem sempre (ou nunca) põe uma pessoa bem-disposta!Também tinha os meus maus momentos...


... mas de curta duração!!!

domingo, 10 de maio de 2009

Me, myself and I

Como dizia noutro post, a vida é longa e as memórias perdem-se. É bom ter lembranças, que mais não são muitas vezes que histórias plantadas na nossa memória de tanto serem contadas e recontadas por outros. Não via estas fotos há décadas (na verdade são stand-stills tiradas de vídeos caseiros com cerca de 30 anos) mas é tão bom recordar. Olhar à distância, para tempos que eram tão mais simples. É bom ver pessoas que já não estão connosco. Mas essas ficam para outra altura, que hoje o post é meu, só meu e de mais ninguém.
Aqui estou eu a dormir sob o sol da Caparica. E ok, é verdade, usei chucha, mas durante pouco tempo e quase só para dormir, está bem?


Com uns meses de atraso, mas tal e qual vim ao mundo. E é bem capaz de ser melhor assim, porque quando vimos ao mundo somos tão enrugadinhos que mete dó.


A boa disposição é evidente.

Adorava o meu banhinho.

E já dormia de lado. Quase exactamente na posição em que hoje me ponho para conciliar o sono.

Ele há com cada piada...

Adoro quando vejo este símbolo na etiqueta de uma qualquer peça de roupa. Forma-se-me logo um sorriso rasgado nos lábios. Escapa-se uma gargalhadinha. É que só pode ser piada alguém achar que eu (euzinha!) vou perder tempo a lavar uma peça de roupa à mão. A sério. É hilariante.*


* acreditem, no máximo (enquanto me lembrar que aquela peça tinha este símbolo na etiqueta que arranquei antes de a vestir pela primeira vez) lavo-a no programa das lãs. E já goza!

sábado, 9 de maio de 2009

"Esse decote é uma vergonha!

Só não te mando para casa mudar de roupa porque sei que não vais!"
Esta singela frase prova que o mariduncho não só tem a sua piada como me conhece bem... :)

A equipa de futebol

Não gosto de futebol. A descrição que mais combina com o que sinto perante um jogo é 25 macacos a correrem atrás de uma bola. E odeio o clubismo, não o saudável, que até pode ser engraçado, mas o mais comum, o exacerbado. Não gosto do amor cego, da devoção absoluta perante algo tão... pouco necessário, pouco interessante e, regra geral, com tão pouco mérito. Sinceramente, nem da selecção consigo gostar. Então quando entrámos na loucura da bandeirinha, ia dando em doida.
Tendo isto tudo em conta, quem haveria de dizer que eu colecciono uma (ainda) incompleta equipa de fútebol júnior?! Pois é... ao J.P., ao A., ao D., ao X. juntou-se, dia 2 de Maio, o M. Bem-vindo a este mundo, puto, estava a ver que vinhas de véspera!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

(...)

"Do you know why do men die when they're lost in the wild?"
"No."
"They die of shame. They ask questions like: What did I do wrong? Why did I fail? They blame themselves and die of shame."*
E, não haja dúvidas, o mundo de hoje é do mais selvagem que há. Senão reagirmos, morremos de vergonha.
* de um filme que acabou de dar, sobre dois homens perdidos no Alasca, com o Alec Baldwin e o Anthony Hopkins. Não é que seja grande filme, mas identifiquei-me com a frase.

(...)

Problemas existenciais, dúvidas profissionais e medo geral do futuro impedem-me, por hora, de escrever. Esperamos inspiração, decisões e melhorias no geral.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Mézinhas

Tenho uma verruga num dedo da mão que me irrita solenemente. É pequena e não se vê muito porque está na articulação e fica disfarçada pelas rugas. Mas eu não gosto dela. Gosto das minhas mãos e dos meus dedos e esta coisa não combinada nada bem com eles. Perguntei à médica de família se ma podia tirar. Ela diz que não. Receita-me um químico que se vende na farmácia para o efeito. Ou para o suposto efeito, porque utilizei-o três vezes e a coisa continua cá. Agora na última visita a Portugal uma prima informa-me que se viu livre de uma verruga com uma receita muito mais simples: sal de cozinha e água morna. Ok. Isso é bom, pensei eu. É só misturar muito sal grosso com um pouco de água quente e mergulhar o dedo lá dentro durante um bom tempo, todos os dias, à noite, e não enxaguar para que o sal fique agarrado à coisa durante a noite. O sal seca a pele, eu sei, basta ver a triste figura da minha pele no Verão, portanto, seca também a verruga, que acaba por cair. Pus o dedo de molho durante um mês e meio, todos os dias, religiosamente, e a coisa... não caiu. Mas porque é que eu ainda acredito nestas mézinhas caseiras, muito simples, fáceis de fazer e aplicar mas que, pura e simplesmente, não funcionam?
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P.S. - e não me venham propor que use ranho de lesma para secar a coisa porque dessa mézinha já me informaram, e por muito que funcione, esqueçam, que eu não vou coleccionar lesmas no frigorífico e muito menos esfregá-las no meu pobre dedo. Coitado, já lhe chega a verruga!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Despedidas de Solteira

Eu gosto de despedidas de solteira. Pelo menos das que me calharam, gostei. Juntar um grupo de mulheres, festejar o casamento (próximo) de uma de nós, passar um dia ou dois na praia, rever colegas de escola e conhecidas com quem, por vezes, há anos não nos cruzávamos é uma delícia. Agora, é preciso notar que gostei das despedidas de solteira a que fui porque (quase) nada tiveram a ver com as tristes figuras que muitas vezes se vêem por aí. Ok, a noiva até pode levar um véu rosa-choque. Pode receber umas prendinhas atrevidas. Podemos parecer um bando de galinhas a rir pelas ruas. Podemos até beber uns copos. Mas nada disto se compara às figuras que muitas vezes se vêem. Há pessoal que parece que só se consegue divertir quando está bêbedo para lá de qualquer noção do ridículo. Há pessoal que acha que só fazendo a noiva passear uma piloca gigantesca na cabeça a coisa tem graça. Na Alemanha vi um grupinho (deve haver montes de gente a casar nos próximos tempos naquela terra, tantos foram os grupos de despedidas de solteiros que vi em 4 dias) que levava, por cima das calças, cuecas tipo fio dental. Por fora. Cor-de-rosa. Vermelhas. De renda. Pareciam um bando saído do Monsanto. Há algum tempo, ainda em Lisboa, vi um grupo com preservativos às cores enfiados na cabeça. Porquê? há alguma necessidade de se fazer estas figuras ridículas? Ah, e a última novidade, quase me esquecia, o contratar gajos como prato de sushi... Sim, pôr um rapazinho, supostamente jeitoso (também há com raparigas), nú, a fazer de prato e é suposto o pessoal ir tirando os rolinhos de sushi e comendo directamente da "travessa"... Nem quero imaginar o balúrdio que se deve pagar por comermos num prato que nem pode ir à máquina, para uma pessoa ter a certeza de que está limpinho. Blergh!

(...)

O que é que fazemos quando a vida não corresponde aos nossos sonhos? Aos objectivos que para nós traçámos? O que fazemos com sentimentos como falha, inoperância, insucesso, desprezo, desadequação, desperdício nos inundam a mente ao pensarmos na nossa vida profissional? Aliás, chamar-lhe "vida profissional" é, por si só, uma mentira, pois não é profissional e quase não é vida, mas tão-só uma forma de sobrevivência que nem chega para nos sustentar. Como fazer as pazes connosco quando sabemos que foram, essencialmente, as nossas escolhas que nos conduziram a onde estamos. E, apesar de sabermos que não havia consciência do erro, talvez alguma pesquisa, alguns conselhos assimilados e não apenas ouvidos, tivessem feito a diferença. E, pior do que a consciência do passado, a incerteza do futuro. Como tentar mudar o curso? Como descobrir um novo caminho, no meio da confusão? Em que medida o que sabemos serve para alguma coisa? E, se servir, serve para quê? Haverá coragem para novos passos? E, além da coragem, haverá tempo para dar esses passos? E, voltamos ao princípio, passos em que direcção?

terça-feira, 5 de maio de 2009

E Colónia

A (famosa) Catedral de Colónia. Um colosso. Uma coisa gigantesca, nunca tinha visto uma coisa assim. E sobreviveu à II Guerra Mundial, pode ter tido alguns danos, mas ficou de pé quando tudo à volta eram escombros. Impressionante.


Estão a ver esta vista? É bonita? Fica bem, assim enquadrada pela janela de pedra com arabescos? Acham? Eu não tenho tanta certeza, depois de ter subido 533 degraus para tirar o raio da foto...

Desenho a giz e não sei mais o quê (umas latas de spray, mas não me pareceu graffitti) no chão da praça em frente à Catedral. Um amor. (Ah, só tirei a foto depois de agraciar a artista, que aqui a Golden tem vergonha na cara).


Autêntica coroa de ouro dos tempos romanos. Sim, Colónia é muito antiga, e no tempo dos romanos era enorme e riquíssima - pelo menos parece, a julgar pela quantidade e qualidade de artefactos, mosaicos, jóias, recipientes de vidro, etc., etc. que estão expostos no museu. Adorei. Mais uma vez, foto ranhosa devido à ranhosice da máquina, que não conseguia focar. É o que se arranja!

Frankfurt

Era assim Frankfurt há umas décadas atrás. As casas típicas são tão giras que parecem casinhas de bonecas. Infelizmente o que aqui vêem não são os prédios originais, mas reconstrucções feitas depois da II Grande Guerra, altura em que não ficou pedra sobre pedra.

Agora é assim. Uma mistura de antigo (perfeitamente reconstruído), com novo.


Um arranha-céus espectacular.


A viagem de comboio entre Frankfurt e Colónia. O comboio regional, que corre ao longo do Reno, leva o dobro do tempo do rápido (3 horinhas), mas vale bem a pena (na foto não ajudam a falta de sol, o vidro cagado e a máquina de fotografar ranhosa).

Alguém?

Mas alguém encomendou chuva aqui para a Holanda? É que eu quero desde já cancelar a encomenda...

Será...

... que os alemães ficaram muito chateados por eu lhes dizer, repetidas vezes, Sorry, I don't speak Dutch??? :s

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Portugal, Holanda, táxis e taxistas

Quero admitir desde já que sofro de um grave preconceito e que este post vai servir para o exorcisar. Sofro de uma enorme desconfiança, para não dizer temor, dos taxistas e, por muito que me queira convencer que nem todos são iguais, as pernas tremem-me de cada vez que estendo o braço para mandar parar um. Tudo começou em Portugal onde, como condutora habitual, sofria diariamente com a forma com que a maior parte destes profissionais encaram a estrada, o código que (supostamente) a rege e os restantes utilizadores (motorizados ou não). Agora, aqui em Amesterdão, além do medo de morrer num acidente, junta-se um novo medo, que é o de ser assaltada... pelo próprio taxista. Vamos por partes.
Tenho um medo que me pelo de andar de táxi em Portugal porque a maioria dos taxistas parecem kamikases ao volante, apesar de não me constar que o governo lhes pague ou os doutrine para se espetarem contra seja o que for. Quando me obrigam a circular dentro de um a primeira coisa que faço é procurar (freneticamente) e colocar (com a maior firmeza possível) o cinto de segurança. Já frisei a um senhor que não lhe tinha dito que estava com pressa de chegar ao meu destino. Já guinchei a outro que o sinal estava vermelho quando o seu pézinho teimava em não abandonar o pedal da direita. Não quero saber o que possam pensar, eu quero é chegar inteira ao destino.
Agora, ao medo de perder a minha saúde (aos taxistas de Amesterdão deve sair-lhes a carta de condução na mesma farinha que aos portugueses) junta-se ainda o temor pela saúde da minha carteira. É que tudo é caro nesta terra, tudo bem, mas pagar para sofrer... já chega na depilação! Não é que o senhor que conduz o taxi saque de uma pistola ou navalha e me obrigue a dar-lhe a minha quase sempre paupérrima carteira ou o fraco telemóvel. Não, o que ele faz é roubar no que cobra. O mariduncho já teve mais experiências interessantes, mas as minhas experiências, apesar de pouco numerosas, revelaram-se ilustrativas. Da primeira vez, ainda não tinha nascido este aquário, o taxista que nos trouxe do aeroporto tinha o taximetro colocado junto aos pés - óptima localização, se os clientes insistirem em ver o dito pode ser que o chulé lhes tolde o raciocínio e achem que pagar 45 € por 30 minutos de caminho é razoável. Mas nem isso é necessário, porque perante o nosso pedido para ver o valor no mostrador, alegou simplesmente que já o tinha apagado. E viva a transparência! Ontem, quase à 1 da manhã, um jeitoso queria cobrar-nos, à partida, 15€ para nos trazer numa viagem que, de eléctrico e na hora de ponta, não demora mais de 20 minutos! Sem utilizar o taximetro nem nada... fez umas contas de cabeça, somou a falta de transportes públicos àquela hora com o nosso discurso em inglês e o resultado foi um ora paguem lá 15 euritos que só vos faz é bem. E o melhor disto tudo é que parece que os taxistas cá são uma espécie de profissionais liberais, ou seja, não há empresa nenhuma a quem reclamar, cada um tem o seu carrinho, é o seu próprio patrão e nós se quisermos podemos sempre reclamar... com o próprio. Os resultados serão óbvios.
Depois disto tudo o que me apetece dizer é (e eu não gosto de dizer estas coisas), passasse-se isto lá no nosso rectângulo e bradava logo meio mundo (connosco à cabeça), "aqui d'el rei que é uma autêntica república das bananas, cada um faz o que quer, vivemos mesmo no terceiro mundo!"
P.S. - Se me esqueci de mais alguma das críticas habituais, perdoem-me e lembrem-me, que eu acrescento, acho que faz todo o sentido e o post só tem a ganhar.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Feriados

Para quem não sabe, amanhã é feriado, é Dia da Rainha (supostamente comemora-se o aniversário da rainha, se bem que a actual, coitada, parece que nasceu em Janeiro, mês muito pouco agradável neste hemisfério em geral e aqui em particular; a senhora, que parece ser simpática, resolveu que já era mau q.b. ela ter de comemorar ao frio, não valia a pena obrigar todo o país a fazer o mesmo e, vai daí, manteve o feriado nacional no dia do aniversário da sua mãe, 30 de Abril, amanhã). Perceberam?
Adiante, acontece que o Dia da Rainha comemora-se aqui em Amsterdão, onde a família real vem desfilar pelos canais e mostrar-se aos súbditos, que vêm todos cá ver a parada, comer nas ruas, comprar tralha em segunda mão que os locais podem vender na rua, ouvir concertos e sabe-se lá o que mais. Isto a juntar aos que já cá vivem e ao turistame do costume. Como o mariduncho só é dado a apertos comigo e com mais ninguém ;) vamos dar à sola amanhã bem cedinho e ver como páram as modas ali na Alemanha. Colónia e Frankfurt, cá vamos nós!
Tu e eu, encontramo-nos aqui na segunda, sem falta! Hasta.

Do que somos feitos

Os poetas escrevem. Os filósofos pensam. Os médicos tentam explicar a coisa cientificamente. Mas, por muito que misturem o ambiente com a genética, que puxem pela cabeça, que abusem das palavras, nunca serão capazes de reduzir o que cada ser humano é a uma simples fórmula, a uma teoria ou a um poema. Muito menos se reduzirá a um texto escrito por mim, mas aqui vai, que é esta a disposição do dia.
Se há algo que faz de nós o que somos, são as nossas memórias. O que vivemos, o que fizemos, o que nos deram e, principalmente, as pessoas que nos acompanharam em todas ou em cada uma das etapas. Tudo isto está na nossa cabeça, muito ou pouco enterrado em camadas sucessivas de problemas, acontecimentos, obrigações, que ocupam o nosso dia-a-dia. E, no meio das nossas caóticas vidas, por vezes, parece-nos que nos esquecemos de tudo. E queremos lembrarmo-nos, queremos recordar, mas tudo o que nos vem à cabeça é o presente. Para isto são precisas as outras pessoas. As fotos. Os diários. Os filmes. As músicas. E, mais modernamente, os blogs.
Uma colega blogger tem no cabeçalho do blog que escreve para o seu filho que espera que ele não lhe leve a mal a exposição. Eu tenho a certeza que não vai levar. O que ela descreve são as pequenas coisas do quotidiano que vão escapar, inexoravelmente, para o fundo do baú que é a nossa memória. Coisas pequenas, mas não insignificantes, e que tão bem nos sabe recordar. Sabe bem conversar, ou escrever, sobre as pessoas que nos importam, e saber que na mente do outro há uma versão ligeiramente diferente do que há na nossa. É tão bom olhar para fotos ou filmes caseiros de outras épocas e ver a agir, a falar, a amar-nos pessoas que o tempo já nos roubou - seja da forma mais radical, a morte, seja de forma gradual, o envelhecimento. É recordar o dar o dedo em vez da mão (que nós já somos crescidos), o chamar "cão" a todos os animais (até a um pobre passarinho diminuto), a fila de cabeças a passar que mal ultrapassava a altura da mesa da cozinha (que hoje sentem o ar a mais de 1,70m de altura), o acreditar que um helicóptero nos vem buscar para nos levar à escola, a birra que fizémos para que nos oferecessem um triciclo, os filmes de cowboys que vimos no cinema do bairro na companhia do avô, os bolos que a mãe nos levava a comer ao Domingo, as Barbies que os padrinhos nos traziam do Brasil, os jogos com que nos entretinham nas intermináveis bichas da Ponte 25 de Abril.
Muitos destes pequenos acontecimentos estão na nossa memória. No entanto, não estariam se não os revivessemos. A memória é muito frágil e não consegue competir com as exigências do dia-a-dia. A partilha faz com que a nossa vida tenha contornos, porque aquilo que para uns são memórias distantes da infância, para outros são memórias muito nítidas da primeira vez que foram pais. A ideia que temos de alguém, sem muitas certezas, é corroborada por outra pessoa que connosco a conheceu. As sensações que um determinado acontecimento nos transmite, vistas de outro ângulo. Tudo isto somos nós e são os nossos. A paciência, a amizade, o companheirismo, o amor que nos dedicam, ao longo da vida, as pessoas que connosco a vivem. É para isto que estamos nesta terra, sem a mais pequena dúvida.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Afinal não sou só eu... (ao som da conhecida música popular portuguesa)

Ontem ia muito bem no meio da rua quando sai um rapaz de um prédio. Muito decidido, dirige-se ao grupo de bicicletas estacionado no passeio. A um passo do aglomerado de rodas, estaca. Olha. Dá um passo para a direita. Olha melhor. Torce o pescoço para a esquerda. E repara em mim, que parei no meio do passeio e fiquei a olhar com um meio sorriso nos lábios. Fala-me em holandês, sorrindo também, eu papagaio a frase mais repetida nos últimos meses ("Sorry, I don't speak Dutch...") e ele repete em inglês que não sabe qual é a sua bicicleta. Aha! Eu sabia! Não sou só eu! Não são só os totós não-holandeses, que não estão habituados a tanta bicicleta! Afinal, after all, eles também perdem as bicicletas no meio da confusão! Ganhei o dia. :)

Hoje sou de Sintra

Hoje, como é costume, comecei o dia com as notícias da BBC ao pequeno-almoço e continuei com o Público online. E qual não é o meu espanto quando vejo um título que afirma que Sintra proibiu touradas e espectáculos de circo com animais! E, ao abrir a notícia, descobri que nem sequer são os primeiros, Viana do Castelo, Braga e Cascais já tinham feito o mesmo (pelo menos quanto à tourada)! Finalmente, um pouco de civilidade. Mais respeito pelos animais do que por supostas tradições. Fiquei feliz.

Entretanto, comecei a ler os comentários (mais de 150!) que por lá deixaram. E li com cada coisa... O apelo à "tradição" está por todo o lado - sim, vamos lá todos a voltar a fazer aquilo que se fazia há uns séculos atrás, tipo bater nas mulheres, pôr crianças a trabalhar, enforcar ou queimar pessoas na praça pública, etc., etc. Afinal, são "tradições"! Há ainda gente que vem defender a tourada para que o touro não se extinga - isso, vamos criar animais para os torturar na arena! Outros, defendem que a tourada é uma arte (??). Comparam matar (ou torturar) um touro a esborrachar uma melga ou barata (fiquei completamente estupidificada quando li semelhante barbaridade, acho que, na realidade, ainda não recuperei totalmente). Ah, sem esquecer quem defende que a tourada "atrai turismo" - claro, é isto e a matança de focas e baleias no norte da Europa, são cá umas atracções turísticas! Também há os que aproveitam para apelar ao vegetarianismo. Comer carne, lá têm alguma razão, não é necessário para a nossa sobrevivência. No entanto, entre comer animais e fazer da sua tortura um espectáculo... vai uma certa distância! E isto sem falar daqueles que não conseguem articular duas frases e nem se percebe de que lado estão. No geral, parece-me que os que apoiam a medida são bem mais do que os que a criticam (ao menos isso!), mas é uma triste amostra das mentes retrógradas e iletradas que ainda existem no nosso país. Enfim...
Mas não quero saber, estou feliz na mesma! Mesmo que sejam sítios onde a tourada já não era popular (como alguém apontou), é um princípio. Pode ser que o resto do país o vá seguindo. A esperança é a última a morrer.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

I'M just not that into THIS FILM

Uma desilusão... Pensei que este filme* fosse engraçado, para lá das piadas, que conseguisse captar um pouco o que torna as relações entre as pessoas tão difíceis, e como as pessoas são diferentes. Mas não. Não é engraçado - nem num sentido nem no outro. Não me ri, nem sequer sorri, até metade do filme. O meu pobre mariduncho contorcia-se na cadeira e suspirava. E não achei que as personagens representassem ninguém - se bem que algumas partes me lembrassem certos episódios da adolescência com algumas amigas - o que, por si só, também não é nada abonatório para personagens que deveriam ter, há muito, saído da adolescência.
Não gosto de comentar filmes, acho que o gosto de cada um é extremamente pessoal, soma de experiências, de acontecimentos, expectativas e sei lá o que mais. Por isto, cada um gosta do que gosta, e não me venham com conversas típicas dos críticos de cinema. Estou a escrever sobre este em específico porque me desapontou e não estava à espera. E, mais do que querer dizer a quem ler este post "não vás vê-lo, não vale um chavo", espero tão-somente transmitir a minha desilusão. Se forem ver e gostarem, melhor - não sentem que acabaram de desperdiçar €7.
* para quem ainda não percebeu, o filme é o He's just not that into you (não me apeteceu procurar o título em português)

sábado, 25 de abril de 2009

25 de Abril


Mesmo à distância. Apesar de tudo. Mais que não seja, pela LIBERDADE.*
* depois de ler isto, já não tenho tantas certezas, mas...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Será que meio conta?

Hoje tomei banho de manhã bem cedinho, ainda com os olhos a recusarem lidar com as fortes luzes que iluminam a minha casa-de-banho. A questão é que, a meio do banho, muito concentrada a tentar lavar o cabelo e massajar o couro cabeludo ao mesmo tempo, como fazem maravilhosamente no meu cabeleireiro, noto que se solta um cabelito... Puxo-o diligentemente (odeio cabelos colados ao corpo, blergh!) e, qual não é o meu espanto, conforme vai saindo da massa de milhentos cabelos castanhos, o cabelo deixa de ser escuro e passa a... branco???? B-r-a-n-c-o? Pronto, aí abri os olhos de vez, mas agora não eram os olhos que se recusavam a ver, era o meu cérebro que se recusava a processar aquela informação.
Primeiro, entrei em denial. Desde a nascença tenho um cabelo branco no meio de uma generosa cabeleira castanha escura. Este cabelito, que o meu pediatra dizia ser como um sinal, mas em forma de pêlo, tem uma resiliência digna de um gato. Volta sempre a nascer, apesar das muitas vezes que foi arrancado com ganas por simpáticas criancinhas ou adultos excessivamente curiosos. Ou seja, esta manhã pensei que o dito cabelo seria este sinal de nascença. A fase denial não durou muito. É que este cabelo era só branco até meio, e não totalmente branco como o do sinal, algo que eu comprovei nas "n" vezes em que foi impiedosamente arrancado. Passei assim para a fase inventive. Ora, tinha-me caído um cabelo que, por algum mal estranho, estava branco do meio até à ponta. Quem sabe, uma gota de descolorante da companheira do lado no cabeleireiro tinha, por engano, salpicado para o meu cabelo, caído sobre aquele fio em especial e descolorado o pobre até à ponta? Ao crescer, nascia escuro, mas a parte horrorosamente descolorada ainda não tinha sido cortada. Boa? Esta teoria, apesar de boa, infelizmente também não resistiu muito, submersa pela realidade. A parte que estava branca não era a ponta, mas a que trazia agarrada aquela bolinha a que nós chamamos raíz e que no CSI serve para apanhar tantos e tantos bandidos com problemas de queda de cabelo! Recapitulando: a ponta era escura, a raíz, branca. Ponta, escura; raíz, branca. NÃOOOOOOO! A realidade caiu-me em cima como uma bomba. Aquele meu cabelinho tinha nascido, há sabe-se lá quanto tempo, castanhinho como manda nosso senhor (sim, ele não gosta de cabelos brancos, que eu sei) e a meio do seu percurso tornou-se... tornou-se.... branco! Snifff! Que horror! Estou a ficar com cabelos brancos!
Saí rapidamente do duche, completamente esquecidas as massagens ao couro cabeludo, enxuguei a trunfa com a toalha e toca de lhe dar com o secador até estar sequinho. E vá de procurar. Procurei em cima, junto às raízes, e madeixa a madeixa, do lado direito, do lado esquerdo, o mais atrás que me foi possível (não queria partir o pescoço, mas de um torcicolo já ninguém me livra), com a ajuda de um pente, em frente ao espelho. Parecia uma macaquinha, a catar-me a mim própria, mas o que parece certo é que, iuppii!, não achei mais nenhum cabelo descolorado. Nem o de nascença! Com um bocado de sorte aquele fio de cabelo foi um engano, uma experiência a ser retomada daqui a cerca de uma década, quem sabe nem sequer era meu, e afinal eu não estou ainda a ficar com cabelos bancos.
Ah, mas claro que, pelo sim pelo não, já apresentei uma reclamação a quem de direito: a minha mãe, quem havia de ser? Ora se tenho o cabelo igual ao dela, e ela só teve os primeiros brancos aos 40 e tal, teve que fazer alguma coisa mal quando me preparou a mim!!! E tenho dito.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Crise?

Um conhecido empresário do mundo do espectáculo português, que até é quase monopolista na sua área, teve esta belíssima conversa com outra pessoa no conforto do seu lar:
"Ai, empresário, a crise está péssima, não sei como não te queixas!"
"Queixar-me? Crise? Qual crise? Até aproveitei para descer alguns dos ordenados do pessoal e portanto os lucros até subiram!"
É por estas e por outras que se costuma dizer que a crise, realmente, não é para todos... E já tive o desprazer de ouvir o dito empresário noutras ocasiões, em que a crise ainda não se fazia sentir, e as palavras eram sempre de desalento, tudo muito mau, quase só dava para sobreviver! Comentários para quê?
P.S. - não vou dar nomes porque, mesmo num aquário tão pequenino, as notícias voam... mas a conversa vem de fonte super, hiper, mega-credível, acreditem; e as palavras, não sendo exactas, mantêm o espírito.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

:)

O que é que diz um holandês a um tuga meio entornado que fica chato como o diabo?

"See that tram? That's the one you have to take!"

Nunca mais!

Depois das reacções ao meu último post nunca mais escrevo sobre bebés! Sim, é que só se vê um comentário da minha querida momentU, mas obtive mais uns quantos por outras vias... E só faltou acharem que estou à espera de bebé! Não, não estou grávida, não, não estou a planeá-lo e não, não é algo que deseje (pelo menos nos próximos... anos!). Fogo, já não se pode ter 30 e desabafar um pouco!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Os (tr)intas

Olho à minha volta e começo a ver os sinais da idade. Não em mim, que estou fresca como uma alface, mas nas pessoas à minha volta. :) Os casamentos, primeiro sinal, já começaram há uns anos e vão-se multiplicando, felizmente ainda sem divórcios associados (só um, de alguém distante, mas prelúdio de outras fatalidades, sem dúvida). E este ano tenho mais um casório, muito, muito importante, de uma querida amiga que muito o merece. As mudanças de casa. Deixar o aconchego do ninho materno e partir à aventura. Partir à aventura para longe, fora do nosso rectângulo, onde as oportunidades surgissem. Depois, seguimento lógico do casamento (apesar de alguns terem passado por cima desta formalidade), as crianças. Olho à volta e já começo a divisar os princípios de uma autêntica equipa de futebol (esta gente só tem meninos, chiça, vamos começar a cortar no Y, pessoal, que tantos XY já chateiam!).
Nos (principalmente nas) que ainda estão em fase de treinos para a concepção e reprodução da espécie ('bora lá duplo Xs!) começam a ouvir-se as inevitáveis conversas sobre o relógio biológico. E li aqui uma das melhores sínteses do que as mulheres sentem, que me inspirou este texto. É absolutamente verdade. Pode não haver vontade de perder liberdades. Pode horrorisar a perspectiva de 9 meses com uma barriga que não é nossa, mas da qual normalmente não nos livramos na totalidade. Pode assustar a consciência de que, nos próximos (largos) anos, temos uma responsabilidade maior para com outro do que para connosco. Mas a sensação que se sobrepõe a todas é a certeza de que estamos a passar a barreira do que é razoável em termos de concepção para as mulheres. Dos trinta em frente as dificuldades e problemas associados à gravidez só aumentam. E entre a falta de vontade e as dificuldades financeiras surge o espectro dos pais velhos. A falta de paciência. A falta de actualidade das ideias. A maior dificuldade em acompanhar a criança - física e intelectualmente. E eu sei (sei mesmo) que a idade está muito mais na nossa cabeça do que no nosso BI, mas a verdade, verdadinha, é que isto também me assusta. Fala-se muito dos "entas" mas, pelo menos para as mulheres, os "intas" já não são nada simpáticos.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Afinal... em que direcção segue o autocarro?

Bem, poucas respostas, muito poucas... uma, na verdade! E de um anónimo! Pois, eu sei, isto de saber menos do que miúdos de 5 anos intimida.

E a verdade é que o nosso anónimo... não acertou! O autocarro vai, na verdade, para a esquerda. E porquê? "Porque não se vê a porta."

Realmente... o que é que se pode dizer? Têm razão!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Em que direcção segue este autocarro?

Digam lá, em que direcção é que acham que segue este autocarro?
Quem sabe a resposta? Só há duas possibilidades, esquerda ou direita, mas tem uma explicação. Chegou-me por e-mail, achei engraçado e resolvi colocar-vos o problema. Pensem bem, puxem por essa cabecinha, e digam de vossa justiça. Estou para ver quem descobre...
P.S. - no e-mail vinha a resposta e dizia ainda que miúdos de 5 anos conseguiram responder correctamente - ao contrário de mim :(

O primeiro

Yuppi!! A mensagem anterior motivou o PRIMEIRO comentário no meu modesto bloguesinho de alguém que não me conhece! Sim, sim, alguém que não me conhece de lado nenhum veio parar aqui ao aquário e deixou um comentário! Ainda por cima positivo :) Também, com um senhor daqueles na fotografia! É outra "europeia" (segundo ela, parece que já não somos emigrantes, mas "europeus") a andorinhar por Amsterdão. E parece que adorou Berlin, cidade que está a chamar por mim desde que aqui cheguei!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Há louros e louros



Ele há muitas portuguesas que não gostam de louros. Sim, tenho amigas que não são fãs, já li explanações em vários blogs e mesmo eu, com toda a franqueza, não morro de amores pela pelosidade descolorada. O dourado é uma cor que perde a sua piada quando misturado com dois outros ingredientes - a masculinidade e o crescimento. Já tinha esta impressão mas com a convivência diária com os holandeses ela transformou-se em certeza. Há louros em barda nesta terra que, basicamente, se dividem em três categorias. 1- as mulheres, bonitas; 2 - as crianças, uns anjinhos; 3 - os homens (e esta categoria tem início aos 12 anos), horrorosos. Como é que é possível umas crianças tão engraçadas transformarem-se desta maneira?! Dá-me a ideia que a quantidade de louros giros é inversamente proporcional à de crianças louras fofinhas! Enfim...

Mas ele há louros e louros... E digam-me lá que não se esgatanhavam por uma lambidela deste louro?! Por um abanão de rabinho?! Por um fio de baba e escorrer pelas comissuras dos lábios enquanto os olhos não se desviam, não piscam, completamente focados na sandes de fiambre que estamos a comer?! Lindoooo.... Tal e qual um lorde, de patinhas cruzadas, a gozar o sol numa janela com almofada e vista para o canal! Totalmente poised, consciente da sua beleza, não ligava puto ao monte de idiotas embevecidos que se acotovelavam para tirarem uma foto bem centrada do seu pêlo luzidio, concentrado apenas na absorção de vitamina C e no ocasional pato a esvoaçar por cima das nossas cabeças. Sem dúvida, ser estrela está-lhe na massa do sangue.

P.S. - tenho tantas, tantas, tantas saudades da minha lourinha, linda e casmurra como só ela...

terça-feira, 14 de abril de 2009

A-DO-REI








Como prometido, aqui ficam umas fotos... Tal como alguém adivinhou, acabei de regressar de Bruges e Ghent, dois sítios maravilhosos com montes de calhaus antigos que, há séculos e séculos atrás, alguém resolveu juntar em forma de igrejas, casas, torres e pontes. Em cima, à esquerda, temos o Minnewater em Bruges, à direita o Graslei, em Ghent e em baixo de novo Bruges, com uma das vistas mais fotografadas, do Rozenhoedkaai (cais) para as casas junto ao canal e a torre Belfry lá ao fundo a controlar. Lindo, lindo, com o São Pedro a ajudar!





quinta-feira, 9 de abril de 2009

E eu?

Bem, bem! Uns vão para Portugal, outros para Cuba, outros sabe deus para onde... e eu? Sim, euzinha, uma fã assumidíssima do laureanço da pevide, para onde vou?! Então, vou para a Bélgica! (Ahah, aposto que estavam a pensar que eu não ia para lado nenhum, apanhei-vos!). É que está mesmo a ver-se, fim-de-semana prolongado de 4 dias - sim, 4 dias, que viver nas Holandas também tem vantagens - em que tudo quanto é macaco há-de cair aqui em Amsterdão com o único objectivo de tornar a vida dos locais um autêntico inferno tipo sardinha-em-lata, e euzinha ia ficar aqui! Fat chance! Ora dêem uma espreitadela a onde vou, pequenina, que quando voltar prometo fotos melhores.


quarta-feira, 8 de abril de 2009

ugly oilily

É incrível. Há poucos dias passei por uma loja de roupa de criança e uns coelhinhos de pano chamaram-me a atenção, eram tão giros e originais, com umas flores a fazer de olhos, que pensei cá para comigo que, realmente, era uma pena todos os bebés que conheço sejam rapazes (qualquer dia dá para uma equipa de futebol). E hoje, na minha leitura matinal de blogs, dei com esta tristeza:
Uma marca de roupa de criança holandesa muito conhecida (aparentemente até tem lojas em Portugal) está a vender um boneco plagiado de uma criadora portuguesa, Rosa Pomar, um coelhinho de pano com olhos em forma de flores!! No blog da criadora achei fotos de ambos os produtos e o comentário da própria e, realmente, é triste uma pessoa criar algo e ver esse trabalho copiado à descarada sem qualquer tipo de proveito ou reconhecimento!
Como a batalha legal deve ser, no mínimo, complicada, e já que a blogosfera pode existir para mais do que desabafos público-privados, então quem puder que envie esta reclamação:
i
"Dear Oilily representative,

I am aware that your product no. 103394-3005 is a copy of Rosa Pomar's well known soft doll and that she hasn't given you permission to use her design. As a consumer, i have lost my confidence in your company. I will never buy from you again and I will advise everyone else to do the same until you have corrected this situation.

Please stop selling product no. 103394-3005 and all other products that include the image of this doll immediately. You should also contact Ms. Pomar and compensate her for her loss.

Sincerely,
..."
para info@oilily.nl, mais que não seja enchemos-lhes a caixa com reclamações!

terça-feira, 7 de abril de 2009

O Vondelpark

Adoro ir ao Vondelpark dar umas voltas. É um parque de cidade ao estilo do Central Park de Nova Iorque, apesar de bem mais pequeno (também, só numa cidade daquele tamanho é possível tanto hectare de parque). Vénia seja feita aos holandeses, não há dia nem hora em que o parque tenha pouca gente, faça chuva ou faça sol. Se há povo que gosta de laurear a pevide, é este. Passeiam casaisinhos, passeiam em grupos, passeiam com os miúdos, com o cão, a pé, de bicicleta, de patins, tanto faz. E é preciso ver que o tempo que faz nesta terra não é dos mais propícios ao passeio. Na sexta-feira passada então, em que a temperatura subiu a uns extraordinários 20ºC, meia Amesterdão estava espalhada pelos relvados do Vondelpark a tostar braços e pernas num sol mais do que aprazível.
Mas com a Primavera há outra coisa que me diverte nos passeios no Vondelpark. As patas com os seus patinhos atrás. Já vi patinhos na adolescência, com idade de andar na primária, e hoje vi, finalmente, daqueles que, fossem humanos, estariam ainda no berçário. Patinhos daqueles que aparecem a ilustrar o livro do Patinho Feio (não o Patinho em si, que esse todos sabem que é um cisne, mas os irmãozinhos dele), pequenas bolinhas de pêlo amarelinho, tão fofinhos que apetece estender a mão e apanhar um. Sempre adorei estes bichos, em miúda adorava levar migalhas de pão para alimentar os do Parque Eduardo VII ou os dos jardins de Belém e não gostava nada quando os peixes, que também habitavam nos mesmos lagos, vinham comer o que não lhes pertencia! Agora, infelizmente, já não há patos em lado em nenhum em Lisboa! Com a histeria da gripe das aves desapareceram com tudo quanto é ave aquática da cidade e nunca mais arranjaram novos animais para animar o que agora são apenas tanques sujos e abandonados de água esverdeada. As perguntas que faço a mim própria não seguem uma ordem muito lógica mas continuam a saltar-me à memória. Será que a gripe das aves não sobrevive com o frio holandês e por isso não tiveram que exterminar os pobres animais? Será que há excesso de zelo em Portugal (mas só em certos casos, como dizimar aves indefesas)? Já que os patos eram um perigo tão grande que tiveram de ser eliminados, porque não exterminaram também os pombos que infestam a capital? Aposto que havia muita gente feliz... E, já agora, o que pensavam fazer em relação às gaivotas, caso a famigerada gripe aviária chegasse a Portugal? Enfim, há pequenas coisas (pequenas, mas grandes) que fazem com que sinta um pouco menos de falta de Portugal.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

...

Há 15 dias atrás foram finalmente colocadas na rua da minha mãe as placas que assinalam o lugar de estacionamento que lhe está reservado por ser portadora de deficiência numa perna. Desde essa altura conseguiu estacionar lá o carro 3 vezes.
Em duas semanas nunca encontrou o lugar vazio. No primeiro dia colocou mensagens nos vidros dos carros que lé estavam a chamar a atenção. Continuaram lá três ou quatro dias. Duas tardes parou o carro no meio da rua, com os quatro piscas ligados, a bloquear os carros que lhe ocupavam o lugar. Nada. Hoje de manhã, chamou o reboque, deixando mais uma vez o carro a impedir a saída dos que lhe ocupavam o lugar. Esteve lá uma hora e meia parado. Mais uma vez, ninguém apareceu.
Quando o reboque da polícia chegou, a minha mãe desceu à rua e, nem cinco minutos depois, apareciam ambas as donas dos carros, uma primeiro, a outra pouco depois! Cheias de pedidos de desculpas, não vi, não sabia, não reparei... O que é certo é que durante uma hora e meia nenhuma deu pelo carro parado no meio da rua que lhes bloqueava a saída. No entanto, as duas inocentes que nem sabiam que tinham o carro mal estacionado, estavam na rua de chave na mão pouquíssimo tempo depois de chegar a polícia, evitando que, além da multa, ainda tivessem de pagar o reboque.
Cá para mim, e tendo em conta que nenhuma das senhoras tinha consciência da ilegalidade, é preciso ter sorte para ir à janela mesmo na altura em que chega a polícia. Mas isto sou só eu...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Carros quitados*

O meu carro é melhor c'ó teu! Olha-me só esta pintura metalizada, e o ailleron (ai que não sei escrever o raio da palavra, será que é assim?) traseiro? Parece o space shuttle! Eh, pá, não, o meu é que é bom, já ouviste o sonoro que bomba das novas colunas?! Só não se ouve tão bem porque o ronco do motor a sair por aquele escape melhorado, platinado e agigantado o abafa um bocadito...
Estas conversas sempre me deram ataques de riso. E dos grandes! Às vezes carros velhos, velhos mas todos pipi, cheios de acrescentos, passeiam donos quase inchados de tanto orgulho no bólide-sucata. Este tipo de acessórios seguem uma regra simples: quantos mais, mais brilhantes, barulhentos e maiores, melhor! O meu carrinho velho (Deus guarde a sua alma em paz) teve dois problemas simultâneos: uma vela fundida e o tubo de escape roto. Ora qualquer condutor sabe que o escape roto faz um barulho dos diabos, o que pode não saber é que uma vela fundida faz com que o carro acelere sozinho, mesmo parado, por exemplo, nos semáforos. Não imaginam aqueles meus dois ou três dias a conduzir por Lisboa um carro que roncava como o mais quitado dos tunnings e ainda por cima, de moto proprio! Houve atrasados a julgarem que eu estava a "picar-me" com eles, pois o meu Punto acelerava em seco como se quisesse chegar em primeiro à pole position (este texto está lindo, também não sei se isto se escreve assim). Chorei a rir. Infelizmente, o carro lá teve de ir a arranjar e os picanços evaporaram-se.
Mas nestes últimos dias ouvi a versão paranóica-terrorista dos taradinhos do tunning, nas insuspeitas figuras do Exmo. Sr. Presidente dos EUA e do não menos Exmo. Sr. Presidente da Rússia. Foram para Londres com os seus bólides atrás e toca de dizer, ai o meu carro é à prova de bomba, ai, não, mas o meu é muito melhor, aguenta com granadas lançadas por um rocket! Ora, pel'amor de Deus! Tenham juízinho, não me digam que as pilinhas dos países agora também são directamente proporcionais à qualidade do bate-chapas oficial da presidência!
* acabei de me aperceber que "carros quitados" parece ser a definição dos carros que, após um grave problema de piolhagem, resolveram ser esfregados com o imortal Quitoso! Ahahah!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

No rescaldo do 1º de Abril

Numa outra piada do dia 1º de Abril um comediante imitou a voz do ex-presidente norte-americano Richard Nixon dizendo que se ia recandidatar à presidência e que o slogan da campanha era, nada mais nada menos do que: "I didn't do anything wrong, and I won't do it again."
Ora digam lá se este slogan não se aplicava bem a qualquer recandidatura de presidentes, primeiros-ministros, presidentes de câmara, de junta de freguesia, etc., etc., deste nosso Portugal!*
* até na recandidatura de ex-ditadores e ex-reis, desejados ou não, maiores portugueses de todo o sempre ou não...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

1º de Abril

Nem me tinha lembrado deste dia... em criança adorava, mas era tão tonha que caía em tudo quanto me dissessem! Um dia os meus pais asseguraram-me que íamos para Lisboa (vivia então na Costa) de helicóptero, notícia que me deixou eufórica! Nada de bichas (as do trânsito, as outras nem sabia que existiam) e voar pela primeira vez! Até me explicaram que o helicóptero iria pousar no topo do meu prédio para nos apanhar... Nem imaginam a tristeza quando começámos a descer no elevador e eu perguntei porque não íamos para cima, apanhar o helicóptero!
Enfim, mas o que me chamou a atenção para o dia de hoje foi esta notícia, que descobri no Yahoo. Ouçam o primeiro vídeo, o do esparguete, é lindo! Eu, pelo menos, tinha a desculpa de ser uma criança inocente...

Eu quero a MINHA bicicleta!


Esta coisinha que vêem aqui à direita foi uma das minhas prendas de Natal. Como se pode ver é uma clássica bicicleta de mulher, cinzenta, grande, marca RRazelle*, igual a tantas outras, sem nada distintivo. E qual é o problema?, perguntam vocês. Nenhum, quando está trancada na minha arrecadação, que tem um grande 25C colado na porta. Mas quando saio com ela tenho de deixá-la sempre num lugar distintivo, para eu saber que aquela que está sozinha, ou amarrada ao sinal de trânsito ou virada ao contrário das outras é a minha. O problema é que, invariavelmente, quando regresso para a ir buscar, quinhentas outras bicicletas igualmente cinzentas, grandes, etc., etc.... foram deixadas no mesmo lugar e como é que eu descubro a minha menina? Reina a confusão no meu cérebro, será que a deixei à porta ou agarrada ao poste? Disparo olhares em pânico para a direita e para a esquerda, e a pergunta querem ver que me roubaram a bicla? surge do quinto dos infernos para me atormentar.

Foi neste estado de espírito atormentado que no outro dia, durante as limpezas, descobri uma florzita vermelha de papel (sabe Deus de onde veio) guardada dentro de uma gaveta. Abençoada mania de enfiar tudo quanto é idiotice minimamente engraçada para dentro de gavetas e caixas de cartão! É só receber uma prenda com um qualquer berloque pendurado que penso logo, ai que coisinha tão gira, pode fazer falta para qualquer coisa! e toca de a guardar. Foi uma mania que muitas vezes me foi útil na altura em que dei aulas aos pequenotes da primária, que em três anos consumiram a maior parte das minhas preciosidades, e que agora devolveu paz de espírito à minha alma. De cada vez que abandono a minha bicla no meio da rua já não penso que poderá ficar perdida no meio de tantas outras porque há uma pequena flor vermelha que, enfiada na sua campaínha, a distingue para lá de qualquer dúvida. Quando saio do supermercado é só olhar para 20 ou 30 campaínhas e ver qual é que tem a dita flor lá enfiada. Estou em paz.




* RRazelle é como se lê... na realidade escreve-se Gazelle (aquele animal saltitão que costuma ser almoço de leões em África, estão a ver?)

Irra, estou a ficar farta daquela piscina

Pois é... mais uma surpresa desagradável numa ida à piscina! Como tinha dito já noutro post, os horários são diferentes de dia para dia e algumas horas têm tipos específicos de natação (naaktzwemmen, por ex.). Ora hoje das 10h ao meio-dia havia quiet swimming - e lá fui eu na esperança de gozar uma horinha na calma e sossego de uma piscina silenciosa. Sim, porque tradizir quiet swimming por natação silenciosa não é, diria eu, algo muito rebuscado. Qual não é o meu espanto quando, ao entrar na área do raio da piscina, não só ouço o som da conversa como gritos! Pensei cá para comigo... tanta regra, tanta regra e no final quiet swimming my ass! Mas também não era só por isso que me ia chatear!
Quando me aproximo da água começo a distinguir as pessoas (graças à minha pitosguice crónica antes eram só e apenas vultos) e a grande maioria está, claramente, acima dos 70 anos. E não são poucos, mas sim umas boas 2 ou 3 dezenas de anciãos de molho. Foi aí que me surgiu a mais importante das perguntas, naquelas circunstâncias... como é que eu vou conseguir nadar alguma coisa de jeito no meio da brigada do reumático?!
Lá entrei na água a bufar e só depois de algumas braçadas (não muitas dadas as cisrcunstâncias) é que alguém me disse que quiet swimming não tem nada a ver com silêncio, mas sim com os idosos. É a hora em que não se pode nadar depressa, nem estilos muito espalhafatosos. O quiet, afinal, significa calminho.
Resumindo, estive mais de meia hora a nadar bruços, quase não consigo escrever este post com as dores nos braços e decidi que quiet swimming outra vez só quando também eu me enquadrar na honrosa brigada do reumático!

terça-feira, 31 de março de 2009

Un hermanito llamado el Imbécil

Y ese sábado histórico de mi vida (...) yo y el Imbécil estábamos desayunando en unos tamburetes de la cocina. El Imbécil, por si no lo sabes todavía, es mi hermano pequeño, no le llamo el Imbécil por faltarle el respecto, le llamo el Imbécil porque en un principio me sentó como un tiro que viniera a este mundo. (...) Ahora el Imbécil tiene cuatro años y, claro, con el roce le voy cogiendo más cariño pero el problema está en que ya no me acuerdo de su verdadero nombre. Él está muy contento con su mote, en serio. Sin ir más lejos, el otro día mi madre le dijo:
- No hagas eso, Nicolás.
Le llamó Nicolás porque se debe de llamar Nicolás, seguramente.
Y el Imbécil protestó:
- !El nene no es Nicolás! !El nene es el Imbécil!
P.S. - passagem obviamente tirada do livro espanhol para crianças que já terminei, Manolito on the road.

O meu avô no seu melhor II

O meu avô é um típico avô português. Baixinho (mirrou com a idade), careca e surdo que nem uma porta. E esta foi uma conversa dele com um vizinho que a minha mãe ouviu e me contou.
O vizinho diz: "Estive ao telefone com a Iolanda."
O meu avô pergunta: "Telefonaste para a Holanda?"
O vizinho responde, levantando a voz: "Não, falei com a Iolanda, a minha irmã."
O meu avô responde: "Ahhh... Pois, é que na Holanda é onde está a minha neta, sabes?"
* Para quem não é letrado na surdez do meu avô: "Ahhh..." significa que não ouviu / percebeu nada mas que não vai dar o braço a torcer; é uma sorte não ter ficado a pensar que o vizinho tinha telefonado para mim...

segunda-feira, 30 de março de 2009

Ainda há gente honesta

Hoje fui dar uma volta e beber um cafe latte to go. Depois resolvi entrar numa loja e noutra e ainda noutra... e de cada uma trouxe um saco! Nada de caro, nada de especial... uns champôs, postais, um agrafador, a peça do aspirador que se tinha avariado. O problema é que, com o copo do latte e não sei quantos sacos na mão, um deles acabou por ficar esquecido numa loja. Ainda por cima, continha daquelas coisas que servem a toda a gente - champô e vitaminas - e só dei pela sua falta em casa. Enquanto peguei na bicicleta* para, rapidamente, voltar ao sítio onde achava que me tinha esquecido do saco, pensava cá para comigo que ia em vão - há que séculos que alguém tinha pegado no saco e esfregado as mãos de contente (parecendo que não iam mais de 30 aéreos naquele saquinho!). Lá cheguei esfalfada à dita loja e perguntei no apoio ao cliente se alguém tinha entregue um saco perdido... e não é que tinham?! Um senhor (Deus, Alá, Buda e todos os santinhos o favoreçam) tinha achado o meu saquinho e entregado a uma empregada... Afinal de contas ainda há gente honesta!

* ai, tão holandesa que eu estou...

sexta-feira, 27 de março de 2009

Naaktzwemmen (eu explico...)

Ui, ui, as descobertas escabrosas nesta terra nunca mais páram! Depois de uma deslocação infrutífera à piscina onde pretendia dar umas braçadas porque a mesma estava reservada para uso de crianças das escolas, resolvi que tinha mesmo de traduzir o horário que me tinham entregue no primeiro dia. Sim, porque o horário da piscina municipal não é nada tão óbvio como de 2ª a 6ª das 9h às 20h e Sábados das 9h às 13h, por ex.. Nãooo! Em cada dia da semana há um horário diferente, para quê simplificar?! Então se às 2ªs-feiras está aberta das 7h às 18h, às 5ªs funciona das 7h às 9h, das 12h às 13h (lunch swimming), das 14h30 às 18h e das 20h às 22h (job swimming). Simples, né? E perguntam vocês: "O que é lunch swimming e job swimming?" Ora pois perguntam muito bem, porque eu também não sei, esta foi a tradução para o inglês que o Google fez da algaraviada holandesa que vem escrita no horário... Mas o melhor ainda aí vem! Então aos Domingos não é que há, das 16h30 às 17h30 naaktzwemmen?! Ahahah! Lindo! Só neste país! Sabem o que é naaktzwemmen segundo a tradução do Google? Naked swimming!!!!!

Só para ilustrar o post anterior





Cá estão os dois Manneken Pis (versões casa-se-banho e cozinha)

As duas facetas do Manneken Pis

Toda a gente conhece o Manneken Pis, o simpático boneco anão que faz a sua chichoca numa esquina de Bruxelas. Pelo menos já ouviram falar, porque vê-lo às vezes é complicado... Eu mesma (adoro estas duas palavrinhas juntas) andei, com umas amigas, para trás e para a frente duas vezes na rua onde o mijão se encontra sem dar com ele! Primeiro, como já frisei, o boneco é anão. Segundo, tem permanentemente uma trupe de japoneses à frente, todos de máquina fotográfica em riste, a flashar o pobre. Terceiro (e talvez devesse vir em primeiro lugar), no lado oposto da rua (e estamos a falar de uma rua estreita, sem trânsito) há uma daquelas chocolaterias belgas que têm na montra uma fonte de chocolate derretido que exala uns vapores tão deliciosos que toda a gente normal olha imediatamente para o fluxo de chocolate e não para uma qualquer trupe de japoneses (atrás da qual se esconde o Manecas)!

Mas só quem já veio à Holanda conhece a outra faceta do simpático incontinente - faz (segundo os holandeses porque nunca provei) as melhores batatas fritas do mundo! E perguntaria um qualquer português com toda a razão: "Mas nesse restaurante só as batatas fritas é que prestam? E o resto? Os bifes são tenros, pelo menos?". Acontece que o Manneken holandês é famoso pelas suas patates frites porque serve - apenas e só - patates frites, devidamente enfiadas num cone de papel tipo "quentes e boas" e acompanhadas com uma generosa colherada de maionese (há outros molhos, mas a maionese é claramente a favorita). Ah, e estas batatinhas comem-se... ao lanche! Sim, é vê-los às 4h ou 5h da tarde agarrados ao seus cones engordurados com uns garfinhos liliputianos a espetar as batatas e a molhá-las generosamente na molhanga...

Vão perdoar-me os adeptos do "em Roma sê romano" mas batatas fritas, com maionese, ao lanche? Não, obrigada!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Eu não queria, mas

Não quis começar o blog logo a cascar na Igreja, no Papa e afins por isso mantive-me calada quando tive que ler tristes notícias sobre médicos excomungados por um bispo brasileiro (com a posterior benção do Vaticano) ou sobre os malefícios do preservativo no combate à SIDA... Mas em exploração blogosférica fui dar com esta pérola (dia 20/03/09), chorei a rir uns bons 5 minutos e vim fazer este link! Teve mesmo, mesmo de ser.

My usual self is back

E a primeira coisa que notou foi que os dois posts de ontem parecem ter sido escritos por dois peixitos diferentes! Para o resto do mundo que aqui vem (ui, tanta gente confusa) pode até parecer que tenho algum tipo de problema de personalidade... Mas não, infelizmente a razão para estes dois post tão diferentes é apenas a minha burrice informática, excesso de curiosidade e experimentação descontrolada. Agendei o post das Donas de casa para ontem mas tinha-o escrito há séculos (já nem me lembrava...) e foi publicado automaticamente. Depois bateu-me a saudade e escrevi o outro. O resultado assemelha-se em muito a um claro sintoma de dupla personalidade. É uma pena que não seja, de certeza teria muitas mais ideias interessantes para aqui colocar (just kidding)!

quarta-feira, 25 de março de 2009

há dias menos bons

estou farta. farta deste tempo ranhoso. de ver um terço das propostas de emprego a que respondo recusadas e os outros dois terços ignorados. de não ter com quem falar, pessoalmente, e ver nos olhos, na boca, nas mãos dessa pessoa o resto da resposta que está a dar-me. de não ter o que fazer. de fazer limpezas e arrumações em casa. de ter de me entreter com um livro, um computador e uma televisão.
tenho medo. de voltar a portugal e ter de dizer que estive meses sem trabalhar. de ficar apanhada da cabeça, afundada na tristeza e na solidão. tenho medo que os meus velhotes morram comigo à distância. que as pessoas me esqueçam.
tenho saudades do sol. de ter um cão. de ver o mar azul a brilhar ao sol. de almoçar fora. das pestes dos alunos. do meu carro. de toda a gente. da minha mãe.

A fama que criamos

Não sou grande fã das Donas de Casa Desesperadas (depois da primeira série acho que perdeu a graça) mas o teaser que passou aqui há uns tempos a anunciar os novos episódios conseguia sempre arrancar-me uma gargalhada (e, é preciso ver, passou durante semanas a fio!).

Edie - I've got a husband now.
Susan - Whose?

terça-feira, 24 de março de 2009

Se eu pudesse chegar lá num pulinho, ia para...

NEW YORK Apesar do frio, foram uns dias muito bem passados. Outro mundo, sem dúvida.

segunda-feira, 23 de março de 2009

E eu preocupada...

Assim que criei este bolg colocou-se a questão: dizer ou não dizer ao mariduncho que este aquário existe. Dizendo há uma série de coisas que depois já não poderia escrever... Não dizer significa coexistir com a possibilidade de o mariduncho descobrir e ficar chateado por não lhe ter dito nada... Uma dúvida quase-existencial. Resolvi dizer, não me quero divorciar por causa de um blog, por muito gosto que tenha em escrever aqui.
Pois nem quis saber o nome, diz que estas modernices da internet não lhe dizem nada e ainda acrescentou (vejam bem ao que uma pessoa vai quando diz "sim") "já não me chega ter de te ouvir, ainda tenho de ler o que escreves?!".

Raios partam este tempo

É oficial. Confirma-se, e está de acordo com todas as previsões. Infelizmente, nem sequer me espanta. Está, de novo, a chover. Estamos de novo abaixo dos 10ºC de temperatura máxima. E, segundo as previsões, vai continuar assim até domingo que vem. Irra! Raios! Porra! Chiça! Caneco! E não continuo porque não me lembro de mais insultos que possa escrever aqui sem ter de passar a colocar asteriscos em vez de letras!
* num flash da minha querida série FRIENDS acabei de me lembrar de mais um... "Va pr'a Napoli!"

domingo, 22 de março de 2009

Uma ida ao cinema

Fui ao cinema ver o Gran Torino, com o Clint Eastwood. Adorei o filme, só não digo que é muito bom porque isso depende dos gostos... Para o meu esteve óptimo. Mas não era do Gran Torino que vinha aqui escrever, era da ida ao cinema, per se.
A Lusomundo cá do sítio chama-se Pathé, e há vários cinemas, como um antigo, pitoresco, daqueles que é meio teatro com algumas filas de cadeiras penduradas bem acima da tela. O outro que conheço (há mais) é moderno, salas mais pequenas, mais de 10 no mesmo espaço. As pipocas e coca-colas do costume aqui misturam-se com fajitas de milho e cerveja. Até agora, nada de muito diferente. Mas isto é apenas a ponta do iceberg...
Há uma grande vantagem no cinema na Holanda - o som nunca está a ponto de nos rebentar os tímpanos como de há uns anos para cá começou a ser hábito em algumas (muitas) salas em Lisboa. Nos últimos tempos em que vivi em Lisboa levava os tampões dos ouvidos que comprei para a natação de cada vez que ia ver um filme e, acreditem, conseguia ouvir, tudo, tudinho. Uma desvantagem são as legendas - ter um monte de palavras holandesas no rodapé de um filme não contribui em nada para a minha compreensão do filme, principalmente quando estamos habituados a ler palavrinhas portuguesas, tão bonitinhas, exactamente no mesmo sítio. Outro problema ligado às legendas é a compreensão das falas que não são ditas em inglês... Nem em nenhuma outra língua inteligível! No Gran Torino, por ex., há algumas falas em mandarim (acho eu) com a respectiva legenda... em "chinês"! (no que me diz respeito, holandês=chinês)
Outra particulariedade do cinema Pathé são... os próprios holandeses! Sim, o holandês é um tipo chato que não tem nenhuma das restrições que qualquer português teria na ida ao cinema. O holandês levanta-se a meio do filme (haverá tantos incontinentes assim?!) e sai da sala, para voltar pouco depois. O holandês não tem o menor problema em levar comida (sim, comida, não batatas fritas ou pipocas) para comer durante o filme, empestando todo o anfiteatro com o cheiro do que está a comer. O holandês gosta (muito) de beber vinho, cerveja, qualquer coisa com álcool, e também não tem o menor pejo em levar de casa uma garrafinha de rosé e um copinho de pé alto para ir beberricando (ainda gozamos nós com o garrafão de tintol que antigamente se levava para a praia!) enquanto o filme vai passando. O holandês fala durante o filme e (ironia das ironias) como o som não está muito alto, consegues ouvir o bichanar dos parceiros à tua volta. E à saída, além do rapazinho com o saco do lixo para receber os pacotes e copos de papel que alguns se dignam a trazer para fora da sala (a maioria deixa tudo lá dentro), há um carrinho com várias caixas para colocar as garrafas de cereveja...

A brincar, a brincar...

Enviaram-me este link por e-mail, mas estes sketches costumam passar num canal do cabo (aqui da Holanda) chamado Animal Planet. É tudo "dito" (na realidade não há falas) a brincar, mas as mensagens são tão simples como importantes.

http://www.animalssavetheplanet.com/media/swf/design_video.swf?vidNumber=1

P.S. - gostei de todos, mas adorei a vaca e o leopardo...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Mixed feelings sobre a Primavera

A Primavera chegou... Esta estação do ano, muito amada por mim (quase tanto como a que se segue) lembra-me, no entanto, um triste episódio do início da minha carreira escolar. Caso não saibam, sempre fui uma aluna de notas médias-altas, que percebia rapidamente as explicações e que não dava muitos erros, especialmente daqueles que deixam a turma inteira a rebolar a rir-se de nós. Mas um belo dia (concerteza estaria o sol a brilhar e uma brisa amena a soprar do lado de fora da sala de aulas da minha 2ª ou 3ª classe) a professora Irene chamou-me para ir escrever uma frase ao quadro - uma frase que ela ditaria à medida que eu escrevesse. Escrever no grande quadro, usar o giz, ser escolhida pela professora (que eu adorava)... toda eu sorria. Sorria tanto que me esqueci de prestar atenção ao que estava a fazer! A frase versava (obviamente) sobre a Primavera mas eu, que sempre gostei de escrever demarcando bem as letras maiúsculas das minúsculas (não havia engano possível, aqueles caderninhos de duas linhas trataram de diferenciar bem o tamanho dos dois tipos de letras) escrevi... prima Vera. Assim. Bem separado. Com um vê que parecia uma enorme raíz quadrada invertida e de cabelo encaracolado. E nem dei pelo erro. Continuei a escrever enquanto começava a ouvir risos atrás de mim (sim, eu não parei às primeiras risadas, não estava treinada nesse sentido). Mas os risos aumentaram e a professora Irene chamou-me e pediu-me para eu ler o que tinha acabado de escrever. Devo ter-me afastado do quadro e comecei a ler a frase em voz alta. E aí, finalmente, o Tico encontrou-se com o Teco e perceberam os dois ao mesmo tempo que a frase (não me recordo exactamente mas devia dizer algo do género) "A prima Vera é uma estação do ano em que as flores e os passarinhos..." não fazia sentido. Vieram-me as lágrimas aos olhos (sou muito chorosa, qualquer coisinha e já escorrem litros de água salgada pela minha face) e, no meio do dilúvio, apaguei as vexatórias palavras "prima Vera" e escrevi tudo junto, sem raízes quadradas invertidas, "Primavera". Acho que foi aqui que passei, definitivamente, a preferir o Verão.
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* em meu favor tenho apenas a argumentar que sendo filha única, neta única, sobrinha única, etc., os primos sempre foram um grau de parentesco muito querido ao meu coração

quinta-feira, 19 de março de 2009

Conhecimentos de Holandês

Sabem como é que se apita com a bicicleta em holandês? "Tringalim!" - e depois não venham dizer que eu não sei dizer nada nesta língua...

* já agora aproveito para frisar que os holandeses (e as holandesas também) dizem mesmo "tringalim" para as outras pessoas quando têm as campaínhas das bicicletas avariadas!

A Dieta do Chocolate

Começo por confirmar que o título que preside a este post não foi um engano, não é a brincar (é mesmo um regime para perder peso) e não o fui buscar à revista Maria. É apenas o nome que eu dei a um regime alimentar prescrito por um nutricionista (ou seja, um médico a sério) dado que uma das coisas mais espantosas da sua teoria é que eu posso comer chocolate (negro, com 72% de cacau) de 2 em 2 horas!
Pois é, há malucos para tudo e a mim deu-me para acreditar num gajo com pronúncia afrancesada que diz que, desde que esteja a realizar trabalho intelectual, devo comer de 2 em 2 horas dois quadradinhos de chocolate ou uma peça de fruta, entre as chamadas refeições principais. Digam lá se não é um querido? E "blogar" conta como trabalho intelectual! Yuppiii!
Então a teoria do Dr. resume-se ao seguinte:
  1. antecipar a fome, comendo de 2 em 2 horas
  2. sedentarismo (físico e intelectual) = proteínas (meaning, iogurtes, queijo magro, leite, fiambre, presunto, etc.)
  3. trabalho intelectual = açúcares (AKA chocolatinho ou fruta)
  4. não misturar gorduras com hidratos de carbono (ou seja, carne ou peixe só com legumes, nada de massas, arroz, batatas; e nada de fruta às refeições principais)
  5. alimentos industrializados: não consumir com percentagens superiores a 15% nos lípidos e 6,5% nos glícidos

And that's basically it!

Há uns quantos pormenores macabros... não posso comer cenouras (!), cuidado com os iogurtes magros - para terem sabor reduzem na gordura e acrescentam nos açúcares, nada de tostas nem bolachas (nada), e posso petiscar (= a comer muito pouco e poucas vezes) maionese caseira, mas nunca industrial (vade retro).

Enfim, estou nisto há duas semanas, a minha sopa passou a parecer marciana (é sempre verde, não posso pôr cenoura) e, de resto, nem me queixo. O que é um facto é que no dia em que vou ter aulas de espanhol e só chego a casa às 11 da noite aguento-me com nada mais que 6 quadradinhos de chocolate desde a hora de almoço... Agora só faltam os resultados!