terça-feira, 23 de junho de 2009

Já que em Lisboa até me choveu em cima... hoje fui para o parque apanhar sol tipo lagartixa. Ahhhhhhh..... :)

Obrigada, muito obrigada!

Afinal não havia ninguém com o meu NIB equivocado! Nadie, nobody, niemand, n-i-n-g-u-é-m! Já recebi um e-mail, já conferi o saldo da conta e o dinheirito já cá canta! Ai, tenho de pensar quantas camisolinhas da Zara e afins vou poder comprar... :)
Mental note to self: não confiar nos números impressos a tinta nos cartões MB já usados.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Os dias mais longos

Amanhã e depois vão ser (em números redondos) os dias mais longos do ano aqui em Amsterdão, com o sol a nascer às 5h20 e a pôr-se às 22h07. Ora eu durmo mal e pouco. Falo de noite. Mexo-me tanto que já pus um olho negro ao mariduncho e acordei virada para os pés da cama toda enfiada por baixo do lençol de baixo (daqueles com elástico, ainda por cima, estão a ver?). Raramente durmo mais de 8h, mesmo que esteja estafada, mesmo que me tenha deitado de madrugada, mesmo que não tenha nada para fazer. E se há duas coisas que não me deixam dormir são o barulho e a luz - tenho uma venda para os olhos e tampões para os ouvidos que levo religiosamente cada vez que durmo fora de casa. Mas em casa não me dá jeito dormir com uma coisa sobre os olhos e outras duas que me impedem de ouvir quase tudo. O meu quê de medrosa lembra-se logo de todas as coisas más que podem acontecer sem eu ouvir por causa do raio das borrachinhas. Mas, sem venda, o cortinado da minha casa parece um quadro negro gigantesco iluminado por raios divinos (daqueles que aparecem nas pinturas religiosas, a furar autênticos montes de nuvens) às 5h30 da matina! Ou seja, há mais de um mês que estou a pé, já a preparar o pequeno-almoço, às 7h. Ora, se ainda fosse trabalhar... mas não vou! Ah, claro, daqui a uns meses, quando voltar a estar noite cerrada antes das 18h, volto a queixar-me, ok? Mas aí é porque às 5 da tarde já é quase noite, está um frio de rachar e não há nada para fazer na rua sem ser ir aos bares. Golden sofre...

sábado, 20 de junho de 2009

Tudo o que podemos fazer trocando um C por um T ou um D

Eu tenho uma capacidade muito limitada de compreender o holandês. Um dos problemas é perceber os nomes quando me apresentam a alguém. Mas, verdade seja dita, eles também não ajudam! No primeiro curso de espanhol que tirei aqui na Holanda tinha um colega chamado Con. Ao fim de umas quantas aulas percebi finalmente o seu nome - vi-o escrito. Agora, no outro curso, tenho outro colega, este chamado Ton. Logo na primeira aula, felizmente, a professora fez passar uma folha para escrevermos os nossos contacto e eu fui a última... Se não acabava a chamar-lhe Con, como ao outro. Na última aula, descobrimos que o marido de outra colega se chama... Don. A prof, espanhola, tão dura de ouvido do que eu, disse, verbalizando os meus pensamentos "Ah, como Ton!", apontando para o nosso colega. Lá fomos corrigidas, "No, con una 'd', Don". Bem, pelo menos são fáceis de dizer - nada como Jerome, nome de um colega do mariduncho, a quem ele jura já ter ouvido chamar rreruume, jeruume e xeruume, e que ainda por cima é um nome muito comum. Mas Con, Ton e Don... que falta de originalidade!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ai, eu

Arrombam-me o carro. Levam-me a carteira com todos os cartões do banco (ãh, dito assim até parece que são muitos...) e parte dos códigos do netbanking. Logicamente, cancelei tudo. Já tenho tudo tratado, menos o netbanking. Há dias precisei do meu NIB português por causa de um pagamento. Não tendo netbanking, lembrei-me de ver o NIB nas costas do cartão de débito, por acaso está lá escrito. E lá mandei os números por e-mail. Avisaram-me que a transferência já tinha sido feita. Cravei os dados de acesso ao netbanking da minha mãe (um rasgo de inteligência) e como ela é 2ª titular da minha conta lá fui ver da guita. Não estava lá. No dia seguinte, voltei a confirmar. Nada. Comecei a temer o pior. Já que agora já tinha os acessos da minha mãe, fui confirmar o NIB. 20 números confirmados depois, já suspirava de alívio quando olhei para o 21º - estava errado! O último dígito do NIB, um 8, tinha-se transformado num 6 perfeitinho devido ao uso do cartão. Ataque de stress. Bebi meio litro de água para acalmar e liguei para o banco. Um rapazinho super-simpático atendeu-me e depois de ouvir a minha never ending story (sim, eu não admito estes erros idiotas sem me explicar bem) explicou-me tudo tintim por tintim. Se o NIB errado não pertencer a ninguém, estou safa, a transferência não é feita. Se pertencer a outra pessoa é que a porca torce o rabo... A pessoa / empresa que fez a transferência é que tem de contactar o seu banco, avisar que o NIB está errado e o banco tem de entrar em contacto com o dono da conta para onde foi o dinheiro para pedir autorização para retirarem o dinheiro! Se não houver autorização, chapéu, só indo a tribunal... Ou seja, ou a transferência é rejeitada e faço figura de parva perante a empresa, ou o NIB existe e tenho que lhes dizer que não é meu e que têm de ter o trabalho de ligar para o banco, fazendo também figura de parva e ainda por cima dando-lhes um trabalhão extra - para piorar as coisas é o primeiro trabalho que faço para eles, que mau aspecto... E corro ainda o risco final de ficar a arder porque não vou meter ninguém em tribunal por 100€!! Ai, eu. Esperam-se desenvolvimentos.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Será piada do dia ou frase do dia?

Handle every stressful situation like a dog:
If you can't eat it or hump it,
piss on it and walk away

Saudades

Ir a Portugal também é triste. Porque chegamos a casa e já não encontramos esta loura linda. Ainda não consigo deixar de esperar que ponha a cabecita pela porta da cozinha, atraída pelo som da porta do frigorífico, associado num perfeito efeito Pavlov a uma deliciosa fatia de fiambre.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

E não é que funcionou?!?

Podem cair os queixos, pasmar as almas, fazer boquinhas em forma de "ó". É verdade, o raio da dieta funcionou! Mesmo com chocolate! Menos do que deveria, é certo (já tenho exames para fazer na próxima visita a Portugal), mas lá perdi 3 quilitos! Viva! Hurray! Yuppi! Etc., etc.!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Um quiz de holandês

A revista da KLM que me foi entretendo no voo para Lisboa trazia um quiz sobre conhecimentos da língua holandesa. Se por um lado não escrevo aqui o pobre resultado que obtive (tenho vergonha), uma das palavras cujo significado obviamente não adivinhei merece ser conhecida para lá das fronteiras dos países baixos... Falo da palavra brilzeeëend. Isso mesmo, leram bem - brilz-e-e-ë-e-nd. Quatro "e" seguidinhos, um deles com um trema em cima que, pelo que entendi nas aulas de holandês (será melhor, portanto, procurarem informação mais fidedigna), serve para indicar que temos de carregar na pronúncia daquela letra. Qual será a utilidade de repetir (quase ad eternum), uma letra numa palavra?! Será que a pronúncia seria diferente se se escrevesse brilzeëend (para os mais distraídos, tem apenas 3 "e") ou ainda brilzëend ( com 2)? Ou será que existem 3 palavras diferentes, com significados completamente distintos, com 4, 3 e 2 "e"? E, já agora, como é que se lêem 4 "e" de seguida, com ou sem trema, perguntam vocês... Pois vejam lá que não sei! E, desconfio, nunca virei a saber. Ou talvez sim, se me lembrar de perguntar semelhante coisa da próxima vez que estiver com um holandês que conheça. Caso o descubra, partilho.


P.S. - já que já, um brilzeeëend é um pato-careto, espécie cujo nome em latim é Melanitta perspicillata; será que ainda me espanta que até uma língua morta seja mais fácil de ler do que holandês?! Nãoooo!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Já que apelar ao S. Pedro não parece resultar...

Querida R.,
Eu sei que não te disse que vinha à tua despedida, que fui má e que até consegui enganar-te ao telefone. E sei também que, por não querer informar-te das datas da minha estadia em Lisboa não pudeste informar com a devida antecedência os teus compadres deus nosso senhor, Jesus ou, ainda melhor, S. Pedro da minha vinda e da necessidade que alguém que vem da Holanda tem de encontrar uma Lisboa no seu melhor, solarenga, quentinha, luminosa, aprazível, etc., etc.. É bem feita, resmungas tu neste momento, tivesses dito que vinhas que eu fazia lobby com os meus santinhos de cabeceira! Ora mas vamos lá a pensar, querida amiga... O fim-de-semana que se aprochega (será assim que se escreve? será que existe? :s) é a última oportunidade de os teus convidados bronzearem a pele antes do casório. E tu não queres uma data de minhocas esbranquiçadas a deambular pelo copo d'água, por muito bem vestidas que vão, pois não? Então vê lá se mexes os cordelinhos, acendes uma velinha e tudo o mais que houver para termos um fim-de-semana de Verão e, já agora, uma semaninha que se aproveite também!
Muitos beijinhos e xi-corações desta tua amiga,
Golden
P.S. - tens de admitir que é triste que, dos teus convidados europeus (nós), o único que vem bronzeado tenha apanhado um escaldão... na Holanda!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Só a mim

Pois é, isto só a mim. Depois de um fim-de-semana porreiríssimo, com outras 12 gajas (quanto ao número não há dúvidas, até fomos contadas numa praia perto de São Torpes...) e outros tantos lencinhos de odalisca (ir a despedidas de solteira é no que dá) acabamos em Melides com o carro arrombado! Sim, mesmo na praia de Melides, ou seja, no fim do mundo conhecido! Ora uma pessoa vive e deambula por metrópoles agitadíssimas como Amsterdão e Lisboa a toda a hora do dia e da noite para depois ser roubada numa praia do Alentejo?!? E como não chegava perturbar o final do nosso querido fim-de-semana, ainda me deixaram o canhão da porta do pendura estragado e obrigaram-me a voltar a Grândola no dia seguinte para ir buscar quase tudo o que nos tinham tirado na véspera! Fdp, hão-de arder no inferno mais profundo depois de se esvaírem em caganeiras sucessivas durante dois meses e três dias, nem mais, nem menos!!
Que me sirva de emenda:
- não abrir porta-bagagens recheados no meio da rua onde vamos deixar o carro estacionado;
- não deixar a carteira dos documentos dentro do carro;
- não voltar a desperdiçar dinheiro em alarmes para o carro.
Como tudo está bem quando acaba bem, não me posso queixar. A fechadura da porta ficou estragada mas o fecho centralizado funciona como sempre. Outras vítimas da onda de assaltos (parece que andaram em várias praias, umas a seguir às outras) tinham um furo na chapa da porta, mesmo ao lado do canhão, que vão ter de reparar e não deve ser barato. Além das nossas coisas, nada foi encontrado pela polícia. E podiam ter-me levado o carro - chorava baba e ranho, nem quero pensar... Recuperei todos os documentos e cartões, mala e carteiras, e as outras duas vítimas também. Só faltou mesmo a máquina fotográfica, velha de alguns anos e já com a patilha das pilhas meia partida - como diz o mariduncho, estávamos mesmo a precisar de um incentivo para comprar uma máquina nova que não desfoque metade das fotos e que consiga funcionar também de noite!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Qual é o sítio, qual é ele...

... onde eu fui roubada?
Opções:
a) cidade de Amsterdão
b) cidade de Lisboa
c) Vila Nova de Milfontes
d) praia de Melides
e) praia da Costa da Caparica
Eu até dava um prémio a quem acertasse mas... não dou. Vá, tentem lá adivinhar! Atenção, nos últimos 3 dias estive em todos estes sítios! Amanhã respondo. :)

sábado, 30 de maio de 2009

The cat is out of the box



Já não há segredo!! A esta hora já a minha querida R. sabe que sim, vou poder estar com ela neste fim-de-semana a gozar (espero) um merecido sol e, principalmente, a companhia dela e das minhas outras queridas... S. e X.!!




Havemos de estar num destes apartamentos lindos, em Vila Nova de Milfontes, a assentar arraiais bem depressa para irmos ver como está a praia.




E apesar de dormir não ser uma prioridade, vai dar gosto dormir aqui...



E, além deste fim-de-semana, vou poder matar saudades de tudo e todos durante duas semanas inteirinhas... Vou ter direito a miminhos da mãe e do avô, almoços e jantares com amigos, ver e falar com uma certa prima que anda muito ocupada e, claro, visitar os sobrinhos, todos (espero)os que já compõem a minha mini-equipa de futebol. Vou guiar o meu boguinhas, vou sentir o meu mar, vou passear à beira do meu Tejo e vou matar saudades de todas as coisas boas que só se comem num lugar do mundo: em casa. Sou capaz de vir aqui sossegar o bichinho "bloguístico" uma vez ou outra, mas nestes dias valores mais altos se levantam. Até já!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

How many...

... babes does it take to screw a light bulb? - ouço o Bruce Willis a perguntar pela boca de um bebé* ao mesmo tempo que olho, desanimada, para o candeeiro da cozinha. Fundiu-se mais uma lâmpada. E quando eu digo "mais uma" estou a referir-me à última num total de seis... em 8 meses!! Nunca na minha vida vi tanta lâmpada dar o berro! Aliás, tenho a impressão que mudei mais lâmpadas em 8 meses nos Países Baixos do que em quase 30 anos em Portugal! Será um problema local? Das próprias lâmpadas? Da corrente eléctrica? Dos candeeiros do IKEA? Será que as lâmpadas gostavam mais do inquilino anterior e estão a organizar-se numa autêntica conspiração / greve geral para nos expulsar? Acho que estou a ficar um bocado desequilibrada, ainda bem que estou quase a ir para Portugal...


* a quantidade de idiotices irrelevantes que o meu cérebro tem capacidade para reter nunca deixa de me espantar - especialmente quando sinto fugir constantemente ideias interessantes e muito mais úteis. Esta frase foi retirada do filme "Olha quem fala!", comédia tonta mas muito bem apanhada que tanto me fez rir na altura, mas, apesar de me recordar da pergunta (tenho a "certeza quase absoluta" que a frase é dita por estas exactas palavras) não me recordo da resposta... era suposto ser uma piada e acho que o outro bebé, a quem foi contada, também não a entendeu!!!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Ena, viva a minha mãezocas!

Eu já sabia que a minha mãe não é uma mãe qualquer - é a minha mãezocas. E sei que, além de ser uma mãe fora do normal, é uma pessoa especial, com uma sensibilidade e bom-senso dignos de um (novo) livro, com uma coragem infinita (tirar a carta aos 59 não é para qualquer um) e uma força de vontade que consegue, se não mover montanhas, pelo menos fazer mover um tornozelo que em vez de articulação tem uma prótese resultante de 3 anos de operações, gessos, parafusos, placas e sabe-se lá o que mais. Não, a minha mãe não é uma mãe qualquer. Mas agora, além de especial, é uma pessoa famosa! Sim, porque ninguém é alvo de um abaixo-assinado se não for famoso... Que fixe, pode ser que ganhe uns cobres e possa vir visitar-me mais vezes sem ir à falência com os preços da TAP e da KLM! Não, mas espera aí... Um momentinho, faxavô! A minha mãe não é famosa - não está nos jornais, na TV (nem na I) nem nas revistas cor-de-rosa. Então se não é famosa, há abaixo-assinado para quê? Ah... é um abaixo-assinado contra ela por causa do lugar de estacionamento para deficiente! 'pera aí! Contra?? Contra?!? Contra o quê? Ah, e tal, as pessoas da rua acham que ela não deve ter direito ao lugar de estacionamento à porta de casa. As pessoas da rua acham? Mas quais pessoas da rua?! E acham que não deve ter direito?! Mas que conhecimentos têm de medicina para acharem?! Ah, pois, não sei, mas acham e agora estão a fazer um abaixo-assinado.
Ok. Estão a fazer um abaixo-assinado contra a minha mãe porque ela, enquanto portadora de deficiência, declarada por uma junta médica do centro de saúde da zona de residência, exerceu o seu direito de pedir junto da Câmara de Lisboa, apresentando a documentação necessária, um lugar para estacionar o carro. Acho que sim, fazem bem. Primeiro, porque ela nada tem a temer nem a provar. Segundo, porque talvez seja o início de um espírito de comunidade participativa que tanta falta faz ao nosso país - pode ser que, depois de darem com os burros n'água (como diz a minha avó) se lembrem de lutar por outras coisas, essas sim, tão necessárias à nossa cidade, à nossa freguesia e, também, à nossa rua. A começar, talvez, por uma escola que tente educar "as pessoas" para respeitarem a lei, não fazerem julgamentos apressados e baseados nas primeiras impressões, deixarem de se meter na vida dos outros e, last but not least, não julgarem os outros pela sua própria medida - não foi nenhuma cunha que conseguiu aquele lugar, só a aplicação da lei, que cunhas não conhecemos; e se a minha mãe não passa a vida a lamentar-se pelas dores que tem naquele pé, não é porque não as tenha, é porque não faz o seu feitio - basta olhar para o inchaço do pé e do tornozelo, para a cor avermelhada da pele, para as cicatrizes que se cruzam e para os dedos encolhidos de um pé que tem quase dois centímetros a menos do que o outro para se perceber que saúde e ligeireza, ali, já não há. Ainda há poucos dias escrevi sobre a mesquinhez nas relações laborais. Infelizmente, esta característica tão triste do nosso rectângulo não se limita às relações profissionais, antes sai do dia-a-dia e da maneira de ser das pessoas para o local de trabalho. É triste.

Falta de condições

À enxaqueca tipo vai-e-vem que me acompanha desde Sábado (vai quando tomo os meus comprimidinhos maravilha, vem assim que passa o seu efeito, é claro) junta-se agora uma noite extremamente mal passada - a chuva e a trovoada foram de tal ordem que me acordaram 4 vezes durante a noite. Tendo em conta que me deitei quase à meia-noite e que me levantei às 7h da matina podem calcular o estado em que me encontro. Algo mais profundo do que isto, talvez amanhã, se S. Pedro, o João Pestana e o Migretil ajudarem.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Ai, a praia...

O problema da praia aqui é este... embora eu, neste preciso momento, fosse muito mais feliz se me encaminhasse para Zandvoort (a prainha do post de baixo - esqueci-me de dizer na altura) e não para Utrecht, tenho de ir para Utrecht. E, mesmo que fosse para Zandvoort, quando lá chegasse estaria, provavelmente, a chover. E, peixe ou não, a chover e com frio não me apanham em mar nenhum, nem azul, nem amarelo, nem cor-de-rosa às bolinhas. Irra, tempinho chato!

domingo, 24 de maio de 2009

Passeios de fim-de-semana

Está bom tempo na Holanda! Sim, acima dos 20ºC e com sol! Para português, está bom para passear, mas para holandês já está bom para a praia - ou qualquer coisa que se assemelhe a isso, tipo relvado à beira do IJsselmeer. Ainda não foi desta que fui ver a maravilha da engenharia que separou este "mar" do oceano, mas está na minha to-do list enquanto estiver por aqui...

Desde pequena que tenho um fascínio e adoração por estes edifícios. Quando era pequena descobri - ou, mais provavelmente, a minha mãe apontou-me - um antigo moinho de vento que se avista da via rápida da Costa da Caparica. Religiosamente, esforçava-me por o ver todos os dias - está bem ao longe e apenas é visível durante uns segundos - e ficou conhecido como "o moinho velho". Se, na altura, já era "velho", agora pouco mais é do que uma ruína, se é que não foi abaixo desde a última vez que me lembrei de procurar por esta recordação de infância. Por cá estão todos bem conservados (os que sobram, pois apesar de continuar a haver muitos, muitos mais foram destruídos), como se vê, e todos são obrigados a funcionar uma vez por semana, para não se deteriorarem.

Ora digam lá se não é uma praia de fazer inveja a muitas portuguesas?!? A areia é branquinha e fininha como a da Costa (diminutivos = amor profundo) e a praia é enorme, há areal a perder de vista. O problem é mesmo o mar. Aqui não parece, mas a água não é transparente e azul, e sim baça e amarelada - já me disseram que é por causa de uma alga qualquer, mas em abono da verdade tem mais semelhanças com o Tejo do que com o Atlântico...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Sobre a fé e a ignorância

Pegando no feriado de ontem e no filme Angels and Demons, do livro homónimo de Dan Brown (o filme, sendo um normal filme de acção e aventura pareceu-me muito mais bem conseguido do que O Código da Vinci), as questões religiosas ficaram-me na cabeça. Eu não sou religiosa, nem crente, de espécie nenhuma. Se, por um lado, ninguém fez questão de me educar na igreja, por outro, sempre nutri uma profunda desconfiança e um pouco de raiva pela igreja. Passo a explicar. A única católica praticante no meu agregado familiar alargado era a minha avó materna que costumava levar-me, em pequena, à missa. No final (penso eu) da missa o padre distribuía a hóstia. Eu, que sempre fui gulosa e dada à experimentação, queria por força maior provar o que toda a gente ia buscar - menos eu (e a minha avó, por solidariedade). E não me deixavam, explicavam-me, porque eu não era baptizada. Eu não gostei. E não me esqueci. Mais tarde, foi o fascínio pelos escuteiros - as tendas, as aventuras dos sobrinhos do Pato Donald, um monte de amigos novos... Novamente, não podes, não és baptizada. Aqui, mais crescidinha, deram-me a escolher. "Queres ser baptizada, na igreja, para poderes ir aos escuteiros?", perguntaram-me. Depois de várias explicações sobre o baptismo e a igreja a minha resposta foi rápida - não. Nada daquilo fazia sentido para mim, a menina mimada da família, que achava que não era justo ter de ser baptizada e ir à igreja aturar uma data de coisas que me pareciam altamente entediantes para pertencer a um grupo de crianças cujo interesse principal era a brincadeira e diversão. E ainda me lembrava da questão da hóstia. Conforme fui crescendo, a descrença na existência de um ser maior que olha por nós foi ficando cada vez mais firme por força das circunstâncias e as atidudes e opiniões do representantes da igreja cada vez me pareciam menos de acordo com o que eu achava que uma igreja deveria pregar. A soma de tudo isto resulta numa pessoa que não consegue acreditar num ser superior (por vezes com pena, pois sinto o alívio e conforto que muitas vezes advém dessa crença) e que nutre uma profunda desconfiança e, até, repulsa pela instituição igreja católica.
O Angels and Demons relembrou-me o fanatismo e a psicologia das massas que sinto na igreja. A falta de informação sobre o dia da Ascensão em pessoas educadas e criadas na igreja, com baptismo e aulas de catecismo despertou em mim a ideia de que a igreja prefere manter os seus na ignorância. E que alguém, ou alguma instituição, prefira manter os seus membros na ignorância é algo que me espanta, principalmente nos dias que correm. Quem prefere a ignorância ao esclarecimento tem medo do último porque tem algo a esconder. Eu não me esqueço que uma querida amiga, crente, católica, catecista, me disse certa vez que a história de David e Golias não era bíblica. E que outra, uma senhora já com muitas décadas de igreja nas costas, não acreditou quando lhe disse que o deus da igreja católica é o mesmo do judaísmo e do islamismo - só divergem na questão de quem foi o último profeta. Não sabia (nem ficou a acreditar, como se fosse algo em dúvida) que o antigo testamento corresponde ao livro sagrado dos judeus. Tudo isto fica na minha cabeça, dá-me que pensar, e cada vez me causa mais espanto. Espanta-me e choca-me que alguém diga pertencer a uma organização e não saiba quase nada sobre ela. Eu até compreendo que continuem a dizer-se católicos os que não seguem todas as directivas do Papa, como nas questões do aborto, do uso dos preservativos, da eutanásia ou outras - creio que esta escolha é o que separa um crente de um fanático - mas não percebo como se podem identificar com uma instituição e com uma doutrina sobre as quais têm um conhecimento que não vai além do superficial. O ritual da missa. O gosto pelo casamento religioso e pelo baptizado. Como é que a crença em deus, algo tão profundo, pode ser misturada, confundida, com estas superficialidades? É que dizermo-nos crentes em deus é muito diferente de nos dizermos católicos, budistas ou qualquer outra coisa. E, pela minha experiência, muita gente confunde as duas coisas.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Feriado? Ascensão? Espiga? What?

Amén à Wikipédia! Finalmente - depois de uma exaustiva procura - descobri por que carga de água é hoje feriado nestes lados do mundo onde me foi dado viver! É um feriado cristão que celebra, 40 dias após a Páscoa, a Ascensão de Jesus ao céu. Ou seja, foi crucificado, morreu, ressuscitou e depois ascendeu aos céus. Complicado? Parece que sim... É que perguntei a holandeses... e nada. Que fixe, é feriado, mas porquê... who cares? Perguntei a portugueses... ah e tal, é 5ª feira de espiga, mas o que é isso da espiga para a igreja, ah pois, não sei. Não é que seja importante... mas eu gosto de saber estas coisas! Agora, esclarecida, até vou dormir melhor.