sexta-feira, 17 de abril de 2009

O primeiro

Yuppi!! A mensagem anterior motivou o PRIMEIRO comentário no meu modesto bloguesinho de alguém que não me conhece! Sim, sim, alguém que não me conhece de lado nenhum veio parar aqui ao aquário e deixou um comentário! Ainda por cima positivo :) Também, com um senhor daqueles na fotografia! É outra "europeia" (segundo ela, parece que já não somos emigrantes, mas "europeus") a andorinhar por Amsterdão. E parece que adorou Berlin, cidade que está a chamar por mim desde que aqui cheguei!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Há louros e louros



Ele há muitas portuguesas que não gostam de louros. Sim, tenho amigas que não são fãs, já li explanações em vários blogs e mesmo eu, com toda a franqueza, não morro de amores pela pelosidade descolorada. O dourado é uma cor que perde a sua piada quando misturado com dois outros ingredientes - a masculinidade e o crescimento. Já tinha esta impressão mas com a convivência diária com os holandeses ela transformou-se em certeza. Há louros em barda nesta terra que, basicamente, se dividem em três categorias. 1- as mulheres, bonitas; 2 - as crianças, uns anjinhos; 3 - os homens (e esta categoria tem início aos 12 anos), horrorosos. Como é que é possível umas crianças tão engraçadas transformarem-se desta maneira?! Dá-me a ideia que a quantidade de louros giros é inversamente proporcional à de crianças louras fofinhas! Enfim...

Mas ele há louros e louros... E digam-me lá que não se esgatanhavam por uma lambidela deste louro?! Por um abanão de rabinho?! Por um fio de baba e escorrer pelas comissuras dos lábios enquanto os olhos não se desviam, não piscam, completamente focados na sandes de fiambre que estamos a comer?! Lindoooo.... Tal e qual um lorde, de patinhas cruzadas, a gozar o sol numa janela com almofada e vista para o canal! Totalmente poised, consciente da sua beleza, não ligava puto ao monte de idiotas embevecidos que se acotovelavam para tirarem uma foto bem centrada do seu pêlo luzidio, concentrado apenas na absorção de vitamina C e no ocasional pato a esvoaçar por cima das nossas cabeças. Sem dúvida, ser estrela está-lhe na massa do sangue.

P.S. - tenho tantas, tantas, tantas saudades da minha lourinha, linda e casmurra como só ela...

terça-feira, 14 de abril de 2009

A-DO-REI








Como prometido, aqui ficam umas fotos... Tal como alguém adivinhou, acabei de regressar de Bruges e Ghent, dois sítios maravilhosos com montes de calhaus antigos que, há séculos e séculos atrás, alguém resolveu juntar em forma de igrejas, casas, torres e pontes. Em cima, à esquerda, temos o Minnewater em Bruges, à direita o Graslei, em Ghent e em baixo de novo Bruges, com uma das vistas mais fotografadas, do Rozenhoedkaai (cais) para as casas junto ao canal e a torre Belfry lá ao fundo a controlar. Lindo, lindo, com o São Pedro a ajudar!





quinta-feira, 9 de abril de 2009

E eu?

Bem, bem! Uns vão para Portugal, outros para Cuba, outros sabe deus para onde... e eu? Sim, euzinha, uma fã assumidíssima do laureanço da pevide, para onde vou?! Então, vou para a Bélgica! (Ahah, aposto que estavam a pensar que eu não ia para lado nenhum, apanhei-vos!). É que está mesmo a ver-se, fim-de-semana prolongado de 4 dias - sim, 4 dias, que viver nas Holandas também tem vantagens - em que tudo quanto é macaco há-de cair aqui em Amsterdão com o único objectivo de tornar a vida dos locais um autêntico inferno tipo sardinha-em-lata, e euzinha ia ficar aqui! Fat chance! Ora dêem uma espreitadela a onde vou, pequenina, que quando voltar prometo fotos melhores.


quarta-feira, 8 de abril de 2009

ugly oilily

É incrível. Há poucos dias passei por uma loja de roupa de criança e uns coelhinhos de pano chamaram-me a atenção, eram tão giros e originais, com umas flores a fazer de olhos, que pensei cá para comigo que, realmente, era uma pena todos os bebés que conheço sejam rapazes (qualquer dia dá para uma equipa de futebol). E hoje, na minha leitura matinal de blogs, dei com esta tristeza:
Uma marca de roupa de criança holandesa muito conhecida (aparentemente até tem lojas em Portugal) está a vender um boneco plagiado de uma criadora portuguesa, Rosa Pomar, um coelhinho de pano com olhos em forma de flores!! No blog da criadora achei fotos de ambos os produtos e o comentário da própria e, realmente, é triste uma pessoa criar algo e ver esse trabalho copiado à descarada sem qualquer tipo de proveito ou reconhecimento!
Como a batalha legal deve ser, no mínimo, complicada, e já que a blogosfera pode existir para mais do que desabafos público-privados, então quem puder que envie esta reclamação:
i
"Dear Oilily representative,

I am aware that your product no. 103394-3005 is a copy of Rosa Pomar's well known soft doll and that she hasn't given you permission to use her design. As a consumer, i have lost my confidence in your company. I will never buy from you again and I will advise everyone else to do the same until you have corrected this situation.

Please stop selling product no. 103394-3005 and all other products that include the image of this doll immediately. You should also contact Ms. Pomar and compensate her for her loss.

Sincerely,
..."
para info@oilily.nl, mais que não seja enchemos-lhes a caixa com reclamações!

terça-feira, 7 de abril de 2009

O Vondelpark

Adoro ir ao Vondelpark dar umas voltas. É um parque de cidade ao estilo do Central Park de Nova Iorque, apesar de bem mais pequeno (também, só numa cidade daquele tamanho é possível tanto hectare de parque). Vénia seja feita aos holandeses, não há dia nem hora em que o parque tenha pouca gente, faça chuva ou faça sol. Se há povo que gosta de laurear a pevide, é este. Passeiam casaisinhos, passeiam em grupos, passeiam com os miúdos, com o cão, a pé, de bicicleta, de patins, tanto faz. E é preciso ver que o tempo que faz nesta terra não é dos mais propícios ao passeio. Na sexta-feira passada então, em que a temperatura subiu a uns extraordinários 20ºC, meia Amesterdão estava espalhada pelos relvados do Vondelpark a tostar braços e pernas num sol mais do que aprazível.
Mas com a Primavera há outra coisa que me diverte nos passeios no Vondelpark. As patas com os seus patinhos atrás. Já vi patinhos na adolescência, com idade de andar na primária, e hoje vi, finalmente, daqueles que, fossem humanos, estariam ainda no berçário. Patinhos daqueles que aparecem a ilustrar o livro do Patinho Feio (não o Patinho em si, que esse todos sabem que é um cisne, mas os irmãozinhos dele), pequenas bolinhas de pêlo amarelinho, tão fofinhos que apetece estender a mão e apanhar um. Sempre adorei estes bichos, em miúda adorava levar migalhas de pão para alimentar os do Parque Eduardo VII ou os dos jardins de Belém e não gostava nada quando os peixes, que também habitavam nos mesmos lagos, vinham comer o que não lhes pertencia! Agora, infelizmente, já não há patos em lado em nenhum em Lisboa! Com a histeria da gripe das aves desapareceram com tudo quanto é ave aquática da cidade e nunca mais arranjaram novos animais para animar o que agora são apenas tanques sujos e abandonados de água esverdeada. As perguntas que faço a mim própria não seguem uma ordem muito lógica mas continuam a saltar-me à memória. Será que a gripe das aves não sobrevive com o frio holandês e por isso não tiveram que exterminar os pobres animais? Será que há excesso de zelo em Portugal (mas só em certos casos, como dizimar aves indefesas)? Já que os patos eram um perigo tão grande que tiveram de ser eliminados, porque não exterminaram também os pombos que infestam a capital? Aposto que havia muita gente feliz... E, já agora, o que pensavam fazer em relação às gaivotas, caso a famigerada gripe aviária chegasse a Portugal? Enfim, há pequenas coisas (pequenas, mas grandes) que fazem com que sinta um pouco menos de falta de Portugal.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

...

Há 15 dias atrás foram finalmente colocadas na rua da minha mãe as placas que assinalam o lugar de estacionamento que lhe está reservado por ser portadora de deficiência numa perna. Desde essa altura conseguiu estacionar lá o carro 3 vezes.
Em duas semanas nunca encontrou o lugar vazio. No primeiro dia colocou mensagens nos vidros dos carros que lé estavam a chamar a atenção. Continuaram lá três ou quatro dias. Duas tardes parou o carro no meio da rua, com os quatro piscas ligados, a bloquear os carros que lhe ocupavam o lugar. Nada. Hoje de manhã, chamou o reboque, deixando mais uma vez o carro a impedir a saída dos que lhe ocupavam o lugar. Esteve lá uma hora e meia parado. Mais uma vez, ninguém apareceu.
Quando o reboque da polícia chegou, a minha mãe desceu à rua e, nem cinco minutos depois, apareciam ambas as donas dos carros, uma primeiro, a outra pouco depois! Cheias de pedidos de desculpas, não vi, não sabia, não reparei... O que é certo é que durante uma hora e meia nenhuma deu pelo carro parado no meio da rua que lhes bloqueava a saída. No entanto, as duas inocentes que nem sabiam que tinham o carro mal estacionado, estavam na rua de chave na mão pouquíssimo tempo depois de chegar a polícia, evitando que, além da multa, ainda tivessem de pagar o reboque.
Cá para mim, e tendo em conta que nenhuma das senhoras tinha consciência da ilegalidade, é preciso ter sorte para ir à janela mesmo na altura em que chega a polícia. Mas isto sou só eu...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Carros quitados*

O meu carro é melhor c'ó teu! Olha-me só esta pintura metalizada, e o ailleron (ai que não sei escrever o raio da palavra, será que é assim?) traseiro? Parece o space shuttle! Eh, pá, não, o meu é que é bom, já ouviste o sonoro que bomba das novas colunas?! Só não se ouve tão bem porque o ronco do motor a sair por aquele escape melhorado, platinado e agigantado o abafa um bocadito...
Estas conversas sempre me deram ataques de riso. E dos grandes! Às vezes carros velhos, velhos mas todos pipi, cheios de acrescentos, passeiam donos quase inchados de tanto orgulho no bólide-sucata. Este tipo de acessórios seguem uma regra simples: quantos mais, mais brilhantes, barulhentos e maiores, melhor! O meu carrinho velho (Deus guarde a sua alma em paz) teve dois problemas simultâneos: uma vela fundida e o tubo de escape roto. Ora qualquer condutor sabe que o escape roto faz um barulho dos diabos, o que pode não saber é que uma vela fundida faz com que o carro acelere sozinho, mesmo parado, por exemplo, nos semáforos. Não imaginam aqueles meus dois ou três dias a conduzir por Lisboa um carro que roncava como o mais quitado dos tunnings e ainda por cima, de moto proprio! Houve atrasados a julgarem que eu estava a "picar-me" com eles, pois o meu Punto acelerava em seco como se quisesse chegar em primeiro à pole position (este texto está lindo, também não sei se isto se escreve assim). Chorei a rir. Infelizmente, o carro lá teve de ir a arranjar e os picanços evaporaram-se.
Mas nestes últimos dias ouvi a versão paranóica-terrorista dos taradinhos do tunning, nas insuspeitas figuras do Exmo. Sr. Presidente dos EUA e do não menos Exmo. Sr. Presidente da Rússia. Foram para Londres com os seus bólides atrás e toca de dizer, ai o meu carro é à prova de bomba, ai, não, mas o meu é muito melhor, aguenta com granadas lançadas por um rocket! Ora, pel'amor de Deus! Tenham juízinho, não me digam que as pilinhas dos países agora também são directamente proporcionais à qualidade do bate-chapas oficial da presidência!
* acabei de me aperceber que "carros quitados" parece ser a definição dos carros que, após um grave problema de piolhagem, resolveram ser esfregados com o imortal Quitoso! Ahahah!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

No rescaldo do 1º de Abril

Numa outra piada do dia 1º de Abril um comediante imitou a voz do ex-presidente norte-americano Richard Nixon dizendo que se ia recandidatar à presidência e que o slogan da campanha era, nada mais nada menos do que: "I didn't do anything wrong, and I won't do it again."
Ora digam lá se este slogan não se aplicava bem a qualquer recandidatura de presidentes, primeiros-ministros, presidentes de câmara, de junta de freguesia, etc., etc., deste nosso Portugal!*
* até na recandidatura de ex-ditadores e ex-reis, desejados ou não, maiores portugueses de todo o sempre ou não...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

1º de Abril

Nem me tinha lembrado deste dia... em criança adorava, mas era tão tonha que caía em tudo quanto me dissessem! Um dia os meus pais asseguraram-me que íamos para Lisboa (vivia então na Costa) de helicóptero, notícia que me deixou eufórica! Nada de bichas (as do trânsito, as outras nem sabia que existiam) e voar pela primeira vez! Até me explicaram que o helicóptero iria pousar no topo do meu prédio para nos apanhar... Nem imaginam a tristeza quando começámos a descer no elevador e eu perguntei porque não íamos para cima, apanhar o helicóptero!
Enfim, mas o que me chamou a atenção para o dia de hoje foi esta notícia, que descobri no Yahoo. Ouçam o primeiro vídeo, o do esparguete, é lindo! Eu, pelo menos, tinha a desculpa de ser uma criança inocente...

Eu quero a MINHA bicicleta!


Esta coisinha que vêem aqui à direita foi uma das minhas prendas de Natal. Como se pode ver é uma clássica bicicleta de mulher, cinzenta, grande, marca RRazelle*, igual a tantas outras, sem nada distintivo. E qual é o problema?, perguntam vocês. Nenhum, quando está trancada na minha arrecadação, que tem um grande 25C colado na porta. Mas quando saio com ela tenho de deixá-la sempre num lugar distintivo, para eu saber que aquela que está sozinha, ou amarrada ao sinal de trânsito ou virada ao contrário das outras é a minha. O problema é que, invariavelmente, quando regresso para a ir buscar, quinhentas outras bicicletas igualmente cinzentas, grandes, etc., etc.... foram deixadas no mesmo lugar e como é que eu descubro a minha menina? Reina a confusão no meu cérebro, será que a deixei à porta ou agarrada ao poste? Disparo olhares em pânico para a direita e para a esquerda, e a pergunta querem ver que me roubaram a bicla? surge do quinto dos infernos para me atormentar.

Foi neste estado de espírito atormentado que no outro dia, durante as limpezas, descobri uma florzita vermelha de papel (sabe Deus de onde veio) guardada dentro de uma gaveta. Abençoada mania de enfiar tudo quanto é idiotice minimamente engraçada para dentro de gavetas e caixas de cartão! É só receber uma prenda com um qualquer berloque pendurado que penso logo, ai que coisinha tão gira, pode fazer falta para qualquer coisa! e toca de a guardar. Foi uma mania que muitas vezes me foi útil na altura em que dei aulas aos pequenotes da primária, que em três anos consumiram a maior parte das minhas preciosidades, e que agora devolveu paz de espírito à minha alma. De cada vez que abandono a minha bicla no meio da rua já não penso que poderá ficar perdida no meio de tantas outras porque há uma pequena flor vermelha que, enfiada na sua campaínha, a distingue para lá de qualquer dúvida. Quando saio do supermercado é só olhar para 20 ou 30 campaínhas e ver qual é que tem a dita flor lá enfiada. Estou em paz.




* RRazelle é como se lê... na realidade escreve-se Gazelle (aquele animal saltitão que costuma ser almoço de leões em África, estão a ver?)

Irra, estou a ficar farta daquela piscina

Pois é... mais uma surpresa desagradável numa ida à piscina! Como tinha dito já noutro post, os horários são diferentes de dia para dia e algumas horas têm tipos específicos de natação (naaktzwemmen, por ex.). Ora hoje das 10h ao meio-dia havia quiet swimming - e lá fui eu na esperança de gozar uma horinha na calma e sossego de uma piscina silenciosa. Sim, porque tradizir quiet swimming por natação silenciosa não é, diria eu, algo muito rebuscado. Qual não é o meu espanto quando, ao entrar na área do raio da piscina, não só ouço o som da conversa como gritos! Pensei cá para comigo... tanta regra, tanta regra e no final quiet swimming my ass! Mas também não era só por isso que me ia chatear!
Quando me aproximo da água começo a distinguir as pessoas (graças à minha pitosguice crónica antes eram só e apenas vultos) e a grande maioria está, claramente, acima dos 70 anos. E não são poucos, mas sim umas boas 2 ou 3 dezenas de anciãos de molho. Foi aí que me surgiu a mais importante das perguntas, naquelas circunstâncias... como é que eu vou conseguir nadar alguma coisa de jeito no meio da brigada do reumático?!
Lá entrei na água a bufar e só depois de algumas braçadas (não muitas dadas as cisrcunstâncias) é que alguém me disse que quiet swimming não tem nada a ver com silêncio, mas sim com os idosos. É a hora em que não se pode nadar depressa, nem estilos muito espalhafatosos. O quiet, afinal, significa calminho.
Resumindo, estive mais de meia hora a nadar bruços, quase não consigo escrever este post com as dores nos braços e decidi que quiet swimming outra vez só quando também eu me enquadrar na honrosa brigada do reumático!

terça-feira, 31 de março de 2009

Un hermanito llamado el Imbécil

Y ese sábado histórico de mi vida (...) yo y el Imbécil estábamos desayunando en unos tamburetes de la cocina. El Imbécil, por si no lo sabes todavía, es mi hermano pequeño, no le llamo el Imbécil por faltarle el respecto, le llamo el Imbécil porque en un principio me sentó como un tiro que viniera a este mundo. (...) Ahora el Imbécil tiene cuatro años y, claro, con el roce le voy cogiendo más cariño pero el problema está en que ya no me acuerdo de su verdadero nombre. Él está muy contento con su mote, en serio. Sin ir más lejos, el otro día mi madre le dijo:
- No hagas eso, Nicolás.
Le llamó Nicolás porque se debe de llamar Nicolás, seguramente.
Y el Imbécil protestó:
- !El nene no es Nicolás! !El nene es el Imbécil!
P.S. - passagem obviamente tirada do livro espanhol para crianças que já terminei, Manolito on the road.

O meu avô no seu melhor II

O meu avô é um típico avô português. Baixinho (mirrou com a idade), careca e surdo que nem uma porta. E esta foi uma conversa dele com um vizinho que a minha mãe ouviu e me contou.
O vizinho diz: "Estive ao telefone com a Iolanda."
O meu avô pergunta: "Telefonaste para a Holanda?"
O vizinho responde, levantando a voz: "Não, falei com a Iolanda, a minha irmã."
O meu avô responde: "Ahhh... Pois, é que na Holanda é onde está a minha neta, sabes?"
* Para quem não é letrado na surdez do meu avô: "Ahhh..." significa que não ouviu / percebeu nada mas que não vai dar o braço a torcer; é uma sorte não ter ficado a pensar que o vizinho tinha telefonado para mim...

segunda-feira, 30 de março de 2009

Ainda há gente honesta

Hoje fui dar uma volta e beber um cafe latte to go. Depois resolvi entrar numa loja e noutra e ainda noutra... e de cada uma trouxe um saco! Nada de caro, nada de especial... uns champôs, postais, um agrafador, a peça do aspirador que se tinha avariado. O problema é que, com o copo do latte e não sei quantos sacos na mão, um deles acabou por ficar esquecido numa loja. Ainda por cima, continha daquelas coisas que servem a toda a gente - champô e vitaminas - e só dei pela sua falta em casa. Enquanto peguei na bicicleta* para, rapidamente, voltar ao sítio onde achava que me tinha esquecido do saco, pensava cá para comigo que ia em vão - há que séculos que alguém tinha pegado no saco e esfregado as mãos de contente (parecendo que não iam mais de 30 aéreos naquele saquinho!). Lá cheguei esfalfada à dita loja e perguntei no apoio ao cliente se alguém tinha entregue um saco perdido... e não é que tinham?! Um senhor (Deus, Alá, Buda e todos os santinhos o favoreçam) tinha achado o meu saquinho e entregado a uma empregada... Afinal de contas ainda há gente honesta!

* ai, tão holandesa que eu estou...

sexta-feira, 27 de março de 2009

Naaktzwemmen (eu explico...)

Ui, ui, as descobertas escabrosas nesta terra nunca mais páram! Depois de uma deslocação infrutífera à piscina onde pretendia dar umas braçadas porque a mesma estava reservada para uso de crianças das escolas, resolvi que tinha mesmo de traduzir o horário que me tinham entregue no primeiro dia. Sim, porque o horário da piscina municipal não é nada tão óbvio como de 2ª a 6ª das 9h às 20h e Sábados das 9h às 13h, por ex.. Nãooo! Em cada dia da semana há um horário diferente, para quê simplificar?! Então se às 2ªs-feiras está aberta das 7h às 18h, às 5ªs funciona das 7h às 9h, das 12h às 13h (lunch swimming), das 14h30 às 18h e das 20h às 22h (job swimming). Simples, né? E perguntam vocês: "O que é lunch swimming e job swimming?" Ora pois perguntam muito bem, porque eu também não sei, esta foi a tradução para o inglês que o Google fez da algaraviada holandesa que vem escrita no horário... Mas o melhor ainda aí vem! Então aos Domingos não é que há, das 16h30 às 17h30 naaktzwemmen?! Ahahah! Lindo! Só neste país! Sabem o que é naaktzwemmen segundo a tradução do Google? Naked swimming!!!!!

Só para ilustrar o post anterior





Cá estão os dois Manneken Pis (versões casa-se-banho e cozinha)

As duas facetas do Manneken Pis

Toda a gente conhece o Manneken Pis, o simpático boneco anão que faz a sua chichoca numa esquina de Bruxelas. Pelo menos já ouviram falar, porque vê-lo às vezes é complicado... Eu mesma (adoro estas duas palavrinhas juntas) andei, com umas amigas, para trás e para a frente duas vezes na rua onde o mijão se encontra sem dar com ele! Primeiro, como já frisei, o boneco é anão. Segundo, tem permanentemente uma trupe de japoneses à frente, todos de máquina fotográfica em riste, a flashar o pobre. Terceiro (e talvez devesse vir em primeiro lugar), no lado oposto da rua (e estamos a falar de uma rua estreita, sem trânsito) há uma daquelas chocolaterias belgas que têm na montra uma fonte de chocolate derretido que exala uns vapores tão deliciosos que toda a gente normal olha imediatamente para o fluxo de chocolate e não para uma qualquer trupe de japoneses (atrás da qual se esconde o Manecas)!

Mas só quem já veio à Holanda conhece a outra faceta do simpático incontinente - faz (segundo os holandeses porque nunca provei) as melhores batatas fritas do mundo! E perguntaria um qualquer português com toda a razão: "Mas nesse restaurante só as batatas fritas é que prestam? E o resto? Os bifes são tenros, pelo menos?". Acontece que o Manneken holandês é famoso pelas suas patates frites porque serve - apenas e só - patates frites, devidamente enfiadas num cone de papel tipo "quentes e boas" e acompanhadas com uma generosa colherada de maionese (há outros molhos, mas a maionese é claramente a favorita). Ah, e estas batatinhas comem-se... ao lanche! Sim, é vê-los às 4h ou 5h da tarde agarrados ao seus cones engordurados com uns garfinhos liliputianos a espetar as batatas e a molhá-las generosamente na molhanga...

Vão perdoar-me os adeptos do "em Roma sê romano" mas batatas fritas, com maionese, ao lanche? Não, obrigada!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Eu não queria, mas

Não quis começar o blog logo a cascar na Igreja, no Papa e afins por isso mantive-me calada quando tive que ler tristes notícias sobre médicos excomungados por um bispo brasileiro (com a posterior benção do Vaticano) ou sobre os malefícios do preservativo no combate à SIDA... Mas em exploração blogosférica fui dar com esta pérola (dia 20/03/09), chorei a rir uns bons 5 minutos e vim fazer este link! Teve mesmo, mesmo de ser.

My usual self is back

E a primeira coisa que notou foi que os dois posts de ontem parecem ter sido escritos por dois peixitos diferentes! Para o resto do mundo que aqui vem (ui, tanta gente confusa) pode até parecer que tenho algum tipo de problema de personalidade... Mas não, infelizmente a razão para estes dois post tão diferentes é apenas a minha burrice informática, excesso de curiosidade e experimentação descontrolada. Agendei o post das Donas de casa para ontem mas tinha-o escrito há séculos (já nem me lembrava...) e foi publicado automaticamente. Depois bateu-me a saudade e escrevi o outro. O resultado assemelha-se em muito a um claro sintoma de dupla personalidade. É uma pena que não seja, de certeza teria muitas mais ideias interessantes para aqui colocar (just kidding)!

quarta-feira, 25 de março de 2009

há dias menos bons

estou farta. farta deste tempo ranhoso. de ver um terço das propostas de emprego a que respondo recusadas e os outros dois terços ignorados. de não ter com quem falar, pessoalmente, e ver nos olhos, na boca, nas mãos dessa pessoa o resto da resposta que está a dar-me. de não ter o que fazer. de fazer limpezas e arrumações em casa. de ter de me entreter com um livro, um computador e uma televisão.
tenho medo. de voltar a portugal e ter de dizer que estive meses sem trabalhar. de ficar apanhada da cabeça, afundada na tristeza e na solidão. tenho medo que os meus velhotes morram comigo à distância. que as pessoas me esqueçam.
tenho saudades do sol. de ter um cão. de ver o mar azul a brilhar ao sol. de almoçar fora. das pestes dos alunos. do meu carro. de toda a gente. da minha mãe.

A fama que criamos

Não sou grande fã das Donas de Casa Desesperadas (depois da primeira série acho que perdeu a graça) mas o teaser que passou aqui há uns tempos a anunciar os novos episódios conseguia sempre arrancar-me uma gargalhada (e, é preciso ver, passou durante semanas a fio!).

Edie - I've got a husband now.
Susan - Whose?

terça-feira, 24 de março de 2009

Se eu pudesse chegar lá num pulinho, ia para...

NEW YORK Apesar do frio, foram uns dias muito bem passados. Outro mundo, sem dúvida.

segunda-feira, 23 de março de 2009

E eu preocupada...

Assim que criei este bolg colocou-se a questão: dizer ou não dizer ao mariduncho que este aquário existe. Dizendo há uma série de coisas que depois já não poderia escrever... Não dizer significa coexistir com a possibilidade de o mariduncho descobrir e ficar chateado por não lhe ter dito nada... Uma dúvida quase-existencial. Resolvi dizer, não me quero divorciar por causa de um blog, por muito gosto que tenha em escrever aqui.
Pois nem quis saber o nome, diz que estas modernices da internet não lhe dizem nada e ainda acrescentou (vejam bem ao que uma pessoa vai quando diz "sim") "já não me chega ter de te ouvir, ainda tenho de ler o que escreves?!".

Raios partam este tempo

É oficial. Confirma-se, e está de acordo com todas as previsões. Infelizmente, nem sequer me espanta. Está, de novo, a chover. Estamos de novo abaixo dos 10ºC de temperatura máxima. E, segundo as previsões, vai continuar assim até domingo que vem. Irra! Raios! Porra! Chiça! Caneco! E não continuo porque não me lembro de mais insultos que possa escrever aqui sem ter de passar a colocar asteriscos em vez de letras!
* num flash da minha querida série FRIENDS acabei de me lembrar de mais um... "Va pr'a Napoli!"

domingo, 22 de março de 2009

Uma ida ao cinema

Fui ao cinema ver o Gran Torino, com o Clint Eastwood. Adorei o filme, só não digo que é muito bom porque isso depende dos gostos... Para o meu esteve óptimo. Mas não era do Gran Torino que vinha aqui escrever, era da ida ao cinema, per se.
A Lusomundo cá do sítio chama-se Pathé, e há vários cinemas, como um antigo, pitoresco, daqueles que é meio teatro com algumas filas de cadeiras penduradas bem acima da tela. O outro que conheço (há mais) é moderno, salas mais pequenas, mais de 10 no mesmo espaço. As pipocas e coca-colas do costume aqui misturam-se com fajitas de milho e cerveja. Até agora, nada de muito diferente. Mas isto é apenas a ponta do iceberg...
Há uma grande vantagem no cinema na Holanda - o som nunca está a ponto de nos rebentar os tímpanos como de há uns anos para cá começou a ser hábito em algumas (muitas) salas em Lisboa. Nos últimos tempos em que vivi em Lisboa levava os tampões dos ouvidos que comprei para a natação de cada vez que ia ver um filme e, acreditem, conseguia ouvir, tudo, tudinho. Uma desvantagem são as legendas - ter um monte de palavras holandesas no rodapé de um filme não contribui em nada para a minha compreensão do filme, principalmente quando estamos habituados a ler palavrinhas portuguesas, tão bonitinhas, exactamente no mesmo sítio. Outro problema ligado às legendas é a compreensão das falas que não são ditas em inglês... Nem em nenhuma outra língua inteligível! No Gran Torino, por ex., há algumas falas em mandarim (acho eu) com a respectiva legenda... em "chinês"! (no que me diz respeito, holandês=chinês)
Outra particulariedade do cinema Pathé são... os próprios holandeses! Sim, o holandês é um tipo chato que não tem nenhuma das restrições que qualquer português teria na ida ao cinema. O holandês levanta-se a meio do filme (haverá tantos incontinentes assim?!) e sai da sala, para voltar pouco depois. O holandês não tem o menor problema em levar comida (sim, comida, não batatas fritas ou pipocas) para comer durante o filme, empestando todo o anfiteatro com o cheiro do que está a comer. O holandês gosta (muito) de beber vinho, cerveja, qualquer coisa com álcool, e também não tem o menor pejo em levar de casa uma garrafinha de rosé e um copinho de pé alto para ir beberricando (ainda gozamos nós com o garrafão de tintol que antigamente se levava para a praia!) enquanto o filme vai passando. O holandês fala durante o filme e (ironia das ironias) como o som não está muito alto, consegues ouvir o bichanar dos parceiros à tua volta. E à saída, além do rapazinho com o saco do lixo para receber os pacotes e copos de papel que alguns se dignam a trazer para fora da sala (a maioria deixa tudo lá dentro), há um carrinho com várias caixas para colocar as garrafas de cereveja...

A brincar, a brincar...

Enviaram-me este link por e-mail, mas estes sketches costumam passar num canal do cabo (aqui da Holanda) chamado Animal Planet. É tudo "dito" (na realidade não há falas) a brincar, mas as mensagens são tão simples como importantes.

http://www.animalssavetheplanet.com/media/swf/design_video.swf?vidNumber=1

P.S. - gostei de todos, mas adorei a vaca e o leopardo...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Mixed feelings sobre a Primavera

A Primavera chegou... Esta estação do ano, muito amada por mim (quase tanto como a que se segue) lembra-me, no entanto, um triste episódio do início da minha carreira escolar. Caso não saibam, sempre fui uma aluna de notas médias-altas, que percebia rapidamente as explicações e que não dava muitos erros, especialmente daqueles que deixam a turma inteira a rebolar a rir-se de nós. Mas um belo dia (concerteza estaria o sol a brilhar e uma brisa amena a soprar do lado de fora da sala de aulas da minha 2ª ou 3ª classe) a professora Irene chamou-me para ir escrever uma frase ao quadro - uma frase que ela ditaria à medida que eu escrevesse. Escrever no grande quadro, usar o giz, ser escolhida pela professora (que eu adorava)... toda eu sorria. Sorria tanto que me esqueci de prestar atenção ao que estava a fazer! A frase versava (obviamente) sobre a Primavera mas eu, que sempre gostei de escrever demarcando bem as letras maiúsculas das minúsculas (não havia engano possível, aqueles caderninhos de duas linhas trataram de diferenciar bem o tamanho dos dois tipos de letras) escrevi... prima Vera. Assim. Bem separado. Com um vê que parecia uma enorme raíz quadrada invertida e de cabelo encaracolado. E nem dei pelo erro. Continuei a escrever enquanto começava a ouvir risos atrás de mim (sim, eu não parei às primeiras risadas, não estava treinada nesse sentido). Mas os risos aumentaram e a professora Irene chamou-me e pediu-me para eu ler o que tinha acabado de escrever. Devo ter-me afastado do quadro e comecei a ler a frase em voz alta. E aí, finalmente, o Tico encontrou-se com o Teco e perceberam os dois ao mesmo tempo que a frase (não me recordo exactamente mas devia dizer algo do género) "A prima Vera é uma estação do ano em que as flores e os passarinhos..." não fazia sentido. Vieram-me as lágrimas aos olhos (sou muito chorosa, qualquer coisinha e já escorrem litros de água salgada pela minha face) e, no meio do dilúvio, apaguei as vexatórias palavras "prima Vera" e escrevi tudo junto, sem raízes quadradas invertidas, "Primavera". Acho que foi aqui que passei, definitivamente, a preferir o Verão.
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* em meu favor tenho apenas a argumentar que sendo filha única, neta única, sobrinha única, etc., os primos sempre foram um grau de parentesco muito querido ao meu coração

quinta-feira, 19 de março de 2009

Conhecimentos de Holandês

Sabem como é que se apita com a bicicleta em holandês? "Tringalim!" - e depois não venham dizer que eu não sei dizer nada nesta língua...

* já agora aproveito para frisar que os holandeses (e as holandesas também) dizem mesmo "tringalim" para as outras pessoas quando têm as campaínhas das bicicletas avariadas!

A Dieta do Chocolate

Começo por confirmar que o título que preside a este post não foi um engano, não é a brincar (é mesmo um regime para perder peso) e não o fui buscar à revista Maria. É apenas o nome que eu dei a um regime alimentar prescrito por um nutricionista (ou seja, um médico a sério) dado que uma das coisas mais espantosas da sua teoria é que eu posso comer chocolate (negro, com 72% de cacau) de 2 em 2 horas!
Pois é, há malucos para tudo e a mim deu-me para acreditar num gajo com pronúncia afrancesada que diz que, desde que esteja a realizar trabalho intelectual, devo comer de 2 em 2 horas dois quadradinhos de chocolate ou uma peça de fruta, entre as chamadas refeições principais. Digam lá se não é um querido? E "blogar" conta como trabalho intelectual! Yuppiii!
Então a teoria do Dr. resume-se ao seguinte:
  1. antecipar a fome, comendo de 2 em 2 horas
  2. sedentarismo (físico e intelectual) = proteínas (meaning, iogurtes, queijo magro, leite, fiambre, presunto, etc.)
  3. trabalho intelectual = açúcares (AKA chocolatinho ou fruta)
  4. não misturar gorduras com hidratos de carbono (ou seja, carne ou peixe só com legumes, nada de massas, arroz, batatas; e nada de fruta às refeições principais)
  5. alimentos industrializados: não consumir com percentagens superiores a 15% nos lípidos e 6,5% nos glícidos

And that's basically it!

Há uns quantos pormenores macabros... não posso comer cenouras (!), cuidado com os iogurtes magros - para terem sabor reduzem na gordura e acrescentam nos açúcares, nada de tostas nem bolachas (nada), e posso petiscar (= a comer muito pouco e poucas vezes) maionese caseira, mas nunca industrial (vade retro).

Enfim, estou nisto há duas semanas, a minha sopa passou a parecer marciana (é sempre verde, não posso pôr cenoura) e, de resto, nem me queixo. O que é um facto é que no dia em que vou ter aulas de espanhol e só chego a casa às 11 da noite aguento-me com nada mais que 6 quadradinhos de chocolate desde a hora de almoço... Agora só faltam os resultados!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Contradições

Bem, por esta altura já todos sabem que estou a viver em Amsterdão, Países Baixos (AKA Holanda), onde se fala holandês (agora há quem dige neerlandês, mas isso para mim já é esquesitice a mais).
Só por curiosidade, sabem que cursinho de línguas vou ter hoje mais lá para a noite? Espanhol... :)

Acho mal

Como sabem, estou no desterro - vulgo Amsterdão. E uma das poucas coisas que me animam são as visitas de parentes e amigos que vou recebendo. E neste preciso momento devia estar a entreter uma amiga e o seu respectivo maridito. Mas não. Porquê, perguntarão vocês? Que desgraça aconteceu? Uma desgraça muito simples - teve de trabalhar.
Eu conto desde o princípio. Ainda corria 2008 apareceu uma promoção da KLM entre Lisboa e Amsterdão. E toca a aproveitar - foi amiga (a tal), foi mãe, foram sogras*, tudo comprou bilhetes. E a minha querida amiguita comprou para agora, consultou o marido e o chefe, marcaram férias, pagou a viagem, tudo dentro dos conformes. Mas, há um mês atrás, uns clientes perguntaram por ela para um trabalho. E o chefe foi-lhe dizer, ela viu que coincidia com a visita aqui e disse ao chefe que estava de férias, que tinha esta viagem, mas que se quisessem mesmo que fosse ela a fazer o trabalho... Fazia-o. E o que é que ela podia ter dito? Que não? Com o mercado de trabalho como está neste momento? Claro que não! Ou seja, acabou a fazer o trabalho, cancelou as férias e perdeu dinheiro da viagem que já estava paga. E eu a ver navios.
Ora quem eu culpo aqui é o chefe. Ela tinha férias marcadas há meses, se ele dissesse ao pessoal que a requisitou que ela tinha férias marcadas, que estava cansada (estafada, na realidade) eu aposto que tinham compreendido e nem quereriam que ela saísse prejudicada. Mas não... o chefe não disse nada e ela, obviamente, não podia recusar-se. Por tudo isto, ACHO MAL!

* explico este plural num outro post, ok?

** depois de reler o post, à procura de erros, percebi que escrevi de tal forma que parece que a minha miguita é "escort" profissional! Sem nada contra quem faz disso vida, este não é o caso - a S. trabalha numa agência de turismo e foi acompanhar um grupo em turismo...

terça-feira, 17 de março de 2009

O meu avô no seu melhor

Conversa hoje entre o meu avôzito, parado a olhar para duas camisas no armário da roupa, e a minha mãe:
"Filha, que camisa é que visto, a de flanela ou a mais fininha?"
"Vista a fininha, pai, que hoje também está calor."
(pausa para pensar)
"E qual é que é a mais fininha?"
...
* dar o devido desconto a quem já conta 88 Primaveras

segunda-feira, 16 de março de 2009

Como é que é possível???

Imaginem alguém a andar de bicicleta com dezenas de outras bicicletas à sua volta. Imaginem isso no meio do trânsito - sim, no meio dos carros, das camionetas, dos táxis, dos eléctricos! E imaginem ainda que esse alguém leva outra pessoa pendurada na parte de trás da sua bicicleta, sentada na armação por cima da roda. Imaginem agora que o "pendura", de repente, salta da bicicleta (sim, em andamento!) e desata a correr atrás dela - que entretanto ganhou velocidade para subir uma pontezita. Para terminar, imaginem que, ao chegar ao topo da inclinação, o "pendura" volta a atirar-se para o seu lugar, assim, sem mais nem menos, em movimento. E que ninguém morreu (nem sequer esfolou o joelho) em todo este filme. Pois. Agora imaginem a vossa (minha) cara. E aí está porque é que, de vez em quando, toda a gente que está na rua sabe que eu não sou de cá.

Bem-hajas São Pedro

Será que a chuva se foi de vez? Claro que não, afinal isto é a Holanda! Mas sim senhor, hoje esteve um solzinho de encher o olho - até andei de óculos de sol nas duas vezes que saí à rua... e sem os tirar constantemente para cima da cabeça, como faço de cada vez que o sol se esconde atrás de uma nuvem e fica escuro como breu. Bem-hajas S. Pedro, pelo dia de hoje!

* já que já, S. Pedro, amiguito, leva um pouco de fresco lá para Portugal mas não deixes a temperatura aqui descer abaixo dos dois dígitos outra vez, boa? Muito agradecida!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Coisas sagradas

Há três coisas neste mundo que deviam ser sagradas: as crianças, os velhotes e os animais, e com sagradas quero dizer que, pelo menos, não deviam sofrer desnecessariamente. Mas não, não sou vegetariana e este não é um post sobre esse assunto...
Acabei de ler no site da RTP que mais três cavalos foram mortos no Alto Minho (há pouco tempo tinha lido outra notícia sobre este assunto), ao que parece porque, como andam soltos pelos montes, comem indiscriminadamente ervas e plantações de diversos cereais, o que não é (logicamente) do agrado dos agricultores. No entanto, entre a razão que podem ter os agricultores e (a acreditar no que diz na notícia) abaterem os animais à paulada e a tiro vai uma grande distância! Haja algum respeito pela vida dos animais que não têm a noção que estão a prejudicar alguém! Se (felizmente) nem um ladrão é hoje em dia castigado com a pena de morte em Portugal, porque o há-de ser um pobre animal selvagem? E, novamente segundo a notícia, é já o 18º a aparecer morto a tiro este ano (não preciso de lembrar a ninguém que ainda não chegámos a meio do mês de Março, pois não?).
Se eu pouco mais posso fazer do que indignar-me, alguém de direito que faça algo contra este crime! Ah, se alguém quiser ler a notícia completa, pode encontrá-la aqui.

terça-feira, 10 de março de 2009

Cheguei! (a blogosfera aos 30)

É triste, eu sei. É estranho, também. Mas é verdade. Antes dos 30 não tive qualquer contacto com a chamada blogosfera, ou seja, nem tinha blog nem tinha consultado, sequer, um blog de outra pessoa. É uma falha, especialmente para alguém de letras/comunicação e alguém que se considera (minimamente) interessado no mundo para além da sua própria vivência. No entanto, sei bem de onde veio esta falta de conhecimento da blogosfera - sou, desde criança, um tudo-nada alérgica a computadores, novas tecnologias, etc. Game-boy, Nintendo, jogos de computador? Blrghhhh! No máximo perdia algum tempo a tentar encaixar as pecinhas do Tetris que a minha mãe me comprou numa qualquer lojeca de esquina, nada que substituísse uma boa brincadeira no parque, um livro engraçado ou um jogo tradicional - daqueles que se jogam com cartas, tabuleiros, marcadores...

Foi preciso chegar aos 30 e alguém querido ter-me dito, nesta altura em que estou tão longe de todos... "Sabes, eu tenho um blog... não é muito conhecido, mas pelo menos dá para ires tendo uma ideia do que se passa comigo." E pronto, lá fui eu, muito interessada, muito curiosa. Primeiro, li aquele blog quase todo - afinal aquele era de alguém que me importava, que eu conhecia e que escreve tão, tão bem. Mas depois, alinhadinhos à direita da prosa que eu já gastara, estavam OUTROS blogs! De outras pessoas! Que talvez fossem conhecidas do alguém querido ou talvez não, minhas conhecidas não eram quase de certeza, mas escreviam bem e contavam uma história, descreviam uma personalidade, comentavam notícias - tudo do seu ponto de vista, como se estivessem a conversar com amigos num café, onde cada um é livre de dizer (quase) tudo o que lhe sobe à cabeça! E, maravilha das maravilhas, outras pessoas respondiam, por vezes claramente pessoas conhecidas, outras vezes pessoas que, aparentemente, apenas conheciam o blog, gostavam (ou não) dele e participavam nas discussões, concordando, discordando, insultando (não percebo porquê, mas é algo comum)... interagindo!

O que eu ri! O que eu chorei... Mas voltei a sentir-me em casa, lendo descrições de pessoas que se parecem tanto com outras que eu conheço, comentando assuntos, séries, notícias, programas de rádio ou televisão que estava habituada a seguir, a ver, a ouvir e que aqui nos Países Baixos não existem, não fazem sentido. E é por isto que aqui estou... mais uma no blogosfera, com nenhuma pretenção de fazer história ou ganhar seguidores. Só pretendo desabafar, treinar um pouco os dedos e o cérebro. Sim, este vai ser mais um daqueles blogs pessoais, que tantos criticam, que falam de tudo e de nada, consoante o que me dá na real gana.

Bem-vinda! - é o que digo a mim própria.