quinta-feira, 19 de março de 2009

Conhecimentos de Holandês

Sabem como é que se apita com a bicicleta em holandês? "Tringalim!" - e depois não venham dizer que eu não sei dizer nada nesta língua...

* já agora aproveito para frisar que os holandeses (e as holandesas também) dizem mesmo "tringalim" para as outras pessoas quando têm as campaínhas das bicicletas avariadas!

A Dieta do Chocolate

Começo por confirmar que o título que preside a este post não foi um engano, não é a brincar (é mesmo um regime para perder peso) e não o fui buscar à revista Maria. É apenas o nome que eu dei a um regime alimentar prescrito por um nutricionista (ou seja, um médico a sério) dado que uma das coisas mais espantosas da sua teoria é que eu posso comer chocolate (negro, com 72% de cacau) de 2 em 2 horas!
Pois é, há malucos para tudo e a mim deu-me para acreditar num gajo com pronúncia afrancesada que diz que, desde que esteja a realizar trabalho intelectual, devo comer de 2 em 2 horas dois quadradinhos de chocolate ou uma peça de fruta, entre as chamadas refeições principais. Digam lá se não é um querido? E "blogar" conta como trabalho intelectual! Yuppiii!
Então a teoria do Dr. resume-se ao seguinte:
  1. antecipar a fome, comendo de 2 em 2 horas
  2. sedentarismo (físico e intelectual) = proteínas (meaning, iogurtes, queijo magro, leite, fiambre, presunto, etc.)
  3. trabalho intelectual = açúcares (AKA chocolatinho ou fruta)
  4. não misturar gorduras com hidratos de carbono (ou seja, carne ou peixe só com legumes, nada de massas, arroz, batatas; e nada de fruta às refeições principais)
  5. alimentos industrializados: não consumir com percentagens superiores a 15% nos lípidos e 6,5% nos glícidos

And that's basically it!

Há uns quantos pormenores macabros... não posso comer cenouras (!), cuidado com os iogurtes magros - para terem sabor reduzem na gordura e acrescentam nos açúcares, nada de tostas nem bolachas (nada), e posso petiscar (= a comer muito pouco e poucas vezes) maionese caseira, mas nunca industrial (vade retro).

Enfim, estou nisto há duas semanas, a minha sopa passou a parecer marciana (é sempre verde, não posso pôr cenoura) e, de resto, nem me queixo. O que é um facto é que no dia em que vou ter aulas de espanhol e só chego a casa às 11 da noite aguento-me com nada mais que 6 quadradinhos de chocolate desde a hora de almoço... Agora só faltam os resultados!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Contradições

Bem, por esta altura já todos sabem que estou a viver em Amsterdão, Países Baixos (AKA Holanda), onde se fala holandês (agora há quem dige neerlandês, mas isso para mim já é esquesitice a mais).
Só por curiosidade, sabem que cursinho de línguas vou ter hoje mais lá para a noite? Espanhol... :)

Acho mal

Como sabem, estou no desterro - vulgo Amsterdão. E uma das poucas coisas que me animam são as visitas de parentes e amigos que vou recebendo. E neste preciso momento devia estar a entreter uma amiga e o seu respectivo maridito. Mas não. Porquê, perguntarão vocês? Que desgraça aconteceu? Uma desgraça muito simples - teve de trabalhar.
Eu conto desde o princípio. Ainda corria 2008 apareceu uma promoção da KLM entre Lisboa e Amsterdão. E toca a aproveitar - foi amiga (a tal), foi mãe, foram sogras*, tudo comprou bilhetes. E a minha querida amiguita comprou para agora, consultou o marido e o chefe, marcaram férias, pagou a viagem, tudo dentro dos conformes. Mas, há um mês atrás, uns clientes perguntaram por ela para um trabalho. E o chefe foi-lhe dizer, ela viu que coincidia com a visita aqui e disse ao chefe que estava de férias, que tinha esta viagem, mas que se quisessem mesmo que fosse ela a fazer o trabalho... Fazia-o. E o que é que ela podia ter dito? Que não? Com o mercado de trabalho como está neste momento? Claro que não! Ou seja, acabou a fazer o trabalho, cancelou as férias e perdeu dinheiro da viagem que já estava paga. E eu a ver navios.
Ora quem eu culpo aqui é o chefe. Ela tinha férias marcadas há meses, se ele dissesse ao pessoal que a requisitou que ela tinha férias marcadas, que estava cansada (estafada, na realidade) eu aposto que tinham compreendido e nem quereriam que ela saísse prejudicada. Mas não... o chefe não disse nada e ela, obviamente, não podia recusar-se. Por tudo isto, ACHO MAL!

* explico este plural num outro post, ok?

** depois de reler o post, à procura de erros, percebi que escrevi de tal forma que parece que a minha miguita é "escort" profissional! Sem nada contra quem faz disso vida, este não é o caso - a S. trabalha numa agência de turismo e foi acompanhar um grupo em turismo...

terça-feira, 17 de março de 2009

O meu avô no seu melhor

Conversa hoje entre o meu avôzito, parado a olhar para duas camisas no armário da roupa, e a minha mãe:
"Filha, que camisa é que visto, a de flanela ou a mais fininha?"
"Vista a fininha, pai, que hoje também está calor."
(pausa para pensar)
"E qual é que é a mais fininha?"
...
* dar o devido desconto a quem já conta 88 Primaveras

segunda-feira, 16 de março de 2009

Como é que é possível???

Imaginem alguém a andar de bicicleta com dezenas de outras bicicletas à sua volta. Imaginem isso no meio do trânsito - sim, no meio dos carros, das camionetas, dos táxis, dos eléctricos! E imaginem ainda que esse alguém leva outra pessoa pendurada na parte de trás da sua bicicleta, sentada na armação por cima da roda. Imaginem agora que o "pendura", de repente, salta da bicicleta (sim, em andamento!) e desata a correr atrás dela - que entretanto ganhou velocidade para subir uma pontezita. Para terminar, imaginem que, ao chegar ao topo da inclinação, o "pendura" volta a atirar-se para o seu lugar, assim, sem mais nem menos, em movimento. E que ninguém morreu (nem sequer esfolou o joelho) em todo este filme. Pois. Agora imaginem a vossa (minha) cara. E aí está porque é que, de vez em quando, toda a gente que está na rua sabe que eu não sou de cá.

Bem-hajas São Pedro

Será que a chuva se foi de vez? Claro que não, afinal isto é a Holanda! Mas sim senhor, hoje esteve um solzinho de encher o olho - até andei de óculos de sol nas duas vezes que saí à rua... e sem os tirar constantemente para cima da cabeça, como faço de cada vez que o sol se esconde atrás de uma nuvem e fica escuro como breu. Bem-hajas S. Pedro, pelo dia de hoje!

* já que já, S. Pedro, amiguito, leva um pouco de fresco lá para Portugal mas não deixes a temperatura aqui descer abaixo dos dois dígitos outra vez, boa? Muito agradecida!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Coisas sagradas

Há três coisas neste mundo que deviam ser sagradas: as crianças, os velhotes e os animais, e com sagradas quero dizer que, pelo menos, não deviam sofrer desnecessariamente. Mas não, não sou vegetariana e este não é um post sobre esse assunto...
Acabei de ler no site da RTP que mais três cavalos foram mortos no Alto Minho (há pouco tempo tinha lido outra notícia sobre este assunto), ao que parece porque, como andam soltos pelos montes, comem indiscriminadamente ervas e plantações de diversos cereais, o que não é (logicamente) do agrado dos agricultores. No entanto, entre a razão que podem ter os agricultores e (a acreditar no que diz na notícia) abaterem os animais à paulada e a tiro vai uma grande distância! Haja algum respeito pela vida dos animais que não têm a noção que estão a prejudicar alguém! Se (felizmente) nem um ladrão é hoje em dia castigado com a pena de morte em Portugal, porque o há-de ser um pobre animal selvagem? E, novamente segundo a notícia, é já o 18º a aparecer morto a tiro este ano (não preciso de lembrar a ninguém que ainda não chegámos a meio do mês de Março, pois não?).
Se eu pouco mais posso fazer do que indignar-me, alguém de direito que faça algo contra este crime! Ah, se alguém quiser ler a notícia completa, pode encontrá-la aqui.

terça-feira, 10 de março de 2009

Cheguei! (a blogosfera aos 30)

É triste, eu sei. É estranho, também. Mas é verdade. Antes dos 30 não tive qualquer contacto com a chamada blogosfera, ou seja, nem tinha blog nem tinha consultado, sequer, um blog de outra pessoa. É uma falha, especialmente para alguém de letras/comunicação e alguém que se considera (minimamente) interessado no mundo para além da sua própria vivência. No entanto, sei bem de onde veio esta falta de conhecimento da blogosfera - sou, desde criança, um tudo-nada alérgica a computadores, novas tecnologias, etc. Game-boy, Nintendo, jogos de computador? Blrghhhh! No máximo perdia algum tempo a tentar encaixar as pecinhas do Tetris que a minha mãe me comprou numa qualquer lojeca de esquina, nada que substituísse uma boa brincadeira no parque, um livro engraçado ou um jogo tradicional - daqueles que se jogam com cartas, tabuleiros, marcadores...

Foi preciso chegar aos 30 e alguém querido ter-me dito, nesta altura em que estou tão longe de todos... "Sabes, eu tenho um blog... não é muito conhecido, mas pelo menos dá para ires tendo uma ideia do que se passa comigo." E pronto, lá fui eu, muito interessada, muito curiosa. Primeiro, li aquele blog quase todo - afinal aquele era de alguém que me importava, que eu conhecia e que escreve tão, tão bem. Mas depois, alinhadinhos à direita da prosa que eu já gastara, estavam OUTROS blogs! De outras pessoas! Que talvez fossem conhecidas do alguém querido ou talvez não, minhas conhecidas não eram quase de certeza, mas escreviam bem e contavam uma história, descreviam uma personalidade, comentavam notícias - tudo do seu ponto de vista, como se estivessem a conversar com amigos num café, onde cada um é livre de dizer (quase) tudo o que lhe sobe à cabeça! E, maravilha das maravilhas, outras pessoas respondiam, por vezes claramente pessoas conhecidas, outras vezes pessoas que, aparentemente, apenas conheciam o blog, gostavam (ou não) dele e participavam nas discussões, concordando, discordando, insultando (não percebo porquê, mas é algo comum)... interagindo!

O que eu ri! O que eu chorei... Mas voltei a sentir-me em casa, lendo descrições de pessoas que se parecem tanto com outras que eu conheço, comentando assuntos, séries, notícias, programas de rádio ou televisão que estava habituada a seguir, a ver, a ouvir e que aqui nos Países Baixos não existem, não fazem sentido. E é por isto que aqui estou... mais uma no blogosfera, com nenhuma pretenção de fazer história ou ganhar seguidores. Só pretendo desabafar, treinar um pouco os dedos e o cérebro. Sim, este vai ser mais um daqueles blogs pessoais, que tantos criticam, que falam de tudo e de nada, consoante o que me dá na real gana.

Bem-vinda! - é o que digo a mim própria.